Artigo

13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica Até 2044

Michelli Okada; Nícolas Volgarine Scaraboto

DOI: 10.22167/2675-6528-202603295

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

1. Introdução

O Japão, um país com uma rica herança cultural, enfrenta atualmente um complexo desafio demográfico caracterizado pelo envelhecimento de sua população e por uma baixa taxa de natalidade (Nakatani, 2023). Essa dinâmica impõe pressões significativas sobre a estrutura social e econômica do país.

Em 2024, a população total japonesa foi de 123,84 milhões de habitantes, representando uma queda de 0,51 milhões em comparação com o ano anterior. A taxa de fecundidade atingiu um recorde mínimo de 1,30 filhos por mulher (IPSS, 2024). Além disso, cerca de 29,4% da população é composta por indivíduos com mais de 65 anos, classificando o país como hiper-envelhecido (Statistical Handbook of Japan, 2024). Este cenário resulta em uma redução da população ativa, impactando diretamente o crescimento econômico (United Nations, 2024).

Para mitigar o declínio populacional e suprir a escassez de mão de obra, o governo japonês tem implementado políticas para incentivar a imigração estrangeira. Programas como o Specified Skilled Worker (SSW) ampliaram as possibilidades de permanência e renovação de visto para trabalhadores qualificados, permitindo, em algumas categorias, a transição para residência de longo prazo (Ministério das Relações Exteriores do Japão, 2026). Essas iniciativas são parte de uma estratégia governamental para enfrentar a escassez de trabalhadores em setores econômicos estratégicos. A taxa de imigrantes cresceu aproximadamente 40% na última década, alcançando 4,38 milhões em 2024 (OCDE, 2024). Embora os imigrantes representem cerca de 2,5% da população residente, seu número tem aumentado de forma significativa, destacando a relevância da imigração para os desafios demográficos do país (Ministério da Justiça do Japão, 2024).

Contudo, ainda não está claro se a expansão da imigração constitui uma transformação estrutural capaz de reverter a trajetória de declínio populacional. Estudos clássicos sugerem que, embora a imigração possa atenuar temporariamente a redução da população economicamente ativa, seus efeitos sobre o crescimento populacional agregado são limitados quando os níveis de fecundidade permanecem persistentemente abaixo da reposição (Coleman, 2006; Lutz, Sanderson & Scherbov, 2008). Adicionalmente, evidências empíricas indicam que, com o tempo, imigrantes tendem a convergir aos padrões reprodutivos da sociedade de destino, diminuindo o impacto potencial sobre a natalidade (Massey et al., 1993; Ogawa et al., 2016).

A dinâmica da fecundidade, por sua vez, não pode ser compreendida exclusivamente por fatores demográficos ou culturais. A decisão de ter filhos envolve restrições econômicas, como os custos diretos de criação e educação, a disponibilidade de serviços de cuidado e o custo de oportunidade associado à participação no mercado de trabalho. Na perspectiva econômica da família, as decisões reprodutivas são influenciadas por restrições de recursos e tempo (Becker, 1960; Becker; Lewis, 1973). No contexto japonês, os custos associados à educação dos filhos, moradia e a dificuldade de conciliar trabalho e família são obstáculos à formação familiar (OECD, 2024a). Evidências recentes para o Japão reforçam essa perspectiva, mostrando que a expansão da capacidade das creches públicas está associada ao aumento da taxa de natalidade (Fukai e Toriyabe, 2025). Modelos econômicos dinâmicos também demonstram que políticas de cuidado infantil podem afetar simultaneamente as decisões de fecundidade e a oferta de trabalho materna (Sakamoto, 2025).

Paralelamente, a contribuição da imigração para o mercado de trabalho japonês é crescente, mas sua eficácia depende das condições de integração. O envelhecimento populacional e a redução da oferta de trabalhadores levaram a mudanças nas políticas de recrutamento de mão de obra estrangeira (OECD, 2024b). No entanto, barreiras linguísticas e diferenças nas práticas do mercado de trabalho podem limitar a integração e a mobilidade ocupacional dos imigrantes, sendo a proficiência em japonês um requisito importante em grande parte do mercado de trabalho (OECD, 2024b).

