Artigo

23 de julho de 2026

Planejamento do gerenciamento de “stakeholders” e comunicações para processo seletivo docente em instituição de ensino

Carlos Roberto dos Reis; Nadia Valério Possignolo Vitti

DOI: 10.22167/2675-6528-202600654

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O processo de contratação docente exerce papel estratégico em instituições de ensino, influenciando a qualidade pedagógica e o alcance dos objetivos educacionais. O presente estudo descreveu o planejamento do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações aplicado ao processo de seleção de docentes em uma instituição de ensino. Realizou-se uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, por meio de estudo de caso, baseada em análise documental, literatura especializada e validação por painel de especialistas. Foram utilizadas matrizes de poder e interesse, poder e influência, influência e impacto, além da avaliação do nível de engajamento e da elaboração da matriz de comunicação. Os resultados evidenciaram maior concentração de poder, influência e impacto entre os stakeholders internos, como direção escolar e coordenação pedagógica, configurando-os como atores centrais no processo decisório. Observou-se a necessidade de elevação do nível de engajamento de atores técnico-pedagógicos, inicialmente neutros, para níveis de apoio ou liderança. A matriz de comunicação mostrou-se alinhada às necessidades identificadas, priorizando fluxos informacionais para os grupos estratégicos. Concluiu-se que a aplicação sistematizada das ferramentas de gerenciamento de projetos pode contribuir para maior organização, transparência e alinhamento institucional no planejamento do processo seletivo docente, ampliando a discussão sobre seu uso na gestão educacional.

Palavras-chave: Comunicação em projetos; Gestão de projetos; Instituições de ensino; Partes interessadas; Seleção docente.

1. Introdução

O processo de contratação de docentes exerce um papel estratégico fundamental nas instituições de ensino, pois impacta diretamente a qualidade da formação acadêmica dos estudantes, a reputação institucional e a efetividade no alcance das metas educacionais. Mais do que se limitar à análise de títulos e experiências, é essencial identificar profissionais que possuam competências técnicas, comunicacionais e comportamentais alinhadas às práticas pedagógicas inovadoras e à missão da instituição. Nesse sentido, abordar a contratação docente como um projeto estruturado, orientado por boas práticas de gerenciamento, contribui para escolhas mais assertivas e alinhadas aos objetivos institucionais (PMI, 2017).

A avaliação de talentos, conforme Buckingham e Coffman (2002), deve considerar três dimensões essenciais: esforço, pensamento e relacionamento. O esforço refere-se à motivação e dedicação do docente, manifestada na qualidade das aulas e na persistência diante de desafios. O pensamento envolve a capacidade de analisar situações, organizar ideias e propor soluções criativas, promovendo a inovação pedagógica e a adaptação a cenários complexos. Já o relacionamento diz respeito à habilidade de construir vínculos sólidos com estudantes, colegas e gestores, fortalecendo a colaboração e o clima organizacional. A valorização dessas dimensões amplia a probabilidade de formar um corpo docente capaz de contribuir efetivamente para os objetivos educacionais, elevando a eficácia da instituição no cumprimento de suas metas educacionais.

A problemática que motiva este estudo decorre do fato de que muitas instituições ainda conduzem processos seletivos de forma fragmentada, pautando-se apenas em currículos e entrevistas superficiais. Essa abordagem pode resultar em contratações desalinhadas à cultura escolar e às demandas pedagógicas de longo prazo, comprometendo a qualidade do ensino. Essa lacuna na gestão de pessoas, especificamente na seleção docente, evidencia a necessidade de abordagens mais sistemáticas e fundamentadas.

Justifica-se, portanto, a necessidade de incorporar práticas mais estruturadas de contratação docente, integrando as boas práticas de gerenciamento de projetos aos critérios de avaliação de talentos, assegurando maior consistência e precisão nas escolhas. O gerenciamento de projetos, conforme o Guia “Project Management Body of Knowledge” [PMBOK] (PMI, 2017), pode contribuir significativamente na aplicação de práticas mais estruturadas para conduzir o processo seletivo de contratação de docentes, seguindo os princípios da gestão de projetos.

