10 de agosto de 2026
Práticas de gestão da qualidade em laboratório têxtil com foco na preparação para a ISO/IEC 17025
Ana Julia Siegel; Livia Nicioli Berti
DOI: 10.22167/2675-6528-202600533
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A gestão da qualidade em laboratórios industriais desempenha papel fundamental na confiabilidade dos resultados técnicos e na organização eficiente das rotinas operacionais. O estudo objetivou diagnosticar as práticas de gestão da qualidade em um laboratório têxtil, com base na percepção dos profissionais, para identificar fragilidades e oportunidades de melhoria, e propor um plano de ação visando à organização das rotinas, à melhoria dos processos e à preparação para futura conformidade com a ISO/IEC 17025. A metodologia consistiu em um estudo aplicado, exploratório-descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, realizado por meio de um survey com escala Likert e questões abertas. Os dados foram analisados por estatística descritiva, matriz de risco e análise 5W2H. Os resultados indicaram percepção positiva quanto à organização dos processos laboratoriais, à padronização das rotinas e à confiabilidade dos resultados entregues aos clientes. Evidenciou-se que a capacitação da equipe e o alinhamento entre as áreas são essenciais para a qualidade dos ensaios. Contudo, foram identificadas oportunidades de melhoria na ampliação de treinamentos, na padronização de procedimentos e na organização da implantação de novos ensaios. Concluiu-se que a adoção de práticas mais estruturadas de organização das atividades pode fortalecer a gestão da qualidade, aprimorar as rotinas laboratoriais e apoiar a preparação do laboratório para adequação aos requisitos da ISO/IEC 17025.
Palavras-chave: Confiabilidade dos resultados; Controle de qualidade; Melhoria contínua; Padronização de processos; Rotinas laboratoriais.
1. Introdução
A crescente competitividade nos mercados industriais impõe às organizações a necessidade de alcançar níveis cada vez mais elevados de padronização, confiabilidade operacional e consistência na entrega de resultados. Em ambientes produtivos, marcados pela pressão por prazos reduzidos, pela busca pela diminuição de custos e pelo aumento das exigências regulatórias, a qualidade transcende a condição de um mero diferencial estratégico. Ela se estabelece como um requisito fundamental para a sustentabilidade e permanência das empresas no mercado. Nesse cenário, a capacidade de estruturar processos, monitorar desempenhos e garantir a rastreabilidade das atividades torna-se crucial para assegurar previsibilidade e confiança tanto para os clientes quanto para as demais partes interessadas (Le Bot et al., 2025).
Paralelamente a essa demanda por qualidade, a gestão de projetos tem se consolidado como uma abordagem gerencial eficaz. Ela permite organizar esforços temporários direcionados à implementação de mudanças, melhorias e inovações organizacionais. Projetos são intrínsecos à introdução de novos produtos, processos e tecnologias, além de promover adequações normativas e aperfeiçoamentos operacionais. Dessa forma, a integração entre a gestão da qualidade e a gestão de projetos assume um papel estratégico, pois a primeira estabelece padrões e critérios técnicos, enquanto a segunda oferece métodos estruturados para planejar, executar e controlar as transformações necessárias (Abreu et al., 2025).
No setor industrial, essa integração adquire uma relevância ainda maior em ambientes onde as atividades técnicas exigem precisão, repetibilidade e confiabilidade dos resultados, como é o caso dos laboratórios de ensaio e controle. Tais unidades são responsáveis por gerar informações que subsidiam decisões produtivas, comerciais e regulatórias, sendo, portanto, determinantes para a credibilidade dos produtos ofertados ao mercado. Qualquer falha nesses processos pode resultar em retrabalhos, perdas financeiras, insatisfação dos clientes e riscos à imagem institucional (Ramírez-García et al., 2024). No segmento têxtil, caracterizado por cadeias produtivas extensas, grande diversidade de matérias-primas e rigorosos requisitos de desempenho dos produtos finais, os laboratórios internos desempenham uma função crítica na verificação de conformidade técnica. Ensaios físicos, químicos e dimensionais são empregados para assegurar que tecidos e malhas atendam às especificações estabelecidas, garantindo qualidade, segurança e padronização. Assim, o laboratório deixa de ser apenas um setor de apoio e passa a atuar como elemento estratégico para a competitividade organizacional (Brandner et al., 2025).
A busca por maior confiabilidade e reconhecimento técnico tem impulsionado laboratórios industriais a adotarem referenciais normativos internacionais voltados à competência técnica e à gestão da qualidade. Nesse contexto, destacam-se as diretrizes estabelecidas pela “International Organization for Standardization”, especialmente por meio da norma ISO/IEC 17025. Esta norma define requisitos para competência, imparcialidade, rastreabilidade e consistência de resultados em laboratórios de ensaio e calibração. A adoção desse referencial exige estruturação documental, capacitação de pessoal, controle sistemático de processos e monitoramento contínuo do desempenho (Miguel et al., 2021).
