Artigo

30 de julho de 2026

Supervisão do Sistema Financeiro na Era Digital: riscos emergentes e diretrizes para o Brasil

Flávia Leite Soares Cavalcanti; Lucineide Bispo dos Reis Luz

DOI: 10.22167/2675-6528-202600804

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A digitalização das finanças, manifestada pela expansão de ecossistemas como pagamentos instantâneos e “open finance”, pela entrada de fintechs e grandes empresas de tecnologia, e pela crescente adoção de computação em nuvem, criptoativos e inteligência artificial, reconfigurou o sistema financeiro e ampliou a exposição a riscos interconectados, com potencial de rápida propagação por infraestruturas críticas, integrações via APIs e cadeias de terceiros. Nesse contexto, o estudo examinou de que modo a supervisão do Sistema Financeiro Nacional (SFN) pode fortalecer sua capacidade de antecipação, detecção e mitigação desses riscos, a partir da adaptação de referenciais internacionais em diretrizes operacionais aplicáveis ao contexto brasileiro. Para tanto, adotou-se abordagem qualitativa, combinando análise documental, revisão bibliográfica estruturada, entrevistas semiestruturadas e análise comparativa internacional, com foco no monitoramento do SFN sob a perspectiva do Banco Central do Brasil. Os resultados evidenciaram que a autoridade supervisora dispõe de ativos institucionais relevantes, como arcabouço normativo moderno, inserção internacional, processos participativos e base informacional robusta, mas também revelaram oportunidades de aprimoramento voltadas a conferir maior tempestividade e escalabilidade ao ciclo “dados-sinal-ação”, especialmente em ecossistemas desagregados, terceirizados e caracterizados por fronteiras regulatórias difusas. Concluiu-se que o fortalecimento do monitoramento do SFN depende menos da formulação de novos princípios gerais e mais da conversão de riscos emergentes em critérios operacionais de priorização, escalonamento e resposta, com ênfase em resiliência digital, supervisão de terceiros críticos, governança de dados e expansão responsável de capacidades de SupTech.

Palavras-chave: Governança de dados; Resiliência digital; Riscos emergentes; Supervisão prudencial; SupTech.

1. Introdução

O sistema financeiro atravessa um ponto de inflexão associado à digitalização acelerada das finanças. Esse fenômeno se manifesta pela expansão de ecossistemas digitais, como pagamentos instantâneos e “open finance”, pela entrada de novos atores, a exemplo de “fintechs” e grandes empresas de tecnologia, e pela adoção disseminada de computação em nuvem, criptoativos e inteligência artificial (IA). Tais avanços, embora ampliem a eficiência, a competição e a inclusão (Nagesh, 2025), também intensificam a complexidade e a interconexão de riscos no sistema.

A crescente complexidade e interconexão implicam que os riscos podem se propagar rapidamente por infraestruturas críticas, integrações via interfaces de programação de aplicações (APIs) e cadeias de terceiros. Ecossistemas mais abertos e intensivos em dados, ao mesmo tempo em que elevam a produtividade, expõem o sistema a potenciais pontos únicos de falha. Estes pontos estão frequentemente associados a provedores concentrados de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e serviços de nuvem, gerando efeitos de rede capazes de acelerar a transmissão de choques (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024). Adicionalmente, a aplicação de IA em decisões de crédito, gestão de riscos e vigilância de mercado, apesar dos ganhos de escala e eficiência, introduz vulnerabilidades relacionadas à opacidade, a vieses e a potenciais dinâmicas de comportamento gregário (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024).

Nesse cenário em evolução, a estabilidade financeira depende cada vez menos do monitoramento isolado de entidades e mais da capacidade de antecipar, detectar e mitigar encadeamentos entre riscos tecnológicos, operacionais e prudenciais. Isso exige medidas proporcionais, baseadas em risco e coordenadas entre as autoridades (Nagesh, 2025; Shavshukov & Zhuravleva, 2023; Papathanassiou, 2024). Os marcos internacionais recentes convergem para a preservação do núcleo prudencial (capital, liquidez, alavancagem e testes de estresse) e, simultaneamente, para o fortalecimento explícito de requisitos relacionados a riscos digitais e a terceiros críticos (Nagesh, 2025).

