Artigo

27 de julho de 2026

Planejamento Previdenciário de Mães Solo: Desafios e Estratégias.

Daniela Fernandes Alves; Victor Hugo Bartholomeu Araujo

DOI: 10.22167/2675-6528-202600690

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A família monoparental feminina no Brasil, que constitui 17,8% dos lares e posiciona a mulher no papel exclusivo de provedora e chefe de família, enfrenta sobrecarga de responsabilidades e vulnerabilidade econômica, resultando na negligência do planejamento de longo prazo e comprometendo a aposentadoria da provedora e a segurança futura dos filhos. O estudo analisou a importância da educação financeira e do planejamento previdenciário para mães solo que buscam garantir uma aposentadoria estável e proteção para seus filhos. Adotou-se uma metodologia de abordagem qualitativa, fundamentada no método de estudo de caso. A pesquisa concentrou-se na investigação dos mecanismos que promovem a autonomia e resiliência financeira, aplicando um estudo de caso a um cenário específico. Buscou-se avaliar a interdependência entre a educação financeira e o planejamento de longo prazo, e apresentar um exemplo prático de planejamento para aposentadoria. O resultado esperado demonstrou que a educação financeira e o planejamento previdenciário atuam como ferramentas essenciais para mitigar a vulnerabilidade econômica, conferindo autonomia e estabilidade de longo prazo a esse grupo.

Palavras-chave: Aposentadoria; Educação financeira; Mães solo; Segurança financeira; Vulnerabilidade econômica.

1. Introdução

O arranjo familiar contemporâneo no Brasil tem demonstrado uma crescente diversidade, distanciando-se progressivamente do modelo tradicional nuclear. Nesse cenário de transformações sociais, a família monoparental feminina emerge como uma entidade familiar de significativa prevalência, sendo inclusive reconhecida pela Constituição Federal de 1988 (CF/88). Este fenômeno reflete mudanças profundas nas estruturas familiares e nas dinâmicas de responsabilidade.

Conforme dados da Fundação Getulio Vargas (FGV, 2023), estima-se que 17,8% das famílias brasileiras são chefiadas por mães solo. Em um período de dez anos, o número de lares de mulheres criando os filhos sozinhas aumentou de 9,6 milhões em 2012 para 11,3 milhões em 2022. As famílias chefiadas por mulheres representam uma parcela considerável da população, sendo muitas delas classificadas em condição de pobreza e vulnerabilidade social (Costa; Marra, 2013).

Nesse contexto, a mulher assume o papel central e exclusivo de provedora e chefe de família (Babiuk, 2015). Essa posição a insere em uma complexa jornada que acumula as responsabilidades laborais, domésticas e de cuidado com os filhos. A mulher provedora enfrenta jornadas de trabalho ampliadas, assumindo múltiplas funções como mãe, profissional e responsável pelo lar (Fernandes, 2022).

O acúmulo de funções e a ausência de compartilhamento financeiro resultam em dificuldades econômicas crônicas e acentuada exposição a fatores de risco (Costa; Marra, 2013). A gestão do orçamento familiar torna-se um desafio constante, visto que os recursos são, em muitos casos, direcionados integralmente ao sustento imediato da prole. Essa concentração de responsabilidades e a ausência do cônjuge tornam as famílias monoparentais femininas mais vulneráveis no plano econômico e no provimento de víveres e cuidados (Fernandes, 2022).

A complexidade desses desafios impõe barreiras significativas à construção de estabilidade financeira de longo prazo, particularmente no que se refere ao planejamento previdenciário. A dificuldade em conciliar o sustento imediato e a segurança futura compromete não apenas a aposentadoria da responsável, mas também a proteção e o bem-estar dos filhos (Baliana, 2013; Brito; Silva; Lisbino, 2024).

