Imagem Análise econômico-financeira de uma petrolífera durante a pandemia de covid-19

11 de fevereiro de 2026

Análise econômico-financeira de uma petrolífera durante a pandemia de covid-19

Vanessa Suzana Aparecida Marques; Matheus da Costa Gomes

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Este estudo analisa o desempenho econômico-financeiro da Empresa A, uma petrolífera de capital aberto, de 2019 a 2024, para identificar os impactos da pandemia de Covid-19 em seus resultados financeiros e estruturas patrimoniais, bem como as ações adotadas para mitigá-los. A investigação utiliza indicadores contábeis para averiguar as estruturas afetadas, as fragilidades patrimoniais e a resposta da companhia à crise sanitária global. A análise das demonstrações financeiras permite uma avaliação da resiliência operacional e da capacidade de adaptação da organização em um período desafiador para a economia mundial.

O cenário empresarial contemporâneo força as corporações a uma busca por eficiência. Para as sociedades de capital aberto, essa pressão é maior, pois precisam demonstrar atratividade para investidores em um mercado acionário volátil (Assaf Neto, 2020). Além da dinâmica de mercado, as empresas estão sujeitas a fatores externos imprevisíveis, como crises sanitárias, que podem afetar suas estruturas operacionais e financeiras. A pandemia de Covid-19, iniciada no final de 2019, é um exemplo paradigmático de tal evento, desencadeando oscilações econômicas que afetaram os mercados globais.

A crise sanitária provocou choques na economia, somando-se às consequências para a saúde pública e às incertezas sociais (Banco Central do Brasil, 2020). O setor petrolífero foi um dos mais impactados. O enfraquecimento do mercado chinês, grande consumidor de petróleo, afetou as exportações brasileiras. A expansão do vírus e as medidas de contenção, como lockdowns, contribuíram para um recuo na demanda global por petróleo, estimada em uma queda de 20 milhões de barris por dia em abril de 2020 (IBP, 2020). Essa discrepância entre oferta e demanda resultou em uma regressão na cotação do petróleo “Brent”, que atingiu uma média de US$ 18 por barril, em contraste com os US$ 67 por barril de 2019 (IBP, 2023).

Nesse contexto, a contabilidade emerge como ferramenta estratégica, fornecendo dados para processos decisórios (Assaf Neto, 2020). Os indicadores econômico-financeiros são mecanismos essenciais para avaliar o desempenho de uma organização. Essas ferramentas permitem que stakeholders, como acionistas e credores, realizem análises sobre a saúde financeira, a rentabilidade e a composição de recursos de uma companhia (Assaf Neto, 2014). A aplicação desses indicadores é indispensável para compreender a dimensão dos impactos da crise e a eficácia das estratégias de resposta da empresa.

A análise das demonstrações contábeis é relevante para usuários internos, que monitoram o desempenho, e externos, que avaliam a segurança de investimentos e a concessão de crédito (Lins e Filho, 2012). O processo analítico visa apontar a posição econômica atual, identificar as causas de evolução ou retrocesso e delinear tendências futuras. Este estudo apropria-se dessas técnicas para dissecar a trajetória da Empresa A, oferecendo uma visão de sua performance antes, durante e após o auge da crise sanitária, contribuindo para o entendimento da dinâmica do setor petrolífero.

Este estudo é uma pesquisa descritiva com abordagem de métodos mistos, qualitativos e quantitativos. A pesquisa é aplicada, pois visa à resolução de uma problemática específica (Siena et al., 2024). A metodologia quantitativa manifesta-se no recolhimento de informações numéricas das demonstrações financeiras, enquanto a análise qualitativa está atrelada à interpretação dos resultados e do contexto. A pesquisa descritiva aponta as características de um fenômeno, descrevendo o comportamento dos indicadores da Empresa A em um período predeterminado para averiguar sua situação patrimonial (Silva e Menezes, 2000).

Quanto aos procedimentos técnicos, utilizou-se a pesquisa documental, com busca de informações em fontes primárias (Marconi e Lakatos, 2017). Os dados foram levantados de documentos oficiais da Empresa A, incluindo Demonstrações dos Resultados do Exercício (DRE), Balanços Patrimoniais (BP) e notas explicativas, disponíveis publicamente. A coleta de dados abrangeu o período de 2019 a 2024, permitindo uma análise longitudinal. Os dados foram filtrados e analisados com o Microsoft Excel.

As técnicas de análise de balanços aplicadas foram a análise horizontal (AH) e a análise vertical (AV) (Assaf Neto e Lima, 2014). A análise horizontal visualiza a evolução de itens em intervalos sequenciais, enquanto a análise vertical demonstra a participação de cada conta em relação a um total (Assaf Neto, 2020). Adicionalmente, empregou-se a análise por indicadores econômico-financeiros, agrupados em três categorias: liquidez, endividamento e estrutura de capital, e rentabilidade.

