05 de agosto de 2026
Planejamento e controle do cronograma em obras: avaliação de restrições e desempenho
José Alexandre Rodrigues Di Bella; Everton Dias De Oliveira
DOI: 10.22167/2675-6528-202600981
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A gestão eficaz do cronograma em obras de construção civil mostrou-se fundamental para o desempenho de projetos, especialmente em contextos complexos com múltiplas frentes de trabalho, dependência de suprimentos e necessidade de coordenação interdepartamental. Objetivou-se analisar o processo de planejamento e controle do cronograma em uma obra de construção civil, com a finalidade de identificar fragilidades, priorizar restrições e desvios, e propor melhorias na gestão do prazo do projeto. A metodologia empregada foi aplicada, descritiva e exploratória, com abordagem quali-quantitativa, configurando um estudo de caso único em uma empresa do setor de infraestrutura. Dados foram coletados em março de 2026, por meio de questionário estruturado aplicado a 28 profissionais diretamente envolvidos nas rotinas de planejamento, execução, logística e controle da obra, e analisados com estatística descritiva e matriz de priorização frequência x impacto. Os resultados revelaram que atrasos de fornecedores e falta de materiais foram os fatores mais críticos para o cronograma, devido à alta recorrência e impacto. Retrabalho e falhas de comunicação entre equipes também se mostraram relevantes. As fragilidades identificadas abrangeram desde a elaboração do cronograma até dificuldades de atualização, monitoramento e resposta a desvios. Concluiu-se que a melhoria da gestão do prazo requer o fortalecimento da integração interdepartamental, o acompanhamento sistemático das restrições e a priorização estruturada dos fatores que comprometem a execução da obra.
Palavras-chave: Cadeia de suprimentos; Construção civil; Gerenciamento de projetos; Matriz de priorização; Retrabalho.
1. Introdução
O setor da construção civil é um pilar econômico global, caracterizado por projetos de grande escala e complexidade, onde a gestão eficaz do cronograma é crucial para o sucesso. A interdependência de atividades, a coordenação de equipes multidisciplinares e a dependência de uma vasta cadeia de suprimentos tornam o gerenciamento de prazos um desafio constante (Project Management Institute [PMI], 2024). Atrasos em obras civis são recorrentes, gerando impactos financeiros significativos, perda de produtividade e comprometimento da reputação. Dados setoriais globais indicam que muitos projetos excedem o prazo, resultando em custos adicionais que podem variar de cinco a quinze por cento do valor total (PMI, 2025). Essa realidade sublinha a urgência de aprimorar as práticas de planejamento e controle para mitigar riscos e garantir a entrega no prazo.
A complexidade dos empreendimentos construtivos implica que os atrasos raramente são atribuíveis a uma única causa, mas sim à interação de múltiplos fatores técnicos, organizacionais e externos, como falhas de sequenciamento, integração deficiente entre agentes e comunicação inadequada (Purushothaman, San Pedro e GhaffarianHoseini, 2024). Uma análise simplificada dos desvios pode mascarar as verdadeiras causas, permitindo que os impactos se propaguem em cascata pelo cronograma. A qualidade das práticas de programação, atualização e registro da obra influencia diretamente a capacidade de identificar desvios e tomar decisões corretivas, sendo a confiabilidade do cronograma e a precisão das atualizações elementos essenciais (Abdela, Mengistu e Adugna, 2024; Kuinkel et al., 2024). Além disso, o impacto das restrições logísticas e de suprimentos tem ganhado destaque, com incertezas na cadeia afetando prazos e estabilidade operacional (Ding e Jie, 2025; AlTalhoni et al., 2025). Paralelamente, a transformação digital, com tecnologias como o 4D BIM, amplia as possibilidades de visualização e monitoramento (Rehman, Mazher e Wuni, 2025), e recursos automatizados podem fortalecer a gestão de restrições (Agrawal et al., 2024). Contudo, a efetividade dessas ferramentas depende da qualidade da informação e da integração entre áreas.
Apesar dos avanços teóricos e tecnológicos, muitas organizações ainda enfrentam controles fragmentados, atualizações tardias e limitada articulação entre planejamento, suprimentos, logística e execução. Problemas como falta de materiais, retrabalho, falhas de comunicação, atrasos de fornecedores e interferências entre equipes afetam o cronograma recorrentemente, mas nem sempre são tratados com base em critérios claros de prioridade. A dificuldade em integrar informações e reagir a mudanças de forma tempestiva, aliada à ausência de mecanismos robustos de controle, contribui para a propagação de atrasos. Essa lacuna entre o conhecimento disponível e a prática efetiva no gerenciamento de cronogramas, especialmente na identificação e priorização de restrições e desvios, justifica a necessidade de estudos que busquem compreender as percepções dos profissionais envolvidos e propor abordagens mais estruturadas para otimizar o desempenho do projeto.
