Artigo

Compliance E Esg

09 de setembro de 2026

O Impacto da Percepção dos Colaboradores da Área de Compras na Efetividade das Políticas de Compliance e ESG

Eder Corado Ribeiro; Gabriela Trindade Pinheiro

DOI: 10.22167/2675-6528-202602201

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O estudo analisou a cultura de integridade no setor de compras, partindo da premissa de que a eficácia das diretrizes corporativas depende da adesão dos colaboradores. Objetivou-se avaliar como a percepção dos profissionais de suprimentos sobre as políticas de Compliance e ESG influenciou a efetividade dos mecanismos de controle em uma organização de infraestrutura. A metodologia consistiu em um estudo de caso de abordagem mista, envolvendo análise documental e a aplicação de questionários estruturados (escala Likert) com 25 profissionais. Os resultados demonstraram que, apesar do elevado engajamento atitudinal e apoio da alta administração, houve um descompasso entre o conhecimento teórico e a capacidade técnica operacional. Verificou-se que a liderança intermediária atuou como barreira crítica, evidenciando que lacunas no suporte gerencial direto comprometeram a uniformização ética, especialmente diante da presença de colaboradores terceirizados. Os achados indicaram que o engajamento identificado é um capital humano valioso, porém insuficiente sem o refinamento de competências práticas e canais de comunicação bidirecionais. Concluiu-se que a consolidação da governança e da sustentabilidade exigiu o fortalecimento da gestão média e a transição de treinamentos conceituais para vivências aplicadas ao cotidiano das negociações, tornando a percepção do colaborador o principal determinante para a efetividade das normas.

Palavras-chave: Cultura organizacional; Ética empresarial; Gestão de riscos; Liderança; Suprimentos.

1. Introdução

O cenário contemporâneo das organizações é marcado pela integração entre desempenho econômico, responsabilidade socioambiental e governança ética (Galindo et al., 2023). Nesse contexto, o Compliance e o ESG (Environmental, Social and Governance) consolidaram-se como pilares estratégicos para assegurar a conformidade legal e a sustentabilidade. Enquanto o primeiro foca na observância de leis e normas para prevenir sanções (Strobel et al., 2022), o segundo integra fatores ambientais, sociais e de governança às decisões organizacionais, promovendo o equilíbrio entre desempenho econômico e responsabilidade socioambiental (Harraca, 2022). Unindo esses conceitos, a governança atua como o sistema que alinha os interesses corporativos aos da sociedade, garantindo transparência e responsabilidade (IBGC, 2017).

A efetividade de políticas formais, contudo, não é garantida apenas pela sua existência. O sucesso dessas diretrizes depende significativamente de como os colaboradores as compreendem e aplicam no cotidiano (Almeida e Venturini, 2021). Nesse contexto, a área de compras destaca-se como um ponto crítico, especialmente em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico. Este setor, caracterizado por ser um serviço essencial, alta regulação e intensos impactos socioambientais, eleva os riscos para a reputação, conformidade e cadeia de valor. Assim, o profissional de suprimentos transcende o papel de negociador de custos para se tornar um agente ativo de integridade, permitindo que as organizações antecipem crises e atendam às exigências de um mercado cada vez mais regulamentado. Essa mudança de paradigma exige que as empresas ajam com propósito transversal, gerando valor para investidores e partes interessadas (Galindo et al., 2023), tornando o ESG e o Compliance diferenciais competitivos essenciais à viabilidade do negócio e à segurança jurídica da operação no longo prazo.

Apesar da relevância institucional, uma problemática central reside em como a percepção dos colaboradores da área de compras influencia a efetividade dessas diretrizes. Falhas na comunicação interna e na disseminação da cultura de integridade muitas vezes comprometem a aderência às normas institucionais (Madruga, 2022). Além disso, a ausência de treinamentos contínuos e de reconhecimento pode reduzir o engajamento com as práticas propostas (Taylor, 2015). Sem o devido alinhamento cultural, corre-se o risco de um distanciamento acentuado entre as políticas teóricas e a realidade operacional do setor.

Embora a literatura sobre governança e riscos seja vasta, a influência da subjetividade e do engajamento dos profissionais de compras ainda é pouco explorada academicamente. Autores como Righetti et al. (2014) ressaltam a importância estratégica do setor, mas sem aprofundar o papel do comportamento humano. Este estudo busca preencher essa lacuna, investigando como fatores como percepção e motivação impactam a aplicação prática do Compliance e do ESG em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, contribuindo para o fortalecimento da base teórica sobre cultura organizacional. Nesse contexto, o objetivo deste estudo é avaliar a percepção e a compreensão dos colaboradores do setor de compras corporativas de uma empresa de infraestrutura de saneamento básico em relação às políticas de Compliance e ESG, analisando como essa percepção influencia a efetividade de tais práticas no contexto organizacional.

