17 de setembro de 2026
Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar
Leila Cristina Huppes; Luciana Cristina de Souza
DOI: 10.22167/2675-6528-202602549
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.
Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.
1. Introdução
A escola constitui um ambiente social e político fundamental para a promoção da participação democrática de seus representantes, fomentando o desenvolvimento, o diálogo e a expressão nas tomadas de decisão. Conforme a concepção de Libâneo (2018), a gestão escolar deve integrar os principais atores da comunidade, como professores, pais, alunos e funcionários, na definição dos rumos da instituição. Esse processo se alinha às diretrizes e políticas educacionais públicas, que devem estar conectadas às ações práticas dos Projetos Políticos-Pedagógicos (PPP) das escolas (Lück, 2013), priorizando a democracia, autonomia, participação, transparência e o compartilhamento de informações (Bastos, Gonçalves e Alves, 2018).
A gestão escolar efetiva e estratégica se concretiza quando todos os atores e lideranças envolvidas no processo educacional, incluindo diretores, coordenadores e supervisores pedagógicos, compreendem e se comprometem de forma consciente e integrada com suas funções e responsabilidades no âmbito do PPP. Embora seja comum que profissionais da área pedagógica se dediquem ao conhecimento didático e os da área administrativa à condução dos processos financeiros, a gestão escolar em sua totalidade exige a articulação entre essas duas esferas, demandando uma atuação conjunta, colaborativa e conectada aos objetivos organizacionais para uma administração abrangente e eficaz.
Nesse contexto, a Direção escolar assume a tarefa de integrar as habilidades dos profissionais de ambas as áreas, buscando um gerenciamento mais efetivo e estratégico, pautado no interesse institucional e no cumprimento do PPP. O gestor exerce um papel democrático e de liderança, trabalhando em equipe, de modo que as dimensões pedagógica, de aprendizagem e de sustentabilidade econômica da escola se tornem preocupações de todo o grupo (Barboza e Brito, 2016). A execução de um PPP de qualidade é indissociável da disponibilidade de recursos financeiros, e a gestão financeira, por sua vez, só se justifica com um projeto pedagógico consistente a ser implementado.
Apesar da importância da integração, observa-se um distanciamento entre as práticas das áreas pedagógica e administrativa, o que pode limitar o fluxo de comunicação e o compartilhamento de informações entre as equipes. Tal cenário, por vezes, gera ruídos institucionais e desafios para a plena integração dos processos de gestão e das ações pedagógicas. Uma lacuna identificada reside na ausência de formação específica para alguns gestores pedagógicos no que tange à compreensão e utilização de dados orçamentários no contexto educacional. Em muitos casos, as decisões pedagógicas são tomadas sem o devido alinhamento com as informações orçamentárias, o que reforça a necessidade de fortalecer a comunicação e promover maior integração entre os setores (Santos, 2011; Roberto e Weinstein, 2023).
A justificativa para esta pesquisa reside na premissa de que a experiência do gestor escolar administrativo, ao atuar em sua área de formação, pode oferecer uma contribuição prática significativa para o aprimoramento dos processos decisórios e para a aplicação de métodos de gestão mais eficazes. É fundamental compreender como o gestor administrativo pode contribuir para o aperfeiçoamento e fortalecimento da equipe pedagógica na construção do planejamento orçamentário. Essa integração do conhecimento administrativo com o pedagógico visa reduzir a lacuna de distanciamento entre os atores no âmbito da gestão escolar como um todo, tornando o processo mais participativo e orientado para os objetivos institucionais. A escola, nesse sentido, é um espaço educacional que oportuniza o crescimento e desenvolvimento profissional de todos os envolvidos (Libâneo, 2018).
Diante dessa problemática, a questão norteadora desta pesquisa é: Como a experiência de um gestor administrativo pode subsidiar e contribuir para a construção de um instrumento de formação para a equipe pedagógica sobre o orçamento escolar, visando uma gestão mais integrada? Assim, o presente trabalho tem como objetivo geral Elaborar um Guia de Orientações para Orçamento voltado à equipe de gestão pedagógica, sob a mediação da direção administrativa, com o intuito de instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e a participação ativa na gestão orçamentária escolar.
2. Material e Métodos
A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e aplicado, com procedimento metodológico de estudo de caso. A abordagem qualitativa, fundamentada em Minayo (2014), investigou relações, percepções e interpretações da realidade social. O caráter descritivo visou delinear características de fenômenos, utilizando observação sistemática e análise de relatos (Gil, 2008). O estudo foi classificado como aplicado por buscar uma solução para um problema específico, conforme Gerhardt e Silveira (2009).