A compreensão das percepções dos profissionais diretamente envolvidos nas rotinas de planejamento e execução de obras civis sobre os principais problemas e restrições no controle do cronograma pode gerar evidências valiosas para orientar melhorias gerenciais e operacionais. A adoção de uma matriz de priorização baseada em frequência e impacto oferece um instrumento analítico robusto para organizar a tomada de decisão, permitindo que os desvios sejam analisados não apenas pela sua ocorrência, mas também pelo seu potencial de gravidade sobre o prazo do projeto. Diante desse cenário, este trabalho objetiva analisar o processo de planejamento e controle do cronograma em uma obra de construção civil, com a finalidade de identificar as fragilidades existentes, priorizar as restrições e desvios mais críticos, e, a partir disso, propor melhorias na gestão do prazo do projeto, utilizando uma abordagem sistemática que integre a percepção dos profissionais com ferramentas de priorização e gestão da qualidade.
2. Material e Métodos
A pesquisa caracterizou-se como aplicada, pois buscou produzir conhecimento voltado à compreensão e ao enfrentamento de um problema concreto relacionado ao planejamento e ao controle do cronograma em contexto organizacional específico. Esse enquadramento mostrou-se coerente com a definição de Gil (2008), segundo a qual a pesquisa aplicada é orientada para a solução de problemas determinados, e com a perspectiva de Vergara (2016), que a compreende como investigação direcionada a finalidades práticas no ambiente das organizações. O estudo buscou oferecer insights aplicáveis à melhoria das práticas de gestão de projetos.
O estudo também assumiu caráter descritivo e exploratório. Foi descritivo porque visou retratar as condições observadas no processo de planejamento e controle do cronograma de uma determinada obra, identificando problemas, restrições e dificuldades operacionais, conforme a concepção de Gil (2008). O caráter exploratório visou ampliar a compreensão sobre o fenômeno investigado no contexto da organização, contribuindo para maior familiaridade com o problema e para o refinamento de interpretações analíticas, em consonância com Vergara (2016).
Quanto à abordagem, a pesquisa combinou elementos quantitativos e qualitativos. O componente quantitativo esteve presente nas respostas fechadas do questionário e na sua posterior organização em categorias de frequência, impacto e prioridade. O componente qualitativo foi empregado na leitura e interpretação das respostas abertas, permitindo captar percepções complementares dos participantes sobre os fatores que afetaram o cronograma. Essa articulação de abordagens mostrou-se compatível com Lakatos e Marconi (2021), que defendem o uso integrado de evidências para melhor compreensão de fenômenos organizacionais.
O estudo foi realizado em uma empresa brasileira do setor de construção civil, infraestrutura e industrial, localizada em São Paulo – SP. A organização possui um quadro de cerca de 5.000 funcionários e atua em diversos estados, com foco em grandes construções e obras de engenharia de infraestrutura e industrial. A pesquisa foi conduzida em março de 2026, período em que os dados foram coletados. O nome da empresa não foi divulgado, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados e à confidencialidade institucional.
A unidade de análise correspondeu ao processo de planejamento e controle do cronograma de uma obra conduzida por essa organização. O foco da investigação recaiu sobre as dificuldades percebidas na programação das atividades, no acompanhamento da execução e na priorização de fatores que comprometeram o prazo do projeto. Essa delimitação permitiu uma análise aprofundada das dinâmicas e desafios na gestão de prazos em ambiente real de construção civil.
Os participantes foram selecionados por conveniência e por relevância funcional, de modo que apenas profissionais com envolvimento direto nas rotinas de planejamento, acompanhamento ou suporte à execução fossem incluídos. Participaram engenheiros de planejamento, engenheiros de obra, coordenadores, gestores de projeto e profissionais das áreas de logística e suprimentos. O critério de inclusão considerou a atuação direta no processo e experiência prática para opinar sobre o planejamento e controle do cronograma.
O critério de exclusão afastou profissionais sem participação efetiva nessas rotinas. Ao final, foram consideradas 28 respostas válidas para a análise. Esse procedimento de seleção intencional de participantes, diretamente relacionados ao fenômeno, favoreceu a consistência analítica da evidência produzida, conforme observado por Lakatos e Marconi (2021) em estudos organizacionais aplicados. A composição da amostra buscou um equilíbrio entre as funções centrais da gestão da obra.
O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado, elaborado especificamente para esta pesquisa e disponibilizado em meio eletrônico por meio do Google Forms. O questionário foi composto por um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, questões de caracterização do respondente, perguntas fechadas de múltipla escolha sobre problemas no planejamento e no controle do cronograma, e itens sobre restrições que afetaram a obra. Incluiu também perguntas para classificar a frequência e o impacto dos problemas sobre o prazo.
Adicionalmente, o questionário continha perguntas abertas, voltadas à identificação de causas e sugestões de melhoria, permitindo captar nuances qualitativas. A estrutura do instrumento atendeu ao princípio de padronização, conforme indicado por Lakatos e Marconi (2021), assegurando que todos os participantes respondessem ao mesmo conjunto de questões, favorecendo comparabilidade, sistematização e replicabilidade dos dados. A escolha do formulário eletrônico justificou-se pela facilidade de distribuição e agilidade na consolidação das respostas.
A coleta de dados foi realizada em março de 2026. Inicialmente, o instrumento foi elaborado e revisado para garantir clareza, coerência e aderência aos objetivos do estudo. Em seguida, o link do questionário foi encaminhado aos profissionais elegíveis, juntamente com breve apresentação da finalidade acadêmica da pesquisa e com a explicitação da confidencialidade das respostas. Na abertura do formulário, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi disponibilizado, e o prosseguimento condicionou-se à concordância do participante.