Para a análise de liquidez, foram calculados os índices de liquidez imediata, corrente, seca e geral, que avaliam a capacidade de pagamento da empresa (Iudicibus, 2017). Os indicadores de endividamento e estrutura de capital, como a relação capital de terceiros/capital próprio e a composição do endividamento, avaliaram a dependência de recursos externos (Marion, 2006). Por fim, os indicadores de rentabilidade, incluindo margem bruta, operacional, líquida, retorno sobre o ativo (ROA) e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), mediram a eficiência na geração de lucros (Kobori, 2012). Para enriquecer a análise, os resultados da Empresa A foram comparados com os de duas concorrentes de capital aberto.

A análise vertical do ativo da Empresa A revela que a conta Caixa e equivalentes de caixa representou 3,21% do ativo total em 2019, aumentando para 6,16% em 2020 e 6,00% em 2021, antes de declinar. Esse aumento inicial reflete a geração de caixa com exportações e alienações de ativos, uma estratégia para fortalecer a liquidez. A posterior redução decorre da gestão de dívidas e realocação de recursos em investimentos. A conta de Imobilizado, maior parcela do ativo, caiu de 69,32% em 2019 para 65,37% em 2020, devido ao registro de “impairment” pela queda do preço do petróleo. Nos anos subsequentes, a participação do imobilizado cresceu, atingindo 75,03% em 2024, indicando retomada de investimentos.

A análise vertical do passivo e patrimônio líquido mostra que Empréstimos e Financiamentos têm representatividade significativa, concentrada no passivo não circulante, superando 30% do passivo total em 2019 e 2020. Isso demonstra uma estratégia de alongamento do perfil da dívida. Na DRE, o custo dos produtos vendidos comprometeu mais de 50% da receita líquida entre 2019 e 2021. Contudo, a empresa recuperou-se a partir de 2021, com redução das despesas operacionais e financeiras, impulsionada pela alienação de ativos e melhora do cenário. Como resultado, o lucro líquido saltou de 2,30% da receita em 2020 para 23,70% em 2021 e 29,47% em 2022.

A análise horizontal corrobora esses achados. A receita líquida de vendas caiu 9,98% em 2020, mas registrou crescimento de 66,38% em 2021, impulsionado pela recuperação dos preços do “Brent”, pela desvalorização do real e pela retomada da demanda. O lucro líquido, que havia caído em 2020, apresentou crescimento de 1.617,32% em 2021, atingindo valor recorde. Esse resultado foi fruto da melhora do cenário externo e de uma gestão interna eficaz, que incluiu a reversão de “impairments”, controle de custos e continuidade do programa de desinvestimentos. Em 2022, o lucro continuou a crescer, antes de retrair em 2023 devido à queda nos preços do petróleo.

A análise dos indicadores de liquidez revela que, embora a Empresa A tenha apresentado índices inferiores aos de suas concorrentes, ela demonstrou resiliência. A liquidez corrente se manteve acima de 1,00 de 2019 a 2022, indicando capacidade de cobrir obrigações de curto prazo. A queda posterior está alinhada à estratégia de usar o caixa para liquidar dívidas e investir. A liquidez seca, que exclui os estoques, permaneceu abaixo de 1,00, evidenciando dependência dos estoques para a liquidez, o que é característico do setor. A empresa demonstrou gestão de caixa prudente, fortalecendo sua posição em 2020 e 2021 para realocar recursos.

No endividamento, a Empresa A apresentou alavancagem elevada, com a relação capital de terceiros/capital próprio atingindo 217,35% em 2020. No entanto, a empresa reduziu essa dependência nos anos seguintes, graças à geração de caixa e liquidação de compromissos. A composição do endividamento mostra preferência por obrigações de longo prazo, com mais de 75% da dívida concentrada nesse horizonte, o que confere estabilidade à estrutura de capital. A elevada imobilização do patrimônio líquido, superando 200%, reflete a natureza intensiva em capital do setor.

Os indicadores de rentabilidade confirmam a recuperação da empresa. A margem bruta se manteve robusta, superando 45% a partir de 2020. A margem operacional, após uma queda em 2020, atingiu um pico de 46,58% em 2021, evidenciando eficiência operacional. A margem líquida, que caiu para 2,30% em 2020, recuperou-se, alcançando 29,47% em 2022. O Retorno sobre o Ativo (ROA) e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) seguiram a mesma tendência, com o ROE saltando de 13,70% em 2019 para 51,87% em 2022, demonstrando capacidade de gerar valor para os acionistas no pós-crise.