Contudo, a implementação desses requisitos não se restringe à mera elaboração de documentos ou procedimentos técnicos. Trata-se de um processo de transformação organizacional que demanda coordenação de esforços, definição de responsabilidades, gestão de prazos, tratamento de riscos e acompanhamento de resultados. Apesar dessa necessidade, observa-se que muitos laboratórios ainda conduzem a implantação de novos ensaios, a revisão de rotinas e a implementação de melhorias de forma reativa, baseando-se na experiência individual dos colaboradores e na solução pontual de problemas (Santos et al., 2022).
A ausência de práticas sistematizadas pode resultar em retrabalho, inconsistências nos procedimentos, falhas de comunicação, dificuldades de priorização de ações e limitações no controle de riscos. Tais fatores comprometem a eficiência operacional e dificultam o avanço rumo a níveis mais elevados de maturidade da gestão da qualidade (Santos et al., 2022). No laboratório investigado, a condução das atividades ocorria de forma predominantemente operacional, com processos pouco formalizados, registros não padronizados e implantação de novos ensaios realizada de maneira reativa, sem planejamento estruturado típico da gestão de projetos. Esse cenário evidencia a ocorrência de retrabalhos, variações nos procedimentos, dificuldades de rastreabilidade, inconsistências na comunicação entre áreas e limitações no controle de riscos, impactando a eficiência e a confiabilidade dos resultados.
Nesse contexto, torna-se relevante compreender como os profissionais envolvidos percebem as práticas atuais de organização, controle e execução das atividades laboratoriais, bem como identificar em que medida essas práticas já incorporam, ainda que informalmente, princípios associados à gestão de projetos. A integração entre gestão da qualidade e gestão de projetos apresenta-se, assim, como uma abordagem promissora para apoiar a organização do laboratório, promovendo maior padronização, previsibilidade e eficiência. Dessa forma, o objetivo deste estudo é realizar um diagnóstico das práticas de gestão da qualidade em um laboratório, com base na percepção dos profissionais, a fim de identificar fragilidades e oportunidades de melhoria, e, a partir da análise dos dados obtidos e da aplicação de ferramentas de gestão, propor um plano de ação voltado à organização das rotinas laboratoriais, melhoria dos processos e preparação para futura conformidade com os requisitos da ISO/IEC 17025.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de natureza exploratório-descritiva, com abordagem metodológica mista, integrando procedimentos quantitativos e qualitativos. A dimensão aplicada buscou gerar conhecimentos para a solução de problemas específicos em um contexto organizacional (Cheong et al., 2023). O caráter exploratório foi adotado para familiarização com o problema, e o descritivo permitiu registrar e analisar as características do fenômeno estudado (Bahia et al., 2023).
A pesquisa foi desenvolvida em um laboratório de controle de qualidade de uma empresa têxtil, unidade responsável pela realização de ensaios técnicos para verificação de conformidade. Este laboratório gerava informações que subsidiavam decisões internas e a liberação de resultados aos clientes. As atividades laboratoriais buscavam maior padronização e alinhamento às boas práticas exigidas pela norma ISO/IEC 17025.
A estratégia de pesquisa adotada foi um survey, realizado por meio de levantamento junto aos profissionais que atuavam diretamente no laboratório têxtil. Esse método permitiu a coleta padronizada de informações para identificar percepções e comportamentos da população estudada (Mineiro, 2020). O público-alvo incluiu analistas, técnicos, especialistas de qualidade, coordenadores e gestores do laboratório.
Os critérios de inclusão para os participantes abrangeram colaboradores com participação efetiva nos ensaios, controle de parâmetros, validação de resultados ou gestão das rotinas laboratoriais. Indivíduos sem envolvimento direto nas operações foram excluídos. Dos 30 profissionais convidados, 21 responderam integralmente ao questionário, resultando em uma taxa de resposta de 70%. A amostra foi não probabilística, do tipo intencional, selecionada pela atuação direta nas atividades.
O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, elaborado especificamente para o contexto do laboratório. Ele foi fundamentado em princípios de gestão da qualidade, padronização de processos, controle operacional, capacitação e organização de atividades sob a lógica de projetos. O questionário continha 23 questões: quatro para caracterização do perfil, dezesseis afirmações fechadas em blocos temáticos e três questões abertas. A coleta ocorreu de janeiro a fevereiro de 2026.