Nesse sentido, a relação entre o crescimento da imigração e o declínio populacional japonês configura uma questão empírica ainda aberta, especialmente quando analisada sob a ótica de modelos quantitativos e preditivos de longo prazo. A ausência de estudos que articulem séries históricas recentes com projeções futuras limita a compreensão sobre se a imigração constitui um mecanismo estrutural de reversão demográfica ou apenas uma resposta conjuntural à escassez de mão de obra.

Diante desse contexto, o presente estudo busca contribuir para o debate acadêmico e para a formulação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade demográfica do Japão. Para isso, o objetivo é analisar, por meio de modelos de séries temporais, a dinâmica entre o crescimento da imigração e o declínio populacional no Japão, projetando cenários demográficos até o ano de 2044. Serão empregados os modelos ARIMA (AutoRegressive Integrated Moving Average) e Prophet, amplamente utilizados na literatura para previsão de séries temporais econômicas e demográficas (Hyndman & Athanasopoulos, 2021; Taylor & Letham, 2018), integrando análise histórica, modelagem preditiva e exame das correlações entre variáveis demográficas e causalidade.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem quantitativa e preditiva para analisar a dinâmica entre o crescimento da imigração e o declínio populacional no Japão, projetando cenários demográficos até 2044. A metodologia foi estruturada em três etapas: análise exploratória e preparação de séries históricas; modelagem preditiva com ARIMA e Prophet; e análise estatística das relações entre variáveis demográficas.

Os dados históricos foram obtidos de fontes oficiais. Informações sobre o número de imigrantes residentes no Japão (2014-2024) foram extraídas da Agência de Serviços de Imigração do Japão (2024). Dados sobre crescimento populacional e população total (2003-2023) foram coletados do Banco Mundial (2023).

A base de dados migratória (2014-2024) consistiu em 201 observações e 36 variáveis, incluindo continentes, países, valor total da migração, sexo e faixas etárias (0 a 80 anos). A base populacional (1960-2023) continha 267 observações e 68 variáveis, como país, códigos de indicador e anos.

Na etapa de análise exploratória, as planilhas migratórias, originalmente em japonês, foram traduzidas e concatenadas. Os dados populacionais foram filtrados para 2003-2023. Em ambos os conjuntos, verificou-se a existência de valores ausentes e inconsistências para garantir a qualidade da base (Hyndman e Athanasopoulos, 2018).

Para visualização gráfica, utilizaram-se as bibliotecas Matplotlib e Seaborn da linguagem Python. Geraram-se gráficos de linha para evolução populacional e imigratória, e mapas de calor para distribuição etária dos imigrantes. Calcularam-se estatísticas descritivas (média, mediana, dispersão e posição) para sintetizar as tendências das séries.

A modelagem preditiva empregou os modelos de séries temporais ARIMA (Box e Jenkins, 1976; Hyndman e Athanasopoulos, 2021) e Prophet (Taylor e Letham, 2018). O ARIMA analisou autocorrelações e padrões históricos, enquanto o Prophet capturou tendências não lineares. A escolha conjunta visou a complementaridade e maior confiabilidade das projeções.

As bases de dados foram estruturadas com uma variável temporal (ds) e uma variável alvo (y). Para a análise populacional, os dados foram divididos em treino (2003–2019) e teste (2020–2023). Para a imigração, a divisão foi em treino (2014-2022) e teste (2023–2024).

Os dados imigratórios, obtidos em formatos heterogêneos, exigiram tradução, padronização e consolidação manual. Isso restringiu a série imigratória a 2014-2024, limitando o período de teste a dois anos (2023–2024). Os modelos foram calibrados e validados usando métricas como MAPE e MAE (Hyndman e Athanasopoulos, 2018).

Com base nos modelos ajustados, realizaram-se projeções futuras para os próximos 20 anos. Em seguida, efetuou-se uma visualização gráfica comparativa da proporção entre a população japonesa e imigrantes. Para complementar, analisaram-se as relações entre taxa de fertilidade, população idosa e imigração total, com dados do Banco Mundial (2014-2023).

A avaliação das relações lineares entre as variáveis foi conduzida pelo coeficiente de correlação de Pearson (r). Para investigar precedência temporal, aplicou-se o teste de causalidade de Granger (Granger, 1969), considerando uma defasagem anual. Avaliaram-se as direções população para imigração e imigração para população, e os testes foram repetidos utilizando as primeiras diferenças das séries.

