Artigo

13 de outubro de 2026

Construindo a beleza desde cedo: comportamentos de consumo de maquiagem e skincare na Geração Alpha

Construindo a Beleza Desde Cedo: Comportamentos de Consumo de Maquiagem e Skincare na Geração Alpha

Milena Carolina de Moraes; Rita de Cássia Fossaluza

DOI: 10.22167/2675-6528-202603297

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O interesse feminino pela estética manifesta-se em diversas sociedades, sendo amplificado pelo avanço da internet e das redes sociais, que impulsionaram o surgimento de influenciadores digitais. O estudo analisou como o marketing de influência digital impacta o comportamento de consumo e a percepção estética de meninas da Geração Alpha (3 a 15 anos) no estado de São Paulo, sob a perspectiva de seus pais e/ou responsáveis, com foco no consumo precoce de maquiagem e skincare e na construção de padrões estéticos. Para isso, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, aplicou-se um formulário quantitativo online e presencial, e conduziu-se uma entrevista com um médico dermatologista. Os resultados indicaram que o interesse pela beleza surge precocemente, com incentivo dos responsáveis. As jovens demonstraram desejo de pertencimento, e itens de maquiagem apresentaram ligeira predominância sobre os de skincare. A maioria dos participantes acreditou que o marketing de influência impacta as decisões de compra. Concluiu-se que o interesse pela beleza e o incentivo ao autocuidado são naturalizados desde cedo, e que o marketing de influência contribui para a formação de desejos de consumo, embora a amostra não probabilística limite generalizações.

Palavras-chave: Adolescentes; Crianças; Estética; Influenciadores; Redes Sociais.

1. Introdução

A preocupação feminina com a beleza é um fenômeno que se manifesta em diversas sociedades, variando conforme o período histórico e o contexto cultural. Em algumas culturas, padrões estéticos envolvem modificações corporais desde a infância, como o alongamento do pescoço na tribo Kayan Karen (Myint Oo, 2018) ou as tatuagens faciais do grupo étnico Fulani (Brooks et al., 2021). Na sociedade ocidental moderna, incluindo o Brasil, observa-se uma grande valorização da aparência, com foco na juventude e na beleza (Lopes e Mendonça, 2016).

Com o advento da internet e das redes sociais, a forma de consumir informações transformou-se no modelo “socialcast”, onde qualquer indivíduo pode criar, compartilhar e disseminar conteúdo em larga escala. Nesse cenário, os influenciadores digitais emergiram como figuras centrais, atuando como intermediários entre marcas e público. Eles utilizam sua credibilidade para aproximar e formar comunidades, impulsionando a troca de informações com um alcance e velocidade sem precedentes (Raposo e Terra, 2021).

O uso frequente e precoce das mídias digitais por crianças e jovens exerce uma influência significativa em seu desenvolvimento, apresentando tanto benefícios quanto riscos. Embora o uso monitorado possa oferecer entretenimento e suporte pedagógico, o uso intenso de tecnologias pode levar a impactos negativos, como a supressão hormonal que afeta o sono e a substituição de atividades físicas por hábitos sedentários, prejudicando o bem-estar físico e mental (Silva et al., 2024). Nesse contexto, o marketing digital desempenha um papel crucial na promoção de marcas e na busca por resultados, focando na interação com os clientes e na criação de um senso de pertencimento e conexões significativas (Kotler et al., 2017).

Recentemente, um fenômeno conhecido como “Sephora Kids” surgiu nos Estados Unidos, caracterizado pelo consumo de maquiagem e produtos de skincare por meninas da Geração Alpha, nascidas a partir de 2010. Essa tendência, popularizada na rede social TikTok, onde crianças compartilham suas rotinas de beleza e desejos de consumo, tem atraído a atenção de diversas marcas (Rey e Barbosa, 2025). Contudo, o consumo precoce e desnecessário de cosméticos por menores de idade tem levantado preocupações significativas com a saúde dermatológica, conforme alertado por estudos recentes (O Globo).

A problemática central reside na forma como o marketing de influência digital, por meio das redes sociais, impacta a formação do comportamento de consumo e da percepção estética em meninas da Geração Alpha. Existe uma lacuna na compreensão aprofundada de como esses padrões estéticos são construídos e como a antecipação do consumo de produtos de beleza afeta essa faixa etária. A relevância deste estudo é justificada pela crescente exposição de crianças e adolescentes a conteúdos de beleza, pela preocupação com os potenciais problemas dermatológicos e pela necessidade de entender o desejo de pertencimento e a comparação social que impulsionam esse consumo precoce.