As respostas foram registradas eletronicamente e posteriormente exportadas para uma planilha, sem identificação nominal dos respondentes nem da organização, garantindo o anonimato. Após a coleta, os dados foram tratados em etapas sequenciais, de modo a permitir a replicabilidade do procedimento. Primeiramente, verificou-se a integridade do banco de respostas, conferindo omissões, duplicidades e consistência lógica entre os campos preenchidos, passo crucial para a qualidade da análise subsequente.
Em seguida, as respostas de caracterização foram organizadas em categorias padronizadas. Na etapa seguinte, as respostas de frequência foram convertidas em escala ordinal de 1 a 5, sendo 1 correspondente a “nunca” e 5 a “sempre”. Posteriormente, as respostas de impacto foram igualmente transformadas em escala ordinal de 1 a 5, sendo 1 para “muito baixo” e 5 para “muito alto”. Essa codificação padronizada permitiu a quantificação das percepções.
Após a codificação, foram calculadas as frequências absolutas e relativas das respostas, bem como as médias de frequência e de impacto para cada problema investigado. Por fim, as respostas abertas foram lidas integralmente, agrupadas por recorrência temática e utilizadas como apoio interpretativo dos resultados quantitativos. Esse encadeamento operacional demonstrou como os dados brutos foram transformados em informação analítica, reforçando o rigor do tratamento metodológico, conforme recomendado por Lakatos e Marconi (2021).
A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva simples e em matriz de priorização. Inicialmente, foram examinadas as distribuições das respostas por cargo e experiência profissional dos participantes. Também foram identificados os principais problemas percebidos no planejamento, as dificuldades de controle e as restrições mais recorrentes que afetaram a execução do cronograma. Essa etapa forneceu um panorama geral das percepções dos profissionais sobre os desafios na gestão de prazos.
Na sequência, foram calculadas, para cada problema central, a média de frequência e a média de impacto. Com esses resultados, construiu-se uma matriz de priorização frequência x impacto. Nesta matriz, o eixo horizontal representou a frequência média de ocorrência do problema e o eixo vertical representou o impacto médio sobre o cronograma. A partir desse cruzamento, os problemas foram classificados em faixas de criticidade, de modo que aqueles com alta frequência e alto impacto fossem considerados prioritários para ação gerencial.
Esse procedimento foi adotado porque permitiu integrar duas dimensões decisórias fundamentais: recorrência e gravidade. A matriz transformou percepções individuais em um instrumento analítico robusto de apoio à tomada de decisão. A Matriz de Priorização consiste em uma ferramenta estruturada que ordena problemas, causas ou alternativas com base em critérios definidos, como impacto e frequência, orientando a alocação de recursos e esforços para os itens de maior relevância. Sua lógica baseou-se na atribuição de valores quantitativos ou qualitativos a cada critério.
Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados durante toda a pesquisa. A confidencialidade das respostas e o anonimato dos participantes foram garantidos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Resolução CNS nº 510/2016. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi apresentado a todos os participantes antes da coleta de dados, assegurando participação voluntária e a possibilidade de interrupção a qualquer momento, sem prejuízo.
3. Resultados e Discussão
A presente seção tem como objetivo apresentar e discutir os resultados obtidos a partir da análise do processo de planejamento e controle de prazos em obras da construção civil, conforme delineado na metodologia. Inicialmente, é detalhado o mapeamento do processo, seguido da identificação dos principais problemas e, na sequência, da análise dos dados coletados por meio da pesquisa de levantamento, culminando na construção de um diagnóstico integrado e na priorização dos fatores críticos.
Como etapa inicial e fundamental para a construção do diagnóstico, foi realizado o mapeamento completo do processo de planejamento e controle do cronograma de obras. Este mapeamento permitiu uma compreensão estruturada de todas as atividades envolvidas, desde a fase inicial de planejamento da obra, passando pela programação das atividades, alocação de recursos, contratação de fornecedores, execução dos serviços e acompanhamento do cronograma, até as etapas de controle e replanejamento. A identificação dos principais agentes envolvidos, como engenheiros, mestres de obras, equipe de suprimentos e fornecedores externos, revelou a complexidade das interações e a multiplicidade de pontos de decisão e dependência.
Figura 1. Mapeamento do Processo de Planejamento e Controle de Obras
Fonte: Elaborado pelo autor (2026)
A representação visual do processo, conforme apresentada na Figura 1, evidenciou a natureza iterativa e interconectada das fases, sublinhando que falhas em uma etapa podem reverberar em todo o ciclo de vida do projeto. Este achado corrobora a visão de Purushothaman, San Pedro e GhaffarianHoseini (2024), que discutem os atrasos em projetos de construção como fenômenos multifatoriais e interdependentes, onde a combinação de causas amplifica os impactos. O mapeamento permitiu identificar, de forma estruturada, os principais problemas, falhas e gargalos operacionais que impactam diretamente o cumprimento dos prazos das obras, como atrasos na entrega de materiais, falhas no desempenho de fornecedores, ocorrência de retrabalho e ruídos na comunicação entre as equipes.
