Resumo Executivo

15 de maio de 2026

Engajamento de stakeholders na construção civil brasileira

Rui Teixeira Mayer Junior; Jessica Suarez Campoli

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A gestão de projetos constitui um pilar essencial para o sucesso em diversos setores econômicos, permitindo o alcance de metas com eficiência por meio de planejamento, execução e controle estruturados. No âmbito da construção civil, um setor caracterizado por dinamismo e complexidade, a integração de tecnologias e a colaboração entre equipes mostram-se fundamentais para aumentar a produtividade, seguindo uma tendência observada em escala global (Walker, 2015). No cenário brasileiro, entretanto, o gerenciamento enfrenta barreiras específicas que dificultam a plena eficácia das operações, exigindo estratégias adaptadas ao contexto local para mitigar falhas recorrentes. A construção civil mantém uma posição de destaque na economia nacional, respondendo por 3,6% do Produto Interno Bruto no final de 2024 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024). Esse desempenho reflete a relevância do segmento como motor de desenvolvimento, mas também expõe desafios estruturais persistentes. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que, em 2023, o setor gerou 185.161 empregos formais líquidos, consolidando-se como um dos maiores empregadores do mercado (Brasil, 2024). Apesar desse volume, o aumento dos custos, que atingiu 6,34% em 2024 segundo o Índice Nacional de Custo da Construção, evidencia a pressão contínua sobre a viabilidade econômica dos empreendimentos (Fundação Getúlio Vargas, 2024).

Além das questões econômicas, o setor enfrenta barreiras críticas relacionadas à força de trabalho. As condições laborais, frequentemente marcadas por alta carga física e precariedade, como a falta de instalações adequadas e a alta rotatividade, contribuem para a baixa atratividade do setor entre os jovens e para a escassez de qualificação (Ribeiro et al., 2013). A percepção pública reforça esse desinteresse, visto que pesquisas indicam que 68,1% dos respondentes acreditam que o profissional da engenharia possui pouca visibilidade e reconhecimento, enquanto 11% afirmam que não há reconhecimento algum, o que afasta novos talentos (Câmara Brasileira da Indústria da Construção, 2024). Esses desafios impactam diretamente a gestão de cronogramas, com estudos apontando que 65% das obras em São Paulo sofrem atrasos decorrentes de problemas internos de gestão e mão de obra, e não necessariamente de fatores externos como clima ou mercado (Filippi e Melhado, 2015). A precariedade agrava a situação ao reduzir a produtividade e elevar os custos com retrabalho. Em 2024, o alto custo de trabalhadores qualificados foi o segundo maior desafio apontado pelas empresas, enquanto a escassez de mão de obra não qualificada ocupou o quarto lugar (Confederação Nacional da Indústria, 2024). Paralelamente, a adoção de tecnologias como o Building Information Modeling enfrenta resistência cultural e organizacional, apesar de incentivos governamentais (Eastman et al., 2023). Diante desse contexto, o engajamento eficaz das partes interessadas torna-se essencial para alinhar expectativas e melhorar os resultados, especialmente no que tange à gestão de prazos e integração de equipes.

A fundamentação metodológica deste estudo baseia-se em uma natureza descritiva, com o intuito de compreender os desafios e soluções do gerenciamento do engajamento sob a perspectiva dos envolvidos. A pesquisa descritiva atua como um meio de captar a visão dos participantes sobre o tema investigado de forma detalhada (Neves, 1996). O procedimento adotado configura-se como uma pesquisa de levantamento, utilizando um questionário estruturado como instrumento de coleta de dados. Tal instrumento consiste em um conjunto predefinido de questões voltadas a assegurar precisão na análise dos elementos investigados (Coelho et al., 2020). A abordagem integra enfoques quantitativos e qualitativos, empregando dados numéricos para avaliar resultados e análises interpretativas para confirmar a adequação dos achados. A pesquisa qualitativa oferece um panorama contextualizado da realidade, enquanto a quantitativa dedica-se a medir os fenômenos de maneira objetiva e exata (Proetti, 2017). O planejamento operacional foi dividido em seis fases lógicas: pesquisa e definição do tema, elaboração do PM-Canvas para detalhamento do escopo, revisão bibliográfica fundamentada em relatórios oficiais, elaboração do questionário, coleta de dados e análise final dos resultados.

