Artigo

29 de setembro de 2026

Barreiras socioeconômicas à independência financeira em arranjos domiciliares unipessoais na cidade de São Paulo

Barreiras Socioeconômicas à Independência Financeira em Arranjos Domiciliares Unipessoais na Cidade de São Paulo

Aline Fernanda Soares; Vivian Lapini Rocha

DOI: 10.22167/2675-6528-202602624

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A independência financeira em grandes centros urbanos, como São Paulo, enfrenta desafios significativos para arranjos domiciliares unipessoais, devido ao custo de vida, estrutura do mercado de trabalho e desigualdades socioeconômicas que concentram despesas em uma única fonte de renda. O estudo teve como objetivo identificar as barreiras socioeconômicas à independência financeira nesses domicílios. Adotou-se uma abordagem quantitativa, descritiva e aplicada, utilizando um levantamento tipo “survey” com questionário estruturado, aplicado via Google Forms entre março e abril de 2026, com 42 respondentes válidos. A análise dos dados empregou estatísticas descritivas, cruzamentos de variáveis, indicadores sintéticos, correlação de Spearman, testes exatos de Fisher e regressão linear exploratória. Os resultados indicaram predominância de indivíduos jovens, com vínculo formal de trabalho e renda mensal acima de R$ 5.000, apresentando poupança e investimentos de baixa intensidade e forte incidência de financiamentos de longo prazo. A formação de patrimônio imobiliário destacou-se como principal objetivo financeiro, mas observaram-se limitações na capacidade de acumulação e flexibilidade orçamentária. Concluiu-se que a independência financeira permanece condicionada à relação entre renda, custo de vida urbano e capacidade de organização financeira individual.

Palavras-chave: Autonomia econômica; Desigualdade urbana; Domicílio unipessoal; Orçamento pessoal; Vulnerabilidade financeira.

1. Introdução

A independência financeira é um conceito central nas discussões sobre qualidade de vida, autonomia e planejamento pessoal (Naghavi et al., 2025). Ela se associa à capacidade de administrar recursos, equilibrar receitas e despesas, e sustentar um padrão de vida compatível com a renda disponível (Sajid et al., 2024). No entanto, essa condição transcende o comportamento individual, sendo fundamental analisar a influência direta do ambiente social e econômico no qual o indivíduo está inserido (Aydemir Dev et al., 2025).

Em grandes centros urbanos, a dinâmica econômica, os custos diários e o acesso a bens e serviços moldam as possibilidades de estabilidade financeira (Chiquetto et al., 2022). Nas metrópoles brasileiras, como São Paulo, a estrutura urbana apresenta variações intensas de renda, localização e infraestrutura (Barros et al., 2024). Custos com moradia, transporte e alimentação variam regionalmente, pressionando o orçamento doméstico (Silver; Queirós, 2023). A autonomia material, assim, depende de múltiplos fatores, incluindo acesso a oportunidades e disponibilidade de recursos (Leite et al., 2022).

Nesse cenário, observa-se o crescimento expressivo dos arranjos domiciliares unipessoais, onde indivíduos vivem sozinhos (Benassi et al., 2024). Essa expansão acompanha transformações sociais no mercado de trabalho e nas formas de organização familiar (Choi; Ramaj, 2024; Cohen, 2021). Viver sozinho oferece liberdade, mas implica assumir integralmente as responsabilidades financeiras da residência (Piekut, 2024), concentrando todos os custos em uma única fonte de renda e alterando a estrutura do orçamento (Park, 2025).

A concentração de despesas em um único indivíduo amplia o impacto de gastos fixos e reduz as margens para poupança (Fong, 2025). Aluguel, alimentação, transporte e serviços básicos consomem uma parcela elevada da renda mensal, especialmente em regiões de alta valorização imobiliária (Samarin et al., 2024). Manter uma rotina estável exige compatibilidade entre renda e custos (Ogawa et al., 2026), e oscilações financeiras podem comprometer o planejamento e a formação de reservas (Liu et al., 2024).

A inserção no mercado de trabalho influencia diretamente a sustentabilidade financeira individual (Puehler; Danelon, 2025). São Paulo possui diversidade ocupacional, com vínculos formais e informais (Kolev; Manfredi, 2024). A regularidade da renda, remuneração e estabilidade impactam a organização do orçamento e a previsibilidade dos fluxos financeiros (Gomes et al., 2025). Rendimentos variáveis tornam o planejamento mais complexo (Megananda; Triski, 2026). Mudanças demográficas reforçam a necessidade de compreender a expansão dos domicílios unipessoais (Cohen, 2021), aumentando a demanda por soluções individuais de organização financeira (Yoon et al., 2026). A autonomia residencial, muitas vezes, convive com limitações orçamentárias que exigem ajustes frequentes, especialmente sem reserva ou com uso de crédito (Roberts et al., 2025).

