O novo Plano Nacional de Educação e o desafio da execução

Coluna

Desafios

18 de maio de 2026

O novo Plano Nacional de Educação e o desafio da execução

Texto aprovado apresenta maior densidade em cinco dimensões, mas enfrenta a questão da atratividade da carreira docente

Aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano, o novo Plano Nacional de Educação (PNE) reposiciona a qualidade e a equidade do acesso ao ensino no centro da política educacional — mas sua efetividade dependerá da capacidade real das redes e das condições da carreira docente.

O plano anterior tinha forte marca de acesso. O novo, instituído pela lei nº 15.388/2026, mantém a preocupação com cobertura, mas a reorganiza dentro de um raciocínio mais completo: acesso com permanência, permanência com conclusão, conclusão com aprendizagem, aprendizagem com padrão mínimo de qualidade.

Esse é um avanço conceitual importante, pois enfrenta uma insuficiência histórica dos planos educacionais brasileiros: a expansão no número de matrículas sem igual densidade no acompanhamento da aprendizagem real. Aqui podemos identificar um ponto de sustentação à execução do plano: a aprendizagem não se organiza simplesmente por decreto, mas pela mediação cotidiana do professor.

O segundo eixo forte é a equidade. Ela passa a ocupar posição estruturante no texto aprovado, com metas voltadas à redução das desigualdades entre grupos sociais, raciais e regionais. É necessário assegurar alfabetização sem desigualdades entre estudantes definidos por raça/cor, sexo, nível socioeconômico, região e localização, bem como reduzir disparidades de aprendizagem ao longo dos ensinos Fundamental e Médio.

O acompanhamento por indicadores sensíveis a essas diferenças sinaliza uma inflexão relevante: a média nacional deixa de ser um parâmetro suficiente. Uma rede pode melhorar seus indicadores médios e ainda assim reproduzir desigualdades profundas. Novamente, é preciso frisar: de simples meta estatística, a verdadeira equidade depende, em grande parte, da capacidade do professor de lidar com diferenças concretas em sala de aula.

Há também uma ampliação importante no tratamento das modalidades e dos públicos historicamente sem atendimento suficiente. A incorporação, no texto aprovado, de metas para a Educação Escolar Indígena, Quilombola, do Campo, Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, Educação Bilíngue de Surdos e Educação de Jovens, Adultos e Idosos representa uma inflexão qualitativa. Essas agendas deixam de ocupar posição periférica e passam a integrar o núcleo do planejamento nacional, com implicações políticas diretas sobre prioridades e alocação de recursos. Aqui, o desafio não é apenas técnico, mas cultural — exigindo do professor, sempre ele, uma formação capaz de transitar entre diferentes matrizes de conhecimento e pertencimento. Afinal, para se atingir uma inflexão qualitativa real, são necessários profissionais com preparo consistente.

Outro eixo central é a educação integral. No texto aprovado, ela passa a ser tratada não apenas como ampliação do tempo de permanência na escola, mas como desenvolvimento integral dos estudantes, com atividades formativas que incluem artes, línguas e esportes. Há metas quantitativas claras, mas o deslocamento conceitual é o ponto mais relevante: tempo integral deixa de ser uma política horária e passa a ser uma política curricular — uma inovação no PNE, porém repetida à exaustão por professores que lidam diariamente com agendas ambiciosas e, muitas vezes, pouco factíveis.

Alfabetização

Na alfabetização, o texto assume postura mais assertiva. Estabelece metas progressivas até alcançar a universalização ao longo da vigência. Ao mesmo tempo, permanece o debate sobre a exequibilidade das metas de aprendizagem, especialmente nos anos finais e no ensino médio. Esse ponto é decisivo: um plano pode fracassar tanto por timidez quanto por voluntarismo. É aqui que a política encontra seu limite mais evidente: alfabetizar não é apenas cumprir meta, mas garantir condições para que o trabalho docente se realize com consistência.

No Ensino Médio, na Educação Profissional e no Ensino Superior, observa-se movimento semelhante. O texto aprovado busca equilibrar expansão com permanência e qualidade, com maior atenção à conclusão dos cursos, à redução da evasão e à adequação da formação às demandas sociais e econômicas. A integração entre Ensino Médio e Educação Técnica ganha centralidade, reposicionando a formação profissional como parte do percurso regular, e não como alternativa residual. Isso cobra do professor um papel ainda mais exigente, dependente de formação e experiência: orientar escolhas que já se projetam para além da escola — o chamado “projeto de vida”.

