
06 de fevereiro de 2026
Viabilidade econômico-financeira de ações de eficiência energética no setor de serviços
Hipólito Marcelo Losada López; Leila Chaves Cunha
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Este trabalho analisa a viabilidade econômico-financeira da implantação de ações de eficiência energética na sede de uma empresa de serviços no Rio de Janeiro/RJ. O foco é a substituição dos sistemas de iluminação e condicionamento ambiental por tecnologias mais eficientes, avaliada por um conjunto de indicadores financeiros para fundamentar a decisão de investimento. A análise quantifica os retornos financeiros e operacionais da modernização, oferecendo um modelo replicável para outras organizações otimizarem o consumo de energia e seus custos. O estudo é pertinente devido à crescente demanda nacional por energia e à necessidade estratégica de promover o uso racional dos recursos.
A seleção de projetos de investimento exige métodos quantitativos para mitigar riscos. Ferramentas como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Taxa Interna de Retorno Modificada (MTIR), Índice de Lucratividade (IL) e “Payback” Descontado são fundamentais por considerarem o valor do dinheiro no tempo, permitindo uma comparação objetiva entre custos e benefícios futuros (Assaf Neto, 2014). A aplicação rigorosa dessas técnicas reduz incertezas e melhora a qualidade das decisões estratégicas, ao viabilizar simulações de cenários e análises de sensibilidade que oferecem aos gestores uma visão clara sobre o impacto de variáveis críticas no desempenho do investimento (Lima, 2019).
O projeto se insere no setor elétrico brasileiro, cuja matriz é predominantemente renovável. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2024 indicam que 88,2% da matriz elétrica nacional provém de fontes renováveis, com forte contribuição das fontes hidrelétrica, eólica e solar fotovoltaica, um patamar superior à média global e da OCDE (EPE, 2025). Entre 2023 e 2024, a geração solar cresceu 39,6% e a eólica 12,4%, evidenciando o avanço das fontes limpas. Contudo, o aumento da demanda, a necessidade de modernização da infraestrutura e os desafios climáticos exigem soluções para o uso mais eficiente da energia.
A eficiência energética é um pilar para a sustentabilidade do setor, sendo reconhecida pela EPE como um vetor crucial para equilibrar a oferta e a demanda projetada (EPE, 2024c). Definida como a execução de um serviço energético com menor consumo de energia, mantendo o mesmo nível de desempenho (EPE, 2024b), ela contribui para a segurança do suprimento, a redução de custos operacionais e a mitigação de impactos ambientais (MME, 2008). Os benefícios econômicos são expressivos, como demonstrado por um estudo da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que revelou uma economia anual de 1.776 MWh resultante de mais de 1.400 projetos implementados entre 2008 e 2022 (ANEEL, 2023).
O segmento de edificações, responsável por 50% do consumo total de energia elétrica no país em 2021, apresenta um vasto potencial para a implementação de medidas de eficiência (EPE, 2024a). Este projeto, ao comprovar a viabilidade técnica e econômica de suas soluções, estabelece-se como um modelo replicável para outras organizações. A iniciativa promove a gestão de energia como ferramenta estratégica para o equilíbrio do sistema elétrico nacional, gerando benefícios econômicos, ambientais e sociais. A ação alinha-se às diretrizes do Programa de Eficiência Energética (PEE) regulado pela ANEEL, que incentiva a modernização e a adoção de tecnologias mais sustentáveis (ANEEL, 2021).
O trabalho foi estruturado como um estudo de caso descritivo com abordagem qualitativa-quantitativa, analisando aspectos técnicos e financeiros. A coleta de dados utilizou pesquisa documental, com fontes primárias como o diagnóstico energético detalhado da empresa e catálogos de fornecedores, conforme Marconi e Lakatos (2017). A análise de viabilidade econômico-financeira baseou-se nos métodos do fluxo de caixa descontado, que apresentam maior rigor conceitual por considerarem o valor do dinheiro no tempo (Assaf Neto e Lima, 2014). O Valor Presente Líquido (VPL) foi calculado para determinar o valor que o projeto agrega à empresa, sendo um VPL positivo o critério de aceitação (Assaf Neto, 2014). A Taxa Interna de Retorno (TIR) foi utilizada para identificar a taxa de rentabilidade intrínseca do projeto, que deve ser superior à Taxa Mínima de Atratividade (TMA).