O campo das finanças pessoais contribui para a compreensão das práticas de planejamento, controle e tomada de decisão (Alvarado-Cáceres et al., 2025). O domínio desses conhecimentos favorece escolhas alinhadas às condições financeiras (Anghel; Pochea, 2025). Contudo, sua aplicação encontra limites em ambientes urbanos com custos elevados e desigualdades, exigindo considerar dimensões estruturais para a autonomia financeira (Santini et al., 2025). Assim, a independência financeira em domicílios unipessoais em São Paulo envolve a interação entre renda, custo de vida e organização do espaço urbano (Nourallah et al., 2025), dependendo do equilíbrio desses elementos, especialmente com uma única fonte de recursos (Gupta et al., 2025).

Considerando a complexidade dessa relação e a crescente prevalência de arranjos domiciliares unipessoais em grandes centros urbanos, torna-se relevante investigar os fatores que dificultam a autonomia econômica desses indivíduos. A lacuna reside na necessidade de aprofundar a compreensão sobre as barreiras específicas que emergem da interação entre o perfil socioeconômico e o ambiente metropolitano. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo identificar as barreiras socioeconômicas à independência financeira em arranjos domiciliares unipessoais na cidade de São Paulo, considerando a relação entre desigualdade de renda, mercado de trabalho urbano, custo de vida e vulnerabilidades econômicas associadas à experiência de viver sozinho.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa adotou uma abordagem metodológica quantitativa, de caráter descritivo e natureza aplicada. A escolha da abordagem quantitativa justificou-se pela necessidade de mensurar variáveis relacionadas ao comportamento financeiro dos participantes, como renda, controle de gastos e endividamento, permitindo a identificação de padrões e relações entre os dados coletados.

O caráter descritivo do estudo visou retratar as características sociodemográficas e financeiras dos indivíduos que vivem sozinhos em São Paulo, sem interferência direta no fenômeno investigado. Buscou-se identificar a distribuição de fatores como renda, vínculo ocupacional e endividamento (Gil, 2022). A natureza aplicada da pesquisa teve como propósito gerar conhecimento para a compreensão de problemas concretos relacionados à independência financeira em contextos urbanos.

A estratégia de pesquisa consistiu em um levantamento do tipo “survey”, conduzido por meio de um questionário estruturado. Essa metodologia foi selecionada para coletar informações padronizadas de um grupo específico, possibilitando a comparação entre as respostas e a identificação de comportamentos financeiros associados à vida em domicílio unipessoal.

A população do estudo foi composta por indivíduos residentes em São Paulo que vivem sozinhos ou que possuíam experiência recente de moradia individual. A amostra, definida como não probabilística por conveniência, foi formada pela adesão voluntária dos participantes ao questionário, totalizando 42 respondentes válidos. A seleção ocorreu com base na facilidade de acesso e na proposta de identificar situações de comprometimento financeiro.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado, composto por 21 perguntas fechadas e semiestruturadas. As perguntas foram organizadas em blocos temáticos que abordaram o perfil sociodemográfico, o vínculo ocupacional, a renda mensal, o controle de gastos, o acompanhamento das despesas, a formação de reserva, a prática de investimentos, o endividamento e os objetivos financeiros dos participantes.

A construção do questionário priorizou a objetividade e o alinhamento com o propósito da pesquisa, permitindo captar tanto dados numéricos quanto percepções dos participantes. A coleta de dados foi realizada por meio da plataforma “Google Forms”, com o formulário disponibilizado em ambiente digital durante o período de março a abril de 2026.

Antes do preenchimento do questionário, foi apresentado aos participantes o Termo de Esclarecimento e Livre Consentimento (TCLE). Este termo continha informações sobre a finalidade acadêmica do estudo, o anonimato das respostas e a liberdade de participação. O acesso às perguntas foi concedido somente após a concordância do participante, assegurando o respeito aos princípios éticos aplicáveis à pesquisa.

Após a coleta, os dados foram organizados em planilha eletrônica, passando por etapas de conferência, tratamento e padronização. As respostas foram codificadas e agrupadas por categorias para análise. As questões abertas foram submetidas à codificação temática, transformando seus conteúdos em variáveis quantitativas.

A análise dos dados ocorreu em etapas sequenciais. Inicialmente, calcularam-se frequências absolutas e relativas para a descrição das variáveis. Em seguida, realizaram-se cruzamentos entre características sociodemográficas e dimensões financeiras. Posteriormente, elaboraram-se indicadores sintéticos para representar as dimensões de organização e controle financeiro, poupança e investimento, estabilidade e endividamento, além de um índice global.

Na etapa inferencial, aplicaram-se técnicas estatísticas para verificar associações e relações entre as variáveis. Utilizou-se a correlação de Spearman, testes exatos de Fisher e regressão linear exploratória para avaliar fatores associados à poupança e investimento. As análises foram conduzidas com o auxílio do software “Jamovi”, versão 2.3.28, considerando a natureza dos dados e o tamanho da amostra.

Os dados foram organizados em seções temáticas, estruturadas de acordo com os blocos analíticos da pesquisa. A interpretação foi realizada com base na articulação entre os achados e o contexto socioeconômico urbano, buscando compreender como renda, custo de vida, vínculo ocupacional e práticas de organização financeira influenciam a autonomia econômica de indivíduos que vivem sozinhos em São Paulo.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa buscou identificar as barreiras socioeconômicas à independência financeira em arranjos domiciliares unipessoais na cidade de São Paulo, revelando um panorama complexo que interliga características individuais, práticas financeiras e o contexto urbano. Os resultados indicaram uma predominância de indivíduos jovens, com vínculos formais de trabalho e rendas mensais mais elevadas, mas que ainda enfrentam desafios na acumulação de patrimônio e na flexibilidade orçamentária. A análise detalhada das dimensões financeiras e suas inter-relações permitiu compreender as nuances da autonomia econômica nesse grupo.