O capítulo da infraestrutura e da tecnologia também se mostra mais sofisticado. No texto aprovado, a noção de infraestrutura deixa de se limitar à presença de itens mínimos e passa a considerar as condições efetivas de ensino, incluindo espaços adequados, laboratórios, conectividade e ambientes diversos de aprendizagem. A promoção da educação digital aparece associada ao uso crítico e ético das tecnologias, indicando preocupação com cultura digital e não apenas com acesso a equipamentos. Sem essas condições, o professor deixa de operar como mediador pleno e passa a atuar em regime de contenção.

Gestão

Em gestão, valorização profissional e clima escolar, o texto aprovado amplia seu escopo. O enfrentamento da violência, a melhoria das condições de trabalho e a valorização da gestão democrática indicam uma compreensão mais abrangente da qualidade educacional, que passa a incorporar dimensões institucionais e organizacionais. Ainda assim, a agenda de atratividade da carreira docente permanece como um dos principais gargalos do sistema — um gargalo decisivo, já que, na prática, o professor é o pilar estrutural que sustenta todo o restante. Pilar pouco valorizado.

A inovação mais estrutural, contudo, parece estar no campo do monitoramento e da implementação. O texto aprovado prevê projeções de metas por ente federativo, produção e divulgação sistemática de dados, além de planos bienais de ação com vinculação orçamentária e prestação de contas. Trata-se de uma tentativa de reduzir uma fragilidade recorrente dos planos decenais: sua distância em relação à execução concreta das políticas públicas. O plano avança ao instituir instâncias permanentes de pactuação federativa e coordenação entre os entes, o que busca reduzir a fragmentação histórica da política educacional brasileira.

Soma-se a isso a exigência de planos bienais de ação, com metas, alocação de recursos e prestação de contas, aproximando o planejamento da execução concreta. É nesse cenário que a ação política e administrativa ganha centralidade — ainda que seus efeitos, no fim, recaiam sobre o trabalho docente em sala de aula.

Esse desenho se articula ao Sistema Nacional de Educação (SNE), com fortalecimento do regime de colaboração e criação de instâncias permanentes de coordenação entre União, estados e municípios. Tal arranjo reposiciona o PNE como instrumento de coordenação federativa, e não apenas como diretriz normativa. Em um país marcado por profundas desigualdades territoriais, essa dimensão é decisiva.

No financiamento, a lei retoma a ambição de elevar o investimento público em educação, mas com uma trajetória mais gradual. O descompasso entre a meta anterior de 10% do PIB e o patamar efetivo de aproximadamente 5% a 6% ao longo da última década evidencia as limitações fiscais e institucionais enfrentadas. A lei propõe progressão até 7% no médio prazo e 10% ao final da vigência, associada à referência do Custo Aluno-Qualidade como parâmetro de oferta mínima e à vinculação mais direta entre recursos e resultados educacionais. Este ponto do plano tem poder de impactar diretamente a realidade educacional, desde que inclua o trabalho docente como uma de suas maiores prioridades.

Há ainda uma tensão em torno da definição exata da vigência, com referências institucionais que oscilam entre diferentes marcos temporais. No entanto, o horizonte normativo é claro: o novo PNE inaugura um ciclo decenal que substitui o plano anterior e estabelece diretrizes para a próxima década.

Em síntese, a lei 15.388 apresenta maior densidade em cinco dimensões principais: reorganiza o planejamento em objetivos articulados, desloca o foco do acesso para a aprendizagem, incorpora a equidade como eixo estruturante, fortalece os mecanismos de implementação e amplia a centralidade de modalidades historicamente marginalizadas. Não enfrenta, contudo, de forma explícita e decisiva, a questão da atratividade da carreira docente — fator central para que esse conjunto de metas possa, de fato, redefinir o modo de planejamento da política educacional no país.

E, ao final, a pergunta se impõe: e o professor com isso? O plano não o ignora. Prevê formação, valorização e melhoria das condições de trabalho. Mas o faz de forma distribuída, sem centralidade clara; fala em equiparação salarial, mas não explicita percentuais concretos de reajuste nem estabelece, de forma direta, a vinculação entre esses aumentos e fontes específicas de financiamento.

Se o estudante é o protagonista do processo educacional, o professor ocupa igualmente um papel central: é ele quem, como mediador entre plano e realidade, viabiliza na prática o sucesso — ou o fracasso — das metas propostas. De uma forma ou de outra, a palavra “professor” precisa ser lida em cada parágrafo do novo PNE. Porém, nem sempre ela está lá.

As metas, ambiciosas e coerentes, recairão mais uma vez sobre um corpo docente marcado por baixa remuneração, formação desigual e condições de trabalho instáveis.

