Artigo

03 de agosto de 2026

Proposta de implementação de Gestão de Riscos Ocupacionais para empresa de médio porte

Gislene Vieira de Oliveira; Vinícius Rennó Castro

DOI: 10.22167/2675-6528-202600849

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de Saúde e Segurança no Trabalho é fundamental para a promoção do trabalho decente, sendo a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) um pilar para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) no Brasil. Este estudo teve como objetivo propor um plano de implementação do GRO em uma empresa de médio porte do setor de Tecnologia da Informação, localizada em São Paulo, visando a conformidade com a NR-1. A metodologia adotada foi a pesquisa-ação, de natureza aplicada e qualitativa, estruturada em ciclos de diagnóstico, prospecção e proposta de intervenção. Para isso, realizou-se análise documental da NR-1 e de documentos internos da empresa, além de prospecção de ferramentas de mercado. O diagnóstico inicial revelou que a organização, com 20 colaboradores e classificada como de médio porte, não era elegível ao tratamento simplificado previsto na norma. Identificou-se conformidade documental básica (PCMSO, PGR e AET), porém constatou-se a necessidade de monitoramento contínuo de riscos psicossociais e ergonômicos, considerados críticos para o setor de Tecnologia da Informação. A proposta de ação foi estruturada em cinco etapas: planejamento estratégico, diagnóstico de riscos, formulação do plano de intervenção, monitoramento via ciclo PDCA e formalização documental. Concluiu-se que a adoção de um modelo híbrido, integrando suporte técnico externo e gestão interna, permite harmonizar o cumprimento legal pleno com a realidade de recursos limitados da organização, promovendo um ambiente laboral seguro e sustentável.

Palavras-chave: Gerenciamento de Riscos Ocupacionais; NR-1; Pesquisa-ação; Riscos psicossociais; Tecnologia da Informação.

1. Introdução

A gestão de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) representa um pilar fundamental para a promoção de um ambiente laboral decente no Brasil. As Normas Regulamentadoras (NRs) atuam como instrumentos essenciais, estabelecendo os procedimentos obrigatórios para garantir a integridade e a saúde dos trabalhadores em diversos setores, desde escritórios até plantas industriais (Balazeiro et al., 2023). Nesse cenário, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) foi atualizada para se consolidar como a principal diretriz de prevenção no país, instituindo o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) (Colnago, 2025; Montal e Martins, 2023).

O GRO, ao substituir o antigo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), ampliou significativamente o escopo da gestão de riscos. Anteriormente focado em riscos físicos, químicos e biológicos, o novo modelo passou a incluir os riscos ergonômicos e de acidentes (Yamamura, 2022), além dos riscos psicossociais (Brasil, 2025, p. 7). Essa abordagem mais abrangente propõe uma sistematização do processo, que é documentado por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), composto por um Inventário de Riscos Ocupacionais e um Plano de Ação (Yamamura, 2022). A metodologia do GRO exige um ciclo de melhoria contínua, integrando-se com as demais NRs para uma gestão completa dos perigos e riscos organizacionais (Montal e Martins, 2023).

Para a gestão específica dos riscos ergonômicos e psicossociais, a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) é a abordagem inicial obrigatória (Brasil, 2025, p. 7). O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sugere estratégias como a observação da atividade real de trabalho, a realização de workshops e a aplicação de questionários padronizados para identificar perigos como sobrecarga, assédio ou falta de autonomia (Brasil, 2025, p. 10). É importante ressaltar que o objetivo dessa avaliação é verificar as condições organizacionais que podem favorecer o adoecimento dos colaboradores, e não analisar a saúde mental individual (Brasil, 2025, p. 6, 16).

A complexidade na aplicação dessas exigências normativas está diretamente relacionada ao porte da empresa, cuja definição no Brasil varia conforme a finalidade da análise (Sebrae, 2015). A Lei Complementar nº 123/2006, por exemplo, estabelece o critério de receita bruta anual para classificar Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), com limite de R$ 4,8 milhões anuais (Brasil, 2006). Organizações que superam esse faturamento, como a empresa objeto deste estudo, são enquadradas como de médio ou grande porte para fins legais e normativos. Essa distinção é crucial, pois a própria NR-1 concede um tratamento simplificado do GRO exclusivamente para ME e EPP (Brasil, 2006).

Empresas de médio porte, portanto, não são elegíveis a essas simplificações e devem implementar o GRO em sua totalidade. Contudo, essa implementação enfrenta desafios consideráveis, que constituem a problemática central desta pesquisa. A literatura aponta obstáculos como a carência de recursos financeiros ou tecnológicos, a dificuldade em modificar comportamentos e, principalmente, a ausência de comprometimento da liderança (Balazeiro et al., 2023). Embora o descumprimento das normas possa parecer economicamente vantajoso devido a multas baixas e reduzida fiscalização (Ribeiro Júnior, 2023), essa percepção ignora os elevados custos sociais decorrentes de acidentes e doenças ocupacionais, que são transferidos para a sociedade (Ribeiro Júnior, 2023). Os resultados preliminares de diagnóstico indicam que, apesar de possuir conformidade documental básica (PCMSO, PGR e AET), a empresa carece de um monitoramento contínuo de riscos psicossociais e ergonômicos, que são críticos para o setor de Tecnologia da Informação.

A justificativa para este trabalho reside na necessidade prática de desenvolver um modelo de aplicação do GRO para empresas que, como a estudada, encontram-se em uma fase de transição de porte, com recursos potencialmente limitados, mas com plenas obrigações legais. A pesquisa-ação, adotada neste estudo, mostra-se adequada para preencher a lacuna entre a exigência normativa e a realidade organizacional de uma empresa de TI de médio porte com poucos colaboradores. Além do cumprimento legal, a adoção de boas práticas de SST é cada vez mais reconhecida como uma vantagem competitiva, visto que consumidores valorizam cadeias produtivas socialmente responsáveis (Yamamura, 2022), o que também contribui para a melhoria da marca empregadora. A unidade de análise é uma empresa prestadora de serviços de Tecnologia da Informação, localizada em São Paulo, com 20 colaboradores e faturamento anual superior a R$ 4.800.000,00, classificando-a como de médio porte (Bigaton et al., 2024).

Diante dessas considerações, este trabalho teve como objetivo propor um plano de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) em uma empresa de médio porte do setor de Tecnologia da Informação, visando a conformidade com a NR-1 e a melhoria da segurança laboral.

2. Material e Métodos

O presente trabalho caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, buscando gerar conhecimentos para a solução de um problema prático e específico em uma organização (Bigaton et al., 2024). Quanto aos objetivos, a pesquisa foi classificada como exploratória-descritiva. A fase exploratória consistiu no levantamento dos requisitos normativos da NR-1 e na prospecção de ferramentas de mercado, enquanto a fase descritiva focou na caracterização da solução proposta.

Em relação aos procedimentos técnicos e à natureza dos dados, adotou-se a abordagem qualitativa (Creswell e Creswell, 2021). Esta integrou a análise de conteúdo dos requisitos legais, de caráter qualitativo, com o levantamento de custos e a comparação de funcionalidades de ferramentas de mercado, conforme descrito nas etapas subsequentes do estudo.

A unidade de análise foi uma empresa de médio porte do setor de Tecnologia da Informação, localizada em São Paulo – SP. A organização contava com aproximadamente 20 colaboradores e sua atividade principal era o desenvolvimento de programas de computador sob encomenda (CNAE 62.01-5/00). As equipes atuavam em suporte, programação e gestão de projetos de tecnologia, em regime de trabalho híbrido.

A estratégia de pesquisa adotada foi a pesquisa-ação, justificada pelo objetivo de aprimorar uma prática organizacional, e não apenas conhecer uma realidade (Tripp, 2005). A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social empírica que envolve o pesquisador e os participantes de modo cooperativo na resolução de um problema coletivo (Santos et al., 2017).

Embora a pesquisa-ação utilize um ciclo completo de planejamento, implementação, descrição e avaliação (Tripp, 2005), este estudo concentrou-se nas fases de diagnóstico e planejamento. As etapas de implementação da intervenção e a avaliação de seus efeitos não foram contempladas, resultando na proposição de um plano de ação para execução futura.

Os procedimentos foram desdobrados em fases. A Fase 1, denominada Diagnóstico e Planejamento (Ciclo 1), correspondeu à análise situacional (Tripp, 2005). A coleta de dados realizou-se por meio de pesquisa documental, aplicada em duas frentes distintas para o diagnóstico inicial da empresa.

Na primeira frente, analisou-se a Norma Regulamentadora nº 1 para extrair as exigências legais de gestão, capacitação e documentação relacionadas ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Na segunda frente, examinaram-se documentos internos da empresa para diagnosticar o nível de aderência às exigências legais de Saúde e Segurança no Trabalho.

Para o diagnóstico, foram analisados o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Esses documentos foram selecionados por representarem os principais instrumentos formais de gestão e controle dos riscos ocupacionais.

A análise documental foi complementada pela consideração do número de trabalhadores (20 pessoas) e do faturamento anual da empresa. Essa verificação visou enquadrar corretamente a organização quanto ao seu porte e avaliar a aplicabilidade das obrigatoriedades, dispensas ou tratamentos diferenciados previstos nas Normas Regulamentadoras.

A técnica de análise dos dados da Fase 1 foi a análise de conteúdo qualitativa (Bardin, 2016), que resultou na elaboração de um “checklist” dos requisitos da NR-1 e de outras normas regulamentadoras aplicáveis. O diagnóstico preliminar foi sistematizado para relacionar as exigências normativas e o nível de aderência identificado.

A Fase 2, Prospecção de Ferramentas e Planejamento da Ação (Ciclo 2), iniciou-se com base no “checklist” de requisitos. Realizou-se uma prospecção de mercado de ferramentas, incluindo softwares e serviços, disponíveis para a gestão de Saúde e Segurança no Trabalho (SST).

A coleta de dados para esta fase combinou pesquisa documental, por meio da análise de websites e especificações técnicas de fornecedores, com o levantamento de dados primários, que envolveu a solicitação e análise de orçamentos. A análise comparativa, de natureza qualitativa, foi empregada para mapear quais requisitos da NR-1 cada ferramenta atendia.

A Fase 3, Proposta da Ação e Reflexão (Ciclo 3), correspondeu à fase de ação (Tripp, 2005) e ao principal resultado prático da pesquisa. Estruturou-se uma solução de baixo custo para a conformidade com a NR-1, fundamentada na análise de custo-benefício da fase anterior.

A proposta consistiu em uma composição de ferramentas de mercado e processos internos desenvolvidos, elaborada com a atuação ativa da pesquisadora e a colaboração dos gestores da empresa (Santos et al., 2017). Para a implementação do GRO, propôs-se um roteiro estruturado em cinco etapas.

A primeira etapa do roteiro proposto, Planejamento Estratégico e Mobilização, visou criar a base de suporte para o processo. Incluiu a avaliação da viabilidade de execução interna ou a necessidade de suporte especializado, a delimitação de responsabilidades por meio de uma Matriz RACI (PMI, 2021) e o estabelecimento de canais de diálogo com os colaboradores.

Nesta etapa inicial, também se previu o mapeamento da infraestrutura organizacional e a caracterização dos Grupos Homogêneos de Exposição (GHE). Para a empresa estudada, identificaram-se dois grupos principais: a operação, composta por desenvolvedores de sistemas, e a gestão, que incluía o departamento administrativo.

A segunda etapa do roteiro, Diagnóstico e Análise de Riscos, objetivou transformar percepções subjetivas em dados. Previu-se a definição e aplicação de um questionário para a equipe de colaboradores, com o apoio de instrumentos padronizados e validados cientificamente para a análise de riscos psicossociais.

Entre os instrumentos considerados para a avaliação de riscos psicossociais, destacaram-se o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ) (Kristensen et al., 2005; Nübling et al., 2019), o modelo da Health and Safety Executive (HSE, 2004), o Job Content Questionnaire (JCQ) (Karasek, 1979) e o Effort-Reward Imbalance (ERI) (Siegrist, 1996).

O resultado do questionário seria utilizado para elaborar o Inventário de Fatores de Risco e a Matriz de Criticidade. Esta matriz mensuraria os riscos por meio do cruzamento entre a probabilidade de ocorrência e a severidade dos danos potenciais, priorizando as intervenções necessárias.

A terceira etapa do roteiro, Formulação do Plano de Intervenção, visou definir a gestão de riscos. Estruturou-se ações preventivas e mitigadoras para cada risco identificado, designando cronogramas específicos e responsáveis pela execução, abrangendo ajustes comportamentais e modificações estruturais.

A quarta etapa, Monitoramento e Melhoria Contínua, objetivou mapear a continuidade do processo. Previu-se a adoção da metodologia Plan-Do-Check-Act (PDCA) (Deming, 1986) e a realização de reuniões trimestrais para reajuste das estratégias do plano de ação, acompanhando métricas de saúde e clima organizacional.

Para o acompanhamento, consideraram-se instrumentos como a Pesquisa de Clima Organizacional (PCO), o Employee Net Promoter Score (eNPS) (Reichheld, 2003) e as pesquisas pulse (Baersch e Massoni, 2020), além de modelos teóricos como Demanda-Controle (Karasek, 1979) e Esforço-Recompensa (Siegrist, 1996).

A quinta e última etapa do roteiro proposto, Formalização, visou consolidar a documentação e a proteção legal da empresa. Previu-se a integração dos resultados ao PGR, detalhando a metodologia, o inventário de riscos, a matriz de criticidade e o cronograma de ações.

Para fins de auditoria e fiscalização, a empresa deveria guardar evidências como listas de presença de treinamentos, fotos de ações e cópias de questionários anonimizados. A documentação seria organizada em uma pasta digital para apresentação imediata, conforme preconiza a NR-1.

Os princípios éticos foram rigorosamente seguidos durante o desenvolvimento da pesquisa. Obteve-se autorização formal da diretoria da empresa para o acesso aos documentos e a realização do diagnóstico. Garantiu-se o sigilo e a confidencialidade das informações estratégicas da empresa, bem como a preservação da identidade de todos os colaboradores e gestores que forneceram dados.

3. Resultados e Discussão

A presente seção de Resultados e Discussão detalha os achados da pesquisa-ação, estruturada em ciclos de diagnóstico, prospecção e proposta de intervenção, com o objetivo de elaborar um plano de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) em uma empresa de médio porte do setor de Tecnologia da Informação. Os resultados iniciais revelaram o status de conformidade da organização com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e outras NRs aplicáveis, identificando lacunas significativas no monitoramento de riscos psicossociais e ergonômicos. Posteriormente, foram prospectadas soluções de mercado e, por fim, formulou-se uma proposta de ação detalhada, visando harmonizar as exigências legais com a realidade de recursos da empresa.

Fase 1: Diagnóstico e Planejamento (Ciclo 1)

A primeira fase do estudo concentrou-se na análise situacional das exigências legais de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) e na compreensão do contexto normativo e organizacional para a implementação do GRO. Verificou-se que a NR-1 estabelece a obrigatoriedade de cumprimento de todas as Normas Regulamentadoras aplicáveis às atividades de empregadores e empregados (Brasil, 2024, p. 1-2). Embora a maioria das NRs seja transversal, algumas são setoriais, como a NR-32 para serviços de saúde, e não se aplicam ao setor de tecnologia da informação. A análise documental confirmou que a empresa, por sua natureza, não apresenta riscos físicos, químicos ou biológicos, o que a dispensa de normas como a NR-15, relacionada a atividades insalubres.

A classificação dos riscos, conforme a NR-1, abrange cinco categorias: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos (incluindo psicossociais) e de acidentes (Brasil, 2024, p. 5). Os riscos físicos, químicos e biológicos são definidos pela intensidade, concentração ou tempo de exposição, podendo causar danos à saúde. Os riscos ergonômicos, por sua vez, resultam de exigências psicofisiológicas inadequadas ou excessivas, com impactos na saúde física e mental (Brasil, 2025, p. 6–7). Os riscos de acidentes estão associados a eventos súbitos decorrentes de perigos no trabalho, cuja avaliação deve considerar a severidade das consequências e a probabilidade de ocorrência (Brasil, 2025, p. 7).

A segunda etapa do diagnóstico envolveu a confrontação das exigências normativas com os documentos internos da empresa, a fim de avaliar o nível de aderência às normas de SST. Para isso, foram analisados o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Esses documentos são considerados os principais instrumentos formais de gestão e controle de riscos, abrangendo aspectos médicos, ambientais, ergonômicos e previdenciários.

O perfil da empresa, com 20 colaboradores e faturamento anual superior a R$ 4.800.000,00, a classifica como de médio porte, o que impede a utilização do tratamento simplificado do GRO previsto na NR-1 para Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). O diagnóstico preliminar revelou que a organização possui conformidade documental básica, mas carece de um monitoramento contínuo de riscos psicossociais e ergonômicos, que são particularmente críticos para o setor de Tecnologia da Informação.

Em relação à aderência às Normas Regulamentadoras, a empresa demonstrou conhecimento sobre a necessidade de receber o fiscal e apresentar documentações em caso de interdição (NR-3). Quanto aos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), a organização, com 20 colaboradores, não se enquadra na obrigatoriedade de ter um SESMT formal, que seria exigido a partir de 500 funcionários (NR-4). Para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), a empresa deve designar uma pessoa da equipe para ter os conhecimentos necessários, em vez de constituir uma CIPA formal, o que é permitido para seu porte (NR-5).

A empresa não possui atividades que demandem Equipamento de Proteção Individual (EPI) (NR-6), e seu Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é elaborado por uma empresa especializada em medicina e segurança do trabalho, cabendo ao setor interno gerenciar os exames ocupacionais (NR-7). Em relação às Edificações (NR-8), a empresa está localizada em um prédio comercial, e a responsabilidade pela manutenção predial é da administradora do condomínio. Para a Avaliação e Controle de Exposições Ocupacionais (NR-9), o PGR da empresa mapeia somente riscos ergonômicos, sendo crucial o mapeamento e acompanhamento contínuo dos riscos psicossociais.

No que tange à Segurança em Instalações Elétricas (NR-10), o risco é considerado baixo no prédio comercial, e a empresa possui uma pessoa com treinamento de brigada de incêndio. As NRs sobre Transporte, Movimentação e Armazenagem de Materiais (NR-11), Máquinas e Equipamentos (NR-12), Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações (NR-13), Fornos (NR-14), Atividades e Operações Insalubres (NR-15), Atividades e Operações Perigosas (NR-16), Explosivos (NR-19), Inflamáveis e Combustíveis (NR-20), Trabalho a Céu Aberto (NR-21), e Resíduos Industriais (NR-25) não se aplicam à atividade fim da empresa, conforme o diagnóstico realizado.

A NR-17, referente à Ergonomia, é de grande relevância para o setor de TI. A empresa possui PGR, AET e plano de ação elaborados por uma empresa especializada, e é fundamental que mapeie e acompanhe as possíveis alterações dos riscos ao longo do tempo, com foco nos riscos psicossociais. Para a Proteção Contra Incêndios (NR-23), a responsabilidade pela prevenção e extintores é da administradora do condomínio, e a empresa possui uma pessoa com treinamento de brigada. As Condições Sanitárias e de Conforto (NR-24) são mantidas internamente, com a empresa cuidando da manutenção e limpeza do escritório e itens como bebedouros e aparelhos de ar.

A Sinalização de Segurança (NR-26) é responsabilidade da administradora do condomínio, e a empresa não possui produtos químicos que exijam rotulagem. Em termos de Fiscalização e Penalidades (NR-28), a empresa está ciente de que deve receber o fiscal, apresentar as instalações e documentações solicitadas. As NRs sobre Espaços Confinados (NR-33) não se aplicam, e para o Trabalho em Altura (NR-35), o PGR da empresa menciona um “risco de queda em mesmo nível” devido a revestimento do piso ou umidade, mas não há atividades que envolvam trabalho em altura propriamente dito.

Fase 2 – Prospecção de Ferramentas e Planejamento da Ação (Ciclo 2)

Nesta fase, realizou-se uma prospecção de mercado para identificar soluções que pudessem atender aos requisitos da NR-1, com ênfase no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e na nova exigência de monitoramento de riscos psicossociais. A pesquisa documental, que incluiu a análise de websites e especificações técnicas de fornecedores, além do levantamento de orçamentos, revelou uma variedade de ferramentas e serviços disponíveis. A análise comparativa qualitativa permitiu mapear a aderência de cada solução aos requisitos da NR-1.

Entre as soluções identificadas, a Paromed oferece consultoria em SST, focada na elaboração de documentos base como PGR, PCMSO, LTCAT e AET, além da avaliação de riscos psicossociais, visando a conformidade documental e técnica inicial. A Wellhub, por sua vez, disponibiliza uma plataforma de bem-estar com checklists da NR-01 e recursos para promoção da saúde, com foco na gestão de benefícios e saúde preventiva. A Wellz apresenta soluções de saúde emocional, incluindo programas de apoio psicológico e jornadas de saúde mental, com o objetivo de monitorar riscos psicossociais e preventivos.

A Great People oferece consultoria mental, com treinamentos de liderança e gestão de saúde mental corporativa, visando a capacitação e o desenvolvimento de uma cultura de segurança. A Moodar foca na gestão de riscos, com diagnóstico de riscos psicossociais por meio de auditorias, auxiliando na criação de inventários de riscos e planos de ação específicos. A PsicoMeter especializa-se na avaliação psicométrica, com mensuração estatística de fatores de risco psicossociais, fornecendo embasamento técnico-científico para o PGR. Por fim, a TeamCulture oferece um software de gestão para monitoramento contínuo de oito dimensões de risco da NR-1, promovendo a participação dos trabalhadores e a melhoria contínua.

A prospecção demonstrou que o mercado oferece um leque diversificado de ferramentas e serviços, desde consultorias completas que abrangem a documentação inicial até softwares especializados no monitoramento contínuo de riscos psicossociais. Essa variedade de opções é crucial para empresas de médio porte, como a estudada, que buscam soluções que se adequem à sua realidade de recursos limitados, permitindo a escolha de um modelo híbrido que combine suporte técnico externo para a estruturação inicial e ferramentas internas para a gestão e monitoramento contínuo.

Fase 3: Proposta da Ação e Reflexão (Ciclo 3)

A proposta de ação, desenvolvida em colaboração com a gestão da empresa, consiste em um modelo de gestão de baixo custo que harmoniza a conformidade legal com a cultura de uma empresa de TI de médio porte. Embora a organização já possua documentação básica, a ausência de um mapa de riscos consolidado exige uma etapa preliminar de estruturação. Para tanto, foi proposto um roteiro estruturado em cinco etapas, fundamentado no ciclo de melhoria contínua e focado na NR-1.

O roteiro de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais é composto por cinco etapas sequenciais: Planejamento Estratégico e Mobilização, Diagnóstico e Análise de Riscos, Formulação do Plano de Intervenção, Monitoramento e Melhoria Contínua, e Formalização. Essa estrutura visa garantir uma abordagem sistemática e contínua para a gestão de SST, desde a definição de responsabilidades até a documentação final para auditorias, conforme os princípios de um sistema de gestão eficaz e adaptado às necessidades da organização.

Etapa 1 – Planejamento Estratégico e Mobilização

O objetivo desta etapa é estabelecer a base de suporte para que o processo de GRO não se restrinja ao departamento de recursos humanos, mas envolva toda a organização, com informações e responsabilidades compartilhadas. A avaliação da viabilidade de execução interna ou da necessidade de suporte especializado indicou que um modelo híbrido, combinando atuação interna e suporte externo, é o mais adequado para a empresa analisada. Uma empresa de segurança do trabalho pode elaborar o mapa de riscos, enquanto a gestão interna valida e gerencia esses riscos, o que se mostrou financeiramente viável.

Nesta etapa, é fundamental delimitar as responsabilidades de cada nível hierárquico, garantindo o alinhamento dos gestores com o projeto. Para a empresa, a criação de uma Matriz de Responsabilidades é essencial, indicando quem decide, executa, consulta e informa em cada etapa. O modelo RACI (Responsável, Autoridade/Aprovador, Consultado e Informado), conforme o Project Management Institute (PMI, 2021), é uma ferramenta eficaz para associar recursos a atividades e identificar claramente os papéis das partes interessadas nas entregas e decisões de segurança.

A Matriz de Atribuição de Responsabilidades proposta pela pesquisa detalha as funções para as atividades do projeto. A Diretoria/CEO é a aprovadora da decisão sobre a consultoria externa e da consolidação e proteção legal, além de ser informada sobre o mapeamento de GHE e rotinas e a organização para auditoria. O Departamento de Recursos Humanos é responsável pela comunicação e canais de diálogo, pela elaboração do inventário e matriz, e pela consolidação e proteção legal, sendo consultado em diversas outras atividades. O Gestor de TI é responsável pelo mapeamento de GHE e rotinas, pela aplicação de questionários e pela interface com a empresa de segurança, sendo consultado em outras decisões.

A consultoria em SST, quando contratada, é responsável pela elaboração do inventário e matriz de riscos, e pela estruturação de ações e cronogramas, sendo consultada em outras etapas. Os colaboradores são informados sobre a comunicação e canais de diálogo, a aplicação de questionários e a interface com a empresa de segurança. Essa distribuição de responsabilidades visa garantir que o processo de implementação do GRO seja colaborativo e eficaz, envolvendo todos os níveis da organização e aproveitando a expertise de cada área para o sucesso do projeto.

A empresa deve estabelecer canais de diálogo com os colaboradores para explicar a finalidade da avaliação, mitigando resistências e aumentando a fidedignidade dos dados. Para o grupo de 20 colaboradores, uma campanha de sensibilização simples, como um comunicado interno via ferramenta de comunicação e e-mail, explicando que a avaliação da empresa de segurança contratada visa a melhoria do bem-estar, é suficiente. Recomenda-se uma palestra sobre a NR-1 e sua finalidade antes do início dos trabalhos, dado que este grupo valoriza o propósito das atividades.

Por fim, nesta etapa, é necessário mapear a infraestrutura organizacional e caracterizar os Grupos Homogêneos de Exposição (GHE), identificando perfis de atuação e rotinas laborais. Para a empresa estudada, foram identificados dois grupos principais: a operação, composta por desenvolvedores de sistemas, e a gestão, que inclui o departamento administrativo. Essa distinção é importante para direcionar as ações de gerenciamento de riscos de forma mais específica e eficaz.

Etapa 2 – Diagnóstico e Análise de Riscos

O objetivo desta etapa é transformar percepções subjetivas em dados quantitativos, o que requer a definição e aplicação de um questionário para a equipe de colaboradores. A empresa contratante espera que a consultoria de segurança do trabalho ofereça apoio na escolha do melhor modelo de pesquisa. A identificação e análise de riscos psicossociais devem ser apoiadas por instrumentos padronizados e validados cientificamente, que avaliam fatores organizacionais associados ao adoecimento mental.

Entre os principais modelos utilizados, destacam-se o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ), em suas diferentes versões, incluindo o COPSOQ III, que avalia demandas de trabalho, controle, apoio social e conflitos de papel (Kristensen et al., 2005; Nübling et al., 2019). Outro instrumento amplamente difundido é o modelo da Health and Safety Executive (HSE, 2004), que estrutura a avaliação em seis dimensões centrais, como demandas, controle e suporte organizacional. Ferramentas baseadas no Job Content Questionnaire (JCQ), de Karasek (1979), são usadas para identificar demandas psicológicas e níveis de controle em contextos de elevada carga cognitiva e necessidade de autonomia, como no setor de TI.

Adicionalmente, modelos teóricos como o Effort-Reward Imbalance (ERI), proposto por Siegrist (1996), analisam o desequilíbrio entre esforço e recompensa no trabalho. No cenário brasileiro, destacam-se instrumentos como o PROART e estudos aplicados, a exemplo do mapeamento de riscos psicossociais no SAMU-DF (Silva et al., 2019), que evidenciam a aplicabilidade de questionários estruturados na identificação de fatores como sobrecarga e pressão temporal. Ferramentas complementares, como escalas de humor organizacional, contribuem para integrar a percepção imediata de bem-estar dos trabalhadores à análise dos fatores organizacionais, permitindo uma avaliação abrangente dos riscos psicossociais, alinhada às diretrizes da NR-1 e às recomendações do Ministério do Trabalho.

O resultado do questionário será utilizado para montar dois novos artefatos: o Inventário de Fatores de Risco e a Matriz de Criticidade. O inventário de fatores catalogará as vulnerabilidades identificadas durante a fase de diagnóstico. Estudos indicam que, em empresas do setor de Tecnologia da Informação, os riscos psicossociais mais recorrentes estão associados à sobrecarga de trabalho, pressão por prazos, alta demanda cognitiva e instabilidade devido a mudanças constantes em requisitos e tecnologias (Cavalcante; Santos, 2025; Longen e Silveira, 2023). Esses fatores favorecem o desenvolvimento de estresse ocupacional e síndrome de burnout, e a cultura organizacional de disponibilidade contínua contribui para o esgotamento emocional e a redução do bem-estar dos profissionais (Cavalcante e Santos, 2025).

Diante desse cenário, a mitigação desses riscos exige a adoção de medidas estruturadas, como o planejamento adequado das demandas, a promoção de autonomia, o fortalecimento da comunicação e o monitoramento contínuo dos fatores psicossociais no âmbito do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (Brasil, 2025; Colnago, 2025). A matriz de criticidade consiste em mensurar os riscos por meio do cruzamento entre a probabilidade de ocorrência e a severidade dos danos potenciais, priorizando as intervenções necessárias e favorecendo a gestão dos riscos críticos.

Etapa 3 – Formulação do Plano de Intervenção

O objetivo desta etapa é definir como e quanto a gestão de riscos será realizada. Nesta fase, é necessário estruturar ações preventivas e mitigadoras para cada risco identificado, designando cronogramas específicos e responsáveis pela execução de cada item. Pode ser necessário abranger ajustes comportamentais, como a realização de dinâmicas de feedback e treinamentos de liderança, e modificações estruturais, como a implantação de um plano de banco de horas. Além disso, devem ser definidas metas quantificáveis, como a redução dos índices de absenteísmo e o controle da rotatividade de funcionários.

Etapa 4 – Monitoramento e Melhoria Contínua

O objetivo desta etapa é estabelecer um mapeamento de continuidade para que a empresa possa proporcionar aos colaboradores um ambiente de constante desenvolvimento e melhoria. Pretende-se adotar a metodologia “Plan-Do-Check-Act [PDCA]” (Planejar, Executar, Checar, Agir) (Deming, 1986) para garantir a dinamicidade da gestão de riscos ocupacionais. Para a empresa em questão, reuniões trimestrais de acompanhamento parecem suficientes para monitorar o progresso e reajustar as estratégias do plano de ação conforme os resultados observados.

Nessas reuniões trimestrais, as estratégias do plano de ação podem ser reajustadas, dependendo da divergência entre os resultados observados e as metas estabelecidas. Para isso, será necessário acompanhar periodicamente métricas de saúde e clima organizacional para validar a eficácia das ações implementadas. Algumas soluções de mercado, como as apresentadas na prospecção (Wellz e TeamCulture), podem auxiliar na mensuração desses indicadores para tal acompanhamento, fornecendo dados para a tomada de decisão.

Existem instrumentos complementares que podem ser aplicados pela própria empresa para obter esses indicadores, como a Pesquisa de Clima Organizacional (PCO), um questionário estruturado que avalia percepções dos colaboradores sobre liderança, comunicação e condições de trabalho, sendo recomendada para identificar fatores psicossociais no ambiente laboral. Outros exemplos incluem o “Employee Net Promoter Score [eNPS]”, que mede o grau de recomendação da organização como local de trabalho (Reichheld, 2003), e as pesquisas pulse, que são curtas e frequentes, possibilitando o monitoramento contínuo do clima organizacional e captando variações ao longo do tempo (Baersch e Massoni, 2020).

No campo da saúde organizacional, destacam-se modelos teóricos como o Demanda-Controle, que analisa a relação entre exigências do trabalho e autonomia (Karasek, 1979), e o modelo Esforço–Recompensa, que avalia o equilíbrio entre o esforço despendido e o retorno obtido (Siegrist, 1996). Adicionalmente, instrumentos como o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ) oferecem uma abordagem abrangente para avaliação de riscos psicossociais, alinhando-se às exigências normativas que incluem tais riscos na gestão organizacional.

Etapa 5 – Formalização

O objetivo desta etapa é consolidar a documentação e proteger legalmente a empresa, garantindo sua conformidade com a NR-1. Nesta fase, será necessário integrar os resultados ao PGR, detalhando a metodologia, o inventário de riscos, a matriz de criticidade e o cronograma de ações. Na prática, a empresa deverá guardar as listas de presença de treinamentos, fotos das ações, cópias dos questionários anonimizados e qualquer outro conteúdo que demonstre que as ações foram e estão sendo realizadas com a intenção de seguir a NR-1.

É fundamental manter a documentação organizada e acessível para fins de auditoria e atendimento aos requisitos de fiscalização dos órgãos trabalhistas, conforme preconiza a NR-1. A empresa deverá organizar uma pasta digital com todos os passos anteriores para apresentação imediata em caso de fiscalização. Essa organização documental não apenas assegura o cumprimento legal, mas também demonstra o comprometimento da empresa com a segurança e saúde de seus colaboradores, fortalecendo a cultura de prevenção e responsabilidade social.

Em síntese, os resultados da pesquisa-ação indicaram que, embora a empresa de TI de médio porte possua conformidade documental básica, há uma necessidade crítica de implementar um monitoramento contínuo e abrangente dos riscos ocupacionais, especialmente os psicossociais e ergonômicos. A proposta de um plano de implementação em cinco etapas, com um modelo híbrido de gestão interna e suporte técnico externo, oferece um caminho viável para harmonizar as exigências da NR-1 com a realidade da organização, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e sustentável através de um ciclo de melhoria contínua.

4. Conclusão

Este estudo teve como objetivo propor um plano de implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) em uma empresa de médio porte do setor de Tecnologia da Informação, visando a conformidade com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e a melhoria da segurança laboral. Verificou-se que a organização, embora possua conformidade documental básica, não era elegível ao tratamento simplificado da NR-1, o que impôs a necessidade de um monitoramento contínuo e abrangente dos riscos ocupacionais, com especial atenção aos riscos psicossociais e ergonômicos, considerados críticos para o setor de TI. Identificou-se que a sobrecarga de trabalho, a pressão por prazos e a alta demanda cognitiva são fatores recorrentes que contribuem para o estresse ocupacional e a síndrome de burnout. A proposta de ação foi estruturada em cinco etapas sequenciais: planejamento estratégico, diagnóstico e análise de riscos, formulação do plano de intervenção, monitoramento e melhoria contínua via ciclo PDCA, e formalização documental. A adoção de um modelo híbrido, que integra suporte técnico externo para a estruturação inicial e gestão interna para o gerenciamento contínuo, mostrou-se um caminho viável para harmonizar as exigências legais com a realidade de recursos limitados da empresa.

A principal contribuição deste trabalho reside na proposição de um modelo de gestão de baixo custo que permite a empresas de médio porte do setor de Tecnologia da Informação alcançar a plena conformidade legal com a NR-1, ao mesmo tempo em que promove um ambiente de trabalho mais seguro e sustentável. Contudo, o estudo limitou-se à proposição do plano de gestão de riscos, sem sua aplicação prática, e a prospecção de ferramentas de mercado restringiu-se às informações publicamente disponíveis. Sugere-se, para estudos futuros, a aplicação do plano proposto na empresa alvo ou em outras organizações, com a subsequente avaliação dos resultados observados. Essa abordagem permitirá a transição de uma postura meramente documental para uma cultura de melhoria contínua, fundamentada no ciclo PDCA, assegurando não apenas a proteção jurídica da organização, mas também o desenvolvimento de um ambiente laboral socialmente responsável.

Referências Bibliográficas

Balazeiro, Alberto Bastos; Azevedo Neto, Platon Teixeira de; Rocha, Afonso de Paula Pinheiro. Normas regulamentadoras: um olhar para o futuro pelo prisma do trabalho decente. In: Delgado, Mauricio Godinho; Balazeiro, Alberto Bastos (Coord.). Normas Regulamentadoras (NR) relativas à Segurança e Medicina do Trabalho: Percursos para a Efetividade do Trabalho Decente. Brasília, DF: ENAMAT, 2023. v. 2, p. 19-30.

Colnago, Lorena de Mello Rezende. A importância da Norma Regulamentar n.º 1 para o gerenciamento dos riscos ocupacionais no Brasil: uma necessária universalização para todos os trabalhadores. Revista Trabalho, Direito e Justiça, Curitiba, v. 3, n. 3, p. e138, 2025.

Montal, Zélia Maria Cardoso; Martins, Juliane Caravieri. A (in)concretude do trabalho seguro, sadio e equilibrado no âmbito do programa de gerenciamento de risco (PGR). In: Delgado, Mauricio Godinho; Balazeiro, Alberto Bastos (Coord.). Normas Regulamentadoras (NR) relativas à Segurança e Medicina do Trabalho: Percursos para a Efetividade do Trabalho Decente. Brasília, DF: ENAMAT, 2023. v. 2, p. 143-160.

Yamamura, Marina Rodrigues

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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