A composição etária da amostra demonstrou uma concentração significativa de participantes entre 20 e 30 anos, representando 31,0% do total, seguida pelo grupo de 30 a 35 anos, com 26,2%. As faixas etárias acima de 40 anos e entre 35 e 40 anos apresentaram menor participação, com 23,8% e 19,0%, respectivamente. Essa predominância de indivíduos em fases iniciais e intermediárias da vida profissional sugere um público em processo de consolidação de carreira, o que pode influenciar diretamente suas prioridades e comportamentos financeiros, conforme destacado por Naghavi et al. (2025) sobre a importância do planejamento pessoal.

No que tange ao regime de contratação, observou-se uma forte predominância de vínculos formais sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), abrangendo 66,7% dos respondentes. As demais categorias, como profissional liberal (14,3%), outras condições (7,1%), funcionário público (4,8%) e empresarial/PJ (4,8%), apresentaram menor representatividade. Essa concentração em contratos formais indica maior previsibilidade de renda e estabilidade ocupacional para a maioria dos participantes, um fator crucial para a organização financeira individual, como apontam Wu e Wan (2023).

A distribuição da renda mensal bruta revelou que a maior parte dos participantes (47,6%) possuía renda acima de R$ 5.000. As faixas intermediárias, entre R$ 1.621 e R$ 5.000, também apresentaram incidência relevante, com 16,7% para a faixa de R$ 1.621 a R$ 2.500, e 11,9% para cada uma das faixas de R$ 2.500 a R$ 3.500, R$ 3.000 a R$ 4.500 e R$ 4.500 a R$ 5.000. A presença dominante de rendas mais elevadas sugere um grupo com maior capacidade financeira, o que pode influenciar suas decisões de consumo, investimento e planejamento, embora o custo de vida em São Paulo seja um fator limitante (Silver; Queirós, 2023).

Em síntese, o perfil da amostra é caracterizado por indivíduos jovens, com estabilidade ocupacional e rendas médias a superiores. Essa estrutura direciona a interpretação dos resultados para um público que, apesar de possuir condições financeiras relativamente favoráveis, ainda enfrenta as barreiras socioeconômicas inerentes à vida em domicílios unipessoais em um grande centro urbano. A concentração de despesas em uma única fonte de renda, mesmo com maior previsibilidade, pode reduzir as margens para poupança e investimento (Fong, 2025).

Poupança, investimentos e objetivos financeiros

A análise da posse de conta poupança indicou que 54,55% dos respondentes afirmam possuir esse tipo de conta, enquanto 31,82% não a possuem. Uma parcela menor, 9,09%, utiliza apenas conta corrente, e 4,55% não responderam. Essa distribuição revela que a maioria dos participantes tem acesso a instrumentos financeiros básicos, embora uma parte significativa ainda não utilize a poupança, o que pode impactar sua capacidade de formação de reservas (Liu et al., 2024).

Quanto à prática de investimentos, 52,27% dos respondentes declararam investir, ao passo que 22,73% informaram não realizar investimentos. Um grupo de 20,45% ainda não investe, mas manifesta intenção futura, e 4,55% não responderam. Esses dados sugerem a presença de indivíduos ativos no mercado financeiro, mas também indicam uma parcela em transição ou com menor engajamento na prática de aplicações financeiras, o que pode limitar o crescimento de seu patrimônio a longo prazo (Başar et al., 2025).

O percentual da renda mensal destinado a investimentos concentrou-se majoritariamente entre 5% e 10%, com 47,73% dos respondentes. Notavelmente, 40,91% dos participantes não realizam qualquer tipo de aplicação. Percentuais mais elevados, como acima de 20% (4,55%) e entre 10% e 15% (2,27%), tiveram baixa incidência. Essa distribuição aponta para uma alocação financeira moderada ou inexistente, com pouca participação em níveis mais intensivos de investimento, o que pode ser uma barreira à independência financeira em longo prazo (Gupta et al., 2025).

Os objetivos financeiros dos participantes são diversificados, mas a aquisição de imóvel próprio destacou-se como principal meta, mencionada por 29,6% dos respondentes. Viajar foi o segundo objetivo mais frequente, com 25,0%. A geração de segunda renda e outros objetivos variados registraram 13,6% cada, enquanto a aquisição de veículo foi citada por 9,1%. Essa coexistência entre metas patrimoniais e de consumo pessoal reflete a busca por segurança econômica de longo prazo, mas também a valorização de experiências individuais, o que é comum em domicílios unipessoais (Piekut, 2024).