A análise do mapeamento revelou que a gestão do cronograma em obras de construção civil não se restringe à mera elaboração de um plano inicial, mas exige uma capacidade contínua de adaptação e resposta a restrições. A literatura, como a do Project Management Institute [PMI] (2024), reforça que o futuro do trabalho em projetos demanda abordagens mais flexíveis e orientadas ao contexto, sem, contudo, negligenciar a disciplina gerencial e o controle do desempenho. A identificação de limitações nos processos de controle, muitas vezes caracterizados por baixa padronização e utilização insuficiente de ferramentas de acompanhamento, dificultou a identificação precoce de desvios, o que, por sua vez, comprometeu a capacidade de resposta e a eficácia das ações corretivas.
Dessa forma, os problemas deixam de ser compreendidos como eventos isolados e passam a ser analisados dentro de uma lógica sistêmica, evidenciando suas causas, interdependências e impactos acumulativos ao longo do processo construtivo. A compreensão dessa interconexão é crucial para o desenvolvimento de estratégias de melhoria que abordem as raízes dos problemas, e não apenas seus sintomas. Por exemplo, um atraso na entrega de materiais (um problema de suprimentos) pode levar a retrabalho (um problema de execução) se as equipes tentarem avançar sem os insumos corretos, ou a falhas de comunicação se a informação sobre o atraso não for disseminada de forma eficaz.
Na sequência, foram analisados os dados obtidos por meio da pesquisa de levantamento aplicada aos profissionais envolvidos no processo, incluindo engenheiros, técnicos e demais colaboradores da obra. A coleta de dados com 28 respostas válidas, conforme descrito na metodologia, permitiu uma análise robusta das percepções dos participantes. A composição da amostra indicou participação equilibrada entre funções centrais da gestão da obra, o que é fundamental para a validade dos resultados, pois integra diferentes perspectivas sobre o processo.
Tabela 1. Distribuição de cargos e tempo de experiência dos participantes
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Categoria |
Descrição |
Percentual (%) |
|
Cargo |
Engenheiro de Planejamento |
25,00% |
|
Engenheiro de Obra |
25,00% | |
|
Supervisor |
25,00% | |
|
Gestor de Projeto |
14,30% | |
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Logística |
10,70% | |
|
Tempo de Experiência |
3 a 5 anos |
28,60% |
|
6 a 10 anos |
46,40% | |
|
Acima de 10 anos |
25,00% |
Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026)
Conforme apresentado na Tabela 1, engenheiros de planejamento, engenheiros de obra e supervisores representaram, cada um, 25,0% da amostra, totalizando 75% dos respondentes. Gestores de projeto corresponderam a 14,3% e profissionais de logística a 10,7%. Essa distribuição reflete uma amostra representativa dos principais atores envolvidos diretamente no planejamento, execução e controle do cronograma, conferindo credibilidade às percepções coletadas. Em termos de experiência, predominou a faixa de 6 a 10 anos de atuação no setor, com 46,4% dos respondentes, seguida da faixa de 3 a 5 anos, com 28,6%, e da faixa superior a 10 anos, com 25,0%. Esse perfil revelou uma base de respondentes com vivência prática suficiente para avaliar o processo investigado, o que é crucial em estudos aplicados, como defendem Lakatos e Marconi (2021).
Figura 2. Distribuição dos participantes por cargo
Fonte: Dados da pesquisa (2026)
A distribuição dos participantes por cargo, sintetizada na Figura 2, reforça o equilíbrio entre as funções mais diretamente relacionadas ao planejamento, ao acompanhamento e à coordenação da execução. A presença de profissionais de diferentes níveis e áreas funcionais permitiu uma visão multifacetada dos desafios, evitando vieses que poderiam surgir de uma amostra homogênea. Essa diversidade de perspectivas é valiosa para identificar problemas que atravessam as fronteiras departamentais e que, muitas vezes, são negligenciados em análises setoriais isoladas. A experiência acumulada dos participantes também é um fator relevante, pois profissionais com mais tempo de atuação tendem a ter uma compreensão mais profunda das causas e efeitos dos problemas no cronograma, bem como das interdependências entre as atividades e os recursos.
No planejamento do cronograma, o problema mais citado foi o sequenciamento inadequado das atividades, com 25,0% das menções, seguido da integração falha entre áreas, com 21,4%. Esses resultados são consistentes com a literatura que aponta a complexidade da coordenação em projetos de construção civil, onde a interdependência entre tarefas e equipes é alta (PMI, 2024). Um sequenciamento inadequado pode gerar gargalos, ociosidade de recursos e, consequentemente, atrasos em cascata, impactando diretamente a eficiência e o custo do projeto. A falta de uma sequência lógica e otimizada das atividades pode levar a retrabalhos e a um uso ineficiente da mão de obra e dos equipamentos, elevando os custos operacionais e comprometendo a margem de lucro da obra.
Figura 3. Principais problemas percebidos no planejamento do cronograma
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Conforme a Figura 3, também apareceram, com a mesma participação de 17,9%, a falta de detalhamento das atividades, o planejamento irrealista e a não consideração adequada das restrições. Esses resultados sugerem que as fragilidades do planejamento envolveram tanto a lógica de encadeamento das tarefas quanto a aderência do cronograma às condições reais de execução. Um planejamento irrealista, por exemplo, pode ser resultado de pressões por prazos agressivos ou de uma subestimação da complexidade das tarefas, levando a um cronograma que é inviável desde o início. A não consideração de restrições, como a disponibilidade de recursos ou as condições climáticas, é um erro comum que pode ser mitigado com uma análise mais aprofundada e a utilização de ferramentas de gestão de riscos.