Dentro desse escopo ampliado, a resiliência operacional, a governança robusta e a agregação e reporte tempestivo de dados de risco, conhecidos como “Risk Data Aggregation and Risk Reporting” (RDARR), ganham centralidade (Banco Central Europeu (ECB), 2024). A gestão eficaz de riscos de modelos e de IA também se mostra crucial (Bains, et al., 2025). A premissa subjacente é que os avanços em capacidades analíticas e tecnologias de supervisão, como “SupTech” e IA, produzem resultados consistentes apenas quando sustentados por governança adequada e por dados íntegros, tempestivos e reprodutíveis. Essa abordagem visa reduzir o risco de decisões apoiadas em informações incompletas, tardias ou não verificáveis (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022; Bains, et al., 2025).

No plano regulatório, novos modelos de negócio podem explorar lacunas de perímetro e assimetrias de tratamento entre bancos e não bancos (Nagesh, 2025). A União Europeia, por exemplo, respondeu a parte desses desafios com marcos como o “Markets in Crypto-Assets” (MICA) e o “Digital Operational Resilience Act” (DORA), voltados a reduzir a arbitragem regulatória e fortalecer a resiliência operacional digital (Papathanassiou, 2024; Nagesh, 2025). Paralelamente, a Intermediação Financeira Não Bancária (IFNB), ou “shadow banking”, cujas atividades podem reproduzir vulnerabilidades bancárias, reforça a necessidade contínua de respostas regulatórias adaptativas (Nagesh, 2025).

No caso brasileiro, o Banco Central do Brasil (BCB) atua como regulador, supervisor e autoridade de resolução, dispondo de instrumentos consolidados de monitoramento e comunicação de riscos. Contudo, o desafio contemporâneo reside em adaptar referenciais internacionais e lições comparadas a diretrizes práticas aplicáveis ao contexto nacional. Essa adaptação exige ênfase em processos e critérios de governança, como responsabilização, qualidade, tempestividade, escalonamento e ciclos de retroalimentação, capazes de ampliar a capacidade analítica do monitoramento (Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS), 2013; Banco Central Europeu (ECB), 2024; Bains, et al., 2025). A transformação digital do sistema financeiro tem alterado não apenas os modelos de negócio e a infraestrutura dos serviços financeiros, mas também a natureza, a velocidade e os canais de transmissão dos riscos relevantes para a supervisão (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022; Nagesh, 2025).

Em consequência, torna-se necessário avançar de abordagens predominantemente reativas para arranjos de monitoramento mais tempestivos, integrados e capazes de operar em ambientes marcados por maior interconectividade, desagregação funcional e dependência tecnológica (Papathanassiou, 2024). Diante desse cenário, o presente trabalho busca analisar de que modo o monitoramento do Sistema Financeiro Nacional pode ser fortalecido na era digital, com base na identificação de riscos emergentes, na análise comparativa de experiências e referenciais internacionais e na proposição de diretrizes aplicáveis ao contexto brasileiro.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa adotou uma abordagem aplicada, de caráter exploratório-descritivo, com o objetivo de formular diretrizes práticas para o fortalecimento da governança e dos processos de monitoramento da supervisão do Sistema Financeiro Nacional (SFN) na era digital. O estudo examinou a capacidade da supervisão em antecipar, detectar e mitigar riscos emergentes associados à digitalização das finanças no Brasil, utilizando uma metodologia de métodos mistos que combinou abordagens qualitativas e quantitativas.

O delineamento da pesquisa combinou um estudo aplicado sobre os mecanismos de monitoramento do SFN, sob a perspectiva do Banco Central do Brasil (BCB), com uma análise comparativa de referenciais internacionais pertinentes. A unidade de análise concentrou-se nos arranjos de governança, processos, instrumentos e capacidades analíticas do monitoramento da supervisão do SFN no contexto da transformação digital. A escolha por métodos mistos visou articular diferentes tipos de evidência para maior robustez da análise.

O recorte temporal da pesquisa abrangeu o período de 2022 a 2025, selecionado por concentrar transformações significativas no ambiente financeiro digital e atualizações de marcos regulatórios internacionais, como os relacionados a Risk Data Aggregation and Risk Reporting (RDARR) e SupTech. A estratégia metodológica centralizou-se na triangulação de três frentes complementares de investigação: análise documental, revisão bibliográfica estruturada e levantamento empírico.

