11 de agosto de 2026
Transformação digital na gestão de projetos: governança e indicadores em serviços de alimentação
Marcus Vinicius Da Silva Martin; Gleison De Souza
DOI: 10.22167/2675-6528-202601175
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A adaptação impulsionada pela adoção de novas tecnologias exigiu mudanças estratégicas nas empresas, sendo a estruturação interna e a aplicação de boas práticas, apoiadas por plataformas centralizadas, essenciais para a eficiência operacional no setor de fornecimento de refeições corporativas. O objetivo desta pesquisa foi analisar e documentar o processo de implementação de uma solução de gestão de projetos de código aberto, evidenciando a estruturação de recursos e processos organizacionais por meio da plataforma OpenProject. O estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, descritiva e exploratória, adotando o delineamento de estudo de caso único com abordagem mista. A coleta de dados ocorreu por meio de investigação documental, extração de métricas de desempenho do sistema e aplicação de questionário estruturado aos usuários. A avaliação dos resultados apontou que a customização do software centralizou o portfólio de inovação e mitigou a fragmentação de registros. O monitoramento do cronograma identificou uma concentração de iniciativas na fase de desenvolvimento e revelou atrasos em grande parte das tarefas finalizadas no período analisado. A utilização de ferramentas de qualidade auxiliou a investigação preliminar destas causas. A padronização de processos e a integração de dados promoveram maior transparência e alinhamento de metas na companhia, evidenciando também a necessidade de implementação de ações corretivas no cumprimento de prazos para a plena maturação do modelo adotado. Concluiu-se que a tecnologia, por si só, não soluciona os desafios de cumprimento de prazos, sendo recomendada a consolidação de metodologias híbridas, que aliam a estrutura centralizada da plataforma a práticas ágeis, para absorver as demandas não previstas do setor e garantir a continuidade do portfólio de inovação.
Palavras-chave: Inovação corporativa; Metodologia híbrida; Métricas de desempenho; Padronização de processos; Software livre.
1. Introdução
No cenário organizacional contemporâneo, a Gestão de Projetos (GP) emerge como um pilar fundamental para empresas que buscam aprimorar a eficiência operacional e fomentar a inovação. Sua consolidação é reconhecida como essencial para o aumento do desempenho e da competitividade em diversos setores de atividade (Encarnação, 2024). Paralelamente, a Transformação Digital (TD) tem se estabelecido como uma das principais megatendências globais, impulsionando mudanças significativas em organizações públicas e privadas (Kozarkiewicz, 2020; Lappi et al., 2019). A economia digital, por exemplo, projetou um crescimento substancial, com estimativa de atingir US$ 24 trilhões até 2025. Diante dessa digitalização irreversível, a gestão orientada a projetos tem se mostrado uma estratégia eficaz para a adaptação ágil das organizações (Blyznyuk et al., 2021).
Nesse contexto, torna-se imperativo que os projetos estejam alinhados à estratégia organizacional, garantindo que seus objetivos sejam devidamente direcionados e executados. A Governança de Projetos, por sua vez, evoluiu de uma abordagem meramente técnica para um modelo que enfatiza o alinhamento estratégico e a entrega de valor, posicionando-se como elemento central para o alcance das metas corporativas (PMI, 2021; Ostáquio, 2025). No setor competitivo de serviços de alimentação, a capacidade de gerir projetos de forma eficaz é crucial para responder às novas demandas do mercado e assegurar resultados consistentes. A gestão eficiente, suportada pela tecnologia, é vital para a manutenção da competitividade e rentabilidade do negócio, uma vez que a venda de produtos de qualidade, isoladamente, não é mais suficiente (França, 2020).
O ambiente do “food service” enfrenta desafios intrínsecos e críticos, como o controle financeiro rigoroso e a gestão de estoque complexa, que demandam a utilização de softwares de gestão especializados. A perenidade das empresas neste mercado está diretamente ligada à sua capacidade de observar e integrar avanços tecnológicos (HS Innovations, 2024). Essa evolução é fundamental para otimizar processos internos, desde a eficiência logística e o controle financeiro até o aprimoramento da entrega e da comunicação com o cliente (França, 2020). Historicamente, a empresa em questão enfrentava desafios na padronização e no monitoramento de seus projetos, resultando em uma gestão fragmentada e na perda de visibilidade sobre o portfólio de inovação.
