11 de agosto de 2026
Relação entre a produção agrícola e o preço de etanol hidratado no Brasil
Miguel Angel de Dios Flores Alarcón; Nayara Barbosa Da Cruz
DOI: 10.22167/2675-6528-202601243
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A demanda por etanol hidratado (combustível) aumentou nos últimos anos, acompanhada por elevação de seu preço de revenda. Embora a cana-de-açúcar seja a principal matéria-prima, o milho emergiu como novo player na produção desse biocombustível. O estudo verificou a relação entre a produção agrícola nacional de cana-de-açúcar e milho e o preço do etanol hidratado no Brasil entre 2017 e 2024. Para isso, empregou-se análise descritiva das variáveis, cálculo de coeficientes de correlação de Pearson e análise de regressão múltipla. Os resultados indicaram uma relação forte e significativa entre a produção de cana-de-açúcar e o preço do etanol hidratado, com correlação negativa. Em contraste, a correlação entre o preço do etanol hidratado e a produção de milho foi baixa. A análise de regressão múltipla apresentou altos coeficientes de determinação, permitindo a estimativa do preço do combustível. Concluiu-se que, apesar da alta confiabilidade do modelo construído com as duas variáveis de produção agrícola, apenas a produção de cana-de-açúcar foi a variável explicativa estatisticamente significativa, enquanto a produção de milho desempenhou um papel complementar na formação do preço do etanol hidratado durante o período analisado.
Palavras-chave: Biocombustível; Cana-de-açúcar; Correlação; Milho; Regressão múltipla.
1. Introdução
A matriz energética brasileira é reconhecida internacionalmente por sua predominância de fontes renováveis, que representam aproximadamente metade da oferta total de energia. Nesse cenário, a biomassa da cana-de-açúcar se destaca, contribuindo com 16,7% da matriz energética nacional. O setor de transportes é o maior consumidor de energia, respondendo por 33,2% do total (BEM, 2025).
Dentro desse contexto, o etanol, um biocombustível renovável com menor impacto ambiental, desempenha um papel central. O consumo de etanol tem crescido, com um aumento de 15,7% em relação a 2023 (BEM, 2025). Historicamente, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), instituído em 1975, foi estratégico para impulsionar a produção de etanol de cana-de-açúcar no Brasil (Andrade et al., 2009). Atualmente, o país é o segundo maior produtor mundial de etanol, contribuindo com cerca de 27% da produção global, atrás apenas dos Estados Unidos (RFA, 2026).
A relevância da cana-de-açúcar para a produção de etanol reside em seu alto teor de carboidratos. Quimicamente, os carboidratos são cadeias de carbono ligadas a grupos hidroxila, e pelo menos um grupo aldeído ou ceto. A sacarose, um dissacarídeo de doze carbonos encontrado na cana-de-açúcar, é um exemplo desses açúcares (Gellerstedt et al., 2009). A quantidade desses açúcares em solução é medida por métodos como Brix e Pol, e o resultado pode ser expresso em Açúcar Total Recuperável (ATR), que serve como indicador de qualidade e base para o pagamento ao produtor (CONSECANA, 2025). Nas usinas, o caldo da cana-de-açúcar é processado para produzir açúcar ou, por fermentação, etanol, permitindo a participação em ambos os mercados (Especialistas da Raízen, 2021).
Nos últimos anos, o setor sucroenergético brasileiro tem passado por transformações estruturais. Embora a produção de açúcar tenha sido favorecida em certos períodos, a demanda por biocombustíveis foi impulsionada pela elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de E27 para E30 (CONAB, 2025). Em 2025, a produção brasileira de etanol alcançou aproximadamente 35,9 milhões de metros cúbicos, provenientes de mais de 365 usinas. Paralelamente à cana-de-açúcar, a produção de etanol de milho tem se consolidado como uma alternativa relevante e crescente no setor (ANP, 2026a; Vidal, 2025).
A dinâmica de preços do etanol hidratado é complexa e influenciada por múltiplos fatores, incluindo custos de produção, o preço da gasolina, a logística, a tributação, a expansão da frota flex e as decisões de produção entre açúcar e etanol (Lima, 2011). Observa-se uma tendência de elevação dos preços ao longo dos últimos anos (CEPEA, 2025). A crescente participação do milho na produção de etanol introduz uma nova variável na formação de preços, ampliando a complexidade do mercado e potencialmente alterando a relação tradicional entre a produção de cana-de-açúcar e o preço do biocombustível.
Diante desse cenário de crescente complexidade e da emergência do milho como matéria-prima para etanol, torna-se relevante investigar como a produção agrícola de cana-de-açúcar e milho se relaciona com o comportamento dos preços do etanol hidratado no Brasil. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a relação entre a produção dessas culturas e o preço do etanol, contribuindo para a compreensão do papel do agronegócio na dinâmica da matriz energética nacional.
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza quantitativa, documental e descritiva, com uma aproximação explicativa, conforme a classificação metodológica proposta por Prodanov e Freitas (2013). Essa abordagem permitiu a utilização de técnicas estatísticas para determinar relações entre variáveis quantificáveis. O foco principal recaiu sobre o preço do etanol hidratado (combustível) em função da produção agrícola total de cana-de-açúcar e milho no Brasil.
O estudo focou na análise da relação entre o preço do etanol hidratado e a produção nacional de cana-de-açúcar e milho. O período de análise abrangeu os dados coletados de janeiro de 2017 a dezembro de 2024. A escolha desse intervalo temporal justificou-se pela consolidação da produção industrial de etanol de milho a partir de 2017 e pela disponibilidade dos dados anuais mais recentes de produção de cana-de-açúcar e milho até 2024.
Os dados de produção agrícola nacional total de cana-de-açúcar e milho foram obtidos de fontes secundárias, especificamente do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), um banco de tabelas estatísticas de acesso e domínio público do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2026a). Os dados foram filtrados por lavoura e quantidade produzida (toneladas). As variáveis foram selecionadas por representarem as principais matérias-primas para a produção de etanol no Brasil.
Para os preços do etanol hidratado, os valores foram levantados a partir da série histórica de preços cobrados ao consumidor final (revenda), disponibilizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP, 2026b). Esses dados, assim como os de produção agrícola, foram coletados para o período compreendido entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024, garantindo a consistência temporal das informações utilizadas na análise.
Para eliminar o efeito inflacionário e permitir a comparação temporal dos valores, os preços do etanol hidratado foram deflacionados. Para isso, utilizou-se uma série histórica de números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também obtida do IBGE (2026b). Os valores corrigidos (Vc) foram calculados com base em dezembro de 2024, aplicando a fórmula Vc = V₁ x (IPCAF / IPCA₁), onde V₁ é o valor do preço do etanol na data inicial, IPCAF é o número-índice final do IPCA e IPCA₁ é o número-índice inicial do IPCA.
Os dados de preços de etanol hidratado e de produção nacional de cana-de-açúcar e milho, originalmente registrados em base mensal, foram consolidados em médias nacionais anuais. A agregação anual mitigou lacunas nas séries mensais e assegurou maior consistência na comparação entre as variáveis. Essa decisão alinhou a granularidade dos dados, considerando que a produção agrícola do IBGE é disponibilizada anualmente.
A análise dos dados iniciou-se com estatística descritiva para caracterizar o comportamento das variáveis. Foram calculadas medidas de tendência central, como a média, e identificados valores extremos superiores e inferiores. Adicionalmente, elaboraram-se gráficos de dispersão para uma avaliação visual preliminar da existência de tendências lineares entre as variáveis de produção agrícola e o preço do etanol hidratado.
Antes da correlação de Pearson, verificaram-se os pressupostos essenciais. Avaliou-se visualmente a linearidade e identificaram-se outliers por meio de gráficos de dispersão. Em seguida, as variáveis foram submetidas ao teste de Shapiro-Wilk para verificar a aproximação à normalidade. Também foram analisadas a homoscedasticidade, a independência e a ausência de multicolinearidade entre os fatores, conforme recomendado por Mattos et al. (2017).
Calcularam-se os coeficientes de correlação de Pearson para quantificar a intensidade e direção da relação linear entre as variáveis quantitativas contínuas. Complementarmente, para avaliar a influência conjunta da produção de cana-de-açúcar e milho sobre o preço do etanol hidratado, utilizou-se um modelo de regressão linear múltipla. O preço do etanol foi definido como variável dependente, e as produções de cana-de-açúcar e milho como independentes, com nível de confiança de 95%. Todos os procedimentos estatísticos foram executados com o auxílio do software Microsoft Excel®.
3. Resultados e Discussão
A análise dos resultados foi conduzida com o objetivo de avaliar a relação entre a produção agrícola de cana-de-açúcar e milho e o preço do etanol hidratado no Brasil, abrangendo o período de 2017 a 2024. Inicialmente, procedeu-se à análise descritiva das variáveis, buscando compreender o comportamento, a variabilidade e os possíveis padrões dos dados ao longo do tempo. Esta etapa preliminar foi fundamental para a investigação das relações estatísticas subsequentes, fornecendo uma base sólida para as interpretações. Os achados iniciais permitiram uma visão panorâmica da dinâmica de cada variável antes de explorar suas interconexões.
As estatísticas descritivas revelaram que o preço do etanol hidratado apresentou uma variação moderada ao longo do período analisado. A média observada foi de R$ 4,21 por litro, com um desvio padrão de 0,58. Os valores extremos registrados foram um mínimo de R$ 3,57 por litro e um máximo de R$ 5,26 por litro. Essas oscilações são compatíveis com a dinâmica complexa do mercado de biocombustíveis, que é influenciado por diversos fatores, incluindo a oferta e demanda, bem como os preços de combustíveis substitutos, conforme apontado por Mosquéra et al. (2024).
No que se refere à produção de cana-de-açúcar, a análise descritiva indicou uma relativa estabilidade durante o período estudado. A produção média foi de 749.899,59 mil toneladas, com um desvio padrão de 20.708,94 mil toneladas. Os valores mínimo e máximo, de 715.679,28 mil toneladas e 782.058,24 mil toneladas, respectivamente, mostraram-se próximos entre si. Esse comportamento reflete o elevado nível tecnológico, a escala produtiva consolidada e a maturidade do setor sucroenergético brasileiro, características que contribuem para a resiliência da cadeia produtiva (Rossetto et al., 2022).
Em contraste, a produção de milho demonstrou maior variabilidade relativa no mesmo período. A média de produção foi de 103.788,55 mil toneladas, com um desvio padrão de 15.558,47 mil toneladas. Os valores mínimo e máximo foram de 82.366,53 mil toneladas e 131.949,71 mil toneladas, respectivamente. Essa maior amplitude e desvio padrão podem ser atribuídos à expansão recente da cultura no país, impulsionada pelo avanço da segunda safra e pela crescente demanda dos setores agroindustrial e energético, conforme discutido por Gurgel et al. (2024).
A análise do coeficiente de variação (CV) reforçou essas observações sobre a estabilidade relativa das variáveis. O preço do etanol hidratado apresentou um CV de aproximadamente 13,7%, indicando uma variabilidade moderada. A produção de cana-de-açúcar, por sua vez, registrou um CV de apenas 2,8%, confirmando sua alta estabilidade. Já a produção de milho exibiu o maior CV, cerca de 15,0%, o que sublinha sua maior instabilidade relativa no período analisado. Esses dados evidenciam o caráter consolidado da cadeia sucroenergética em comparação com a dinâmica mais recente e expansionista da produção de milho no Brasil.
A avaliação visual da relação entre o preço do etanol hidratado e a produção de cana-de-açúcar revelou uma tendência aproximadamente linear negativa. Essa observação sugere uma relação inversa entre as variáveis, indicando que, à medida que a produção de cana-de-açúcar aumenta, o preço do biocombustível tende a diminuir. Tal comportamento é consistente com a teoria econômica da oferta, segundo a qual uma maior disponibilidade do produto no mercado, mantidas as demais condições constantes, exerce uma pressão de queda sobre os preços de venda.
Por outro lado, a análise visual da relação entre o preço do etanol hidratado e a produção de milho não evidenciou um padrão linear claro. A dispersão dos pontos sugeriu uma relação fraca ou até mesmo inexistente entre essas variáveis durante o período analisado. Esse resultado pode ser explicado pela participação ainda incipiente do etanol de milho na matriz energética brasileira. Embora a produção de etanol a partir do milho esteja em crescimento, sua contribuição ainda não se traduz de forma consistente na formação dos preços do etanol hidratado no mercado nacional, como observado por Justus et al. (2024).
Para complementar a análise visual e quantificar a intensidade e a direção das relações lineares, aplicou-se o coeficiente de correlação de Pearson. Previamente, foram verificados os pressupostos de independência, homoscedasticidade e ausência de multicolinearidade entre os fatores. O teste de normalidade de Shapiro-Wilk indicou que as variáveis de produção de cana-de-açúcar e milho apresentavam distribuição aproximadamente normal (p > 0,05), atendendo aos requisitos para a utilização da correlação de Pearson. Contudo, é importante notar que o número reduzido de observações limita o poder estatístico dos testes, exigindo cautela na interpretação dos resultados (Mattos et al., 2017).
Os resultados da análise de correlação de Pearson demonstraram uma relação negativa e de elevada magnitude entre a produção de cana-de-açúcar e o preço do etanol hidratado, com um coeficiente de correlação (r) de -0,835. Essa correlação foi estatisticamente significativa ao nível de 1% (p 0,05). Este resultado sugere que, no período analisado, não há evidências estatísticas robustas de uma associação linear relevante entre a produção de milho e o preço do etanol hidratado, corroborando a análise visual e as limitações apontadas por Mattos et al. (2017).
A ausência de uma relação estatisticamente significativa para a produção de milho pode ser explicada pela sua participação ainda limitada na matriz produtiva brasileira de etanol durante o período avaliado. Embora a produção de etanol de milho esteja em expansão nos últimos anos, sua influência na formação de preços do etanol ainda é inferior àquela exercida pela cana-de-açúcar (ANP, 2026a). De modo geral, os resultados da correlação sublinham o papel mais relevante da cana-de-açúcar na dinâmica de preços do etanol hidratado, enquanto a produção de milho exerce uma influência incipiente.
Para avaliar conjuntamente a influência da produção agrícola de cana-de-açúcar e de milho sobre o preço do etanol hidratado, realizou-se uma análise de regressão linear múltipla. O modelo estimado foi formulado como PEtanol = 25,48 – 3,05 × 10⁻⁵ × Cana + 1,56 × 10⁻⁵ × Milho. Esta equação permitiu descrever as variações do preço do etanol em função das variações observadas nas variáveis explicativas, com um nível de confiança de 95%.
No modelo de regressão, o coeficiente associado à produção de cana-de-açúcar foi negativo e estatisticamente significativo ao nível de 1% (p 0,05). Isso indica que, no período analisado, não há evidências estatísticas suficientes para afirmar que a produção de milho exerça uma influência significativa e direta sobre o preço do etanol hidratado. A contribuição do milho, embora crescente, ainda não se traduz em um impacto estatisticamente relevante na formação dos preços.
Essa evidência pode ser associada à menor participação relativa do etanol de milho na matriz produtiva brasileira durante o período analisado, variando entre aproximadamente 13% e 19%. Em contraste, o etanol de cana-de-açúcar manteve sua predominância, com uma participação entre 80% e 87% (MME; EPE, 2025). Dessa forma, as variações na produção de milho ainda não se traduzem de forma significativa na formação de preços do etanol no mercado nacional, atuando mais como um fator complementar.
A constante (interseção) do modelo de regressão linear múltipla mostrou-se estatisticamente significativa (p < 0,01). Este valor representa o preço esperado do etanol na ausência das variáveis explicativas, funcionando como um importante parâmetro de ajuste do modelo. De maneira geral, os resultados da regressão indicam que a produção de cana-de-açúcar possui uma associação estatisticamente significativa com o preço do etanol hidratado, enquanto a produção de milho não apresenta um efeito estatisticamente relevante, reforçando o papel central da cana-de-açúcar na matriz energética brasileira.
O modelo estimado apresentou um coeficiente de determinação (R²) de 0,81, indicando que aproximadamente 81% da variação observada no preço do etanol hidratado pode ser associada às variáveis de produção agrícola incluídas no modelo. O coeficiente de determinação ajustado (R²-ajustado) foi de 0,73, corrigindo o R² em função do número de variáveis e observações. Embora esses valores sugiram uma boa capacidade explicativa, a interpretação deve ser feita com cautela, especialmente devido ao número reduzido de observações disponíveis, o que pode superestimar o poder explicativo do modelo.
A análise da proximidade entre os valores observados e os valores previstos para o preço do etanol hidratado, embora tenha revelado um bom ajuste, também evidenciou a presença de desvios. Isso indica que uma parcela da variação do preço do etanol não é completamente capturada pelo modelo. Tal resultado sugere que outros fatores, não incluídos na especificação adotada, também desempenham um papel relevante na formação de preços do etanol no Brasil, como o preço da gasolina, a destinação da cana-de-açúcar entre açúcar e etanol, as condições de mercado e as políticas energéticas (Mosquéra et al., 2024).
Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a produção de cana-de-açúcar possui uma associação negativa e estatisticamente significativa com o preço do etanol hidratado no Brasil, reforçando seu papel central na dinâmica de preços do biocombustível. Em contraste, a produção de milho, embora em expansão, não demonstrou uma associação estatisticamente significativa com o preço do etanol no período analisado, sugerindo um papel complementar na formação de preços. O modelo de regressão múltipla, apesar de sua alta confiabilidade e capacidade explicativa, aponta para a existência de outros fatores relevantes que influenciam a formação de preços do etanol, os quais não foram contemplados neste estudo.
4. Conclusão
Este estudo buscou analisar a relação entre a produção agrícola de cana-de-açúcar e milho e o preço do etanol hidratado no Brasil, no período de 2017 a 2024. Verificou-se uma associação negativa e estatisticamente significativa de alta magnitude entre a produção de cana-de-açúcar e o preço do etanol hidratado, indicando que o aumento da disponibilidade dessa matéria-prima tende a reduzir os preços do biocombustível no mercado. Em contraste, a produção de milho não apresentou uma associação estatisticamente significativa com o preço do etanol hidratado no mesmo período, sugerindo que sua participação, embora crescente, ainda não exerce influência relevante na formação de preços em nível nacional. A análise de regressão múltipla, que incluiu ambas as variáveis de produção agrícola, demonstrou uma capacidade explicativa considerável para o preço do etanol, com a produção de cana-de-açúcar sendo a única variável explicativa estatisticamente significativa. Esses achados reforçam o papel central da cana-de-açúcar na matriz produtiva de etanol brasileira e contribuem para uma compreensão mais aprofundada da dinâmica de preços do biocombustível, oferecendo subsídios para agentes do agronegócio e formuladores de políticas.
Apesar da robustez do modelo, o estudo reconhece limitações decorrentes do número reduzido de observações, resultado da agregação anual dos dados, e da não inclusão de outros fatores que sabidamente influenciam a formação de preços do etanol, como o preço da gasolina, a destinação da cana-de-açúcar entre açúcar e etanol, e as condições macroeconômicas e políticas energéticas. Sugere-se que estudos futuros ampliem o horizonte temporal da análise, incorporem um maior número de variáveis explicativas e explorem metodologias econométricas mais avançadas, como modelos com dados em painel ou séries temporais. Tais abordagens permitirão aprofundar a compreensão da complexa dinâmica de preços do etanol no Brasil, considerando a crescente relevância do etanol de milho e a interação com o mercado global de commodities.
Referências Bibliográficas
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Renewable Fuels Association [RFA]. 2026. Annual ethanol production: U.S. and world ethanol production. Disponível em: <https://ethanolrfa.org/markets-and-statistics/annual-ethanol-production/>. Acesso em: 07 mar. 2026.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq
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