A análise documental abrangeu um vasto acervo de normas, relatórios institucionais e publicações técnicas produzidas pelo próprio BCB. Foram examinadas as edições dos Relatórios de Estabilidade Financeira (REF), os Trabalhos para Discussão (“Working Papers”) focados na eficácia de ferramentas de SupTech, e materiais institucionais de fóruns técnicos e documentos de gestão de crises cibernéticas, fornecendo uma base sólida para a compreensão do arcabouço regulatório e das práticas existentes.

A revisão bibliográfica estruturada concentrou-se em literatura acadêmica e técnico-institucional relevante para o tema. Os tópicos abordados incluíram monitoramento prudencial, resiliência operacional, gestão de terceiros críticos, agregação e reporte de dados de risco (RDARR), governança de modelos e tecnologias de supervisão (SupTech). Essa etapa buscou contextualizar o estudo dentro do conhecimento existente e identificar os referenciais teóricos e práticos mais pertinentes.

O levantamento empírico foi realizado em duas camadas. A primeira consistiu na coleta de evidências primárias por meio de entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistados especialistas em posições estratégicas nas áreas de Regulação e de Supervisão do BCB, utilizando-se roteiros específicos para cada área. As entrevistas visaram captar percepções qualificadas sobre riscos emergentes, lacunas operacionais, capacidades institucionais e oportunidades de aprimoramento do monitoramento do SFN.

A segunda camada do levantamento empírico utilizou evidências secundárias institucionais do BCB. Foram analisados questionários trimestrais da Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF), aplicados a entidades supervisionadas entre 2024 e 2025, focados em riscos emergentes, operacionais e cibernéticos. Adicionalmente, incorporaram-se dados do “Mapeamento de riscos tecnológicos do SFN e do SPB”, da “Pesquisa sobre o uso de inteligência artificial no Sistema Financeiro Nacional”, aplicada a 606 instituições, e do “Mapa de TI” (Banco Central do Brasil, 2024; Banco Central do Brasil, 2025).

A técnica de análise dos dados baseou-se na triangulação das fontes primárias e secundárias, confrontando normas, referenciais teóricos, percepções especializadas e evidências empíricas agregadas. Essa abordagem visou produzir um diagnóstico aplicado e subsidiar a formulação de diretrizes. Para fins analíticos, os riscos e instrumentos examinados foram organizados em cinco domínios temáticos: riscos digitais e interconectados; terceiros críticos e concentração; governança, agregação e reporte de dados de risco (RDARR); governança de modelos e inteligência artificial; e processos ponta a ponta do monitoramento.

A análise foi orientada não apenas à descrição dos riscos e instrumentos identificados, mas também à compreensão de como esses elementos se articulam com as capacidades institucionais de priorização, escalonamento e resposta. Essa perspectiva direcionou a investigação para sustentar a formulação de diretrizes aplicáveis ao contexto brasileiro, com foco no fortalecimento da resiliência digital, na ampliação da visibilidade sobre terceiros críticos, no aprimoramento do ciclo de dados de risco e na expansão responsável de capacidades analíticas e de SupTech.

3. Resultados e Discussão

A análise combinada de documentos, entrevistas semiestruturadas e questionários permitiu identificar convergências relevantes quanto aos desafios do monitoramento do Sistema Financeiro Nacional (SFN) na era digital. Os achados indicam que o Banco Central do Brasil (BCB) dispõe de ativos institucionais importantes, como uma base de informações robusta, arcabouço normativo moderno, inserção internacional e processos participativos. Contudo, a autoridade supervisora ainda enfrenta dificuldades para converter o volume e a complexidade crescentes das informações em ação supervisória suficientemente tempestiva e escalável (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

A triangulação das evidências revelou três achados centrais. Primeiramente, há uma percepção disseminada de que o Banco Central possui capacidades institucionais relevantes para os desafios da digitalização, embora sua operacionalização seja desigual. Em segundo lugar, o principal gargalo não reside apenas na disponibilidade de dados, mas na capacidade de transformá-los em sinais úteis para priorização, escalonamento e resposta (Bains, et al., 2025; Monkiewicz & Monkiewicz, 2022). Por fim, os riscos associados a terceiros críticos, ecossistemas desagregados, inteligência artificial e perímetros regulatórios difusos reforçam a necessidade de mecanismos de monitoramento mais integrados, tempestivos e orientados por risco (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024; Bains, et al., 2025).