Aqui se revela uma das tensões centrais do plano: a sofisticação do desenho não encontra correspondência na base que o sustenta. Sem enfrentar de forma estrutural a carreira docente e priorizá-la como se impõe, o risco não é novo — metas elevadas sustentadas por condições insuficientes de realização. Há tempo para correção. Que não leve mais uma década.

Quem publicou esta coluna

Roberto Munhoz

Roberto Munhoz é roteirista, educador e artista gráfico com 35 anos de experiência, 20 deles na Turma da Mônica (Estúdio Mauricio de Sousa). Também colaborou em obras como Menino Maluquinho, de Ziraldo, e Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. Participa de ações formativas e culturais de promoção à leitura e valorização das linguagens visuais como ferramentas educativas. Licenciado em Artes Visuais pela UNIP e pós-graduado em Gestão Escolar pela USP/ESALQ, atua como professor de artes no Ensino Fundamental I e II.

Você também pode gostar

Gestão Escolar

09 de setembro de 2026

O Problema da Indisciplina no Ensino Preparatório: Mapeamento, Análise e Estratégias de Redução

Este estudo analisou a indisciplina em um curso preparatório gratuito destinado a estudantes da rede pública em Manaus, com o objetivo de mapear ocorrências, compreender suas causas e propor estratégias de redução. A pesquisa foi motivada pelo aumento significativo dos registros, que passaram de 223 em 2024 para 525 em 2025, evidenciando a necessidade de intervenção. A metodologia baseou-se em pesquisa documental, com análise de registros institucionais ao longo do ano letivo de 2025, seguida da elaboração de um plano de ação estruturado pela ferramenta 5W2H. Os resultados indicaram maior incidência de ocorrências relacionadas ao uso inadequado do fardamento e atrasos, além de casos de comportamento inadequado em sala, uso de celular e desrespeito a funcionários. A análise qualitativa apontou que parte dessas ocorrências está associada a fatores internos, como fragilidades na comunicação das normas institucionais e à necessidade de maior articulação entre escola e família, aspectos que impactam diretamente a compreensão das regras e a adesão às orientações estabelecidas. Como resposta, foram propostas ações voltadas ao fortalecimento da comunicação institucional, à orientação sistemática de alunos e responsáveis, ao alinhamento da equipe e à formalização dos processos disciplinares, incluindo a criação de ficha de advertência. Conclui-se que a indisciplina está relacionada não apenas ao comportamento discente, mas também às práticas institucionais, sendo essencial a adoção de estratégias preventivas e integradas para a melhoria do clima escolar e da organização pedagógica.

Palavras-chave: comportamento escolar; gestão escolar; normas institucionais.

Digital Business

09 de setembro de 2026

Entre o Físico e o Digital: o Papel da Agência Bancária como Hub de Confiança na Adoção de Serviços Digitais por Clientes Idosos

A digitalização dos serviços bancários tem transformado a interação entre clientes e instituições financeiras, revelando desafios para a inclusão digital de públicos vulneráveis, como os clientes idosos. Analisou-se a relação entre a literacia digital e a confiança nos serviços bancários digitais, e sua influência na adoção desses serviços, considerando a agência bancária física como hub de confiança digital. A pesquisa caracterizou-se como exploratória e descritiva, com abordagem quantitativa. Aplicaram-se questionários estruturados presencialmente a 91 clientes com 50 anos ou mais, em um município do interior do Ceará. Os resultados evidenciaram níveis moderados a baixos de literacia digital, contrastando com elevada confiança e significativa adoção dos serviços digitais. Verificou-se que a confiança atuou como elemento central para o uso dos canais digitais, mesmo com limitações operacionais. Constatou-se que a agência bancária física apresentou o maior nível de relevância percebida, destacando-se como espaço de apoio, orientação e segurança. Concluiu-se que a digitalização bancária ocorre de forma integrada, sustentada pela interação entre canais físicos e digitais, com a agência exercendo papel estratégico na mediação da experiência digital.

Palavras-chave: Adoção de tecnologia; Confiança; Literacia digital; Omnicanalidade; Serviços bancários digitais.