A utilização de apenas uma defasagem anual no teste de Granger foi determinada pelo reduzido número de observações (2014-2023, dez observações). Os resultados dos testes foram interpretados de maneira exploratória, sem inferir causalidade definitiva. Todas as etapas metodológicas foram implementadas utilizando a linguagem de programação Python, com bibliotecas como Pandas, NumPy, Statsmodels, Seaborn, Matplotlib e Scikit-learn. O ambiente de desenvolvimento foi o Google Colaboratory (Carneiro et al., 2018).

3. Resultados e Discussão

A análise das tendências demográficas japonesas e a projeção de sua evolução até 2044 revelaram um cenário complexo, caracterizado por um declínio populacional persistente e um crescimento contínuo do contingente de imigrantes. Os resultados obtidos por meio dos modelos de séries temporais ARIMA e Prophet, juntamente com a análise de correlação e causalidade, permitiram uma compreensão aprofundada das dinâmicas subjacentes a esses movimentos. Embora a imigração se mostre um fator mitigador para a escassez de mão de obra, as evidências sugerem que, isoladamente, ela não é suficiente para reverter a trajetória de envelhecimento e redução da população japonesa.

Estatística descritiva dos dados

A análise exploratória dos dados de imigração, abrangendo o período de 2014 a 2024, destacou a Ásia como a principal origem dos imigrantes no Japão, com volumes próximos a 4 milhões de pessoas em anos recentes. Essa predominância reflete a proximidade geográfica, laços históricos e as demandas específicas do mercado de trabalho japonês (Shiraishi, 2019). A América do Sul aparece em segundo lugar, com aproximadamente 300 mil imigrantes, enquanto a África e a Oceania registraram volumes marginais, inferiores a 50 mil pessoas.

Observou-se uma queda abrupta no fluxo migratório entre 2020 e 2021, atribuída aos efeitos da pandemia de COVID-19, que impôs restrições de viagens, fechamento de fronteiras e resultou em demissões ou retorno de imigrantes aos seus países de origem. Contudo, uma recuperação significativa foi verificada em 2022 e 2023, possivelmente impulsionada pela flexibilização das políticas migratórias pós-pandemia. Esses padrões indicam a sensibilidade dos fluxos migratórios a eventos globais e a respostas políticas.

A distribuição etária dos imigrantes revelou que a população estrangeira no Japão é predominantemente jovem e economicamente ativa. As faixas etárias de 21 a 35 anos concentraram os maiores volumes de imigrantes, com um crescimento contínuo ao longo da década analisada. Esse perfil sugere uma forte associação da imigração com programas de trabalho temporário, oportunidades em setores com escassez de trabalhadores locais e a permanência de estudantes universitários e estagiários após a graduação (Liu-Farrer, 2020).

A presença de crianças imigrantes (0 a 15 anos) mostrou-se estável, com um leve crescimento, indic indicando a ocorrência de imigração familiar, embora em menor proporção. Essa estabilidade contrasta com o rápido crescimento das faixas etárias mais ativas, reforçando a percepção de que a imigração é majoritariamente impulsionada pela demanda por mão de obra em setores específicos da economia japonesa.

Em relação à evolução demográfica geral do Japão, os dados históricos de 2003 a 2023 evidenciaram um padrão de declínio populacional contínuo. A população máxima registrada foi de 128,1 milhões em 2010, seguida por uma queda constante que atingiu 124,5 milhões em 2023. Essa redução de aproximadamente 3,6 milhões de habitantes em 15 anos sublinha a gravidade da crise demográfica do país, impulsionada por uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, com média de 1,3 filhos por mulher (IPSS, 2024).

O envelhecimento populacional também é um fator crítico, com cerca de 29,4% da população acima de 65 anos, classificando o Japão como um país hiper-envelhecido (Statistical Handbook of Japan, 2024). Eventos como o terremoto, maremoto e acidente nuclear de 2011 (Zheng et al., 2022), e a pandemia de COVID-19 em 2020, podem ter acelerado as tendências de declínio populacional já existentes, intensificando a pressão sobre a força de trabalho e o sistema de seguridade social.

As estatísticas descritivas da população japonesa, no período de 2003 a 2023, indicaram uma mediana de 127,14 milhões de habitantes. Contudo, os anos mais recentes (2021-2023) registraram valores abaixo do primeiro quartil, posicionando a população atual entre os 25% menores registros da série histórica. Essa variação total de 3,55 milhões de habitantes em 20 anos ressalta a magnitude do declínio demográfico e a urgência de políticas públicas eficazes.

