
04 de fevereiro de 2026
Promoção da saúde e atividade física no trabalho e sua relação com a motivação
Débora Evelyn Marques dos Santos; Júlia Mitsue Vieira Cruz Kumasaka
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Esta pesquisa analisa a relação entre a oferta de espaços para atividades físicas e ações de bem-estar no ambiente de trabalho e a motivação dos colaboradores. Parte-se da premissa de que tais iniciativas influenciam o engajamento e a percepção sobre a organização. O estudo busca quantificar essa conexão para orientar estratégias de gestão, utilizando uma análise comparativa entre ambientes com e sem esses programas para isolar o impacto de tais políticas no comportamento e na percepção dos funcionários.
A integração entre vida pessoal e profissional exige que as organizações promovam o bem-estar. A saúde do trabalhador está intrinsecamente ligada às condições de trabalho e à qualidade de vida (Santana et al., 2016). Programas de bem-estar surgem como estratégia para resultados organizacionais positivos, pois, como aponta o estudo de Aguiar et al. (2017), ações de cuidado com a saúde impactam a valorização e a satisfação do empregado, refletindo em melhor desempenho.
A prática de atividades físicas é reconhecida por benefícios multifacetados. Além dos ganhos físicos, Maciel et al. (2016) destacam sua contribuição para o aumento da disposição, melhora do humor e aprimoramento da concentração. Robbins (2020) associa a atividade física a fatores que influenciam emoções e humor, elementos centrais no comportamento organizacional. A discussão sobre estilo de vida ativo, impulsionada pela urbanização e aumento da expectativa de vida, reforça a relevância de investigar a eficácia das ações corporativas como agentes motivacionais (Nahas, 2017).
A motivação no trabalho é individual, com agentes estimuladores que variam intensamente (Bergamini, 2018). Fatores tradicionais como remuneração são determinantes (Robbins, 2020), mas novos elementos como flexibilidade e valorização do tempo ganharam peso. A busca por alimentação saudável e atividades físicas se destaca como componente de um estilo de vida desejado (Chiavenato, 2002). A psicologia positiva aplicada ao contexto corporativo reforça essa visão, estimulando emoções positivas e propósito que melhoram a qualidade de vida e o clima organizacional (Seligman, 2011).
Apesar da adoção de iniciativas como ginástica laboral e campanhas de saúde, muitas empresas falham em avaliar seus resultados, comprometendo o aprimoramento dessas estratégias. Este estudo busca preencher parte dessa lacuna, investigando se ações que promovem hábitos saudáveis funcionam como catalisadores da motivação. A análise procura compreender se o investimento em bem-estar se traduz em um capital humano mais engajado e alinhado aos objetivos da empresa, justificando sua implementação como prática de gestão estratégica.
O estudo adotou uma abordagem quantitativa e descritiva. Pesquisas descritivas visam descrever características de uma população e estabelecer relações entre variáveis (Gil, 2008). O método quantitativo foi usado para traduzir dados em indicadores numéricos para análise estatística objetiva (Richardson, 2008), sendo o mais adequado para mensurar a percepção dos trabalhadores sobre as políticas de bem-estar e sua correlação com a motivação.
O instrumento foi um questionário estruturado e anônimo, aplicado a uma amostra de 95 profissionais em regime presencial com carga horária a partir de 40 horas semanais. O questionário é eficaz para coletar informações padronizadas de um grande número de pessoas (Gil, 2008). As questões, baseadas em indicadores de qualidade de vida no trabalho de Junior (2011), abrangeram os domínios físico (saúde, hábitos), emocional (motivação) e profissional (relação com a empresa).
A análise consistiu na divisão dos participantes em dois grupos comparativos: “Grupo OFERECEM” (n=53), de empresas que disponibilizam ações de saúde, e “Grupo NÃO OFERECEM” (n=42), de empresas sem tais iniciativas. Essa segmentação foi crucial para analisar o impacto das políticas de bem-estar. Os dados foram tabulados no Microsoft Excel para contagens de frequência e análises comparativas. Para questões de percepção geral, a amostra total foi considerada.
