O desafio atual da colaboração

Coluna

Inteligência Artificial

03 de setembro de 2026

O desafio atual da colaboração

Na medida em que o processo criativo começa com a IA, organizações precisam repensar como preservar a construção coletiva das ideias

Em pouco mais de três anos, ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a ocupar grande parte do trabalho nas organizações, seja para escrever, programar, pesquisar, planejar, analisar ou projetar.

A presença já é tão grande que, para muitos profissionais, ficou difícil imaginar como seria o trabalho sem acesso a esses modelos. Chats, copilotos e agentes se tornaram tão presentes no cotidiano corporativo que já se aproximam da lógica de aplicações esperadas em um “pacote” básico de ferramentas administrativas, como o MS Office no começo dos anos 2000.

Os ganhos de produtividade ajudam a explicar essa adoção. Eles aparecem tanto nos resultados quase imediatos que percebemos depois de alguns prompts em nossa rotina quanto em estudos formais. Em uma pesquisa da Microsoft Research, desenvolvedores com acesso ao Copilot concluíram uma tarefa de programação, em média, em menos da metade do tempo gasto pelo grupo sem a ferramenta.

Quando uma tecnologia encurta de forma tão expressiva a distância entre ideia e feito, ela não apenas melhora a eficiência. Também altera a expectativa sobre o ritmo de entrega, amplia o volume de trabalho possível e muda a percepção do que passa a ser considerado rápido, suficiente ou competitivo dentro das organizações. Até nossa compreensão sobre o que é uma tarefa complexa começa a mudar.

Essa lógica não se limita a uma área específica. À medida que assistentes se tornam mais capazes e agentes passam a executar tarefas de forma integrada, os modelos deixam de atuar apenas como interfaces interativas e passam a compor, com maior autonomia, a própria operação do trabalho. Em vez de apenas sugerirem caminhos, passam também a executar partes da entrega.

Um grupo de pesquisadores, com participação da Universidade de Tsinghua, na China, já sugere inclusive um modelo em que os próprios sistemas organizam parte do fluxo e recorrem às pessoas apenas quando precisam de julgamento, intenção, limite ou decisão subjetiva. Não estamos falando apenas de ferramentas que ajudam a criar, mas de sistemas que começam também a organizar e executar.

Interações

Mas as entregas não são a única parte do trabalho. As interações também são fundamentais. Jaime DeLanghe resume bem essa ideia em um texto chamado “O trabalho é a conversa”: muito do trabalho acontece justamente nas trocas, nos alinhamentos, nas perguntas, nas discordâncias e nas decisões construídas entre pessoas. E é aqui que surge uma mudança menos óbvia. Enquanto os sistemas passam a fazer mais, grande parte das interações com IA continua sendo individual.

Atualmente, a maioria das interfaces dos modelos de IA funciona por meio de interações individuais. O padrão mais comum ainda é uma única pessoa diante de um chat, escrevendo prompts, recebendo respostas, refinando caminhos e avançando sozinha. Mesmo quando essas ferramentas estão integradas a outras plataformas ou envolvem múltiplos agentes operando em conjunto, a lógica central continua sendo uma relação direta entre indivíduo e sistema. A experiência continua sendo, em grande parte, uma conversa privada.

Essa interface funciona muito bem. Ela reduz atrito, simplifica o uso e transforma tarefas complexas em interações acessíveis, hoje inclusive por voz. Mas essa eficiência também desloca uma parte significativa da criação para uma esfera menos visível e menos compartilhada. Ideias passam a ser exploradas em conversas privadas com modelos.

Primeiras versões surgem rapidamente. Estruturas, rascunhos, protótipos e argumentos ganham forma antes mesmo de outras pessoas entrarem na conversa. Boris Cherny, criador e líder do Claude Code na Anthropic, descreve publicamente um fluxo em que a ferramenta participa desde o planejamento das funcionalidades e está integrada ao cotidiano de desenvolvimento da empresa.

O processo criativo que muitas vezes começava na interação entre pessoas passa a começar na interação entre indivíduo e sistema. Equipes continuam existindo, evidentemente, mas em muitos casos entram depois, quando uma direção já foi escolhida, uma hipótese já foi organizada e uma solução já ganhou contorno.