Em contraste, a imigração total apresentou um crescimento acelerado no mesmo período. A média anual de imigrantes foi de 2,83 milhões, com a mediana ligeiramente superior, em 2,96 milhões, indicando que os volumes mais altos se concentraram nos anos recentes. Esse crescimento foi particularmente intenso a partir de 2020, com o número de imigrantes atingindo um recorde de 4,39 milhões em 2024, o que demonstra uma mudança significativa no ritmo de entrada de estrangeiros no país.

A análise por grupos etários dos imigrantes em 2023 revelou que a faixa de 0 a 20 anos representava 12,7% do total, com uma média anual de 84.349 imigrantes. A faixa de 21 a 40 anos foi a mais dominante, correspondendo a 52,3% do total, com uma média de 263.494 imigrantes e um crescimento de 78,4% desde 2014. O grupo de 41 a 60 anos, por sua vez, registrou uma média de 189.459 imigrantes, com uma distribuição menos concentrada, reforçando o perfil jovem da população imigrante em contraste com o envelhecimento da população nativa.

Modelagem preditiva

Dados populacionais

A modelagem preditiva da população japonesa com o modelo Prophet, utilizando dados de 2003 a 2019 para treino e 2020 a 2023 para teste, projetou uma estimativa de 115,28 milhões de habitantes em 2044. O intervalo de confiança de 95% para essa projeção variou entre 109,85 e 120,30 milhões. A acurácia do modelo foi avaliada com um Erro Absoluto Médio (MAE) de 0,185 milhões e um Erro Percentual Absoluto Médio (MAPE) de 0,15%, indicando um bom ajuste aos dados históricos e reforçando a tendência de queda populacional nas próximas décadas.

O modelo ARIMA, por sua vez, foi aplicado após a identificação da necessidade de duas diferenciações (d=2) para estabilizar a série populacional, devido à ausência de estacionariedade. Treinado com dados de 2003 a 2019 e testado de 2020 a 2023, o modelo ARIMA(1,2,1) foi selecionado com base no Critério de Informação de Akaike (AIC). Este modelo projetou um valor central de 111,82 milhões de habitantes em 2044, com um intervalo de confiança de 95% entre 98,95 e 124,69 milhões. Os resultados de acurácia foram MAE de 0,234 milhões e MAPE de 0,18%, ligeiramente inferiores aos do Prophet.

Dados imigratórios

Para a série imigratória, o modelo Prophet, treinado com dados de 2014 a 2022 e testado de 2023 a 2024, projetou um crescimento contínuo do número de imigrantes no Japão, atingindo aproximadamente 15,18 milhões em 2044. A taxa anual média de crescimento estimada foi de 7,68%. A acurácia do Prophet para a imigração foi de MAE de 0,115 milhões e MAPE de 2,48% no período de teste. Essa projeção reflete a expectativa de que a população imigrante continuará a crescer, impulsionada por políticas migratórias mais flexíveis e pelo envelhecimento da população japonesa.

Entretanto, a projeção do Prophet para a imigração deve ser interpretada com cautela, pois o cenário político japonês passou por mudanças significativas a partir do segundo semestre de 2025, com a adoção de uma orientação mais restritiva em relação à imigração (The Japan Times, 2025; The Diplomat, 2025). Em fevereiro de 2026, a Agência de Serviços de Imigração do Japão estabeleceu critérios mais rigorosos para a concessão de residência permanente, incluindo requisitos adicionais de tempo mínimo de visto e regularidade fiscal (The Japan Times, 2026). Tais rupturas estruturais na trajetória de flexibilização migratória introduzem um grau adicional de incerteza nas projeções de longo prazo.

O modelo ARIMA(1,2,1) também foi aplicado à série de imigração, com treino de 2014 a 2022 e validação de 2023 a 2024. A projeção central para 2044 foi de 9,71 milhões de imigrantes, com um intervalo de confiança de 95% variando de -0,26 a 19,67 milhões. A acurácia do ARIMA para a imigração foi de MAE de 0,166 milhões e MAPE de 3,61%. A ordem de diferenciação (d=2) foi adotada para tornar a série estacionária, mas o reduzido número de observações disponíveis (apenas 10 anos) pode impactar a estabilidade das projeções e ampliar os intervalos de confiança, demandando cautela na interpretação dos resultados de longo prazo.