A educação financeira, neste cenário, surge como um conceito teórico norteador fundamental. Ela orienta a mãe solo na criação de uma reserva de emergência, que funciona como um “colchão” financeiro para lidar com situações inesperadas, como desemprego ou problemas de saúde. Essa prática é essencial para evitar o endividamento e promover uma gestão mais consciente dos recursos (Banco Central do Brasil, 2023).

Da mesma forma, o planejamento previdenciário deve ser compreendido como um instrumento crucial para a manutenção de renda pós-aposentadoria programada (Brito; Silva; Lisbino, 2024). Ele atua como uma ferramenta de proteção social e mitigação da precariedade socioeconômica para a mãe solo e, consequentemente, para sua prole, garantindo segurança financeira na velhice.

A ausência de um planejamento previdenciário estruturado, em um cenário de responsabilidade financeira exclusiva, compromete diretamente a estabilidade da aposentadoria dessas provedoras e, por consequência, a segurança e o bem-estar futuros de seus descendentes (Marinho, 2024). Tais fatores contribuem para a vulnerabilidade de longo prazo, culminando em menores chances de acesso a recursos previdenciários quando a idade avançada é atingida.

Diante dessa realidade de limitação orçamentária e estrutural, torna-se imperativo investigar os mecanismos que podem promover a autonomia e a resiliência financeira desse grupo. A justificativa do presente trabalho reside na crescente relevância socioeconômica da família monoparental feminina no Brasil, um arranjo que já constitui 17,8% dos lares brasileiros e apresenta crescimento contínuo. Este grupo populacional está diretamente inserido em um contexto de insegurança financeira devido à responsabilidade exclusiva de sustento, o que exige uma gestão financeira diferenciada e altamente estratégica. A ausência de um planejamento previdenciário eficaz, somada à carência de educação financeira, representa um risco crítico que compromete tanto a aposentadoria dessas provedoras quanto o futuro de seus descendentes. Desta forma, o estudo se justifica pela necessidade premente de investigar e discutir como a educação financeira e o planejamento previdenciário podem atuar como ferramentas para mitigar essa vulnerabilidade e conferir autonomia, estabilidade e segurança de longo prazo a este segmento familiar, com o objetivo de analisar a importância da educação financeira e do planejamento previdenciário para mães solo que buscam garantir uma aposentadoria estável e proteção para seus filhos.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como de abordagem mista, de natureza exploratória, buscando compreender as vivências, percepções e desafios enfrentados por mulheres que exercem a maternidade de forma monoparental. A adoção dessa abordagem justificou-se pela combinação entre a análise qualitativa das experiências relatadas e a utilização de dados quantitativos obtidos por meio de questionário estruturado. O objetivo geral do estudo foi analisar a importância da educação financeira e do planejamento previdenciário para mães solo que buscam garantir uma aposentadoria estável e proteção para seus filhos.

A estratégia de pesquisa adotada foi o método de estudo de caso, conforme as orientações metodológicas de Yin (2018). Este método permitiu a investigação dos mecanismos que promovem a autonomia e resiliência financeira, aplicando-se a um cenário específico. Buscou-se avaliar a interdependência entre a educação financeira e o planejamento de longo prazo, além de apresentar um exemplo prático de planejamento para aposentadoria.

A unidade de análise do estudo consistiu em mulheres que exercem a maternidade de forma monoparental. A amostra foi caracterizada como não probabilística por conveniência, sendo composta por 150 respondentes. Embora esse tipo de amostragem não permita a generalização dos resultados, possibilitou a obtenção de evidências relevantes acerca do grupo investigado, especialmente no que se refere às suas percepções e experiências (Gil, 2022).

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, aplicado de forma online por meio da plataforma Google Forms. O instrumento de pesquisa foi elaborado com base em um questionário previamente utilizado na literatura, especificamente no estudo desenvolvido por Fernandes (2022), intitulado “Família monoparental feminina: desafios de ser mãe solo”.