Diante desse cenário, este trabalho se justifica pela urgência em analisar de que forma o marketing de influência digital impacta na formação do comportamento de consumo e da percepção estética entre meninas de 3 a 15 anos [Geração Alpha] no estado de São Paulo, a partir dos olhares de seus pais e/ou responsáveis, com foco no consumo precoce ou aumento de consumo de maquiagem e skincare, trazendo ênfase na construção de padrões estéticos e antecipação do consumo.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como exploratória e descritiva, de natureza predominantemente quantitativa. A abordagem exploratória buscou aprofundar a compreensão de um problema, fornecendo esclarecimentos para uma investigação mais precisa (Queiroz, 2021). A pesquisa descritiva teve como objetivo analisar um fenômeno de forma minuciosa e detalhada. O propósito central do estudo foi analisar como o marketing de influência digital impacta na formação do comportamento de consumo e da percepção estética entre meninas da Geração Alpha, com idades de 3 a 15 anos, no estado de São Paulo, a partir dos olhares de seus pais e/ou responsáveis, com foco no consumo precoce ou aumento de consumo de maquiagem e skincare.

Para a consecução dos objetivos, a metodologia foi estruturada em três etapas. A primeira etapa consistiu em pesquisa bibliográfica. A segunda etapa envolveu a aplicação de um formulário quantitativo. Por fim, a terceira etapa compreendeu a realização de uma entrevista com um especialista. A unidade de análise do estudo foram os pais e/ou responsáveis de meninas da Geração Alpha, com idades entre 3 e 15 anos, residentes no estado de São Paulo. A amostra, de natureza não probabilística, foi selecionada por conveniência, totalizando 100 respondentes para o formulário e um médico dermatologista para a entrevista.

A primeira etapa da pesquisa dedicou-se à revisão bibliográfica, utilizando livros e artigos científicos para fundamentar teoricamente o estudo. Esta revisão permitiu contextualizar o fenômeno do consumo de beleza e a influência digital. Adicionalmente, realizou-se uma análise das redes sociais de influenciadores mirins, como Valentina Abraham (@valenoliabraham) e Maria Victoria (@toria.maria). Este procedimento teve como finalidade observar as postagens, o engajamento, os comentários e os compartilhamentos gerados em conteúdos relacionados a produtos de skincare e maquiagem, buscando compreender a dinâmica da comunicação digital nesse segmento.

A segunda etapa consistiu na coleta de dados quantitativos, realizada entre 06 de janeiro de 2026 e 08 de abril de 2026. Utilizou-se um formulário estruturado na plataforma “Google Forms”, aplicado de forma virtual e presencialmente em shoppings e escolas nas regiões de Osasco e Parque Villa-Lobos, na cidade de São Paulo. O formulário foi direcionado a 100 pais e/ou responsáveis de meninas da Geração Alpha, com idades entre 3 e 15 anos, selecionados por amostragem não probabilística, por conveniência.

O instrumento de coleta continha 13 perguntas objetivas, sendo nove de resposta única e quatro de múltipla escolha. As questões foram elaboradas com base nas referências bibliográficas, abordando dimensões como o interesse pelo universo da beleza, a frequência de uso de produtos, os principais desejos de consumo e a percepção dos responsáveis sobre a influência digital. O questionário foi estruturado para analisar os hábitos de consumo e as influências relacionadas à beleza. A participação foi voluntária e anônima, com consentimento expresso obtido ao clicar em “ACEITO” no início do formulário, assegurando o uso exclusivo das informações para fins acadêmicos.

A terceira etapa da pesquisa envolveu a realização de uma entrevista semiestruturada com um médico dermatologista, profissional da cidade de Osasco. A entrevista foi conduzida presencialmente em 02 de fevereiro de 2026. Foram elaboradas cinco questões semiestruturadas, cujo objetivo era obter a perspectiva de um especialista sobre as possíveis consequências dermatológicas do uso de cosméticos por meninas na faixa etária estudada. As questões da entrevista foram disponibilizadas para consulta no Apêndice do trabalho, e um Termo de Compromisso de Utilização de Dados foi assinado para garantir a confidencialidade e o uso ético das informações coletadas.