Em resumo, os resultados indicam que, embora a maioria dos indivíduos tenha acesso a instrumentos financeiros básicos e uma parte invista, a intensidade dos aportes é reduzida. Os objetivos financeiros são variados, combinando a formação de patrimônio com a realização pessoal. Esse perfil sugere um processo de consolidação no planejamento financeiro, onde a intenção de investir e acumular patrimônio coexiste com a prática de alocações modestas, o que pode ser influenciado pelo alto custo de vida urbano e pela concentração de despesas em uma única fonte de renda (Samarin et al., 2024).

Organização financeira, acompanhamento das despesas e endividamento

A observação sobre o controle de gastos revelou que 38,64% dos participantes afirmam realizar esse controle regularmente, enquanto 34,09% não o fazem e 22,73% o executam de maneira ocasional. A frequência de acompanhamento das despesas concentra-se no intervalo mensal, com 47,73% dos respondentes, seguida por 22,73% que não acompanham. Monitoramentos mais frequentes, como semanal (18,18%) ou diário (6,82%), apresentaram menor incidência. Essa distribuição indica uma predominância de acompanhamento periódico ampliado, com menor presença de rotinas contínuas de controle financeiro, o que pode comprometer a capacidade de adaptação a imprevistos (Le et al., 2025).

No que se refere ao endividamento, 47,73% dos participantes mantêm financiamentos de longo prazo, enquanto 22,73% indicam ausência de dívidas. Dívidas de curto prazo foram relatadas por 18,18% dos respondentes, e pagamentos à vista por 6,82%. Em relação ao planejamento para quitação de dívidas, 31,82% declaram possuir planejamento definido, e 29,55% realizam pagamentos conforme a disponibilidade orçamentária. Uma parcela de 20,45% não adota qualquer tipo de planejamento, e 18,18% não respondeu. Essa coexistência entre organização financeira mais definida e práticas baseadas em ajustes imediatos aponta para desafios na gestão contínua do orçamento, especialmente com a presença de compromissos financeiros de longo prazo (Martín-Legendre; Sánchez-Santos, 2024).

Os objetivos financeiros, conforme codificação temática, reforçam a predominância de metas voltadas ao patrimônio imobiliário, com 38,1% das menções, seguida por viagem e lazer, com 26,2%. A formação de renda futura por meio de investimentos aparece com 16,7%, e a aquisição de veículo com 9,5%. Categorias como quitar dívidas (2,4%) e outros objetivos (2,4%) apresentaram participação reduzida. Essa priorização de metas patrimoniais e de realização pessoal, mesmo diante de compromissos financeiros em andamento, sugere que a busca por estabilidade de longo prazo é um motivador central, mas a gestão do endividamento e a formação de reservas ainda representam desafios (Acolin; Reina, 2022).

A relação entre as práticas de organização financeira e a definição de objetivos indica que, embora haja metas claras para a construção de patrimônio e realização individual, os níveis de controle de gastos e planejamento financeiro são variados. A predominância de financiamentos de longo prazo, aliada a um acompanhamento menos frequente das despesas, direciona a compreensão para desafios na gestão contínua do orçamento. Isso ocorre mesmo quando os objetivos mantêm uma orientação para a estabilidade econômica futura, evidenciando a necessidade de maior disciplina e ferramentas de apoio para a autonomia financeira (Yoon et al., 2026).

Situação de endividamento e dificuldades financeiras

A distribuição da situação de endividamento atual indicou uma maior concentração em financiamentos de longo prazo, com 50,0% dos participantes. Dívidas de curto prazo foram relatadas por 19,0% dos respondentes, enquanto 23,8% não possuíam dívidas e 7,1% pagavam tudo à vista. Essa estrutura aponta para a predominância de compromissos financeiros prolongados, o que pode reduzir a flexibilidade orçamentária e a capacidade de formação de reservas, especialmente em domicílios unipessoais onde todas as despesas recaem sobre uma única fonte de renda (Park, 2025).

No que se refere às dificuldades financeiras relatadas, as mudanças familiares e transições de vida foram as mais citadas, com 31,0% das menções. A ausência de dificuldade relevante foi indicada por 26,2% dos participantes, seguida pela perda de renda ou desemprego, com 21,4%. O crédito caro e o endividamento somaram 19,0% das menções. Outras categorias, como inflação e custo de vida (2,4%), outras dificuldades específicas (2,4%) e saúde e incapacidade laboral (2,4%), apresentaram baixa incidência. Esses dados, consistentes com as codificações temáticas, reforçam a influência de fatores externos e eventos de vida na situação financeira dos participantes (Simonse et al., 2024).

A convergência entre a situação de endividamento e as dificuldades financeiras revela um cenário onde financiamentos de longo prazo e eventos pessoais, como mudanças familiares ou perda de renda, são os principais condicionantes das dificuldades enfrentadas. Essa distribuição das respostas aponta para a influência de fatores conjunturais e individuais na organização financeira, impactando diretamente a capacidade de manutenção do equilíbrio econômico ao longo do tempo. Mesmo com rendas mais elevadas, a vulnerabilidade financeira permanece devido à exposição a esses fatores (Roberts et al., 2025).