O método empírico de estudo de caso, proposto por Yin (2001), foi empregado para investigar a gestão escolar participativa no contexto real de uma instituição particular. A unidade de análise consistiu em uma escola privada de ensino infantil, fundamental e médio, localizada no Sudoeste do Paraná. Esta instituição integra uma rede de ensino confessional católica, com gestão compartilhada entre religiosas da congregação mantenedora e profissionais leigos contratados.
A equipe diretiva da escola é composta por uma representante institucional, a direção administrativa e a direção pedagógica. Os participantes da formação foram especificamente a equipe pedagógica, incluindo a direção pedagógica, cinco coordenadores pedagógicos e um orientador educacional. O período de desenvolvimento da pesquisa e coleta de dados estendeu-se por quatro meses, durante os quais se realizou observação sistemática e acompanhamento das práticas de gestão.
Para elaborar o Guia de Orientações para Orçamento, o estudo desdobrou-se em seis etapas metodológicas. As primeiras incluíram levantamento bibliográfico sobre gestão integrada, sistematização do relato de experiência profissional e análise dos dados com base no referencial teórico. As etapas subsequentes focaram na discussão de estratégias, estruturação da proposta de formação institucional e elaboração do material formativo, culminando na realização de uma formação específica com a equipe pedagógica.
A coleta de dados envolveu observação direta, análise de documentos e artefatos (Yin, 2001). Realizou-se uma reunião inicial com os gestores administrativos e pedagógicos, com pauta delineada para discutir temas orçamentários e dificuldades de comunicação. Utilizou-se escuta ativa e diálogo para identificar a compreensão dos participantes sobre indicadores orçamentários e desafios de integração. Um roteiro de questões abertas abordou a composição do orçamento, distribuição de recursos e critérios de cálculo de custos das turmas. A direção administrativa explanou sobre elementos do orçamento, como despesas fixas e variáveis, custos e receitas operacionais, e indicadores financeiros.
Questões foram colocadas para identificar a familiaridade dos gestores pedagógicos com informações financeiras e sua aplicação na tomada de decisão. A análise dos dados coletados, incluindo falas e observações diretas, foi criteriosa, interpretando-as à luz do referencial teórico da gestão escolar. Este processo permitiu compreender as dinâmicas profissionais e os desafios enfrentados na gestão escolar, especialmente na comunicação interna e na integração entre as áreas administrativa e pedagógica, bem como a ausência de formação específica em dados orçamentários.
O Guia de Orientações para Orçamento foi o produto final da pesquisa, visando instrumentalizar a equipe pedagógica. Sua construção envolveu a equipe de gestão da comunidade escolar para promover a troca de informações e o compartilhamento de objetivos. O instrumento foi organizado em quatro eixos temáticos principais: Análise do cenário econômico; Compreensão e finalidade do orçamento escolar; Alinhamento, participação e etapas do processo de elaboração do orçamento escolar; e O plano de contas do orçamento.
Para facilitar a compreensão das informações orçamentárias, o Guia utilizou um modelo de planilhas, estruturadas com base no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), conforme Costa et al. (2016). Os dados foram organizados em três categorias principais: planilhas de receitas, detalhando fontes de entrada de recursos; planilhas de despesas, registrando gastos de manutenção e funcionamento; e planilhas de resultado, avaliando o equilíbrio entre receitas e despesas para apoiar a tomada de decisões.
O Guia também propôs um cronograma para a elaboração do orçamento anual. Este incluiu a análise comparativa entre o orçamento previsto e o executado (agosto e setembro), o levantamento das necessidades institucionais e a definição do reajuste das mensalidades (setembro e outubro). A consolidação da proposta orçamentária e a definição de metas (outubro), o encaminhamento ao setor contábil para detalhamento técnico e aprovação, e a revisão final do orçamento após o período de matrículas (março do exercício seguinte) foram etapas previstas.
3. Resultados e Discussão
A presente seção detalha os achados da pesquisa e a discussão sobre a integração da gestão administrativa e pedagógica no contexto escolar, com foco na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento. Os resultados são apresentados em três eixos principais, conforme a estrutura do estudo: o diagnóstico da gestão integrada, a análise dos desafios da comunicação institucional e a descrição do Guia de Orientações Orçamentárias, que constitui a proposta de intervenção. A análise dos dados empíricos, coletados por meio de um estudo de caso em uma instituição particular privada, foi confrontada com os referenciais teóricos da gestão escolar, permitindo uma compreensão aprofundada das dinâmicas institucionais e dos processos decisórios.