A adaptação do instrumento consistiu na seleção e reformulação de questões consideradas mais aderentes ao recorte analítico do presente estudo, preservando a estrutura conceitual do instrumento original. As questões foram organizadas em blocos temáticos para contemplar diferentes dimensões da experiência das participantes. Esses blocos incluíram: perfil sociodemográfico, renda e ocupação, responsabilidade financeira, educação financeira, planejamento financeiro e previdência.

Adicionalmente, o questionário abordou as dificuldades no planejamento previdenciário, a existência de reserva financeira, a percepção sobre previdência e a relação entre educação financeira e vulnerabilidade. Essa organização permitiu coletar dados abrangentes sobre a situação financeira e previdenciária das mães solo, alinhando-se aos objetivos da pesquisa.

A aplicação do questionário ocorreu por meio da divulgação em rede social vinculada à pesquisadora, o que permitiu o alcance de participantes que se identificavam com a temática investigada. A participação foi voluntária, e as respostas foram coletadas de forma anônima, garantindo maior liberdade e veracidade nas informações fornecidas pelas respondentes.

Os dados obtidos foram analisados por meio de estatística descritiva, com base na utilização de frequências relativas, expressas em percentuais. Esse procedimento permitiu identificar padrões e tendências relacionadas ao comportamento financeiro e ao planejamento previdenciário das participantes, sem, contudo, apresentar achados empíricos ou interpretações.

3. Resultados e Discussão

Os resultados do questionário aplicado revelaram que uma parcela significativa das mães solo enfrenta desafios consideráveis no planejamento previdenciário, principalmente em decorrência da sobrecarga de responsabilidades financeiras e da limitação de renda. Embora muitas participantes demonstrem reconhecer a importância da previdência para o futuro, a conversão desse reconhecimento em contribuições regulares ou em um planejamento estruturado ainda se mostra um obstáculo. A pesquisa buscou analisar a interdependência entre a educação financeira e o planejamento de longo prazo, e os achados corroboram a complexidade desse cenário.

A análise do perfil sociodemográfico das respondentes indicou que 37,3% delas estão na faixa etária de 36 a 45 anos, enquanto 29,3% se encontram entre 46 e 55 anos. Essa concentração em idades produtivas sugere que a maioria das mães solo está em uma fase da vida com elevada demanda produtiva e familiar, o que intensifica a sobrecarga de responsabilidades e pode dificultar a dedicação ao planejamento financeiro de longo prazo. Adicionalmente, 20% das participantes têm entre 26 e 35 anos, um grupo que, apesar de mais jovem, já enfrenta desafios na consolidação profissional e na organização financeira.

As faixas etárias extremas, como as participantes com mais de 55 anos (8,7%) e as com até 25 anos (uma parcela ainda menor), apresentaram menor representatividade na amostra. Essa distribuição etária permite inferir que grande parte das mães solo está inserida em um contexto de múltiplas demandas simultâneas, exigindo um equilíbrio constante entre trabalho, gestão financeira e responsabilidades domésticas. Tal cenário impacta diretamente a capacidade de planejamento de longo prazo, como o previdenciário, pois o foco tende a ser nas necessidades imediatas da família.

O predomínio de mulheres em idade produtiva, mesmo ativas no mercado de trabalho, reforça a percepção de que enfrentam limitações estruturais que dificultam a organização financeira e a construção de segurança futura. A necessidade de conciliar diversas funções pode gerar desgaste físico e emocional, reduzindo o tempo e a energia disponíveis para um planejamento financeiro estruturado. Os dados indicam que a elevada concentração de responsabilidades pode estar associada a um maior nível de sobrecarga entre as participantes, uma vez que a inserção feminina no mercado de trabalho não foi acompanhada por uma redistribuição equivalente das tarefas domésticas (Cúnico; Arpini, 2014).

