Artigo

30 de julho de 2026

PROCRED 360 e o desenvolvimento de micro e pequenos empreendedores brasileiros

Francine de Oliveira Graciano; Lucineide Bispo dos Reis Luz

DOI: 10.22167/2675-6528-202600811

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O Programa Acredita, instituído em 2024 pela Lei nº 14.995, estabeleceu o PROCRED 360 com o objetivo de estimular a renegociação de dívidas e oferecer crédito com taxas de juros mais acessíveis a microempreendedores e microempresas com faturamento anual de até R$ 360.000,00. O estudo objetivou identificar os principais desafios no acesso ao crédito enfrentados por micro e pequenos empresários e analisar a contribuição do PROCRED 360 para o desenvolvimento desses empreendedores. Para isso, empregou-se uma abordagem qualitativa e exploratória, baseada em entrevistas realizadas com microempreendedores na cidade do Rio de Janeiro em janeiro de 2026. Os resultados revelaram que o crédito tradicional impunha barreiras significativas, como exigências burocráticas e limites reduzidos. Em contraste, o PROCRED 360, oferecido pela Caixa Econômica Federal, mitigou essas limitações, ampliando o acesso ao crédito e adequando os valores financiados às necessidades dos pequenos empreendedores. Concluiu-se que o PROCRED 360 contribuiu para a manutenção e o desenvolvimento da atividade econômica das empresas participantes, embora existam oportunidades para aprimorar as políticas públicas de crédito e a atuação das instituições financeiras.

Palavras-chave: Acesso ao crédito; Crédito produtivo; Desenvolvimento econômico; Micro e pequenos empreendedores; Políticas públicas de crédito.

1. Introdução

Os micro e pequenos empreendimentos consolidam-se como um dos principais pilares da economia brasileira, exercendo um papel decisivo na geração de emprego, na distribuição de renda e na dinamização da atividade econômica nacional. Este segmento empresarial, caracterizado pela sua capilaridade e capacidade de inovação, é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do país. Levantamentos recentes do Sebrae (2025) indicam que, em um futuro próximo, os pequenos negócios corresponderão a aproximadamente 96% das novas empresas abertas no país, totalizando mais de 4,9 milhões de novos empreendimentos e reforçando a sua crescente relevância no cenário econômico brasileiro.

Nesse contexto, o acesso a recursos financeiros adequados é um fator crítico para a sobrevivência e o crescimento desses negócios. Contudo, as limitações no acesso ao crédito constituem um dos principais entraves que restringem o desenvolvimento econômico e social dos empreendedores de menor porte. Essa dificuldade é particularmente acentuada para aqueles que dispõem de menor capacidade financeira e que enfrentam um acesso reduzido ao sistema bancário tradicional, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade e estagnação.

A teoria do microcrédito, conforme abordada por Yunus (1998), ressalta que a ausência de acesso a financiamento acessível e desburocratizado impede que indivíduos e pequenas empresas com potencial produtivo consigam investir em suas atividades, expandir suas operações e, consequentemente, melhorar suas condições de vida e contribuir para a economia. O crédito, nessa perspectiva, assume um papel relevante como instrumento de inclusão financeira e como catalisador para a manutenção, expansão e fortalecimento de pequenos e médios negócios, promovendo a autonomia e a resiliência empresarial.

Todavia, o financiamento destinado aos micro e pequenos empreendedores ainda encontra entraves significativos no sistema financeiro tradicional. Entre os principais obstáculos, destacam-se o elevado custo financeiro das operações de crédito, as exigências rigorosas relacionadas à apresentação de garantias, a burocracia excessiva presente nos processos de concessão e as limitações informacionais que dificultam a adequada avaliação do risco por parte das instituições financeiras. Tais barreiras criam um ambiente desafiador para a obtenção de capital, impactando diretamente a capacidade de investimento e a competitividade desses empreendimentos.

É nesse cenário de persistentes desafios que se insere o PROCRED 360, um produto de crédito lançado em outubro de 2024, por meio da Lei Federal nº 14.995, como parte do Programa Acredita do Governo Federal. Este programa tem como principal objetivo estimular a renegociação de dívidas e oferecer crédito com taxas de juros mais acessíveis, especificamente direcionado a microempreendedores individuais e microempresas com faturamento anual de até R$ 360.000,00. O PROCRED 360 visa apoiar financeiramente esses empreendedores e diminuir os obstáculos históricos de acesso ao crédito, buscando democratizar o financiamento produtivo.

A problemática central da presente pesquisa pode ser sintetizada na seguinte questão: em que medida o PROCRED 360 tem contribuído, na prática, para o crescimento, a sustentabilidade financeira e a geração de emprego e renda dos micro e pequenos empreendedores brasileiros que contrataram essa linha de crédito? Parte-se da hipótese de que o acesso ao crédito, quando estruturado em condições adequadas às necessidades desse segmento, atua como instrumento relevante para o fortalecimento da atividade empresarial, favorecendo investimentos, capital de giro, expansão operacional e maior estabilidade financeira dos negócios.

A relevância deste estudo justifica-se pelas dificuldades ainda observadas no ambiente de negócios brasileiro, especialmente no que se refere ao acesso ao financiamento para micro e pequenas empresas, e pela necessidade de compreender de que forma linhas de crédito subsidiadas pelo Governo Federal, como o PROCRED 360, conseguem transformar o cenário creditício e democratizar o acesso a recursos. Assim, a presente pesquisa tem como objetivo geral compreender o papel do PROCRED 360 como instrumento de apoio ao desenvolvimento dos micro e pequenos empreendedores brasileiros, analisando em que medida essa linha de crédito tem contribuído para o fortalecimento financeiro, a expansão das atividades empresariais, a geração de emprego e renda e a sustentabilidade dos negócios.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se por sua natureza aplicada, buscando gerar conhecimento diretamente utilizável para a compreensão do fenômeno estudado. Adotou-se uma abordagem metodológica qualitativa, que permitiu explorar em profundidade as percepções e experiências dos participantes, essencial para capturar a complexidade do tema. O estudo também se configurou como descritivo, visando detalhar as características e o contexto do PROCRED 360 e seu impacto nos empreendimentos.

O método de estudo de caso foi empregado para analisar a contribuição do programa PROCRED 360 no acesso ao crédito e no desenvolvimento de micro e pequenos empreendedores brasileiros. Este método, associado a um levantamento de campo, permitiu uma investigação aprofundada de um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, conforme os objetivos propostos pelo estudo.

Para a coleta de informações, realizou-se um levantamento abrangente que envolveu a obtenção de dados primários e secundários. A combinação dessas fontes visou proporcionar uma visão completa e multifacetada sobre o tema, permitindo a triangulação de informações para uma análise mais robusta e contextualizada.

Os dados secundários foram cuidadosamente compilados a partir de relatórios institucionais e publicações de órgãos de relevância no cenário econômico e de fomento ao empreendedorismo. Incluíram-se documentos do Banco Central do Brasil e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), além de outras fontes públicas pertinentes ao tema do crédito e desenvolvimento empresarial.

A coleta de dados primários foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicadas a micro e pequenos empreendedores que haviam contratado a linha de crédito PROCRED 360. As entrevistas foram realizadas na cidade do Rio de Janeiro, no mês de janeiro de dois mil e vinte e seis, com o propósito de identificar os impactos econômicos e sociais decorrentes da utilização dessa linha de crédito.

Participaram do estudo dez microempreendedores, representando dez empresas com diferentes atividades econômicas, todas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. O roteiro da entrevista semiestruturada foi estruturado para abordar o perfil dos sócios e das empresas, o histórico de acesso ao crédito, a experiência com o PROCRED 360, a finalidade e o valor do crédito adquirido, e a percepção sobre seu impacto no negócio.

A análise dos dados coletados foi realizada com base em técnicas de análise de conteúdo. Este procedimento permitiu organizar e interpretar as informações obtidas nas entrevistas, buscando estabelecer relações entre as percepções dos empreendedores e os resultados esperados do PROCRED 360, conforme os objetivos do programa. A análise foi orientada por conceitos e ferramentas metodológicas pertinentes à pesquisa em economia e finanças.

Em relação aos cuidados éticos, a pesquisa seguiu rigorosamente os princípios estabelecidos pela USP/ESALQ. Garantiu-se o anonimato dos participantes e a confidencialidade de todas as informações coletadas. Não foram divulgados nomes de pessoas, empresas ou instituições, e as referências foram substituídas por descrições gerais para preservar a privacidade dos respondentes. Verificou-se, ainda, que não houve necessidade de submissão e aprovação por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) para a realização deste estudo, após análise do formulário de direcionamento ético.

3. Resultados e Discussão

A presente seção apresenta e discute os resultados da pesquisa, buscando compreender em que medida o PROCRED 360 contribuiu para o crescimento e a sustentabilidade das empresas entrevistadas, bem como se as condições oferecidas atenderam às necessidades desse público. As análises também visaram identificar eventuais limitações do programa e propor caminhos para o aprimoramento da linha de crédito, reforçando o papel da Caixa Econômica Federal como agente de desenvolvimento do empreendedorismo no país. As entrevistas foram conduzidas com dez microempreendedores na cidade do Rio de Janeiro, entre janeiro e fevereiro de 2026, oferecendo uma perspectiva qualitativa sobre a eficácia do PROCRED 360.

A análise do perfil dos sócios das empresas entrevistadas revelou uma distribuição equitativa de gênero, com 50% dos respondentes sendo do sexo masculino e 50% do sexo feminino, indicando que a linha de crédito não apresentou predominância de um gênero específico. Quanto à faixa etária, a maioria dos empreendedores, cerca de 70%, situava-se entre 25 e 45 anos de idade. Esse dado sugere que o programa alcança um público jovem e em fase ativa de desenvolvimento de seus negócios, o que é crucial para a dinamização econômica.

No que tange à escolaridade, os resultados demonstraram que 50% dos entrevistados possuíam apenas o segundo grau completo, e 70% haviam cursado até o segundo grau. Este achado é particularmente relevante, pois indica que o PROCRED 360 não se direciona a um perfil de empreendedores com alta escolaridade ou formação técnica avançada. Pelo contrário, o programa atinge o empreendedor típico brasileiro de pequeno porte, com escolaridade média, cumprindo um papel fundamental na democratização do acesso ao crédito produtivo para um segmento que tradicionalmente enfrenta barreiras técnicas e burocráticas no sistema bancário convencional.

Adicionalmente, a pesquisa identificou que 40% dos respondentes eram solteiros, enquanto a maioria possuía vínculo conjugal, seja por casamento ou união estável. Este dado sugere que o vínculo conjugal pode influenciar uma busca por crédito mais planejada e com maior responsabilidade familiar, contribuindo para a estabilidade financeira dos negócios. A renda familiar mensal dos entrevistados concentrou-se na faixa entre R$ 4.000 e R$ 12.000 para 90% deles, indicando uma faixa de renda intermediária. Além disso, 60% dos negócios possuíam mais de seis anos de atividade, o que demonstra que não se tratavam de empreendimentos recém-abertos, mas sim de empresas já consolidadas que superaram a alta mortalidade inicial comum aos pequenos negócios.

Em relação ao setor de atividade, a pesquisa revelou uma predominância do comércio varejista, com 50% dos entrevistados atuando nesse segmento. Esse perfil de empreendedores, caracterizado por escolaridade média, renda intermediária e negócios já estabelecidos no varejo, reforça a capacidade do PROCRED 360 de atingir e apoiar o público-alvo para o qual foi concebido. A análise desses dados demográficos e empresariais é essencial para dimensionar a realidade dos microempreendedores e avaliar a eficácia do programa como ferramenta de transformação econômica.

Historicamente, o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas (MPEs) tem sido marcado por diversas restrições, conforme apontado por Pinheiro (2023). Fatores como taxas de juros elevadas, spreads bancários altos, exigência de garantias reais e burocracia excessiva representam entraves significativos. A perspectiva das instituições financeiras também enfrenta desafios, como a assimetria de informações, a fragilidade contábil das empresas de menor porte e a morosidade do sistema judiciário na execução de garantias, conforme destacado por Sebrae (2023) e Soares (2019).

Os dados coletados corroboraram essas dificuldades, revelando que 60% dos empreendedores entrevistados já haviam tentado obter financiamento para capital de giro antes do PROCRED 360, mas não conseguiram contratar o crédito almejado. A maioria dessas tentativas esbarrou principalmente na burocracia dos processos, na ausência de faturamento suficiente para atender às exigências bancárias e nas elevadas taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras tradicionais. Essas barreiras impediam o acesso a recursos essenciais para a manutenção e o crescimento dos negócios.

Esses achados estão em consonância com pesquisas mais amplas, como a do Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2020), que identifica o apoio financeiro como um dos principais entraves ao empreendedorismo no Brasil, citado por aproximadamente 34% dos especialistas. A pesquisa do Sebrae (2023) também indica que quatro em cada dez pequenos negócios utilizam o cartão de crédito para financiar a empresa, uma modalidade com juros notoriamente elevados. Os principais motivos para essa dependência são a burocracia e a exigência de garantias pelas instituições financeiras, reforçando a necessidade de programas como o PROCRED 360.

Em contraste com as dificuldades anteriores, o acesso ao crédito por meio do PROCRED 360, oferecido pela Caixa Econômica Federal, foi unanimemente descrito pelos entrevistados como fácil e tranquilo. Este resultado é um indicativo da eficácia do programa em simplificar os processos e reduzir as barreiras burocráticas que historicamente afastavam os micro e pequenos empreendedores do sistema financeiro formal. A facilidade na contratação é um diferencial crucial que permite a esses negócios obterem o capital necessário de forma mais ágil e acessível.

Um aspecto fundamental da contribuição do PROCRED 360 foi a destinação dos recursos. A pesquisa demonstrou que 90% dos entrevistados utilizaram o crédito para investimentos em suas empresas, enquanto apenas 10% o destinaram exclusivamente ao pagamento de dívidas. Entre os empreendedores que investiram na atividade produtiva, a totalidade, ou seja, 100%, afirmou que o crédito foi um instrumento de crescimento para a empresa. Esse dado evidencia que, quando o financiamento é direcionado para investimentos produtivos, há uma percepção clara e direta de impacto positivo na atividade empresarial, promovendo a expansão e o fortalecimento dos negócios.

Os valores contratados por meio do PROCRED 360, que se situaram predominantemente na faixa entre R$ 15.000 e R$ 24.000, foram considerados compatíveis com a realidade financeira dos microempreendedores. Cerca de 80% dos respondentes afirmaram que o valor contratado atendeu plenamente às necessidades de suas empresas naquele momento. Essa adequação dos valores é vital para que o crédito cumpra seu papel de alavancagem, permitindo que os empreendedores realizem investimentos significativos sem se endividarem excessivamente ou obterem montantes insuficientes para seus projetos.

Nesse sentido, os dados coletados sugerem que o PROCRED 360 emerge como um meio efetivo de desenvolvimento e estímulo aos micro e pequenos empreendedores. A concessão do crédito ocorreu sem a burocracia tradicionalmente associada, e o valor contratado correspondeu às expectativas da grande maioria dos entrevistados. Essa combinação de facilidade de acesso e adequação do montante financiado é um fator determinante para que o programa possa realmente impulsionar a atividade econômica e a sustentabilidade dos pequenos negócios no país.

A adimplência dos contratos do PROCRED 360 foi um achado notável da pesquisa, com a totalidade dos respondentes mantendo seus pagamentos em dia. Este fato não apenas reforça a responsabilidade financeira dos empreendedores que acessaram o programa, mas também valida a premissa de que, quando o crédito é oferecido em condições adequadas e com processos simplificados, a probabilidade de sucesso e de cumprimento das obrigações financeiras aumenta. A adimplência é um indicador crucial da sustentabilidade do programa e da saúde financeira dos negócios apoiados.

A pesquisa também revelou uma relação importante entre o tempo de atividade empresarial e a necessidade de financiamento para capital de giro. Entre os entrevistados, 70% afirmaram que pretendem tomar crédito novamente em 2026. Associado a este dado, 50% dos entrevistados possuíam entre seis e oito anos de atividade empresarial. Esse resultado indica que, à medida que os negócios se consolidam e ampliam suas operações, a necessidade de capital de giro para manutenção e expansão das atividades também aumenta. A experiência positiva na contratação do PROCRED 360, aliada à necessidade de capital, incentiva os empreendedores a buscar novos financiamentos, demonstrando a confiança no programa.

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que o PROCRED 360 tem sido um instrumento eficaz para apoiar o desenvolvimento dos micro e pequenos empreendedores brasileiros. Ao mitigar as barreiras burocráticas e oferecer crédito com valores e condições adequadas, o programa facilitou o acesso a recursos financeiros que foram predominantemente utilizados para investimentos produtivos. Essa abordagem não apenas contribuiu para o crescimento e a sustentabilidade das empresas, mas também demonstrou o potencial de políticas públicas de crédito bem estruturadas para transformar o cenário de financiamento para o segmento de micro e pequenos negócios, respondendo positivamente ao objetivo geral do estudo.

4. Conclusão

A presente pesquisa buscou compreender o papel do PROCRED 360 no desenvolvimento de micro e pequenos empreendedores brasileiros, identificando os desafios no acesso ao crédito e analisando a contribuição do programa. Verificou-se que o crédito tradicional impunha barreiras significativas, como exigências burocráticas, limites reduzidos e altas taxas de juros, dificultando o acesso a recursos essenciais para a manutenção e o crescimento dos negócios. Em contraste, o PROCRED 360, oferecido pela Caixa Econômica Federal, demonstrou ser um instrumento eficaz ao mitigar essas limitações. Observou-se que o acesso ao crédito por meio do programa foi percebido como fácil e tranquilo pelos entrevistados, e os valores contratados, predominantemente entre R$ 15.000 e R$ 24.000, foram considerados adequados às necessidades das empresas por 80% dos respondentes. A destinação dos recursos para investimentos produtivos foi predominante, com 90% dos empreendedores utilizando o crédito para esse fim, e a totalidade destes afirmou que o financiamento impulsionou o crescimento de suas empresas. A adimplência de todos os contratos reforça a sustentabilidade do programa e a responsabilidade financeira dos participantes.

Dessa forma, o PROCRED 360 contribui significativamente para o fortalecimento financeiro e a expansão das atividades dos micro e pequenos empreendedores, democratizando o acesso ao crédito produtivo e superando entraves históricos do sistema bancário convencional. Embora a pesquisa tenha se limitado a um recorte amostral específico de microempreendedores na cidade do Rio de Janeiro, os resultados evidenciam o potencial de políticas públicas de crédito bem estruturadas para impulsionar a atividade econômica. Sugere-se que estudos futuros explorem, em diferentes contextos, os impactos do crédito sobre o faturamento, a geração de emprego e a sustentabilidade dos pequenos negócios, além de analisar oportunidades para aprimorar as políticas públicas de crédito e a atuação das instituições financeiras.

Referências Bibliográficas

GEM. Empreendedorismo no Brasil 2019. Curitiba: IBQP, 2020.

PINHEIRO, A. C. O componente judicial dos spreads bancários. In: BANCO CENTRAL DO BRASIL. Economia bancária e crédito: avaliação de 4 anos do projeto Juros e Spread Bancário. Brasília: Bacen, 2003. p. 34-43. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pec/spread/port/economia_bancaria_e_credito.pdf.Acesso em: 22/03/2026.

SEBRAE – SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. É recorde: 5,1 milhões de empresas foram abertas em 2025. Disponível em https://agenciasebrae.com.br/economia-e-politica/e-recorde-51-milhoes-de-empresas-foram-abertas-em-2025/. Acesso em 30/03/2026.

SEBRAE. O Financiamento dos Pequenos Negócios no Brasil 2023. 2023. Disponível em: https://dataSebrae.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Relat%C3%B3rioParticipa%C3%A7%C3%A3o-mpe-pib-Na_11022022.pdf. Acesso em: 22 mar.2026.

SOARES, Paulo Soares. Capital social nas entidades de garantia mútua de crédito na Itália e no Brasil: uma análise jurídico-institucional comparada. 2019. Tese (Doutorado em Direito) – Universidade de Brasília, Brasília, 2019.

YUNUS, M.; YUSUS, A. J.M. Banker to the Poor. [S./.]: Penguin Books India, 1998.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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