
09 de fevereiro de 2026
Automação e eficiência operacional com máquinas de empacotamento em e-commerce
Kelly Rui Liu; Sarah de Oliveira
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Este estudo analisou os impactos da implementação de máquinas de empacotamento em uma empresa de e-commerce, avaliando seus efeitos na eficiência operacional, redução de custos e qualidade dos processos logísticos. A pesquisa quantificou e qualificou as transformações decorrentes da transição de um sistema de empacotamento manual para um modelo automatizado, integrado a sistemas de inteligência artificial, a fim de fornecer evidências concretas sobre os benefícios e desafios dessa modernização.
A relevância da pesquisa reside no crescimento do comércio eletrônico, que pressiona as operações logísticas por maior agilidade, precisão e economia. Nesse cenário, o empacotamento é uma etapa crítica; gargalos e erros humanos podem comprometer a cadeia de suprimentos e a satisfação do cliente. A literatura aponta a automação como solução estratégica. Estudos como o de Gross et al. (2022) demonstram que equipamentos automatizados visam atender às crescentes demandas do setor, garantindo maior precisão e economia. A automação é, portanto, um fator determinante para a sustentabilidade e escalabilidade das operações em um mercado digital.
A transição para processos automatizados está ligada aos conceitos da Indústria 4.0, que preconiza a integração de tecnologias digitais para criar sistemas de produção inteligentes. De Souza e Bonette (2019) destacam que, por meio de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), os equipamentos podem interagir, otimizando fluxos de trabalho e reduzindo falhas operacionais. Essa abordagem permite um controle rigoroso sobre a produção, desde a pesagem e selagem precisas até a padronização das embalagens, o que facilita etapas como armazenamento e transporte. A automação representa uma reconfiguração estratégica que alinha a operação logística com as exigências de rapidez e confiabilidade do consumidor.
A redução de custos operacionais é um dos principais vetores para a adoção da automação. Ouverney e Martins (2018) afirmam que a substituição de processos manuais por sistemas inteligentes diminui a dependência de mão de obra para tarefas repetitivas, permitindo uma alocação mais estratégica dos recursos humanos em atividades de maior valor agregado. Além da economia com folha de pagamento, a automação impacta na redução de desperdícios de materiais, como filmes plásticos e etiquetas, e na diminuição de retrabalhos. Essa otimização de recursos melhora a margem de lucro e contribui para práticas operacionais mais sustentáveis.
Apesar dos benefícios, a implementação de sistemas automatizados apresenta desafios. Socca Junior (2024) aponta que os custos iniciais de investimento e a necessidade de adaptar os processos internos podem ser barreiras significativas. O sucesso da transição depende da capacitação da equipe para operar e manter os novos equipamentos. A gestão da mudança torna-se essencial, exigindo planejamento, treinamento adequado e comunicação transparente para mitigar resistências. A modelagem computacional, conforme sugerido por Leal et al. (2024), pode ser uma ferramenta valiosa para simular cenários, prever entraves e otimizar o processo de implementação, minimizando riscos e maximizando o retorno sobre o investimento.
A metodologia adotada foi uma pesquisa aplicada, com abordagem mista (qualitativa e quantitativa) e finalidade descritiva, utilizando o estudo de caso como estratégia investigativa. Essa escolha, alinhada a Gil (2021), é eficaz para a compreensão de fenômenos complexos em seus contextos reais. O estudo foi conduzido na Empresa Alfa (nome fictício), uma empresa de médio porte de e-commerce de produtos domésticos em São Paulo, que recentemente migrou do empacotamento manual para um sistema automatizado. A seleção da empresa seguiu critérios rigorosos, conforme Lakatos e Marconi (2021), incluindo: atuação consolidada no e-commerce, volume de pedidos que justificasse a automação e um histórico claro de processos manuais antes da mudança. Esse recorte permitiu uma análise comparativa robusta entre os cenários pré e pós-automação, mantendo a confidencialidade dos participantes.
A coleta de dados foi estruturada em três etapas complementares. A primeira foi um levantamento documental de relatórios operacionais e indicadores de desempenho (KPIs), como tempo de empacotamento, taxa de erros e custos. A segunda envolveu um questionário estruturado aplicado a 50 colaboradores da área logística. A terceira etapa consistiu em entrevistas semiestruturadas com gestores para captar percepções qualitativas sobre a transição. Para a análise, os dados quantitativos foram tratados com estatística descritiva (médias, frequências, variações percentuais), enquanto os dados qualitativos foram submetidos à análise de conteúdo para identificar padrões. A integração desses dois conjuntos de dados, prática recomendada por Lakatos e Marconi (2021), permitiu uma interpretação rica dos resultados, cruzando métricas de desempenho com a experiência dos profissionais.
Os resultados revelam um impacto multifacetado e positivo da automação. Em termos de eficiência operacional, os dados indicaram um aumento de aproximadamente 18% na produtividade geral do setor. Essa métrica foi corroborada pela percepção dos colaboradores, onde 70% relataram que o tempo para empacotar pedidos diminuiu consideravelmente, e 90% concordaram que a automação melhorou a produtividade da equipe. Esse ganho de agilidade é fundamental no e-commerce; a velocidade de processamento é um fator crítico. A automação eliminou tarefas manuais repetitivas e otimizou o fluxo de trabalho, permitindo processar um maior volume de pedidos com a mesma estrutura.
A qualidade e a padronização dos processos também apresentaram melhorias expressivas. Cerca de 87% dos respondentes perceberam uma melhoria significativa na padronização das embalagens. Essa uniformidade melhora a apresentação do produto e gera benefícios logísticos, como a otimização do espaço de armazenamento e a redução de avarias. A precisão dos sistemas automatizados resultou em uma diminuição de 22% no retrabalho, com 65% dos colaboradores reportando uma queda acentuada em correções e reembalagens. Essa redução de erros operacionais está alinhada com as conclusões de Socca Junior (2024), que associa a automação a um aumento da confiabilidade produtiva.
Na redução de custos e desperdícios, os resultados foram igualmente positivos. A análise dos relatórios operacionais apontou uma diminuição de 15% no desperdício de materiais, como filmes plásticos e etiquetas. Essa economia é confirmada pela percepção de 73% dos colaboradores, que indicaram uma redução no consumo de insumos. A precisão dos equipamentos evita o uso excessivo de materiais e minimiza perdas, gerando impacto financeiro e contribuindo para uma operação mais sustentável. Consequentemente, 77% dos participantes acreditam que a empresa obteve ganhos financeiros significativos, corroborando a análise de Gross et al. (2022) sobre a rentabilidade de investimentos em tecnologias de empacotamento.
O fator humano foi central na análise. Os dados mostram que a gestão da transição foi bem-sucedida, com 83% dos colaboradores afirmando ter recebido treinamento adequado. Embora 60% tenham enfrentado dificuldades iniciais, 90% afirmaram estar totalmente adaptados ao novo modelo no momento da pesquisa, sugerindo que a capacitação foi eficaz. A participação ativa de 80% dos funcionários no processo de transição também foi um fator chave, promovendo o engajamento e reduzindo resistências, em linha com as recomendações de Leal et al. (2024) sobre a importância da formação continuada.
O impacto da automação estendeu-se a toda a cadeia logística e à experiência do cliente. Cerca de 78% dos funcionários notaram um aumento na velocidade de preparação e envio dos pedidos. Além disso, 70% relataram uma queda nas devoluções e reclamações por falhas no empacotamento. Esses dados demonstram que a melhoria da qualidade interna se traduziu em um serviço mais confiável para o consumidor. A melhoria no controle do fluxo de trabalho, apontada por 87% dos colaboradores, indica que a automação proporcionou maior visibilidade e previsibilidade operacional, alinhando-se às análises de De Souza e Bonette (2019).
A avaliação geral da iniciativa pelos colaboradores reforça o sucesso da implementação. Uma maioria de 83% considera que a automação trouxe mais benefícios do que problemas. Apenas 7% apontaram uma predominância de dificuldades. A confiança na tecnologia é alta, com 93% dos funcionários se mostrando favoráveis a replicar a automação em outros setores, reconhecendo seu potencial para ampliar a eficiência. Essa percepção positiva indica não apenas a eficácia técnica da solução, mas também a consolidação de uma cultura organizacional aberta à inovação.
Os achados deste estudo estão em consonância com a literatura internacional. Kustiyawan et al. (2023), por exemplo, demonstraram que a otimização de máquinas de empacotamento pode elevar a eficiência global do equipamento (OEE) de 30,49% para 67,67%, um salto de performance que espelha os ganhos de produtividade observados na Empresa Alfa. Da mesma forma, a pesquisa de Zhao et al. (2024) constatou que aumentos na densidade de robôs industriais resultam em crescimento da produtividade do trabalho, validando que a intensificação tecnológica é um motor de eficiência. A transição de um processo manual para um automatizado representa um aumento drástico na densidade tecnológica, justificando os ganhos observados.
A articulação entre dados quantitativos e qualitativos permitiu um panorama detalhado da transformação. A automação não apenas acelerou processos e reduziu custos, mas reconfigurou rotinas de trabalho, exigiu novas competências e fortaleceu o controle de qualidade. O sucesso na Empresa Alfa pode ser atribuído a uma abordagem integrada, que combinou tecnologia com um planejamento cuidadoso da gestão da mudança, incluindo treinamento e envolvimento dos colaboradores. Essa sinergia entre tecnologia, processos e pessoas foi fundamental para superar os desafios iniciais e consolidar os benefícios a longo prazo.
A análise dos dados constatou que a automação do empacotamento promoveu impactos significativos e positivos na dinâmica operacional, logística e econômica da organização. Os ganhos em eficiência, a padronização das embalagens, a redução de retrabalhos e a diminuição de desperdícios foram amplamente confirmados. A combinação entre tecnologia e capacitação profissional emergiu como fator essencial para o êxito da transição, com a ampla aceitação da automação pelos funcionários evidenciando a maturidade organizacional para absorver inovações. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a implementação de máquinas de empacotamento foi decisiva para elevar os níveis de eficiência, reduzir custos operacionais e qualificar os processos logísticos da empresa analisada. A integração entre tecnologia, estratégia e capacitação humana se mostrou central para o sucesso da iniciativa, reafirmando o papel da automação como instrumento estruturante para o crescimento sustentável em empresas inseridas no ambiente do comércio eletrônico.
Referências:
Almeida Junior, E. S; de. Redução de tempo de setup aplicada ao empacotamento de uma fábrica de chocolate. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Mecânica) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Pato Branco, 2024.
De Souza, J. V. Z., & Bonette, L. R. (2019). Impactos da indústria 4.0 e sua autonomia operacional em processos de automação, através da internet das coisas. Revista Gestão Industrial, 15(4).
Gil, A. C. (2021). Como Fazer Pesquisa Qualitativa. São Paulo: Atlas.
Gross, F. et al. (2022). Automação do Processo de Embalagem do Bacon em Cubos em Cooperativa do Oeste Paranaense. Revista Pleiade, 16(35), 68-78.
Kustiyawan, I.; Roestan, M. R.; Riani, C. (2023). Automated Packaging Machine Analysis with the Overall Equipment Efficiency Method. International Journal of Industrial Engineering & Production Research, 34(4), 1–14.
Lakatos, E. M., & Marconi, M. A (2021). Metodologia do Trabalho Científico. 9. ed. São Paulo: Atlas.
Leal, L. K. B. et al. (2024). Análise e modelagem computacional do processo de manufatura de fitas adesivas em uma empresa do Polo Industrial de Manaus: uma aplicação no software Flexsim®. Exacta, 22(1), 197-237.
Ouverney, K., & Martins, D. M. S. (2018). Automação do Processo de Implantação de Software usando Docker e microserviços – Um Estudo de Caso. Seminários de Trabalho de Conclusão de Curso do Bacharelado em Sistemas de Informação, 3(1).
Socca Junior, J. R. (2024). Gerenciamento da cadeia de suprimentos: impactos na competitividade organizacional e desafios na implementação. Revista Tópicos, 2(13), 1-17.
Zhao, H.; Li, X.; Wang, Y.; Chen, Z. (2024). Impact of industrial robots on labour productivity: Empirical evidence from 17 Chinese industries. Technological Forecasting and Social Change, 198, 1–12.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq
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