Letras que desenham mapas: as leis e a prática no campo educacional

Coluna

Educação

16 de janeiro de 2026

Letras que desenham mapas: as leis e a prática no campo educacional

Quando lidas em conjunto, elas indicam caminhos, limites e trilhas de orientação para a prática educativa

O lançamento da Política Nacional de Linguagem Simples (lei nº 15.263/2025), cujo intuito é facilitar a comunicação entre o poder público e o cidadão, movimentou, mais uma vez, o campo da educação. Desde a sua promulgação, surgiram dúvidas sobre como passa a ser correto — ou não — se expressar, acompanhadas de críticas, elogios e inquietações práticas. É inevitável que assim seja. A educação, enquanto serviço público essencial sob responsabilidade do Estado, configura um campo social e institucional marcado por encontros, disputas e sínteses entre diferentes correntes de pensamento.

Em um país de dimensão continental como o Brasil, atravessado por profundas desigualdades regionais, culturais e socioeconômicas, essas disputas se intensificam. Garantir equidade em um território tão vasto — dos costumes às condições materiais de vida — exige que a educação se organize como política pública estruturada, mas também como espaço permanente de negociação entre projetos distintos de sociedade. As leis que regulam esse campo não surgem como ornamentos formais nem como simples registros burocráticos: são respostas históricas a conflitos reais e tentativas de ordenar o que é, por natureza, plural e tensionado.

Na rotina escolar, entretanto, nem sempre é possível compreender de imediato os objetivos mais amplos de uma nova lei, que se soma a tantas outras e se empilha às tarefas cotidianas que precisam ser atendidas. Não é raro que o primeiro sentimento diante da novidade seja algo como “lá vem mais uma lei”. Outra expressão, igualmente comum, é a conhecida “lei para inglês ver” — a percepção de que, na ausência de fiscalização, pouco mudará na prática.

Para não cair nessas armadilhas do baixo senso comum, talvez seja possível adotar um método de leitura para lidar com as leis, especialmente aquelas relacionadas à educação. Em vez de enxergá-las como um amontoado indistinto de obrigações, pode ser mais produtivo compreendê-las como letras que desenham mapas: sinais normativos que, quando lidos em conjunto, indicam caminhos, limites e trilhas de orientação para a prática educativa.

A Constituição como norte

O primeiro passo desse método é compreender que todas as leis são infraconstitucionais. Isso significa que estão abaixo da Constituição Federal e existem para cumprir aquilo que foi deliberado, debatido e consagrado pela Assembleia Constituinte de 1988. Esse processo não foi casual nem apressado. Anos de pesquisa, debates intensos e contribuições de especialistas de diversas áreas antecederam cada formulação constitucional, na tentativa de definir, com clareza e objetividade, aquilo que deveria orientar a vida coletiva e a ação do Estado.

No campo da educação, esse norte constitucional está sintetizado, sobretudo, nos artigos 205 e 214 da Constituição Federal, que afirmam a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, orientada para o pleno desenvolvimento da pessoa, o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho, além de estabelecer diretrizes, metas e estratégias para sua organização em regime de colaboração. Esses dispositivos funcionam como um grande guarda-chuva normativo: é sob ele que se abrigam todas as demais leis educacionais.

As leis infraconstitucionais que decorrem desse marco também não surgem prontas ou isoladas. Antes de chegarem à sua redação final, percorrem um longo caminho de debate técnico e político, passando por comissões temáticas e, de modo decisivo, pelas Comissões de Constituição e Justiça, responsáveis por examinar sua compatibilidade com a Constituição, sua coerência jurídica e sua adequação técnica. É nesse percurso que conceitos são testados, termos são ajustados e ambiguidades são enfrentadas, até que o texto legal alcance uma forma constitucionalmente válida e socialmente aplicável.

As camadas do mapa: três tipos de leis

A partir desse norte constitucional, é possível organizar as leis educacionais em três grandes camadas, que funcionam como níveis de leitura do mapa normativo.

A primeira camada é composta pelas leis estruturantes de sistemas e deveres estatais. São normas que organizam a própria arquitetura da política educacional, distribuindo responsabilidades entre os entes federativos e transformando princípios constitucionais em obrigações jurídicas exigíveis. Nesse grupo situam-se a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (lei nº 9.394/1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (lei nº 8.069/1990). É nesse nível da lei que o direito à educação deixa de ser apenas uma afirmação constitucional e passa a se traduzir em deveres organizados do poder público, com definição de responsabilidades, níveis de ensino e garantia de oferta gratuita e universal. Trata-se de uma inflexão estrutural no Estado de Direito brasileiro.

A segunda camada reúne as leis que reorientam sentido, memória e conteúdo. Elas não reorganizam a estrutura administrativa do sistema, mas intervêm diretamente em seu horizonte simbólico e formativo. É o caso das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura africanas, afro-brasileiras e indígenas. Não se trata de um ajuste cosmético, mas de uma inflexão epistemológica: ao confrontar a linearidade eurocêntrica que moldou o imaginário escolar por décadas, essas leis reposicionam a educação como política de memória e identidade. Nesse movimento, reencontra-se a intuição antropofágica de Oswald de Andrade: metabolizar criticamente nossos fundamentos, em vez de importar modelos de forma acrítica.