Após a conclusão das etapas de coleta, os dados foram organizados e processados para análise. Os dados qualitativos, obtidos por meio da entrevista com o médico dermatologista, foram submetidos à técnica de análise de conteúdo. Por sua vez, os dados quantitativos, coletados através do formulário, foram organizados e analisados utilizando-se métodos estatísticos. Este processo permitiu a sistematização das informações para a posterior apresentação dos achados, sem, contudo, antecipar resultados ou interpretações.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa foi delineada como um estudo quantitativo descritivo, empregando um formulário online e presencial para a coleta de dados, complementado por uma entrevista qualitativa com um médico dermatologista. O questionário, estruturado com treze perguntas objetivas, foi direcionado a pais e responsáveis por meninas da Geração Alpha, com idades entre três e quinze anos, residentes no estado de São Paulo. A amostra totalizou cem respondentes, e os dados obtidos foram analisados estatisticamente, enquanto as informações qualitativas da entrevista foram submetidas à análise de conteúdo, permitindo uma compreensão aprofundada dos comportamentos de consumo e percepções estéticas.

A distribuição etária das jovens representadas na amostra revelou uma concentração significativa em certas faixas, com 17% das meninas tendo quinze anos, 14% com seis anos e 13% com onze anos. As idades de sete e dez anos corresponderam a 9% e 8% da amostra, respectivamente, enquanto as faixas de treze e oito anos apresentaram participação equivalente a 7% cada. As idades de nove anos representaram 5%, e as idades de três, quatro, cinco, doze e quatorze anos tiveram uma incidência menor, com 4% cada. Essa diversidade etária permitiu uma análise abrangente do impacto do marketing de influência em diferentes estágios da Geração Alpha.

Ao investigar a idade em que o interesse pelo universo da beleza foi primeiramente percebido, 56% dos participantes indicaram que esse fenômeno ocorreu antes dos seis anos de idade, evidenciando uma precocidade notável. Dentre esses, 39% apontaram a idade de três anos, 18% a de quatro anos e 13% a de cinco anos como o início desse interesse. Essa constatação corrobora a ideia de que crianças são expostas a mensagens sobre aparência física desde muito cedo, internalizando ideais de beleza vigentes, conforme discutido por Sands e Wardle (2003). O estudo de Melo et al. (2020) também reforça essa tendência, ao observar que o uso de maquiagem, como batom e brilho labial, tem se tornado cada vez mais comum em idades precoces, com uma idade mediana de início de quatro anos para 25,7% da amostra.

O fenômeno das influenciadoras digitais mirins nas redes sociais, como TikTok e Instagram, desempenha um papel crucial na formação desses interesses precoces. Observa-se a presença de criadoras de conteúdo infantis que abordam temas de beleza, cosméticos, maquiagem, skincare, acessórios e estilo de vida. Um exemplo notável é Valentina Abraham, que em suas postagens exibe produtos de skincare de marcas renomadas como Fenty Beauty e bases da Dior. Essa exposição direta e constante a rotinas de beleza e produtos de luxo, apresentada por figuras com as quais as crianças podem se identificar, naturaliza e intensifica o desejo de consumo e a adoção de padrões estéticos desde a infância, alinhando-se ao objetivo do estudo de compreender o impacto do marketing de influência.

A pesquisa também revelou que a maioria dos participantes, 75%, considera fundamental incentivar o autocuidado desde as fases iniciais da vida, enquanto 25% acreditam que esse estímulo deve ser introduzido apenas a partir da pré-adolescência. Nenhuma das respostas indicou que o autocuidado não é importante. Esse resultado sublinha a percepção generalizada de que a aparência e o autocuidado são componentes essenciais na construção da imagem pessoal, refletindo a associação da vaidade e do cuidado com o sucesso, conforme apontado por Soaigher et al. (2016). A naturalização do autocuidado desde cedo, impulsionada pelos responsáveis, demonstra uma aceitação cultural da importância da beleza na vida das jovens.

Em relação ao consumo de produtos, 49% dos participantes indicaram que as meninas utilizam tanto produtos de skincare quanto de maquiagem, evidenciando uma rotina de beleza combinada. O consumo exclusivo de maquiagem foi relatado por 24% dos respondentes, enquanto 11% mencionaram o uso apenas de itens de skincare. Uma parcela de 16% informou que não há consumo de nenhum desses produtos. Esses dados sugerem que, embora o interesse pela beleza seja amplo, a maquiagem ainda detém uma ligeira predominância ou é percebida como um item de consumo mais comum em comparação com o skincare, mesmo em um contexto de crescente valorização dos cuidados com a pele.