Comparação geral entre modelos

A comparação entre os modelos Prophet e ARIMA revelou que o Prophet apresentou melhor acurácia no curto prazo para ambas as séries, com MAE e MAPE inferiores aos do ARIMA. Para os dados populacionais, o Prophet obteve MAE de 0,185 milhões e MAPE de 0,15%, enquanto o ARIMA(1,2,1) registrou MAE de 0,234 milhões e MAPE de 0,18%. Para os dados imigratórios, o Prophet apresentou MAE de 0,115 milhões e MAPE de 2,48%, superando o ARIMA(1,2,1) com MAE de 0,166 milhões e MAPE de 3,61%.

Apesar da superioridade do Prophet em acurácia de curto prazo, sua confiabilidade nas projeções de longo prazo para a imigração é questionável devido aos intervalos de confiança com limites inferiores negativos, o que é estatisticamente impossível para uma contagem de pessoas. O intervalo de confiança do Prophet para a imigração em 2044 apresentou uma amplitude superior a 50 milhões, enquanto o ARIMA, embora também com um limite inferior negativo (-0,26 milhões), mostrou uma amplitude mais controlada. Para os dados populacionais, ambos os modelos mantiveram intervalos de confiança plausíveis, com o Prophet apresentando uma faixa mais estreita (109,85-120,30 milhões) em comparação ao ARIMA (98,95-124,69 milhões). A utilização conjunta de ambos os modelos, como adotado neste estudo, é recomendável por permitir uma complementaridade analítica, mitigando as limitações de cada um.

As projeções para 2044, tanto para a população quanto para a imigração, pressupõem a continuidade dos padrões históricos observados. No entanto, é fundamental reconhecer que mudanças nas políticas migratórias, condições econômicas, comportamento reprodutivo, avanços tecnológicos, crises internacionais ou alterações nas condições de integração dos estrangeiros podem produzir trajetórias futuras significativamente diferentes das projetadas. A curta extensão da série imigratória (2014-2024) e o período de teste limitado a dois anos (2023-2024) para a avaliação dos modelos imigratórios reduzem a capacidade de generalização e a robustez das conclusões sobre a superioridade de um modelo sobre o outro no longo prazo.

Correlação entre Variáveis Demográficas

A análise da matriz de correlação entre taxa de fertilidade, população idosa e imigração total, no período de 2014 a 2023, complementou as projeções, revelando relações importantes. Verificou-se uma forte correlação negativa (-0,83) entre a taxa de fertilidade e a população idosa, indicando que o aumento do contingente de idosos tende a ser acompanhado pela manutenção ou intensificação da baixa natalidade. Esse padrão corrobora a ideia de uma “segunda transição demográfica”, onde a fecundidade permanece abaixo do nível de reposição, ampliando a pressão sobre o equilíbrio etário da população (Lutz et al., 2008).

A correlação moderadamente negativa (-0,60) entre fertilidade e imigração sugere que o crescimento do contingente imigratório ocorreu paralelamente à manutenção de baixos níveis de fecundidade. Contudo, essa associação não permite inferir que o aumento da imigração cause a redução da fecundidade. Tal relação pode, na verdade, refletir tendências demográficas e econômicas simultâneas ou a influência de fatores não diretamente incorporados ao modelo, devendo ser interpretada como uma associação estatística e não como evidência de efeito causal.

A persistência da baixa fecundidade no Japão pode ser compreendida à luz de fatores econômicos e institucionais de longo prazo. A decisão de ter filhos envolve não apenas preferências individuais, mas também custos diretos de criação e educação, a disponibilidade de serviços de cuidado e os custos de oportunidade relacionados à participação no mercado de trabalho. A OECD (2024a) destaca que os custos associados à educação dos filhos, moradia e a dificuldade de conciliar trabalho e família são obstáculos significativos à formação familiar no contexto japonês (Becker, 1960; Becker & Lewis, 1973).