Em relação à renda e ocupação, a principal fonte de renda das participantes está concentrada no emprego formal (CLT), representando 60,7% das respostas. Esse dado sugere que a maioria das mães solo possui maior acesso a direitos trabalhistas e, potencialmente, a mecanismos de proteção previdenciária, o que poderia favorecer, ainda que de forma limitada, a construção de uma segurança financeira no longo prazo. Contudo, a predominância do vínculo formal não elimina os desafios enfrentados por esse grupo, especialmente considerando a sobrecarga de responsabilidades e a necessidade de conciliar trabalho e cuidado familiar.

Uma parcela relevante das respondentes, 15,3%, depende do trabalho informal ou autônomo, o que evidencia a presença de vínculos laborais mais instáveis e sem garantias legais. Esse cenário reforça a vulnerabilidade econômica dessas mulheres, pois a ausência de formalização compromete a regularidade de contribuições previdenciárias e dificulta o planejamento financeiro estruturado. Adicionalmente, 12% das participantes atuam como microempreendedoras individuais (MEI), demonstrando uma tentativa de inserção produtiva mais autônoma, mas ainda sujeita a oscilações de renda e limitações de proteção social.

Uma menor parcela, aproximadamente 4%, depende de benefícios sociais, o que evidencia situações de maior fragilidade econômica, nas quais a renda é insuficiente para garantir autonomia financeira plena. Outros 8% indicaram possuir outras fontes de renda, o que pode refletir estratégias alternativas de sobrevivência, como atividades complementares ou apoio informal. Essa diversidade de fontes de renda revela a complexidade das estratégias adotadas para garantir o sustento familiar, muitas vezes marcadas pela necessidade de adaptação constante às condições do mercado de trabalho.

No que tange à responsabilidade financeira, uma parcela significativa das respondentes assume o sustento familiar de forma predominante. Verificou-se que 39,3% das participantes declararam ser totalmente responsáveis pelo sustento da família, enquanto 15,3% afirmaram assumir essa responsabilidade na maior parte do tempo. Esses dados indicam que mais da metade das mães solo pesquisadas, totalizando 54,6%, carrega, de forma integral ou quase integral, o papel de provedoras, evidenciando um cenário de elevada concentração de responsabilidades econômicas.

Por outro lado, 28% das respondentes indicaram dividir parcialmente o sustento com outra pessoa, o que sugere a existência de algum nível de apoio financeiro, ainda que não seja suficiente para descaracterizar a centralidade da mulher na manutenção do lar. Já 17,3% afirmaram não ser as únicas responsáveis, demonstrando que uma parcela menor conta com uma rede de suporte mais estruturada, o que pode contribuir para maior estabilidade financeira e menor sobrecarga individual. Esses dados permitem inferir que a maioria das mães solo vivencia uma realidade marcada pela responsabilidade financeira direta, o que impacta significativamente sua organização econômica e capacidade de planejamento de longo prazo.

A centralização do sustento familiar na figura feminina tende a aumentar a pressão por geração de renda constante, limitando a possibilidade de poupança, investimento e organização previdenciária. Além disso, essa condição pode contribuir para a sobrecarga emocional e física, uma vez que as responsabilidades financeiras se somam às tarefas domésticas e ao cuidado com os filhos. A predominância de mulheres como principais provedoras reforça a complexidade das dinâmicas enfrentadas pelas famílias monoparentais femininas, nas quais a ausência de divisão equitativa de responsabilidades intensifica a vulnerabilidade econômica (Costa; Marra, 2013).

Quanto à educação financeira, a maior parte das respondentes, 52,7%, avalia seu nível de conhecimento como médio. Esse resultado indica que, embora exista uma base de entendimento sobre o tema, esse conhecimento ainda não é aprofundado, sugerindo que as mães solo possuem uma noção inicial sobre conceitos financeiros, porém possivelmente enfrentam dificuldades na aplicação prática desses conhecimentos no cotidiano, especialmente no que se refere ao planejamento de longo prazo e à organização previdenciária.