A falta de detalhamento das atividades, por sua vez, dificulta o acompanhamento preciso do progresso e a identificação de desvios em estágios iniciais. Abdela, Mengistu e Adugna (2024) destacam que a confiabilidade do cronograma e a atualização precisa são elementos cruciais para a análise de atrasos e a qualidade do controle. Quando as atividades não são detalhadas o suficiente, torna-se difícil para as equipes de campo entenderem exatamente o escopo de trabalho, resultando em interpretações diversas e, potencialmente, em retrabalho. Isso também compromete a capacidade de medir o avanço físico de forma precisa, mascarando problemas e dificultando a tomada de decisões corretivas.
A integração falha entre áreas, com 21,4% das menções, é um problema organizacional que transcende a esfera técnica do planejamento. Ela reflete a dificuldade de coordenação entre departamentos como planejamento, execução, suprimentos e logística, o que é um desafio recorrente em grandes projetos de construção (Purushothaman, San Pedro e GhaffarianHoseini, 2024). A ausência de canais de comunicação eficazes e de processos integrados pode levar a informações desencontradas, decisões desalinhadas e, em última instância, a atrasos no cronograma. A melhoria da integração exige não apenas ferramentas, mas também uma cultura organizacional que valorize a colaboração e o compartilhamento de informações.
Quanto ao controle do cronograma, a identificação de desvios foi o aspecto mais recorrente, representando 32,1% das respostas. Em seguida, apareceram a falta de atualização do cronograma e a medição imprecisa do avanço físico, ambas com 21,4%, além da falta de ações corretivas, com 17,9%. Esses achados, apresentados na Figura 4, indicaram limitações relevantes na capacidade de monitorar a execução e reagir tempestivamente aos atrasos. A dificuldade em identificar desvios precocemente é um sintoma de um sistema de controle ineficaz, que não consegue fornecer informações em tempo hábil para a tomada de decisão.
Figura 4. Principais dificuldades no controle do cronograma
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A falta de atualização do cronograma e a medição imprecisa do avanço físico, conforme a Figura 4, são problemas interligados que comprometem a confiabilidade dos dados de progresso. Kuinkel et al. (2024) mostram que conflitos nas atualizações do cronograma comprometem a rastreabilidade do progresso real e favorecem inconsistências entre o planejado e o executado. Se o cronograma não é atualizado regularmente com dados precisos do campo, ele perde sua utilidade como ferramenta de gestão, tornando-se um mero registro formal. A medição imprecisa, por sua vez, pode levar a uma falsa sensação de controle, onde os problemas reais são mascarados por dados otimistas ou incorretos.
Em menor intensidade, registraram-se problemas relacionados à descentralização ou insuficiência das informações, com 7,1%. Embora menos frequentes, esses problemas são críticos, pois a falta de informações centralizadas e acessíveis impede uma visão holística do projeto e dificulta a coordenação entre as equipes. A descentralização das informações pode levar a silos de conhecimento, onde cada área possui sua própria versão da realidade do projeto, dificultando a resolução de conflitos e a tomada de decisões baseadas em dados consistentes. A implementação de sistemas de informação integrados e a padronização dos fluxos de dados são essenciais para mitigar esses desafios.
As restrições associadas a materiais constituíram a principal categoria de impacto sobre o cronograma, totalizando 35,7% das respostas quando consideradas conjuntamente as menções a materiais e falta de materiais. Esse dado reforça a importância da cadeia de suprimentos na construção civil, um setor onde a logística e a disponibilidade de insumos são fatores críticos para o sucesso do projeto. Ding e Jie (2025) argumentam que as incertezas na cadeia de suprimentos se tornaram especialmente críticas para a performance dos projetos de construção, afetando atrasos, custos e estabilidade operacional. A dependência de fornecedores externos e a complexidade da logística de materiais em obras de grande porte tornam essa categoria de restrição particularmente desafiadora.
Figura 5. Restrições que impactaram o cronograma da obra
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Em seguida, conforme a Figura 5, destacaram-se a interferência entre frentes de trabalho, com 17,9%, e as categorias mão de obra, logística e acesso, cada uma com 14,3%. As condições climáticas foram mencionadas por 3,6% dos respondentes. A interferência entre frentes de trabalho é um problema comum em obras complexas, onde múltiplas equipes atuam simultaneamente em espaços limitados. Essa interferência pode levar a conflitos de prioridade, retrabalho e atrasos, exigindo uma coordenação rigorosa e um planejamento detalhado para mitigar seus efeitos. A falta de mão de obra qualificada ou a alocação inadequada de equipes também pode impactar significativamente o cronograma, especialmente em um mercado de trabalho com escassez de profissionais especializados.
Os problemas logísticos e de acesso, embora com menor percentual de menções individualmente, são intrínsesecamente ligados à questão dos materiais e fornecedores. AlTalhoni et al. (2025) demonstram que a cadeia de suprimentos da construção é altamente sensível a interrupções de transporte e disponibilidade de materiais. A dificuldade de acesso ao canteiro de obras, por exemplo, pode atrasar a entrega de materiais, impactando diretamente o cronograma. A gestão eficaz dessas restrições exige não apenas um planejamento logístico robusto, mas também uma comunicação proativa com fornecedores e equipes de campo para antecipar e resolver problemas.
