Artigo

23 de julho de 2026

Redesign de SCADA baseado em UX/UI e eficiência operacional

Bruno da Silva Goulart; Henrich da Solidade Santos

DOI: 10.22167/2675-6528-202600624

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O trabalho abordou o contexto de operação remota de ativos de transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, onde sistemas SCADA são cruciais para supervisão e controle. Diante da crescente complexidade operacional e da criticidade na tomada de decisão, identificou-se a necessidade de aprimorar a apresentação de informações ao operador, considerando usabilidade e desempenho cognitivo. O objetivo foi propor um redesign conceitual de interfaces de um sistema SCADA, fundamentado em princípios de UX/UI e High Performance HMI, visando melhorar a consciência situacional, apoiar a tomada de decisão e reduzir erros humanos. A metodologia empregou uma abordagem aplicada e qualitativa, estruturada como estudo de caso, que envolveu a análise de um sistema SCADA do setor elétrico brasileiro, precedida por revisão bibliográfica para estabelecer critérios de avaliação. A análise revelou limitações na organização visual, navegação, padronização e carga informacional. Com base nisso, elaborou-se uma proposta de redesign que, avaliada comparativamente, demonstrou que a reorganização das interfaces, a racionalização visual, a hierarquização da informação e a inclusão de mecanismos de apoio interpretativo contribuíram para a redução da carga cognitiva, aprimoramento da interpretação do estado do sistema e aumento da eficiência operacional. Concluiu-se que a aplicação desses princípios favoreceu decisões mais assertivas em ambientes críticos.

Palavras-chave: Carga cognitiva; Interfaces; UI; UX.

1. Introdução

O presente estudo insere-se no contexto dos ambientes de operação remota de ativos de transmissão de energia elétrica, os quais estão integrados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Nesses cenários, os sistemas de Controle e Aquisição de Dados (SCADA) desempenham uma função central na supervisão e no controle em tempo real. O SIN, conforme descrito por Toscano (2009), caracteriza-se por uma matriz de geração predominantemente hidrotérmica, com sistemas interligados por extensas linhas de transmissão. A expansão do SIN, destacada por Souza e Gallo (2019), envolve a ampliação da infraestrutura de interligação territorial e a integração de regiões antes isoladas, impulsionando a intensificação do uso de centros de operação remota no setor elétrico brasileiro.

Nesse panorama, os sistemas SCADA assumem um papel de protagonismo no controle de sistemas elétricos. Manninen (2014) define um sistema SCADA como uma ferramenta de informação de processo, responsável por receber e armazenar dados de medições e estados em tempo real da rede. Ele oferece ao operador uma interface homem-máquina (IHM) essencial para o monitoramento e o controle contínuo do processo. Tais sistemas são submetidos a regimes ininterruptos e exigem altos requisitos de confiabilidade, disponibilidade e desempenho, sendo cruciais para a tomada de decisão, a manutenção e a estabilidade do sistema elétrico nacional.

Apesar dos avanços tecnológicos, a maioria das interfaces dos sistemas SCADA ainda é desenvolvida sob abordagens predominantemente técnicas, com foco na representação elétrica dos equipamentos. Hollifield et al. (2008) observam que, nesse estágio dos projetos, a Experiência de Usuário (UX) e a Interface do Usuário (UI) são frequentemente relegadas a um segundo plano. Essa priorização da funcionalidade técnica em detrimento da usabilidade pode levar a desafios operacionais significativos.

Para compreender a importância de uma abordagem centrada no usuário, é fundamental definir os conceitos de UX e UI. Norman (2013) descreve a UX como o conjunto de percepções, respostas e interações do usuário ao utilizar um sistema, englobando aspectos como usabilidade, eficiência e satisfação. Complementarmente, Garrett (2011) explica que a UI corresponde aos elementos visuais e interativos que mediam essa interação, incluindo layout, componentes gráficos e mecanismos de navegação. Ambas são complementares e essenciais no desenvolvimento de sistemas interativos eficazes.

A ausência de princípios de UX e UI no design de interfaces SCADA pode gerar um aumento considerável no esforço cognitivo do operador. Teixeira (2022) argumenta que cada decisão imposta ao usuário eleva a carga cognitiva. Alinhado a isso, Krug (2014) afirma que sistemas eficazes devem ser autoexplicativos e intuitivos. Quando uma interface exige interpretação excessiva, a carga cognitiva se eleva, dificultando a compreensão do estado do sistema e prolongando o tempo de resposta a eventos operacionais, o que impacta negativamente a experiência do usuário e a eficiência da operação.