Considerando que a premissa de reinvestimento da TIR pode não ser realista, calculou-se também a Taxa Interna de Retorno Modificada (MTIR). Este indicador adota uma taxa de reinvestimento mais conservadora e alinhada às condições de mercado, oferecendo uma medida mais precisa do retorno (Abreu Filho e Cury, 2018). Complementarmente, o Índice de Lucratividade (IL) foi calculado como uma variante do VPL, e um valor superior a 1 reforça a atratividade do projeto (Assaf Neto e Lima, 2014). Por fim, o “Payback” Descontado foi empregado para determinar o tempo necessário para a recuperação do investimento inicial, considerando os fluxos de caixa ajustados pelo custo de capital.
As ações de eficiência energética propostas visam aumentar a economia de energia, reduzir a demanda de ponta e promover a conscientização sobre o uso racional da energia. As análises econômicas foram baseadas nas tarifas da concessionária local, conforme a Resolução Homologatória ANEEL nº 3.310, de 12 de março de 2024 (ANEEL, 2024). O projeto contempla a modernização dos sistemas de iluminação e condicionamento ambiental. Para a coleta de dados em campo, foram utilizados instrumentos como wattímetro e medidores Powersave para registrar potência, tempo de operação e consumo dos equipamentos existentes, garantindo a precisão do diagnóstico energético.
No sistema de iluminação, a intervenção visa reduzir o consumo de energia mantendo ou melhorando os níveis de iluminamento, em conformidade com as melhores práticas (Silva et al., 2019). As ações incluem a substituição de lâmpadas fluorescentes por tecnologias LED, que possuem maior eficiência e vida útil. O sistema atual, com uma potência instalada de 20,72 kW, consome 57,80 MWh/ano. Com a modernização, a potência instalada será reduzida para 7,65 kW e o consumo anual para 21,22 MWh, representando uma redução de 63,3% no consumo. A demanda no horário de ponta cairá de 10,86 kW para 4,32 kW, resultando em uma economia mensal de 3,05 MWh de energia e uma redução de demanda de 13,07 kW.
Para o sistema de condicionamento ambiental, a eficientização consiste na substituição de equipamentos Split convencionais por modelos com tecnologia inverter. Esses novos equipamentos ajustam a velocidade do compressor conforme a necessidade de refrigeração, evitando picos de consumo. A proposta inclui a troca de aparelhos Split e de uma central de ar por modelos Splitão inverter. O sistema atual possui uma potência instalada de 47,89 kW e um consumo anual de 111,44 MWh. O sistema proposto terá uma potência de 36,18 kW e um consumo de 62,47 MWh/ano, o que representa uma redução de 43,9% no consumo. A demanda no horário de ponta cairá de 25,16 kW para 14,20 kW. A economia mensal projetada é de 4,08 MWh de energia e uma redução de demanda de 15,33 kW.
O benefício financeiro foi calculado com base no custo evitado de energia e demanda, utilizando as tarifas para consumidores do Grupo A, modalidade Verde. Foi incorporada ao fluxo de caixa uma “inflação energética” de 1,35% ao ano, fator que representa o reajuste histórico médio das tarifas da concessionária acima do IPCA nos últimos 10 anos, para uma projeção mais realista dos benefícios. A economia monetária anual total, somando as reduções nos dois sistemas e incluindo o custo evitado de impostos (ICMS, PIS, COFINS), foi estimada em R$ 65.151,46 no primeiro ano.
Para o fluxo de caixa, a análise foi realizada em moeda constante com horizonte de 10 anos (Abreu Filho e Cury, 2018). O projeto será financiado com 60% de recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE) da concessionária, que não possui juros, e 40% de capital próprio. A taxa de desconto utilizada foi o Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC), calculado em 2,99%, considerando a estrutura de capital e uma Taxa Mínima de Atratividade (TMA) de 7,47%, baseada na rentabilidade do título Tesouro IPCA+ 2035. O regime tributário adotado foi o de Lucro Real, com alíquota de 34% para IRPJ e CSLL. O investimento total no projeto foi orçado em R$ 190.984,28, sendo R$ 42.420,66 para iluminação e R$ 148.563,62 para ar-condicionado. Os equipamentos retirados serão destinados à reciclagem com laudo de descarte ecológico.
Os resultados da análise de viabilidade econômico-financeira demonstram a alta atratividade do projeto. O Valor Presente Líquido (VPL) calculado foi de R$ 409.337,47, indicando que o projeto gera um valor substancial para a empresa. A Taxa Interna de Retorno (TIR) atingiu 34,07%, superando com folga a TMA de 7,47%. Para uma análise mais conservadora, a MTIR foi calculada em 17,88%, utilizando a TMA como taxa de reinvestimento, e ainda assim se mostrou um retorno extremamente robusto. O Índice de Lucratividade (IL) de 3,14 significa que, para cada real investido, o projeto gera um retorno de R$ 3,14 em valor presente. O “Payback” Descontado foi de apenas 2 anos e 11 meses, um período de recuperação do investimento considerado excelente.
Uma análise de sensibilidade testou a robustez do projeto frente a variações no CMPC e na inflação energética, confirmando sua viabilidade mesmo em cenários adversos. Se o projeto fosse financiado com 100% de capital próprio (elevando o CMPC para 7,47%), o VPL ainda seria positivo, em R$ 290.413. Em um cenário pessimista de deflação energética (-4,5% ao ano), o VPL cairia para R$ 290.920, mas o projeto continuaria a criar valor. Por outro lado, um aumento da inflação energética para 6% ao ano elevaria o VPL para R$ 532.920. Essa robustez confere alta segurança à decisão de investimento.
Adicionalmente, foram identificados riscos operacionais e propostas ações de mitigação. Para o risco de desempenho inferior dos equipamentos, a mitigação envolve a seleção de fornecedores certificados e garantias contratuais. O risco de mudança no perfil de consumo da empresa será gerenciado com monitoramento contínuo. O risco regulatório e tarifário pode ser mitigado pela avaliação de contratos no mercado livre de energia. Por fim, o risco de baixa adesão dos colaboradores às práticas de consumo consciente será tratado com campanhas de conscientização e treinamentos.
O estudo detalhou a análise de viabilidade de um projeto de eficiência energética focado na modernização dos sistemas de iluminação e condicionamento ambiental. As ações propostas demonstraram ser altamente atrativas do ponto de vista econômico-financeiro. Os indicadores de viabilidade, como o VPL positivo e elevado, a TIR e MTIR superiores à taxa de atratividade, e um rápido período de “Payback” Descontado, confirmam que o investimento não apenas se paga, mas também gera valor significativo para a organização. A análise de sensibilidade reforçou a robustez do projeto, que se mantém viável mesmo em cenários econômicos e operacionais variados.
A implantação das ações propostas transcende os benefícios financeiros diretos para a empresa, gerando externalidades positivas para o Sistema Elétrico Brasileiro, como a postergação de investimentos em geração, transmissão e distribuição, e a redução de impactos ambientais. Apesar
Referências:
Abreu Filho, J. C. F. A.; Cury, M. V. Q. 2018. Análise de Projetos de Investimento. 1ª Ed. FGV Editora, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Agência Nacional de Energia Elétrica [ANEEL]. 2021. Resolução Normativa ANEEL Nº 920, de 23 de fevereiro de 2021. Aprova os Procedimentos do Programa de Eficiência Energética – PROPEE e revoga a Resolução Normativa nº 556, de 18 de junho de 2013, o art. 1º da Resolução Normativa nº 830, de 23 de outubro de 2018, e a Resolução Normativa nº 892, de 11 de agosto de 2020. Diário Oficial da União, Brasília, de 02 de março de 2021, seção 1, p. 59, v. 159, n. 40.
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Silva, O. A. V. O. L; Barbosa, F. R.; Santos, F. F. P. 2019. Viabilidade Técnico Econômica da Eficiência Energética em Edificações. 1ª Ed. Editora Appris, Curitiba, PR, Brasil.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq
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