A análise dos dados evidencia que 2020 foi desafiador para a Empresa A, com a queda no preço do petróleo, a contração da demanda e a necessidade de registrar “impairment” impactando os resultados. No entanto, a resposta da empresa foi ágil. A decisão de acelerar o programa de desinvestimentos e de contratar linhas de crédito para fortalecer a liquidez foram medidas cruciais para atravessar a crise.

A recuperação a partir de 2021 não se atribui apenas à melhora do cenário macroeconômico. A disciplina na gestão de custos, o foco em ativos de alta rentabilidade e a estratégia de alongamento do perfil da dívida foram fundamentais para que a empresa capitalizasse a alta dos preços do petróleo e transformasse o aumento da receita em lucros recordes. A comparação com as concorrentes, embora revele uma liquidez mais ajustada, destaca a consistência da Empresa A na gestão do endividamento e sua capacidade de recuperação da rentabilidade, sugerindo uma estrutura resiliente.

Este estudo analisou os efeitos da pandemia de Covid-19 na condição econômico-financeira da Empresa A, destacando como uma crise sanitária pode influenciar o setor de petróleo. Em 2020, o retrocesso do preço do “Brent”, o encolhimento da demanda e os “impairments” atingiram as receitas e os lucros. Contudo, as medidas adotadas, como desinvestimentos, redução de custos e alongamento do perfil da dívida, permitiram uma recuperação robusta a partir de 2021, impulsionada por um cenário externo favorável e estratégias operacionais eficientes que resultaram em lucros recordes. A comparação com concorrentes mostrou que, apesar de uma liquidez por vezes inferior, a resiliência operacional e a gestão da dívida foram diferenciais.

A experiência da Empresa A demonstra que a agilidade na decisão e a adaptação ao mercado são determinantes para a sustentabilidade no setor petrolífero. Embora este estudo se limite a uma única empresa e utilize dados históricos sem ajustes inflacionários, ele oferece uma análise prática que pode servir como referência para futuras pesquisas. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que, apesar do severo impacto inicial da pandemia em 2020, a Empresa A demonstrou notável resiliência e capacidade de recuperação nos anos subsequentes por meio de uma gestão financeira estratégica.

Referências:
Assaf Neto, A. 2010. Estrutura e Análise de Balanços – um enfoque econômico-financeiro. 9ed. Editora Atlas. São Paulo, SP, Brasil.
Assaf Neto, A. 2014. Finanças Corporativas e Valor. 7ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Assaf Neto, A. 2020. Estrutura de Balanços: um enfoque econômico-financeiro. 12ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil
Assaf Neto, A.; Lima, Fabiano Guasti. 2014. Curso de Administração Financeira. 3ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil
Banco Central do Brasil [BACEN]. 2020. Relatório de Inflação de Março de 2020. Disponível em: < https://www. bcb. gov. br/content/ri/relatorioinflacao/202003/ri202003b1p. pdf > Acesso em: 25 fev. 2025.
Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás [IBP]. 2020. Covid-19 e os impactos sobre o mercado de Petróleo. Disponível em: < https://www. ibp. org. br/personalizado/uploads/2020/04/20200330-e-book-covid-19-e-os-impactos-sobre-o-mercado-de-petroleo-v2. pdf >. Acesso em: 25 fev. 2025.
Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás [IBP]. 2023. Mercado de petróleo e a atuação da Opep na Pandemia de Covid 19. Disponível em: < https://www. ibp. org. br/observatorio-do-setor/snapshots/mercado-de-petroleo-e-a-atuacao-da-opep-na-pandemia-da-covid-19/ >. Acesso em: 26 Fev.2025.
Iudícibus, S. 2017. Análise de Balanços. 11ed. Editora Atlas. São Paulo, SP, Brasil.
Kobori, J. 2012. Análise fundamentalista [recurso eletrônico]: como obter uma performance superior e consistente no mercado de ações. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Lins, L. S.; Filho, J. F. 2012. Fundamentos e análise das demonstrações contábeis. Editora Atlas. São Paulo, SP, Brasil.
Marconi M. A; Lakatos, E. M. 2017. Fundamentos de metodologia científica. 8ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Marion J. C. 2006. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade empresarial. 3ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Siena, O.; Aurineide, A. B.; Clésia, M. D. O.; Erasmo, M. C. 2024. Metodologia da Pesquisa Científica e Elementos para Elaboração e Apresentação de Trabalhos Acadêmicos. Editora Poisson. Belo Horizonte, MG, Brasil.
Silva, E. L.; Menezes, E. M. 2000. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. 2ed. Laboratório de Ensino a Distância da Ufscar. Florianópolis, SC, Brasil.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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