Indicadores sintéticos de comportamento financeiro

A análise dos indicadores sintéticos padronizados revelou que a dimensão organização e controle financeiro registrou uma média de 2,98, com desvio-padrão de 1,33 e mediana de 3. A variação entre 1 e 5 indica heterogeneidade nas práticas de controle, com indivíduos apresentando tanto baixo quanto alto nível de organização. A dimensão poupança e investimento obteve média de 3,09, desvio-padrão de 0,98 e mediana de 3, com um intervalo entre 1 e 4,33, sugerindo menor variabilidade e maior concentração das respostas em torno do valor central.

Na dimensão estabilidade e endividamento, a média foi de 3,67, com mediana também em 3,67 e desvio-padrão de 0,78, variando entre 2 e 5. A menor dispersão e a média mais elevada indicam maior consistência entre os participantes quanto à percepção de estabilidade financeira, mesmo na presença de endividamento. O índice global de comportamento financeiro apresentou média de 3,24, mediana de 3,22, desvio-padrão de 0,65 e variação entre 1,56 e 4,17, indicando uma distribuição mais concentrada e menor amplitude em comparação às dimensões isoladas.

Em síntese, os indicadores demonstram níveis intermediários nas dimensões analisadas, com maior dispersão na organização financeira e maior consistência na estabilidade associada ao endividamento. Essa combinação de resultados indica a coexistência de variações nas práticas de controle financeiro e uma percepção mais homogênea de estabilidade, resultando em um índice global moderado que expressa um equilíbrio parcial entre o comportamento financeiro e as condições econômicas dos participantes. Isso reforça a ideia de que a autonomia financeira é um processo contínuo de adaptação e gestão (Sajid et al., 2024).

Relações entre dimensões financeiras

A correlação de Spearman entre as dimensões sintéticas revelou que a organização e controle financeiro, a poupança e investimento, e a estabilidade e endividamento apresentaram associações estatisticamente significativas com o índice global, com coeficientes de 0,676, 0,583 e 0,535, respectivamente. Isso indica que essas dimensões contribuem de forma relevante para o comportamento financeiro agregado. A dimensão estabilidade e endividamento também apresentou uma correlação significativa com poupança e investimento (0,337), sugerindo que a percepção de estabilidade influencia a capacidade de poupar e investir.

Nos testes de associação entre variáveis categóricas, a relação entre faixas de renda e posse de poupança ativa apresentou um p-valor de 0,001 e razão de chances de 13,75, indicando uma associação estatisticamente significativa e de elevada magnitude. Isso demonstra que a probabilidade de manter uma poupança ativa é substancialmente maior em grupos de renda mais elevada, evidenciando a influência direta do nível econômico sobre o uso de instrumentos financeiros básicos. Em contraste, a associação entre faixas de renda e investimento prévio não foi estatisticamente significativa (p=0,323), assim como a relação entre faixa etária agrupada e investimento prévio (p=1,0), e entre dívida atual e cobertura integral de contas fixas (p=0,089), embora esta última tenha indicado uma tendência de associação inversa (razão de chances de 0,22).

A comparação do índice global de comportamento financeiro por grupo etário revelou que o grupo com até 35 anos apresentou uma média de 3,35 e mediana de 3,5, enquanto o grupo acima de 35 anos registrou média de 3,1 e mediana de 3,11. Essa diferença sugere um desempenho ligeiramente superior no índice global entre os participantes mais jovens, possivelmente associado a uma maior familiaridade com ferramentas de controle financeiro ou a uma adaptação mais rápida às práticas contemporâneas de gestão orçamentária (Alvarado-Cáceres et al., 2025).

A regressão linear exploratória, com poupança e investimento como variável dependente, indicou que a dimensão estabilidade e endividamento apresentou um coeficiente positivo e estatisticamente significativo (B = 0,403, p=0,047). Isso significa que maiores níveis de estabilidade financeira estão diretamente associados a maiores níveis de poupança e investimento. Por outro lado, a renda e a organização e controle financeiro não apresentaram relação consistente com poupança e investimento dentro do modelo, sugerindo que a estabilidade financeira, em si, exerce uma influência mais direta sobre a capacidade de poupar e investir (Calcagnini et al., 2025).

O cruzamento das médias por perfil socioeconômico demonstrou variações no comportamento financeiro associadas à idade, tipo de vínculo profissional e nível de renda. Participantes com maior renda (acima de R$ 5.000, com média global de 3,47) e inserção em atividades empresariais/PJ (média global de 3,67) apresentaram melhores indicadores globais. Em contrapartida, faixas de menor renda (R$ 1.621 a R$ 2.500, com média global de 2,59) e regimes de contratação como funcionário público (média global de 2,22) apresentaram valores reduzidos, indicando diferenças no nível de organização, capacidade de acumulação e estabilidade financeira entre os perfis analisados. Essa heterogeneidade reforça a complexidade das barreiras à independência financeira em um ambiente urbano desigual (Barros et al., 2024).

A predominância de indivíduos jovens, com vínculos formais de trabalho e rendas médias a superiores na amostra, indica maior previsibilidade no fluxo financeiro mensal. No entanto, a independência financeira não se consolidou de forma plena, pois a estabilidade ocupacional não garantiu organização contínua do orçamento nem formação consistente de reservas. A relação entre renda e autonomia econômica permaneceu condicionada à capacidade de gestão dos recursos, indicando que níveis mais elevados de rendimento não asseguram, por si só, equilíbrio financeiro em contextos urbanos com custos elevados (Nourallah et al., 2025).