A análise específica do consumo de itens de skincare diário revelou padrões variados. Verificou-se que 20% das participantes utilizam sabonete facial e protetor solar diariamente, enquanto 8% fazem uso diário exclusivo de protetor solar e 13% utilizam apenas sabonete facial de forma contínua. Uma parcela de 31% relatou o uso de protetor solar apenas em situações pontuais, como em visitas à praia ou piscina. Apenas 15% seguem uma rotina completa de cuidados com a pele, incluindo sabonete facial, sérum e protetor solar, enquanto 13% não utilizam nenhum dos produtos mencionados. Essa diversidade indica que, embora o autocuidado seja incentivado, a adesão a rotinas completas de skincare ainda não é universal.

A entrevista com um médico dermatologista de uma policlínica trouxe uma perspectiva clínica relevante. O especialista relatou que as principais preocupações dos pacientes jovens, a partir dos nove anos, estão relacionadas ao surgimento de acne, dermatite atópica e outras patologias. Ele observou que o uso de sabonetes específicos e protetor solar é frequentemente associado ao tratamento dessas condições. No entanto, o dermatologista não se mostrou favorável ao uso de maquiagens e skincare sem orientação médica para a faixa etária de três a quinze anos, especialmente quando o objetivo é meramente estético. Ele enfatizou que a fotoproteção adequada é uma medida fundamental de saúde pública em todas as idades, conforme também destacado por Melo et al. (2020), sendo essencial para prevenir tumores de pele e o fotoenvelhecimento.

No que tange ao consumo de maquiagem, 19 participantes assinalaram o uso de produtos destinados ao público infantil, enquanto 11 indicaram a utilização de itens voltados ao público adulto. O uso de itens básicos, como batom e gloss, foi o mais mencionado, com 45 marcações, refletindo uma preferência por produtos de fácil aplicação e menor complexidade. Adicionalmente, 35 indicações apontaram para o consumo restrito a ocasiões específicas, como aniversários e festas, sugerindo que a maquiagem ainda é vista como algo para eventos especiais por uma parte dos responsáveis. Uma rotina mais completa, com base, blush, sombra e batom, foi relatada por 11 participantes, e 8 indicaram não utilizar nenhum tipo de maquiagem.

Esses achados sobre o consumo de maquiagem estão em consonância com o estudo de Camboim e Garcia (2024), que verificou que a maioria das crianças de até doze anos já utilizou maquiagem, com o início geralmente ocorrendo por volta dos quatro anos de idade. Esse comportamento é frequentemente motivado pela vontade própria das crianças, impulsionada pela observação de adultos e pela exposição a conteúdos digitais. A preferência por produtos básicos e o uso em ocasiões especiais indicam uma introdução gradual ao universo da maquiagem, mas que já se manifesta em idades muito tenras, reforçando a antecipação do consumo.

Desejos de consumo

Em relação aos desejos de consumo, observou-se uma ligeira predominância de maquiagens destinadas ao público adulto, com 43 indicações, em comparação com as 42 indicações para maquiagens infantis. Itens de skincare direcionados ao público adulto registraram 19 menções, enquanto os infantis contabilizaram apenas 11. Acessórios de beleza, como faixas para cabelo, esponjas e pincéis, foram mencionados 37 vezes. Apenas seis participantes afirmaram não haver interesse em nenhum dos itens. Essa distribuição sugere que, embora haja um mercado para produtos infantis, o desejo por itens “de adulto” é igualmente, senão mais, presente, refletindo uma aspiração por um universo de beleza mais maduro.

Essa dinâmica de desejo de consumo pode ser interpretada à luz da teoria de Bauman (2007), que descreve a sociedade de consumo como um ambiente de insatisfação permanente, onde o desejo nunca é plenamente concluído. A busca incessante por novos produtos e a rápida desvalorização do que já foi adquirido mantêm o ciclo de consumo ativo. No contexto das meninas da Geração Alpha, o desejo de pertencimento e a comparação social são aflorados, impulsionando a busca por produtos que as aproximem dos padrões estéticos observados. Kim e Lee (2018) corroboram essa ideia, ao afirmar que a beleza feminina é frequentemente percebida como um meio de obter vantagem social competitiva, e a tendência à comparação social na aparência é confirmada em diversas culturas.