Eixos analíticos da discussão

A interpretação dos achados foi organizada em torno de três eixos analíticos complementares. O primeiro eixo aborda a governança de dados e a capacidade institucional de transformar informações dispersas em sinais úteis para priorização, escalonamento e resposta. O segundo eixo foca na resiliência operacional e na gestão de terceiros críticos, em um contexto de crescente dependência tecnológica e maior interconexão entre infraestruturas e prestadores de serviços. O terceiro eixo envolve os desafios de perímetro regulatório e de visibilidade sobre riscos que podem se deslocar para além das fronteiras tradicionais do sistema bancário, permitindo examinar os desafios de converter informação em ação supervisória tempestiva.

A literatura recente, como apontado por Nagesh (2025), indica que a digitalização das finanças ampliou a interconexão entre instituições, infraestruturas e prestadores de serviços. Isso deslocou parte relevante do foco da supervisão para riscos tecnológicos, operacionais e organizacionais com potencial de rápida propagação. Em ambientes marcados por ecossistemas desagregados, intensivos em dados e fortemente dependentes de integrações tecnológicas, o monitoramento exige maior visibilidade sobre dependências críticas, efeitos de rede e potenciais pontos únicos de falha (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024).

Capacidades institucionais e limites operacionais

Os achados revelam que o Banco Central do Brasil dispõe de ativos institucionais relevantes, como base informacional acumulada, arcabouço normativo moderno, interlocução internacional e processos participativos de construção regulatória. Contudo, os relatos convergem no sentido de que esses ativos nem sempre se traduzem em processos operacionais capazes de absorver com rapidez a crescente complexidade dos riscos emergentes. A modernização normativa do BCB, embora alinhada a diagnósticos de risco e padrões internacionais (Banco Central Europeu (ECB), 2024), ainda precisa ser traduzida em instrumentos operacionais, requisitos verificáveis e indicadores diretamente utilizáveis no monitoramento, para reduzir assimetrias entre formulação e implementação prática.

Os entrevistados reconhecem que iniciativas regulatórias estruturantes contribuíram para reduzir a concentração e ampliar a competição em mercados como o de pagamentos, alinhando-se à tendência global de promoção da inovação por meio de fintechs e ecossistemas abertos (Nagesh, 2025). Apesar da ampla base informacional e da capacidade de monitoramento do BCB, o desafio central reside em converter o volume de informação em capacidade efetiva de ação. Esse paradoxo, conforme Monkiewicz e Monkiewicz (2022), dialoga com o esgotamento de modelos de supervisão tradicionais diante do crescimento acelerado dos dados financeiros. O aprimoramento do monitoramento, portanto, depende do fortalecimento da capacidade institucional de converter informação em decisão e resposta tempestivas, mediante avanços em triagem, priorização, automação e ferramentas analíticas, incluindo o uso criterioso de inteligência artificial (Bains, et al., 2025; Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

Articulação entre regulação e supervisão

A valorização de processos participativos fortaleceu a qualidade regulatória, com o BCB adotando uma postura mais indutora, apoiada em consultas públicas e interlocução com o mercado, o que tende a produzir resultados normativos mais sólidos. No entanto, a solidez normativa, por si só, não elimina dificuldades de implementação. A agenda de aprimoramento foca no fortalecimento da camada operacional que conecta regulação e supervisão, por meio de instrumentos mais claros de implementação, requisitos de dados, guias operacionais e práticas de supervisão orientadas a risco. A organização do monitoramento por segmentos e o uso de alertas automatizados são respostas pragmáticas, mas precisam ser complementadas por abordagens mais adaptativas, como detecção de anomalias e amostragem inteligente, para reduzir pontos cegos e ampliar a antecipação (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