2. Material e Métodos

Este estudo caracterizou-se como pesquisa aplicada e descritiva, de abordagem mista (quantitativa e qualitativa), com delineamento de estudo de caso único. A investigação analisou a percepção dos colaboradores da área de compras corporativas sobre a efetividade das políticas de Compliance e ESG em uma empresa brasileira de grande porte do setor de infraestrutura de saneamento básico, abrangendo abastecimento de água e esgotamento sanitário, sediada em São Paulo, SP. A organização foi selecionada por operar em ambiente altamente regulamentado, com exigência de rigorosos padrões de conformidade, sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

A população-alvo constituiu-se pelo departamento de compras corporativas, composto por 28 funcionários. A amostra final compreendeu 25 respondentes, representando taxa de participação de 89,2%.

A coleta de dados ocorreu por meio de um formulário estruturado, aplicado via plataforma digital Google Forms, composto por questões fechadas e uma seção aberta para comentários qualitativos, conforme instrumento apresentado no Apêndice I deste trabalho. O formato digital permitiu a padronização das respostas e assegurou o anonimato dos participantes, mitigando o viés de desejabilidade social e proporcionando um ambiente seguro para a expressão de percepções. O refinamento do instrumento contou com o apoio de Inteligência Artificial (IA) na formulação inicial dos enunciados, com processamento de informações setoriais específicas do caso, sob supervisão e validação final do autor.

O questionário estruturou-se em cinco dimensões analíticas: Conhecimento Conceitual (Q2-Q6), Capacitação e Comunicação (Q7-Q10), Aplicação Prática no Cotidiano (Q11-Q14), Percepção Cultural e Organizacional (Q15-Q17) e Engajamento e Atitude Pessoal (Q18-Q20). A escala Likert adotou cinco pontos (“Discordo Totalmente”=1 a “Concordo Totalmente”=5), adaptada de Rocha, Pinto e Pinheiro (2011).

A análise dos dados foi conduzida de forma integrada: os quantitativos foram submetidos à estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas, percentuais, médias e desvios-padrão, enquanto o conteúdo qualitativo da pergunta aberta foi analisado conforme Bardin (2011), identificando padrões e percepções recorrentes.

Critérios éticos rigorosos orientaram a pesquisa. Foi aplicado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) eletrônico antes do questionário, assegurando participação voluntária. O nome da empresa foi omitido, porém a descrição setorial é apresentada para fins de contextualização e comparação; os dados foram tratados de forma agregada, impedindo a identificação individual. A submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) foi dispensada, conforme o Resultado do Formulário de Direcionamento Ético validado pelo orientador e pelas normas institucionais, por não envolver coleta de dados sensíveis.

3. Resultados e Discussão

Perfil dos Respondentes e Contextualização do Estudo

A pesquisa abrangeu 25 profissionais do setor de compras, representando 89,2% do departamento. A composição da equipe era híbrida, com 68% de funcionários próprios (CLT) e 32% de terceirizados, conforme ilustrado na Figura 1.

Figura 1. Funcionários CLT x Funcionários Terceirizados

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Essa dependência de mão de obra externa pode desafiar a uniformização ética, como evidenciado pela maior dispersão geral observada nas dimensões operacionais. Madruga (2022) enfatiza que o engajamento e a adequação cultural são cruciais para que todos os colaboradores absorvam os valores organizacionais, independentemente do vínculo jurídico. Chiavenato (2008) reforça que essa heterogeneidade acentua a variabilidade humana em sistemas complexos, podendo criar lacunas na capilarização das diretrizes de integridade.

A Figura 2 apresenta a visão geral das percepções coletadas sobre Compliance e ESG. Os dados indicaram uma tendência predominante de concordância, mas também revelaram pontos de neutralidade e discordância que demandam investigação, especialmente em processos críticos de infraestrutura, onde a cultura de integridade pode não ser homogênea. Righetti et al. (2022) destacam que a sustentabilidade organizacional não pode ser alcançada se os parceiros de outsourcing não compartilharem dos mesmos princípios, elevando o risco de contaminação da cadeia de valor.

Figura 2. Distribuição de frequências das percepções sobre Compliance e ESG (Q2 a Q20)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os índices de neutralidade observados, especialmente em dimensões como comunicação, podem indicar a dificuldade em estender o “Tone at the Top” da alta direção para além dos funcionários CLT. Em empresas de saneamento básico, a eficácia do Compliance e do ESG é testada pela capacidade de transpor barreiras contratuais e orientar decisões operacionais em suprimentos, identificando onde a cultura organizacional converge para a integridade e onde pressões operacionais geram potenciais pontos de ruptura.