Observou-se também que 19,3% das participantes classificam seu conhecimento como baixo, e uma parcela ainda menor se posiciona no nível muito baixo. Esses dados reforçam a existência de um grupo significativo com limitações mais evidentes em relação à educação financeira, o que pode comprometer a tomada de decisões mais estratégicas e a capacidade de lidar com situações imprevistas. Por outro lado, 18,7% consideram possuir conhecimento alto, o que indica que uma parte das respondentes já apresenta maior domínio sobre o tema, possivelmente refletindo maior acesso à informação ou experiências prévias com organização financeira.

As categorias extremas (muito baixo e muito alto) apresentaram menor representatividade, o que evidencia uma concentração das respostas nos níveis intermediários. Esse padrão revela que a maioria das participantes se encontra em um estágio de conhecimento em desenvolvimento, ainda distante de um domínio consolidado que permita maior autonomia na gestão financeira. A predominância do nível médio sugere a necessidade de ações que não apenas ampliem o acesso à informação, mas que também promovam sua aplicação prática, especialmente em contextos marcados por restrições econômicas e sobrecarga de responsabilidades. A educação financeira desempenha papel fundamental no desenvolvimento de competências que permitem melhor organização dos recursos e planejamento do futuro, sendo um elemento essencial para a inclusão financeira e a redução de vulnerabilidades (Banco Central do Brasil, 2023).

No que se refere ao planejamento financeiro, a maior parcela das respondentes, 35,3%, afirmou possuir apenas um planejamento financeiro básico, baseado em anotações simples. Isso indica uma tentativa inicial de organização, porém ainda sem estrutura suficiente para garantir controle efetivo das finanças. Esse resultado sugere que, embora exista uma preocupação com a gestão dos recursos, a maioria das mães solo ainda se encontra em um estágio inicial de planejamento, sem utilização de ferramentas mais robustas ou estratégias mais consistentes.

Notou-se também que 29,3% das participantes não possuem nenhum tipo de planejamento financeiro, o que representa um percentual significativo e evidencia uma situação de maior vulnerabilidade. A ausência total de organização financeira pode dificultar o controle de gastos, a formação de reserva de emergência e, consequentemente, comprometer a capacidade de planejamento de longo prazo, incluindo o previdenciário. Esse cenário revela a presença de barreiras estruturais e cotidianas que impedem a adoção de práticas financeiras organizadas.

Ainda convém destacar que 14,7% das respondentes indicaram possuir planejamento informal, caracterizado pela ausência de registros sistemáticos, o que reforça a predominância de práticas pouco estruturadas. Por outro lado, apenas 20,7% afirmam possuir um planejamento financeiro estruturado, utilizando planilhas, aplicativos ou orientação profissional. Esse dado demonstra que uma parcela reduzida das participantes consegue adotar estratégias mais organizadas e potencialmente mais eficazes na gestão financeira. A maioria das mães solo apresenta algum nível de preocupação com a organização financeira, porém ainda com baixa formalização e estruturação. A predominância de planejamentos básicos ou inexistentes evidencia dificuldades na consolidação de práticas financeiras consistentes, o que pode impactar diretamente a estabilidade econômica e a capacidade de lidar com imprevistos. A organização financeira estruturada é fundamental para a construção de segurança econômica e autonomia (Brito; Silva; Lisbino, 2024).

Em relação à previdência, a maioria das participantes, 54,7%, afirmou contribuir apenas para o INSS, o que demonstra que, embora exista alguma adesão ao sistema previdenciário, essa contribuição está concentrada no regime básico obrigatório. Esse dado sugere que grande parte das mães solo possui acesso limitado a estratégias complementares de proteção financeira, o que pode restringir a construção de uma aposentadoria mais robusta no longo prazo.

Notou-se, ainda, que 25,3% das respondentes não realizam qualquer tipo de contribuição previdenciária, o que representa um percentual significativo e indica uma situação de maior vulnerabilidade social e econômica. A ausência de contribuição compromete diretamente a segurança futura dessas mulheres, aumentando o risco de instabilidade financeira na velhice e ampliando a dependência de alternativas informais ou assistenciais. Por outro lado, apenas 14,7% das participantes contribuem simultaneamente para o INSS e para a previdência privada, evidenciando que uma parcela reduzida adota estratégias mais estruturadas de planejamento previdenciário.

Uma fração ainda menor, aproximadamente 5%, contribui exclusivamente para a previdência privada, o que pode refletir situações específicas de inserção profissional ou escolhas individuais voltadas à diversificação de proteção financeira. Embora haja alguma inserção no sistema previdenciário, predomina um modelo de contribuição básico, com baixa diversificação e significativa presença de não contribuintes. Esse cenário revela limitações na capacidade de planejamento de longo prazo e reforça a influência de fatores como renda, estabilidade profissional e acesso à informação na adesão a mecanismos previdenciários mais completos. O planejamento previdenciário é fundamental para garantir a manutenção de renda no futuro e reduzir os riscos associados à vulnerabilidade econômica (Brito; Silva; Lisbino, 2024).

Ao analisar as dificuldades no planejamento previdenciário, o principal fator que dificulta esse processo para as participantes está relacionado à prioridade nas despesas imediatas com os filhos, apontado por 34,7% das respondentes. Esse dado demonstra que a maior parte da renda disponível é direcionada para necessidades básicas e urgentes, reforçando a ideia de que o planejamento de longo prazo acaba sendo postergado diante das demandas cotidianas, evidenciando uma lógica de sobrevivência financeira na qual o presente se sobrepõe ao futuro.

Em seguida, destacou-se a baixa renda, com 21,3% das respostas, como um dos principais entraves, indicando que a limitação de recursos financeiros compromete diretamente a capacidade de contribuição previdenciária e de organização financeira estruturada. Associado a esse fator, a insegurança financeira e os imprevistos, com 20%, também aparecem com relevância, evidenciando que a instabilidade econômica dificulta a manutenção de qualquer planejamento contínuo, já que eventuais emergências exigem o redirecionamento imediato dos recursos disponíveis.

Outros fatores, embora com menor percentual, também apresentam impacto significativo. A falta de acesso à orientação especializada, com 12,7%, indica que parte das participantes não possui suporte técnico adequado para organizar suas finanças e compreender melhor as opções previdenciárias disponíveis. Já a falta de conhecimento sobre previdência, com 11,3%, reforça que ainda existem lacunas informacionais que dificultam a tomada de decisões mais conscientes e estratégicas em relação ao futuro financeiro. As dificuldades enfrentadas pelas mães solo no planejamento previdenciário são multifatoriais, envolvendo não apenas questões financeiras, mas também limitações estruturais, informacionais e contextuais. A predominância de fatores ligados à renda e às despesas imediatas evidencia que o principal obstáculo não está apenas na falta de conhecimento, mas na impossibilidade prática de destinar recursos ao planejamento de longo prazo diante das condições econômicas vivenciadas. As famílias monoparentais femininas estão mais expostas a situações de vulnerabilidade econômica, justamente pela concentração de responsabilidades financeiras e pela limitação de recursos disponíveis (Costa; Marra, 2013).

No que diz respeito à reserva financeira, uma parcela expressiva das participantes, 44%, declarou não possuir qualquer tipo de reserva para emergências, o que revela um cenário de elevada vulnerabilidade econômica. A ausência de recursos reservados compromete diretamente a capacidade de enfrentar imprevistos, como despesas médicas, perda de renda ou outras situações inesperadas, obrigando essas mulheres a recorrer a soluções imediatas que podem agravar ainda mais sua instabilidade financeira.

Cabe notar que 22% das respondentes possuem uma reserva inferior a três meses de despesas, o que, embora represente algum nível de organização, ainda é considerado insuficiente para garantir segurança financeira em situações prolongadas de instabilidade. De forma complementar, 19,3% afirmam possuir reserva entre três e seis meses de despesas, indicando um nível intermediário de proteção, que já proporciona maior capacidade de enfrentamento de imprevistos, embora ainda não represente uma situação plenamente estável.

Por outro lado, apenas 14,7% das participantes possuem reserva superior a seis meses de despesas, o que demonstra que uma parcela reduzida consegue alcançar um nível mais elevado de organização financeira e segurança econômica. Esse dado evidencia que a construção de uma reserva consistente ainda é um desafio para a maioria das mães solo, especialmente considerando as limitações de renda e a necessidade de priorização dos gastos imediatos. A ausência ou insuficiência de reserva financeira está diretamente relacionada às dificuldades de planejamento de longo prazo, incluindo o previdenciário. A falta de recursos acumulados reforça a dependência de renda imediata e reduz a capacidade de adoção de estratégias financeiras mais estruturadas, mantendo essas mulheres em um ciclo de vulnerabilidade econômica. A construção de estabilidade financeira depende da capacidade de organização e planejamento contínuo dos recursos (Banco Central do Brasil, 2023).

Em análise da percepção sobre previdência, observou-se que a maioria das participantes reconhece a importância do planejamento previdenciário para a construção de segurança financeira no futuro. Um total de 68,7% das respondentes expressou percepções positivas, sendo que 40% concordam totalmente com essa afirmação e 28,7% concordam parcialmente. Esse resultado indica um nível significativo de conscientização sobre o papel do planejamento previdenciário como instrumento de proteção econômica no longo prazo, mesmo entre mulheres que enfrentam limitações financeiras no cotidiano.

Entretanto, 16% das participantes declararam nem concordar nem discordar, o que pode indicar incerteza ou falta de clareza sobre os benefícios efetivos do planejamento previdenciário. Esse grupo pode refletir uma lacuna informacional ou uma dificuldade de compreensão mais aprofundada sobre como a previdência impacta a segurança financeira futura. Além disso, 9,3% discordam parcialmente e 6% discordam totalmente, somando 15,3% de percepções negativas, o que evidencia que uma parcela das respondentes ainda não reconhece plenamente a relevância do planejamento previdenciário, possivelmente em função de experiências pessoais, limitações de renda ou distanciamento em relação ao tema.

Apesar de existir um alto nível de reconhecimento teórico sobre a importância da previdência, esse entendimento pode não estar sendo convertido em práticas efetivas de planejamento. A presença de um percentual relevante de respostas neutras e negativas sugere que fatores como falta de acesso à informação, insegurança financeira e dificuldades práticas podem influenciar a percepção e a adesão ao planejamento previdenciário. Nesse contexto, observa-se um possível desalinhamento entre percepção e comportamento, no qual as mães solo reconhecem a importância do planejamento, mas enfrentam barreiras que dificultam sua implementação no cotidiano. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias que não apenas ampliem o conhecimento, mas que também tornem o planejamento previdenciário mais acessível e aplicável à realidade dessas mulheres (Brito; Silva; Lisbino, 2024).

Conforme a análise sobre educação financeira e vulnerabilidade, constatou-se um elevado nível de concordância das participantes em relação ao papel da educação financeira na redução da vulnerabilidade econômica das mães solo. Observou-se que 58,7% das respondentes concordam totalmente com essa afirmação, enquanto 24,7% concordam parcialmente, totalizando 83,4% de percepções positivas. Esse resultado demonstra que a grande maioria reconhece a educação financeira como um instrumento relevante para melhorar a gestão dos recursos e promover maior estabilidade econômica no longo prazo.

Ainda assim, 14% das participantes declararam nem concordar nem discordar, o que pode indicar incerteza ou uma percepção limitada sobre os efeitos práticos da educação financeira em suas realidades. Esse grupo possivelmente enfrenta dificuldades em associar o conhecimento financeiro à melhoria efetiva das condições econômicas, especialmente quando existem restrições estruturais, como baixa renda e alta demanda de despesas. Já as respostas negativas (discordo parcialmente e discordo totalmente) apresentam percentual bastante reduzido, evidenciando que a rejeição à importância da educação financeira é pouco expressiva entre as participantes. Existe um consenso significativo sobre a relevância da educação financeira, porém esse reconhecimento não necessariamente implica sua aplicação prática no cotidiano.

A predominância de respostas positivas sugere que as mães solo compreendem o potencial transformador do conhecimento financeiro, mas ainda enfrentam obstáculos para incorporá-lo de forma efetiva, como limitações de renda, sobrecarga de responsabilidades e falta de acesso a orientação especializada. Esse cenário evidencia que a educação financeira é percebida como um fator importante, mas que sua efetividade depende de condições que permitam sua aplicação concreta. Assim, não basta apenas o acesso à informação, sendo necessário que esse conhecimento seja adaptado à realidade vivenciada pelas participantes, possibilitando sua utilização na organização financeira e no planejamento de longo prazo. A educação financeira é um elemento essencial para a promoção da autonomia econômica e redução de vulnerabilidades, contribuindo para a tomada de decisões mais conscientes e a construção de maior segurança econômica ao longo do tempo (Banco Central do Brasil, 2023).

De modo geral, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas, ações educativas e orientação previdenciária direcionadas às mães solo, visando promover maior conscientização, inclusão e segurança social. A pesquisa demonstra que o planejamento previdenciário para esse grupo ainda representa um desafio, exigindo atenção especial de profissionais da área jurídica, previdenciária e social. Os achados confirmam que a educação financeira e o planejamento previdenciário são ferramentas essenciais para mitigar a vulnerabilidade econômica, conferindo autonomia e estabilidade de longo prazo, e são cruciais para que as mães solo possam garantir uma aposentadoria estável e proteção para seus filhos, conforme o objetivo do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a importância da educação financeira e do planejamento previdenciário para mães solo que buscam garantir uma aposentadoria estável e proteção para seus filhos. Verificou-se que uma parcela significativa dessas mulheres enfrenta desafios substanciais na organização financeira e no planejamento previdenciário, principalmente devido à sobrecarga de responsabilidades, à limitação de renda e à priorização de despesas imediatas com os filhos. Observou-se que, embora houvesse reconhecimento da relevância da previdência e da educação financeira, esse entendimento nem sempre se traduziu em práticas consistentes de poupança ou em um planejamento estruturado. A maioria das participantes possuía apenas um planejamento financeiro básico ou inexistente e uma reserva de emergência insuficiente ou ausente, o que as expõe a maior vulnerabilidade econômica. A contribuição para o INSS predominou, com baixa adesão a estratégias complementares, evidenciando a necessidade de maior suporte para a construção de segurança de longo prazo. Assim, a pesquisa demonstrou que a educação financeira e o planejamento previdenciário são ferramentas essenciais para mitigar a vulnerabilidade econômica, conferindo autonomia e estabilidade de longo prazo a este grupo.

Contudo, o estudo apresentou limitações decorrentes de sua amostra não probabilística e relativamente restrita, o que impede a generalização dos resultados para a totalidade das mães solo no Brasil. Adicionalmente, a utilização de dados autodeclarados pode ter implicado possíveis distorções nas informações coletadas, especialmente em temas sensíveis como renda e organização financeira. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da amostra, incluindo participantes de diversas regiões e níveis socioeconômicos, bem como a adoção de abordagens complementares, como entrevistas em profundidade, para uma análise mais detalhada das experiências individuais. Recomenda-se também a realização de pesquisas que avaliem o impacto de programas de educação financeira sobre o comportamento econômico de mães solo, contribuindo para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes. Conclui-se que a maternidade solo, aliada às limitações econômicas e informacionais, representa um fator relevante na construção da vulnerabilidade financeira, reforçando a importância de ações estruturadas que promovam maior autonomia e segurança econômica para este grupo.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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