Os achados iniciais revelaram que, apesar da gestão escolar ser concebida de forma democrática e participativa, existiam lacunas significativas na integração entre as áreas administrativa e pedagógica. A pesquisa buscou compreender como a experiência do gestor administrativo poderia instrumentalizar a equipe pedagógica para uma participação mais ativa na gestão orçamentária, visando uma administração mais coesa e eficaz. A ausência de uma compreensão sistêmica dos processos financeiros por parte da equipe pedagógica limitava a efetividade das decisões e a plena execução do Projeto Político-Pedagógico (PPP), conforme apontado por Lück (2013) e Libâneo (2018) sobre a necessidade de envolvimento de todos os atores. Diagnóstico da gestão integrada
A primeira etapa do estudo consistiu em uma reunião inicial com os gestores administrativos e pedagógicos para abordar questões orçamentárias e as dificuldades de comunicação intersetorial. O encontro foi planejado para fomentar o diálogo e a reflexão coletiva sobre o orçamento institucional, adotando uma abordagem participativa que incentivou os gestores a compartilhar suas experiências, conhecimentos e percepções sobre o uso de dados orçamentários. Essa iniciativa foi crucial para mapear o nível de familiaridade da equipe pedagógica com os indicadores financeiros e sua aplicação nas tomadas de decisão, um aspecto fundamental para a gestão democrática (Libâneo, 2018).
Durante a reunião, a direção administrativa apresentou de forma simplificada os componentes do orçamento, incluindo despesas fixas e variáveis, custos operacionais, receitas e indicadores financeiros da instituição. Esse alinhamento inicial buscou nivelar o conhecimento dos participantes antes da discussão aprofundada. Em seguida, utilizou-se a técnica de “escuta ativa”, conforme preconizado por Barboza et al. (2025), para coletar percepções dos gestores pedagógicos sobre o resultado financeiro dos níveis de ensino, os conceitos de lucro, prejuízo e equilíbrio orçamentário, e os custos de manutenção das turmas.
A discussão também abrangeu situações práticas, como o impacto da abertura ou fechamento de turmas, o ponto de equilíbrio, a relação entre o número de estudantes e a viabilidade financeira, e a influência do orçamento no planejamento pedagógico e na sustentabilidade institucional. Ao final, foi possível constatar que havia diferentes níveis de compreensão sobre o orçamento e dificuldades na interpretação dos dados financeiros. Observou-se que muitas decisões pedagógicas eram tomadas sem o devido alinhamento com as informações orçamentárias, evidenciando a necessidade de fortalecer a comunicação e a integração entre os setores para uma gestão mais eficaz e transparente (Santos, 2011).
O diagnóstico confirmou que todas as instâncias de gestão são corresponsáveis pelo sucesso da instituição, e que as competências técnicas das áreas administrativa e pedagógica são complementares e essenciais. A falta de conhecimento mútuo entre as áreas, no entanto, representava uma barreira. Sugeriu-se que a direção administrativa promovesse capacitação e orientação para a equipe pedagógica, inserindo-os ativamente no processo de gestão orçamentária. Nesse contexto, o diretor administrativo emerge como um líder que compreende a escola em sua totalidade — aspectos pedagógicos, culturais, administrativos e financeiros — e, assim, mobiliza a equipe para um projeto comum, conforme a visão de Libâneo (2018) sobre o papel do gestor. Desafios da comunicação institucional
A análise dos relatos e das observações diretas revelou fragilidades nos processos de comunicação interna e na integração entre as áreas administrativa e pedagógica, além da ausência de formação específica para alguns gestores pedagógicos sobre dados orçamentários. A comunicação eficaz é um elemento estruturante da gestão escolar democrática e participativa, impactando a motivação dos profissionais, o clima organizacional e a capacidade da escola de atingir seus objetivos (Santos, 2011). Uma gestão estruturada com participação e diálogo favorece práticas integradas e trabalho coletivo (Barboza et al., 2025).