Dimensão 1 – Conhecimento conceitual

A percepção dos colaboradores revelou uma maturidade conceitual sobre Compliance, embora a integração com a agenda ESG ainda demande aprofundamento operacional. A Tabela 1 e a Figura 3 detalham os resultados para esta dimensão.

Tabela 1. Conhecimento conceitual (Q2 a Q6)

VariávelConcordo Totalmente (%)MédiaDesvio-Padrão
Q2. Clareza sobre Compliance64%4,441,00
Q3. Clareza sobre ESG68%4,600,71
Q4. Diferença e Complementaridade64%4,520,87
Q5. Identificação de violações56%4,321,15
Q6. Importância da sustentabilidade80%4,800,41

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 3. Gráfico de conhecimento conceitual

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Verificou-se que 64% dos respondentes tinham clareza total sobre o significado de Compliance (Q2) e 64% compreendiam a complementaridade entre Compliance e ESG (Q4). A percepção da importância da sustentabilidade nos processos de compras (Q6) foi a variável de maior consenso, com média de 4,80 e desvio-padrão de 0,41. Contudo, a capacidade técnica para identificar violações práticas (Q5) apresentou a menor média (4,32) e o maior desvio-padrão (1,15).

Esse resultado sugere que o conhecimento é predominantemente teórico, com maior dispersão na percepção ao tentar detectar desvios operacionais, o que representa uma vulnerabilidade crítica para os controles internos (Almeida e Venturini, 2021). A compreensão inicial sobre Compliance reflete a estrutura institucional consolidada, mas a parcela de 36% da amostra sem clareza total ou em neutralidade sobre os termos acende um alerta sobre a diligência prévia.

No setor de compras, a falta de domínio pleno dos conceitos por parte de uma parcela da equipe compromete a eficácia das barreiras preventivas, sendo a ausência de uma cultura de integridade homogênea e valores éticos pouco difundidos vetores primários de danos reputacionais e sanções legais (Almeida e Venturini, 2021). Quanto ao ESG, 68% dos respondentes indicaram que a sustentabilidade se tornou um comportamento esperado, alinhando-se à visão de Madruga (2022) sobre a cultura organizacional. No entanto, Micheloni et al. (2022) alertam que mudanças culturais não são instantâneas, exigindo monitoramento contínuo para evitar que as práticas socioambientais se tornem apenas um discurso de fachada.

Dimensão 2 – Engajamento e atitude pessoal

O engajamento atitudinal foi o indicador mais robusto, demonstrando forte alinhamento dos colaboradores com os valores organizacionais. Conforme a Tabela 2 e a Figura 4, 88% dos respondentes manifestaram orgulho de pertencer a uma instituição com práticas de integridade (Q18), e 72% declararam disposição para contribuir ativamente com a melhoria das diretrizes de Compliance e ESG (Q20).

Tabela 2. Engajamento e atitude pessoal (Q18 a Q20)

VariávelConcordo Totalmente (%)MédiaDesvio-Padrão
Q18. Orgulho da organização88%4,880,33
Q19. Engajamento na promoção da cultura48%4,440,58
Q20. Disposição para contribuir72%4,720,46

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 4. Gráfico de engajamento e atitude pessoal

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Contudo, observou-se uma redução na percepção de protagonismo direto, com apenas 48% dos colaboradores se considerando plenamente engajados na promoção da cultura no cotidiano da área de compras (Q19). Esse contraste indica uma diferença entre adesão simbólica e protagonismo prático, onde a identificação com os valores institucionais não se traduz totalmente em capacidade concreta de atuação como agente ativo da cultura ética. Esse achado se alinha ao baixo índice de segurança para identificar violações (Q5), sugerindo que o desejo de contribuir nem sempre é acompanhado da segurança técnica necessária.

Em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, essa lacuna tem implicações importantes, pois o setor opera sob pressões de eficiência, economicidade, conformidade e responsabilidade socioambiental. O orgulho institucional é um ativo valioso, mas insuficiente sem autonomia, clareza procedimental e apoio gerencial. O dilema de transformar motivação latente em comportamento operacional, conforme apontado pelo Harvard Business Essentials (2003), é evidente. Madruga (2022) destaca que o engajamento perde força quando a organização não oferece o “como” além do “porquê”, necessitando de ferramentas e segurança para atuação. Isso implica a necessidade de programas de mentoria, multiplicadores internos e simulações de casos reais para converter a disposição subjetiva em ação objetiva, fortalecendo a cultura de integridade aplicada.

Dimensão 3 – Capacitação e comunicação

Esta dimensão revelou suporte institucional bem avaliado, mas fragilidades persistentes na comunicação interna e na capacitação prática. A Tabela 3 e a Figura 5 mostram os detalhes.