O Guia PMBOK (PMI, 2017) destaca a importância do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações. O gerenciamento das partes interessadas consiste em identificar todos os atores que influenciam ou são impactados pelo projeto, compreendendo suas expectativas, necessidades e possíveis resistências. No contexto da contratação docente, isso implica mapear docentes atuais, candidatos, estudantes, analistas técnico-educacionais, orientadores educacionais, responsáveis pelos estudantes e a gestão escolar, garantindo que cada grupo tenha suas demandas consideradas. Essa prática possibilita alinhar percepções, antecipar conflitos e facilitar a implementação de mudanças. O gerenciamento das comunicações, por sua vez, refere-se ao planejamento, coleta, distribuição e monitoramento das informações necessárias ao bom andamento do projeto. Elaborar um plano de comunicações pode assegurar que informações essenciais, como critérios de seleção, cronogramas e resultados, sejam transmitidas de forma clara, acessível e oportuna a todos os envolvidos, promovendo transparência e alinhamento.

A motivação central deste trabalho reside na busca pela profissionalização da gestão educacional, visando à valorização do corpo docente e à melhoria da qualidade do ensino. Ao integrar conceitos de gestão de pessoas, avaliação de talentos e práticas de gerenciamento de projetos, este estudo propõe uma abordagem inovadora para processos seletivos mais eficientes e sistematizados, com impacto positivo na formação dos estudantes e na eficácia institucional. Considerando o exposto, o objetivo do presente estudo foi descrever o planejamento do gerenciamento dos “stakeholders” e comunicações para projeto de contratação de docentes em instituição de ensino.

2. Material e Métodos

O presente estudo, com o objetivo de descrever o planejamento do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações para um projeto de contratação de docentes, foi delineado como uma pesquisa descritiva de abordagem qualitativa, utilizando o estudo de caso. A pesquisa descritiva buscou caracterizar e analisar fenômenos por meio de observação, pesquisa documental e interpretação de informações, sem interferência direta do pesquisador (Campos, 2008; Gil, 2010). A abordagem qualitativa permitiu aprofundar a compreensão das perspectivas de indivíduos e grupos sobre os fenômenos, explorando experiências e significados atribuídos à realidade (Sampieri et al., 2013), com base em observação e análise documental (Gil, 2002; Marconi & Lakatos, 2017). O estudo de caso possibilitou a investigação dos fenômenos em seu contexto real (Gil, 2017; Yin, 2015).

A pesquisa foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada em São José do Rio Preto, São Paulo. Fundada em 1978, a instituição possui quarenta e sete anos de atuação e atende a 1.234 estudantes nas modalidades de educação infantil, ensino fundamental e médio. O objeto empírico foi um projeto fictício de contratação e seleção de docentes, utilizado para aplicar as boas práticas de gerenciamento de projetos.

A metodologia concentrou-se nos grupos de processos de iniciação e planejamento do Guia PMBOK (PMI, 2017), com ênfase no gerenciamento das partes interessadas e das comunicações. Na fase de iniciação, elaborou-se o Termo de Abertura do Projeto [TAP], que delimitou conceitualmente o escopo, estabelecendo objetivos, finalidade e premissas. O gerenciamento do escopo consistiu em definir os limites das entregas e o que seria realizado, utilizando a Declaração de Escopo do Projeto e a Estrutura Analítica do Projeto [EAP] para detalhar e organizar as etapas (PMI, 2017).

A identificação e avaliação das partes interessadas foram conduzidas por meio de pesquisa documental e bibliográfica, incluindo relatórios institucionais e publicações científicas. Para a categorização dos “stakeholders”, aplicaram-se as matrizes de poder e interesse, poder e influência, e influência e impacto, conforme o Guia PMBOK (PMI, 2013). Atribuíram-se “scores” de zero a dez para mensurar o poder, interesse, impacto e influência de cada parte interessada.

Para a validação das informações e critérios de seleção, organizou-se um painel de sete especialistas com experiência na área educacional e em gestão de pessoas e processos. Este painel incluiu gestores escolares com atuação em seleção e desenvolvimento de docentes. A participação dos especialistas ocorreu de forma presencial, e todos assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido [TCLE], conforme modelo no Apêndice.

Em observância à Resolução do Conselho Nacional de Saúde [CNS] n° 510, de 2016, o estudo não foi submetido à avaliação por Comitê de Ética em Pesquisa. A pesquisa utilizou uma ferramenta de opinião especializada em formato de painel, com participação remota, e não registrou dados que pudessem identificar os participantes, nem empregou questionários ou entrevistas para coleta de informações (Brasil, 2016).