A natureza mutável do ambiente de Transformação Digital, onde a inovação é um fator central, expõe a inflexibilidade do gerenciamento tradicional como um desafio significativo (Barthel e Hess, 2020; Gonçalves et al., 2021). Essa rigidez frequentemente resulta em prazos subestimados e mudanças de escopo não gerenciadas. Nesse cenário, a aplicação isolada de métricas tradicionais de prazo, custo e escopo mostra-se insuficiente para projetos de inovação (Ostáquio, 2025). Assim, a adoção de metodologias híbridas, que combinam padrões preditivos e adaptativos, consolida-se como uma estratégia viável para enfrentar os desafios de um mercado em constante transformação (Encarnação, 2024). Para medir o sucesso de projetos focados em inovação, a maturidade da gestão exige a integração sistemática de indicadores financeiros e não financeiros, como satisfação do cliente, qualidade e capacidade de resposta, construindo uma visão integrada de valor (Ostáquio, 2025), em conformidade com as diretrizes do Project Management Body of Knowledge (PMI, 2021).
Buscando mitigar a lacuna de gestão fragmentada e responder às exigências tecnológicas e de planejamento do setor de serviços de alimentação, a organização adotou um modelo de gestão de projetos que integra ferramentas, recursos e processos em uma plataforma centralizada. A escolha por uma solução baseada em software de código aberto, como o OpenProject, alinha-se às vantagens da utilização de ferramentas FOSS4G, que demonstram a capacidade de automatizar processos, reduzir custos e prazos, e aumentar a qualidade dos produtos gerados (Jesus, 2023). Essa abordagem visa prover maior transparência e alinhamento de metas, elementos cruciais para a adaptação ágil e a entrega de resultados consistentes.
Diante da complexidade e dinamismo do setor de serviços de alimentação, e da necessidade de uma gestão de projetos mais robusta e adaptável, este estudo justifica-se pela relevância de analisar e documentar o processo de implementação de uma solução de gestão de projetos de código aberto. O objetivo desta pesquisa é analisar e documentar o processo de implementação de uma solução de gestão de projetos de código aberto, evidenciando como a estruturação de recursos e processos de governança foi alcançada por meio de uma plataforma OpenProject.
2. Material e Métodos
A metodologia de pesquisa adotada neste estudo foi caracterizada, quanto à sua natureza, como aplicada, buscando oferecer uma solução a um problema prático no campo da gestão de projetos (Miguel et al., 2012). Em relação aos objetivos, a pesquisa foi de caráter descritivo e exploratório (Prodanov e Freitas, 2013), visando detalhar as características do fenômeno estudado e explorar aspectos pouco conhecidos sobre a implementação de soluções de gestão de projetos em um contexto de transformação digital.
O delineamento da pesquisa configurou-se como um estudo de caso único (Yin, 2010), concentrado em uma empresa de grande porte atuante no setor de serviços de alimentação. Este estudo empregou uma abordagem mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos (Creswell, 2010). Essa abordagem permitiu integrar a análise de dados numéricos com dados de percepção e documentais, proporcionando uma compreensão abrangente da eficácia da governança de projetos implementada.
O objeto de estudo principal foi o Projeto de Estruturação da Gestão de Projetos (PEGP), que teve como propósito estruturar e otimizar a gestão de projetos na organização. Isso foi realizado por meio da adaptação da plataforma “OpenProject”, internamente denominada “DelaProject”, da definição de indicadores de desempenho e da criação de um portfólio de projetos segmentado, alinhado às necessidades estratégicas da empresa.
Para garantir a reprodutibilidade do estudo e focar nas fases de Iniciação e Planejamento do PEGP, o projeto foi conduzido por meio de quatro etapas metodológicas e operacionais. A primeira etapa consistiu na parametrização inicial do software. A segunda etapa envolveu a adaptação da plataforma às rotinas operacionais específicas da empresa, customizando-a para atender aos fluxos de trabalho existentes.
A terceira etapa compreendeu a definição e configuração dos Indicadores de Gestão de Projetos (KPIs) essenciais para o monitoramento do desempenho. Por fim, a quarta etapa focou na implementação de ferramentas e metodologias de gestão, culminando na formalização do Portfólio de Inovação da empresa, integrando todos os projetos em uma visão centralizada.