Tabela 3. Capacitação e comunicação (Q7 a Q10)

VariávelConcordo Totalmente (%)MédiaDesvio-Padrão
Q7. Participação em treinamentos44%3,921,26
Q8. Clareza da comunicação interna48%4,241,01
Q9. Acesso a políticas e normas40%4,320,69
Q10. Segurança para buscar dúvidas48%4,400,71

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 5. Gráfico de capacitação e comunicação

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A participação em treinamentos (Q7) obteve a menor média (3,92) e a maior dispersão (DP 1,26), indicando heterogeneidade nas experiências formativas. A clareza da comunicação interna (Q8) também apresentou dispersão significativa (média 4,24; DP 1,01). Embora haja acesso a políticas e normas (Q9, média 4,32; DP 0,69), a absorção prática não ocorre de maneira uniforme. A variável Q7 (44% de concordância total) reflete o modelo de autodesenvolvimento da gestão de suprimentos, mas a ausência de ciclos padronizados pode ser uma limitação.

A capilarização efetiva dos recursos normativos é um ponto central, pois lacunas de treinamento em empresas de saneamento podem gerar riscos operacionais relevantes. Em contraste, a percepção de suporte da alta administração foi positiva, com 72% dos respondentes acreditando no compromisso da diretoria com as políticas de Compliance e ESG. Micheloni et al. (2022) destacam que o “Tone at the Top” é central para um programa de integridade bem-sucedido, sendo vital para a legitimidade institucional em um setor de serviço essencial.

No entanto, barreiras críticas surgiram no nível tático. Apenas 52% dos profissionais consideraram a comunicação interna sobre ESG clara e frequente, e 56% sentiram apoio suficiente dos gestores diretos para a aplicação prática das políticas. Essa discrepância entre o apoio da diretoria (72%) e o suporte da liderança imediata (56%) indica uma fragmentação na cultura organizacional. Madruga (2022) ressalta que a liderança direta é o principal vetor da experiência do colaborador, e sua falha como facilitador da prática ética enfraquece a mensagem estratégica no nível operacional. Para o setor de compras, isso é decisivo, pois pressões por prazo ou custo podem levar à flexibilização de critérios, com efeitos sistêmicos em uma atividade sensível à fiscalização social. As implicações práticas sugerem a necessidade de fortalecer as lideranças intermediárias com treinamento focado em decisão ética e comunicação bidirecional.

Dimensão 4 – Aplicação prática no cotidiano

Os resultados desta dimensão indicaram que a efetividade das políticas de Compliance e ESG depende da segurança psicológica e do suporte concreto para que os colaboradores ajam em consonância com as diretrizes, e não apenas da existência de manuais. A Tabela 4 e a Figura 6 apresentam os dados.

Tabela 4. Aplicação prática no cotidiano (Q11 a Q14)

VariávelConcordo Totalmente (%)MédiaDesvio-Padrão
Q11. Aplicação de rastreabilidade e isonomia48%4,121,05
Q12. Consideração de ESG na avaliação de fornecedores60%4,560,58
Q13. Influência do Compliance nas decisões72%4,720,46
Q14. Compromisso mesmo sob pressão de prazos72%4,560,92

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 6. Gráfico de aplicação prática no cotidiano das compras

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A aplicação de rastreabilidade e isonomia (Q11) foi a variável com menor média (4,12) e maior desvio-padrão (1,05). Em contraste, a influência do Compliance nas decisões (Q13) e o compromisso mesmo sob pressão de prazos (Q14) registraram médias elevadas (4,72 e 4,56, respectivamente), com 72% de concordância total para Q13. Esses dados revelam que a adesão valorativa à integridade é alta, mas sua execução concreta não é uniforme em todos os processos.

Em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, a rastreabilidade, isonomia e consideração de critérios ESG são componentes centrais da governança, e qualquer oscilação na aplicação prática pode afetar a eficiência interna e a legitimidade pública. A disparidade entre suporte institucional e segurança operacional sugere vulnerabilidades em processos críticos (Almeida e Venturini, 2021), onde a oscilação no apoio da liderança torna a execução de tarefas técnicas mais heterogênea.

A cultura organizacional, segundo Madruga (2022) e Chiavenato (2008), atua como um sistema que molda comportamentos. Se a eficiência operacional e a redução de custos forem mais valorizadas que a integridade ESG, a tendência é que a prática se desvie da norma. As implicações práticas apontam para a necessidade de transformar o apoio institucional em suporte operativo real, consolidando mecanismos que deem segurança ao colaborador para questionar decisões e sinalizar desvios sem receio, garantindo que o comportamento ético seja sustentado mesmo sob pressão.