A análise das médias de frequência e impacto, apresentada na Tabela 2, mostrou que o atraso de fornecedores apresentou os maiores valores em ambas as dimensões, com média de 4,29 em escala de 1 a 5. Isso o posiciona como o problema de maior criticidade, com um índice de 18,37, classificado como “Muito alta”. Este resultado é alarmante, pois indica que os atrasos causados por fornecedores são frequentes e têm um impacto severo no cronograma da obra. A dependência de terceiros para a entrega de insumos e serviços essenciais expõe o projeto a riscos externos que precisam ser gerenciados de forma proativa.
Tabela 2. Médias de frequência, impacto e criticidade dos principais problemas
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Problema |
Frequência média |
Impacto médio |
Índice de criticidade |
Classificação |
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Atraso de fornecedores |
4.29 |
4.29 |
18.37 |
Muito alta |
|
Falta de materiais |
4.07 |
4.07 |
16.58 |
Muito alta |
|
Problemas de comunicação |
3.71 |
3.68 |
13.66 |
Alta |
|
Retrabalho |
3.54 |
3.54 |
12.50 |
Moderada |
Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026)
Na sequência, a falta de materiais também se destacou, com médias de 4,07 para frequência e 4,07 para impacto, resultando em um índice de criticidade de 16,58, igualmente classificado como “Muito alta”. A convergência entre alta frequência e alto impacto para atraso de fornecedores e falta de materiais, conforme a Tabela 2, sublinha a centralidade da cadeia de suprimentos e do abastecimento da obra para o desempenho do cronograma. Esses dois problemas são frequentemente interligados, pois o atraso de fornecedores é uma causa direta da falta de materiais. A gestão ineficaz da cadeia de suprimentos pode levar a um efeito dominó, onde a falta de um item essencial paralisa múltiplas atividades, gerando atrasos significativos e custos adicionais.
Os problemas de comunicação, com médias de 3,71 de frequência e 3,68 de impacto, apresentaram um índice de criticidade de 13,66, sendo classificados como “Alta”. Embora ligeiramente inferiores aos problemas de suprimentos, a comunicação ineficaz é um fator interno que pode exacerbar outros problemas. Falhas na comunicação entre equipes, entre planejamento e execução, ou entre a obra e os fornecedores, podem levar a mal-entendidos, decisões equivocadas e retrabalho. O PMI (2025) destaca que profissionais com maior capacidade de compreender o negócio e medir desempenho de forma mais ampla tendem a apresentar melhores resultados, o que sugere que o controle do cronograma deve ser tratado como parte de uma lógica gerencial mais integrada, e a comunicação é um pilar dessa integração.
O retrabalho, com médias de 3,54 para frequência e impacto, obteve um índice de criticidade de 12,50, sendo classificado como “Moderada”. O retrabalho é um indicador direto de ineficiência e falhas na execução, frequentemente associado a erros de projeto, má qualidade da mão de obra ou falta de supervisão adequada. Além de consumir tempo e recursos adicionais, o retrabalho pode desmotivar as equipes e comprometer a qualidade final da obra. A ocorrência de retrabalho está frequentemente associada à falta de alinhamento entre planejamento e execução, à ausência de detalhamento adequado e à baixa qualidade das informações disponíveis no canteiro, fatores que comprometem a produtividade e ampliam o tempo de execução das atividades.
Quando os respondentes foram solicitados a indicar os principais problemas prioritários, o retrabalho e o atraso de fornecedores apareceram com 19 menções cada, seguidos dos problemas de comunicação, com 17 menções, e da falta de materiais, com 13. Em menor intensidade, foram citados planejamento inadequado (6 menções), interferência entre equipes (5 menções), problemas logísticos (3 menções) e mão de obra (2 menções). A Figura 6 apresenta a consolidação dessas escolhas, evidenciando uma percepção alinhada com os dados quantitativos de frequência e impacto, especialmente para os problemas de suprimentos e retrabalho.
Figura 6. Problemas priorizados pelos respondentes
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A matriz de priorização frequência x impacto, apresentada na Figura 7, sintetizou o posicionamento dos quatro problemas centrais. O atraso de fornecedores ocupou o quadrante de alta frequência e alto impacto com o maior nível de criticidade, confirmando sua posição como o fator mais crítico para o desempenho do cronograma. Este achado reforça a necessidade urgente de desenvolver estratégias robustas de gestão de fornecedores, incluindo a qualificação de parceiros, a negociação de contratos com cláusulas de penalidade por atraso e a implementação de sistemas de monitoramento em tempo real da cadeia de suprimentos. A visibilidade e a colaboração na cadeia de suprimentos são essenciais para mitigar riscos, conforme apontado por Ding e Jie (2025).
Figura 7. Matriz de priorização frequência x impacto
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A falta de materiais também permaneceu nesse mesmo quadrante de alta frequência e alto impacto, confirmando seu papel estratégico para a gestão do prazo. Isso sugere que a empresa deve investir em um planejamento de suprimentos mais eficaz, com previsões de demanda mais precisas, gestão de estoques otimizada e um sistema de comunicação eficiente com as equipes de campo para antecipar as necessidades de materiais. A implementação de tecnologias como o 4D BIM, que integra o cronograma com o modelo 3D da obra, pode melhorar a visualização e a coordenação de materiais, como sugerido por Rehman, Mazher e Wuni (2025).