Essa problemática torna-se ainda mais crítica em ambientes de operação de sistemas elétricos em tempo real, nos quais os operadores atuam sob condições de alta pressão e necessitam de respostas rápidas e precisas. A aplicação de princípios de usabilidade no desenvolvimento de sistemas críticos é, portanto, imperativa. Krug (2014) destaca que interfaces claras, hierarquizadas e visualmente orientadas são capazes de reduzir a carga cognitiva, aumentar a confiabilidade operacional e minimizar a probabilidade de erros humanos. Nesse cenário, a utilização de princípios de UX e UI, juntamente com abordagens como o High-Performance Human Machine Interface (HP-HMI), ganha relevância por otimizar a exibição de informações para as capacidades cognitivas humanas, eliminando ruídos visuais e destacando condições anormais para uma consciência situacional rápida e assertiva.

Diante da complexidade operacional crescente e da criticidade da tomada de decisão em ambientes de alta responsabilidade, torna-se essencial aprimorar a forma como as informações são apresentadas ao operador, considerando aspectos de usabilidade e desempenho cognitivo. Assim, este trabalho tem como finalidade propor um redesign conceitual de interfaces de um sistema SCADA aplicado à transmissão de energia elétrica, fundamentado em princípios de UX/UI e HP-HMI, visando melhorar a consciência situacional do operador, apoiar a tomada de decisão e reduzir erros humanos em ambientes críticos de operação.

2. Material e Métodos

O presente trabalho adotou uma abordagem aplicada de natureza qualitativa, estruturada como um estudo de caso. A pesquisa envolveu a análise de um sistema SCADA utilizado em um centro de operação do setor elétrico no Brasil, com a finalidade de propor melhorias em um sistema já existente por meio do redesign de interface. Para a implementação prática das soluções e desenvolvimento de telas e recursos de navegação, utilizou-se a plataforma Elipse Power®. Quanto aos objetivos, a pesquisa foi classificada como exploratória e descritiva, investigando práticas atuais de projeto de interfaces de sistemas SCADA e propondo um redesign fundamentado em princípios de UX/UI e engenharia de software aplicada a sistemas críticos.

Inicialmente, realizou-se uma revisão bibliográfica abrangente para identificar conceitos e boas práticas relacionadas à usabilidade, experiência do usuário (UX/UI) e engenharia de software aplicada a sistemas críticos, com foco em ambientes de operação em tempo real. A revisão contemplou artigos científicos indexados em bases acadêmicas, livros técnicos reconhecidos e publicações acadêmicas. Essa etapa visou estabelecer as bases teóricas para embasar as análises e decisões adotadas nas fases subsequentes, além de definir critérios técnicos para a avaliação das interfaces e a elaboração da proposta de redesign.

Na etapa seguinte, conduziu-se uma análise qualitativa do sistema supervisório utilizado no contexto do estudo de caso, concentrando-se nas telas operacionais de supervisão e controle. Observaram-se aspectos como a navegação, organização das informações, hierarquia visual, padronização das sinalizações e cores, legibilidade dos textos e níveis de consciência operacional. A avaliação foi realizada sob a perspectiva do usuário final, o operador, considerando o contexto de operação de sistemas elétricos em tempo real, caracterizado por alta carga cognitiva e necessidade de resposta rápida, com margem mínima para erros. O foco principal foi identificar limitações de usabilidade e pontos de falha associados à interface atual (Hollifield et al., 2008; Manninen, 2014; Lund, 2021).

Com base na análise do sistema existente e nos conceitos levantados durante a revisão bibliográfica, identificaram-se os principais problemas de usabilidade e comunicação visual presentes nas interfaces analisadas. A partir desses problemas, definiram-se os requisitos para o redesign da interface do sistema SCADA. Priorizou-se a consciência operacional, a consistência visual, a facilidade de interpretação do estado do sistema e o apoio à tomada de decisão assertiva, alinhando-se às diretrizes de UX/UI e HP-HMI (Few, 2013; Krug, 2014; Norman, 2013; Teixeira, 2022; Tidwell et al., 2020).