Dimensão 5 – Percepção cultural e liderança

Esta dimensão examinou a percepção dos respondentes sobre a cultura organizacional e o papel da liderança no reforço das práticas de Compliance e ESG. Os resultados, apresentados na Tabela 5 e na Figura 7, indicaram um padrão consistente de valorização da ética e da sustentabilidade.

Tabela 5. Percepção cultural e liderança (Q15 a Q17)

VariávelConcordo Totalmente (%)MédiaDesvio-Padrão
Q15. Liderança reforça ética e sustentabilidade76%4,600,87
Q16. Cultura alinhada a práticas éticas72%4,720,46
Q17. Compliance e ESG valorizados no desempenho80%4,800,41

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Figura 7. Gráfico de aplicação prática no cotidiano das compras

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Observou-se 76% de concordância total para a afirmação de que a liderança reforça ética e sustentabilidade (Q15), 72% para a cultura alinhada a práticas éticas (Q16) e 80% para a valorização de Compliance e ESG no desempenho (Q17). As médias elevadas e os baixos desvios-padrão indicam uma percepção predominantemente favorável. No entanto, o maior desvio-padrão em Q15 (0,87) sugere que a atuação da liderança não é percebida de forma totalmente uniforme, o que se alinha aos achados da Dimensão 3 sobre a fragilidade do suporte da gestão imediata.

Em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, a liderança intermediária é crucial para traduzir valores organizacionais em decisões diárias de compras, contratação e relacionamento com fornecedores. Madruga (2022) reforça que, se o gestor imediato não atua como facilitador das práticas éticas, a mensagem da alta administração perde tração operacional. O reconhecimento simbólico da cultura ética, portanto, não garante sua materialização cotidiana. A clareza conceitual sobre Compliance e ESG, observada na Dimensão 1, facilita a prática, pois colaboradores que compreendem o propósito sistêmico das normas tendem a agir com maior rigor na avaliação da cadeia de suprimentos, reforçando a necessidade de integração entre cultura, liderança e capacitação aplicada.

Limitações e Contribuições do Estudo

As limitações metodológicas incluíram a amostra de 25 respondentes, que, embora represente 89,2% do departamento de compras, restringe a generalização dos achados. O viés de desejabilidade social também é relevante em ambientes de alta conformidade. Além disso, a análise agregada dos dados, sem cruzamentos estatísticos entre funcionários CLT e terceirizados, impediu a identificação de diferenças específicas entre os grupos. Não foi possível correlacionar a percepção de efetividade com dados objetivos sobre sanções reais aplicadas.

A principal contribuição do estudo reside em demonstrar que, no setor de compras de uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, a eficácia das políticas de Compliance e ESG depende menos da existência de ferramentas e mais da capacidade de converter diretrizes formais em práticas sustentadas por liderança, comunicação e capacitação. A percepção dos colaboradores atua como um termômetro da saúde ética organizacional.

Proposta de Framework de Governança em Compras

Com base nos resultados apresentados, estruturou-se um framework aplicado denominado “Cascata de Integridade em Compras”, conforme a Tabela 6. O modelo deriva das lacunas identificadas entre conhecimento conceitual e aplicação prática, fragmentação da liderança tática, fragilidade da capacitação e necessidade de integração homogênea entre diferentes vínculos laborais.

Tabela 6. Framework “Cascata de Integridade em Compras”

PilarNome do pilarEvidência nos dadosObjetivo centralPrincipais ações propostas
1Alinhamento estratégicoQ13 (72%) e Q17 (80%): alto reconhecimento, mas desvio em Q15 (0,87)Reforçar prioridade de integridade e ESG na alta direçãoInserir metas de Compliance/ESG na estratégia; comunicações periódicas da diretoria priorizando ética
2Liderança tática como embaixadoraGap 72% (diretoria) x 56% (gestor imediato) — Dimensão 3Fazer da chefia imediata o principal vetor da cultura éticaTreinamentos específicos para gestores; vincular indicadores de conformidade a avaliação e bônus.
3Capacitação operacional vivencialQ7: menor média (3,92) e maior desvio (1,26) — Dimensão 3Reduzir o gap entre teoria e prática no dia a dia das comprasSimulações de casos reais; criação de repositório de casos-tipo e orientações de conduta.
4Comunicação bidirecional e seguraQ8: desvio 1,01; 52% consideram comunicação clara — Dimensão 3Estimular dúvidas e relatos sem medo de retaliaçãoReuniões de escuta; fóruns de dúvidas; compromisso público de acolhimento e registro de aprendizados
5Integração isonômica de terceirizados32% terceirizados; Q11 menor média da Dimensão 4 (4,12; desvio 1,05) terceirosHomogeneizar cultura ética entre CLT e terceirosInclusão de terceiros em treinamentos e comunicados; cláusulas contratuais de aderência e monitoramento.