Já os problemas de comunicação e o retrabalho foram classificados em faixa intermediária a alta, pois, embora tenham apresentado médias inferiores às dos dois primeiros fatores, mantiveram valores elevados o suficiente para demandar atenção gerencial. A comunicação eficaz é a espinha dorsal de qualquer projeto bem-sucedido. A implementação de reuniões diárias de coordenação, o uso de plataformas de comunicação colaborativas e a padronização de relatórios podem melhorar significativamente o fluxo de informações. Para o retrabalho, a ênfase deve ser na melhoria da qualidade do planejamento e da execução, com treinamentos contínuos para as equipes, revisões de projeto mais rigorosas e a implementação de listas de verificação (checklists) para garantir a conformidade com os padrões de qualidade.
Com base na integração entre o mapeamento do processo e os dados da pesquisa de levantamento, foi possível construir um diagnóstico do sistema de planejamento e controle de prazos na obra analisada. O diagnóstico evidencia que os principais problemas estão concentrados na interface entre planejamento, suprimentos e execução, destacando-se a falta de integração entre essas áreas como um dos fatores críticos. A ausência de mecanismos eficazes de controle e atualização do cronograma contribui para a propagação de atrasos ao longo do processo, criando um ciclo vicioso de desvios e replanejamentos constantes.
Observa-se que falhas em etapas iniciais, como planejamento inadequado ou atrasos na aquisição de materiais, tendem a gerar impactos significativos nas etapas subsequentes, resultando em efeito cascata sobre o cronograma da obra. Essa interdependência de problemas é um achado crucial, pois demonstra que a solução não reside em ações isoladas, mas em uma abordagem sistêmica que contemple a melhoria da comunicação, da integração e dos processos de gestão de riscos. A literatura sobre gestão de projetos, como a do PMI (2021), enfatiza a importância de uma visão integrada para o sucesso do projeto.
Dessa forma, o diagnóstico não apenas identifica os principais pontos críticos, mas também fornece uma base estruturada para a priorização de ações de melhoria, subsidiando a elaboração de um plano de ação voltado à redução de atrasos, melhoria da comunicação e aumento da eficiência do processo construtivo. A utilização de ferramentas como a matriz de priorização frequência x impacto, conforme a Figura 7, permite transformar percepções subjetivas em dados quantificáveis, facilitando a tomada de decisão e a alocação de recursos para os problemas de maior relevância.
Os resultados obtidos evidenciaram que o desempenho do cronograma da obra esteve diretamente associado a fatores interdependentes, com destaque para restrições relacionadas a suprimentos, atrasos de fornecedores, retrabalho e falhas de comunicação entre equipes. Esses achados indicam que os atrasos em projetos não decorrem de causas isoladas, mas da interação entre múltiplos fatores técnicos, organizacionais e externos. Nesse sentido, a predominância de problemas associados à falta de materiais e ao atraso de fornecedores reforça a relevância da cadeia de suprimentos como elemento crítico para o cumprimento dos prazos, alinhando-se com as preocupações levantadas por Ding e Jie (2025) e AlTalhoni et al. (2025).
A análise da frequência e do impacto demonstrou que os problemas relacionados a fornecedores e materiais apresentaram simultaneamente alta recorrência e elevado impacto sobre o cronograma, posicionando-se como os fatores mais críticos na matriz de priorização. Esse resultado evidencia que incertezas logísticas, atrasos na entrega de insumos e baixa visibilidade sobre a cadeia de suprimentos comprometem diretamente a confiabilidade do planejamento e aumentam a probabilidade de desvios de prazo. Dessa forma, reforça-se a necessidade de uma abordagem mais integrada entre planejamento e suprimentos, de modo a antecipar restrições e reduzir a exposição do cronograma a falhas externas. Isso implica em fortalecer os relacionamentos com fornecedores, implementar contratos mais robustos com indicadores de desempenho e penalidades, e explorar a diversificação de fornecedores para reduzir a dependência de um único ponto de falha.
Além dos fatores externos, os resultados também evidenciaram a relevância de problemas internos à execução, como o retrabalho e as falhas de comunicação entre equipes. Embora esses fatores tenham apresentado níveis ligeiramente inferiores aos problemas de suprimentos, sua posição na matriz indicou criticidade intermediária a alta, sugerindo impacto significativo na eficiência operacional. A ocorrência de retrabalho, por sua vez, está frequentemente associada à falta de alinhamento entre planejamento e execução, à ausência de detalhamento adequado e à baixa qualidade das informações disponíveis no canteiro, fatores que comprometem a produtividade e ampliam o tempo de execução das atividades. Para mitigar o retrabalho, é fundamental investir em treinamento contínuo para as equipes, padronização de processos de execução e um sistema de controle de qualidade mais rigoroso, que inclua inspeções frequentes e feedback construtivo.