A transparência, a clareza e o diálogo aberto são cruciais para fortalecer o clima organizacional e a motivação dos profissionais, removendo obstáculos à cooperação e promovendo um ambiente de confiança. Isso não apenas contribui para uma gestão administrativa eficaz, mas também melhora a aprendizagem e o processo educativo como um todo (Santos, 2011). A gestão escolar, sendo uma atividade coletiva, exige que todos os envolvidos contribuam com suas capacidades e responsabilidades individuais, compartilhando os mesmos objetivos por meio de ações articuladas e controladas (Libâneo, 2018).
No que tange à formação, especialmente da equipe pedagógica, a pesquisa encontrou respaldo nas contribuições de Nóvoa (2002), que defende a formação continuada e a construção de um profissional reflexivo, ativo em seu próprio desenvolvimento. Isso implica a criação de uma cultura colaborativa e de troca de experiências. O gestor escolar, por sua vez, tem um papel político de mobilizar, organizar e gerenciar, promovendo a participação e a autonomia dos envolvidos (Barboza e Brito, 2016).
As lacunas na comunicação e na formação identificadas impactam diretamente a tomada de decisões, evidenciando a necessidade de qualificação para fortalecer as competências técnicas e gerenciais, visando uma gestão escolar mais integrada e participativa. A liderança pedagógica qualificada é fundamental para melhorar o desempenho escolar, pois diretores e coordenadores que articulam suas atribuições promovem ambientes favoráveis ao desenvolvimento profissional (Roberto e Weinstein, 2023). A compreensão clara dos papéis e a sintonia com as políticas institucionais fortalecem a comunicação e potencializam a liderança pedagógica.
A sistematização dos relatos dos gestores permitiu compreender as dinâmicas profissionais da gestão escolar, destacando desafios e aprendizados. A gestão da educação envolve múltiplas áreas do conhecimento e saberes distintos, e a abordagem democrático-participativa valoriza o desenvolvimento pessoal e a qualificação profissional e técnica (Libâneo, 2018). As experiências vivenciadas nos encontros revelaram que o volume das atividades pedagógicas cotidianas muitas vezes dificulta a consolidação do orçamento como um instrumento incorporado à rotina organizacional, criando uma lacuna entre a equipe pedagógica e a administrativa.
A equipe pedagógica, embora participe da elaboração do orçamento, frequentemente não possui conhecimento aprofundado em gestão financeira nem acompanha o fluxo de caixa. Isso leva o diretor administrativo a ser o principal responsável por orientar e autorizar os gastos, definindo o que pode ou não ser realizado. Essa situação reforça o distanciamento na comunicação institucional e a necessidade de aprimorar os mecanismos de integração entre o planejamento orçamentário e a execução das atividades diárias, conforme Azevedo et al. (2024) destacam a importância da comunicação efetiva para a gestão democrática e participativa. Proposta de intervenção: O Guia de Orientações orçamentárias
Diante da problemática identificada, propôs-se a criação de um Guia de Orientações para Orçamento, um instrumento de capacitação para a equipe pedagógica. O Guia visa auxiliar na compreensão da elaboração e acompanhamento do orçamento escolar, subsidiando a tomada de decisões e promovendo maior transparência na gestão. Ao assegurar o cumprimento integral do orçamento por meio de acompanhamento e ajustes mensais, a instituição fortalece sua sustentabilidade e melhora a comunicação entre as equipes, otimizando a execução dos projetos do PPP (Valverde, Chiareto e Goulart, 2019).
A construção do Guia materializa a gestão democrática e participativa, conforme defendido por Libâneo (2004), e se estabelece como uma ferramenta de gestão estratégica. O processo de elaboração do Guia envolveu toda a equipe de gestão da comunidade escolar, incluindo direções pedagógicas e administrativa, coordenadores e orientadores. Essa abordagem colaborativa facilitou a troca de informações, experiências e percepções, contribuindo para uma compreensão mais ampla das necessidades institucionais e dos desafios financeiros.
O principal objetivo do Guia é facilitar a compreensão do processo de construção do orçamento escolar pela equipe pedagógica e seu impacto na execução das metas do PPP. Mais do que uma análise financeira, o Guia enfatiza a importância da gestão escolar participativa (Lück, 2009), incentivando o comprometimento e o esforço de todos para uma compreensão sistêmica da organização. Para executar um PPP com qualidade e sustentabilidade, é essencial que as ações sejam implementadas dentro do que foi orçado e planejado, alinhando objetivos pedagógicos com o uso de recursos físicos, materiais e financeiros.