Fonte: Elaborado pelo autor

Esse framework ganha relevância em uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, pois articula integridade, eficiência contratual, responsabilidade socioambiental e continuidade de serviço essencial. Os cinco pilares propostos — alinhamento estratégico, liderança tática como embaixadora, capacitação operacional vivencial, comunicação bidirecional e segura, e integração isonômica de terceirizados — sintetizam os principais achados e organizam ações para converter a percepção favorável em efetividade concreta das políticas de Compliance e ESG. O framework representa uma síntese aplicada dos resultados da pesquisa.

Em síntese, a percepção dos colaboradores atua como um filtro decisivo para a efetividade das políticas de Compliance e ESG no setor de compras. A consolidação da integridade não depende apenas de normas formais, mas da capacidade de transformar diretrizes em práticas sustentadas por liderança intermediária, comunicação efetiva, capacitação aplicada e integração cultural. A efetividade está diretamente associada à forma como os colaboradores compreendem, vivenciam e operacionalizam os valores éticos no cotidiano das relações de suprimentos.

4. Conclusão

O presente estudo buscou avaliar a percepção e a compreensão dos colaboradores do setor de compras corporativas de uma empresa de infraestrutura de saneamento básico em relação às políticas de Compliance e ESG, analisando como essa percepção influencia a efetividade de tais práticas no contexto organizacional. Verificou-se que, embora os profissionais demonstrassem elevado conhecimento conceitual sobre Compliance e ESG, e um forte engajamento atitudinal com os valores organizacionais, observou-se um descompasso significativo entre o saber teórico e a capacidade técnica operacional para identificar e aplicar as diretrizes. Identificou-se que a liderança intermediária atuou como uma barreira crítica, com lacunas no suporte gerencial direto que comprometeram a uniformização ética, especialmente diante da presença de colaboradores terceirizados. A adesão valorativa à integridade mostrou-se alta, mas sua execução concreta não foi uniforme em todos os processos. A principal contribuição deste trabalho reside em demonstrar que a eficácia das políticas de Compliance e ESG, no setor de compras de uma empresa de infraestrutura de saneamento básico, depende menos da mera existência de ferramentas e mais da capacidade de converter diretrizes formais em práticas sustentadas por uma liderança engajada, comunicação eficaz e capacitação aplicada, atuando a percepção dos colaboradores como um termômetro da saúde ética organizacional.

Entre as limitações do estudo, destacou-se a amostra restrita de 25 respondentes, que, embora representativa do departamento, restringe a generalização dos achados. Além disso, a análise agregada dos dados, sem cruzamentos estatísticos entre funcionários próprios e terceirizados, impediu a identificação de diferenças específicas entre os grupos, e não foi possível correlacionar a percepção de efetividade com dados objetivos sobre sanções reais. Como resposta às lacunas identificadas, propôs-se o framework “Cascata de Integridade em Compras”, um modelo aplicado que sintetiza os achados e organiza ações para converter a percepção favorável em efetividade concreta das políticas de Compliance e ESG. Sugere-se que estudos futuros repliquem esta pesquisa em outras organizações e setores, incorporem testes inferenciais para comparar diferentes vínculos laborais e explorem longitudinalmente os efeitos da implementação do framework proposto, a fim de aprofundar a compreensão sobre a cultura de integridade e sua materialização prática.

Referências Bibliográficas

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Taylor, C. 2015. Walking the talk: building a culture for success. Cornerstone, London, United Kingdom.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Compliance e ESG do MBA USP/Esalq

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09 de outubro de 2026

Comunicação e Ética Corporativa: O Papel da Comunicação na Efetividade dos Programas de Compliance

O estudo analisou o papel da comunicação corporativa na efetividade do programa de compliance e integridade em uma organização do setor de engenharia e construção pesada. O objetivo foi analisar a influência da comunicação corporativa na internalização de valores éticos e na efetividade do programa de compliance, identificando instrumentos, analisando práticas e apontando oportunidades de aprimoramento. Utilizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso único, com base em análise documental e observação de práticas institucionais, no período de novembro de 2025 a fevereiro de 2026. Examinaram-se documentos como código de conduta, políticas de compliance, registros de treinamentos e comunicados internos. Os resultados evidenciaram que a organização possuía instrumentos formais estruturados para a comunicação do compliance, contribuindo para a disseminação de diretrizes éticas. Contudo, verificou-se que a efetividade do programa não dependia apenas da existência desses mecanismos, mas da forma como eram comunicados e incorporados às práticas cotidianas, destacando-se o papel das lideranças na tradução das diretrizes institucionais em comportamentos concretos. Propôs-se um indicador de efetividade da comunicação de compliance (IECC) para monitoramento contínuo.