A gestão de crises tecnológicas e cibernéticas também evidencia a necessidade de fortalecer a camada operacional. O Relatório de Estabilidade Financeira de novembro de 2024 (Banco Central do Brasil, 2024) sistematiza capacidades essenciais para uma resposta efetiva, como a definição clara de crise operacional, critérios objetivos de escalonamento, mobilização tempestiva da alta administração, governança com papéis delimitados em comitês de crise, arcabouço normativo para continuidade de negócios e segurança cibernética, comunicação efetiva e gestão proativa de terceiros críticos. Desafios persistentes incluem a capacitação institucional especializada, a colaboração interinstitucional e a comunicação tempestiva de incidentes em fornecedores críticos. O aprimoramento do monitoramento depende de arranjos operacionais, tecnológicos e decisórios que permitam ação rápida, coordenada e proporcional à velocidade de propagação dos riscos (Nagesh, 2025).

Riscos emergentes e desafios de perímetro regulatório

Os resultados evidenciam a complexidade imposta por cadeias longas de terceirização e novos arranjos digitais, como o Banking-as-a-Service (BaaS), ao monitoramento prudencial (Papathanassiou, 2024). A agenda regulatória tem buscado responder a esse fenômeno, mas ainda há necessidade de maior objetividade na definição de critérios para governança de terceiros, controles mínimos, rastreabilidade e responsabilização ao longo da cadeia de serviços. O Relatório de Estabilidade Financeira do segundo semestre de 2025 (Banco Central do Brasil, 2025) descreve incidentes com impactos financeiros e operacionais relevantes, identificando vetores de amplificação sistêmica, como a interconectividade do SFN e a dependência de provedores críticos de serviços de tecnologia (PSTIs).

A análise dos reportes de incidentes cibernéticos ao Banco Central do Brasil revela uma tendência de crescimento e materialidade desses riscos. Em 2018, foram registrados sete incidentes, número que aumentou para 18 em 2019, 27 em 2020, 33 em 2021, e atingiu 59 em 2024. Embora tenha havido uma leve redução para 53 incidentes até agosto de 2025, a trajetória geral aponta para a crescente complexidade e o impacto potencial desses eventos no sistema financeiro.

Organismos internacionais têm destacado riscos associados à intermediação financeira não bancária, enfatizando o monitoramento proporcional e o tratamento orientado por materialidade, sem comprometer a concorrência e a inovação. Para o SFN, isso implica aprimorar instrumentos e critérios aplicáveis às zonas de fronteira regulatória, reduzindo áreas cinzentas e o risco de migração opaca de atividades para o “shadow banking” (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024). A agenda regulatória também incorpora continuamente novos temas, como criptoativos e “stablecoins”, sugerindo a necessidade de consolidar métricas e cenários prospectivos para riscos de transformação estrutural, sem perder a prontidão operacional para riscos cibernéticos recorrentes (Nagesh, 2025).

As fragilidades na gestão do relacionamento com terceiros são evidentes, conforme dados do Banco Central do Brasil (2025). Embora a avaliação prévia da capacidade operacional (66,3%), a formalização do relacionamento (65,7%) e a seleção de prestadores (60,6%) apresentem níveis razoáveis de implementação, práticas centrais para o monitoramento contínuo são menos disseminadas. Por exemplo, apenas 43,9% das instituições mantêm inventários de terceiros contratados, 41,7% realizam classificação por criticidade e 37,3% fazem avaliação periódica dos riscos associados. Esses dados indicam lacunas nas dimensões cruciais para a visibilidade da supervisão e a resposta tempestiva a incidentes.

SupTech, IA e capacidade analítica da supervisão

A incorporação de tecnologia à supervisão é uma trajetória em curso, impulsionada pela ampliação do universo de informações e por restrições de capacidade operacional. O uso de IA e ferramentas analíticas avançadas é percebido como um mecanismo de ganho de escala, triagem e apoio à tomada de decisão, e não como substituição da supervisão tradicional. Contudo, emergem preocupações quanto à necessidade de formalização de arranjos de governança, métricas, rotinas de validação e monitoramento de modelos para assegurar o uso consistente, confiável e escalável dessas tecnologias (Bains, et al., 2025; Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

A adoção de IA no SFN é heterogênea, com 27% das 606 instituições reguladas utilizando soluções e serviços de TI que empregam modelos de IA, enquanto 73% não o fazem (Banco Central do Brasil, 2025). Essa heterogeneidade é acompanhada por elevada dependência de fornecedores externos no desenvolvimento de algoritmos e lacunas em governança específica, como gestão do ciclo de vida dos modelos e explicabilidade proporcional ao risco. Os principais riscos associados ao uso de IA, identificados em pesquisa com 162 instituições, incluem o risco legal ou de não conformidade (66,0%), o risco operacional (65,4%) e o risco decorrente da má qualidade dos dados (64,8%).

Esses achados reforçam a necessidade de um arcabouço mínimo de governança e validação, aplicável tanto às iniciativas internas de SupTech quanto ao uso de IA pelas instituições supervisionadas, a fim de mitigar riscos como opacidade, dependência excessiva de terceiros e concentração em provedores de tecnologia (Bains, et al., 2025; Nagesh, 2025). Embora o Banco Central apresente atuação forte nos pilares prudenciais clássicos, ainda enfrenta dificuldades na dimensão operacional e tecnológica. Estudos empíricos, como o de Degryse, et al. (2025), indicam que ferramentas analíticas de SupTech podem influenciar o comportamento das instituições supervisionadas, induzindo ajustes preventivos.

A agenda prioritária reside no fortalecimento da camada operacional da supervisão, aperfeiçoando processos de triagem, priorização e escalonamento, estabelecendo requisitos verificáveis de dados e expandindo a capacidade analítica integrada à governança existente (Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS), 2013; 2023). O desafio contemporâneo é ampliar a eficácia e a tempestividade analítica no monitoramento de riscos não financeiros emergentes, como resiliência cibernética, dependência de terceiros críticos e fragilidades associadas a ecossistemas tecnológicos mais complexos (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024).

Síntese dos resultados e implicações

A triangulação das evidências permite consolidar que o fortalecimento do monitoramento do SFN na era digital depende menos da formulação de novos princípios gerais e mais da capacidade de traduzir riscos emergentes em critérios operacionais de priorização, escalonamento e resposta. A gestão de crises tecnológicas e cibernéticas, por exemplo, elucida a necessidade de prontidão institucional em tomada de decisão, qualidade da documentação, atualização de planos, acompanhamento de terceiros críticos e comunicação em situações de estresse. A sistematização dessas condutas reforça a necessidade de uma abordagem mais exigente e operacionalmente verificável de resiliência cibernética, com ênfase na definição prévia de papéis decisórios e testes periódicos de planos de resposta (Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS), 2021; União Europeia, 2022).

O destaque conferido aos terceiros críticos, com exigência de monitoramento de acordos de nível de serviço (SLAs), protocolos de comunicação e vedação à delegação integral da gestão da crise ao fornecedor, alinha-se a referenciais rigorosos de gestão de riscos de TIC, como o DORA. Essa abordagem responde aos alertas da literatura sobre riscos sistêmicos de concentração em grandes provedores de nuvem (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024). A comunicação estruturada, por sua vez, é central para a coordenação interna e a contenção de efeitos de contágio, mitigando a propagação de pânico informacional em um contexto de alta velocidade de circulação de dados (Nagesh, 2025).

Diretrizes propostas

À luz dos achados empíricos e da análise comparada, propõe-se um conjunto de diretrizes para fortalecer o monitoramento e a supervisão do SFN na era digital. As recomendações partem do diagnóstico de que os instrumentos prudenciais clássicos, embora relevantes, são insuficientes para lidar com riscos de alta velocidade de propagação, interdependência tecnológica, opacidade em cadeias de terceiros e complexidade operacional (Papathanassiou, 2024; Nagesh, 2025). As diretrizes buscam complementar o arcabouço existente, com foco em resiliência digital, visibilidade sobre dependências críticas, qualidade e tempestividade dos dados, e expansão da capacidade analítica da supervisão, visando tornar o ciclo “dado – sinal – ação” mais verificável, tempestivo e efetivo (Bains, et al., 2025; Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

Resiliência digital exigível e tolerância a falhas

Diante da crescente interconectividade e da velocidade de propagação de choques, propõe-se que a regulação e a supervisão avancem para uma abordagem orientada por resiliência digital exigível e tolerância mensurável a falhas. O risco sistêmico agora abrange arranjos e cadeias tecnológicas capazes de colapsar rapidamente (“too fast to fail”) (Nagesh, 2025). Falhas operacionais relevantes devem ser tratadas como cenários plausíveis, a serem antecipados e superados com o menor impacto sobre funções críticas, deslocando o foco regulatório da prevenção para a capacidade demonstrável de continuidade e recuperação em situações de estresse severo (Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS), 2021; União Europeia, 2022).