Foi utilizada uma escala de Likert de cinco pontos (de “1 – Muito pouco / Nada” a “5 – Muito / Totalmente”) para quantificar percepções subjetivas como disposição, cansaço, motivação e orgulho organizacional. A análise dos dados buscou identificar padrões e diferenças estatisticamente relevantes entre os grupos para inferir os impactos das ações de saúde na rotina e na relação do colaborador com a empresa.
Da amostra de 95 participantes, 55,8% (53) trabalham em empresas que oferecem ações de promoção da saúde (Grupo OFERECEM), enquanto 44,2% (42) não (Grupo NÃO OFERECEM). A maioria (73%) exerce trabalho administrativo. A adesão aos programas no Grupo OFERECEM foi robusta: 71% participam de iniciativas de atividade física e 62,3% de ações de saúde como nutrição e meditação. Contudo, a existência de não participantes (29% e 37,7%, respectivamente) indica que a mera oferta não garante adesão, sendo necessárias ações complementares (Aguiar et al., 2017).
A comparação dos grupos revelou diferenças. Na frequência de atividades físicas, o Grupo OFERECEM teve ligeira vantagem (45% praticando de 1 a 3 vezes por semana, contra 36% do Grupo NÃO OFERECEM). A disposição ao iniciar o trabalho foi expressivamente maior no grupo com incentivos: 63% dos colaboradores do Grupo OFERECEM sentiam-se “Bastante” ou “Totalmente” dispostos, comparado a 40% no Grupo NÃO OFERECEM. O resultado se alinha a estudos como o de Pucci et al. (2012), que associam atividade física a maior vitalidade.
A percepção de cansaço ao final do dia apresentou padrão inverso. No Grupo NÃO OFERECEM, a fadiga extrema foi mais prevalente, com 41,8% sentindo-se “Totalmente” cansados. No Grupo OFERECEM, essa percepção foi de 28,3%, com o cansaço distribuído de forma mais equilibrada. A diluição da fadiga sugere que pausas para bem-estar podem funcionar como mecanismo de recuperação de energia, alinhando-se à visão de que exercícios reduzem a sobrecarga laboral (Aguiar et al., 2017).
O impacto mais contundente foi no nível de motivação. No Grupo OFERECEM, 64% relataram alta motivação (“Bastante/Considerável” e “Muito/Totalmente”), contra 45% no Grupo NÃO OFERECEM. A proporção de colaboradores com baixa motivação foi duas vezes menor no grupo com programas de saúde (15% vs. 31%). A diferença sugere que a oferta de bem-estar está associada a maior engajamento, funcionando como um sinal de que a organização se importa, o que, segundo teorias motivacionais (Bergamini, 2018), pode ser um estímulo eficaz.
A influência positiva estendeu-se às relações interpessoais. A avaliação do espírito de equipe foi positiva em ambos os grupos, mas o Grupo OFERECEM apresentou percepção mais consistente. O sentimento de orgulho da organização também foi maior neste grupo: 40% relataram sentir “Muito/Totalmente” orgulho, quase o dobro do percentual no Grupo NÃO OFERECEM (21%). O dado reforça que investir no bem-estar do empregado é uma estratégia para reter talentos e construir uma marca empregadora forte (Robbins, 2019).
A pesquisa não encontrou diferenças expressivas na concentração no trabalho e na satisfação com a profissão. A ausência de impacto na concentração pode indicar a influência de outros fatores não isolados, apesar da literatura sugerir uma relação positiva (Antunes et al., 2006). A similaridade na satisfação profissional destaca que esta é distinta da satisfação com a organização. Os resultados sugerem que as ações de bem-estar impactam mais diretamente o vínculo com a empresa, o que é corroborado pela afirmação de Rocha et al. (2020) sobre a importância de alinhar o engajamento individual aos objetivos da empresa.
A percepção geral dos trabalhadores reforça o valor dessas iniciativas. Independentemente do grupo, 68% do total consideram que ter ações de promoção da saúde é um diferencial “Bastante Considerável” ou “Muito/Totalmente” importante. Entre os que já se beneficiam (Grupo OFERECEM), 58% afirmam que as ações impactam suas vidas positivamente em níveis de “considerável” a “máximo”. Os números demonstram que os colaboradores valorizam tais programas, tornando-os uma ferramenta para atração e retenção de talentos.
A análise sobre faltas por motivo de doença e ocorrência de doenças laborais mostrou baixa incidência em ambos os grupos, sugerindo que os ambientes avaliados já adotam medidas preventivas básicas. No entanto, a distribuição mais variada de respostas sobre faltas no Grupo OFERECEM pode indicar uma cultura onde os colaboradores se sentem mais à vontade para cuidar de sua saúde, o que pode ser benéfico a longo prazo para a prevenção de problemas mais graves.
A pesquisa demonstrou uma relação positiva e significativa entre a promoção da saúde no ambiente corporativo e a motivação dos trabalhadores. Os resultados indicam que os efeitos mais consistentes se manifestam na relação do funcionário com a empresa, impactando indicadores como motivação, orgulho organizacional e espírito de equipe. Embora não tenham sido observadas diferenças expressivas em indicadores puramente individuais, como frequência de atividades físicas fora do trabalho, o impacto no engajamento e no vínculo afetivo com a organização foi claro. O estudo evidencia que investir em bem-estar é uma estratégia de gestão de pessoas com retornos tangíveis para o clima e a cultura organizacional. Os dados reforçam que a existência de estruturas de saúde é percebida pelos colaboradores como um diferencial competitivo, fortalecendo a marca empregadora. Organizações que se comprometem com o bem-estar de suas equipes tendem a cultivar um ambiente mais positivo, com colaboradores mais dispostos e engajados. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se a existência de uma relação positiva e significativa entre a oferta de programas de saúde e atividade física no ambiente de trabalho e a motivação dos colaboradores.
Referências:
Aguiar, D. C.; Leite, R. N.; Belmonte, L. M.; Belmonte, L. A. O.; Lima, I. A. X. 2017. A influência de um programa de promoção de saúde na qualidade de vida de funcionárias do setor administrativo de uma instituição de ensino superior. R. Fisioter. Reab. 2: 10-18.
Antunes, H. K. M.; Santos, R. F.; Cassilhas, R.; Santos, R. V. T.; Bueno, O. F. A.; Mello, M. T. 2006. Exercício físico e função cognitiva: uma revisão. Revista Brasileira de Medicina do Esporte 12(2): [páginas].
Bergamini, C. W. 2018. Motivação nas Organizações. 7ª Edição. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Chiavenato, I. 2021. Teoria geral da administração. V. 1, 7ª Edição. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Gil, A. C. 2008. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6ª ed. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Junior, D. R. dos R.; Pilatti, L. A.; Pedroso, B. 2011. Qualidade de vida no trabalho: construção e validação do questionário QWLQ-78. Revista Brasileira de Qualidade de Vida 3(2): 1-12.
Maciel, E. S.; Gomes, G. A. O.; Sonati, J. G.; Modeneze, D. M.; Quaresma, F. R. P.; Vilarta, R. 2016. Influência do nível de atividade física na percepção da qualidade de vida em comunidade universitária. Revista Brasileira de Qualidade de Vida 8(2): 40-54.
Nahas, M. V. 2017. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 7ª ed. Ed. do Autor, Florianópolis, SC, Brasil.
Pucci, G. C. M. F.; Rech, C. R.; Fermino, R. C.; Reis, R. S. 2012. Associação entre nível de atividade física e percepção de qualidade de vida em adultos e idosos. Revista de Saúde Pública 46(1): 166-179.
Richardson, R. J.; Peres, J. A. S. et al. 1999. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª ed., rev. e ampl. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Robbins, S. P.; Judge, T. A. 2019. Comportamento organizacional. 18ª ed. Pearson Education, São Paulo, SP, Brasil.
Rocha, A. C. da; Silveira, B. C. Satisfação no trabalho e saúde organizacional: o caso de uma organização industrial. Gestão e Desenvolvimento em Revista, [S. l.], v. 6, n. 1, p. p. 28–45, 2020.
Santana, L. L.; Sarquis, L. M. M.; Miranda, F. M. A.; Kalinke, L. P.; Felli, V. E. A.; Miniel, V. A. 2016. Indicadores de saúde de trabalhadores da área hospitalar. Rev. Bras. Enferm. 69(1): 23-32.
Seligman, M. E. P. 2012. Florescer: uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar. Tradução Cristina Paixão Lopes. Objetiva, [recurso digital], Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq
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