Evidências empíricas recentes para o Japão reforçam essa perspectiva, indicando que a expansão da capacidade das creches públicas está associada a aumentos na taxa de natalidade, especialmente para primeiros e segundos nascimentos (Fukai & Toriyabe, 2025). Além disso, modelos econômicos dinâmicos demonstram que políticas de cuidado infantil podem afetar simultaneamente as decisões de fecundidade e a oferta de trabalho materna (Sakamoto, 2025). Isso sugere que a disponibilidade de infraestrutura de cuidado pode reduzir as restrições enfrentadas pelas famílias para conciliar trabalho e parentalidade, e que as políticas de estímulo à natalidade devem ir além dos benefícios financeiros, focando na redução dos custos de tempo e nas dificuldades de conciliação.

Por outro lado, a forte correlação positiva (0,73) entre população idosa e imigração alinha-se com as projeções de aumento expressivo da entrada de imigrantes, principalmente como resposta às demandas do mercado de trabalho em setores críticos, como saúde e construção civil (Harper, 2016). Esse padrão reforça a interpretação de que a imigração, no contexto japonês, atua como uma medida paliativa para compensar a escassez de mão de obra decorrente do envelhecimento populacional, mas não como um instrumento direto de incentivo à natalidade.

A contribuição da imigração para o mercado de trabalho japonês, entretanto, deve ser analisada em conjunto com as condições de integração. A OECD (2024b) destaca que, embora o Japão tenha ampliado seus mecanismos de recrutamento de trabalhadores estrangeiros, a proficiência em japonês permanece uma barreira relevante. Pesquisas com empregadores indicam que habilidades linguísticas insuficientes são uma das principais dificuldades na contratação de estrangeiros, limitando a correspondência entre qualificação profissional e ocupação exercida.

Dessa forma, o impacto econômico da imigração não depende apenas do crescimento numérico do contingente estrangeiro, mas também da integração linguística, da mobilidade ocupacional e do reconhecimento das qualificações. Essas dimensões são particularmente relevantes para o Japão, onde características tradicionais do mercado de trabalho podem dificultar a integração de trabalhadores estrangeiros formados no exterior (OECD, 2024b). Ao articular as projeções quantitativas com as relações estatísticas observadas, constata-se que as tendências de envelhecimento populacional e declínio da fertilidade dificilmente serão revertidas apenas com o aumento da imigração, reforçando a necessidade de políticas públicas abrangentes voltadas ao estímulo à natalidade (Jones, 2024).

Teste de causalidade de Granger

Para aprofundar a análise da relação entre população e imigração, aplicou-se o teste de causalidade de Granger com uma defasagem anual, avaliando as duas direções. Na direção população para imigração, o teste apresentou uma estatística F de 2,3931 e um p-valor de 0,1728. Como o p-valor foi superior a 0,05, não foi rejeitada a hipótese nula de ausência de causalidade no sentido de Granger. Na direção inversa, imigração para população, obteve-se uma estatística F de 0,3036 e um p-valor de 0,6015, também sem rejeição da hipótese nula.

Os resultados indicam que, considerando uma defasagem anual, não foram encontradas evidências estatisticamente significativas de que os valores passados de uma variável contribuam para a previsão da outra. Mesmo ao aplicar o teste às primeiras diferenças das séries, os resultados permaneceram não significativos, com p-valores de 0,2444 para a direção população para imigração e 0,3059 para a direção inversa. Isso significa que a transformação das séries em variações anuais não alterou a conclusão principal.

A interpretação desses resultados deve ser particularmente cautelosa devido ao tamanho reduzido da amostra. O período comum entre as séries compreendeu apenas 2014 a 2023, totalizando dez observações anuais. Essa quantidade limitada de dados reduz os graus de liberdade e o poder estatístico dos testes, impedindo a identificação de relações temporais estatisticamente robustas. Assim, a ausência de significância não permite afirmar a inexistência de qualquer relação causal entre população e imigração, mas apenas que não foi encontrada evidência estatística suficiente para identificá-la na amostra analisada. Os resultados contribuem, portanto, para delimitar a interpretação causal do estudo, indicando que, embora a correlação negativa observada entre população e imigração aponte para trajetórias opostas, os testes de Granger não forneceram evidências de precedência temporal estatisticamente significativa.