A terceira camada corresponde às leis regulatórias e setoriais, voltadas a práticas específicas, modalidades de oferta, agendas pedagógicas ou formas de comunicação do Estado com a sociedade. Nesse grupo situam-se a regulação da educação a distância, por meio do decreto nº 12.456/2025 e da Portaria MEC nº 378/2025, a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais na educação básica (lei nº 13.006/2014), a Semana Cultural Interescolar (lei nº 14.988/2024) e a própria Política Nacional de Linguagem Simples (lei nº 15.263/2025). São leis que não redefinem o sistema como um todo, mas qualificam o percurso cotidiano, corrigem distorções e respondem a demandas concretas do tempo presente.

Formação, produtividade e a disputa global

É no cruzamento entre essas camadas — especialmente entre aquelas que reorientam o sentido da educação e aquelas pressionadas por agendas globais de eficiência — que retorna o debate sobre a influência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas políticas educacionais brasileiras. O léxico sedutor da vocational education sugere modernização, pragmatismo e alinhamento ao chamado “mundo do trabalho”. Sob essa superfície aparentemente neutra, observa-se um deslocamento significativo do sentido formativo da educação, sobretudo em países periféricos.

Esse deslocamento dialoga diretamente com a distinção proposta por Marilena Chauí entre a universidade institucional e a universidade operacional. Enquanto a primeira se orienta pela produção crítica do conhecimento e pela formação ampla, a segunda passa a operar segundo critérios de desempenho, produtividade e mensuração de resultados. Como alerta Barbara Freitag, trata-se de um fenômeno mundial, associado à difusão de modelos gerenciais e à financeirização das políticas públicas, e não de uma particularidade brasileira.

Nesse horizonte, a atuação da OCDE é coerente com sua missão institucional, centrada em eficiência e desempenho econômico. Trata-se de uma racionalidade legítima em seu campo, embora insuficiente para abarcar a educação em seu sentido formativo mais amplo. Quando transplantada sem mediações críticas, essa lógica pode resultar, como alerta Ivor Goodson, em um estreitamento das expectativas sociais e educativas, ao converter escolhas ainda imaturas em destinos profissionais precoces.

Leis como prática viva

Lidas dessa forma, as leis deixam de ser um fardo indistinto e passam a funcionar como trilhas de orientação. Algumas definem o terreno, outras redesenham a paisagem, outras indicam caminhos específicos. Navegar por esse mapa exige atenção e algum vocabulário técnico — um pouco de juridiquês, é verdade —, mas também exige reconhecer que esse vocabulário não deve ser um obstáculo à compreensão.

É justamente nesse ponto que a Política Nacional de Linguagem Simples se torna exemplar. Instituída em novembro de 2025, ela estabelece diretrizes para que a comunicação do poder público seja clara, acessível e compreensível, permitindo que o cidadão encontre, entenda e utilize as informações que estruturam seus direitos. Ao propor frases diretas, organização textual, explicitação de termos técnicos e atenção à acessibilidade, a lei não empobrece o direito: democratiza sua leitura e fortalece a participação social.

Ao examinar as leis que compõem a paisagem normativa da educação dessa maneira, mais do que compreendê-las, torna-se possível incorporá-las como parte viva do ofício educativo — e, a partir delas, inspirar a elaboração de novos dispositivos redigidos com rigor, clareza e responsabilidade pública, capazes de aperfeiçoar os instrumentos que moldam a vida escolar e, por consequência, o futuro coletivo da nação.

Quem publicou esta coluna

Roberto Munhoz

Roberto Munhoz é roteirista, educador e artista gráfico com 35 anos de experiência, 20 deles na Turma da Mônica (Estúdio Mauricio de Sousa). Também colaborou em obras como Menino Maluquinho, de Ziraldo, e Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. Participa de ações formativas e culturais de promoção à leitura e valorização das linguagens visuais como ferramentas educativas. Licenciado em Artes Visuais pela UNIP e pós-graduado em Gestão Escolar pela USP/ESALQ, atua como professor de artes no Ensino Fundamental I e II.

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Palavras-chave: controladoria; créditos tributários; empresas de tecnologia; não cumulatividade; reforma tributária.

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Previsão de alta precipitação no Rio Grande do Sul para prevenção de desastres hidrometeorológicos

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Palavras-chave: Desastres hidrometeorológicos; LSTM; Precipitação extrema; Redes Neurais Artificiais; Rio Grande do Sul.