A avaliação do nível de engajamento das partes interessadas foi realizada por meio de uma matriz específica, que classificou indivíduos ou grupos conforme seu nível atual e desejado de envolvimento. Essa ferramenta permitiu analisar a posição dos “stakeholders” em relação ao projeto, subsidiando a definição de estratégias para aproximar o engajamento real do esperado (PMI, 2017). Análise documental e observação técnica foram empregadas em caráter conceitual como métodos complementares.

O planejamento do gerenciamento das comunicações foi estruturado para assegurar que as informações do projeto fossem produzidas, organizadas, distribuídas e armazenadas de forma clara e eficiente (PMI, 2017). A ferramenta central utilizada foi a matriz de comunicações, que permitiu mapear os fluxos de informação, definindo como, quando e para quem cada mensagem seria transmitida. Essa matriz estabeleceu padrões e responsabilidades, visando à transparência e rastreabilidade das informações essenciais ao processo seletivo.

3. Resultados e Discussão

A presente pesquisa descreveu o planejamento do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações para o processo de contratação de docentes em uma instituição de ensino, aplicando as boas práticas do Guia PMBOK. Os resultados iniciais evidenciaram a complexidade inerente à identificação e categorização dos diversos atores envolvidos, tanto interna quanto externamente, no projeto. Esse mapeamento detalhado permitiu uma compreensão aprofundada de suas expectativas, interesses e atribuições, servindo como alicerce para as análises subsequentes e para a definição de estratégias de engajamento e comunicação mais eficazes. A abordagem sistemática adotada contribuiu para a estruturação de um processo seletivo mais transparente e alinhado aos objetivos institucionais.

A identificação das partes interessadas revelou um conjunto diversificado de atores, cada qual com papéis e expectativas específicas. Entre os “stakeholders” internos, foram categorizados o Diretor Escolar, o Coordenador Pedagógico, o Orientador Educacional, o Analista Técnico Educacional, os Professores e os Estudantes. Externamente, os Candidatos Docentes foram reconhecidos como um grupo fundamental. O Diretor Escolar, por exemplo, possui a atribuição de autorizar e validar decisões estratégicas, assegurando o alinhamento institucional. Já o Coordenador Pedagógico é responsável pelo planejamento e acompanhamento técnico-pedagógico do processo seletivo, além das estratégias de comunicação. Essa distinção de papéis é crucial para a governança do projeto.

O Orientador Educacional contribui significativamente na identificação de competências socioemocionais e comportamentais dos candidatos, aspectos essenciais para a promoção de um ambiente escolar saudável. O Analista Técnico Educacional oferece suporte técnico-pedagógico na análise do perfil do candidato, garantindo a aderência à proposta pedagógica da rede e às diretrizes educacionais. Os Professores, por sua vez, apoiam na análise da competência técnica e prática pedagógica dos candidatos, enquanto os Estudantes são impactados indiretamente pela qualidade do corpo docente, sendo beneficiários finais do processo. Os Candidatos Docentes, como “stakeholders” externos, esperam transparência e equidade nos critérios avaliativos.

No âmbito da gestão de projetos, a distinção entre “stakeholders” internos e externos é fundamental para a elaboração de estratégias de engajamento adequadas (PMI, 2021). A análise das contribuições do painel de especialistas reforçou a adequação dessa identificação, ao mesmo tempo em que ofereceu complementações relevantes sobre as expectativas e limites de atuação de cada ator. As concordâncias observadas entre os especialistas em relação à estrutura proposta e as divergências pontuais contribuíram para o refinamento do modelo, fortalecendo a coerência e a efetividade do processo seletivo docente.

Planejamento do Gerenciamento das Partes Interessadas

A avaliação das partes interessadas foi aprofundada por meio de matrizes de Poder e Interesse, Influência e Impacto, e Poder e Influência, que permitiram classificar os “stakeholders” conforme seu grau de autoridade, capacidade de influência e potencial impacto sobre o projeto. Essa análise multidimensional é essencial para identificar atores-chave e antecipar riscos relacionados a um engajamento inadequado, fornecendo subsídios técnicos para a definição de estratégias de comunicação e gestão de relacionamento. A aplicação dessas matrizes é uma prática recomendada para a priorização de esforços e a mitigação de desalinhamentos de expectativas.