É justamente nesse ponto que a discussão sobre colaboração se torna mais delicada, porque colaborar nunca foi apenas dividir tarefas. Colaborar também é uma forma de pensar para além da própria visão individual. É na troca que hipóteses frágeis encontram contrapontos, repertórios diferentes se cruzam, pontos cegos aparecem e decisões ganham mais densidade.

Colaboração também se relaciona com aprendizagem. Malcolm Knowles, ao popularizar a andragogia, ajudou a consolidar a ideia de que adultos aprendem melhor quando conseguem relacionar experiência, autonomia e contextos significativos de troca. Albert Bandura, por sua vez, mostrou como grande parte do comportamento humano é aprendida por observação e interação com outras pessoas.

Em termos simples, aprendemos muito com outras pessoas. Quando parte relevante da exploração inicial deixa de ocorrer em grupo, não se perde apenas uma conversa. Perde-se também contexto, repertório compartilhado e a oportunidade de acompanhar como uma ideia foi construída.

Menos construções coletivas

O risco é perder construções coletivas. Quando menos gente participa do início de um processo, menos repertório circula, menos contexto é compartilhado e menos espaço existe para que uma ideia seja testada, ampliada ou revista antes de ganhar velocidade. A execução pode se tornar mais rápida, mas isso pode acontecer à custa da qualidade do pensamento que sustenta essa execução. E, junto com isso, perde-se também parte do pensamento sistêmico.

Luiz Carlos da Vila, grande sambista brasileiro, dizia em tom bem-humorado que “a maior invenção do homem é a roda”. Não se referia apenas ao objeto, mas também à roda de conversa e à roda de samba, espaços genuínos de interação, criatividade e troca. A imagem ajuda a lembrar que nem todo ganho do trabalho aparece em uma entrega. Há valor também no encontro, na circulação de ideias e no que surge entre as pessoas.

Esse ponto ganha ainda mais importância em um momento de ansiedade em relação à tecnologia. O Workmonitor 2026, da Randstad, mostra trabalhadores tentando se adaptar ao crescimento da IA ao mesmo tempo em que convivem com preocupações sobre seus efeitos no trabalho. Sob pressão para acompanhar essa mudança, produzir primeiro e discutir depois pode parecer o caminho mais seguro. Mas velocidade, sozinha, não garante valor.

A pressa de executar, mediada por modelos capazes de gerar textos, mídias ou análises em segundos, pode favorecer aquilo que já vem sendo chamado de AI slop ou, no ambiente de trabalho, workslop. Em termos simples, são entregas geradas com IA que parecem profissionais à primeira vista, mas são superficiais, imprecisas ou incompletas e acabam exigindo retrabalho humano. O ganho de produtividade de uma pessoa pode, assim, transferir trabalho para outras. O que parecia eficiência individual se transforma em custo coletivo.

Quando a criação acontece de forma individual com modelos, surge também o risco de sycophancy. Trata-se de um comportamento em que sistemas favorecem respostas que parecem agradar o usuário ou validar suas hipóteses iniciais. Pesquisas indicam que, nessas situações, as IAs frequentemente reforçam ideias e comandos em vez de questioná-los. O problema é que, em vez de colocar uma ideia à prova, muitas vezes apenas a processam e devolvem com aparência de consistência. A IA pode ampliar nossas ideias, mas nem sempre as confronta.

Já começam a aparecer práticas que tentam compensar esse comportamento. Um exemplo são comandos ou skills como “Grill Me”, que pedem ao modelo para interrogar o usuário, questionar premissas e evitar avançar imediatamente com a primeira solução. Isso é útil porque devolve parte das decisões para o humano e cria mais espaço para reflexão. Ainda assim, não resolve completamente o problema da colaboração: uma interação mais crítica entre pessoa e modelo continua sendo uma interação entre uma pessoa e um modelo.

Isso me parece central para pensar o momento atual. Sou um defensor claro do uso dessa tecnologia. Já escrevi, inclusive, sobre a importância de preparar o ambiente organizacional, organizar dados e ampliar o letramento para que o uso da IA seja mais consciente. Retomo essas lentes aqui porque a questão da colaboração passa pelo mesmo ponto.

