Imagem Inovação tecnológica e produtividade no agronegócio brasileiro: onde estamos e para onde vamos

Nota Técnica

03 de março de 2026

Inovação tecnológica e produtividade no agronegócio brasileiro: onde estamos e para onde vamos

O agro brasileiro inovou, ganhou produtividade e mudou de patamar: agora enfrenta o desafio de transformar inovação em crescimento sustentado

Nota técnica elaborada pelos pesquisadores:
Isabela Romanha de Alcantara
Pesquisadora. Coordenadora do Ceag. Doutora em Economia Aplicada (ESALQ/USP)
 
Ricardo Harbs
Professor da Faculdade Pecege. Coordenador do Ceni. Doutor em Economia Aplicada (ESALQ/USP)

A Nota Técnica 01/2026: “Inovação tecnológica e produtividade no agronegócio brasileiro: onde estamos e para onde vamos” analisa a trajetória da produtividade agrícola brasileira entre 1975 e 2024, com base nos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM/IBGE), utilizando a Taxa Geométrica de Crescimento (TGC) para identificar ciclos de aceleração e desaceleração ao longo das décadas. Os resultados indicam que os maiores avanços ocorreram sobretudo entre 1995–2004 e 2005–2014, período marcado por difusão acelerada de tecnologias, profissionalização da gestão e reorganização estrutural de cadeias como algodão e milho. No entanto, a partir de 2015 observa-se desaceleração relevante na maioria das culturas, como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar, sugerindo que os ganhos marginais de produtividade tornaram-se mais difíceis de capturar em um ambiente de maior maturidade tecnológica, elevação de custos e maior exposição a riscos climáticos.

O texto argumenta que o desafio atual do agronegócio brasileiro não está na geração de inovação, mas na sua difusão eficiente e na capacidade de transformar tecnologia em ganhos médios sustentados. A heterogeneidade produtiva, as restrições de crédito, os gargalos de assistência técnica e a limitada conectividade rural dificultam a adoção ampla de tecnologias já disponíveis. Para o horizonte 2026–2035, são delineados dois cenários: um cenário base, de crescimento moderado e desigual, e um cenário de aceleração, condicionado ao fortalecimento da difusão tecnológica, da gestão e da resiliência produtiva. A sustentação da competitividade internacional do agro brasileiro dependerá, portanto, da capacidade de reduzir riscos, ampliar a escala de adoção tecnológica e consolidar um novo ciclo de produtividade consistente e sustentável.

*O conteúdo das notas técnicas é de inteira responsabilidade dos pesquisadores autores.

Quem editou este artigo

Luiz Eduardo Giovanelli

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