Os resultados relacionados à poupança e aos investimentos apontaram para um comportamento financeiro ativo em parte da amostra, mas com baixa intensidade de alocação da renda. A concentração dos aportes em percentuais reduzidos, combinada com a presença de participantes que ainda não investem, indica um distanciamento entre a intenção e a prática efetiva de acumulação financeira. A priorização de objetivos voltados ao patrimônio imobiliário indica uma busca por estabilidade de longo prazo, embora com limitações no curto prazo, especialmente na construção de reserva financeira e na capacidade de lidar com imprevistos (Ogawa et al., 2026).

A análise da organização financeira revelou uma distribuição heterogênea entre controle regular, ausência de acompanhamento e práticas ocasionais. A predominância de monitoramento mensal das despesas indica um padrão menos frequente de controle, o que compromete a capacidade de ajuste diante de variações no orçamento. A ausência de planejamento estruturado em parte da amostra aponta para fragilidades na gestão financeira individual, mesmo entre participantes com renda mais estável, evidenciando que a disciplina no acompanhamento das despesas influencia diretamente o equilíbrio econômico (Anghel; Pochea, 2025).

A análise do endividamento complementa esse quadro, indicando forte presença de financiamentos de longo prazo, acompanhada por diferentes níveis de planejamento para quitação das dívidas. A coexistência entre organização parcial e práticas baseadas em ajuste imediato frente às obrigações financeiras indica um comprometimento contínuo da renda e uma redução da flexibilidade orçamentária. As dificuldades financeiras relatadas, com destaque para perda de renda, transições de vida e crédito caro, indicam a influência de fatores externos na estabilidade financeira, ampliando a vulnerabilidade mesmo em situações de renda mais elevada (Megananda; Triski, 2026).

Em síntese, a independência financeira em arranjos domiciliares unipessoais na cidade de São Paulo depende da interação entre estabilidade ocupacional, custo de vida urbano, práticas de organização financeira e exposição ao endividamento. A gestão financeira individual exige articulação entre controle de gastos, planejamento, formação de reserva e análise do comprometimento da renda, ampliando a compreensão sobre os fatores que condicionam a autonomia econômica em contextos urbanos.

4. Conclusão

O presente estudo buscou identificar as barreiras socioeconômicas à independência financeira em arranjos domiciliares unipessoais na cidade de São Paulo, considerando a complexa interação entre renda, custo de vida urbano, mercado de trabalho e vulnerabilidades associadas à vida individualizada. Verificou-se que a amostra foi composta predominantemente por indivíduos jovens, com vínculo formal de trabalho e renda mensal acima de R$ 5.000. Apesar dessa previsibilidade de renda, observou-se que a posse de poupança e a prática de investimentos ocorriam com baixa intensidade, e a formação de patrimônio imobiliário destacou-se como principal objetivo financeiro. A organização financeira individual mostrou-se heterogênea, com acompanhamento de despesas majoritariamente mensal e forte incidência de financiamentos de longo prazo, o que comprometia a flexibilidade orçamentária. As dificuldades financeiras relatadas estiveram associadas a mudanças familiares, transições de vida e perda de renda, indicando que a autonomia econômica permanece condicionada à capacidade de gestão dos recursos frente aos custos urbanos e eventos externos.

Para o campo de Finanças e Controladoria, esta pesquisa contribui ao demonstrar que a gestão financeira individual em domicílios unipessoais exige uma articulação contínua entre controle de gastos, planejamento, formação de reserva e análise do comprometimento da renda, ampliando a compreensão sobre os fatores que condicionam a autonomia econômica em contextos urbanos. Contudo, o estudo possui limitações, como o tamanho da amostra e a concentração de participantes com perfis socioeconômicos mais estáveis, o que restringe a generalização dos resultados e a visibilidade de grupos mais vulneráveis. O uso de respostas autodeclaradas e o recorte transversal também limitam conclusões causais. Sugere-se para estudos futuros a ampliação da amostra para incluir maior diversidade de perfis e regiões da cidade, bem como o desenvolvimento de pesquisas longitudinais para acompanhar a dinâmica financeira ao longo do tempo e aprofundar a análise do impacto de eventos de vida e da educação financeira.

Referências Bibliográficas

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Chiquetto, J.; Leichsenring, A. R.; Ribeiro, F. N. D.; Ribeiro, W. C. 2022. Work, housing, and urban mobility in the megacity of São Paulo, Brazil. Socio-Economic Planning Sciences 81, 101184.

