Imagem Impacto dos estilos de liderança na motivação de colaboradores da indústria de bebidas

04 de fevereiro de 2026

Impacto dos estilos de liderança na motivação de colaboradores da indústria de bebidas

Denison Luis Magalhães Brito; Bruno Gomes Pereira

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo desta pesquisa é analisar os estilos de liderança em uma organização do segmento de bebidas em São Paulo e seus reflexos na motivação dos colaboradores do setor de produção. A investigação busca compreender como os liderados percebem as práticas de seus gestores imediatos em aspectos como reconhecimento, incentivo ao desenvolvimento profissional e qualidade da comunicação. Os objetivos específicos são: identificar a percepção dos colaboradores sobre reconhecimento e valorização; compreender como o desenvolvimento profissional é conduzido; e avaliar a efetividade da comunicação entre líderes e liderados. O estudo visa fornecer insights para a construção de um ambiente de trabalho mais motivador e eficiente, partindo do pressuposto de que a liderança é um pilar para o sucesso organizacional, sendo o líder responsável por resultados, motivação e desenvolvimento da equipe.

A relevância do tema se ancora na evolução do conceito de liderança. Conforme Antonakis e Day (2018), a liderança é um processo de influência social que mobiliza grupos para objetivos comuns. Essa visão contrasta com modelos antigos, como a liderança autocrática; o poder era centralizado (Silva, 2018). Com a evolução das organizações, emergiram estilos como a liderança democrática, que valoriza a participação da equipe (Almeida, 2017), e a transacional, baseada em metas e recompensas (Costa, 2020). Essa transição reflete uma mudança no perfil dos liderados, que hoje são movidos não apenas por incentivos financeiros, mas por propósito, reconhecimento e qualidade das relações interpessoais (Gomes, 2021).

Nesse contexto, a liderança positiva foca na capacidade do líder de inspirar e apoiar sua equipe (Rego & Pinto, 2022). Um líder eficaz, segundo Goleman (2024), se destaca pela habilidade de organizar a equipe, definir prioridades e oferecer suporte. A ausência de competências como a empatia pode gerar conflitos, desmotivação e aumentar a rotatividade, comprometendo o clima organizacional (Bressan, 2024; Costa Júnior, 2024). A complexidade da liderança moderna reside na capacidade de conciliar interesses individuais e coletivos, inspirando os seguidores a transcenderem seus próprios interesses em prol de um bem comum (Yukl, 2019).

A problemática desta pesquisa emergiu da observação de percepções contrastantes na empresa estudada. Enquanto alguns colaboradores se sentiam inspirados, outros relatavam desvalorização. Essa dualidade levanta a questão central: como os colaboradores percebem o estilo de liderança de seus gestores e de que forma essa percepção impacta sua motivação? A análise dessas percepções é fundamental para diagnosticar as práticas de gestão e identificar oportunidades de aprimoramento para fortalecer a cultura organizacional.

O estudo propõe conectar as práticas gerenciais aos seus efeitos diretos na equipe. Ao investigar a percepção sobre reconhecimento, desenvolvimento e comunicação, a pesquisa oferece um diagnóstico das forças e fraquezas da liderança no setor. O trabalho se alinha com Northouse (2021), que afirma ser papel do líder gerar motivação, e com Bolden et al. (2019), que defendem a importância de compreender os diferentes estilos de liderança. Os resultados esperados visam fornecer subsídios para que a organização desenvolva estratégias de capacitação de seus líderes, promovendo um ambiente mais saudável e produtivo.

Adotou-se uma pesquisa de campo de natureza descritiva com abordagem quantitativa. A metodologia descritiva foi escolhida por seu objetivo de detalhar as características de uma população, registrando opiniões sem a interferência do pesquisador (Gil, 2010). Essa abordagem é adequada para identificar como os colaboradores percebem os estilos de liderança e é amplamente utilizada em estudos sociais para analisar comportamentos e atitudes (Lakatos & Marconi, 2017). A abordagem quantitativa foi selecionada para garantir objetividade, transformando percepções em dados numéricos que permitem análises estatísticas simples (Gil, 2010).