O Guia foi estruturado em quatro eixos temáticos principais para apresentar diretrizes e informações que auxiliem a equipe diretiva e pedagógica na compreensão da gestão orçamentária, especialmente quanto à origem e alocação dos recursos financeiros e seus impactos no desenvolvimento institucional. Esses eixos são: i) Análise do cenário econômico; ii) Compreensão e finalidade do orçamento escolar; iii) Alinhamento, participação e etapas do processo de elaboração do orçamento escolar; e iv) O plano de contas do orçamento. Essa organização visa tornar o processo de gestão escolar mais democrático-participativo e transparente (Libâneo, 2004). Análise do cenário econômico
A primeira etapa do Guia foca na explanação das perspectivas do cenário econômico brasileiro para o ano corrente, apresentando as expectativas de crescimento do mercado, os desafios e os principais índices de inflação, como IGPM/INPC, INPC e IPCA, além da Convenção Coletiva de Trabalho (CLT). Essa análise do mercado financeiro é crucial para a escola planejar, executar e ajustar seus orçamentos de forma estratégica. A partir desse cenário, são definidos os reajustes anuais das mensalidades, considerando os custos operacionais da instituição e a capacidade de pagamento das famílias.
Na composição dos reajustes das mensalidades, diversos fatores econômicos são considerados. A inflação geral, medida pelo IPCA, é a base mínima para manter o poder de compra da receita, com projeções que variam entre x% e x%. A inflação educacional, representada pelo IGPM/INPC Setorial, historicamente tende a ser superior à inflação geral, com projeções entre x% e x%, impactando diretamente os custos do setor. Os salários, incluindo o Piso do Magistério e a CLT, representam uma pressão direta sobre a folha de pagamento, que constitui x% dos custos fixos da instituição, com reajustes esperados entre x% e x%.
Os custos operacionais, que incluem despesas com energia, alimentação, transporte e manutenção, também são reajustados, muitas vezes acima do IPCA, com projeções entre x% e x%, alinhados à inflação de insumos e serviços. Além desses indicadores, o Guia ressalta a importância de considerar outros aspectos na proposta de reajuste, como o perfil socioeconômico das famílias, a concorrência local e os investimentos planejados pela instituição. Essa abordagem holística garante que o planejamento orçamentário seja realista e sustentável. Compreensão e finalidade do orçamento escolar
Uma etapa fundamental do Guia é esclarecer o conceito, a finalidade e a relevância do orçamento escolar no contexto da gestão educacional. O orçamento é uma ferramenta essencial para a organização e gestão dos recursos financeiros, não se limitando à manutenção das atividades, mas também apoiando a tomada de decisões estratégicas, o desenvolvimento institucional e a implementação de novos projetos (Valverde, Chiareto e Goulart, 2019). Ele é definido como um instrumento de planejamento financeiro que prevê o fluxo de caixa, compreendendo receitas e despesas para um determinado período, geralmente o ano letivo.
Este mecanismo é indispensável para assegurar o funcionamento eficiente da instituição, garantindo a disponibilidade de recursos para a execução das atividades pedagógicas, administrativas e operacionais. O orçamento escolar desempenha um papel estratégico, proporcionando uma visão sistematizada das receitas e despesas. Ao estabelecer metas financeiras e limites de gastos, ele possibilita a alocação eficiente dos recursos, favorecendo a qualidade dos serviços educacionais. A adequada elaboração do orçamento permite antecipar imprevistos financeiros, prevenindo desequilíbrios e fortalecendo a sustentabilidade econômica da instituição.
O orçamento escolar está diretamente vinculado ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), sendo um instrumento essencial para promover a transparência e a confiança entre os segmentos da comunidade escolar. Sua execução adequada permite a alocação eficiente dos recursos disponíveis e a constituição de reservas financeiras para a sustentabilidade institucional. Além disso, o orçamento requer monitoramento contínuo, com acompanhamento sistemático de sua execução e ajustes necessários. Essa integração com a gestão educacional contribui para processos consistentes de avaliação e aprimoramento das práticas administrativas e pedagógicas, subsidiando o planejamento, organização, execução e controle dos recursos financeiros em conformidade com os princípios de eficiência, transparência e responsabilidade. Alinhamento, participação, e etapas do processo de elaboração do orçamento escolar
A elaboração do orçamento escolar é um processo essencial para garantir o funcionamento da instituição e a qualidade do ensino, sendo mais do que um controle de gastos; é uma ferramenta de planejamento, gestão e tomada de decisões que permite organizar e aplicar recursos de forma eficiente e responsável (Valverde, Chiareto e Goulart, 2019). Trata-se de um instrumento técnico-administrativo que demanda planejamento estruturado, análise criteriosa de dados e a participação democrática dos diversos atores da instituição. Na escola estudada, o orçamento é construído com base em diagnósticos reais, considerando o fluxo de caixa das receitas e todas as despesas previstas, como manutenção, materiais pedagógicos, formação de professores e folha de pagamento.