Para concretizar essa abordagem, recomenda-se a institucionalização de um regime contínuo de testes de resiliência, como testes de penetração orientados por ameaças (“Threat-Led Penetration Testing” (TLPT)), com foco na identificação de vulnerabilidades em pessoas, processos e tecnologias ao longo de serviços críticos. No contexto brasileiro, essa evolução se fundamenta em iniciativas existentes, como a exigência de testes periódicos de segurança da informação (Resolução CMN n° 4.968, de 2021) e o “Cyber Exercise Framework” do Banco Central. A proposta é avançar para exercícios ponta a ponta, com participação coordenada de múltiplos atores da cadeia tecnológica e operacional, demonstrando a resiliência na prática.

Mapeamento obrigatório de terceiros críticos

Frente à desagregação dos serviços financeiros e à expansão de modelos como BaaS e computação em nuvem, propõe-se o fortalecimento da visibilidade regulatória e supervisória sobre terceiros críticos e dependências operacionais relevantes (Nagesh, 2025). A terceirização, que pode tornar opaca a localização de funções essenciais e concentrar riscos, exige instrumentos que permitam ao supervisor identificar pontos únicos de falha, concentrações excessivas e vulnerabilidades compartilhadas (Nagesh, 2025; Papathanassiou, 2024).

Para tanto, recomenda-se a adoção de exigências robustas de mapeamento, classificação e reporte de terceiros críticos, incluindo cadeias de subcontratação. Essa abordagem deve contemplar critérios mínimos para identificação de dependências essenciais, requisitos de governança contratual, mecanismos de rastreabilidade e condições que assegurem direitos de auditoria e estratégias de saída viáveis (Papathanassiou, 2024). O DORA, por exemplo, exige inventário estruturado de provedores de TIC e avaliação de criticidade (União Europeia, 2022). O objetivo é que o supervisor brasileiro mapeie dependências compartilhadas e avalie concentrações tecnológicas, evitando que a terceirização de serviços resulte na terceirização da gestão de riscos e da conformidade regulatória (Nagesh, 2025).

Fortalecimento do ciclo de agregação e reporte de dados de risco (RDARR) e integração via APIs

Diante da aceleração dos fluxos financeiros e da complexidade dos ecossistemas digitais, propõe-se o fortalecimento do ciclo de agregação e reporte de dados de risco (RDARR) como condição estruturante para o monitoramento efetivo do SFN. O desafio atual não reside apenas na existência formal de estruturas de reporte, mas na capacidade de produzir dados íntegros, rastreáveis, consistentes e úteis em tempo compatível com a velocidade dos riscos emergentes (Comitê de Basileia para Supervisão Bancária (BCBS), 2013; 2023). Sistemas legados e fragmentação de bases reduzem a capacidade de antecipação.

Recomenda-se uma transição progressiva de modelos periódicos e manuais para uma arquitetura mais integrada, automatizada e orientada por dados em fluxo, com maior uso de integração via APIs e mecanismos máquina a máquina (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022). Essa evolução deve ser acompanhada do fortalecimento de dicionários padronizados, metadados, trilhas de auditoria e instrumentos de rastreabilidade de dados (Banco Central Europeu (ECB), 2024). O foco é elevar a verificabilidade e a tempestividade do ciclo “dado – sinal – ação”, reduzindo ruídos operacionais e criando base robusta para alertas precoces e atuação supervisória proporcional (Degryse, et al., 2025).

Expansão estruturada do SupTech, com uso de IA e PLN

Frente à expansão do volume, variedade e velocidade dos dados, propõe-se uma estratégia mais ofensiva de incorporação de tecnologias de supervisão (SupTech), com uso estruturado de IA e Processamento de Linguagem Natural (PLN), para ampliar a capacidade analítica da autoridade supervisora. A supervisão contemporânea não pode depender exclusivamente de procedimentos manuais e modelos reativos, sob pena de aprofundar o descompasso entre a complexidade do sistema e a capacidade de interpretá-lo em tempo oportuno (Monkiewicz & Monkiewicz, 2022).

Nesse cenário, IA e PLN são concebidos como instrumentos para ganho de escala, triagem, identificação de padrões, detecção de anomalias e apoio à decisão, especialmente em contextos de sinais difusos e riscos de rápida propagação (Bains, et al., 2025). Para viabilizar essa expansão, recomenda-se uma agenda de SupTech ancorada em governança robusta, métricas, validação e supervisão humana proporcional ao risco, estruturando rotinas de monitoramento de modelos, critérios de explicabilidade e documentação do ciclo de vida (Bains, et al., 2025; Papathanassiou, 2024).

Evidências recentes para o caso brasileiro indicam que ferramentas analíticas de SupTech podem ir além do ganho de eficiência operacional, induzindo efeitos disciplinadores sobre o comportamento das instituições ao ampliar a percepção da capacidade de observação do supervisor (Degryse, et al., 2025). A diretriz propõe, assim, que o uso de SupTech seja tratado como componente estratégico da supervisão baseada em risco, capaz de tornar o monitoramento mais tempestivo, preventivo e sensível a riscos emergentes, como resiliência cibernética, dependência de terceiros críticos e a governança de IA (Nagesh, 2025). Em síntese, o fortalecimento do monitoramento do SFN na era digital exige a tradução de riscos emergentes em critérios operacionais verificáveis, articulando dados, governança, processos e tecnologia para uma resposta supervisória mais eficaz e adaptativa aos desafios da interconectividade e da complexidade tecnológica.

4. Conclusão

O estudo examinou de que modo o monitoramento do Sistema Financeiro Nacional (SFN) pode ser fortalecido na era digital, a partir da identificação de riscos emergentes, da análise comparativa de referenciais internacionais e da proposição de diretrizes aplicáveis ao contexto brasileiro. Verificou-se que a digitalização das finanças reconfigurou o sistema financeiro, ampliando a exposição a riscos interconectados com potencial de rápida propagação. Os resultados evidenciaram que, embora o Banco Central do Brasil (BCB) disponha de ativos institucionais relevantes, como arcabouço normativo moderno e base informacional robusta, ainda enfrenta desafios para converter o volume e a complexidade crescentes das informações em ação supervisória tempestiva e escalável. Identificou-se que o principal gargalo não reside apenas na disponibilidade de dados, mas na capacidade de transformá-los em sinais úteis para priorização, escalonamento e resposta, especialmente em ecossistemas desagregados, terceirizados e caracterizados por fronteiras regulatórias difusas. Observou-se que os riscos associados a terceiros críticos, à inteligência artificial e aos perímetros regulatórios difusos reforçam a necessidade de mecanismos de monitoramento mais integrados, tempestivos e orientados por risco.

A principal contribuição do estudo reside na proposição de diretrizes operacionais para o fortalecimento do monitoramento do SFN, visando tornar o ciclo “dado – sinal – ação” mais verificável e efetivo. Essas diretrizes enfatizam a adoção de uma lógica de resiliência digital exigível, com testes rigorosos e foco na capacidade demonstrável de continuidade e recuperação de serviços críticos. Sugeriu-se o mapeamento obrigatório de terceiros críticos para ampliar a visibilidade sobre dependências operacionais e tecnológicas com potencial de contágio. Adicionalmente, recomendou-se o fortalecimento do ciclo de agregação e reporte de dados de risco (RDARR), buscando maior integração, rastreabilidade e tempestividade. Por fim, propôs-se a expansão estruturada do SupTech, com uso responsável de inteligência artificial e processamento de linguagem natural para apoiar a triagem, a detecção de anomalias e a priorização supervisória. Conclui-se que o aprimoramento do monitoramento do SFN na era digital depende menos da formulação de novos princípios gerais e mais da conversão de riscos emergentes em critérios operacionais verificáveis, articulando dados, governança, processos e tecnologia para uma resposta supervisória mais eficaz e adaptativa à interconectividade e complexidade tecnológica.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

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17 de setembro de 2026

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Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

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Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

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17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

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Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

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17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

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Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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