O estudo foi conduzido em uma grande empresa brasileira de bebidas em Jundiaí, São Paulo. Fundada em 1926, a organização possui cerca de 1.000 colaboradores. A população da pesquisa foi composta por 69 funcionários das áreas de operação, assistentes de produção e de qualidade, de um universo de aproximadamente 100 colaboradores do turno administrativo da área de produção de envases. Foram excluídos colaboradores com menos de três meses de empresa e aqueles em cargos de liderança. A seleção dos participantes ocorreu por conveniência, com coleta de dados voluntária e anônima, abordagem indicada para preservar a identidade dos respondentes e obter respostas confiáveis (Vergara, 2013).

O instrumento de coleta foi um questionário online via Microsoft Forms, composto por dez perguntas objetivas. O formulário, ideal para pesquisas quantitativas (Gil, 2010), utilizou uma escala de frequência de cinco pontos (Sempre, Frequentemente, Às vezes, Raramente, Nunca). Os tópicos abordados foram: motivação; incentivo ao desenvolvimento; confiança e respeito; clareza na comunicação; e empatia. A seleção desses tópicos foi fundamentada em estudos sobre liderança positiva e transformacional (Goleman, 1998; Bass, 1985; Burns, 1978), que destacam a importância de fatores relacionais e motivacionais.

A coleta de dados ocorreu entre 26 de maio e 26 de junho de 2025. O link para o questionário foi compartilhado internamente, com garantia de participação voluntária, anônima e confidencial, o que é fundamental para a credibilidade dos resultados (Lakatos & Marconi, 2017). As respostas foram exportadas para o Microsoft Excel para análise. Utilizou-se estatística descritiva simples para calcular as frequências percentuais, com gráficos para facilitar a visualização dos padrões, uma estratégia que permite uma visualização clara das tendências (Yin, 2001). A análise final foi realizada à luz de referenciais teóricos sobre comportamento organizacional (Robbins, 2010) e liderança (Burns, 1978; Bass, 1985; Goleman, 1998).

A análise dos resultados, baseada nas respostas de 69 colaboradores, revela um panorama complexo. Sobre reconhecimento e valorização, 39,1% sentem que seus líderes sempre reconhecem seus feitos, mas uma parcela de 40,6% (“às vezes” e “raramente”) indica uma inconsistência significativa. O reconhecimento é um reforço positivo crucial para o engajamento (Rego & Cunha, 2022), e sua irregularidade pode minar a motivação. Líderes que praticam o reconhecimento de forma contínua fortalecem a confiança (Bressan, 2024; Northouse, 2021).

Em relação ao incentivo ao desenvolvimento, 40,6% dos colaboradores sentem que seus líderes sempre os incentivam. No entanto, 37,7% percebem esse incentivo apenas “às vezes”, “raramente” ou “nunca”. Essa divisão evidencia que as práticas de desenvolvimento não são uniformes. Líderes que investem no crescimento de suas equipes aumentam a retenção e o comprometimento (Gallup, 2024). A falta de estímulo consistente pode ser um fator de desengajamento, sinalizando a necessidade de programas de mentoria e feedback contínuo (DDI, 2024).

A percepção sobre confiança e respeito também apresenta dualidade. Enquanto 65,2% afirmam que “sempre” ou “frequentemente” existe um ambiente seguro, um total de 34,7% não percebe essa segurança de forma consistente. Um clima organizacional positivo é fundamental para a colaboração (Robbins & Judge, 2019). Líderes com alta inteligência emocional criam relações de confiança e um ambiente psicologicamente seguro, pilar para o alto desempenho (Goleman, 2013; Yukl, 2013). Os dados sugerem que a base de confiança é frágil para uma parcela da equipe.

A promoção do bem-estar da equipe segue a mesma tendência. Apenas 36,2% sentem que o líder “sempre” promove o bem-estar, enquanto 47,8% (“às vezes”, “raramente” e “nunca”) não sentem um apoio consistente à sua saúde física e mental. Líderes que se preocupam com o bem-estar criam um clima mais saudável e produtivo (Robbins & Judge, 2019), e a capacidade de perceber sinais de estresse é uma marca de líderes emocionalmente inteligentes (Goleman, 2013).

A comunicação do líder foi avaliada de forma mais positiva. Um total de 60,8% dos colaboradores a percebe como “sempre” ou “frequentemente” clara e aberta. A comunicação eficaz reduz conflitos e aumenta a motivação (Robbins & Judge, 2019). Contudo, no quesito empatia e escuta ativa, os resultados foram mais divididos: 46,3% da equipe não se sente consistentemente ouvida ou compreendida, uma falha que pode comprometer a confiança (Goleman, 2013; Yukl, 2013).

A tomada de decisão que equilibra impacto humano e resultados é um ponto de atenção. Apenas 24,6% percebem que isso “sempre” acontece, enquanto 42% (“às vezes”, “raramente” e “nunca”) indicam que as decisões parecem priorizar os resultados em detrimento das pessoas. Uma liderança eficaz envolve o cuidado com os colaboradores (Robbins & Judge, 2019). A capacidade de motivar e inspirar foi percebida de forma mais positiva, com 65,2% respondendo “sempre” ou “frequentemente”. Líderes que inspiram estimulam o desempenho acima das expectativas (Bass & Riggio, 2006).

O incentivo à colaboração revelou uma percepção mista. Enquanto 53,6% sentem esse incentivo “sempre” ou “frequentemente”, uma parcela significativa de 46,3% o percebe apenas “às vezes”, raramente ou nunca. A promoção da cooperação é essencial para a inovação (Robbins & Judge, 2019). Por fim, a postura do líder diante de desafios foi um dos pontos mais bem avaliados: 60,9% afirmam que o líder “sempre” ou “frequentemente” demonstra otimismo e foco em soluções, influenciando a resiliência da equipe (Goleman, 2013; Robbins & Judge, 2019).

Em síntese, a liderança na empresa possui uma base sólida em comunicação, otimismo e inspiração. No entanto, a análise revela fragilidades críticas em práticas como reconhecimento contínuo, apoio ao desenvolvimento, empatia e consideração do impacto humano nas decisões. A percepção dos colaboradores não é homogênea, sugerindo que as práticas de liderança variam ou não são aplicadas de forma consistente, o que pode gerar um ambiente de incerteza. A liderança eficaz exige uma postura transformacional que engloba reconhecimento, inspiração e estímulo ao desenvolvimento (Northouse, 2021). As lacunas identificadas, especialmente na escuta ativa e no reconhecimento, podem comprometer o desempenho a longo prazo (Gomes, 2021).

A pesquisa analisou os estilos de liderança e seus reflexos na motivação, revelando um cenário de dualidade. Verificou-se que a liderança apresenta pontos positivos em clareza na comunicação, otimismo e incentivo ao trabalho em equipe. Em contrapartida, o estudo expôs fragilidades em reconhecimento, apoio ao crescimento profissional, empatia e escuta ativa. A tomada de decisões é percebida como mais focada nos resultados do que no bem-estar, o que pode minar a confiança. Como limitação, destaca-se a amostragem por conveniência e o foco em áreas operacionais, o que impede a generalização dos resultados. No entanto, os dados foram suficientes para responder ao problema de pesquisa.

Recomenda-se a implementação de programas contínuos de desenvolvimento de lideranças, com foco em competências como escuta ativa, feedback construtivo e inteligência emocional. Tais iniciativas podem alinhar as práticas dos gestores, tornando-as mais consistentes e fortalecendo o clima organizacional. Investir em um modelo de liderança mais humano e inspirador é uma oportunidade estratégica para consolidar um ambiente de trabalho mais produtivo e sustentável. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que os estilos de liderança na organização estudada são percebidos de forma mista, com pontos fortes em comunicação e inspiração, mas com fragilidades significativas em reconhecimento, desenvolvimento e empatia, impactando diretamente a motivação dos colaboradores.

Referências:
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GIL, A. C. 2010. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas.
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GOMES, A. 2021. Motivação no Ambiente Corporativo: Uma Abordagem Contemporânea. São Paulo: Editora Gestão.
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NORTHOUSE, P. G. 2021. Leadership: Theory and Practice. 8. ed. Londres: Sage Publications.
PEREIRA, C. 2019. Liderança Liberal: Autonomia e Desafios. São Paulo: Editora Liderança.
REGO, A.; PINTO, M. P. C. 2022. Liderança Positiva: Desenvolvimento e Resultados. Lisboa: Edições Sílabo.
ROBBINS, S. P.; JUDGE, T. A. 2010. Comportamento organizacional. 13. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall.
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YIN, R. K. 2001. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman.
YUKL, G. 2013. Leadership in organizations. 8. ed. Boston: Pearson.
YUKL, G. 2019. Leadership in Organizations. 9. ed. Boston: Pearson.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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