Um dos desafios da gestão hoje é equilibrar velocidade com segurança e qualidade com autonomia. Não basta adotar a ferramenta. É preciso entender o que ela acelera, o que ela oculta e quais capacidades humanas podem estar sendo deslocadas para fora do processo sem que a organização perceba imediatamente.

Muito se fala em manter o humano no loop. Algo que apoio, mas talvez já não seja suficiente para descrever o tamanho do desafio. O ponto agora não é apenas manter um humano interagindo com sistemas cada vez mais capazes. O ponto é manter humanos, no plural, dentro do processo de construção de sentido.

Isso significa garantir que grupos continuem debatendo, discordando, revisando premissas, compartilhando contexto e amadurecendo decisões coletivamente. Preservar espaços de contraste, escuta e construção compartilhada passa a ser parte essencial da própria qualidade do trabalho.

A IA cria, sem dúvida, uma oportunidade real de reorganizar o trabalho. Os ganhos de produtividade mostram isso. E talvez seja justamente esse o ponto mais importante. Se os sistemas conseguem executar mais, nós deveríamos usar esse ganho para ampliar a qualidade da participação humana, e não para reduzir ainda mais os momentos em que pessoas pensam juntas. Com mais tempo disponível para certas tarefas, deveríamos ser capazes de considerar mais visões, envolver mais perspectivas e construir soluções com maior densidade coletiva.

Mas essa reorganização não acontecerá sozinha. Ela exige uma compreensão mais madura de que, além da decisão individual, a colaboração coletiva continua sendo insubstituível. Em um cenário em que as interações com IA são majoritariamente individuais e privadas, uma das tarefas mais importantes das lideranças será recriar condições para que o pensamento coletivo não se torne uma etapa tardia, protocolar ou apenas decorativa.

Talvez a pergunta mais importante deste momento não seja se a inteligência artificial vai colaborar conosco. Em muitos casos, ela já colabora. A pergunta mais difícil é outra: em meio a tanta eficiência individual, continuaremos criando condições para que humanos sigam colaborando entre si?

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Lucas Tangi

Lucas é Design Manager no Pecege, formado em tecnologia e especialista em gestão de equipes criativas. Com ampla experiência liderando equipes de design, é também palestrante, professor e consultor. Já participou de projetos em consultorias de tecnologia, venture builders, ODS e na amazônia brasileira. Entusiasta e pesquisador de futuros, dedica-se à inovação e à criação de soluções com alto impacto social e econômico.

Você também pode gostar

Economia, Investimentos E Banking

23 de outubro de 2026

Educação Financeira, Comportamentos e Vieses na Tomada de Decisão Financeira

A gestão financeira pessoal representa um desafio crescente, influenciada por vieses cognitivos que afetam a tomada de decisão, mesmo em indivíduos com alto conhecimento. O presente estudo analisou a relação entre o nível de educação financeira e a ocorrência de vieses comportamentais na tomada de decisão financeira de adultos residentes no Brasil. Realizou-se um levantamento de campo de natureza aplicada, quantitativa e descritivo-correlacional, por meio da aplicação de um questionário estruturado a 163 respondentes. O instrumento contemplou variáveis sociodemográficas, conhecimento e hábitos financeiros, e situações hipotéticas para identificar vieses cognitivos. Os resultados indicaram que níveis mais elevados de educação financeira associaram-se a melhores práticas de controle financeiro, poupança e investimento, com correlações significativas com renda e escolaridade. Contudo, a presença de vieses comportamentais (ancoragem, aversão à perda, escassez, otimismo/negatividade, viés do presente, status quo, excesso de confiança e contabilidade mental) persistiu mesmo entre indivíduos com maior escolaridade e renda, sem associação estatisticamente significativa com as variáveis sociodemográficas analisadas. Concluiu-se que a educação financeira, embora essencial para a organização e o controle financeiro, não foi suficiente para neutralizar a influência de vieses cognitivos. Sugere-se a incorporação de abordagens comportamentais aos programas de educação financeira.

Palavras-chave: Comportamento financeiro; Economia comportamental; Finanças pessoais; Heurísticas cognitivas; Vieses cognitivos.