Esse processo envolve etapas fundamentais: levantamento das necessidades da escola, previsão de receitas e despesas, definição de prioridades, elaboração do documento orçamentário com possíveis reajustes e aprovação, e acompanhamento contínuo da execução. Embora esse processo seja realizado há anos na instituição, percebe-se um distanciamento na compreensão por parte dos agentes envolvidos, especialmente da área pedagógica. O entendimento da equipe pedagógica é fundamental, pois o orçamento deve estar alinhado ao PPP e às demandas reais da comunidade escolar. Ao colaborar na definição das prioridades educacionais e pedagógicas, e no controle de gastos, a equipe contribui para que os recursos sejam aplicados de forma mais eficiente, impactando diretamente a aprendizagem dos alunos.
O processo de elaboração de um orçamento escolar é necessário para planejar o uso dos recursos de forma consciente, eficiente e voltada para a melhoria da educação. Isso alinha o trabalho entre as equipes administrativa e pedagógica, promovendo a aplicação correta dos recursos e garantindo que cada ação da escola seja sustentada por uma base financeira sólida. Os principais elementos a serem considerados na elaboração do orçamento, conforme o Guia, incluem a coleta e análise de dados, a participação da comunidade escolar, a definição de metas e objetivos, a projeção de receitas, o levantamento e classificação das despesas, o estabelecimento de limites orçamentários, a revisão e adequação do orçamento, e a aprovação e transparência.
A coleta e análise de dados envolvem o levantamento de informações sobre receitas e despesas do exercício anterior, além de um diagnóstico financeiro da instituição, considerando o número de alunos, colaboradores, estrutura, recursos materiais e tecnológicos, e projetos em execução. A participação da comunidade escolar é crucial, recomendando-se reuniões para identificar prioridades financeiras e demandas institucionais. A definição de metas e objetivos para o exercício seguinte, abrangendo aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros, deve estar alinhada ao planejamento estratégico da instituição. A projeção de receitas consiste na estimativa de entradas de recursos, como mensalidades, com base em critérios realistas e diferentes cenários financeiros.
O levantamento e classificação das despesas identificam e relacionam todos os gastos previstos, incluindo pessoal, serviços terceirizados, manutenção, aquisição de materiais e eventos. O estabelecimento de limites orçamentários para cada categoria de despesa visa assegurar o equilíbrio financeiro e prevenir desvios, priorizando demandas pedagógicas e administrativas essenciais. O orçamento deve ser objeto de revisões periódicas, especialmente no início do período letivo, para ajustes em função de alterações no cenário financeiro ou prioridades institucionais. Após a elaboração, o orçamento deve ser submetido à apreciação e aprovação da direção escolar e da entidade mantenedora, sendo comunicado à comunidade escolar em observância aos princípios de transparência e gestão participativa.
O cronograma de elaboração do orçamento anual sugere a análise comparativa entre o orçamento previsto e o executado nos meses anteriores entre agosto e setembro. O levantamento das necessidades institucionais para o exercício seguinte e a definição do reajuste das mensalidades ocorrem entre setembro e outubro. A consolidação da proposta orçamentária e a definição das metas correspondentes são realizadas em outubro. A etapa subsequente envolve o encaminhamento ao setor contábil para detalhamento técnico, seguido de apreciação e aprovação pela equipe gestora e mantenedora. Em março do exercício seguinte, após a finalização do período de matrículas, é realizada a revisão final do orçamento para consolidação da versão definitiva para execução. O plano de contas do orçamento
Gerenciar o orçamento é uma tarefa complexa que demanda um setor competente para sua realização e acompanhamento. O Guia detalha o plano de contas com o intuito de familiarizar a equipe pedagógica com a estrutura orçamentária. Para facilitar a compreensão, optou-se pela utilização de um modelo de planilhas baseado no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), uma ferramenta de gestão financeira que resume despesas e receitas (Costa et al., 2016). Essa etapa é fundamental para que cada participante da equipe compreenda seu papel e responsabilidade na elaboração do orçamento, entendendo como os recursos financeiros são gerados e alocados para os projetos pedagógicos.
Os dados foram organizados em três categorias principais: planilhas de receitas, que contemplam todas as fontes de entrada de recursos; planilhas de despesas, que registram os gastos necessários para a manutenção e funcionamento da instituição; e a planilha de resultado, que permite avaliar o equilíbrio entre receitas e despesas, apoiando a tomada de decisões. A primeira planilha de projeção de receitas deve contemplar o modelo de escola desejado para o ano subsequente, quantificando turmas e projetando o número de alunos. Nela são lançados o valor da mensalidade/anuidade projetada e o percentual de reajuste, permitindo visualizar o faturamento bruto estimado.
Após a projeção das receitas, os valores são alocados em outra planilha, onde são realizadas as primeiras deduções, como bolsas de estudos e descontos. As bolsas de estudos são concedidas em 100% e 50% do valor. A política de descontos da instituição é padronizada, incluindo 50% para filhos de colaboradores, 10% para irmãos mais velhos matriculados, e descontos comerciais de 5% a 10% ou promocionais por antecipação da anuidade. Além disso, são lançados valores de receitas não operacionais, como aluguéis, rendimentos financeiros, donativos, promoções, indenizações e reembolsos, que não derivam diretamente de matrículas.
As planilhas de despesas são as mais detalhadas e frequentemente impactam os participantes pela magnitude dos valores. A folha de pagamento é a principal despesa, variando entre 65% e 70% do orçamento, sendo o maior custo de uma instituição educacional. Ao lançar os valores, deve-se considerar o reajuste salarial projetado para o ano subsequente, além de benefícios e encargos. Também são projetadas despesas com serviços terceirizados, como sistemas de informática, advogados, limpeza, e serviços pedagógicos, e com utilidades e serviços públicos, como água, telefone, internet, combustíveis, alimentação, energia elétrica e manutenção.
As deduções de despesas incluem contas de manutenção e conservação, que englobam a estrutura física da instituição, como prédio, jardim, máquinas, móveis, equipamentos e veículos. As contas de materiais e recursos pedagógicos, embora diversas, são principalmente de ordem pedagógica, incluindo bens duráveis, materiais de proteção e segurança, informática, escritório, esporte, limpeza, escolares e didáticos. Todos os projetos pedagógicos devem estar relacionados e orçados nessa conta. As despesas de comunicação e marketing abrangem investimentos em publicidade, propaganda e publicações. As despesas financeiras, tributárias e gerais incluem gastos com bancos, prefeituras, brindes, festividades, cursos, palestras, treinamentos e o repasse mensal para a mantenedora.
Após todas as deduções das planilhas de despesas, obtém-se o resultado operacional, que o Guia simplifica como resultado financeiro. Este resultado é distribuído em três destinos: um fundo de contingência, essencial para a sobrevivência da instituição em crises; investimentos em infraestrutura; e investimentos em inovação ou projetos pedagógicos, definidos pela equipe gestora com base em avaliação e necessidade. As descrições de contas e planilhas são estruturadas para facilitar a ordem contábil da instituição, e o Guia visa orientar o processo de aprendizagem e familiarizar os gestores com o lançamento de valores orçamentários. As abas “orçado” e “realizado” permitem identificar discrepâncias e pontos de variação.
Cabe ao gestor orçamentário realizar o acompanhamento sistemático e frequente para promover ajustes, tomar decisões e redefinir diretrizes. Recomenda-se a participação da equipe pedagógica no monitoramento dos lançamentos, ao menos trimestralmente, para desenvolver competências em gestão orçamentária e fortalecer o engajamento na gestão escolar participativa (Lück, 2009). Essa prática contínua contribui para o desenvolvimento profissional e a qualificação técnica das pessoas, promovendo uma cultura de colaboração e troca de conhecimentos. Barreiras e oportunidades na implementação do Guia
A gestão escolar é uma atividade complexa e desafiadora, que envolve a implementação de ações pedagógicas e a condução de processos administrativos. A diversidade de funções e papéis evidencia que o ambiente escolar demanda múltiplas competências e saberes, tornando a integração entre os profissionais um desafio recorrente. O Guia foi proposto como um percurso introdutório para a equipe pedagógica no acompanhamento e aprendizado do processo orçamentário, considerando que todas as atividades escolares implicam planejamento financeiro e custos. Embora o orçamento já esteja incorporado à cultura institucional, engajar e promover o senso de pertencimento de “toda” a equipe de gestão pedagógica nesse processo ainda constitui um desafio significativo.
