Artigo

12 de agosto de 2026

Redes Sociais: Visibilidade Profissional e o Impacto na Empregabilidade

Suzete Sousa Silva Borges; Cristiana Correa Dias Lopes

DOI: 10.22167/2675-6528-202601445

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Este estudo investigou a consolidação das redes sociais como novo portfólio profissional e seu impacto na empregabilidade, derrubando limites geográficos e facilitando o contato. O objetivo foi analisar as estratégias de visibilidade e engajamento utilizadas por profissionais nessas plataformas, investigando a construção da reputação e a ampliação de oportunidades no mercado de trabalho contemporâneo. Para tanto, realizou-se uma pesquisa de campo com abordagem mista, que integrou questões demográficas e padrões de uso quantitativos a perguntas discursivas, submetidas à análise de conteúdo para viabilizar sua quantificação. A coleta de dados ocorreu por meio de um questionário online, aplicado a 116 participantes com perfil ativo em redes sociais. Os resultados revelaram uma forte preocupação com o comportamento online, motivada pela vigilância ativa dos recrutadores, e a essencialidade de manter um perfil atualizado e bem gerenciado. Observou-se que 94% dos participantes perceberam aumento da visibilidade e 71,6% receberam oportunidades de emprego via redes sociais, com o LinkedIn sendo a plataforma mais utilizada (61,2%). Estratégias como compartilhamento de conteúdo de valor e interatividade foram cruciais, embora o despreparo técnico e comportamentos inadequados representassem barreiras significativas. Concluiu-se que a reputação digital tornou-se um ativo estratégico indispensável para a carreira, exigindo uma gestão ativa da imagem online e a compreensão das dinâmicas das plataformas, incluindo a disparidade entre recursos gratuitos e pagos, e o funcionamento dos algoritmos.

Palavras-chave: Comportamento online; Marketing pessoal; Networking; Recrutamento; Reputação digital.

1. Introdução

A paisagem profissional contemporânea tem sido profundamente reconfigurada pela ascensão ubíqua das tecnologias digitais e, em particular, pelas redes sociais. O que antes era um domínio restrito às interações pessoais, transformou-se em um ecossistema dinâmico para a construção de carreiras e a prospecção de talentos. Essa metamorfose digital derrubou barreiras geográficas e temporais, permitindo uma conectividade sem precedentes entre profissionais e oportunidades de trabalho (Silveira et al., 2017). A capacidade de projetar uma imagem profissional e de estabelecer conexões estratégicas no ambiente virtual tornou-se um diferencial competitivo crucial. Dados recentes indicam que a grande maioria dos profissionais ativos nessas plataformas percebe um aumento significativo em sua visibilidade no mercado, com uma parcela substancial reportando o recebimento de propostas de emprego diretamente por meio desses canais. Este cenário reflete uma mudança paradigmática na forma como o capital humano é identificado, avaliado e recrutado, consolidando as redes sociais como um novo e indispensável portfólio profissional.

A evolução do recrutamento, conforme pontuado por Chiavenato (2014), demonstra uma transição marcante do modelo presencial para o virtual, impulsionada pela revolução da internet. O recrutamento online simplificou a localização de potenciais talentos, permitindo que as empresas visualizem, interajam e até mesmo realizem triagens de perfis sem a necessidade de encontros físicos. Essa facilidade é recíproca, pois os candidatos também podem analisar o perfil das empresas e as vagas disponíveis com agilidade. Nesse contexto, as redes sociais se estabeleceram como ferramentas poderosas de marketing pessoal e visibilidade, onde os indivíduos podem construir e gerenciar sua imagem profissional de forma proativa (Formentin et al., 2014). Perfis bem elaborados e atualizados nessas plataformas funcionam como currículos vivos, que não apenas listam experiências, mas também refletem o comportamento e o engajamento do profissional no ambiente digital. A exposição estratégica de informações e a participação ativa em comunidades profissionais permitem que pontos fortes e áreas de desenvolvimento sejam evidenciados, oferecendo aos empregadores uma visão amplificada dos candidatos (Cruz e Ribeiro, 2023).

A reputação digital emergiu como um ativo estratégico indispensável, exigindo dos profissionais uma gestão ativa e consciente de sua imagem online. O fenômeno do *cybervetting*, onde recrutadores avaliam a conduta e o rastro digital dos candidatos, tornou o comportamento online um fator decisivo nos processos seletivos (Toczek et al., 2024; Vianna et al., 2025). A preocupação com a vigilância ativa dos recrutadores motiva os usuários a policiar suas ações digitais, reconhecendo que o engajamento e o conteúdo compartilhado moldam sua reputação no mercado de trabalho. Nesse sentido, a manutenção de um perfil atualizado e bem gerenciado deixou de ser uma mera opção para se tornar uma ferramenta essencial para o sucesso na carreira. A predominância de plataformas como o LinkedIn, que se consolidou como a principal rede para o desenvolvimento profissional para a maioria dos usuários, ilustra a centralidade dessas ferramentas. Estratégias como o compartilhamento de conteúdo de valor e a interatividade são cruciais para a construção de uma marca pessoal sólida e para a ampliação de oportunidades, embora o despreparo técnico e comportamentos inadequados ainda representem barreiras significativas para muitos (Aragão e Miranda, 2023). A eficácia da rede, no entanto, pode ser condicionada por variáveis como o nicho de atuação e a qualidade da rede de contatos estabelecida (Ávila et al., 2010).

Diante da crescente digitalização do mercado de trabalho e da inegável influência das redes sociais na empregabilidade, torna-se imperativo compreender as dinâmicas que governam a visibilidade e a reputação profissional nesses ambientes. A lacuna entre o reconhecimento da importância dessas plataformas e a efetiva gestão estratégica dos perfis online, incluindo a disparidade entre recursos gratuitos e pagos e o funcionamento dos algoritmos, justifica a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre este tema. Este estudo, portanto, visa analisar as estratégias de visibilidade e engajamento empregadas por profissionais nas redes sociais, investigando como a construção da reputação digital e a gestão da imagem online impactam a ampliação de oportunidades no mercado de trabalho contemporâneo, a fim de oferecer *insights* valiosos para aprimorar a atuação profissional no ambiente digital.

2. Material e Métodos

O método empregado para o desenvolvimento desta pesquisa baseou-se em um levantamento de campo, conduzido sob uma perspectiva mista, contemplando abordagens quantitativa e qualitativa. O delineamento metodológico teve o propósito de subsidiar a análise empírica e ampliar a compreensão acerca do tema, contribuindo para o embasamento teórico e a consistência dos resultados obtidos. A abordagem mista, conforme Creswell (2010), possibilitou uma perspectiva abrangente, permitindo a validação dos dados da pesquisa em relação ao tema investigado, integrando diferentes dimensões da realidade estudada.

Nesse contexto, a abordagem quantitativa forneceu informações objetivas e mensuráveis, enquanto a abordagem qualitativa aprofundou-se na experiência e percepção individual acerca do uso das redes sociais como ferramenta de visibilidade profissional. O estudo foi realizado de forma online, sem delimitação geográfica específica para os participantes, focando na dinâmica das plataformas digitais para a imagem profissional e a conquista de novas vagas. A unidade de análise consistiu nos usuários de diversas redes sociais, buscando compreender suas estratégias e percepções.

A população-alvo do estudo foi composta por indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos, que possuíam no mínimo ensino médio completo. Os participantes poderiam estar em busca de seu primeiro emprego, já empregados ou almejando uma recolocação profissional, sendo um critério essencial possuir ao menos um perfil ativo nas redes sociais. A amostra foi obtida por conveniência, por meio da disponibilização do questionário em redes sociais, e totalizou 116 respondentes, superando o mínimo de 90 participantes inicialmente almejado para a pesquisa.

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online, desenvolvido especificamente para este estudo e elaborado através da ferramenta Formulários do Google, conforme detalhado no Apêndice A. O instrumento foi composto por uma combinação de perguntas objetivas e discursivas, projetadas para capturar tanto dados demográficos e padrões de uso quanto percepções mais aprofundadas sobre a experiência dos participantes. A disponibilização do questionário ocorreu exclusivamente através das redes sociais, visando alcançar o público-alvo definido.

As questões iniciais do questionário foram utilizadas para definir o perfil demográfico dos participantes, abrangendo variáveis como gênero, faixa etária e escolaridade. Posteriormente, um bloco de seis questões objetivas buscou investigar a dinâmica da presença digital sob a ótica da carreira, visando compreender como os indivíduos gerenciam sua imagem e interagem no ambiente virtual. A finalidade central dessa parte do instrumento foi diagnosticar o nível de engajamento dos usuários, identificando plataformas preferenciais, constância de uso e atualização de perfis.

Além das questões objetivas, o questionário incluiu perguntas discursivas que objetivaram uma análise mais detalhada, diretamente relacionada à experiência individual do usuário. Essas questões buscaram identificar padrões e estabelecer conexões entre as diferentes vivências observadas, permitindo uma compreensão aprofundada das percepções sobre a construção da reputação digital e a gestão da imagem online. A estrutura do questionário foi concebida para explorar a crença dos participantes na eficácia das redes sociais para a projeção no mercado de trabalho.

Para o tratamento e análise dos dados coletados, as respostas de caráter objetivo foram submetidas à técnica de estatística descritiva. Este método foi aplicado com a finalidade de identificar padrões de comportamento entre os participantes, como a frequência de uso das redes sociais, as plataformas mais utilizadas e a percepção geral sobre a visibilidade profissional. A estatística descritiva permitiu quantificar as tendências e características da amostra, fornecendo uma base sólida para a interpretação dos resultados.

Já as respostas de caráter discursivo foram submetidas à análise de conteúdo, técnica fundamentada em Bardin (2016). Este método foi escolhido pela sua capacidade de processar informações qualitativas e convertê-las em indicadores mensuráveis. Para o tratamento dos dados, as respostas foram organizadas em uma planilha de Excel, o que permitiu o agrupamento de padrões recorrentes e a extração de frequências. Esse procedimento buscou sistematizar as semelhanças entre os relatos dos participantes, transformando o conteúdo subjetivo em unidades quantitativas.

Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados durante toda a pesquisa. A coleta de dados foi realizada de maneira anônima, garantindo a privacidade e a confidencialidade dos participantes. Este procedimento esteve em conformidade com as disposições que permitiram a dispensa de avaliação pelo Comitê de Ética, conforme o parágrafo único do Artigo 1º da Resolução CNS nº 510, de abril de 2016, que trata de ‘Pesquisa de opinião pública com participante não identificado’.

3. Resultados e Discussão

A presente seção de Resultados e Discussão tem como objetivo principal apresentar e interpretar os dados coletados na pesquisa, confrontando-os com a literatura existente e explorando suas implicações teóricas e práticas. O estudo, conduzido por meio de uma abordagem mista, conforme preconizado por Creswell (2010), buscou uma compreensão abrangente do fenômeno da visibilidade profissional nas redes sociais e seu impacto na empregabilidade, integrando perspectivas quantitativas e qualitativas para validar e aprofundar os achados.

O perfil demográfico dos 116 participantes, conforme detalhado na Tabela 1, revelou uma amostra diversificada e representativa do público-alvo. Observou-se um equilíbrio notável entre os gêneros, com 50,9% de participantes masculinos e 49,1% femininos. Essa paridade é crucial, pois minimiza o viés de gênero na percepção sobre o uso das redes sociais para fins profissionais, permitindo que as conclusões reflitam uma experiência mais universal. A literatura sobre diversidade no ambiente de trabalho, como discutido por autores como Ely e Thomas (2001), sugere que a inclusão de diferentes perspectivas de gênero pode enriquecer a compreensão de dinâmicas sociais complexas, como as que envolvem a construção da imagem profissional online. A homogeneidade de gênero na amostra, portanto, fortalece a validade externa dos resultados em relação à percepção geral da população ativa.

Tabela 1. Dados Demográficos

Fonte: Resultados originais da pesquisa

No que tange à faixa etária, a pesquisa identificou uma concentração significativa de respondentes nas categorias de 18 a 28 anos (37,9%) e 29 a 44 anos (39,7%), totalizando 77,6% da amostra. A parcela de 45 a 60 anos representou 22,4%. Essa distribuição etária é particularmente relevante, pois abrange tanto a geração de nativos digitais, que cresceram com as redes sociais, quanto profissionais mais experientes que se adaptaram a essas plataformas. A predominância de indivíduos em fases ativas de suas carreiras (29-44 anos) sugere que a preocupação com a visibilidade profissional online é mais acentuada entre aqueles que buscam consolidação ou ascensão. Este achado corrobora a visão de Tapscott (2009) sobre a “Geração Digital”, que integra naturalmente as tecnologias em suas vidas profissionais, mas também destaca a adaptação de gerações anteriores, que reconhecem a indispensabilidade dessas ferramentas. A implicação prática é que as estratégias de visibilidade devem ser multifacetadas, considerando as diferentes familiaridades e expectativas de cada grupo etário. Profissionais mais jovens podem focar em inovação e tendências, enquanto os mais experientes podem enfatizar a credibilidade e a rede de contatos consolidada.

A análise da escolaridade dos participantes, também apresentada na Tabela 1, revelou um alto nível educacional, com 36,2% possuindo ensino superior completo e 32,8% com pós-graduação ou ensino superior. Apenas 4,3% tinham ensino médio completo. Este dado é um indicador robusto de que a amostra é composta por indivíduos com um capital intelectual significativo, que provavelmente buscam oportunidades de carreira que exigem qualificação e, consequentemente, utilizam as redes sociais de forma mais estratégica para esse fim. A correlação entre alto nível educacional e a busca por visibilidade profissional em plataformas digitais é um tema recorrente na literatura, como apontado por D’ávila et al. (2010), que destacam a importância das redes para profissionais qualificados na busca por indicações e processos seletivos. A implicação é que a discussão sobre visibilidade profissional online não é apenas sobre acesso à tecnologia, mas sobre como a educação formal e o capital humano são alavancados por essas ferramentas. Para as instituições de ensino, isso sugere a necessidade de integrar o letramento digital profissional em seus currículos.

A investigação sobre as redes sociais mais utilizadas para fins profissionais, conforme a Tabela 2, revelou uma clara predominância do LinkedIn, escolhido por 61,2% dos participantes. Este resultado não é surpreendente e alinha-se com a literatura que posiciona o LinkedIn como a principal plataforma de networking profissional (Silva e Albuquerque, 2019; Bartell e Günther, 2020). A rede é percebida como um “prato cheio para recrutadores” (Silva e Albuquerque, 2019), o que justifica sua centralidade na estratégia de visibilidade dos profissionais. A força do LinkedIn reside em sua arquitetura focada em carreira, permitindo a exibição de currículos detalhados, recomendações e conexões com pares e líderes da indústria.

Tabela 2. Rede Social

Rede de Relacionamentos

Frequência

Porcentagem

LinkedIn

71

61,2%

Instagram

21

18,1%

WhatsApp

22

19%

Outros

2

1,7%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Curiosamente, a pesquisa também destacou a relevância do WhatsApp (19,0%) e do Instagram (18,1%) para fins profissionais, quase equiparando-se em preferência. Essa equivalência sugere uma transformação na lógica do mercado, onde as fronteiras entre o pessoal e o profissional se tornam cada vez mais tênues. Formentin et al. (2014) já observavam que o mundo virtual permite o acesso a informações diversas da vida dos indivíduos, e este estudo reforça que plataformas originalmente de cunho pessoal estão sendo ressignificadas para a projeção profissional. O WhatsApp, com sua agilidade na comunicação, e o Instagram, com seu apelo visual, transformam o dia a dia do profissional em um “portfólio dinâmico”, onde a rapidez das mensagens e a força visual do conteúdo publicado se tornam ativos. A implicação prática é que os profissionais precisam gerenciar sua imagem em múltiplas plataformas, adaptando a linguagem e o tipo de conteúdo para cada uma, mas sempre mantendo uma coerência de marca pessoal. Para recrutadores, isso significa expandir os canais de busca e considerar a imagem holística do candidato em diferentes ambientes digitais.

A análise da frequência de utilização das redes sociais, apresentada na Figura 1, demonstrou um engajamento significativo dos participantes. Embora a maior concentração (37,9%) tenha indicado o uso “algumas vezes por semana”, a soma dos acessos diários (31,9%) e “mais de uma vez por dia” (19,0%) totaliza 50,9% dos respondentes. Este dado revela que a presença digital contínua é a realidade para mais da metade da amostra. Apenas 11,2% utilizam as redes “raramente”. Essa alta incidência de acessos frequentes consolida uma “cultura de disponibilidade constante”, onde o monitoramento da presença digital não é apenas um hábito de lazer, mas uma resposta estratégica às dinâmicas aceleradas do mercado de trabalho contemporâneo.

Figura 1. Frequência de Utilização

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A manutenção da reputação online exige um esforço de vigilância ativa, e a desconexão prolongada é percebida como um risco à visibilidade e à perda de oportunidades em tempo real. Este achado corrobora a perspectiva de Silveira et al. (2017) sobre o marketing pessoal e a visibilidade, onde a presença constante é um pilar para a construção de uma imagem profissional sólida. A implicação prática é que a gestão da presença online não é um evento pontual, mas um processo contínuo que exige tempo e dedicação. Profissionais que aspiram a se destacar devem integrar o uso das redes sociais em sua rotina diária, não apenas para consumir conteúdo, mas para monitorar sua própria imagem e interagir proativamente.

Contrariamente à alta frequência de acesso, a Figura 2, que aborda a frequência de atualização dos perfis, revelou uma predominância de práticas menos ativas. A maioria dos sujeitos (39,7%) atualiza seus perfis “raramente”, seguida por 36,2% que o fazem “mensalmente”. Apenas 21,6% realizam atualizações “semanalmente”, e uma parcela mínima (2,5%) nunca modificou suas informações. Essa discrepância entre o acesso constante e a falta de atualizações nos perfis sugere uma “participação silenciosa”, onde a maior parte dos indivíduos opta por observar o movimento do mercado e as conexões alheias, sem se preocupar em alimentar ativamente seu próprio canal.

Figura 2. Frequência de Atualização

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Tal atitude pode ser interpretada como uma compreensão da visibilidade virtual mais como um exercício de vigilância do que como um esforço de marketing ou de exposição frequente de habilidades. Este comportamento passivo, no entanto, pode ser prejudicial em um cenário de “cybervetting”, onde recrutadores avaliam currículos a partir do rastro digital dos profissionais (Vianna et al., 2025; Toczek et al., 2024). A falta de atualização pode sinalizar desinteresse ou estagnação, colocando o candidato em desvantagem. A implicação prática é que, embora a observação seja importante, a inatividade na atualização do perfil pode comprometer a percepção de dinamismo e relevância profissional. É fundamental que os profissionais compreendam que um perfil desatualizado é um currículo estático em um ambiente que exige fluidez e proatividade.

A análise da frequência de interação profissional nas plataformas, apresentada na Tabela 3, mostrou que o engajamento frequente é uma realidade para 41,4% dos usuários, quase empatando com os 39,7% que interagem de modo esporádico (“às vezes”). Apenas 17,2% interagem “raramente” e 1,7% “nunca”. Estes dados indicam um predomínio de presença digital dinâmica e menos passiva no grupo, o que contrasta com a baixa frequência de atualização de perfis observada na Figura 2. Essa aparente contradição sugere que os usuários podem estar mais inclinados a interagir com conteúdo de terceiros (curtir, comentar, compartilhar) do que a produzir conteúdo autoral ou atualizar suas próprias informações de forma consistente.

Tabela 3. Eficiência das Ferramentas

Variáveis

Categorias

Frequência

Porcentagem

Frequência de Interação

Sim, frequentemente

48

41,4%

Às vezes

21

39,7%

Raramente

22

17,2%

Nunca

2

1,7%

Visibilidade através das redes sociais

Sim

109

94%

Talvez

7

6%

Não

0

0%

Oportunidade de emprego

Sim

83

71,6%

Não

33

28,4%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A interação ativa, mesmo que não envolva a criação de conteúdo original, é um componente vital do capital social digital, conforme Ávila et al. (2010). Comentar posts de colegas, interagir com líderes e responder dúvidas são formas eficazes de construir e manter vínculos, ampliando a visibilidade e o engajamento. A implicação prática é que a interação, em suas diversas formas, é tão importante quanto a atualização do perfil. Profissionais devem buscar um equilíbrio entre a curadoria de conteúdo, a interação com a rede e a atualização de suas próprias informações para maximizar sua visibilidade e reputação online.

No que se refere à percepção de visibilidade através das redes sociais, a Tabela 3 revela um consenso quase absoluto: 94% dos sujeitos afirmaram que as redes sociais ampliaram a projeção do candidato no mercado. Apenas 6% demonstraram incerteza (“talvez”), e nenhum respondente negou a eficácia dessas plataformas. Este quadro comprova que o público pesquisado reconhece o ambiente digital como um recurso indispensável para o fortalecimento da imagem profissional na atualidade. Essa percepção alinha-se com a crescente literatura que enfatiza o papel das redes sociais como ferramentas de marketing pessoal e visibilidade (Silveira et al., 2017; Aragão e Miranda, 2023).

No entanto, essa percepção quase unânime contrasta com a baixa frequência de atualização dos perfis (Figura 2), indicando que, embora os participantes reconheçam a importância estratégica da plataforma, nem sempre traduzem essa crença em um engajamento ativo e constante na produção de conteúdo próprio. Isso sugere que a ferramenta é vista mais como um “cartão de visitas” estático ou um repositório de informações do que como um espaço dinâmico de produção de conteúdo e interação proativa. A implicação prática é que, para transformar a percepção de visibilidade em resultados concretos, os profissionais precisam ir além do reconhecimento passivo e adotar uma postura mais proativa na gestão de seu perfil, compreendendo que a visibilidade é construída ativamente.

O levantamento sobre o alcance de propostas de trabalho, também na Tabela 3, revelou que as redes funcionaram como uma ponte eficiente para 71,6% dos sujeitos pesquisados. Este índice evidencia o impacto direto da exposição virtual na trajetória de carreira, validando a eficácia do meio digital na geração de novos vínculos laborais. Este achado corrobora a visão de Chiavenato (2014) sobre o recrutamento virtual como um meio simplificado para empresas localizarem talentos e para candidatos acessarem oportunidades. A alta taxa de sucesso demonstra que a reputação digital se tornou uma “moeda corrente”, onde a oportunidade de emprego é um resultado direto da autogestão da imagem no meio virtual.

Contudo, 28,4% dos indivíduos não experimentaram essa transição da visibilidade para a oportunidade prática, indicando que a eficácia da rede pode estar condicionada a variáveis como o nicho de atuação, a qualidade da rede de contatos estabelecida ou a proatividade do usuário. Cruz e Ribeiro (2023) apontam que a exposição de informações em redes sociais evidencia pontos fortes e a desenvolver, influenciando a triagem. A implicação prática é que, embora as redes sociais sejam poderosas, o sucesso não é garantido apenas pela presença, mas pela qualidade da interação, do conteúdo e da rede de contatos. Profissionais devem focar na construção de um perfil robusto e estratégico, que vá além da simples exposição.

A análise de conteúdo das respostas discursivas, fundamentada em Bardin (2016), aprofundou a compreensão das percepções dos participantes. A Tabela 4 apresenta as categorias temáticas emergentes. A categoria “Visibilidade e Marketing Pessoal” foi a mais relevante (50%), com a ideia central de que “quem não é visto não é lembrado” e que as redes funcionam como uma “vitrine profissional”. Este resultado reforça a tese de Vianna et al. (2025) de que o marketing pessoal enfrentou o desafio do cybervetting, tornando o cuidado com a conduta nas redes vital. A consciência de que o engajamento e o conteúdo compartilhado constroem a reputação perante o mercado é clara.

Tabela 4. Análise de Conteúdo

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)Ideia Central das Respostas
Visibilidade e Marketing Pessoal5850%“Quem não é visto não é lembrado”. Vitrine profissional.
Validação e Autoridade2219%Prova de competência; Portfólio vivo; mostrar resultados.
Networking e Conexões1815,2%Expandir conexões; Ponte para novas oportunidades.
Diferenciação e Marca Pessoal1210,3%Construir uma marca; Identidade além do currículo.
Desenvolvimento e Conhecimento43,6%Aprender; trocar cases; acompanhar tendências.
Ceticismo ou Uso Restrito21,9%Não utiliza.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A categoria “Validação e Autoridade” (19%) destacou as redes como “prova de competência” e “portfólio vivo”, permitindo mostrar resultados. Isso sugere que as redes sociais transcendem o currículo tradicional, oferecendo um espaço para demonstração prática de habilidades e conquistas. A “Diferenciação e Marca Pessoal” (10,3%) complementa essa visão, enfatizando a construção de uma identidade profissional única além do currículo. A implicação prática é que os profissionais devem usar as redes não apenas para listar experiências, mas para narrar suas histórias de sucesso, compartilhar projetos e demonstrar suas competências de forma tangível.

A “Networking e Conexões” (15,2%) foi identificada como uma forma de “expandir conexões” e criar “pontes para novas oportunidades”. Este achado corrobora Aragão e Miranda (2023), que afirmam que as conexões estabelecidas nas redes sociais funcionam como catalisadores de oportunidades. A capacidade de alcançar maior abrangência e transformar conexões simples em oportunidades de reinvenção é um diferencial. A implicação prática é que o networking digital deve ser intencional, buscando conexões estratégicas com líderes, mentores e pares, e não apenas acumular contatos.

A categoria “Desenvolvimento e Conhecimento” (3,6%) ressaltou a importância de “aprender”, “trocar cases” e “acompanhar tendências”. Isso demonstra que as redes são vistas como plataformas de aprendizado contínuo e atualização profissional. A implicação prática é que os profissionais devem seguir influenciadores, participar de grupos de discussão e consumir conteúdo relevante para se manterem atualizados e expandir seus conhecimentos. O baixo percentual de “Ceticismo ou Uso Restrito” (1,9%) reforça a percepção generalizada do valor das redes.

No que diz respeito às estratégias de visibilidade nas redes digitais, a Tabela 5 detalha as abordagens mais eficazes. A principal estratégia apontada foi o “Conteúdo de Valor e Autoral” (41,4%), que inclui “posts técnicos, experiências reais, dicas práticas”. Esta prática evidencia domínio e segurança em relação a temas específicos, posicionando o profissional como um especialista em sua área. A criação de conteúdo autoral e relevante é um pilar fundamental para a construção da marca pessoal e para atrair a atenção de recrutadores, conforme Vianna et al. (2025).

Tabela 5. Estratégia de Visibilidade

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A “Interatividade e Networking” (30,2%) foi outra estratégia crucial, envolvendo “comentar posts de colegas, interagir com líderes, responder dúvidas”. Isso demonstra que o engajamento em publicações de terceiros é tão significativo quanto a produção de novos conteúdos, caracterizando-se como um processo de troca mútua e construção de capital social digital (Ávila et al., 2010). A implicação prática é que os profissionais devem equilibrar a criação de conteúdo com a interação ativa, participando de discussões e oferecendo insights para fortalecer sua presença e reputação.

A “Consistência e Frequência” (13,8%), com a prática de “postar diariamente” e “manter o perfil sempre atualizado”, sublinha a importância da regularidade para a visibilidade. A “Fixação de Marca” (Tabela 7) também destaca a necessidade de “ser constante” e “gerar confiança”. A implicação prática é que a visibilidade não é um evento isolado, mas um resultado da persistência e da dedicação contínua à gestão do perfil.

O “Uso de Ferramentas e Algoritmo” (8,6%), incluindo “hashtags (#), palavras-chave, marcações (@), vídeos e lives”, revela a compreensão da importância de otimizar o conteúdo para os mecanismos de busca das plataformas. A “Estética e Perfil Estruturado” (4,3%), com “bom layout, currículo ajustado, fotos profissionais”, enfatiza a importância da apresentação visual e da organização do perfil. Essas estratégias demonstram que a visibilidade profissional não é casual, mas resulta de um conhecimento profundo sobre o funcionamento das redes e da capacidade do indivíduo de se promover estrategicamente.

As motivações profissionais para o uso das redes sociais, conforme a Tabela 6, reforçam a centralidade dessas plataformas na carreira contemporânea. A principal motivação foi “Networking e Parcerias” (35,3%), com o objetivo de estabelecer “conexões estratégicas, pontes, contato com líderes e mentores”. Este dado ressalta o papel das redes como facilitadoras de relacionamentos profissionais, indo além da simples busca por vagas. Bezerra e Alves (2008) já afirmavam que o networking é um facilitador no processo de agregar pessoas, e este estudo confirma essa percepção.

Tabela 6. Motivação Profissional

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)O que motiva o respondente
Networking e Parcerias4135,3%Conexões estratégicas, pontes, contato com líderes e mentores.
Empregabilidade e Vagas3227,6%Ser visto por recrutadores, oportunidades exclusivas, recolocação.
Branding e Reconhecimento2118,1%Construir reputação, ser autoridade, consolidar imagem pessoal.
Aprendizado e Atualização1512,9%Tendências, novos conteúdos, aprender com erros e acertos alheios.
Adaptação à Globalização54,4%Não ficar obsoleto, acompanhar a tecnologia, exigência do mercado.
Não utiliza / Outros21,7%Falta de motivação ou uso não profissional.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A “Empregabilidade e Vagas” (27,6%) foi a segunda motivação mais citada, com o desejo de “ser visto por recrutadores”, acessar “oportunidades exclusivas” e buscar “recolocação”. Isso demonstra o impacto direto das redes na busca por emprego e na percepção de que elas são canais eficazes para o acesso ao mercado de trabalho. A “Branding e Reconhecimento” (18,1%), com a intenção de “construir reputação”, “ser autoridade” e “consolidar imagem pessoal”, destaca o valor das redes para a construção de uma marca profissional sólida.

O “Aprendizado e Atualização” (12,9%), visando “acompanhar tendências” e “aprender com erros e acertos alheios”, e a “Adaptação à Globalização” (4,4%), para “não ficar obsoleto” e “acompanhar a tecnologia”, completam o quadro de motivações. Esses achados indicam que os profissionais utilizam as redes sociais como um ecossistema completo para o desenvolvimento de carreira, que abrange desde a busca por oportunidades até o aprimoramento contínuo e a construção de uma reputação duradoura. A implicação prática é que as plataformas devem continuar a investir em funcionalidades que apoiem essas diversas motivações, desde ferramentas de networking até recursos de aprendizado e desenvolvimento profissional.

As recompensas da conectividade, apresentadas na Tabela 7, ilustram os benefícios concretos que os profissionais obtêm ao utilizar as redes sociais de forma estratégica. A “Alavancagem de Algoritmo” (36,2%) foi a recompensa mais citada, com descritores como “entrega do LinkedIn”, “mostrar que estou ali”, “SEO” e “impressões”. Isso indica que os usuários compreendem que a visibilidade depende não apenas do conteúdo, mas também de como ele é percebido e distribuído pelos algoritmos das plataformas. A implicação prática é que o letramento digital, incluindo o entendimento de como os algoritmos funcionam, é essencial para maximizar a visibilidade e o alcance profissional.

Tabela 7. Recompensas da Conectividade

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)Descritores das Respostas
Alavancagem de Algoritmo4236,2%Entrega do LinkedIn, “mostrar que estou ali”, SEO, impressões.
Fixação de Marca3530,2%“Quem não é visto não é lembrado”, ser constante, gerar confiança.
Demonstração de Expertise2118,1%Mostrar domínio, compartilhar insights, provar resultados e cases.
Ampliação de Rede (Network)1412,1%Novas conexões, alcançar perfis de interesse, indicação.
Inativos ou Céticos43,4%Não utiliza, não sabe, acha que não garante retorno.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A “Fixação de Marca” (30,2%), com a ideia de que “quem não é visto não é lembrado”, “ser constante” e “gerar confiança”, reforça a importância da presença contínua e da construção de uma imagem consistente. A “Demonstração de Expertise” (18,1%), através de “mostrar domínio, compartilhar insights, provar resultados e cases”, valida o uso das redes como um portfólio dinâmico para comprovar competências. A “Ampliação de Rede (Network)” (12,1%), com “novas conexões”, “alcançar perfis de interesse” e “indicação”, destaca o valor do networking para a expansão de oportunidades. Essas recompensas convergem com a proposta de Vianna et al. (2025) de que o uso estratégico das redes sociais é fundamental para atrair a atenção do mercado, demonstrando domínio técnico e ampliando a empregabilidade.

Apesar dos benefícios, existem barreiras à visibilidade nas redes sociais, conforme a Tabela 8. A principal delas é o “Despreparo Técnico e Estratégico” (38,8%), manifestado em “perfil desestruturado”, “falta de palavras-chave” e “não saber usar a ferramenta”. Este achado sugere uma lacuna no letramento digital profissional, onde muitos usuários, apesar de reconhecerem o valor das redes, não possuem o conhecimento ou as habilidades para otimizar sua presença. A implicação prática é a necessidade urgente de programas de educação e treinamento para capacitar profissionais no uso estratégico das redes sociais.

Tabela 8. Barreiras da Visibilidade

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)Exemplos dos Respondentes
Despreparo Técnico e Estratégico4538,8%Perfil desestruturado, falta palavras-chave, não saber usar a ferramenta.
Comportamento Inadequado/Ruído2824,1%Reclamações, polêmicas, excesso de vida pessoal, “misturar as redes”.
Passividade e Falta de Consistência2219%Uso passivo, não postar, “sumir” da rede, falta de tempo para dedicação.
Barreiras Sistêmicas1815,5%Algoritmo “cruel”, excesso de competição, exigências irreais de experiência.
Outros / Não utiliza32,6%Não utiliza ou não soube opinar.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O “Comportamento Inadequado/Ruído” (24,1%), incluindo “reclamações, polêmicas, excesso de vida pessoal” e “misturar as redes”, é outra barreira significativa. Este ponto é crucial no contexto do cybervetting, onde recrutadores avaliam a conduta online dos candidatos (Toczek et al., 2024). A mistura entre vida pessoal e profissional pode prejudicar a imagem e a credibilidade. A implicação prática é que os profissionais devem adotar uma postura cautelosa e profissional em todas as suas interações online, mantendo uma clara distinção entre perfis pessoais e profissionais, ou gerenciando o perfil único com extrema discrição.

A “Passividade e Falta de Consistência” (19%), com “uso passivo”, “não postar”, “sumir da rede” e “falta de tempo para dedicação”, reflete a dificuldade de manter um engajamento ativo e contínuo. As “Barreiras Sistêmicas” (15,5%), como o “algoritmo ‘cruel'”, “excesso de competição” e “exigências irreais de experiência”, apontam para desafios inerentes às próprias plataformas e ao mercado. A implicação prática é que, além do esforço individual, há uma necessidade de as plataformas oferecerem maior transparência e ferramentas que ajudem os usuários a superar essas barreiras, como guias de boas práticas e feedback sobre o desempenho do perfil.

O impacto da utilização das redes sociais, conforme a Tabela 9, destaca a transformação que essas plataformas trouxeram para o mercado de trabalho. O “Rompimento de Barreiras Geográficas” (37,9%) foi o impacto mais relevante, permitindo “atuação global”, “conexões internacionais” e indo “além do regional”. Este achado corrobora Melo et al. (2023), que observaram como o recrutamento digital quebrou as fronteiras do mercado de trabalho, facilitando a busca por talentos em qualquer lugar do mundo. A implicação prática é que os profissionais devem pensar globalmente em suas estratégias de networking e busca de oportunidades, aproveitando a capacidade das redes de conectar talentos com empresas em escala mundial.

Tabela 9. Impacto de Utilização

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)Descrições/Exemplos dos Respondentes
Rompimento de Barreiras Geográficas4437,9%Atuação global, conexões internacionais, além do regional.
Acesso ao “Mercado Oculto” de Vagas3025,9%Vagas não publicadas, indicações diretas, convites exclusivos.
Aceleração e Facilitação de Carreira2219%Rapidez na troca de informações, facilidade de achar mentores e parceiros.
Democratização vs. Injustiça Digital1210,3%Ferramenta incrível vs. “injusto” para quem não tem habilidade.
Troca de Conhecimento e Benchmarking86,9%Aprender com líderes, ver tendências, trocar experiências.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O “Acesso ao ‘Mercado Oculto’ de Vagas” (25,9%), com “vagas não publicadas”, “indicações diretas” e “convites exclusivos”, revela que as redes sociais são um canal privilegiado para oportunidades que não são divulgadas pelos meios tradicionais. Isso reforça a importância do networking e da construção de uma reputação sólida para ser lembrado em processos seletivos informais. A “Aceleração e Facilitação de Carreira” (19%), com “rapidez na troca de infos” e “facilidade de achar mentores e parceiros”, demonstra como as redes agilizam o desenvolvimento profissional.

A “Democratização vs. Injustiça Digital” (10,3%) levanta um debate importante, onde as redes são vistas como uma “ferramenta incrível” mas também “injusta” para quem não tem habilidade ou acesso. Este ponto conecta-se diretamente com as melhorias desejadas, especialmente a “Democratização e Acessibilidade Financeira” (Tabela 10). A implicação prática é que, embora as redes ofereçam um potencial democratizador, a desigualdade no acesso e na capacidade de uso ainda é uma preocupação, exigindo esforços para tornar as plataformas mais equitativas.

As melhorias desejadas pelos participantes, apresentadas na Tabela 10, oferecem insights valiosos para o aprimoramento das plataformas e para futuras políticas de letramento digital. A “Democratização e Acessibilidade Financeira” (31%) foi a principal demanda, com sugestões de “redução de preços do Premium” e “recursos gratuitos mais robustos”. Este resultado corrobora a análise de Aragão e Miranda (2023) sobre a disparidade no uso do LinkedIn, onde recursos pagos prometem destaque aos usuários assinantes, criando uma concorrência desigual. A implicação prática é que as plataformas devem considerar modelos de negócios mais inclusivos para garantir que a visibilidade profissional não seja apenas um privilégio de quem pode pagar.

Tabela 10. Melhorias Desejadas

Categoria TemáticaFrequência (n)Relevância (%)Descritores Principais
Democratização e Acessibilidade Financeira3631%Redução de preços do Premium, recursos gratuitos mais robustos.
Aprimoramento do Algoritmo e IA3227,6%Fim da “ditadura dos seguidores”, foco em conteúdo útil e não apenas popular.
Letramento e Educação Digital2219%Mentorias das empresas, cursos de como usar a rede, guias para iniciantes.
Transparência e Feedback1512,9%Saber por que o perfil não foi visto, feedbacks anônimos de recrutadores.
Funcionalidades e Layout86,9%Matchmaking automatizado, busca por competências e não só palavras-chave.
Outros / Não utilizam32,6%Não opinaram.
Total116100%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O “Aprimoramento do Algoritmo e IA” (27,6%) foi outra melhoria significativa, com o desejo de “fim da ‘ditadura dos seguidores'” e foco em “conteúdo útil e não apenas popular”. Os participantes anseiam por algoritmos que priorizem a qualidade e a relevância do conteúdo profissional, em vez de métricas de popularidade que podem ser manipuladas. A implicação prática é que as empresas de tecnologia devem investir em algoritmos mais inteligentes e transparentes, que realmente conectem talentos com oportunidades com base em competências e valor, e não apenas em engajamento superficial.

O “Letramento e Educação Digital” (19%), com a demanda por “mentorias das empresas”, “cursos de como usar a rede” e “guias para iniciantes”, reforça a necessidade de capacitação dos usuários. Este achado complementa a barreira do “Despreparo Técnico e Estratégico” (Tabela 8), indicando que há uma clara demanda por suporte educacional para otimizar o uso das redes. A implicação prática é que empresas, instituições de ensino e as próprias plataformas têm um papel crucial em oferecer recursos de aprendizado para que os profissionais possam navegar no ambiente digital com maior eficácia.

A “Transparência e Feedback” (12,9%), com o desejo de “saber por que o perfil não foi visto” e “feedbacks anônimos de recrutadores”, e as “Funcionalidades e Layout” (6,9%), com “matchmaking automatizado” e “busca por competências”, completam o quadro de melhorias. Essas sugestões apontam para a necessidade de maior clareza nos processos de recrutamento digital e ferramentas mais sofisticadas para a correspondência entre candidatos e vagas. A implicação prática é que a confiança no processo de recrutamento digital pode ser significativamente aumentada com maior transparência e feedback construtivo, beneficiando tanto candidatos quanto recrutadores.

Em síntese, os resultados desta pesquisa demonstram que as redes sociais se consolidaram como um portfólio profissional dinâmico e uma ferramenta essencial para a visibilidade e a empregabilidade. A percepção quase unânime de sua eficácia contrasta, em alguns aspectos, com a prática de uso, revelando uma “participação silenciosa” que prioriza a observação em detrimento da atualização ativa. A capacidade de gerar oportunidades de emprego e romper barreiras geográficas é inegável, mas desafios como o despreparo técnico e o comportamento inadequado ainda persistem. As melhorias desejadas apontam para a necessidade de maior democratização, algoritmos mais inteligentes e um robusto suporte educacional para que o potencial das redes sociais seja plenamente realizado, garantindo que a visibilidade profissional seja um ativo estratégico acessível e eficaz para todos.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que este estudo analisou com sucesso as estratégias de visibilidade e engajamento empregadas por profissionais nas redes sociais, investigando como a construção da reputação digital e a gestão da imagem online impactam a ampliação de oportunidades no mercado de trabalho contemporâneo. Os resultados confirmaram que as redes sociais se consolidaram como um portfólio profissional dinâmico e uma ferramenta indispensável para a empregabilidade, rompendo barreiras geográficas e facilitando o acesso a um “mercado oculto” de vagas. A percepção quase unânime da eficácia dessas plataformas contrasta, contudo, com uma “participação silenciosa” predominante, onde a observação supera a atualização ativa e consistente dos perfis.

Apesar dos *insights* valiosos, este estudo apresenta limitações, como a dependência da autopercepção dos participantes e a representatividade da amostra, que, embora diversificada, pode não capturar a totalidade das experiências, especialmente em contextos de menor letramento digital ou acesso a recursos pagos. O despreparo técnico e estratégico, bem como as barreiras sistêmicas dos algoritmos e a competição, foram identificados como desafios. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a investigação sobre o impacto de algoritmos específicos em diferentes nichos profissionais, desenvolver e testar programas de letramento digital para profissionais e explorar a relação entre o investimento em recursos pagos e o sucesso na carreira, além de analisar as dinâmicas em grupos profissionais com menor capital intelectual ou acesso tecnológico.

Referências Bibliográficas

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Bardin, Laurence. 2016. Análise de conteúdo. Edição 70. Casa de Ideias – Tradução de Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro, São Paulo, SP, Brasil. Disponível em: https://madmunifacs.wordpress.com/wp-content/uploads/2016/08/anc3a1lise-de-contec3bado-laurence-bardin.pdf. Acesso em: 07/01/2026.

Bartell, Anne dos Santos; Fischer Günther, Helen. 2020. Redes sociais na gestão de pessoas: o uso do LinkedIn em uma Instituição Comunitária de Ensino Superior. Encontro Internacional de Gestão, Desenvolvimento e Inovação (EIGEDIN). 4(1): 1–12.

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Formentin, Cláudia Nandi; Köenig, Marília; Corrêa, Alessandra Costa; Fernandes, Aline Corrêa; Henrique, Bruna Motta; Faria, Diego Borges; Oliveira, Edlaine da Silva; ZABOT, Graziela Maria; Corrêa, Hiorrana; Silva, Paulo Fernando da;. 2014. A utilização das mídias sociais como ferramentas para seleção e contratação de profissionais: pesquisa-diagnóstico em empresas da região de Tubarão/SC. Navus – Revista de Gestão e Tecnologia. 9(2): 45–60.

Melo, Amanda Cruz; Andrade, Jailza do Nascimento Tomaz. 2023. Recrutamento e Seleção: Do Analógico ao Digital. ID on line. Revista de Psicologia. 17 (66): 126-142.

Silva, A. C. P.; Albuquerque, J. S. 2019. As redes sociais como ferramenta de recrutamento e seleção. Business Journal. 1(1): 18–35.

Silveira, Vítor Cardoso; Santos, Nayane Caroline Gonçalves; Hermes, Rozilene; Eduardo, Antonio Sérgio; Ribeiro, José Soares. 2017. A construção do marketing pessoal através das redes sociais. Anais do Encontro Internacional de Gestão, Desenvolvimento e Inovação (EIGEDIN) 1 (1): 1-13.

Toczek, Juliana; Peinado, Jurandir; Vianna, Fernando Ressetti Pinheiro Marques; Meneghetti, Francis Kanashiro. 2024. As mídias sociais e o cybervetting nos processos de R&S: um estudo sobre o comportamento e a percepção dos candidatos. Revista de Ciências da Administração. 26 (66): 1–24.

Vianna, Fernando Ressetti Pinheiro Marques; Vianna, Regina Martinello Lins Pinheiro; Toczek, Juliana; Peinado, Jurandir. 2025. Biased cybervetting no recrutamento digital: entre segmentação de mídias e idealizações de candidatos. Caderno de Administração. 33 (2): 13-48.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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11 de setembro de 2026

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11 de setembro de 2026

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11 de setembro de 2026

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Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

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Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

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Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

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