Gestão Tributária

09 de setembro de 2026

A Reforma Tributária e Seus Desafios nas Etapas de Transição e Unificação dos Tributos

Este estudo analisou os desafios da Reforma Tributária brasileira nas etapas de transição e unificação dos tributos sobre o consumo, com ênfase em seus desdobramentos operacionais, gerenciais e institucionais. O objetivo foi examinar, sob uma perspectiva aplicada, de que modo as alterações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 132/2023 repercutiram sobre a conformidade fiscal, a reorganização de processos internos e o planejamento estratégico das organizações. Metodologicamente, a análise foi conduzida por meio de comparação estruturada entre o regime tributário anterior e o novo modelo de IVA dual. Buscou-se identificar implicações práticas associadas à transição, especialmente no que se refere à governança, à gestão de riscos, à adaptação de sistemas e à articulação entre as áreas tributária, contábil, financeira e tecnológica. Os resultados evidenciaram que, embora a Reforma tenha sinalizado avanços relevantes em termos de simplificação, padronização e previsibilidade tributária, sua implementação impôs exigências significativas de adaptação organizacional. Essas exigências geraram impactos sobre rotinas administrativas, fluxos de controle e a capacidade de resposta gerencial das empresas. Como contribuição, o estudo reforçou a compreensão da Reforma Tributária como um processo de transformação institucional com efeitos concretos sobre a dinâmica organizacional, oferecendo uma leitura aplicada que aproximou o conteúdo normativo de seus efeitos operacionais e gerenciais no contexto brasileiro.

Palavras-chave: Gestão de projetos; IVA; Modernização administrativa; Planejamento fiscal; Reforma tributária.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de setembro de 2026

Funções Executivas na Educação Básica Paraense: uma Análise de Documentos Orientadores e Indicadores Educacionais

Os processos de ensino e aprendizagem foram crescentemente analisados sob a perspectiva da neurociência, que oferece bases consistentes para explicar o desenvolvimento humano. Este estudo teve como objetivo analisar a extensão em que os documentos orientadores e os indicadores educacionais da Educação Básica no estado do Pará contemplaram elementos relacionados ao desenvolvimento das funções executivas. Fundamentou-se nos pressupostos da neurociência aplicada à educação, considerando habilidades como memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva como essenciais para a aprendizagem. Realizou-se uma pesquisa documental de abordagem qualitativa, utilizando a técnica de análise de conteúdo. Analisaram-se documentos oficiais estaduais, como o Documento Curricular, o Plano Estratégico e o Plano Estadual, além de indicadores educacionais (QEdu, INEP) e práticas pedagógicas socializadas na revista “Entre Saberes”. Os resultados indicaram que, embora as funções executivas não fossem explicitamente mencionadas, observou-se a presença implícita de competências como autonomia, pensamento crítico, resolução de problemas e autorregulação. Concluiu-se que existe uma lacuna na explicitação dessas funções nos documentos oficiais, o que pode limitar a intencionalidade pedagógica. No entanto, evidenciou-se o potencial de articulação da neurociência em orientações oficiais e na formação de professores para o fortalecimento da educação básica paraense.

Palavras-chave: Aprendizagem; Cognição; Neurociência; Políticas educacionais.

09 de setembro de 2026

Comunicação Diplomática e Roadmaps Estruturados: Alinhando Expectativas com Bioempreendedores em Projetos de Inovação Tecnológica

Este estudo analisou a comunicação em ambientes de projeto caracterizados por diversidade etária, cultural e profissional, múltiplos canais digitais e interação contínua com clientes empreendedores no campo da biotecnologia. O objetivo foi compreender como a informação circula entre diferentes atores, identificar fatores que contribuem para perda de informação e desalinhamento de expectativas, e discutir estratégias para melhorar a colaboração em contextos de elevada complexidade técnica. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada em observação imersiva de práticas comunicacionais internas e externas, e análise temática dos dados coletados. Os resultados evidenciaram que os principais problemas comunicacionais decorreram da fragmentação da informação entre canais, das diferenças geracionais e culturais na interpretação das mensagens, da ausência de um plano de comunicação compartilhado e do desalinhamento entre expectativas dos clientes e limitações técnicas. Demonstrou-se que o uso de fluxos de processo e roadmaps estruturados favoreceu maior clareza e alinhamento, e a diplomacia destacou-se como competência central na gestão da comunicação. Propôs-se uma Matriz de Comportamento Comunicacional, baseada em orientação para resultados e diplomacia, identificando quatro perfis comunicacionais. Concluiu-se que a comunicação eficaz em projetos complexos depende do equilíbrio entre foco na entrega e sensibilidade relacional, sendo a comunicação estruturada e diplomaticamente conduzida um fator crítico para o alinhamento e o sucesso do projeto.

Palavras-chave: Comunicação em projetos; Diplomacia; Diversidade cultural; Gestão de stakeholders; Roadmaps.