A coleta de dados foi realizada por meio de três estratégias padronizadas. Inicialmente, utilizou-se a pesquisa documental para analisar a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), conforme detalhado nos documentos de Pacotes de Trabalho e na Visão Geral do projeto na plataforma. Esta análise visou comprovar a formalização prática das fases de Iniciação e Planejamento do PEGP.
Em seguida, realizou-se o levantamento de dados secundários, que consistiu na extração de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs) numéricos diretamente da plataforma interna de gestão. Os dados foram coletados para o período compreendido entre novembro de 2025 e março de 2026, permitindo o acompanhamento do desempenho dos projetos ao longo de cinco meses.
Por fim, a percepção dos usuários foi levantada por meio de um questionário online, aplicado na plataforma Google Forms. Adotou-se uma amostra não probabilística por conveniência, e o questionário foi enviado diretamente aos colaboradores ativos na plataforma. O instrumento continha treze questões, incluindo itens de múltipla escolha, escala Likert de cinco pontos e perguntas dissertativas, conforme detalhado no Apêndice A.
O questionário teve como objetivo avaliar a maturidade da gestão de projetos, a usabilidade da ferramenta DelaProject e as principais causas de atrasos percebidas pelos usuários. As questões abordaram o perfil dos respondentes, a avaliação da ferramenta e os fatores que contribuíam para os desvios de cronograma, buscando uma compreensão qualitativa dos desafios operacionais.
Quanto à análise dos dados, os dados quantitativos extraídos da plataforma e do questionário foram tabulados e tratados por estatística descritiva. Os dados qualitativos, provenientes das questões abertas do questionário e da investigação documental, foram submetidos à análise crítica e comparativa, estabelecendo relações com a literatura pertinente para contextualizar os achados.
Os aspectos éticos da pesquisa foram rigorosamente observados. A realização do estudo foi formalmente autorizada pela organização participante, mediante a assinatura do Termo de Anuência Institucional, conforme apresentado no Apêndice B. Este termo garantiu a permissão para o uso dos dados secundários e das respostas dos questionários para fins exclusivamente acadêmicos.
Adicionalmente, a aplicação do questionário online resguardou o anonimato dos usuários e assegurou o consentimento livre e esclarecido dos participantes, em conformidade com as diretrizes éticas estabelecidas (Apêndice C). Todos os dados coletados foram tratados com confidencialidade, garantindo a privacidade e a integridade das informações fornecidas pelos colaboradores da empresa.
3. Resultados e Discussão
A implementação da plataforma OpenProject, internamente denominada DelaProject, representou um marco significativo na estruturação da gestão de projetos da empresa, alinhando-se ao objetivo de otimizar a governança e o portfólio de inovação. As etapas iniciais de parametrização do software e sua adaptação às rotinas operacionais foram cruciais para centralizar o portfólio de inovação e mitigar a fragmentação de registros documentais que existia anteriormente. Essa abordagem permitiu estabelecer uma base sólida para a gestão, conforme as diretrizes do Project Management Body of Knowledge (PMI, 2021), que preconiza a integração sistemática de recursos e processos para uma visão unificada e orientada à entrega de valor.
Para operacionalizar a governança, foram definidos papéis estruturais claros, como Líder da Equipe e Mentor, e criados modelos padronizados para a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), bem como fluxos de aprovação. A priorização das funcionalidades a serem implementadas na plataforma foi guiada pela Matriz Esforço x Impacto, uma ferramenta interna que classificou as demandas em quadrantes. Inicialmente, o foco recaiu sobre as “Ações Rápidas”, caracterizadas por alto impacto e baixo esforço, visando garantir uma rápida adesão da equipe. Entre essas ações, destacaram-se a definição dos papéis estruturais na plataforma e a padronização da aba “Visão Geral”, elementos essenciais para centralizar as informações básicas de todos os projetos e facilitar a compreensão dos usuários.
A terceira etapa do projeto concentrou-se na extração e análise de Indicadores-Chave de Desempenho (KPIs), fornecendo uma visão quantitativa do portfólio de projetos. O monitoramento realizado via plataforma revelou a existência de 24 projetos ativos no mês de fevereiro de 2026. A distribuição desses projetos por fase demonstrou uma concentração notável na etapa de execução, com 66,7% das iniciativas situadas na fase de Desenvolvimento. As demais fases apresentaram proporções menores, com 16,7% em Estudo de Viabilidade, 8,3% em Go Live/Entrega, 4,2% em Estruturação e 4,1% em Pós Go Live, indicando um volume substancial de trabalho em andamento.