Outro aspecto relevante identificado foi a dificuldade dos participantes em identificar e tratar desvios de forma tempestiva, associada a problemas na atualização do cronograma e na medição do avanço físico. Quando essas condições não são atendidas, o cronograma perde sua função como instrumento de apoio à decisão, tornando-se apenas um registro formal com baixa utilidade gerencial. Nesse sentido, os resultados reforçam a importância de sistemas de controle mais estruturados, capazes de fornecer informações confiáveis, atualizadas e oportunas para a tomada de decisão. A implementação de tecnologias de monitoramento em tempo real, como drones e sensores, e a adoção de metodologias ágeis de acompanhamento podem revolucionar a forma como os desvios são identificados e tratados, permitindo respostas mais rápidas e eficazes.
A utilização da matriz de priorização frequência x impacto mostrou-se uma ferramenta eficaz para sintetizar as percepções dos participantes e identificar os fatores mais críticos para o desempenho do cronograma. Ao integrar duas dimensões fundamentais, recorrência e gravidade, a matriz permitiu transformar dados subjetivos em um instrumento analítico de apoio à gestão, facilitando a identificação de prioridades e a alocação de esforços gerenciais. Essa abordagem sistemática é crucial para otimizar a aplicação de recursos limitados, direcionando-os para os problemas que geram o maior impacto negativo no projeto. A matriz, conforme a Figura 7, oferece uma visualização clara das áreas que demandam atenção imediata e daquelas que, embora presentes, têm um impacto menor.
Ademais, os resultados evidenciaram que as fragilidades do planejamento não se limitaram à etapa inicial de elaboração do cronograma, mas também se manifestaram ao longo da execução, especialmente na dificuldade de integrar informações entre áreas e de reagir a mudanças. Nesse contexto, a ausência de integração entre planejamento, suprimentos e execução tende a reduzir a eficácia do controle e aumentar a probabilidade de atrasos. A melhoria do desempenho do cronograma depende de uma abordagem sistêmica, que considere não apenas aspectos técnicos, mas também fatores organizacionais e operacionais.
Por fim, as respostas abertas reforçaram os resultados quantitativos ao destacar a necessidade de melhorias no detalhamento do planejamento, no controle de materiais críticos, na gestão de fornecedores e na comunicação entre equipes. Essas evidências sugerem que a melhoria do desempenho do cronograma depende de uma abordagem sistêmica, que considere não apenas aspectos técnicos, mas também fatores organizacionais e operacionais. Assim, os resultados deste estudo indicam que intervenções voltadas à integração entre áreas, ao fortalecimento da gestão de suprimentos e à melhoria dos mecanismos de controle podem contribuir significativamente para a redução de atrasos e para o aumento da confiabilidade do planejamento em projetos de construção. A adoção de uma cultura de melhoria contínua, com ciclos PDCA (Plan, Do, Check, Act) aplicados aos problemas priorizados, pode institucionalizar a busca por eficiência e resiliência no gerenciamento de cronogramas.
4. Conclusão
Conclui-se que o objetivo foi atingido ao analisar o processo de planejamento e controle do cronograma em uma obra de construção civil, identificando fragilidades, priorizando restrições e desvios, e propondo melhorias na gestão do prazo. Por meio do mapeamento do processo, da pesquisa de levantamento e da matriz de priorização frequência x impacto, foi possível diagnosticar que os atrasos de fornecedores e a falta de materiais são os fatores mais críticos, combinando alta recorrência e impacto severo. Adicionalmente, problemas internos como retrabalho e falhas de comunicação entre equipes também se mostraram relevantes, evidenciando a natureza multifatorial e interdependente dos desvios de cronograma. A abordagem sistemática empregada permitiu transformar percepções em dados quantificáveis, fornecendo uma base sólida para a tomada de decisão e o direcionamento de ações de melhoria.
Contudo, este estudo possui limitações inerentes à sua natureza de estudo de caso único, com uma amostra específica de 28 profissionais de uma única empresa, o que restringe a generalização dos resultados. As percepções coletadas, embora valiosas, representam um recorte temporal e contextual. Para estudos futuros, sugere-se a aplicação das melhorias propostas, como o ciclo PDCA e a matriz de priorização, em diferentes projetos e organizações, para validar sua eficácia e adaptabilidade. Recomenda-se também a ampliação da amostra, a integração de indicadores operacionais e financeiros para uma avaliação mais abrangente dos impactos, e a exploração do potencial de tecnologias digitais, como o 4D BIM, para fortalecer a gestão de cronogramas e a resiliência da cadeia de suprimentos.
Referências Bibliográficas
Abdela, S.A.; Mengistu, D.G.; Adugna, D.A. 2024. Impact of Construction Scheduling Practice on Delay Claim Analysis. Journal of Legal Affairs and Dispute Resolution in Engineering and Construction 16(4).
Ding, M.J.; Jie, F. 2025. Mitigating the Supply Chain Uncertainties and Risks in Construction Projects. Cleaner Logistics and Supply Chain 16: 100237.
Lakatos, E.M.; Marconi, M.A. 2021. Fundamentos de Metodologia Científica. 9ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Project Management Institute [PMI]. 2021. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (PMBOK Guide). 7ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.
Purushothaman, M.B.; San Pedro, L.N.R.; GhaffarianHoseini, A. 2024. Construction Projects: Interactions of the Causes of Delays. Smart and Sustainable Built Environment 15(2): 439-471.
Rehman, I.U.; Mazher, K.M.; Wuni, I.Y. 2025. Systematic Review of 4D BIM Benefits in Construction Projects. Results in Engineering.
Vergara, S.C. 2016. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 16ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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