Gestão Escolar

09 de setembro de 2026

Gestão de Conflitos Intraequipes no Ambiente Escolar: do Planejamento à Cooperação e Resultados

O ambiente escolar constitui-se como um espaço de intensas interações humanas, no qual os conflitos entre profissionais podem emergir como fenômenos recorrentes que impactaram o clima organizacional e o trabalho pedagógico. Compreendeu-se como os conflitos intraequipes influenciaram a gestão escolar, a cooperação entre os profissionais e o clima organizacional, propondo reflexões e implicações aplicadas para a atuação da liderança escolar. A pesquisa desenvolveu-se a partir de uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, com apoio descritivo-quantitativo. Utilizou-se como instrumento principal um questionário eletrônico, aplicado a profissionais de escolas da rede pública e privada localizadas na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os dados coletados foram analisados por meio de análise de conteúdo, permitindo a identificação de padrões relacionados à cooperação, comunicação, clareza de responsabilidades, reconhecimento profissional e formas de mediação de conflitos. Os resultados indicaram que, em ambas as redes, predominou a percepção de cooperação parcial, com presença significativa de ruídos comunicacionais e ausência de práticas sistemáticas de mediação, especialmente no setor público. Observou-se ainda que o reconhecimento profissional ocorreu de forma esporádica para parcela expressiva dos participantes, influenciando negativamente a motivação e o clima organizacional. Concluiu-se que os conflitos intraequipes, quando não mediados de forma estruturada, comprometem as relações de trabalho e a cooperação, ao passo que práticas integradas de mediação, comunicação e reconhecimento configuram-se como estratégias essenciais para o fortalecimento da gestão escolar e da cultura colaborativa.

Palavras-chave: Clima organizacional; Conflitos intraequipes; Cooperação profissional; Gestão escolar; Mediação de conflitos.

Compliance E Esg

09 de setembro de 2026

O Impacto da Percepção dos Colaboradores da Área de Compras na Efetividade das Políticas de Compliance e ESG

O estudo analisou a cultura de integridade no setor de compras, partindo da premissa de que a eficácia das diretrizes corporativas depende da adesão dos colaboradores. Objetivou-se avaliar como a percepção dos profissionais de suprimentos sobre as políticas de Compliance e ESG influenciou a efetividade dos mecanismos de controle em uma organização de infraestrutura. A metodologia consistiu em um estudo de caso de abordagem mista, envolvendo análise documental e a aplicação de questionários estruturados (escala Likert) com 25 profissionais. Os resultados demonstraram que, apesar do elevado engajamento atitudinal e apoio da alta administração, houve um descompasso entre o conhecimento teórico e a capacidade técnica operacional. Verificou-se que a liderança intermediária atuou como barreira crítica, evidenciando que lacunas no suporte gerencial direto comprometeram a uniformização ética, especialmente diante da presença de colaboradores terceirizados. Os achados indicaram que o engajamento identificado é um capital humano valioso, porém insuficiente sem o refinamento de competências práticas e canais de comunicação bidirecionais. Concluiu-se que a consolidação da governança e da sustentabilidade exigiu o fortalecimento da gestão média e a transição de treinamentos conceituais para vivências aplicadas ao cotidiano das negociações, tornando a percepção do colaborador o principal determinante para a efetividade das normas.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Ética empresarial; Gestão de riscos; Liderança; Suprimentos.

Gestão Escolar

09 de setembro de 2026

A Formação Continuada em Gestão Escolar

A formação continuada em gestão escolar no Estado de São Paulo foi investigada para compreender o compromisso das instituições em oferecer cursos que capacitem seus servidores. O estudo objetivou analisar como o Estado de São Paulo, o governo e a Secretaria da Educação (SEDUC-SP) se dedicavam a fornecer cursos de formação continuada em Gestão Escolar, visando conhecimentos administrativos e pedagógicos fundamentados na gestão democrática e participativa. Realizou-se uma análise documental dos currículos e da bibliografia de três cursos oferecidos pela SEDUC-SP: Programa de Desenvolvimento de Liderança (PDL): Curso 2, Curso Específico de Formação aos Ingressantes Diretores de Escola e Curso Escola de Gestão. A análise revelou que o Estado de São Paulo demonstrou preocupação em assegurar o acesso dos gestores escolares a formações continuadas que abordassem a gestão escolar, enfatizando atribuições técnico-administrativas e pedagógicas, sem negligenciar o caráter democrático. Contudo, observou-se que os cursos apresentaram enfoques distintos e não proporcionaram uma formação completa e homogênea para o gestor escolar em um único currículo. Concluiu-se que, embora os cursos buscassem uma formação equilibrada entre aspectos técnico-administrativos e pedagógicos, baseada em princípios democráticos, essa articulação não se concretizou de forma homogênea, resultando em uma formação parcial do gestor.

Palavras-chave: Administração escolar; Currículo; Gestão democrática; Gestor escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade