Artigo

17 de setembro de 2026

Planejamento de Cronograma para Definição de Válvulas em Projetos Industriais com o MS Project

Luiza Araujo Abou Rejaili; Gilberto Marassi de Loiola Leite

DOI: 10.22167/2675-6528-202602562

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A indústria química brasileira é um setor de grande impacto nacional, representando 11% do PIB em 2025 e passando constantemente por mudanças e inovações de processo e de gestão. No âmbito de projetos, o setor da indústria requer cada vez mais processos dinâmicos e eficientes, dentre os quais a gestão de cronograma. Diante desse panorama, o estudo objetivou o planejamento de cronograma para a definição de válvulas em projetos, através da ferramenta MS Project. A pesquisa realizou-se por meio de um estudo de caso, cujo escopo foi a definição das válvulas para um tanque de armazenamento na indústria química. Desenvolveu-se a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), as atividades do cronograma e suas relações de precedência e sucessão. Consideraram-se as durações das atividades e realizou-se a alocação e análise de recursos, obtendo-se o cronograma. A partir dele, construíram-se o gráfico de Gantt, o diagrama “Activity-On-Node” e o diagrama de caminho crítico. Os resultados obtidos revelaram que o cronograma desenvolvido constituiu uma aplicação efetiva na gestão das atividades, mostrando-se uma ferramenta adequada para a estruturação e organização do escopo, dos recursos e do caminho crítico.

Palavras-chave: Análise de caminho crítico; ferramentas de gestão; projetos industriais.

1. Introdução

A indústria química brasileira representa um setor de grande impacto no cenário nacional. Em 2024, este setor movimentou 158,6 bilhões de dólares, correspondendo a 11% do Produto Interno Bruto industrial e ocupando a sexta colocação mundial, conforme dados do Conselho Federal de Química (Collodetti, 2025). O setor é caracterizado por constantes inovações, impulsionadas pelo avanço da Indústria 4.0 e pela aplicação da Internet das Coisas (IEDI, 2019).

As inovações atuais não se restringem apenas à evolução de produtos, estendendo-se também aos avanços e transformações em serviços e processos (Johansson, 2006). Em um setor onde os projetos são inerentemente complexos e podem ter durações de anos, como é comum na engenharia química (Wall, 2009), torna-se fundamental acompanhar esse dinamismo global.

O ritmo acelerado do avanço tecnológico exige que as empresas desenvolvam uma capacidade de resposta cada vez mais rápida para manter sua competitividade no mercado (CNI, 2020). Nesse contexto, o gerenciamento de projetos surge como uma solução eficaz para lidar com ambientes em constante transformação e crescente competitividade (Kerzner, 2001). A gestão eficiente de projetos é crucial para garantir o sucesso das entregas e da operação em um setor tão inovador e com projetos complexos.

Dentre as diversas áreas do gerenciamento de projetos, a gestão do cronograma é um modelo essencial que define a execução das atividades, suas durações e dependências (PMI, 2021). O gerenciamento de cronograma proporciona uma visão abrangente do projeto, incluindo tarefas, prazos, possíveis antecipações e caminhos críticos. Ele não apenas organiza o projeto, mas também centraliza recursos e prazos em um único documento, facilitando a visualização e a gestão (Cavalcanti e Silveira, 2016). Adicionalmente, permite a identificação antecipada de problemas, possibilitando a tomada de ações e a redução de riscos a níveis aceitáveis (Kerzner, 2001). Assim, a gestão de projetos e, em particular, a gestão do cronograma, são indispensáveis na indústria química.

Em projetos da indústria química, a seleção de válvulas constitui uma atividade técnica de grande relevância. Válvulas são componentes cruciais posicionados em sistemas onde há vazão de fluidos ou pressão, que têm como objetivo regular tal vazão ou pressão, seja por bloqueio, controle, desvio de fluxo, prevenção de fluxo reverso ou alívio de pressão (Smith e Zappe, 2004). Além de controlar fluidos e pressão, as válvulas garantem a performance, rentabilidade, eficiência e, principalmente, a segurança da operação da planta (Relevant, n.d.). Esta atividade é crítica não só do ponto de vista operacional e de segurança, mas também em termos de tempo de projeto, pois o projeto do sistema de tubulação, que inclui a definição de válvulas, pode consumir entre vinte e vinte e cinco por cento do total de homens-hora da engenharia (VMA, 2019).

Diante da complexidade e da criticidade dessa etapa, a aplicação de ferramentas de gestão de projetos torna-se fundamental para otimizar o processo. Dessa forma, o objetivo desta pesquisa é o desenvolvimento de cronograma para a definição e seleção de válvulas em um tanque de armazenamento, equipamento amplamente utilizado na indústria química, visando a aplicação da gestão de projetos em uma atividade recorrente e de grande importância para a indústria química, visto que as válvulas escolhidas definem o sucesso do controle e da segurança desses equipamentos.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi desenvolvida como um estudo de caso, adotando abordagem metodológica mista (qualitativa-quantitativa) e exploratória. O objetivo central foi o planejamento de cronograma para a definição e seleção de válvulas em projetos, com foco em um tanque de armazenamento na indústria química, utilizando a ferramenta MS Project.

Para a coleta de dados, empregaram-se pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e observação participante. A bibliografia fundamentou-se em literatura técnica e obras consolidadas de engenharia, incluindo Telles (2001), Smith e Zappe (2004), e o guia PMBOK® (PMI, 2021). A pesquisa documental utilizou documentos técnicos, relatórios e padrões de uma empresa do ramo de projetos de engenharia química.

A observação participante foi realizada por envolvimento ativo na mesma empresa, no departamento de engenharia de processos, durante o ano de 2025. O desenvolvimento do cronograma iniciou-se com a definição do escopo do projeto, etapa fundamental para a estruturação das atividades, conforme o modelo do Triângulo de Ferro (PMI, 2021).

Para este estudo, o escopo limitou-se à elaboração da Estrutura Analítica do Projeto (EAP), ou Work Breakdown Structure (WBS). A EAP foi desenvolvida como decomposição hierárquica do escopo, visando a compreensão dos objetivos, entregas e do trabalho necessário (PMI, 2021). O foco da EAP foi a definição e seleção de válvulas para tanques de armazenamento, contemplando requisitos técnicos da gestão de projetos e da engenharia industrial.

A construção da EAP foi dividida em fases metodológicas sequenciais. A “Iniciação” estabeleceu premissas e alinhamentos com o cliente. A “Caracterização do processo” envolveu a análise das propriedades do fluido e parâmetros operacionais, além da avaliação do tanque. A “Seleção preliminar das válvulas” definiu a necessidade e posição das válvulas, com cálculos específicos para válvulas de controle, considerando compatibilidade de material, temperatura, pressão e estanqueidade (Telles, 2001).

A “Avaliação de segurança e regulamentações” incluiu a análise das válvulas selecionadas em relação aos requisitos de segurança da planta, com avaliação no contexto do Hazard and Operability Study (HAZOP) e verificação de conformidade com normas e padrões (API, ASME, ISO). A “Revisão com o cliente” consistiu na apresentação das definições para validação e correções. Por fim, o “Suporte à compra e instalação” envolveu o alinhamento com a equipe de compras para a aquisição das válvulas.

Com o escopo detalhado na EAP, definiram-se as atividades específicas do cronograma, suas interdependências e sequenciamento, utilizando o método de precedência Término-a-Início. Cada entrega da EAP foi convertida em uma atividade, e a ordem foi estabelecida com base nas dependências de informações e marcos do projeto.

A definição das durações e recursos do cronograma considerou dois engenheiros de processos e o time de compras, classificados como recursos fixos. A duração de cada atividade foi calculada pela razão entre o esforço total, em homens-dia, e os recursos alocados, em homem. A estimativa da duração inicial das atividades baseou-se na técnica de opinião especializada, complementada pela observação participante e pesquisa documental.

Após a alocação de recursos, verificou-se a ocorrência de super-alocação em algumas atividades. Para resolver essa questão, realizou-se a realocação de recursos, ajustando as datas no cronograma para garantir a viabilidade da execução. Atividades que compartilhavam o mesmo recurso foram sequenciadas para evitar sobreposição, como a caracterização do fluido e a caracterização do tanque.

Para a representação visual do cronograma e das relações de precedência, desenvolveram-se diagramas específicos. O Activity-On-Node (AON) demonstrou a rede de atividades, onde cada nó representou uma atividade e as setas indicaram as relações entre elas (Kramer e Jenkins, 2006). Em conjunto, o Critical Path Method (CPM) detalhou o caminho crítico do projeto, determinado a partir das datas de início e término mais cedo e mais tarde das atividades, e da folga entre elas. Atividades com folga igual a zero foram definidas como críticas, e sua sequência representou o caminho crítico no diagrama CPM. A construção do cronograma e a geração dos diagramas foram realizadas utilizando o software MS Project.

3. Resultados e Discussão

O desenvolvimento do cronograma para a definição e seleção de válvulas em projetos industriais, conforme o objetivo deste estudo, iniciou-se com a elaboração da Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Esta etapa foi fundamental para a estruturação do escopo, permitindo uma análise prévia das atividades necessárias e limitando o trabalho apenas aos elementos essenciais. A EAP não se restringiu a aspectos puramente técnicos, mas também englobou fases cruciais de iniciação e finalização, que envolvem a interação com o cliente e diversas equipes, garantindo uma base sólida para a construção de todas as ações subsequentes do projeto.

A EAP foi organizada em seis fases principais, começando pela “Iniciação”, que estabeleceu as premissas do projeto e alinhou as expectativas entre os responsáveis e o cliente por meio de um “kick-off”. Este alinhamento inicial é crucial para evitar o “scope creep” e garantir uma relação de trabalho efetiva (Abramovici, 2000; Hamburger, 1992). Foram definidos o escopo do projeto, relativo ao trabalho de entrega, e o escopo do produto, que detalha as características do resultado, ou seja, a definição das válvulas (PMI, 2021). Durante o “kick-off”, foram alinhadas a região de interesse, as delimitações, a filosofia de operação e o estudo do diagrama de processo para compreender o contexto geral.

A segunda fase, “Caracterização do processo”, envolveu a análise das propriedades físico-químicas do fluido, como estado físico, corrosividade, pH, viscosidade, presença de sólidos suspensos, densidade e pressão de vapor, conforme listado pela Valve Manufacturers Association (VMA, n.d.) e Bray (2024). Também foram avaliados parâmetros operacionais como vazão de processo, diâmetro e material da tubulação, temperaturas e pressões máximas e mínimas, e necessidades específicas como fechamento estanque, operação frequente e controle remoto (Telles, 2001). A análise do tanque inserido no sistema também foi realizada, considerando sua operação geral e pressão, o que pode influenciar a necessidade de válvulas de regulagem e alívio. Essas análises garantem a seleção de válvulas seguras e com desempenho adequado (Relevant, n.d.).

Na fase de “Seleção preliminar das válvulas”, a partir dos dados e conclusões das etapas anteriores, foi possível definir a necessidade e a posição de todas as válvulas. Para as válvulas de controle, foi necessário realizar cálculos específicos, sendo o coeficiente de vazão (Cv) um dos parâmetros principais. Este coeficiente é calculado pela razão entre a vazão de fluido e a raiz quadrada da divisão do diferencial de pressão pela gravidade específica do fluido. Com essas informações, foram definidos os tipos de válvulas (bloqueio, controle, retenção e pressão), considerando pré-requisitos como compatibilidade de material, limitações de temperatura e pressão, corrosão, vazão, diâmetro e estanqueidade (Telles, 2001). A emissão da lista preliminar de válvulas e seus “datasheets” e a atualização dos diagramas de processo foram resultados diretos desta fase.

A quarta fase, “Avaliação de segurança e regulamentações”, focou na verificação da conformidade das válvulas selecionadas com os requisitos de segurança da planta. Realizou-se uma avaliação no contexto do Hazard and Operability Study (HAZOP), um estudo estruturado para identificar riscos à segurança, saúde e meio ambiente, e problemas operacionais (Crawley e Tyler, 2015). Além disso, a análise de regulamentações e padrões, como os da American Petroleum Institute (API), American Society of Mechanical Engineers (ASME) e International Organization for Standardization (ISO), certificou que as válvulas estavam de acordo com as normas de qualidade, segurança e meio ambiente (Relevant, n.d.). Esta fase culminou na complementação e eventuais modificações das válvulas após as validações de segurança.

As fases finais da EAP incluíram a “Revisão com o cliente”, onde as definições das válvulas foram apresentadas para validação e eventuais correções, e o “Suporte à compra e instalação”, que envolveu o alinhamento com a equipe de compras para a obtenção de orçamentos e a efetivação da compra das válvulas. A EAP detalhada, ao agir como base, permitiu a construção de todas as ações necessárias para o desenvolvimento do projeto, garantindo que cada entrega da EAP se traduzisse em uma atividade específica no cronograma.

A partir do escopo especificado na EAP, as atividades detalhadas do cronograma foram definidas no MS Project, juntamente com suas interdependências e sequenciamento. O método de precedência Término-a-Início foi adotado como padrão para a construção do cronograma. Foram estabelecidos marcos importantes do projeto, que, embora não exijam trabalho ou recursos alocados, servem como pontos de verificação cruciais para o monitoramento do avanço. O marco inicial foi a aprovação do diagrama de processo em 1º de janeiro de 2026, seguido pela primeira emissão da lista de válvulas 15 dias após, o início do HAZOP um mês após a emissão da lista, e a segunda emissão da lista de válvulas após as correções necessárias.

Outros marcos importantes incluíram a compra das válvulas finalizada, que ocorreu 30 dias após o início do processo de compra com fornecedores, o recebimento das válvulas dois meses após a compra, e a instalação das válvulas em campo, prevista para um ano após a aprovação do diagrama de processo. Esses marcos, com duração de “zero dias”, auxiliam na visualização e monitoramento do projeto, contextualizando a entrega da seleção de válvulas dentro do ciclo de vida de um projeto de planta química, conforme as informações obtidas.

Para a definição das durações e alocação de recursos no cronograma, considerou-se que um dia de trabalho equivale a oito horas. Os recursos foram definidos como “Engenheiro de processos 1”, “Engenheiro de processos 2” e “Compras”, todos com 100% de capacidade máxima de trabalho (oito horas diárias) e do tipo “Trabalho”. A duração de uma atividade (D) foi calculada dividindo o esforço total do trabalho em homens-dia (Et) pelos recursos alocados (Ra), ou seja, D = Et / Ra. A estimativa da duração inicial das atividades foi realizada pela técnica de “opinião especializada”, fundamentada na pesquisa documental e observação participante.

Com a duração inicial estimada, os recursos foram alocados para determinar a duração final e real das atividades, considerando a disponibilidade de recursos. No cronograma inicial, observou-se uma super-alocação de recursos para o Engenheiro de processos 1 nas atividades “Realizar a caracterização do fluido” e “Realizar a caracterização do tanque”. Ambas as atividades, dependentes da atividade de caracterização do processo, estavam programadas para ocorrer em paralelo, o que resultava no engenheiro trabalhando a 200% de sua capacidade, tornando o cronograma inviável.

Para resolver a super-alocação, as datas do cronograma foram ajustadas, de modo que a atividade “Realizar a caracterização do tanque” passou a se iniciar somente após a finalização da atividade “Realizar a caracterização do fluido”, uma vez que ambas utilizavam o mesmo recurso. Essa alteração garantiu um cronograma viável, com a alocação de recursos coerente e sem sobreposição de trabalho para o mesmo especialista. O cronograma revisado refletiu essa sequencialização necessária, ajustando as datas de início e término das atividades afetadas.

Com as atividades, durações, recursos e predecessoras definidas e ajustadas, foi possível gerar o gráfico de Gantt. Esta ferramenta permitiu uma visualização clara do cronograma, facilitando tanto a construção quanto o monitoramento. O gráfico exibiu as datas no calendário, a duração de cada atividade e a identificação por etapas dos conjuntos de atividades, proporcionando uma visão abrangente do planejamento do projeto. A capacidade de adaptação do gráfico para fornecer informações auxiliares foi explorada para otimizar a clareza.

Adicionalmente, foram desenvolvidos o diagrama “Activity-On-Node” (AON) e o diagrama “Critical Path Method” (CPM). O diagrama AON representou a rede de atividades, com cada nó simbolizando uma atividade e as setas indicando as relações de precedência (Kramer e Jenkins, 2006). O CPM, por sua vez, detalhou o caminho crítico, que é a sequência de atividades sem folga, cuja duração total é igual à duração total do projeto. Qualquer atraso em uma atividade crítica impacta diretamente a data de finalização do projeto (Kramer e Jenkins, 2006).

A análise do caminho crítico revelou um impacto significativo após o ajuste na alocação de recursos. Inicialmente, o caminho crítico passava pelas atividades de “kick-off” e “análise do diagrama de processo”, seguindo para a “caracterização da operação” e “caracterização do tanque”, com ambas as últimas atividades tendo duração de dois dias. Nesse cenário, a data de finalização do projeto era o dia de número 49 após o início. Com a mudança na sequencialização das atividades de caracterização do fluido e do tanque, o caminho crítico foi alterado. Agora, ele passou a incluir as atividades “Realizar a caracterização do fluido” e “Realizar a caracterização do tanque” em sequência, totalizando três dias para essas duas atividades, em vez de dois dias em paralelo. Consequentemente, a data de finalização do projeto foi postergada para o dia de número 50 após o início. Este resultado demonstrou a importância da gestão de recursos na construção do caminho crítico e na duração total do projeto, evidenciando a sensibilidade do cronograma a uma alocação de recursos correta e prévia.

Em síntese, o planejamento do cronograma para a definição de válvulas, utilizando a ferramenta MS Project, mostrou-se uma aplicação efetiva na gestão de projetos industriais. O desenvolvimento da EAP foi crucial para estruturar o escopo e definir as atividades e suas precedências, enquanto a análise do caminho crítico e a gestão da alocação de recursos revelaram-se indispensáveis para a determinação precisa da duração do projeto. A ferramenta permitiu a visualização e o monitoramento das atividades, identificando pontos críticos e otimizando a distribuição de recursos, o que é fundamental para a performance e segurança em projetos da indústria química.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou o planejamento de cronograma para a definição e seleção de válvulas em um tanque de armazenamento na indústria química, visando otimizar uma atividade técnica de grande relevância. Para tanto, desenvolveu-se a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), que se mostrou fundamental para a estruturação do escopo e a definição das atividades, abrangendo desde a iniciação até o suporte à compra e instalação. Verificou-se que a elaboração detalhada das atividades no MS Project, com suas interdependências e sequenciamento, permitiu uma visão clara do fluxo do projeto. Observou-se a importância da alocação de recursos e da estimativa de durações, que, ao serem ajustadas para resolver uma super-alocação identificada, alteraram o caminho crítico e a duração total do projeto de 49 para 50 dias. A construção do gráfico de Gantt, do diagrama Activity-On-Node e do diagrama de caminho crítico evidenciou a capacidade da ferramenta em fornecer uma representação visual abrangente e analítica do planejamento.

A principal contribuição deste trabalho reside na aplicação prática e técnica da gestão de projetos a uma etapa crítica e recorrente da engenharia química, a definição de válvulas, demonstrando como o planejamento de cronograma pode aprimorar a performance e a segurança operacional de uma planta. A ferramenta MS Project revelou-se um recurso viável e tecnicamente enriquecedor, facilitando a construção de um cronograma complexo e a análise de alocação de recursos para um planejamento coerente. Para estudos futuros, sugere-se a complementação do monitoramento do cronograma por meio de indicadores de desempenho de prazos, como o Índice de Desempenho de Prazos (SPI), e a integração com a gestão de custos, incluindo a análise da curva S. Tais abordagens poderiam expandir o estudo para uma visão integrada do ciclo de vida dos projetos, oferecendo uma perspectiva ainda mais abrangente sobre o gerenciamento de projetos industriais.

Referências Bibliográficas

Collodetti, G. 2025. Indústria química brasileira é destaque mundial. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2025.

Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial [IEDI]. 2019. A indústria do futuro no Brasil e no mundo. P. 4 – 6. Disponível em: . Acesso em: 29 set. 2025.

Johansson, F. 2006. The Medici Effect: What elephants and epidemics can teach us about innovation. Harvard Business School Press, Boston, Massachusetts, EUA.

Wall, K. 2009. Complexity of chemical products, plants, processes and control systems. School of Chemical Engineering and Analytical Science, University of Manchester. Chemical Engineering Research and Design 87(10): 1430-1437.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Plataformas Digitais como Indutoras do Reengajamento Presencial em Clubes Esportivos

A redução do comparecimento presencial de associados em clubes esportivos sem fins lucrativos configura um desafio recorrente. Investigou-se como plataformas digitais podem induzir o reengajamento presencial, analisando o papel do planejamento e da comunicação digital, a influência da sociabilidade e do pertencimento, a contribuição da memória afetiva mediada digitalmente e o efeito de mecanismos de reconhecimento simbólico, como a gamificação. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, que incluiu entrevistas qualitativas apoiadas por um Produto Mínimo Viável (MVP) para elicitação discursiva, e um questionário quantitativo para triangulação dos dados. A análise de conteúdo identificou quatro dimensões centrais: planejamento e conveniência, sociabilidade e pertencimento, memória afetiva e reconhecimento simbólico. Os resultados sugeriram que a mediação digital pode favorecer o comparecimento presencial, embora seus efeitos dependam de fatores contextuais e não se apresentem de forma linear. Concluiu-se que o reengajamento presencial é um processo multidimensional mediado por dinâmicas funcionais, relacionais e simbólicas que se reforçam mutuamente. Contribuiu-se com um modelo interpretativo e a discussão da ambivalência da mediação digital, indicando que ela não substitui a interação presencial e é influenciada por condições contextuais e individuais.

Palavras-chave: Análise de conteúdo; Clubes esportivos; Engajamento digital; Plataformas digitais; Reengajamento presencial.

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