A rotatividade de colaboradores na coordenação pedagógica, mesmo que pouco frequente, apresenta-se como uma barreira, pois exige formação contínua da equipe para garantir a perenidade da cultura institucional e a fidelidade aos propósitos. Outra barreira institucional é assegurar que a comunicação entre os diferentes níveis de gestão escolar, pedagógica e administrativa, seja efetivamente disseminada de forma clara e acessível a toda a equipe, alinhando as ações para garantir o cumprimento do Projeto Político-Pedagógico (PPP). A falta de alinhamento e comunicação pode gerar ruídos e desafios para a plena integração dos processos de gestão e das ações pedagógicas.
Por outro lado, identificam-se oportunidades relevantes nesse processo, especialmente na ampliação dos campos de conhecimento, possibilitando à equipe pedagógica o aprendizado em áreas com as quais, muitas vezes, não possuía familiaridade. Destaca-se o potencial significativo de fortalecimento do trabalho integrado, a promoção de uma comunicação mais efetiva e fluida e, consequentemente, a qualificação das tomadas de decisão, tornando-as mais assertivas. Espera-se que, com a continuidade dessa prática e o apoio da gestão administrativa, a equipe pedagógica compreenda o ponto de equilíbrio de cada turma, a necessidade de fidelização e captação de alunos como receita, as despesas da instituição e a correta aplicação dos resultados.
A partir desse momento de maior compreensão, o diretor administrativo deixará de exercer apenas a função de aprovador de recursos, passando a atuar como parceiro estratégico na gestão escolar, contribuindo ativamente para a formação da equipe. Essa evolução no papel do diretor administrativo representa uma oportunidade de fortalecer a gestão democrática e participativa, promovendo um ambiente de maior colaboração e responsabilidade compartilhada. A integração do conhecimento administrativo com o pedagógico visa reduzir a lacuna de distanciamento entre os atores, tornando o processo mais participativo e orientado para os objetivos institucionais, conforme a visão de Libâneo (2018) sobre a escola como espaço de crescimento e desenvolvimento profissional.
Em síntese, os resultados da pesquisa evidenciaram que a ausência de integração e a falta de conhecimento específico sobre o orçamento escolar por parte da equipe pedagógica comprometem a efetividade da gestão. A elaboração do Guia de Orientações para Orçamento, mediado pela direção administrativa, demonstrou ser uma estratégia eficaz para fortalecer a gestão democrática, qualificar a equipe pedagógica e melhorar os processos decisórios institucionais. A implementação do Guia promove a compreensão mútua, a cooperação e a construção coletiva de soluções, transformando o diretor administrativo em um agente formativo e estratégico, essencial para a sustentabilidade e o sucesso do Projeto Político-Pedagógico da instituição.
4. Conclusão
O presente estudo visou elaborar um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, com o propósito de instrumentalizar esses profissionais na compreensão e participação ativa da gestão orçamentária escolar. Verificou-se que a ausência de integração e a limitada compreensão dos processos financeiros por parte da equipe pedagógica comprometiam a efetividade das decisões e a plena execução do Projeto Político-Pedagógico. Identificaram-se lacunas na comunicação intersetorial e na formação específica sobre dados orçamentários. O Guia proposto emergiu como uma contribuição prática e estratégica, fortalecendo a gestão democrática e participativa ao promover o entendimento mútuo, a cooperação e a construção coletiva de soluções, e ao ressignificar o papel do diretor administrativo como um agente formativo e estratégico.
Contudo, a rotina intensa das atividades pedagógicas cotidianas constitui uma limitação, dificultando a consolidação do orçamento como instrumento incorporado à rotina organizacional e o engajamento contínuo da equipe. A rotatividade de colaboradores na coordenação pedagógica também exige formação constante para a perenidade da cultura institucional. Sugere-se, para estudos futuros, o desenvolvimento de mecanismos e instrumentos de avaliação que permitam mensurar a evolução do conhecimento e da compreensão do orçamento escolar por parte dos atores, bem como a maturidade e capacitação da equipe de gestão ao longo do tempo, a partir da implementação do Guia.
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