Palavras-chave: comunicação interna; cultura organizacional; ética empresarial; governança corporativa; liderança organizacional.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Educação e Implementação ESG na Cadeia de Pequenos e Médios Fornecedores da Indústria Automobilística e de Autopeças Brasileira

O Grupo Axion, atuante na produção de equipamentos e sistemas automotivos, recebeu a exigência de implementar práticas de gestão sustentável e ESG em sua cadeia de valor. Diante disso, o estudo teve como objetivo verificar a existência de instrumentos, no setor automobilístico e de autopeças brasileiro, passíveis de adesão pelo Grupo Axion para educação e implementação ESG em sua cadeia de valor, especialmente junto aos pequenos e médios fornecedores. Para tanto, a pesquisa foi dividida em duas partes. Primeiramente, exploraram-se os instrumentos de educação e implementação ESG presentes na cadeia de fornecimento do setor automobilístico e de autopeças brasileiros, por meio da análise de relatórios de sustentabilidade divulgados por empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) no período de 2015 a 2025. Em seguida, desenvolveu-se um Plano de Educação e Implementação ESG na Cadeia de Pequenos e Médios Fornecedores do Grupo Axion. Nos resultados, concluiu-se que, no setor automobilístico e de autopeças brasileiro, conquanto escassos em termos quantitativos, existem instrumentos de qualidade técnica passíveis de adesão. Ademais, estruturou-se o Plano de Educação e Implementação ESG em quatro etapas essenciais: estruturação, diagnóstico e engajamento, implementação e desenvolvimento, e monitoramento e consolidação, visando suprir a lacuna identificada na estratégia ESG da corporação.

Palavras-chave: Cadeia de Fornecimento; Educação ESG; Gestão Sustentável; Práticas ESG; Setor Automobilístico e de Autopeças.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Práticas ESG no setor alimentício: estratégias sustentáveis e impactos em um modelo de negócio brasileiro

O presente estudo analisou como a adoção de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) contribui para a consolidação de um modelo de negócio sustentável no setor alimentício brasileiro. A pesquisa foi conduzida como um estudo de caso qualitativo de uma empresa nacional de chocolates que implementou políticas voltadas à sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e governança corporativa. A coleta de dados baseou-se em análise documental, relatórios institucionais e entrevistas públicas com executivos, produtores e cofundadores da empresa, tratadas como fontes secundárias. Identificou-se que a empresa adotou o sistema cabruca para o cultivo de cacau, eliminou progressivamente o plástico das embalagens, participou de projetos de créditos de carbono e garantiu remuneração justa aos produtores, visando uma renda digna. Implementou também políticas anticorrupção, conformidade com a LGPD e rastreabilidade da cadeia de suprimentos. Os resultados indicaram impactos socioambientais positivos, como a preservação da biodiversidade e a melhoria da renda de produtores, além do fortalecimento da reputação corporativa. Contudo, a empresa ainda não alcançou lucratividade plena devido aos investimentos em sustentabilidade. Concluiu-se que a adoção de práticas ESG pode ser uma estratégia de diferenciação competitiva e um instrumento de transformação social, demonstrando a viabilidade de alinhar propósito e rentabilidade, embora exija investimentos significativos e condições favoráveis para sua escalabilidade.

Palavras-chave: Estudo de caso; Governança; Setor alimentício; Sustentabilidade corporativa.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Governança no contexto ESG: proposição de métrica para avaliação da divulgação de informações em relatórios integrados

A crescente relevância das práticas ESG no contexto corporativo ampliou a necessidade de transparência e prestação de contas nas divulgações organizacionais, especialmente na governança, evidenciando uma lacuna em instrumentos de avaliação sistemática e comparável. Diante disso, o estudo objetivou desenvolver e propor uma métrica de avaliação para o eixo de governança dos relatórios ESG, com foco nas práticas de divulgação de informações em empresas do setor de telecomunicações listadas na B3. A pesquisa, de natureza aplicada, adotou abordagem qualitativa, exploratória e descritiva. Realizou-se análise documental e de conteúdo em relatórios ESG de empresas do setor, elaborados conforme padrões GRI, SASB e IFRS Sustainability, a partir de indicadores previamente definidos e organizados em dimensões analíticas de governança. Os resultados revelaram diferentes níveis de maturidade informacional entre as empresas, com maior consolidação em indicadores de ética, integridade e gestão de riscos, mas fragilidades na divulgação de informações estruturais, como composição acionária e conflitos de interesses. Observou-se predominância de um nível intermediário de maturidade, com assimetrias na qualidade e consistência das informações divulgadas. A partir desses achados, propôs-se o Índice de Divulgação da Prestação de Contas (IDPC). Concluiu-se que o setor avançou na institucionalização da governança ESG, mas ainda carece de maior padronização e alinhamento às melhores práticas de transparência. O IDPC constitui um instrumento analítico sistematizado e replicável para avaliar a transparência, rastreabilidade e comparabilidade das informações socioinstitucionais.