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Silver, K.; Queirós, M. 20

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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29 de setembro de 2026

O paradoxo dos independentes: titularidade, distribuição e controle no mercado fonográfico brasileiro

A presença de artistas independentes na indústria fonográfica brasileira ampliou-se nos últimos anos, acompanhada por mudanças nas estruturas de circulação da música no ambiente digital. O estudo analisou o paradoxo dos independentes: a possibilidade de que a presença independente na titularidade dos fonogramas não corresponda, na mesma medida, a um controle equivalente sobre a distribuição. A pesquisa adotou abordagem quantitativa e caráter descritivo, com base no mapeamento de 1.143 registros de faixas brasileiras que compuseram o Top 50 mensal da Pro-Música Brasil entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, analisados por meio de estatística descritiva. Os resultados mostraram que a titularidade independente permaneceu relativamente estável ao longo do período analisado, enquanto a distribuição permaneceu mais concentrada nas três majors nos dois anos observados. Observou-se também que parte dos agentes independentes utilizou estruturas de distribuição vinculadas às grandes gravadoras para acessar o segmento de maior consumo, configuração que se manteve presente nos dois anos analisados. Nesse contexto, concluiu-se que a independência não se apresenta como uma posição fixa, mas como uma condição definida pela forma como o repertório se articula com os sistemas que organizam sua circulação, evidenciando uma assimetria persistente entre titularidade e distribuição.

Palavras-chave: Concentração de mercado; Distribuição musical; Economia da música; Indústria fonográfica; Streaming.

Compliance E Esg

29 de setembro de 2026

Compliance ambiental em postos de combustíveis no Paraná: Modelo de referência para conformidade

A conformidade ambiental em postos de combustíveis é crucial devido aos riscos inerentes à atividade. O estudo analisou o nível de conformidade ambiental de postos de combustíveis no Paraná, por meio do desenvolvimento e aplicação de um checklist baseado na legislação vigente, com foco na sistematização das obrigações legais e no apoio à gestão ambiental. A pesquisa foi conduzida como estudo de caso, com abordagem qualitativa, envolvendo a análise de três empreendimentos em Curitiba. Os resultados indicaram variação no nível de conformidade entre os empreendimentos, com melhor desempenho em requisitos técnicos e estruturais, e maior incidência de não conformidades relacionadas à gestão documental e ao acompanhamento de obrigações periódicas. Identificaram-se falhas no controle de condicionantes de licenciamento ambiental, na gestão de resíduos e na formalização de programas e planos ambientais, evidenciando fragilidade na sistematização da gestão ambiental. Concluiu-se que a adoção de instrumentos estruturados de verificação, como o checklist, pode contribuir para a organização das obrigações legais, a redução de não conformidades e a prevenção de riscos e passivos ambientais, fortalecendo as práticas de compliance ambiental.

Palavras-chave: Avaliação ambiental; Controle ambiental; Controle documental; Gestão ambiental; Licenciamento ambiental.

Compliance E Esg

29 de setembro de 2026

Responsabilidade social corporativa: análise comparativa entre discurso institucional e percepção social

O estudo analisou o discurso corporativo e as percepções sociais sobre um projeto do pilar social da agenda ESG da Ambev, multinacional do setor de bebidas. Objetivou-se compreender a medida em que o discurso apresentado no Relatório Anual de Sustentabilidade da empresa se alinhava às percepções do público externo sobre uma iniciativa específica. Para tanto, empregou-se uma pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo de caso comparativo. Analisaram-se comentários publicados no feed do Instagram da empresa, referentes ao ano de 2024 e ao programa em questão, e o Relatório de Sustentabilidade de 2025. A análise dos dados foi conduzida por meio do método de análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram lacunas significativas entre o discurso corporativo e a percepção social da iniciativa. O principal ponto de tensão referiu-se às condições de trabalho, pois o cuidado com os colaboradores, enfatizado institucionalmente, não se confirmou nas experiências relatadas por trabalhadores informais, como ambulantes e entregadores. Concluiu-se que, embora a agenda ESG apresente avanços, o pilar social ainda se configura como um desafio, visto que o discurso institucional nem sempre se materializa em práticas percebidas como legítimas pelos públicos diretamente envolvidos. A pesquisa contribuiu para o debate sobre responsabilidade social corporativa no Brasil.

Palavras-chave: Análise de conteúdo; Discurso organizacional; Responsabilidade social corporativa; Stakeholders.

Gestão Financeira

29 de setembro de 2026

Impactos da Reforma Tributária na Zona Franca de Manaus no Setor Eletroeletrônico: Desafios e Perspectivas

A Zona Franca de Manaus (ZFM) representa um pilar do desenvolvimento regional brasileiro, e o setor eletroeletrônico desempenha um papel estratégico em seu Polo Industrial. O estudo analisou os impactos da reforma tributária sobre o setor eletroeletrônico instalado na ZFM, focando nas alterações do regime de incentivos, na competitividade industrial e na geração de empregos. A pesquisa empregou abordagem qualitativa e quantitativa, com análise documental da legislação pertinente (EC nº 132/23, LC nº 214/25, LC nº 227/26, RCBS, RIBS) e de dados públicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), especialmente do Caderno de Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus para 2025 e o primeiro bimestre de 2026. Os resultados revelaram que a reforma tributária não suprimiu o tratamento favorecido da ZFM, mas o reconstruiu por meio de mecanismos como suspensão, isenção condicionada, alíquota zero e créditos presumidos de IBS e CBS, além da preservação seletiva do IPI. O complexo eletroeletrônico, incluindo bens de informática, faturou R$ 86,5 bilhões em 2025, correspondendo a quase 38% do faturamento do PIM, e concentrou 47.630 postos de trabalho. Identificou-se uma assimetria nos créditos presumidos entre as regulamentações do IBS e da CBS, um achado normativo relevante para o setor. Concluiu-se que a reforma preservou a base jurídica da vantagem competitiva da ZFM, mas transferiu parte da estabilidade do modelo para a etapa regulatória e operacional, exigindo coordenação institucional, segurança jurídica e estratégias de adaptação para a manutenção da competitividade.

Palavras-chave: CBS; Competitividade industrial; IBS; Polo Industrial de Manaus; SUFRAMA.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

29 de setembro de 2026

Proposta de jardins sensoriais em ambiente escolar como estratégia de regulação emocional

O ambiente físico escolar impacta o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças, especialmente as neurodivergentes, e ambientes multissensoriais auxiliam na regulação emocional e comportamental. Propôs-se investigar e implementar uma estratégia de regulação emocional por meio de jardins sensoriais transportáveis com painéis psicoeducativos. O objetivo geral foi criar um método para implementar essas estratégias em crianças neurodivergentes, visando aprimorar o bem-estar, a performance acadêmica e a percepção temporal. A metodologia, fundamentada na pesquisa-ação e na neurociência da educação, buscou otimizar esses aspectos. Realizou-se a implantação da metodologia desenvolvida com uma escola parceira, que incluiu uma oficina de plantio e a criação de painéis psicoeducativos. Os resultados abrangeram a implantação real da metodologia, com o plantio de 80 espécies nativas, e a elaboração de um roteiro de atividades educativas sobre neurodiversidade e biodiversidade. Concluiu-se que a proposta demonstrou a exequibilidade de uma intervenção de baixo custo e alto impacto neurobiológico, promovendo a regulação emocional e o engajamento com a natureza em ambientes escolares.

Palavras-chave: Ambientes Enriquecidos; Autorregulação Emocional; Miopia Temporal; Neurodiversidade; Psicoeducação.

Gestão Escolar

29 de setembro de 2026

O papel da coordenação pedagógica na formação continuada de professores em contextos de educação bilíngue

A expansão da educação bilíngue de línguas de prestígio no Brasil, predominantemente associada ao inglês como língua adicional, intensificou-se nas últimas décadas, impulsionada por demandas sociais, educacionais e mercadológicas. O estudo analisou o papel da coordenação pedagógica na formação continuada de professores atuantes nesse contexto, identificando suas principais necessidades formativas e os desafios institucionais relacionados ao desenvolvimento profissional docente. A pesquisa, de abordagem qualitativa com apoio de dados quantitativos, de natureza exploratória e descritiva, utilizou análise documental e dois questionários estruturados, respondidos por 176 docentes e 47 lideranças acadêmicas. Os resultados revelaram a predominância de participantes atuantes no setor privado, maior concentração na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e lacunas na formação específica para atuação em contextos bilíngues. Constatou-se que 41,5% dos docentes não possuíam formação complementar específica na área, e 64,8% relataram ter participado de ações de formação continuada voltadas ao ensino bilíngue nos últimos dois anos. Institucionalmente, 38,3% das lideranças acadêmicas indicaram a realização de formações mensais, sendo a falta de tempo dos docentes (59,6%) e as limitações orçamentárias (53,2%) os principais desafios. As necessidades formativas estenderam-se além da proficiência linguística, abrangendo conhecimentos teóricos sobre bilinguismo, aspectos metodológicos, planejamento e articulação curricular. Os achados reforçaram a importância de processos formativos contínuos, contextualizados e institucionalmente mediados, nos quais a coordenação pedagógica pode exercer função estratégica na articulação entre as necessidades docentes e as condições institucionais para o desenvolvimento profissional.

Palavras-chave: Coordenação pedagógica; Desenvolvimento profissional docente; Educação bilíngue; Formação continuada; Línguas de prestígio.

Gestão Tributária

29 de setembro de 2026

O planejamento tributário nas distribuidoras de medicamentos através da utilização de benefício fiscal de ICMS

O planejamento tributário em distribuidoras de medicamentos, setor com preços de venda regulados pela CMED, constitui uma ferramenta essencial para a competitividade e redução da carga tributária. O estudo teve como objetivo caracterizar a utilização do benefício fiscal do crédito outorgado de ICMS como estratégia de planejamento tributário em uma distribuidora de medicamentos localizada em Goiás, avaliando sua relevância para a competitividade do setor frente à regulação de preços. Para isso, realizou-se um estudo de caso em uma distribuidora atacadista de medicamentos, analisando dados de faturamento e apuração de ICMS de suas filiais em Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro, no período de janeiro a junho de 2025. Os resultados demonstraram que a aplicação do crédito outorgado em Goiás proporcionou uma redução da carga tributária de ICMS para a distribuidora, totalizando R$ 2.961.839,82 nos seis meses analisados. Concluiu-se que o benefício fiscal foi crucial para a economia tributária da empresa. Adicionalmente, abordou-se a transição da Reforma Tributária e o encerramento progressivo dos benefícios fiscais estaduais, indicando a necessidade de adaptação das estratégias de planejamento tributário para o futuro.

Palavras-chave: Benefício fiscal; Carga tributária; Crédito outorgado; ICMS.

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