Em síntese, os achados desta pesquisa demonstram que o Japão continuará a enfrentar um declínio populacional e um envelhecimento acentuado até 2044, apesar do crescimento projetado da imigração. A imigração, embora crucial para mitigar a escassez de mão de obra em setores específicos, não se configura como um mecanismo isolado capaz de reverter a trajetória demográfica. A baixa fecundidade, por sua vez, está intrinsecamente ligada a fatores econômicos e institucionais, como os custos de criação de filhos e a disponibilidade de serviços de cuidado infantil. Assim, a sustentabilidade demográfica do Japão dependerá de uma estratégia integrada que combine políticas de apoio à parentalidade e uma atração e integração eficaz de imigrantes, reconhecendo as limitações analíticas impostas pela extensão das séries históricas e a natureza univariada dos modelos.

4. Conclusão

O presente estudo analisou as tendências demográficas japonesas e projetou sua evolução até 2044, com foco nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Verificou-se a continuidade da redução populacional do Japão, com projeções indicando uma população de aproximadamente 115,28 milhões de habitantes em 2044 pelo modelo Prophet e 111,82 milhões pelo ARIMA. Paralelamente, observou-se um crescimento contínuo do contingente de imigrantes, projetado para atingir cerca de 15,18 milhões pelo Prophet e 9,71 milhões pelo ARIMA no mesmo período. A análise de correlação revelou uma forte associação negativa entre taxa de fertilidade e população idosa, e uma correlação positiva entre população idosa e imigração, sugerindo que a imigração atua como resposta ao envelhecimento. Contudo, os testes de causalidade de Granger não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência temporal entre população e imigração, indicando que, embora a imigração possa mitigar restrições de oferta de mão de obra, não constitui, isoladamente, um mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês. A baixa fecundidade, por sua vez, mostrou-se intrinsecamente ligada a fatores econômicos e institucionais, como os custos de criação de filhos e a disponibilidade de serviços de cuidado infantil.

Apesar das contribuições para a compreensão da dinâmica demográfica japonesa, o estudo reconhece limitações importantes. A curta extensão da série imigratória, que abrangeu apenas dez anos para a análise conjunta, reduziu o poder estatístico dos testes de causalidade e a capacidade de generalização das projeções de longo prazo. Adicionalmente, a natureza predominantemente univariada dos modelos ARIMA e Prophet não permitiu a incorporação direta de variáveis econômicas e institucionais que influenciam a fecundidade e a imigração. As projeções para 2044, especialmente para a imigração, devem ser interpretadas com cautela, considerando a incerteza introduzida por mudanças recentes nas políticas migratórias e os intervalos de confiança com limites inferiores estatisticamente implausíveis. Sugere-se que estudos futuros explorem modelos multivariados, como ARIMAX ou VAR, e modelos de aprendizado de máquina, incorporando séries temporais mais longas e dados desagregados por idade e sexo, a fim de proporcionar uma análise mais abrangente dos mecanismos demográficos e de suas interações com fatores socioeconômicos e políticas públicas.

Referências Bibliográficas

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Organisation for Economic Co-operation and Development [OCDE].

Statistics Bureau of Japan. Statistical Handbook of Japan. 2024. Disponível em: <https://www.stat.go.jp/english/index.html>. Acesso em: 10 mar. 2025.

United Nations, 2024 [Referência completa não encontrada no documento original]

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq

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13 de outubro de 2026

Preditores de óbitos em idosos com síndrome respiratória aguda grave confirmados por Influenza A(H1N1)pdm09

A infecção pelo vírus influenza A(H1N1)pdm09 pode evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior risco de óbitos em idosos. O objetivo foi analisar fatores preditores de óbito em casos de SRAG confirmados para influenza A(H1N1)pdm09, entre idosos com 60 anos ou mais, considerando fatores individuais e contextuais das Regiões Administrativas (RA) do Estado de São Paulo (ESP), e comparar o desempenho de modelos de regressão. Realizou-se um estudo descritivo e analítico no ESP, de 2023 a 2024, utilizando dados do SIVEP-Gripe e da Fundação SEADE. Incluíram-se 714 casos confirmados por RT-PCR de influenza A(H1N1)pdm09 em residentes do ESP com 60 anos ou mais. Analisaram-se variáveis sociodemográficas, clínicas, de internação, tratamento, vacinação e local de residência. Empregou-se regressão logística binária e hierárquica logística, com o desfecho de evolução para óbito. Dos 714 casos, 202 resultaram em óbito. O modelo final de regressão logística binária associou maior chance de óbito ao sexo masculino, idade avançada, saturação de oxigênio inferior a 95%, internação em UTI e uso de suporte ventilatório invasivo. A presença de tosse e o uso de antiviral foram associados a menor chance de óbito. O modelo hierárquico logístico apresentou desempenho semelhante, com pequena contribuição contextual residual das RA. Concluiu-se que o modelo de regressão logística binária foi suficiente e mais simples para representar os dados, sendo adotado como modelo final.

Palavras-chave: Influenza A(H1N1)pdm09; Modelagem hierárquica logística; Óbito por Influenza A(H1N1)pdm09; Regressão logística; Síndrome Respiratória Aguda Grave.

13 de outubro de 2026

Uma visão geral comparativa das frotas de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia

O transporte rodoviário contribui para aproximadamente 20% das emissões globais de CO2, impulsionando a busca por soluções de mobilidade mais limpas, como veículos elétricos. O objetivo deste estudo foi comparar os mercados de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia, contrastando suas políticas, adoção por consumidores e desenvolvimento de infraestrutura. Empregou-se um desenho de pesquisa descritiva comparativa, analisando dados quantitativos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, European Alternative Fuels Observatory e European Environment Agency para o período de 2015 a 2024, complementados por análise qualitativa de documentos de política. Os resultados revelaram uma divergência estrutural fundamental: o Brasil apresentou crescimento exponencial de 80,7% ao ano (2022-2025), com híbridos compreendendo aproximadamente 66% das vendas e impulsionado por incentivos fiscais que alavancam a bioeconomia do etanol. A União Europeia, por sua vez, mostrou expansão em fase de consolidação a uma taxa anual de 8,35% (2008-2025), com veículos elétricos a bateria superando 40% dos novos registros, impulsionados por mandatos regulatórios vinculativos. A análise de densidade de infraestrutura indicou que a rede pública de carregamento da União Europeia (55,3 pontos por mil veículos de combustível alternativo) era o dobro da brasileira (27,9 pontos por mil veículos eletrificados). A quantificação ambiental confirmou que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil (64 gCO2/kWh) resultou em emissões well-to-wheel substancialmente menores em comparação com a matriz da União Europeia (246 gCO2/kWh). Concluiu-se que o modelo brasileiro, com incentivos fiscais neutros em tecnologia e aproveitamento da infraestrutura de biocombustíveis, pode acelerar a adoção de híbridos em economias emergentes com baixo gasto público. Para mercados maduros, o modelo da União Europeia, com mandatos regulatórios, estabeleceu um mercado dominante de veículos elétricos a bateria, embora com custo fiscal mais elevado.

Palavras-chave: Energia renovável; Mercado; Qualitativo; Quantitativo.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

13 de outubro de 2026

Determinantes do desempenho de estudantes no ENEM em São Paulo

O estudo analisou fatores associados ao desempenho de estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), considerando a relevância histórica da avaliação educacional no Brasil. Seu objetivo foi avaliar o desempenho preditivo do modelo XGBoost e identificar as variáveis mais associadas ao desempenho médio dos participantes. Utilizaram-se microdados do Enem de 2015 a 2023, restritos ao estado de São Paulo, organizados em níveis de aluno, escola e questionário socioeconômico. Após limpeza e padronização, construiu-se uma base final com 1.886.735 registros. O modelo XGBoost foi configurado com hiperparâmetros para equilibrar capacidade preditiva e generalização, incluindo tratamento nativo de variáveis categóricas. Os resultados indicaram que o XGBoost apresentou desempenho compatível com estudos educacionais. A interpretação por valores de contribuição internos revelou a predominância de fatores institucionais e socioeconômicos na explicação do desempenho, com destaque para a dependência administrativa da escola e variáveis relacionadas ao contexto familiar. A pesquisa demonstrou que abordagens preditivas baseadas em árvores foram capazes de capturar padrões relevantes sem a necessidade de modelos hierárquicos tradicionais, oferecendo uma alternativa metodológica para a compreensão de desigualdades educacionais. Concluiu-se que a combinação de grande volume de dados, técnicas de aprendizado de máquina e interpretação por contribuições permitiu identificar fatores relevantes para o desempenho no Enem e forneceu subsídios para reflexões sobre políticas educacionais.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Desempenho educacional; Enem; Fatores socioeconômicos; XGBoost.

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