Palavras-chave: Divulgação de Informações; ESG; Governança; Métrica de Avaliação; Transparência.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Técnicas de Entrevistas Investigativas como Ferramenta Eficaz na Coleta de Informações em Empresa do Setor Farmacêutico

As investigações corporativas desempenham um papel fundamental na eficácia dos programas de integridade empresarial, pois permitem a resposta a potenciais violações do Código de Conduta e legislações aplicáveis, além de subsidiar a adoção de medidas corretivas para desvios sistêmicos. Com o objetivo de diagnosticar a aderência a técnicas cientificamente validadas e eficazes de entrevistas investigativas, avaliou-se o conhecimento e as práticas de Investigadores de Compliance em uma multinacional do setor farmacêutico. A metodologia empregou uma entrevista com um gestor sênior e um questionário respondido pela totalidade da equipe de investigadores, cujos dados foram comparados à literatura especializada, que enfatiza o rapport como abordagem mais eficaz. Os resultados revelaram que, apesar da maturidade da estrutura de Compliance da organização, os profissionais demonstraram baixo domínio de técnicas formais de entrevista investigativa, predominando práticas intuitivas. Adicionalmente, identificou-se a percepção de investimentos insuficientes em capacitação e desenvolvimento. Concluiu-se que existe uma lacuna no conhecimento técnico formal e na capacitação, indicando um espaço para o aprimoramento que pode impactar diretamente a qualidade das investigações e a efetividade do programa de integridade.

Palavras-chave: Compliance; Investigações corporativas; Rapport.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Investimentos em Programas de Privacidade

O avanço do tratamento de dados pessoais em larga escala e a consolidação de marcos regulatórios, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Regulamento Europeu de Proteção de Dados (RGPD), intensificaram a necessidade de estruturas organizacionais voltadas à proteção de dados. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo analisar os investimentos em programas de privacidade sob a perspectiva da gestão de riscos, considerando seus impactos operacionais, estratégicos e regulatórios. A pesquisa combinou revisão bibliográfica com estudo de caso aplicado a uma empresa global de grande porte do setor de tecnologia e a construção comparativa de matrizes de risco, a partir da análise de informações públicas sobre a implementação de seu programa de privacidade. Os investimentos realizados pela empresa contribuíram significativamente para a redução da probabilidade de ocorrência de riscos relacionados ao tratamento de dados pessoais, além de promover avanços na governança, na maturidade organizacional e na incorporação da privacidade como elemento transversal às atividades empresariais. Assim, os programas de privacidade, quando sustentados por investimentos contínuos, ultrapassam a função de compliance regulatório e se estabelecem como instrumentos estratégicos capazes de gerar valor e fortalecer a confiança de stakeholders, ainda que persistam limites práticos na mitigação total de riscos inerentes ao ambiente tecnológico.

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Estratégia organizacional; Governança; Proteção de dados pessoais; Riscos.

Compliance E Esg

08 de outubro de 2026

Governança Cooperativa e ESG como Pilares para a Sustentabilidade do Negócio

Um estudo de caráter aplicado e abordagem qualitativa analisou como instrumentos formais de direção, controle e integridade, publicamente divulgados, se articularam à agenda ambiental e social em uma cooperativa de crédito brasileira de grande porte (caso único), com foco na mensuração, transparência e gestão de riscos socioambientais. Para tanto, adotou-se um delineamento de estudo de caso e análise documental de fontes oficiais publicadas entre 2020 e 2024. Seguiu-se um protocolo de seleção do corpus, construção de categorias analíticas, codificação temática e registro de evidências em planilha de rastreabilidade, tratando os achados como evidências de divulgação e não como auditoria de efetividade. Os resultados revelaram a presença de estruturas, papéis e fluxos institucionais relacionados ao tema, além de iniciativas e compromissos reportados em diferentes documentos. Contudo, identificaram-se desafios na padronização conceitual, comparabilidade temporal, definição de métodos de cálculo, atribuição de ownership e trilha de auditoria dos dados, o que pode limitar a consistência da mensuração. Como contribuição aplicada, consolidaram-se matrizes de indicadores mínimos e de governança de dados, e propuseram-se diretrizes acionáveis para fortalecer o ciclo de indicadores (definição-coleta-validação-reporte), aprimorar a rastreabilidade e alinhar compromissos divulgados com evidências documentais, visando à melhor gestão de riscos e à transparência institucional.

Palavras-chave: Compliance; Gestão de riscos socioambientais; Indicadores; Integridade; Materialidade.

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