Posteriormente, elaborou-se uma proposta conceitual de redesign das interfaces do sistema SCADA, fundamentada nos requisitos definidos. A proposta não vislumbrou a implementação em ambiente de produção, mas sim a proposição de um modelo conceitual que demonstrasse a aplicação dos princípios de engenharia de software e usabilidade a sistemas críticos. O redesign previu ajustes na organização visual das telas, padronização de elementos gráficos, melhorias na hierarquia da informação e maior clareza para a conscientização operacional do usuário, visando a redução da carga cognitiva e da probabilidade de erros humanos durante a operação (Ruddro e Mohna, 2023).

Por fim, realizou-se uma avaliação qualitativa da proposta de redesign, considerando os impactos previstos em termos de usabilidade e eficiência operacional. Essa avaliação baseou-se na comparação entre a interface do sistema SCADA atual e a proposta desenvolvida, conforme os conceitos discutidos na revisão bibliográfica e as diretrizes delimitadas ao longo do trabalho. Embora não tenha sido realizada uma validação empírica com usuários finais, a análise permitiu discutir, de forma fundamentada, os possíveis benefícios da solução proposta e sua aplicabilidade em ambientes de operação em tempo real.

3. Resultados e Discussão

A análise das interfaces do sistema SCADA, realizada no contexto deste estudo, revelou diversas limitações que impactam diretamente a usabilidade e a eficiência operacional. Historicamente, a concepção dessas interfaces partiu de representações análogas a diagramas de processo (P&ID), onde as medidas físicas eram distribuídas de forma pouco estruturada, comprometendo a eficácia da operação. Hollifield et al. (2008) observaram que, apesar dos avanços gráficos, essa abordagem persiste, exacerbada pelo uso excessivo de cores, elementos tridimensionais e animações, os quais se mostram prejudiciais à cognição do usuário. Essa constatação sublinha a necessidade de um redesign focado na experiência do operador.

Diagnóstico das Interfaces do Sistema SCADA Analisado

A literatura especializada aponta que, historicamente, as interfaces de sistemas SCADA foram criadas partindo de representações similares a diagramas de processo (P&ID), onde medidas físicas de processo eram distribuídas de modo pouco estruturado nas telas, resultando em baixa eficiência operacional. Conforme Hollifield et al. (2008), mesmo com o avanço da capacidade de processamento gráfico, essa filosofia de design de telas ainda é fortemente adotada, agravada pelo uso excessivo de cores, elementos tridimensionais e animações que se mostram prejudiciais ao usuário, sob o ponto de vista cognitivo. Tidwell et al. (2020) e Lund (2021) reforçam que projetos de interfaces devem priorizar a compreensão do usuário, suas necessidades e o contexto operacional, o que não foi plenamente observado na interface analisada.

A análise qualitativa do sistema SCADA revelou uma interface desenvolvida com ênfase técnica acentuada, priorizando a representação de equipamentos e sistemas elétricos. Essa abordagem relegou a segundo plano aspectos cruciais de usabilidade, hierarquia da informação e suporte à tomada de decisão do operador final, conforme as categorias de Lund (2021). Essa priorização técnica, embora precisa na representação, compromete a eficácia da interação humana, especialmente em momentos críticos, onde a clareza e a intuição são essenciais para a rápida interpretação e resposta do operador.

Registros de Diagnóstico

Os registros obtidos a partir da análise qualitativa das telas do sistema SCADA revelaram uma interface visualmente densa, contendo múltiplos objetos com efeitos tridimensionais e uma carga gráfica excessiva. Essa observação foi feita considerando critérios como a estrutura de hierarquia e navegação, o design e a organização visual dos elementos gráficos, a distribuição da informação e a padronização semântica de elementos visuais, incluindo cores e simbologia. Tais aspectos impactam diretamente a usabilidade, a carga cognitiva e a eficiência operacional do sistema, dificultando a rápida interpretação do estado do processo e a identificação de anomalias.

Navegação com hierarquia pouco explícita e localização do usuário pouco saliente

A navegação na interface analisada apresentou múltiplos mecanismos simultâneos, como menus superiores, seletores e abas, sem uma relação hierárquica clara entre os níveis do sistema (concessão, subestação, área e subárea). Essa complexidade exige conhecimento prévio do usuário para identificar rapidamente sua localização e o caminho para navegar, especialmente em trocas frequentes de telas. A ausência de uma hierarquia explícita e de uma indicação clara da posição do usuário no sistema compromete a consciência situacional e a fluidez da operação, aumentando a necessidade de confirmação por memória e alternância de telas para reorientação, conforme Manninen (2014).

Ruddro e Mohna (2023) enfatizam que a organização da informação em camadas, com alertas primários proeminentes e informações secundárias em menus colapsáveis, é crucial para estruturar dados conforme sua relevância operacional. A ausência desses mecanismos na interface analisada aumenta a alternância entre telas e o esforço cognitivo para correlacionar informações, impactando negativamente a fluidez das análises operacionais em ambientes críticos. Essa deficiência torna a operação mais suscetível a erros e atrasos, especialmente em momentos de alta demanda e pressão, onde a agilidade na tomada de decisão é fundamental.

Em resposta a essa problemática, propôs-se o redesenho da estrutura de navegação da aplicação, com foco na explicitação hierárquica dos elementos e no fortalecimento da orientação do usuário. A solução consiste na reorganização dos menus a partir de uma hierarquia clara e estável, que reflete consistentemente os níveis lógicos do sistema, com uma significativa redução de sinalizações redundantes. Recomendou-se a utilização de um menu principal persistente, complementado por indicadores visuais contínuos de contexto, permitindo que o operador identifique imediatamente sua localização e retorne à visão geral de forma eficiente, alinhado aos princípios de HP-HMI e UX.

Uso de símbolos e objetos tridimensionais

A aplicação analisada utiliza símbolos e objetos gráficos com aparência tridimensional, caracterizados por chanfros, gradientes e efeitos de relevo, especialmente na representação de equipamentos e elementos de interface. Embora essa abordagem busque uma representação visual mais rica, ela introduz variações artificiais de contraste e profundidade que não agregam informação operacional relevante, competindo visualmente com os estados e sinalizações do sistema. Hollifield et al. (2008) argumentam que esse tipo de recurso gráfico tende a introduzir ruído visual desnecessário, prejudicando o desempenho cognitivo do operador e dificultando a leitura rápida do estado do processo, especialmente em situações que exigem respostas imediatas.

Ainda sob a ótica de Hollifield et al. (2008), a preferência por representações bidimensionais está associada à necessidade de manter a interface visualmente “calma”, eliminando efeitos estéticos que não contribuem para a interpretação do processo. Símbolos simplificados favorecem a clareza visual, reduzem ambiguidades perceptivas e permitem que condições anormais se destaquem de forma mais evidente em relação ao estado normal do sistema. Como resposta, propôs-se a substituição de símbolos e objetos tridimensionais por representações bidimensionais, com traços simples, contornos claros e ausência de efeitos de relevo, gradiente ou sombra, racionalizando visualmente a interface e otimizando a performance visual da aplicação.

Uso de cores vibrantes como padrão visual em condições normais

A aplicação analisada adota o uso predominante de cores vibrantes, especialmente o verde, para indicar o estado energizado em condições normais de operação. Embora semanticamente consistente, esse padrão visual resulta em uma interface com elevado nível de saliência visual contínua, o que reduz a capacidade do sistema de destacar eventos e condições que efetivamente demandam atenção do operador. Hollifield et al. (2008) e Few (2013) destacam que o uso indiscriminado de cores em telas SCADA reduz o contraste perceptivo entre estados normais e anormais, fazendo com que alarmes e desvios deixem de se destacar de maneira imediata, comprometendo a capacidade de resposta rápida do operador diante de eventos críticos.

A solução proposta consiste na adoção de um modo operacional monocromático como padrão visual para as condições normais de operação, reservando o uso de cores vibrantes, como o verde saturado, exclusivamente para estados anormais ou que demandem ação imediata. Nesse modelo, os elementos energizados em regime normal passariam a ser representados em tons neutros (escala de cinza), reduzindo a saliência visual contínua e promovendo uma interface visualmente estável e calma, conforme citado por Hollifield et al. (2008). Dessa forma, as cores de alto contraste recuperam sua função de destaque perceptivo, permitindo que desvios operacionais, alarmes e situações críticas sejam salientados claramente do fundo neutro, ampliando a capacidade de detecção rápida e resposta eficaz por parte do operador.

Necessidade de padronização semântica do estado “energizado”

Na versão atual da aplicação, o estado “energizado” é representado predominantemente pela cor verde. Embora essa associação seja semanticamente intuitiva, sua utilização contínua como padrão visual para condições normais reduz a capacidade do sistema de diferenciar claramente o estado operacional regular de uma condição anômala. Em ambientes SCADA, o estado energizado pode coexistir com outras condições relevantes, como bloqueios, manutenções ou intertravamentos, exigindo que a codificação visual comunique de forma intuitiva o que a cor representa e, igualmente importante, o que ela não representa, para evitar ambiguidades, conforme Lund (2021). A solução proposta não elimina a semântica do “energizado”, mas a preserva de forma conceitual e documental, migrando sua representação visual para um padrão monocromático nas condições normais de operação. Assim, o estado energizado passa a ser indicado por atributos estruturais, enquanto cores de maior contraste e saturação são reservadas para estados de exceção, alarmes ou eventos críticos.

Necessidade de links rápidos contextuais entre telas

A aplicação analisada não dispõe de mecanismos explícitos de acesso rápido entre telas funcionalmente relacionadas, o que força o operador a depender da navegação hierárquica completa ou de conhecimento prévio para alternar entre visões frequentemente utilizadas em conjunto. Essa condição aumenta a alternância de telas, o tempo de navegação e o esforço cognitivo necessário para correlacionar informações distribuídas em diferentes níveis da aplicação, especialmente durante análises operacionais sob pressão, comprometendo a agilidade e a precisão da tomada de decisão em ambientes críticos, conforme Manninen (2014) e Ruddro e Mohna (2023).

Como resposta ao problema, propôs-se a adoção de links rápidos contextuais, integrados de forma discreta e consistente ao layout da interface, permitindo navegação direta entre telas correlatas sem perda de contexto. Esses links assumem diferentes formas: ícones de acesso rápido associados a equipamentos ou elementos críticos para acesso direto a telas de níveis inferiores; hotspots interativos incorporados ao diagrama para transição a telas de detalhe ao selecionar um elemento gráfico; e uma trilha de navegação clicável no topo da tela, indicando o contexto atual e permitindo retorno imediato a níveis superiores. Esses mecanismos complementam a navegação hierárquica, reduzindo interações e dependência de memória, alinhando-se aos princípios de UX e HP-HMI para ambientes críticos.

Divulgação progressiva da informação e organização em camadas de detalhe

Os unifilares analisados concentram simultaneamente uma grande quantidade de elementos visuais, como equipamentos, estados operativos, medições elétricas, rótulos e marcações auxiliares. Essa densidade informacional compromete a manutenção de uma leitura visual “calma e clara” em condições normais de operação, tornando mais onerosa a identificação rápida das informações que demandam atenção imediata do operador. A literatura, incluindo Manninen (2014), Hollifield et al. (2008) e Ruddro e Mohna (2023), destaca que sistemas SCADA devem estruturar a apresentação da informação em camadas para apoiar os processos cognitivos do operador, com uma visão geral estável e informações de maior granularidade acessadas sob demanda, reduzindo o esforço cognitivo e a alternância excessiva entre telas.

Em resposta, propôs-se a adoção explícita de um modelo de divulgação progressiva da informação, estruturado em camadas hierárquicas de detalhe. A Camada 1, a visão geral (overview), é destinada à supervisão contínua, apresentando uma interface visualmente “calma”, com redução de ruído gráfico e destaque exclusivo para estados anormais, alarmes ativos e condições que exigem atenção imediata, servindo como ponto de retorno constante do operador. Essa camada oferece uma síntese clara do estado do sistema, permitindo ao operador uma visão rápida e eficiente das condições gerais de operação.

A Camada 2, a visão por projeto ou concessão, acompanha um conjunto de ativos, exibindo indicadores e estados relevantes para a supervisão global daquele escopo, sem expor permanentemente todos os detalhes operativos individuais. Essa camada intermediária facilita a gestão de projetos complexos e a identificação de tendências ou problemas em um nível mais agregado, sem sobrecarregar o operador com dados excessivamente granulares. Por sua vez, a Camada 3, a visão detalhada da subestação, reúne informações densas sobre equipamentos, subsistemas, medições e estados operacionais específicos, acessadas intencionalmente para investigação ou tomada de decisão detalhada.

Essa abordagem de divulgação progressiva preserva a função do overview como referência cognitiva principal, reduz a necessidade de “caça visual” em meio a excesso de informação e minimiza a perda de contexto durante a navegação entre níveis de detalhe. A implementação dessa estrutura hierárquica contribui para a redução da carga cognitiva, melhora a consciência situacional e está alinhada às diretrizes de UX e de High Performance HMI aplicadas a ambientes SCADA críticos, otimizando o fluxo de trabalho do operador e a capacidade de resposta a eventos.

Apoio interpretativo por meio de ferramentas de ajuda e legendas contextuais

A aplicação analisada não disponibiliza, de forma integrada às telas, mecanismos explícitos de ajuda contextual ou legendas operacionais que expliquem o significado dos padrões visuais adotados, como cores, símbolos, estados e convenções. Em um sistema SCADA com múltiplos níveis de detalhe e alta densidade informacional, essa ausência faz com que a interpretação do estado do sistema dependa de memória, treinamento prévio ou conhecimento tácito. Isso aumenta o esforço cognitivo e o risco de interpretações divergentes, sobretudo sob pressão operacional, onde a clareza é fundamental, conforme Lund (2021) e Hollifield et al. (2008).

Como encaminhamento, propôs-se a criação de ferramentas de ajuda integradas, como popups de legenda e painéis de referência rápida, acessíveis diretamente nas telas e sem interromper o fluxo de supervisão. Esses recursos apresentam de forma objetiva o significado das cores, símbolos e estados operacionais. Por exemplo, um popup de legendas pode exibir claramente o que significa uma “Chave Seccionadora Fechada”, um “Disjuntor Aberto” ou um “Alarme Crítico Atuado”, entre outros. Esses recursos reforçam a padronização, reduzem a variabilidade interpretativa e apoiam a consciência situacional do operador em ambientes críticos.

Em síntese, a análise das interfaces do sistema SCADA revelou desafios significativos relacionados à organização visual, navegação, padronização e carga informacional, que comprometem a consciência situacional e a eficiência operacional. A proposta de redesign, fundamentada em princípios de UX/UI e HP-HMI, abordou essas limitações por meio da reorganização hierárquica das interfaces, racionalização visual de símbolos e cores, adoção de links rápidos contextuais e implementação de um modelo de divulgação progressiva da informação. Esses ajustes visam reduzir a carga cognitiva, aprimorar a interpretação do estado do sistema e, consequentemente, aumentar a eficiência operacional e a assertividade na tomada de decisão em ambientes críticos de operação.

4. Conclusão

O presente estudo buscou propor um redesign conceitual de interfaces de um sistema SCADA aplicado à transmissão de energia elétrica, fundamentado em princípios de UX/UI e High Performance HMI, com o intuito de aprimorar a consciência situacional do operador, apoiar a tomada de decisão e reduzir erros humanos em ambientes críticos de operação. Verificou-se que as interfaces existentes apresentavam limitações significativas, como elevada densidade informacional, uso excessivo de elementos tridimensionais e cores vibrantes em condições normais, navegação com hierarquia pouco explícita, ausência de padronização semântica e carência de mecanismos de apoio interpretativo. Tais aspectos comprometiam a usabilidade e aumentavam a carga cognitiva dos operadores. Em resposta, elaborou-se uma proposta de redesign que, por meio da reorganização hierárquica das interfaces, racionalização visual de símbolos e cores, adoção de links rápidos contextuais e implementação de um modelo de divulgação progressiva da informação, demonstrou potencial para reduzir o esforço cognitivo e aprimorar a interpretação do estado do sistema. A aplicação desses princípios favoreceu decisões mais assertivas e contribuiu para a eficiência operacional em ambientes críticos.

Contudo, o trabalho apresenta limitações inerentes à sua natureza conceitual, especialmente pela ausência de validação empírica com usuários finais e de métricas quantitativas de desempenho. A aplicação do modelo proposto pode, ainda, exigir adaptações conforme o contexto operacional específico e a arquitetura dos sistemas SCADA utilizados. Como sugestão para estudos futuros, recomenda-se a realização de testes de usabilidade e simulações operacionais para a definição de indicadores objetivos de desempenho. Adicionalmente, a implementação prática do modelo em ambiente real ou controlado e a investigação de tecnologias complementares, como a inteligência artificial aplicada ao suporte à decisão e à adaptação dinâmica das interfaces, constituem importantes caminhos para a continuidade desta pesquisa.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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