No que concerne à pontualidade, a análise dos cronogramas operacionais evidenciou um desafio persistente para a governança. Em dezembro de 2025, o índice de tarefas entregues com atraso atingiu um pico de 50,7%, um dado crítico que impulsionou uma investigação aprofundada das causas. Embora os indicadores mais recentes, referentes a fevereiro de 2026, tenham mostrado uma leve recuperação, com 41,4% das tarefas finalizadas em atraso e 58,6% no prazo, o volume de desvios operacionais permaneceu elevado, sinalizando a necessidade de ações corretivas para aprimorar o cumprimento dos prazos.
A análise temporal dos projetos em carteira revelou que a maior parte do portfólio possuía uma duração estimada entre seis meses e um ano. Projetos com duração superior a dois anos representavam uma parcela menor, enquanto aqueles com até seis meses também eram significativos. O cruzamento desses indicadores temporais com os dados de pontualidade sugeriu que projetos com maior duração apresentavam uma propensão mais elevada a desvios de cronograma, indicando uma complexidade inerente ou uma gestão de expectativas que precisava ser ajustada para iniciativas de longo prazo.
Essa dificuldade em manter o rigoroso cumprimento dos prazos em projetos de inovação tecnológica reflete os obstáculos amplamente discutidos na literatura. Autores como Barthel e Hess (2020) e Gonçalves et al. (2021) destacam que a inflexibilidade do gerenciamento tradicional se torna um desafio crítico em ambientes de transformação digital, frequentemente resultando em prazos subestimados e mudanças de escopo não gerenciadas. Nesse contexto, a aplicação isolada de métricas tradicionais de prazo, custo e escopo mostra-se insuficiente, conforme apontado por Ostáquio (2025), o que reforça a necessidade de adotar metodologias híbridas que combinem padrões preditivos e adaptativos para absorver as variações intrínsecas ao setor.
Para investigar as causas raízes do elevado índice de tarefas em atraso, a quarta etapa metodológica aplicou a técnica dos 5 Porquês, uma ferramenta analítica de mapeamento de problemas. Essa investigação estruturada revelou que a causa-raiz principal residia no planejamento inicial das tarefas, onde o tempo e o esforço eram frequentemente subestimados e engessados. Essa rigidez impedia a flexibilidade necessária para absorver as variações e urgências diárias inerentes à operação real, o que, por sua vez, serviu de embasamento prático para a elaboração do questionário qualitativo aplicado aos usuários, buscando capturar a percepção humana por trás das métricas quantitativas.
A pesquisa qualitativa envolveu 11 colaboradores que atuam diretamente no portfólio da organização, todos com tempo de utilização da plataforma superior a três meses, período considerado suficiente para a consolidação de percepções fidedignas sobre os processos. O perfil dos respondentes indicou uma forte presença de usuários com vivência prática nos projetos, sendo 72,7% Jogadores Principais, 18,2% Líderes de Equipe e 9,1% Responsáveis pelo Acompanhamento. Quanto ao tempo de uso da plataforma, 72,7% a utilizavam há mais de seis meses, e 27,3% entre três e seis meses, confirmando a experiência do grupo com a ferramenta.
Os dados qualitativos revelaram uma excelente aceitação da usabilidade e da arquitetura da ferramenta DelaProject. A totalidade dos respondentes concordou, parcial ou totalmente, que a aba de Documentos auxilia na centralização de informações e que os papéis de governança, como Líder, Jogador e Mentor, estão claros na condução dos projetos. Além disso, a maioria absoluta dos colaboradores concordou que a estruturação do DelaProject contribui ativamente para a transformação digital da empresa, indicando que a parametrização do software cumpriu seu objetivo estrutural de prover uma plataforma integrada e funcional.
Contudo, ao investigar as causas dos elevados índices de tarefas em atraso, um dado revelador emergiu: os colaboradores não atribuíram o problema principal a falhas na estimativa de tempo, com a maioria respondendo de forma neutra ou discordando da afirmação de que o tempo das tarefas tem sido subestimado no planejamento. Em vez disso, as respostas dissertativas apontaram de forma quase unânime para um obstáculo central: a concorrência direta entre a execução dos projetos e as demandas urgentes da rotina operacional, evidenciando uma priorização das atividades diárias em detrimento dos projetos de inovação.
Os relatos dos usuários, como “lidamos com demandas rotineiras e urgentes que acabam tendo prioridade no dia a dia” e “os projetos são tratados como não prioritários”, indicam que, apesar da visibilidade proporcionada pela ferramenta, a empresa ainda enfrenta um gargalo de aculturamento e dependência de terceiros. Essa dinâmica corrobora as observações de França (2020) e HS Innovations (2024), que destacam a pressão por entregas imediatas, o rigoroso controle de operações e a alta dinamicidade como desafios críticos no setor de “food service”. Como reflexo direto dessa dinamicidade, 100% dos respondentes concordaram, parcial ou totalmente, que as constantes mudanças de rota e a inclusão de demandas não previstas são a principal causa dos atrasos, comprovando o impacto da rotina nos cronogramas.
Como sugestão de melhoria, destacou-se a necessidade de implementar controles intermediários e sinalizações visuais claras de tarefas “bloqueadas” na plataforma, proporcionando visibilidade rápida à gestão. Essa medida visa mitigar os impactos das demandas não previstas e das mudanças de rota. No geral, concluiu-se que a adoção tecnológica foi bem-sucedida em termos de estruturação e centralização, mas, para superar os atrasos e garantir a continuidade do portfólio de inovação, a organização precisará consolidar práticas de metodologias híbridas, conforme preconizado por Ostáquio (2025), garantindo a flexibilidade exigida pela rotina sem inviabilizar o andamento dos projetos.
Em síntese, a implementação da plataforma OpenProject, denominada DelaProject, demonstrou ser eficaz na centralização do portfólio de inovação e na formalização da governança, promovendo maior transparência operacional e alinhamento de metas. Contudo, a análise dos indicadores de desempenho revelou que o cumprimento rigoroso dos cronogramas permanece o desafio mais crítico, impulsionado pela alta dinamicidade do setor de serviços de alimentação e pela subestimação do esforço na fase inicial de planejamento. A tecnologia, por si só, não soluciona integralmente os desafios de cumprimento de prazos, evidenciando a necessidade de consolidar metodologias híbridas que aliem a estrutura centralizada da plataforma a práticas ágeis, a fim de absorver as demandas não previstas do setor e garantir a plena maturação do modelo adotado e a continuidade do portfólio de inovação.
4. Conclusão
O presente estudo buscou analisar e documentar o processo de implementação de uma solução de gestão de projetos de código aberto, evidenciando a estruturação de recursos e processos organizacionais por meio da plataforma OpenProject. Verificou-se que a customização do software, denominado DelaProject, centralizou o portfólio de inovação da empresa e mitigou a fragmentação de registros documentais, estabelecendo uma base sólida para a governança. A definição de papéis estruturais claros e a padronização de modelos para a Estrutura Analítica do Projeto e fluxos de aprovação promoveram maior transparência operacional e alinhamento de metas. Contudo, o monitoramento dos indicadores de desempenho revelou um desafio persistente no cumprimento dos cronogramas, com uma parcela significativa de tarefas finalizadas em atraso. A investigação das causas indicou que o planejamento inicial, com subestimação de tempo e esforço, e a concorrência direta entre a execução dos projetos e as demandas urgentes da rotina operacional, são os principais fatores que impactam a pontualidade.
Apesar da excelente aceitação da usabilidade da ferramenta e da percepção dos usuários sobre sua contribuição para a transformação digital, os resultados evidenciam que a tecnologia, por si só, não soluciona integralmente os desafios de cumprimento de prazos. A principal limitação observada reside na dificuldade de conciliar a estrutura de gestão de projetos com a alta dinamicidade do setor de serviços de alimentação, que exige flexibilidade para absorver demandas não previstas. Para a plena maturação do modelo adotado e a melhoria contínua dos indicadores de desempenho, recomenda-se a consolidação de metodologias híbridas, que aliem a estrutura centralizada da plataforma a práticas ágeis. Sugere-se, ainda, a implementação de controles intermediários e sinalizações visuais para tarefas bloqueadas, a fim de proporcionar visibilidade rápida à gestão e garantir a continuidade do portfólio de inovação.
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Yin, R.K. 2010. Case study research: design and methods. 4ed. Sage Publications, Thousand Oaks. Califórnia, EUA.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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