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Análise Espacial da Idade dos Condomínios em São Paulo como Ferramenta Estratégica para Administradoras

O adensamento habitacional em São Paulo, onde 29,4% da população reside em apartamentos, estabeleceu um mercado de gestão de condomínios altamente competitivo que demanda estratégias de prospecção baseadas em dados espaciais. O estudo objetivou mapear a evolução urbana da capital paulista por meio de algoritmos de análise espacial e indicadores de idade predial para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência competitiva. A metodologia compreendeu a extração e integração de dados públicos do CNPJ via plataforma KNIME, resultando em uma base de 32.040 condomínios, dos quais 98% foram geocodificados com a API do Google Maps. A análise macroespacial identificou que as Zonas Leste e Sul lideraram o crescimento imobiliário recente, enquanto picos de registros em 1984 e 1985 foram associados a mudanças na legislação tributária e não a ciclos construtivos reais. Paralelamente, a análise microespacial utilizou o algoritmo BallTree para comparar cada condomínio aos seus 20 vizinhos mais próximos, revelando que 29% das unidades representaram pontos de renovação local em áreas consolidadas. Os resultados foram consolidados em um dashboard interativo que permite a visualização estratégica do mercado em diferentes níveis de granularidade. Concluiu-se que a integração da ciência de dados ao território permitiu que administradoras substituíssem abordagens genéricas por prospecções personalizadas ao ciclo de vida e à realidade competitiva de cada condomínio, otimizando a alocação de recursos de marketing e a efetividade das equipes comerciais.

Palavras-chave: Algoritmo BallTree; Análise Espacial; Ciência de Dados Urbanos; Gestão Condominial.

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Critérios e usabilidade de documentos no processo de escolha de materiais didáticos

Um estudo analisou documentos pedagógicos que orientam a escolha de materiais didáticos no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), considerando sua relevância para a prática docente e a gestão escolar. O objetivo foi analisar a clareza, a organização e a aplicabilidade do Guia Digital do PNLD 2023 – Anos Iniciais e do Roteiro de Apoio à Análise de Materiais Didáticos do Instituto Reúna, identificando seus limites, potencialidades e implicações para a prática pedagógica. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na análise documental orientada pela técnica de análise de conteúdo. Examinaram-se aspectos como estrutura, navegabilidade, organização dos critérios, densidade textual e estimativa de tempo de leitura. A análise revelou tensões entre regulação estatal, mercado editorial e autonomia escolar, e os resultados apresentaram diferenças significativas entre os documentos. O Guia do PNLD mostrou-se extenso, tecnicamente denso e predominantemente normativo. Em contraste, o Roteiro do Instituto Reúna organizou-se de forma progressiva e didática, com recursos gráficos que favoreceram a compreensão e o uso coletivo pelas escolas. Concluiu-se que as características estruturais e discursivas dos documentos influenciam diretamente sua usabilidade e podem impactar o grau de autonomia e participação das equipes escolares no processo de escolha dos materiais didáticos.

Palavras-chave: formação docente; materiais didáticos; PNLD; políticas curriculares; processo decisório.

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Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de verificação da Qualidade para o Ranking SICONFI

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Palavras-chave: Ciência de dados; Conformidade governamental; Controle interno; Gestão pública; Inteligência de negócios.

16 de outubro de 2026

Modelo estruturado de gestão de alto risco na saúde suplementar: eficiência operacional e coordenação do cuidado

A crescente pressão pela sustentabilidade econômico-assistencial na saúde suplementar brasileira impulsionou a adoção de modelos de gestão para populações de maior risco. O estudo objetivou descrever e analisar a estruturação e operacionalização de um modelo de gestão de uma carteira de alto risco assistencial, bem como comparar, de forma descritiva, os indicadores agregados de internações hospitalares e passagens em pronto-socorro da mesma coorte de 100 beneficiários entre 2023 e 2025. Realizou-se um estudo de caso único, descritivo e retrospectivo, integrando análise documental qualitativa e análise quantitativa descritiva de dados administrativos. O modelo foi implementado em uma operadora verticalizada, com 100 beneficiários de alto risco identificados por marcador eletrônico. O processo envolveu captação diária de eventos assistenciais, categorização por especialidade, distribuição dos casos à equipe responsável e protocolo multiprofissional de acompanhamento por 28 dias após passagens pelo pronto-socorro ou altas hospitalares. A análise documental revelou maior padronização dos fluxos, definição das responsabilidades e rastreabilidade dos acompanhamentos no modelo reformulado. Na comparação entre os períodos, as internações hospitalares diminuíram de 166 em 2023 para 52 em 2025, uma redução de 68,67%, e as passagens em pronto-socorro caíram de 238 para 130, uma variação de 45,38%. As reduções ocorreram no período em que o modelo já se encontrava incorporado à rotina institucional, configurando uma associação temporal favorável. Contudo, devido ao delineamento descritivo, à ausência de grupo de comparação e à impossibilidade de ajuste de fatores clínicos e contextuais, as variações observadas não puderam ser atribuídas exclusivamente à implantação do modelo. O estudo contribuiu ao sistematizar uma experiência organizacional de gestão de uma carteira de alto risco na saúde suplementar, oferecendo elementos para análise e adaptação em contextos institucionais semelhantes.

Palavras-chave: Coordenação do cuidado; Gestão de alto risco; Gestão populacional; Monitoramento pós-evento; Saúde suplementar.

16 de outubro de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de outubro de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de outubro de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

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