O processo de coleta de dados ocorreu entre maio e agosto de 2025, utilizando uma plataforma digital para alcançar profissionais da construção civil, incluindo gestores, engenheiros, técnicos e operários. O questionário foi estruturado em três eixos temáticos, totalizando 25 perguntas. O primeiro eixo focou na caracterização sociodemográfica e profissional da amostra, abrangendo faixa etária, gênero, nível hierárquico, escolaridade e experiência no setor. O segundo eixo caracterizou as organizações, investigando localização, porte, duração média dos projetos e a existência de equipes dedicadas à gestão. O terceiro eixo concentrou-se em questões temáticas relacionadas ao engajamento de stakeholders, qualificação da mão de obra, treinamentos e práticas de gestão. Para as perguntas temáticas, utilizou-se a escala de Likert de cinco pontos, variando de discordo totalmente a concordo totalmente, o que permitiu uma análise quantitativa das percepções e a comparação com estudos anteriores (Gul et al., 2023). A revisão bibliográfica que sustentou a elaboração do instrumento considerou trabalhos publicados a partir de 2010, selecionando artigos alinhados aos desafios estruturais do setor brasileiro entre 2020 e 2025.

A análise detalhada da amostra revelou um perfil qualificado e experiente entre os 100 participantes. Observou-se uma predominância feminina de 58%, enquanto o gênero masculino representou 42%. A concentração etária situou-se majoritariamente entre 36 e 60 anos, abrangendo 70% dos respondentes. No que diz respeito à escolaridade, 80% dos profissionais afirmaram possuir pós-graduação ou nível superior, o que indica um público com alto poder de decisão e visão estratégica. Geograficamente, houve uma forte concentração no estado de São Paulo, que reuniu 64% dos participantes, seguido por Salvador com 7% e Campinas com 5%. Essa distribuição reflete a localização das principais matrizes empresariais do setor, com 81,3% das empresas sediadas em território paulista. Quanto ao nível hierárquico, 78% dos respondentes ocupam cargos de coordenação ou gerência, o que valida a profundidade das respostas em relação às práticas de gestão adotadas nas organizações. A experiência prática também se mostrou consolidada, visto que 42,7% possuem entre seis e dez anos de atuação e 18,8% superam os dez anos de carreira, corroborando dados nacionais que apontam uma forte representatividade de profissionais experientes no setor (Câmara Brasileira da Indústria da Construção, 2024).

As características organizacionais das empresas onde os participantes atuam reforçam o cenário de grandes empreendimentos. Um total de 92,7% dos respondentes trabalha em empresas de grande porte, com foco predominante em obras de infraestrutura, que representam 80,2% dos projetos desenvolvidos. O setor residencial apareceu com 11,5% de participação. A existência de estruturas dedicadas à gestão de projetos foi confirmada por 72,9% dos profissionais, o que sugere uma busca por maior eficiência e padronização de processos. No entanto, a ocorrência de atrasos permanece como um desafio crítico, sendo mencionada por 51% dos respondentes especificamente na fase de execução da obra. A concepção de projetos foi a segunda fase mais citada como geradora de atrasos, com 28%. Esses dados indicam que, embora existam setores de gestão, a complexidade operacional e imprevistos na execução ainda superam a capacidade de planejamento atual. O principal motivo apontado para os atrasos foi o planejamento insuficiente, com 41% das respostas, seguido pela mão de obra desqualificada com 26% e falhas na comunicação com 18%.

A discussão dos resultados revela uma convergência significativa entre a percepção dos profissionais e a literatura especializada. O impacto do planejamento falho e da comunicação ineficiente como causas primordiais de atrasos é corroborado por estudos que identificam perdas estimadas em até R$ 59 bilhões entre 2023 e 2025 devido a fatores organizacionais e contratuais internos (Costa et al., 2025). A aplicação da escala de Likert demonstrou que 71% dos respondentes concordam totalmente que o engajamento dos stakeholders, por meio de reuniões regulares, contribui diretamente para a redução de atrasos nos cronogramas. Esse consenso reforça a importância da comunicação contínua e do alinhamento de expectativas como fatores decisivos para o cumprimento de prazos. Reuniões diárias de alinhamento no canteiro de obras são responsáveis por ativar a comunicação imediata e resolver impedimentos de forma ágil, enquanto reuniões semanais atuam como planejamento antecipatório (Sátiro et al., 2016). A percepção de que feedbacks regulares melhoram o desempenho foi apoiada por 75% dos participantes, evidenciando que o modelo de comunicação bidirecional é fundamental para o aprimoramento dos processos.

A escassez de qualificação da mão de obra foi reconhecida como um obstáculo crítico por 94% da amostra, somando-se os que concordam e concordam totalmente. Esse dado encontra respaldo em pesquisas setoriais que indicam que 89% das construtoras enfrentam dificuldades no recrutamento de profissionais qualificados, especialmente em funções operacionais como pedreiros e serventes (Confederação Nacional da Indústria, 2011). A carência é ainda mais acentuada entre a mão de obra terceirizada, atingindo 94,7% das empresas (Câmara Brasileira da Indústria da Construção, 2022). Como solução, 96% dos respondentes afirmaram que treinamentos regulares aumentam a produtividade no canteiro de obras. A adoção de métodos industrializados, que dependem de capacitação técnica, pode reduzir os prazos de execução em até 20%, agregando estabilidade ao cronograma (Bahr e Laszig, 2021). Além disso, 97% dos participantes consideraram viáveis as parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial para a promoção da qualificação profissional, o que se alinha ao Plano Nacional de Capacitação da Construção Civil lançado em 2025.

As práticas de gestão detalhadas, incluindo planejamento e monitoramento rigorosos, foram validadas por 97% dos profissionais como essenciais para melhorar a coordenação dos projetos. O planejamento é definido como um processo gerencial que envolve a determinação de procedimentos necessários para atingir objetivos, sendo eficaz apenas quando realizado em conjunto com um setor de controle (Magalhães et al., 2018). A interdependência entre planejamento e controle ativo aumenta a eficiência, acelera o cronograma e reduz custos operacionais (Coelho, 2003). A validação dessas práticas sugere que a adoção de metodologias ágeis adaptadas, como Scrum e Kanban, possui alto potencial para melhorar a colaboração entre equipes. Estima-se que a implementação estruturada dessas recomendações possa gerar uma redução de atrasos em aproximadamente 25% e um aumento de eficiência produtiva em torno de 18%. O engajamento de stakeholders, apontado por 91% dos participantes como redutor de conflitos, atua como variável mediadora ao integrar equipes e reduzir retrabalhos, potencializando a tomada de decisão estratégica.

Apesar dos resultados positivos, o estudo reconhece limitações relacionadas ao tamanho da amostra de 100 respondentes e à concentração geográfica na região sudeste, o que sugere cautela na generalização dos dados para todo o território nacional. Para pesquisas futuras, recomenda-se a ampliação da amostra para diferentes regiões do país e a realização de análises comparativas entre subetores da construção civil, como obras pesadas e edificações residenciais. A investigação de métricas de longo prazo que permitam avaliar o impacto real da sustentabilidade e do engajamento na rentabilidade dos projetos também se mostra necessária. A implementação de relatórios de progresso regulares, alinhados ao processo de controlar o engajamento conforme as diretrizes do Project Management Institute, pode mitigar os atrasos reportados e promover resultados mais transparentes e previsíveis (Project Management Institute, 2021). A articulação entre empresas, órgãos de classe e instituições de ensino técnico surge como o caminho mais viável para superar os desafios estruturais identificados.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, demonstrando que o gerenciamento do engajamento de stakeholders desempenha um papel essencial na mitigação de atrasos e conflitos em projetos de construção civil no Brasil. A análise evidenciou que a maioria dos profissionais reconhece os benefícios diretos de reuniões regulares, feedbacks contínuos e treinamentos técnicos para a aceleração da tomada de decisões e redução de retrabalho. A qualificação da mão de obra foi confirmada como um obstáculo crítico, cuja superação depende de parcerias estratégicas com instituições especializadas. O modelo proposto, que integra práticas de gestão detalhadas e engajamento estruturado, mostra-se viável e replicável, com potencial estimado de reduzir atrasos em 25% e elevar a eficiência em 18%, contribuindo para o fortalecimento da competitividade e sustentabilidade do setor no cenário nacional.

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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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