Os influenciadores digitais desempenham um papel fundamental na construção desses desejos, ao estabelecerem relações de confiança com o público por meio do compartilhamento de seus hábitos e estilos de vida, tornando-se autoridades digitais (Rey e Barbosa, 2025). Empresas como a Sephora capitalizam essa credibilidade, estabelecendo parcerias com influenciadores e enviando produtos para a criação de conteúdo, o que fomenta uma comunidade de consumidores baseada na identificação e confiança, incluindo o público infantojuvenil. Esse cenário intensifica a exposição precoce a conteúdos de beleza, como evidenciado pela matéria “Sephora Kids” do O Globo, que alerta para a obsessão por rotinas de cosméticos em crianças e os potenciais problemas dermatológicos decorrentes do consumo desnecessário e antecipado de produtos para a idade.

Preocupação com a procedência e fatores de decisão de compra

A preocupação com a procedência dos itens de skincare e maquiagem foi um aspecto relevante para 71% dos participantes, que afirmaram ter esse comportamento. Outros 23% relataram preocupar-se ocasionalmente, enquanto apenas 6% declararam não possuir tal preocupação. Embora o médico dermatologista entrevistado tenha mencionado que casos de alergia a cosméticos nessa faixa etária são raros em sua experiência, sendo a maioria das dermatites alérgicas causadas por outros fatores, a alta porcentagem de responsáveis preocupados com a procedência reflete uma busca por segurança e qualidade nos produtos consumidos pelas crianças e adolescentes.

Dentre os fatores decisivos de compra, a procedência destacou-se como o aspecto mais relevante, com 66 indicações, seguida pelo preço, com 46 indicações, e pela marca, com 41 menções. Essa hierarquia de fatores sugere que os responsáveis buscam um equilíbrio entre custo-benefício, confiabilidade e o valor intrínseco da marca. Aaker (1991) define Brand Equity como o conjunto de ativos e passivos associados a uma marca que podem aumentar ou diminuir o valor de um produto ou serviço, enquanto Kotler e Keller (2012) explicam que esse valor intangível transforma um produto comum em algo especial na mente do cliente. A embalagem, com 12 indicações, e a influência de criadores de conteúdo, com apenas cinco menções, apresentaram menor relevância como fatores decisivos de compra, o que pode indicar que, para os pais, a segurança e a qualidade do produto superam o apelo estético da embalagem ou a recomendação de influenciadores no momento da decisão final de compra.

Os canais de compra também foram investigados, e a loja física se destacou como o principal ponto de venda, sendo citada por 83 participantes. A internet apareceu em segundo lugar, com 42 indicações, enquanto as revendedoras foram mencionadas em dez ocasiões. Esse dado corrobora o estudo de Camboim e Garcia (2024), que apontou a atração em vitrines de lojas (37%) como um dos principais meios de introdução das crianças ao mundo da maquiagem, ao lado da mídia online (34%) e tradicional (23%). A preferência pela loja física pode ser explicada pelo conceito de atmosfera de loja de Kotler e Armstrong (2003), que envolve o planejamento do ambiente físico para influenciar as emoções dos consumidores. O ambiente colorido, a variedade de produtos e a possibilidade de experimentação nas lojas de cosméticos exercem um forte apelo emocional, especialmente sobre crianças e adolescentes, gerando entusiasmo e curiosidade, como ilustrado pela imagem da filha da influenciadora Talia Stenson entrando em uma Sephora.

Consumo de redes sociais e o papel de influenciadores

O consumo de redes sociais pela amostra de meninas da Geração Alpha apresentou uma distribuição variada: 26% consumiam redes sociais com muita frequência, 31% moderadamente, 27% com pouca frequência e 16% não consumiam nada. É crucial ressaltar que a amostra foi não probabilística, por conveniência, e as respostas foram fornecidas por pais e/ou responsáveis. Essa metodologia pode gerar distorções, pois muitos pais podem ter acesso limitado ao cotidiano digital de seus filhos ou sentir constrangimento em admitir longos períodos de uso da internet. Em contraste, dados do TIC Kids Online Brasil de 2024 indicam que 93% dos jovens entre nove e dezessete anos e 60% das crianças entre nove e dez anos são usuários de internet no Brasil, com 83% possuindo contas em redes sociais como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. Essa discrepância sugere que o consumo real de redes sociais pelas crianças pode ser maior do que o percebido pelos responsáveis na pesquisa.

A influência das redes sociais no desejo de consumo foi evidente, com 47% dos responsáveis afirmando ter percebido um aumento no desejo de consumo de itens de maquiagem e skincare após a menina/adolescente começar a usar redes sociais. Outros 22% relataram que essa situação ocorreu em poucas ocasiões, e 16% não notaram nenhum aumento. Uma parcela de 15% afirmou que suas crianças não utilizam redes sociais. Esses resultados se alinham a estudos como o de Lira et al. (2017), que detectou que o acesso diário a redes sociais como Facebook, Instagram e Snapchat aumentava as chances de insatisfação com a imagem corporal em adolescentes. A exposição a conteúdos de beleza nas redes sociais, portanto, parece intensificar o desejo de consumo e influenciar a percepção estética das jovens.

A crença no papel das criadoras de conteúdo na formação dos desejos de consumo infantojuvenis foi amplamente confirmada, com 84% dos respondentes acreditando que existe uma relação direta entre a atuação das influenciadoras e o desejo de consumo. Apenas 3% discordaram dessa afirmação, e 13% não souberam dizer. Essa percepção dos pais e responsáveis reflete a capacidade dos influenciadores digitais de criar uma relação de proximidade com o público, facilitando a identificação e a percepção de necessidade de consumo, conforme descrito por Leal e Lacerda (2023). A popularização de rotinas de beleza e produtos por meio dessas figuras digitais contribui significativamente para a antecipação do consumo e a construção de padrões estéticos na Geração Alpha.

A entrevista com o médico dermatologista reforçou a preocupação com o uso precoce de cosméticos, destacando que, em sua experiência, as principais patologias atendidas em crianças e adolescentes são acne, alergias e dermatite atópica. Ele enfatizou que, embora o skincare possa ser indicado para tratar condições como a acne a partir dos nove anos, o uso de maquiagem e skincare com fins puramente estéticos em idades tão jovens não é recomendado. O dermatologista expressou a convicção de que a popularização das redes sociais é um fator crucial para o aumento do consumo desses produtos por crianças que ainda não têm idade para tal, corroborando a forte influência do ambiente digital na formação desses comportamentos.

Em síntese, a pesquisa revelou que o interesse pelo universo da beleza surge precocemente na Geração Alpha, com o incentivo ao autocuidado sendo naturalizado pelos responsáveis desde as primeiras fases da vida. Embora a procedência, o preço e a marca sejam fatores decisivos de compra para os pais, o marketing de influência digital, especialmente por meio de influenciadoras mirins e o ambiente atrativo das lojas físicas, desempenha um papel significativo na formação do comportamento de consumo e da percepção estética das jovens. O desejo de pertencimento e a comparação social impulsionam o consumo, com uma ligeira predominância de maquiagem sobre skincare, e a exposição às redes sociais intensifica a busca por produtos de beleza, embora o uso estético precoce levante preocupações dermatológicas. Esses achados, apesar das limitações da amostra não probabilística, fornecem uma compreensão valiosa sobre a complexidade da construção da beleza na Geração Alpha.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar como o marketing de influência digital impacta o comportamento de consumo e a percepção estética de meninas da Geração Alpha, com idades entre três e quinze anos, no estado de São Paulo, sob a perspectiva de seus pais e/ou responsáveis, com foco no consumo precoce de maquiagem e skincare e na construção de padrões estéticos. Verificou-se que o interesse pelo universo da beleza surge precocemente, muitas vezes antes dos seis anos, e que o incentivo ao autocuidado é naturalizado pelos responsáveis desde as fases iniciais da vida. Observou-se que as jovens demonstram um desejo de pertencimento, impulsionado pela comparação social, com uma ligeira predominância no consumo e desejo por itens de maquiagem em relação aos de skincare. A maioria dos responsáveis percebeu que o marketing de influência digital contribui para a formação desses desejos de consumo, embora a procedência, o preço e a marca se destacassem como os principais fatores decisivos de compra para os pais. A principal contribuição deste trabalho reside na elucidação da complexa interação entre a exposição digital, a influência parental e a antecipação do consumo de produtos de beleza na Geração Alpha, oferecendo um panorama sobre os desafios e implicações para a saúde dermatológica e a formação da identidade.

Contudo, é fundamental reconhecer as limitações do estudo, decorrentes da natureza não probabilística da amostra, que foi por conveniência, e da coleta de dados a partir da percepção dos pais e/ou responsáveis. Essa metodologia pode gerar distorções, pois a percepção dos adultos sobre o consumo de redes sociais e os desejos de seus filhos pode não refletir integralmente a realidade. Tais fatores impedem a generalização dos resultados para a totalidade da Geração Alpha. Diante disso, sugere-se a continuidade desta linha de pesquisa, com a inclusão de abordagens metodológicas que permitam uma compreensão mais direta do comportamento e da percepção das próprias meninas da Geração Alpha, além de uma observação contínua sobre a evolução do marketing de influência e seus impactos nessa faixa etária.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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13 de outubro de 2026

Uma visão geral comparativa das frotas de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia

O transporte rodoviário contribui para aproximadamente 20% das emissões globais de CO2, impulsionando a busca por soluções de mobilidade mais limpas, como veículos elétricos. O objetivo deste estudo foi comparar os mercados de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia, contrastando suas políticas, adoção por consumidores e desenvolvimento de infraestrutura. Empregou-se um desenho de pesquisa descritiva comparativa, analisando dados quantitativos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, European Alternative Fuels Observatory e European Environment Agency para o período de 2015 a 2024, complementados por análise qualitativa de documentos de política. Os resultados revelaram uma divergência estrutural fundamental: o Brasil apresentou crescimento exponencial de 80,7% ao ano (2022-2025), com híbridos compreendendo aproximadamente 66% das vendas e impulsionado por incentivos fiscais que alavancam a bioeconomia do etanol. A União Europeia, por sua vez, mostrou expansão em fase de consolidação a uma taxa anual de 8,35% (2008-2025), com veículos elétricos a bateria superando 40% dos novos registros, impulsionados por mandatos regulatórios vinculativos. A análise de densidade de infraestrutura indicou que a rede pública de carregamento da União Europeia (55,3 pontos por mil veículos de combustível alternativo) era o dobro da brasileira (27,9 pontos por mil veículos eletrificados). A quantificação ambiental confirmou que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil (64 gCO2/kWh) resultou em emissões well-to-wheel substancialmente menores em comparação com a matriz da União Europeia (246 gCO2/kWh). Concluiu-se que o modelo brasileiro, com incentivos fiscais neutros em tecnologia e aproveitamento da infraestrutura de biocombustíveis, pode acelerar a adoção de híbridos em economias emergentes com baixo gasto público. Para mercados maduros, o modelo da União Europeia, com mandatos regulatórios, estabeleceu um mercado dominante de veículos elétricos a bateria, embora com custo fiscal mais elevado.

Palavras-chave: Energia renovável; Mercado; Qualitativo; Quantitativo.

13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

13 de outubro de 2026

Determinantes do desempenho de estudantes no ENEM em São Paulo

O estudo analisou fatores associados ao desempenho de estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), considerando a relevância histórica da avaliação educacional no Brasil. Seu objetivo foi avaliar o desempenho preditivo do modelo XGBoost e identificar as variáveis mais associadas ao desempenho médio dos participantes. Utilizaram-se microdados do Enem de 2015 a 2023, restritos ao estado de São Paulo, organizados em níveis de aluno, escola e questionário socioeconômico. Após limpeza e padronização, construiu-se uma base final com 1.886.735 registros. O modelo XGBoost foi configurado com hiperparâmetros para equilibrar capacidade preditiva e generalização, incluindo tratamento nativo de variáveis categóricas. Os resultados indicaram que o XGBoost apresentou desempenho compatível com estudos educacionais. A interpretação por valores de contribuição internos revelou a predominância de fatores institucionais e socioeconômicos na explicação do desempenho, com destaque para a dependência administrativa da escola e variáveis relacionadas ao contexto familiar. A pesquisa demonstrou que abordagens preditivas baseadas em árvores foram capazes de capturar padrões relevantes sem a necessidade de modelos hierárquicos tradicionais, oferecendo uma alternativa metodológica para a compreensão de desigualdades educacionais. Concluiu-se que a combinação de grande volume de dados, técnicas de aprendizado de máquina e interpretação por contribuições permitiu identificar fatores relevantes para o desempenho no Enem e forneceu subsídios para reflexões sobre políticas educacionais.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Desempenho educacional; Enem; Fatores socioeconômicos; XGBoost.

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