As afirmações fechadas do questionário foram organizadas em blocos temáticos, abrangendo Gestão da Qualidade e requisitos da ISO/IEC 17025, Pessoas e Capacitação, Implantação de Novos Ensaios como Projetos, e Controle de Riscos e Confiabilidade dos Resultados. Para essas questões, utilizou-se uma escala Likert de cinco pontos, variando de 1 (Discordo totalmente) a 5 (Concordo totalmente), permitindo mensurar níveis de concordância e o grau de maturidade das práticas de gestão.
O questionário foi disponibilizado em formato digital por meio da plataforma Google Forms. O link de acesso foi encaminhado aos colaboradores por canais institucionais da empresa. A participação ocorreu de forma voluntária, mediante aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual garantiu o anonimato e a confidencialidade das informações fornecidas, em conformidade com os preceitos éticos da pesquisa.
Após a consolidação das respostas, os dados quantitativos foram organizados em planilhas eletrônicas. A análise foi realizada por estatística descritiva, com apresentação em números absolutos e percentuais. Para a padronização visual dos dados, empregou-se o software GraphPad Prism versão 10.2, que auxiliou na organização comparativa entre os blocos temáticos avaliados.
As respostas obtidas nas questões abertas foram submetidas à análise qualitativa, utilizando a técnica de categorização temática. Os relatos foram lidos, agrupados por similaridade semântica e, em seguida, quantificados pela frequência de ocorrência, convertendo os dados textuais em indicadores interpretativos. Complementarmente, para estruturar o diagnóstico e subsidiar a proposição de ações, aplicaram-se as ferramentas Matriz de Riscos e 5W2H, de forma sequencial e integrada.
A Matriz de Riscos 5×5 foi elaborada para aprofundar a avaliação e priorização dos fatores críticos que poderiam comprometer o desempenho do laboratório. Essa matriz foi estruturada com base na combinação de cinco níveis de probabilidade e cinco níveis de impacto. Os riscos potenciais, como falhas na padronização de ensaios e ausência de capacitação, foram identificados a partir dos dados do questionário. Cada risco foi avaliado em escala de 1 a 5 para probabilidade e impacto, e o nível de risco foi calculado pelo produto (R = P × I), classificando-os em faixas de criticidade (PMI, 2021).
Posteriormente à priorização dos riscos, aplicou-se a ferramenta 5W2H para estruturar o plano de ação. Essa aplicação ocorreu de forma sequencial à matriz de riscos, focando nos riscos de maior criticidade. Para cada risco prioritário, elaborou-se um plano de ação específico, detalhando o “What” (ação), “Why” (justificativa), “Where” (local), “When” (prazo), “Who” (responsável), “How” (procedimentos) e “How Much” (custos). As ações foram organizadas em uma planilha estruturada para acompanhamento e controle (Cioffi et al., 2022).
3. Resultados e Discussão
A análise dos resultados da pesquisa permitiu diagnosticar as práticas de gestão da qualidade no laboratório têxtil, com base na percepção dos profissionais, e identificar fragilidades e oportunidades de melhoria, culminando na proposição de um plano de ação. Inicialmente, a caracterização dos participantes revelou que a amostra foi composta por profissionais com atuação direta em atividades de qualidade e gestão de processos. Observou-se predominância de Coordenadores de Qualidade, representando 6,7% dos participantes, o que indica a presença de colaboradores com responsabilidade de supervisão e tomada de decisão sobre os procedimentos técnicos e organizacionais. As demais funções, como Especialista de Qualidade, Gestor, Analista de SGI e Analista de Qualidade, apresentaram distribuição similar, cada uma com 3,3% dos respondentes. Essa composição da amostra é crucial, pois favorece a obtenção de percepções qualificadas sobre as rotinas laboratoriais, as práticas de controle e os desafios organizacionais associados à melhoria dos processos, conforme destacado por Rocha et al. (2023) sobre a influência da experiência organizacional na percepção de melhorias.
No que tange ao tempo de atuação na empresa, verificou-se que a maioria dos profissionais possui experiência intermediária ou consolidada na organização. O grupo mais expressivo, com 36,7% dos respondentes, tinha entre um e três anos de atuação. Em seguida, os colaboradores com três a cinco anos e mais de cinco anos de experiência representaram 26,7% cada. Apenas 10% dos participantes possuíam menos de um ano de atuação. Esse perfil sugere que a maior parte dos envolvidos possui conhecimento suficiente para compreender as rotinas, os desafios e as práticas de gestão existentes, ao mesmo tempo em que ainda se encontram em um processo de adaptação e evolução em relação aos procedimentos internos. A experiência dos colaboradores é um fator determinante para a consistência dos processos laboratoriais, pois a competência técnica e o conhecimento das rotinas são essenciais para a execução adequada das atividades (Vlachos et al., 2002).
Gestão da qualidade e ISO/IEC 17025
A primeira dimensão investigada, focada na gestão da qualidade e na ISO/IEC 17025, revelou percepções predominantemente positivas sobre a organização dos processos laboratoriais e a confiabilidade dos resultados. Em relação à afirmação de que os processos são bem definidos e documentados conforme os requisitos da ISO/IEC 17025, 63,3% dos respondentes concordaram e 36,7% concordaram totalmente. Não houve registros de respostas neutras ou discordantes. Esse achado sugere que os profissionais percebem um nível significativo de organização e formalização, indicando que práticas de documentação e padronização já estão presentes no ambiente. A clareza na definição de processos é fundamental para a consistência das atividades, reduzindo variações operacionais e garantindo a repetibilidade dos ensaios, conforme apontam Bastos et al. (2025).
A percepção sobre a padronização técnica dos ensaios também foi positiva. Verificou-se que 36,7% dos participantes concordaram totalmente e 23,3% concordaram com a afirmação de que os ensaios seguem padrões técnicos claros e padronizados. Contudo, 10% indicaram uma posição neutra, sugerindo que, embora a maioria reconheça a existência de critérios técnicos definidos, alguns procedimentos ainda podem ter espaço para maior padronização (Chaabouni et al., 2024). A padronização é um pilar dos sistemas de qualidade em laboratórios, assegurando que as atividades sejam executadas sob os mesmos critérios metodológicos, o que facilita a comparabilidade dos resultados e minimiza inconsistências (Elseknidy et al., 2024).
No que diz respeito ao controle dos parâmetros utilizados nos testes laboratoriais, os resultados mostraram predominância de percepções positivas, com 40% dos respondentes concordando totalmente e outros 40% concordando. No entanto, 20% indicaram posição neutra, sem discordâncias. A ausência de discordância sugere que o controle técnico dos ensaios é percebido como satisfatório, mas a presença de respostas neutras pode indicar oportunidades de aprimoramento na formalização ou monitoramento de parâmetros operacionais específicos (Al-Marri et al., 2025). O controle rigoroso de variáveis técnicas é vital para a consistência dos resultados, pois pequenas variações podem gerar diferenças significativas, reforçando a necessidade de registros sistemáticos e calibração de equipamentos (Santos et al., 2022).
A confiabilidade e rastreabilidade dos resultados liberados aos clientes foram amplamente reconhecidas pelos participantes. Registrou-se que 46,7% concordaram totalmente e 53,3% concordaram com a afirmação, sem respostas neutras ou discordantes. Esse resultado demonstra um elevado nível de confiança dos profissionais na integridade das informações geradas pelo laboratório e na capacidade de rastrear os dados associados aos ensaios. A rastreabilidade é um componente central dos sistemas de gestão da qualidade, permitindo reconstruir o histórico completo de um ensaio, o que é essencial para controle interno, auditorias e investigações de não conformidades (Miguel et al., 2021).
Por fim, a percepção sobre a contribuição da ISO/IEC 17025 para a melhoria contínua da qualidade no laboratório foi unânime e fortemente positiva. Um total de 73,3% dos respondentes concordou totalmente e 26,7% concordou com a afirmação, sem qualquer resposta neutra ou discordante. Esse consenso evidencia que os profissionais reconhecem o valor da adoção de referenciais normativos de qualidade para aprimorar a organização dos processos laboratoriais. A implementação de sistemas de gestão da qualidade, como a ISO/IEC 17025, favorece a consistência operacional e permite a identificação rápida de desvios, fortalecendo o controle das atividades laboratoriais (Meng et al., 2022).
Pessoas, rotina e capacitação
A segunda dimensão, focada em pessoas, rotina e capacitação, buscou compreender a percepção dos colaboradores sobre a adequação dos treinamentos, a clareza das rotinas e a comunicação interdepartamental. Em relação ao treinamento para novos testes, 43,3% concordaram totalmente e 40% concordaram que os colaboradores recebem capacitação adequada. Contudo, 13,3% indicaram posição neutra e 3,3% discordaram, sugerindo que, embora a maioria perceba a existência de iniciativas de capacitação, ainda há oportunidades de aprimoramento na disseminação ou frequência dos treinamentos, especialmente para a implementação de novos ensaios. A competência técnica dos profissionais é um fator crítico para a confiabilidade dos ensaios (Vlachos et al., 2002).
As rotinas laboratoriais foram percebidas como claras e bem compreendidas pela maioria dos funcionários, com 36,7% concordando totalmente e 46,7% concordando. Apenas 13,3% indicaram posição neutra e 3,3% discordaram. Esse resultado sugere que os colaboradores reconhecem a existência de rotinas relativamente bem estabelecidas, o que contribui para a previsibilidade das atividades. A clareza das rotinas é essencial para reduzir ambiguidades na execução dos procedimentos, garantindo que diferentes operadores realizem os testes de forma consistente e promovendo maior eficiência operacional (Vlachos et al., 2002).
O alinhamento entre a área da qualidade e o laboratório na execução das atividades foi percebido como amplamente positivo. Verificou-se que 33,3% dos participantes concordaram totalmente e 56,7% concordaram, com 13,3% em posição neutra e nenhuma discordância. Esses resultados indicam uma interação significativa entre as áreas responsáveis pela gestão da qualidade e pela execução dos ensaios. A integração entre áreas técnicas e setores de qualidade é fundamental para a consolidação de práticas organizacionais consistentes, facilitando a implementação de melhorias e a incorporação de requisitos técnicos às rotinas operacionais.
A comunicação das mudanças nos procedimentos laboratoriais foi avaliada como eficiente pela maioria, embora com uma presença mais significativa de respostas intermediárias. Registrou-se que 26,7% concordaram totalmente, 46,7% concordaram, 23,3% indicaram posição neutra e 3,3% discordaram totalmente. Esses dados sugerem que, embora a comunicação seja percebida positivamente, ainda podem existir lacunas na disseminação ou no entendimento das atualizações procedimentais. A comunicação clara e sistemática de alterações é essencial para manter a consistência operacional e reduzir erros decorrentes de interpretações divergentes ou da aplicação de versões desatualizadas (Andersson, 2025).
Por fim, a afirmação de que a capacitação da equipe impacta diretamente na qualidade dos resultados laboratoriais obteve forte concordância. Um total de 70% dos respondentes concordou totalmente e 23,3% concordou, com 3,3% em posição neutra e 3,3% discordando. Esse resultado evidencia o reconhecimento de que o conhecimento técnico e a qualificação dos profissionais são determinantes para a confiabilidade dos ensaios. Em sistemas de gestão da qualidade em laboratórios, o fator humano é central, pois a execução adequada dos procedimentos depende diretamente da competência técnica dos envolvidos (Vlachos et al., 2002).
Implantação de novos ensaios como projetos
A terceira dimensão, sobre a implantação de novos ensaios como projetos, buscou entender como essas atividades são organizadas, considerando planejamento, responsabilidades e acompanhamento. A maioria dos participantes percebeu que a implantação de novos ensaios laboratoriais segue um planejamento prévio, com 33,3% concordando totalmente e 56,7% concordando. Apenas 10% indicaram posição neutra. Esses resultados sugerem que a introdução de novos testes tende a ocorrer de forma organizada, com algum nível de planejamento antes do início das atividades, embora muitos laboratórios não utilizem formalmente ferramentas de gestão de projetos (Panagiotidou et al., 2025).
Em relação ao cumprimento dos prazos para implantação de novos testes, os resultados indicaram percepção majoritariamente positiva, com 30% concordando totalmente e 50% concordando. No entanto, 13,3% indicaram posição neutra e 6,7% manifestaram discordância. Esse padrão sugere que, embora os prazos sejam geralmente atendidos, podem ocorrer situações em que dificuldades operacionais ou ajustes técnicos impactam o cronograma previsto. A gestão adequada de prazos é um elemento relevante em iniciativas que envolvem a introdução de novos processos técnicos, exigindo coordenação e acompanhamento sistemático das etapas (Panagiotidou et al., 2025).
A definição de responsabilidades durante a implantação de novos ensaios também apresentou predominância de avaliações positivas, com 20% concordando totalmente e 56,7% concordando. Contudo, 16,7% indicaram posição neutra e 6,7% manifestaram discordância. Esses resultados apontam que, de modo geral, os participantes percebem a existência de papéis definidos, mas ainda podem ocorrer situações em que as responsabilidades não estejam completamente formalizadas. A clareza na definição de responsabilidades é essencial para garantir que cada etapa seja conduzida de forma coordenada, evitando sobreposição de tarefas e assegurando a consistência dos procedimentos (Al-Marri et al., 2025).
O acompanhamento das etapas até a liberação do novo teste para o cliente foi percebido positivamente, com 23,3% concordando totalmente e 60% concordando. Houve 10% de respostas neutras e 6,7% de discordância. Esse resultado sugere que existe monitoramento das etapas envolvidas na implementação dos ensaios, contribuindo para maior controle do processo até sua efetiva liberação. O acompanhamento sistemático das atividades permite identificar dificuldades técnicas, ajustar procedimentos e garantir a validação dos testes, reduzindo riscos e aumentando a confiabilidade dos resultados (Panagiotidou et al., 2025).
Por fim, a afirmação de que a falta de planejamento impacta negativamente a qualidade ou o prazo dos ensaios obteve concordância expressiva. Um total de 80% dos respondentes concordou totalmente e 20% concordou, sem ocorrência de respostas neutras ou discordantes. Esse resultado evidencia um reconhecimento claro entre os profissionais de que a ausência de planejamento pode comprometer tanto a qualidade dos resultados quanto o cumprimento dos prazos. A percepção de que o planejamento influencia diretamente o desempenho dos processos reforça a importância de práticas gerenciais estruturadas na implementação de novos ensaios (Butarbutar et al., 2023).
Controle, riscos e qualidade dos resultados
A quarta dimensão, sobre controle, riscos e qualidade dos resultados, buscou compreender a percepção dos participantes sobre o gerenciamento de riscos e o tratamento de falhas. Em relação ao controle dos riscos associados aos ensaios laboratoriais, observou-se predominância de percepções positivas, com 33,3% concordando totalmente e 36,7% concordando. No entanto, 33,3% indicaram posição neutra, sem discordâncias. Esses resultados sugerem que há uma percepção de controle sobre riscos operacionais, mas a presença de respostas neutras pode indicar oportunidades de aprimoramento na formalização ou sistematização desses mecanismos de controle (Okezue et al., 2020).
A ocorrência de retrabalhos devido a falhas de processo foi percebida como relativamente frequente, com 33,3% dos respondentes concordando totalmente e 60% concordando. Apenas 6,7% indicaram posição neutra, sem discordâncias. Esse padrão de respostas sugere que retrabalhos ainda fazem parte da dinâmica operacional do laboratório, possivelmente associados a ajustes técnicos, revisões de procedimentos ou inconsistências na execução. A análise sistemática das causas das falhas é fundamental para evitar a repetição de problemas e promover a melhoria contínua dos procedimentos (Okezue et al., 2020).
No que se refere à análise dos erros laboratoriais para evitar recorrência, verificou-se predominância de avaliações positivas, com 26,7% concordando totalmente e 53,3% concordando. Contudo, 16,7% indicaram posição neutra e 6,7% manifestaram discordância. Esses resultados indicam que, embora exista percepção de análise das falhas, ainda podem existir oportunidades para fortalecer práticas sistemáticas de investigação de causas e disseminação de aprendizados organizacionais. A análise estruturada de erros é essencial para transformar falhas operacionais em oportunidades de aprendizado e melhoria (Kumah et al., 2024).
A contribuição da gestão da qualidade para a redução de falhas nos ensaios foi amplamente reconhecida, com 60% dos respondentes concordando totalmente e 36,7% concordando. Apenas 3,3% indicaram posição neutra e 3,3% discordaram. Esse resultado indica que a maioria dos participantes reconhece o papel da gestão da qualidade como elemento estruturante para a melhoria da confiabilidade dos processos laboratoriais. Sistemas de gestão da qualidade contribuem para a organização das atividades técnicas, a definição de procedimentos e o monitoramento sistemático do desempenho, favorecendo a consistência operacional (Meng et al., 2022).
Por fim, a afirmação de que a padronização dos processos melhora a eficiência do laboratório obteve forte concordância, com 80% dos respondentes concordando totalmente e 16,7% concordando. Apenas 3,3% manifestaram discordância, sem respostas neutras. Esse resultado evidencia uma percepção amplamente consolidada de que a padronização das rotinas contribui para maior eficiência operacional. A padronização de processos é frequentemente associada à redução de variações na execução das atividades e ao aumento da previsibilidade dos resultados, garantindo que diferentes profissionais executem tarefas sob critérios semelhantes (Okezue et al., 2020).
Principais desafios na implantação de novos ensaios laboratoriais
A análise das respostas abertas permitiu identificar os principais desafios percebidos pelos participantes na implantação de novos ensaios laboratoriais. Os relatos indicaram que os desafios estão fortemente associados à capacitação e treinamento da equipe, à gestão do tempo e à adaptação organizacional às novas rotinas técnicas. A necessidade de treinamento dos laboratoristas e o tempo para que a equipe domine novas metodologias foram recorrentes, assim como o desenvolvimento de competências técnicas para interpretar resultados e a escassez de profissionais qualificados. Esses aspectos ressaltam a importância do fator humano e da qualificação para a confiabilidade dos ensaios.
Outro desafio significativo foi a gestão do tempo e a manutenção da rotina, que envolve conciliar o treinamento com as atividades diárias do laboratório e evitar impactos no Turnaround Time (TAT). A pressão por resultados rápidos e a necessidade de equilibrar a implantação de novos ensaios com as demandas operacionais existentes foram frequentemente mencionadas. A padronização e consistência dos procedimentos também se destacaram, com a necessidade de procedimentos claros, a prevenção de variações entre turnos e a padronização da interpretação de resultados técnicos. A adaptação cultural e a resistência da equipe à adoção de novos métodos foram igualmente apontadas como barreiras.
A integração tecnológica e os sistemas de gestão representaram desafios relacionados ao interfaceamento entre novos equipamentos e sistemas laboratoriais, ao registro adequado das etapas das amostras e à adequação a requisitos normativos. A infraestrutura e organização do laboratório, incluindo a reorganização do fluxo físico de trabalho, a prevenção de contaminação cruzada e o controle rigoroso das condições ambientais, também foram citadas. Por fim, os custos e recursos operacionais, como manutenção, calibração e insumos, e a confiabilidade e validação dos resultados, com a necessidade de garantir reprodutibilidade e adaptação a diferentes metodologias técnicas, completam o panorama dos desafios.
Sugestões de melhoria para a gestão da qualidade no laboratório
As sugestões de melhoria para a gestão da qualidade no laboratório, obtidas das respostas abertas, concentraram-se principalmente no desenvolvimento de pessoas, na padronização de processos e na modernização tecnológica. A capacitação e o desenvolvimento da equipe foram amplamente mencionados, com sugestões de treinamentos frequentes, reciclagens periódicas, programas de atualização técnica, cronogramas de treinamentos e a criação de uma matriz de habilidades para capacitação em diferentes ensaios. O compartilhamento de conhecimento, por meio de rodízio de funções e validação cruzada de procedimentos, foi apontado como forma de reduzir a dependência de especialistas únicos.
O engajamento e a participação da equipe foram considerados cruciais, com a sugestão de maior envolvimento dos colaboradores na qualidade, criação de canais para sugestões de melhorias e fortalecimento da responsabilidade coletiva. A padronização de processos foi enfatizada com a necessidade de protocolos claros e bem documentados, redução de variações entre operadores e maior organização das rotinas laboratoriais. A digitalização e automação foram propostas para automação de laudos, sistemas digitais de registro de dados e redução de controles manuais, visando à implementação de tecnologias associadas à qualidade digital.
O monitoramento e controle técnico foram sugeridos por meio de sensores para monitoramento ambiental em tempo real, melhor controle das condições de ensaio e integração entre equipamentos e sistemas laboratoriais. Auditorias e melhoria contínua incluíram auditorias internas regulares com foco em aprendizado e a utilização das falhas como oportunidade de aperfeiçoamento. A validação externa e a confiabilidade dos resultados foram abordadas com a participação em programas de comparação interlaboratorial e o fortalecimento da precisão. Por fim, a organização do fluxo de trabalho, com reestruturação do layout do laboratório e melhoria do fluxo de amostras e técnicos, foi mencionada para reduzir movimentações desnecessárias e riscos operacionais.
Aplicação da Matriz de Riscos 5×5
A partir dos resultados do questionário e das respostas qualitativas, foi elaborada uma matriz de riscos 5×5 para aprofundar a avaliação e priorização dos fatores críticos. Essa análise indicou que alguns riscos apresentavam criticidade elevada, especialmente aqueles relacionados à capacitação técnica da equipe, ao tempo necessário para implantação de novos ensaios e à padronização dos procedimentos laboratoriais. A falta de treinamento adequado para novos ensaios foi classificada como risco alto (probabilidade 4, impacto 5, nível de risco 20), assim como o tempo insuficiente para implantação de novos testes (probabilidade 4, impacto 4, nível de risco 16). Esses fatores foram frequentemente mencionados nas respostas abertas e refletiram as percepções coletadas nas questões estruturadas, indicando que podem impactar diretamente a confiabilidade dos resultados e aumentar a ocorrência de retrabalhos.
Riscos classificados como moderados incluíram a falta de padronização entre turnos (probabilidade 3, impacto 4, nível de risco 12), a resistência da equipe a mudanças (probabilidade 3, impacto 3, nível de risco 9), as falhas na integração de equipamentos e sistemas (probabilidade 3, impacto 4, nível de risco 12), os retrabalhos devido a falhas de processo (probabilidade 3, impacto 3, nível de risco 9) e a falta de profissionais qualificados (probabilidade 2, impacto 4, nível de risco 8). Embora esses fatores não apresentem impacto tão elevado quanto os riscos técnicos mais críticos, sua ocorrência pode comprometer a eficiência do laboratório e dificultar a implementação de melhorias. A falha na comunicação entre áreas foi classificada como risco baixo (probabilidade 2, impacto 3, nível de risco 6). A matriz de riscos, portanto, permitiu estabelecer uma hierarquia clara de prioridades, orientando a definição de estratégias de mitigação e servindo como base para o desenvolvimento do plano de ação subsequente (PMI, 2021).
Aplicação da ferramenta 5W2H
Com base nos resultados do questionário e na priorização dos riscos identificados pela matriz, foi elaborado um plano de ação utilizando a ferramenta 5W2H. As ações propostas concentram-se no fortalecimento do treinamento técnico, na formalização de rotinas operacionais e na melhoria da comunicação entre as áreas envolvidas. Para reduzir falhas operacionais e aumentar a confiabilidade dos ensaios, propôs-se implantar um programa estruturado de treinamento técnico, com a criação de cronogramas de treinamentos e reciclagens periódicas. Para identificar lacunas de conhecimento e reduzir a dependência de especialistas, sugeriu-se criar uma matriz de habilidades da equipe, mapeando competências técnicas e planejando capacitações. Essas ações devem ser coordenadas pela gestão da qualidade, com custo estimado baixo e prazo curto.
A padronização dos procedimentos operacionais dos ensaios foi abordada para reduzir variações entre operadores e turnos, por meio da revisão e documentação de procedimentos técnicos, com responsabilidade da equipe de qualidade, prazo médio e custo médio. Para melhorar a organização das etapas de implantação de novos ensaios e reduzir atrasos, propôs-se estruturar o planejamento para novos ensaios, definindo etapas, responsáveis e cronogramas, sob a gestão do laboratório, com prazo médio e custo baixo. Aumentar a rastreabilidade e o controle dos dados foi o objetivo da implementação de registros digitais das rotinas laboratoriais, com a implantação de sistemas digitais de registro e controle, sob responsabilidade da TI e qualidade, prazo médio e custo médio.
Para melhorar a integração entre laboratório e gestão da qualidade, propôs-se fortalecer a comunicação entre áreas técnicas e gestão, por meio de reuniões periódicas de alinhamento e acompanhamento, com gestores e coordenadores como responsáveis, prazo curto e custo baixo. A identificação de falhas e oportunidades de melhoria foi o foco da implantação de auditorias internas periódicas, com planejamento anual de auditorias e avaliações internas, sob coordenação da qualidade, prazo médio e custo baixo. Finalmente, para validar a precisão dos resultados e fortalecer a credibilidade técnica, sugeriu-se participar de programas de comparação interlaboratorial, com a participação em programas de comparação externa, sob gestão do laboratório, prazo longo e custo médio. Essas ações visam a uma implementação gradual de melhorias, alinhando os resultados da pesquisa às necessidades operacionais do laboratório (Cioffi et al., 2022).
Em síntese, os resultados da pesquisa revelaram uma percepção geral positiva dos profissionais do laboratório têxtil em relação à organização dos processos e à confiabilidade dos resultados, com forte reconhecimento da importância da padronização e da capacitação da equipe. Contudo, foram identificadas oportunidades de melhoria na ampliação de treinamentos, na padronização de procedimentos e na organização da implantação de novos ensaios, aspectos que se traduziram em riscos de criticidade alta e moderada. O plano de ação proposto, estruturado com a ferramenta 5W2H, oferece um caminho sistemático para abordar essas fragilidades, fortalecendo a gestão da qualidade e apoiando a preparação do laboratório para a conformidade com a ISO/IEC 17025.
4. Conclusão
O presente estudo objetivou diagnosticar as práticas de gestão da qualidade em um laboratório têxtil, a partir da percepção dos profissionais, visando identificar fragilidades e oportunidades de melhoria para aprimorar as rotinas e apoiar a conformidade com a ISO/IEC 17025. Verificou-se uma percepção predominantemente positiva quanto à organização dos processos laboratoriais, à padronização das rotinas e à confiabilidade dos resultados entregues aos clientes. Observou-se que a capacitação da equipe e o alinhamento entre as áreas são considerados fatores essenciais para a qualidade dos ensaios. Contudo, identificou-se oportunidades de aprimoramento na ampliação de treinamentos, na padronização de procedimentos e na organização da implantação de novos ensaios. A análise revelou que retrabalhos são relativamente frequentes e que a ausência de planejamento impacta negativamente a qualidade e o prazo dos ensaios. Em resposta a essas fragilidades, propôs-se um plano de ação estruturado com a ferramenta 5W2H, focado no fortalecimento do treinamento técnico, na formalização de rotinas operacionais e na melhoria da comunicação entre as áreas.
A principal contribuição deste estudo reside na oferta de subsídios práticos para o aperfeiçoamento da gestão da qualidade no laboratório investigado, por meio de um plano de ação que visa fortalecer a organização das atividades e apoiar a preparação para a conformidade com a ISO/IEC 17025. Entretanto, a pesquisa foi realizada em um único contexto organizacional, o que limita a generalização dos achados para outras empresas ou laboratórios do setor têxtil. Além disso, os dados coletados basearam-se predominantemente na percepção dos profissionais, o que pode refletir experiências individuais e interpretações subjetivas sobre as práticas de gestão. Para estudos futuros, sugere-se ampliar o escopo da investigação para diferentes laboratórios, incorporar indicadores operacionais e métricas de desempenho para uma avaliação mais objetiva do impacto das práticas de gestão, e aprofundar a análise da aplicação de abordagens estruturadas de gestão de projetos em ambientes laboratoriais.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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