22 de outubro de 2026

Jornada do Consumidor na Decisão de Compra de Infoprodutos no Ambiente Digital

A expansão do comércio eletrônico e a transformação tecnológica impulsionaram a necessidade de compreender o comportamento do consumidor de infoprodutos, cuja experiência percebida tornou-se crucial para o desenvolvimento profissional. O estudo objetivou analisar os fatores que influenciaram a decisão de compra de infoprodutos no ambiente digital, considerando as etapas da jornada do consumidor. Realizou-se uma pesquisa aplicada, quantitativa e descritiva, por meio de um levantamento de campo com 100 consumidores da Serra Gaúcha. A coleta de dados ocorreu via questionário estruturado, utilizando amostragem não probabilística. Os resultados revelaram um público qualificado e com forte comportamento “mobile-first”. Constatou-se que a disponibilidade de informações detalhadas e a aprovação social foram os principais gatilhos de atração na fase de pré-compra. Nas etapas transacionais e posteriores, a minimização de atritos operacionais, a agilidade do acesso imediato e a segurança sistêmica mostraram-se cruciais para a conversão e satisfação, embora lacunas na eficiência do suporte humano tenham sido identificadas. A retenção fundamentou-se na confiança gerada por experiências anteriores positivas, superando o fator preço. Concluiu-se que a jornada do consumidor de infoprodutos opera como um sistema integrado, exigindo alinhamento entre infraestrutura tecnológica, curadoria de conteúdo e humanização do suporte para assegurar o engajamento.

Palavras-chave: Comércio eletrônico; Comportamento do consumidor; Experiência do consumidor; Fidelização; Negócios virtuais.

22 de outubro de 2026

Observatório Digital da Amazônia: Ciência de Dados Aplicada à Análise de Indicadores Sociais, Econômicos, Ambientais e de Saúde

O estado do Amazonas enfrentou desafios históricos na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), decorrentes de barreiras geográficas, desigualdades socioeconômicas e limitações estruturais. Descreveu-se, neste estudo, o desenvolvimento e a implementação de um geoportal de informações em saúde, concebido para apoiar o monitoramento, a avaliação e o planejamento no contexto amazônico. Adotou-se uma abordagem de estudo de caso descritivo, baseada em análise documental e dados secundários, abrangendo o mapeamento de funcionalidades, a infraestrutura técnica e as etapas de validação da ferramenta. O Portal foi desenvolvido com tecnologias abertas e integrou múltiplas bases de dados nacionais, oferecendo dashboards interativos, mapas temáticos e repositório digital de documentos. Entre os resultados, destacaram-se a visualização georreferenciada de indicadores-chave, a possibilidade de análises comparativas temporais e a utilização da plataforma na revisão de planos de saúde e no redirecionamento de ações estratégicas. O portal pode representar um avanço na governança digital e na gestão baseada em evidências, com potencial de replicabilidade para outros territórios de alta complexidade, desde que acompanhada de investimentos em infraestrutura tecnológica, capacitação profissional e articulação interinstitucional.

Palavras-chave: Amazônia; Avaliação em Saúde; Saúde Digital; Sistemas de Informação em Saúde.

22 de outubro de 2026

Aprendizado Contínuo como Fator de Crescimento Organizacional na Percepção dos Colaboradores

O impacto do aprendizado contínuo e da gestão do conhecimento no crescimento das organizações foi estudado em um cenário de globalização e constantes mudanças. O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos colaboradores sobre a cultura de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento pessoal e profissional. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa anônima, de abordagem quantitativa, utilizando um formulário com questões do tipo “survey” aplicado a 87 profissionais dos setores de tecnologia, saúde, educação, comércio e serviços. Os resultados indicaram que os colaboradores possuíam uma percepção positiva sobre a contribuição do aprendizado contínuo para o crescimento pessoal e organizacional, reconhecendo seus benefícios para o desenvolvimento de novas habilidades, inovação e competitividade. Contudo, observou-se que o incentivo à troca de conhecimento interno e a oferta de treinamentos práticos ainda apresentavam médias moderadas de concordância. Concluiu-se que o aprendizado contínuo contribui significativamente para o desenvolvimento individual e organizacional, sugerindo que as empresas devem desenvolver políticas estratégicas de aprendizado direcionado para novas habilidades, visando maior vantagem competitiva e inovação.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade