A IA acelera as respostas; quem assume as decisões?

Coluna

Gestão De Projetos

25 de setembro de 2026

A IA acelera as respostas; quem assume as decisões?

Velocidade da tecnologia só vira vantagem quando acompanha a capacidade de compreender, verificar e assumir a responsabilidade pelos resultados

Imagine uma equipe que passa a produzir em uma tarde as análises que antes exigiam uma semana. A mudança parece justificar o investimento em inteligência artificial. Mas, antes de contabilizar o ganho, cabe perguntar quem examinou os resultados, quais informações sustentam as conclusões e quanto tempo será necessário para utilizá-las com segurança. Se a produção acelera e a avaliação permanece limitada, parte do trabalho apenas mudou de lugar.

Uma das questões mais importantes da adoção de IA é o que acontece quando a capacidade de produzir respostas cresce mais rapidamente do que a capacidade de verificá-las. Para os gestores, essa diferença pode aparecer em relatórios, projetos, previsões e recomendações. O documento fica pronto, mas a decisão ainda exige alguém capaz de responder por ele.

Um debate recente sobre as equações de Navier-Stokes ajuda a compreender essa situação. Em setembro, a OpenAI anunciou uma proposta de solução para um problema matemático relacionado às equações que descrevem o movimento dos fluidos. Segundo a empresa, aproximadamente 10 mil agentes de IA participaram do esforço que produziu a demonstração em 88 horas. O anúncio indicou uma capacidade relevante de pesquisa computacional, mas também gerou questionamentos sobre a origem das contribuições e o seu reconhecimento (OpenAI, 2026).

Para as organizações, o ponto mais útil desse episódio está na distância entre obter um resultado e transformá-lo em conhecimento confiável. Essa distância precisa entrar na avaliação da produtividade. Uma equipe pode produzir mais e, ainda assim, acumular conclusões que ninguém teve condições de examinar adequadamente. O ganho só se completa quando o resultado pode orientar uma decisão.

A produtividade precisa incluir a verificação

Na gestão, costuma ser mais fácil medir o tempo de execução do que a qualidade do julgamento. É possível registrar quantos relatórios foram entregues e quantas horas foram economizadas. Avaliar se a equipe identificou uma hipótese inadequada, evitou uma interpretação precipitada ou percebeu que faltavam dados exige acompanhamento mais cuidadoso. Com a IA, é importante dar mais visibilidade a esse segundo trabalho.

Pense em uma análise de demanda que recomende reduzir o estoque de determinado produto. O sistema pode organizar os dados e apresentar uma justificativa convincente. Antes de agir, porém, alguém precisa verificar se o histórico inclui uma ruptura de abastecimento: vendas baixas podem refletir falta de mercadoria, e não falta de clientes. A decisão depende de conhecer o negócio e examinar o significado dos números.

Esse exemplo mostra por que o responsável pela validação deve participar desde a definição da tarefa. Ele precisa saber o que será avaliado, quais dados estão disponíveis e que evidência justificaria aceitar a conclusão. Deixar essa responsabilidade para o final favorece uma revisão apressada, especialmente quando a apresentação já parece completa e o prazo foi consumido pela expectativa de entrega.

O esforço de verificação também deve acompanhar a consequência da decisão. Um rascunho de comunicação interna pode passar por uma revisão simples. Uma recomendação que altera um projeto de engenharia ou compromete recursos exige testes, documentação e avaliação especializada. Aplicar o mesmo procedimento a tudo desperdiça tempo em algumas situações e deixa outras insuficientemente examinadas.

Terence Tao oferece uma contribuição útil a essa discussão ao distinguir a produção das demonstrações de sua verificação, explicação e incorporação ao conhecimento coletivo. Seu argumento ajuda a perceber que acelerar uma etapa pode aumentar a demanda sobre as etapas seguintes (Tao, 2026). Nas empresas, essa reflexão recomenda avaliar o processo completo: tempo até a decisão, retrabalho, erros identificados e capacidade de explicar a conclusão.

É nesse sentido que se entende como necessária uma adoção exigente da IA. A ferramenta pode assumir tarefas extensas, explorar alternativas e ajudar a conferir resultados. Cabe à organização criar condições para aproveitar essa capacidade, incluindo tempo e pessoas para avaliar o que foi produzido. A verificação precisa estar prevista no projeto e no orçamento.

O conhecimento também está no caminho percorrido

O caso Navier-Stokes acrescenta outra dimensão. O matemático Tristan Buckmaster, que trabalhava em problemas relacionados com Levent Alpöge, relatou ter utilizado ferramentas de IA e inserido rascunhos no Codex. Ele questionou uma possível influência dessas interações sobre o resultado da OpenAI, embora tenha declarado não saber se seus dados haviam sido utilizados (Buckmaster, 2026).

A empresa respondeu que uma investigação interna excluíra a influência dos prompts de Buckmaster dos dois meses anteriores, inclusive pelo treinamento. Essa resposta deve acompanhar a apresentação da suspeita, preservando a diferença entre uma alegação e a conclusão divulgada pela organização envolvida (OpenAI, 2026).

Independentemente do desfecho dessa controvérsia, vejo uma questão prática para a gestão do conhecimento. Uma pesquisa ou um projeto contém valor antes da entrega final. Hipóteses, testes malsucedidos, critérios de escolha e soluções descartadas revelam o que a equipe aprendeu. Quando esse material passa por ferramentas externas, a organização precisa decidir quais informações podem ser utilizadas, em quais condições e como o percurso será registrado.

A autoria também deve acompanhar esse percurso. Em um projeto auxiliado por IA, alguém formula o problema, seleciona informações, estabelece restrições e interpreta resultados. Essas contribuições precisam permanecer visíveis. Registrar apenas quem solicitou a última resposta pode apagar parte importante do trabalho da equipe e dificultar a identificação de responsabilidades.

Considere um sistema desenvolvido com apoio de IA que funciona durante a apresentação, mas apresenta falhas depois da implantação. Para corrigi-lo, a equipe precisa conhecer as decisões de projeto, as condições dos testes e os limites conhecidos. Um histórico de instruções pode ajudar, mas precisa ser acompanhado de documentação que permita a outro profissional compreender e continuar o trabalho.

Por isso, uma entrega deve incluir a explicação necessária à sua continuidade. Essa prática protege o investimento da organização e reduz a dependência de uma pessoa ou ferramenta. A economia de tempo na execução perde parte de seu valor se a manutenção exigir reconstruir tudo o que foi feito.

Formar pessoas para assumir responsabilidade

Como professor de Engenharia de Computação, considero especialmente importante a relação entre resultado e aprendizagem. Uma atividade pode estar concluída sem que quem a entregou consiga explicar as escolhas realizadas. A formação precisa criar oportunidades para identificar essa diferença, porque o profissional será chamado a decidir diante de situações que não estavam previstas no exercício.

Isso exige rever o que se pede e o que se avalia. Além de apresentar uma solução, o estudante pode ser solicitado a justificar suas hipóteses, comparar alternativas e explicar em que condições mudaria de decisão. O uso de IA pode integrar esse processo, desde que sua participação seja explícita e o trabalho permita avaliar o raciocínio desenvolvido.

Nas empresas, a mesma preocupação deve orientar a formação de profissionais iniciantes. Se todas as tarefas de análise forem delegadas à ferramenta, será necessário preservar outras oportunidades para aprender a reconhecer problemas. A capacidade de revisão depende de conhecimento técnico e contato com as consequências das escolhas. Não basta nomear um revisor sem oferecer condições para que ele desenvolva esse julgamento.

Para universidades e empresas brasileiras, há espaço para cooperação em projetos que combinem uso de IA e validação em situações reais. Trabalhar com um problema delimitado, definir previamente os critérios de sucesso e comparar os resultados com dados observados pode produzir ganhos mais úteis do que adotar ferramentas apenas pela repercussão de seus anúncios. Também permite discutir confidencialidade, crédito e responsabilidade antes que surjam conflitos.

O potencial da tecnologia é significativo, e aproveitá-lo exige mudanças na organização do trabalho. Profissionais capazes de formular boas perguntas, reconhecer limites e explicar decisões terão papel central nesse processo. Sua contribuição precisa ser valorizada mesmo quando se manifesta como uma conclusão menos otimista, uma revisão de prazo ou a decisão de realizar mais um teste.

O caso Navier-Stokes ajuda a colocar essa escolha em perspectiva. A capacidade de produzir resultados está avançando, e as instituições precisam desenvolver formas de incorporá-los com confiança. Para um gestor, uma pergunta deveria acompanhar toda promessa de aceleração: quem tem condições de explicar e assumir a decisão que virá depois? A resposta indica quanto da tecnologia contratada está se transformando em capacidade da organização.

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Maurício Acconcia Dias

Possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Lavras, mestrado e doutorado em Ciências da Computação e Matemática Computacional pela Universidade de São Paulo e MBA em Data Science Analytics pela USP/Esalq. Atua com desenvolvimento de hardware para sistemas inteligentes aplicados à robótica. É consultor em Data Science & Analytics e Desenvolvimento de sistemas embarcados e orientador do MBA USP/Esalq.

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade