Artigo

22 de julho de 2026

Práticas de Gestão de Stakeholders em Relatórios de Sustentabilidade das Companhias do ISE B3

Brenda Dutra Franco; Mariana Trevisan Florencio

DOI: 10.22167/2675-6528-202600601

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A implementação de projetos e iniciativas associados à agenda ESG está intrinsecamente ligada à forma como as organizações gerenciam suas partes interessadas. Este estudo teve como objetivo analisar como sociedades empresárias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) apresentaram a gestão de stakeholders em seus relatórios de sustentabilidade mais recentes. Realizou-se uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, baseada em análise documental. Para a sistematização da análise, elaborou-se um roteiro fundamentado nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e nas práticas de gestão de partes interessadas do PMBOK® Guide 7ª edição, complementado por um índice de maturidade em gestão de stakeholders. Foram analisadas informações relativas à identificação dos principais stakeholders, às formas e à frequência de engajamento, e à existência de evidências de incorporação das contribuições desses públicos na determinação da materialidade em 76 companhias. Os resultados indicaram que as sociedades empresárias identificaram os stakeholders, mas a análise da forma e da frequência do engajamento, por vezes, não foi detalhada ou inexistente. O Índice Geral de Maturidade (IGM) médio apurado foi de 44,7%, situando o conjunto das companhias no nível básico de maturidade, com lacunas expressivas nas dimensões de identificação metodológica e engajamento e comunicação. Concluiu-se que são necessários processos mais estruturados e aprofundados acerca do engajamento das partes interessadas e das informações divulgadas nos relatórios de sustentabilidade, sugerindo aprimoramento das práticas de gestão e do reporte para além do cumprimento formal de requisitos.

Palavras-chave: Análise de Materialidade; Divulgação ESG; Engajamento de Partes Interessadas; Índice de Maturidade; Sustentabilidade Corporativa.

1. Introdução

O termo ESG (Environmental, Social, Governance), ou ASG (Ambiental, Social e Governança), surgiu em 2004 com o relatório “Who Cares Wins”. Esta publicação do Pacto Global e do Banco Mundial influenciou significativamente as estratégias e a definição de temas prioritários para as empresas (UNEP FI, 2004). Antes disso, discussões sobre sustentabilidade já existiam, mas o relatório conferiu visibilidade ao integrar o mercado financeiro e ao tornar questões ambientais, sociais e de governança corporativa elementos estratégicos para as sociedades empresárias.

O ESG propõe que os negócios sejam avaliados não apenas por critérios financeiros tradicionais, mas também por seus atributos ambientais, sociais e de governança corporativa (Belinky, 2021). As organizações operam em um ambiente dinâmico e interdependente, onde são continuamente influenciadas por diversas partes interessadas (Galindo et al., 2022). Para a criação de valor sustentável a longo prazo, é fundamental definir e priorizar práticas ESG, gerenciar riscos e abordar os interesses dos “stakeholders” (Araújo e Pertel, 2023). O gerenciamento de partes interessadas tornou-se, assim, parte integrante da estratégia organizacional.

A Teoria dos Stakeholders defende que o sucesso organizacional depende da conciliação dos interesses de diferentes grupos que influenciam ou são influenciados pelas atividades empresariais, além dos acionistas (Freeman e McVea, 2001). Freeman (1984) define “stakeholders” como diversos públicos, incluindo colaboradores, clientes, investidores, fornecedores, comunidades e o meio ambiente, cuja identificação varia conforme o contexto e a cadeia de valor da organização. Essa perspectiva amplia o entendimento da sustentabilidade, conectando-a ao alinhamento entre valores, expectativas e demandas sociais e ambientais (Fullerton, 2015). O apoio desses grupos é crucial para a viabilidade de longo prazo, reforçando a importância de práticas estruturadas de identificação e engajamento no contexto ESG (Bryson, 2004).

Apesar da relevância, a Teoria dos Stakeholders é criticada por uma possível diluição da tomada de decisão e uso inadequado de recursos financeiros ao tentar acomodar todos os interesses. Portanto, a gestão eficaz e eficiente das partes interessadas deve considerar o escopo organizacional e os objetivos pretendidos (PMI, 2021). O Project Management Institute (PMI, 2021) enfatiza que o engajamento proativo e necessário dos stakeholders é fundamental para o sucesso de projetos e para a geração de valor. A capacidade de identificar, analisar e engajar adequadamente esses grupos influencia diretamente a viabilidade e a sustentabilidade das iniciativas.

A conexão entre a Teoria dos Stakeholders, práticas ESG e gestão de projetos é clara, visto que todas as abordagens consideram o gerenciamento de partes interessadas essencial para a implementação de iniciativas ESG (Lipton et al., 2022). As organizações devem identificar, priorizar, engajar e incorporar as contribuições desses grupos. Nesse cenário, os relatórios de sustentabilidade são instrumentos cruciais para divulgar essas práticas, evidenciando como as organizações identificam seus principais stakeholders, estabelecem canais de relacionamento e incorporam suas demandas (Franco, 2024). Contudo, a análise da forma e da frequência do engajamento com stakeholders, por vezes, não é detalhada ou é inexistente nesses documentos, indicando uma lacuna na transparência e na estruturação das informações divulgadas.

Essa lacuna na divulgação de informações detalhadas sobre a gestão de partes interessadas, apesar do reconhecimento de sua importância, aponta para a necessidade de processos mais estruturados e aprofundados de engajamento e de reporte. A forma como as organizações estruturam e comunicam a gestão de suas partes interessadas constitui um possível indicador do grau de maturidade de suas práticas ESG. Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar como as sociedades empresárias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) apresentaram a gestão de partes interessadas em seus relatórios de sustentabilidade mais recentes, com foco na identificação dos principais “stakeholders”, nas formas e na frequência de relacionamento adotadas, buscando identificar padrões, boas práticas e possíveis lacunas na divulgação dessas informações.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem qualitativa, com análise documental como procedimento metodológico. O estudo teve como objetivo analisar como as companhias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) apresentaram a gestão de suas partes interessadas em seus relatórios de sustentabilidade mais recentes. Buscou-se identificar padrões, boas práticas e possíveis lacunas na divulgação dessas informações, conforme o objetivo geral estabelecido.

Para a realização do estudo, foram analisadas 76 organizações listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3). A lista de sociedades empresárias foi extraída em 26 de janeiro de 2026, e os relatórios de sustentabilidade mais recentes, disponibilizados nos sites das respectivas companhias, foram utilizados como fonte de dados. Esses documentos, de domínio público, referiam-se, em sua maioria, ao exercício de 2024.

A coleta de dados foi realizada pela pesquisadora entre os dias 13 e 24 de março de 2026, por meio da leitura dos relatórios de sustentabilidade e do preenchimento de um questionário pré-estabelecido, detalhado no Apêndice. O instrumento de coleta de dados consistiu em um formulário de análise documental, estruturado em três dimensões analíticas, fundamentado nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e nas práticas de gestão de partes interessadas do PMBOK® Guide 7ª edição (PMI, 2021).

Para cada critério avaliado no formulário, atribuiu-se uma pontuação de 0 a 3, a fim de construir um índice de maturidade na gestão de “stakeholders”. A escala de avaliação definiu 0 para ausência de informação, 1 para informação genérica ou superficial, 2 para informação parcial com algum detalhamento, e 3 para informação estruturada e consistente. A coleta e a pontuação foram realizadas pela própria pesquisadora.

A primeira dimensão analítica, denominada Identificação de “Stakeholders”, avaliou se o relatório identificava explicitamente os principais “stakeholders”, se apresentava os critérios utilizados para essa identificação e se segmentava os grupos de partes interessadas em categorias, como internos e externos (GRI, 2021a). Essa etapa buscou compreender o escopo e a abrangência do mapeamento de partes interessadas divulgado pelas organizações.

A segunda dimensão, Análise e Priorização de “Stakeholders”, examinou se a organização definia “stakeholders” prioritários, se os relacionava explicitamente aos temas materiais relevantes para o negócio e se utilizava ferramentas estruturadas de priorização, como a matriz de materialidade (GRI, 2021b). Para essa análise, considerou-se a presença ou não de matriz de materialidade (Santos, 2021).

A terceira dimensão, Engajamento e Comunicação com “Stakeholders”, analisou informações relativas às formas de relacionamento e de comunicação com os “stakeholders”, incluindo os canais utilizados, a frequência de interação e a diferenciação das estratégias de aproximação por categoria de “stakeholder” (GRI, 2021a; PMI, 2021). Essa análise foi orientada pelos princípios do PMBOK® Guide (PMI, 2021), que destaca a comunicação como elemento central para o engajamento eficaz.

Os dados coletados foram analisados por meio de análise de conteúdo, o que permitiu identificar padrões, convergências e lacunas na forma como as companhias listadas no ISE B3 apresentavam a gestão de partes interessadas em seus relatórios de sustentabilidade. A metodologia adotada permitiu relacionar os princípios da gestão de “stakeholders”, conforme o PMBOK® Guide, às práticas declaradas no contexto da agenda ESG.

O Índice Geral de Maturidade (IGM) foi calculado pela soma das pontuações atribuídas às três dimensões avaliadas, totalizando 30 pontos possíveis. A pontuação total foi convertida em percentual, obtido pela razão entre o valor alcançado e o máximo possível, multiplicada por 100. Com base nesse percentual, as sociedades empresárias foram enquadradas em quatro níveis de maturidade: incipiente (0–25%), básico (26–50%), intermediário (51–75%) e avançado (76–100%).

3. Resultados e Discussão

A análise da gestão de partes interessadas em relatórios de sustentabilidade de sociedades empresárias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) revelou um Índice Geral de Maturidade (IGM) médio de 44,7%, o que as posiciona no nível básico de maturidade. Este resultado geral indicou que, embora as organizações reconheçam a importância dos stakeholders, a profundidade e a estruturação das informações divulgadas sobre o engajamento ainda apresentam lacunas significativas. A pesquisa buscou compreender como essas companhias apresentam a gestão de seus públicos de interesse, com foco na identificação, formas e frequência de relacionamento, e na incorporação de suas contribuições na determinação da materialidade.

A Teoria dos Stakeholders, conforme defendido por Freeman e McVea (2001), postula que o sucesso organizacional não se restringe à maximização do retorno aos acionistas, mas depende da capacidade de conciliar os interesses de diversos grupos. Freeman (1984) define “stakeholders” como indivíduos ou grupos que influenciam ou são influenciados pelos objetivos da organização, incluindo clientes, colaboradores, investidores, fornecedores, comunidades e o meio ambiente. A legitimidade e a sustentabilidade das organizações estão intrinsecamente ligadas ao alinhamento entre seus valores e as expectativas das partes interessadas, bem como às demandas sociais e ambientais do contexto em que atuam.

Para definir o rol de “stakeholders”, as organizações devem considerar seu contexto de atuação, a atividade econômica e os agentes da cadeia de valor que podem impactar ou ser impactados por suas operações. Essa abordagem amplia a perspectiva dos negócios, focando em como a gestão pode integrar os interesses de diversas partes interessadas (Fullerton, 2015). A Teoria dos Stakeholders, portanto, sublinha a necessidade de responsabilidade social das companhias, refletindo uma mudança no mercado em que as organizações são crescentemente pressionadas a demonstrar compromisso com a sustentabilidade de forma transparente (Borlea e Achim, 2013).

Nesse cenário, os gestores de projetos assumem obrigações mais abrangentes do que as estabelecidas pela teoria econômica tradicional, que prioriza a maximização de lucros. Estratégias bem-sucedidas são aquelas que integram os interesses de todos os intervenientes, evitando a maximização da posição de um grupo em detrimento dos demais (Freeman e McVea, 2001). A compreensão do impacto da companhia no meio ambiente, na sociedade e nas comunidades, e vice-versa, é fundamental para o planejamento organizacional.

A negligência ou o engajamento inadequado de stakeholders relevantes pode gerar conflitos, atrasos, custos adicionais e resultados insatisfatórios. Em contrapartida, o envolvimento estruturado das partes interessadas pode ampliar oportunidades, aprimorar o desempenho organizacional e elevar a satisfação dos públicos envolvidos, promovendo soluções mais amplamente aceitas (PMI, 2021). A gestão eficaz dos stakeholders é um elemento-chave para o sucesso dos projetos, exigindo a identificação, mapeamento e gerenciamento das expectativas dos principais grupos, o que se torna complexo diante de concepções distintas de sucesso (Amaral et al., 2017).

A manutenção e a geração de valor das sociedades empresárias dependem das relações estabelecidas com as partes interessadas ao longo do tempo (Lipton et al., 2022). A Teoria dos Stakeholders se conecta às práticas ESG e à gestão de projetos, pois ambas as abordagens consideram o gerenciamento das partes interessadas essencial para a implementação de práticas ESG. Isso exige que as organizações identifiquem, priorizem, engajem e incorporem as contribuições desses grupos em suas estratégias e operações. Os relatórios de sustentabilidade, nesse contexto, são instrumentos cruciais para divulgar essas práticas.

Visão geral dos resultados

A coleta de dados foi realizada por meio de um formulário de análise documental, desenvolvido para avaliar as práticas de gestão de partes interessadas divulgadas nos relatórios de sustentabilidade das sociedades empresárias analisadas. Para mitigar a subjetividade inerente à análise qualitativa, foi elaborado um índice de maturidade em gestão de partes interessadas, fundamentado nas Normas Universais da Global Reporting Initiative (GRI 2: Conteúdos Gerais 2021 e GRI 3: Temas Materiais 2021) e nas recomendações do PMBOK® Guide 7ª edição (PMI, 2021).

O índice foi calculado a partir da soma das pontuações atribuídas a três dimensões: identificação de stakeholders, análise e priorização, e engajamento e comunicação. Cada critério recebeu uma pontuação de zero a três, onde zero indicava ausência de informação e três representava informação estruturada e consistente, totalizando trinta pontos possíveis. A pontuação total foi convertida em percentual, resultando no Índice Geral de Maturidade (IGM), que permitiu classificar as sociedades empresárias em quatro níveis: incipiente (0–25%), básico (26–50%), intermediário (51–75%) e avançado (76–100%).

O estudo analisou setenta e seis organizações listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), utilizando seus relatórios de sustentabilidade mais recentes, predominantemente referentes ao exercício de 2024. O IGM médio apurado foi de 44,7%, correspondendo a 13,4 pontos de um total de trinta, o que situou o conjunto das companhias no nível básico de maturidade. Observou-se que as sociedades empresárias analisadas referem-se a um conjunto bastante semelhante de partes interessadas, como acionistas, investidores, colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades e representantes do poder público, evidenciando uma convergência no reconhecimento dos principais públicos envolvidos.

Apesar dessa convergência na identificação, a forma de apresentação das informações difere significativamente entre as organizações, especialmente no que diz respeito ao nível de detalhamento do engajamento e à existência de mecanismos estruturados para o acompanhamento das partes interessadas. A maioria das organizações analisadas se enquadrou nos níveis básico (trinta e duas companhias; 42,1%) e intermediário (trinta companhias; 39,5%) quanto às informações divulgadas sobre o engajamento com as partes interessadas. Apenas duas organizações (2,6%) apresentaram nível avançado, enquanto doze (15,8%) se encontram em estágio incipiente ou possuem informações insuficientes sobre esse processo.

Esses resultados indicam que, em conformidade com as diretrizes da GRI (2021a; 2021b) e as recomendações do PMBOK® (PMI, 2021), a maior parte das organizações ainda necessita aprimorar suas práticas de gestão de stakeholders e comunicá-las de forma mais transparente e organizada nos relatórios de sustentabilidade. Tais documentos frequentemente constituem o principal veículo de “accountability” das atividades das sociedades empresárias perante a sociedade. A distribuição do IGM por nível de maturidade revelou a predominância dos níveis básico e intermediário, com uma menor representação nos níveis incipiente e avançado.

A análise por dimensões revelou uma assimetria expressiva no desempenho das companhias. A Dimensão 2 (Análise e Priorização) obteve o melhor aproveitamento médio, com 69,4% (6,3 de nove pontos). Em contraste, a Dimensão 1 (Identificação) registrou 38,0% (3,4 de nove pontos), e a Dimensão 3 (Engajamento e Comunicação) apresentou o menor desempenho, com apenas 31,1% (3,7 de doze pontos). Essa assimetria demonstra que, embora as organizações tenham avançado na formalização da relevância dos stakeholders, ainda existem lacunas significativas nos aspectos que exigem maior rigor metodológico na identificação e maior profundidade na comunicação dos processos de engajamento, conforme estabelecido pela GRI 2: Conteúdos Gerais 2021 (GRI, 2021a) e pela dimensão de desempenho de partes interessadas do PMBOK® (PMI, 2021).

Dimensão 1 – Identificação de Stakeholders

A Dimensão 1 avaliou três aspectos relacionados à identificação das partes interessadas nos relatórios: a identificação explícita dos principais stakeholders, a apresentação dos critérios utilizados para essa identificação e a segmentação dos grupos em categorias como internos e externos, com um aproveitamento médio de 38,0%. A maioria das organizações obteve pontuação máxima na questão da identificação explícita dos principais stakeholders, com 77,6% das sociedades empresárias (cinquenta e nove de setenta e seis) recebendo nota três.

Este dado indica que a prática de nomear os stakeholders está consolidada nos relatórios de sustentabilidade das companhias do ISE B3, possivelmente impulsionada pelas exigências do Conteúdo 2-29 do padrão GRI 2: Conteúdos Gerais 2021 (GRI, 2021a). Entre os grupos mais frequentemente mencionados, destacaram-se colaboradores, acionistas e investidores, fornecedores e clientes. Com menor frequência, foram identificados comunidades, órgãos reguladores, sociedade civil organizada, ONGs e terceiro setor, imprensa, associações setoriais e entidades de classe, sindicatos, meio ambiente, instituições financeiras, academia, governo e concorrentes.

Em contraste, os resultados relativos à apresentação dos critérios utilizados para identificar os stakeholders foram significativamente mais baixos. Cerca de 68,4% das sociedades empresárias (cinquenta e duas de setenta e seis) registraram pontuação zero neste critério, indicando ausência completa de informações sobre como os grupos de partes interessadas foram selecionados ou reconhecidos. Outros 17,1% (treze sociedades empresárias) apresentaram informações genéricas ou superficiais, e apenas 14,5% demonstraram algum grau de detalhamento, evidenciando que, embora os stakeholders sejam citados, os relatórios frequentemente não detalham os métodos ou parâmetros de sua seleção.

Essa lacuna compromete a transparência do processo de identificação de partes interessadas, um princípio central tanto para a GRI (2021a) quanto para o PMBOK® (PMI, 2021). O Conteúdo 2-29 da GRI 2 (GRI, 2021a) exige que as organizações descrevam sua abordagem de envolvimento com as partes interessadas, incluindo a forma como foram identificadas. Sem a explicitação dos critérios adotados, torna-se difícil avaliar o mapeamento realizado, o que reduz o valor informativo do relatório como instrumento de “accountability”.

No que se refere à segmentação dos stakeholders, os resultados demonstraram uma lacuna ainda maior na Dimensão 1: 85,5% das sociedades empresárias (sessenta e cinco de setenta e seis) receberam nota zero, sem qualquer categorização das partes interessadas em grupos como internos e externos, cadeia de valor ou esfera de influência. Apenas cinco organizações obtiveram nota três e outras seis situaram-se nas faixas um e dois. Esses dados indicam que poucos relatórios categorizam os stakeholders de forma estruturada, dificultando a compreensão do envolvimento diferenciado de cada grupo e limitando a efetividade da comunicação.

O PMBOK® Guide (PMI, 2021) destaca que a segmentação das partes interessadas é uma etapa fundamental, pois permite planejar estratégias de engajamento diferenciadas conforme o perfil e o nível de influência de cada grupo. A análise da Dimensão 1 evidenciou que, embora a identificação dos stakeholders seja recorrente, a formalização de critérios e a segmentação dos grupos foram pouco exploradas. Isso aponta para oportunidades de aprimoramento tanto na gestão das partes interessadas em projetos quanto nas práticas de reporte de sustentabilidade, em alinhamento com o Conteúdo 2-29 da GRI 2 (GRI, 2021a) e com o PMBOK® (PMI, 2021).

Dimensão 2 – Análise e Priorização de Stakeholders

A Dimensão 2 analisou três aspectos: se o relatório define stakeholders prioritários, se relaciona as partes interessadas aos temas materiais relevantes para a organização e se utiliza ferramentas estruturadas de priorização, como a matriz de materialidade. Esses critérios correspondem diretamente à GRI 3: Temas Materiais 2021 (GRI, 2021b), que orienta as organizações a envolver as partes interessadas na definição dos temas de maior impacto. Com um aproveitamento médio de 69,4% (6,3 de nove pontos), esta foi a dimensão de maior maturidade da amostra, refletindo o papel central da análise de materialidade no ecossistema de reporte de sustentabilidade.

A análise dos relatórios indicou que a maioria das organizações define seus stakeholders prioritários: 80,3% das sociedades empresárias (sessenta e um de setenta e seis) receberam pontuação máxima (nota três), o que reforça a conclusão da Dimensão 1 sobre a consolidação do reconhecimento das partes interessadas. Esse nível de identificação reflete a consciência dos grupos que influenciam ou são impactados pelas atividades da organização. No entanto, em seis sociedades empresárias, essa definição foi limitada ou inexistente, demonstrando oportunidades de aprimoramento na formalização de critérios para a priorização das partes interessadas, conforme recomendado pelo PMBOK® Guide (PMI, 2021) e pelo processo de materialidade da GRI 3 (GRI, 2021b).

É importante ressaltar que o alto desempenho neste critério deve ser interpretado à luz dos resultados da Dimensão 1: embora as organizações definam quais stakeholders são prioritários, a maioria não explicita os critérios que fundamentam essa priorização. Isso sugere que a definição de prioridades pode estar baseada em processos internos não reportados, o que limita a verificabilidade e a credibilidade da informação divulgada. Os relatórios analisados também demonstraram que muitas organizações relacionam seus stakeholders aos temas materiais para seus negócios, evidenciando alinhamento entre as prioridades de gestão e as questões estratégicas.

Especificamente, 30,3% das sociedades empresárias (vinte e três) obtiveram nota três, enquanto 35,5% (vinte e sete) receberam nota um e 10,5% (oito) registraram nota zero. Ainda assim, algumas organizações apresentam baixo nível de integração entre as partes interessadas e os temas materiais, o que pode dificultar o direcionamento das ações e a comunicação com os públicos de interesse (GRI, 2021b). Embora a definição de stakeholders e a relação com temas materiais sejam relativamente consistentes, o uso de ferramentas como a matriz de materialidade apresenta maior variabilidade.

Os dados indicam que 50,0% das sociedades empresárias (trinta e oito) obtiveram nota dois e 27,6% (vinte e um) obtiveram nota três, totalizando 77,6% com alguma evidência de uso de ferramentas de priorização. Apenas 9,2% (sete companhias) não apresentaram qualquer referência ao tema. A realização de análises de stakeholders ainda é menos frequente do que o desejável nas organizações e, quando conduzidas, tende a ser superficial. Essa lacuna não é exclusiva do contexto brasileiro, sendo um desafio para outros estudos que consideram a gestão de stakeholders tanto na prática organizacional quanto nos instrumentos formais de reporte (Bryson, 2004).

O predomínio da nota dois, de informação parcial, merece atenção, pois indicou que a maioria das companhias mencionou ou apresentou a matriz de materialidade, mas sem detalhamento metodológico sobre como os stakeholders participaram do processo. Os relatórios mais maduros apresentam uso estruturado dessas ferramentas, o que indica uma abordagem mais robusta para a gestão estratégica das partes interessadas, em linha com as recomendações do PMBOK® (PMI, 2021). Isso sugere que, embora a ferramenta seja reconhecida, a transparência sobre sua aplicação ainda precisa ser aprimorada.

Dimensão 3 – Engajamento e Comunicação com ‘Stakeholders’

A Dimensão 3 avaliou o engajamento e a comunicação com as partes interessadas, considerando quatro aspectos principais: se o relatório descreve as formas de engajamento adotadas, se informa os canais utilizados, se detalha a frequência do engajamento e se diferencia as estratégias de aproximação por categoria de stakeholder. Esses critérios permitiram compreender não apenas se as organizações se comunicam com seus públicos de interesse, mas também o formato e a frequência das interações, conforme exigido pelo Conteúdo 2-29 da GRI 2 (GRI, 2021a) e pelo PMBOK® (PMI, 2021). Com aproveitamento médio de apenas 31,1% (3,7 de doze pontos), esta é a dimensão de menor maturidade da amostra.

A análise dos relatórios demonstrou variação significativa na maturidade do engajamento reportado, sendo este o critério com maior polarização na Dimensão 3. Cerca de 30,3% das companhias (vinte e três) receberam nota máxima, enquanto outros 32,9% (vinte e cinco) registraram nota zero. Adicionalmente, 27,6% (vinte e um) apresentaram informação genérica (nota um). Esses dados indicam que, de um lado, cerca de um terço das organizações documentam, de forma estruturada, como realizam o engajamento com suas partes interessadas; de outro, um contingente igualmente expressivo não apresentou qualquer informação sobre o tema.

Entre as organizações que mencionaram métodos de engajamento, os mais recorrentes foram reuniões (trinta e três companhias; 43,4%), pesquisas (trinta e um; 40,8%), fóruns e workshops (vinte e seis; 34,2%), relatórios e comunicados (vinte e cinco; 32,9%), canais digitais (vinte e quatro; 31,6%) e consultas públicas (vinte e três; 30,3%). A distribuição relativamente homogênea dos métodos sugere que as companhias que reportam seus processos de engajamento tendem a adotar abordagens multicanais. No entanto, a menção a múltiplos canais, por si só, não é suficiente para evidenciar a efetividade do engajamento, sem informações complementares sobre a frequência e a diferenciação entre os grupos de partes interessadas.

A maior parte das organizações informa os canais utilizados para o engajamento com suas partes interessadas, o que indica que muitas sociedades empresárias documentam os meios de relacionamento. Especificamente, 26,3% das sociedades empresárias (vinte) receberam nota máxima, enquanto 47,4% (trinta e seis) não apresentaram qualquer informação sobre os canais. Esse resultado reforça o padrão identificado no critério anterior: há um contingente expressivo de organizações que mencionam o engajamento de forma vaga, sem detalhar os meios pelos quais ele é operacionalizado, o que limita a compreensão da efetividade das ações.

A frequência de engajamento apresentou os valores mais baixos de toda a pesquisa: 89,5% das sociedades empresárias (sessenta e oito de setenta e seis) registraram nota zero, sem qualquer informação sobre a periodicidade das atividades de relacionamento com as partes interessadas. Apenas quatro organizações (5,3%) informaram a frequência de forma estruturada (nota três). Isso sugere que, embora os canais e formas de engajamento sejam informados em parte dos relatórios, nem sempre é detalhado com que frequência os stakeholders são contatados ou envolvidos, o que dificulta a avaliação da efetividade dessas ações ao longo do ciclo de reporte.

Esse dado é particularmente relevante em relação ao PMBOK® Guide (PMI, 2021), que ressalta a necessidade de monitoramento contínuo e sistemático das interações com as partes interessadas, como condição para a gestão eficaz de seus impactos nos objetivos organizacionais. A ausência de informações sobre a frequência sugere que o engajamento, quando reportado, é descrito como uma prática não sistematizada, sem evidências de planejamento ou de regularidade que permitam aferir sua efetividade (Manetti, 2011; Stocker et al., 2020). Em estudo empírico, Manetti (2011) observou que o engajamento de partes interessadas em relatórios de sustentabilidade de multinacionais se restringiu a práticas de consulta e comunicação unilateral, mais voltada à legitimação institucional do que à participação efetiva nos processos decisórios.

Em relação à diferenciação de estratégias de comunicação e engajamento por tipo de stakeholder, grande parte das organizações adota estratégias genéricas, sem diferenciação entre grupos internos, externos, influentes ou impactados. Os dados indicam que 61,8% das companhias (quarenta e sete) receberam nota zero, enquanto apenas 26,3% (vinte) apresentaram estratégias diferenciadas de forma estruturada (nota três). Apenas nove organizações situaram-se nas faixas intermediárias. O PMBOK® Guide (PMI, 2021) prevê abordagens distintas de engajamento para cada parte interessada, e o Conteúdo 2-29 da GRI 2 (GRI, 2021a) segue a mesma lógica, reforçando a importância de diferenciar os stakeholders para captar perspectivas relevantes e fortalecer a tomada de decisão e a gestão de riscos.

Esse aspecto é especialmente relevante porque a sétima edição do PMBOK® Guide incorporou o engajamento efetivo das partes interessadas como um de seus doze princípios de gestão de projetos (PMI, 2021). O engajamento proativo, frequente e diferenciado por parte interessada não constitui prática opcional, mas sim uma condição fundamental para a entrega de valor. Os resultados desta pesquisa apontam para baixo desempenho nos critérios de frequência (89,5% com nota zero) e de diferenciação de estratégias por grupo (61,8% com nota zero), indicando que, apesar do reconhecimento da importância do engajamento, a frequência das interações e a segmentação por grupo de partes interessadas ainda carecem de maior detalhamento nos relatórios analisados.

No conjunto, as sociedades empresárias listadas no ISE B3 situaram-se entre os níveis básico e intermediário de maturidade, com desempenho desigual nas três dimensões avaliadas. A Dimensão 2, referente à análise e à priorização, destacou-se como o eixo de maior pontuação, refletindo a consolidação do envolvimento das partes interessadas na análise dos temas materiais. Em contrapartida, as Dimensões 1 e 3, identificação metodológica e engajamento e comunicação, apresentaram lacunas, indicando que o avanço no reporte formal não foi acompanhado de evolução equivalente na qualidade dos processos de relacionamento com as partes interessadas, conforme esperado pelas diretrizes da GRI 2 e da GRI 3 (GRI, 2021a; GRI, 2021b) e pelas recomendações do PMBOK® Guide (PMI, 2021).

Observou-se uma tendência das organizações privilegiarem critérios de mais fácil evidenciação, como a listagem de stakeholders e a priorização, em detrimento de elementos que exigem maior abertura sobre processos internos, como a explicitação de critérios de identificação, a descrição sistemática dos canais de engajamento e a periodicidade das interações. Considerando que os relatórios de sustentabilidade frequentemente constituem o principal instrumento de “accountability” das atividades das sociedades empresárias quanto às suas práticas ESG, a adoção dos critérios estabelecidos nesta pesquisa possibilitaria a devida gestão das partes interessadas pelas companhias. Para a evolução da maturidade, os resultados apontaram três prioridades: o desenvolvimento de critérios explícitos e transparentes para a identificação e a segmentação dos stakeholders; o aprofundamento do reporte sobre os processos de engajamento, com ênfase na frequência, nos canais utilizados e na diferenciação das estratégias por parte interessada; e o fortalecimento da integração entre o processo de escuta das partes interessadas e a definição dos temas materiais.

Essas prioridades encontram correspondência direta nos resultados esperados do Domínio de Desempenho de Stakeholders definidos pelo PMBOK® Guide – 7ª edição (PMI, 2021), que estabelece como indicadores de uma gestão eficaz de partes interessadas: o estabelecimento de relações de trabalho produtivas entre a organização e seus stakeholders; a concordância das partes interessadas com os objetivos e decisões organizacionais; e a satisfação dos beneficiários com os resultados gerados. A ausência de evidências robustas de engajamento nos relatórios analisados sugere que as organizações ainda não atingiram os resultados esperados, o que aponta para a necessidade de evolução tanto nas práticas internas de gestão quanto na forma como essas práticas são comunicadas e verificadas externamente. Os resultados confirmaram que as organizações tendem a reportar o que é mais fácil de evidenciar, deixando em segundo plano critérios de identificação, frequência de engajamento e diferenciação por grupo, elementos que exigem maior abertura sobre processos internos. Portanto, o ponto central não é apenas reportar melhor, mas também gerir melhor, para que as práticas ESG ganhem substância e não se reduzam ao mero cumprimento formal de requisitos.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar como as sociedades empresárias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) apresentaram a gestão de partes interessadas em seus relatórios de sustentabilidade mais recentes, com foco na identificação, formas e frequência de relacionamento. Verificou-se que o Índice Geral de Maturidade (IGM) médio apurado foi de 44,7%, situando o conjunto das companhias no nível básico de maturidade. Observou-se uma assimetria no desempenho das dimensões avaliadas: a análise e priorização de stakeholders demonstrou maior maturidade, impulsionada pela consolidação da análise de materialidade. Em contrapartida, a identificação metodológica e o engajamento e comunicação apresentaram lacunas expressivas. A maioria das organizações identificou explicitamente seus principais stakeholders, mas os critérios de identificação e a segmentação dos grupos foram pouco detalhados. Adicionalmente, a frequência do engajamento e a diferenciação das estratégias por tipo de stakeholder foram raramente reportadas, indicando que o avanço no reporte formal não foi acompanhado de uma evolução equivalente na qualidade dos processos de relacionamento. A principal contribuição do estudo reside em evidenciar que a adoção de critérios claros para a gestão de partes interessadas nos relatórios de sustentabilidade pode possibilitar uma gestão mais substancial e transparente das práticas ESG, indo além do mero cumprimento formal de requisitos.

As limitações da pesquisa incluíram a coleta de dados por uma única pesquisadora, o que, embora garanta uniformidade, sugere que estudos futuros testem o índice de maturidade com múltiplos avaliadores. A análise se baseou exclusivamente nas informações declaradas nos relatórios, sem acesso a processos internos, o que indica que pesquisas futuras com entrevistas e análises qualitativas poderiam aprofundar a compreensão. O recorte anual do estudo, focado no exercício de 2024, não permitiu captar a evolução das práticas ao longo do tempo ou diferenças entre setores econômicos, o que representa uma oportunidade para investigações futuras. Para a evolução da maturidade, os resultados apontaram três prioridades: o desenvolvimento de critérios explícitos e transparentes para a identificação e segmentação dos stakeholders; o aprofundamento do reporte sobre os processos de engajamento, com ênfase na frequência, nos canais utilizados e na diferenciação das estratégias por parte interessada; e o fortalecimento da integração entre o processo de escuta das partes interessadas e a definição dos temas materiais.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

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Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

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17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

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17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

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Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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