A Matriz de Poder e Interesse revelou que o Diretor Escolar e o Coordenador Pedagógico se situam no quadrante de maior poder e interesse, indicando a necessidade de um acompanhamento próximo e participação ativa nas decisões. Esses atores exercem influência direta sobre o projeto e demandam estratégias de comunicação frequentes e estruturadas. O Orientador Educacional, os Professores e o Analista Técnico Educacional foram posicionados em uma zona intermediária, com níveis relevantes de poder e interesse, sugerindo que devem ser mantidos informados e envolvidos em momentos-chave do planejamento e da execução, devido ao seu papel operacional e pedagógico.

Os Estudantes e os Candidatos Docentes apresentaram menor interesse e poder sobre as decisões estratégicas, embora sejam diretamente impactados pelos resultados do projeto. Para esses grupos, ações de comunicação mais pontuais, focadas em informar e esclarecer, mostraram-se suficientes para garantir transparência e compreensão dos objetivos. Essa diferenciação nas abordagens comunicacionais, ajustada ao papel e à relevância de cada grupo, é crucial para otimizar os recursos e garantir a eficácia do gerenciamento das partes interessadas, conforme preconizado pelo PMI (2017).

A Matriz de Influência e Impacto forneceu uma leitura comparativa da capacidade de cada ator interferir no projeto e a repercussão de suas ações nos resultados. O Diretor Escolar e o Coordenador Pedagógico novamente se destacaram no quadrante de maior influência e impacto, reforçando seu papel determinante nas decisões estratégicas. O Orientador Educacional manteve uma faixa de influência relevante, com impacto técnico e pedagógico em momentos-chave. Professores e Analistas Técnico Educacionais indicaram participação operacional significativa, com potencial de afetar etapas específicas da execução e o alinhamento com práticas institucionais.

Estudantes e Candidatos Docentes, por sua vez, ocuparam posições de menor capacidade de influência formal e menor impacto nos resultados, sendo diretamente afetados pelos desdobramentos do processo seletivo. Esse arranjo visual reforça a importância de ações comunicacionais claras, previsíveis e acessíveis para esses públicos, visando a reduzir ruídos interpretativos e expectativas desalinhadas. A análise combinada dessas matrizes, conforme a literatura (Olander; Landin, 2005; Bourne, 2015), permite uma compreensão articulada do ecossistema de partes interessadas, otimizando a definição de prioridades de engajamento e comunicação.

A Matriz de Poder e Influência corroborou os padrões observados, posicionando o Diretor Escolar e o Coordenador Pedagógico no quadrante de alto poder e elevada influência, caracterizando-os como “stakeholders” entusiastas. Essa classificação indica a necessidade de articulação frequente, alinhamento estratégico contínuo e participação ativa desses atores nas etapas críticas do planejamento e da execução do projeto. A presença desses atores em posições de liderança formal é um fator crítico para o sucesso do projeto, pois eles possuem a capacidade de direcionar e acelerar as ações planejadas.

O Orientador Educacional e os Professores foram identificados em uma zona intermediária, no quadrante de apoio, combinando influência relevante com poder institucional moderado. O Analista Técnico Educacional posicionou-se próximo ao eixo central, sugerindo um papel de sustentação operacional e mediação técnica entre as diretrizes estratégicas e a execução cotidiana. Esses grupos demandam envolvimento regular, com espaços de escuta e devolutivas periódicas, para favorecer o alinhamento pedagógico e procedimental, contribuindo para a qualidade técnica do processo seletivo.

Em contraste, os Estudantes e os Candidatos Docentes localizaram-se nos quadrantes de menor poder e influência, com os candidatos apresentando um perfil opositor. Esse posicionamento indica um potencial de tensionamento simbólico ou resistência pontual ao processo, mesmo com baixa capacidade de interferência formal. Para esses públicos, as estratégias de comunicação devem priorizar a clareza dos critérios, a previsibilidade das etapas e a transparência das decisões, a fim de reduzir ruídos interpretativos e possíveis percepções de injustiça ou exclusão, conforme a literatura sobre gerenciamento de “stakeholders” (PMI, 2017; Bourne, 2015).

Avaliação do Nível de Engajamento dos Stakeholders

A avaliação do nível de engajamento das partes interessadas, realizada por meio de uma matriz específica, revelou que os níveis atuais e pretendidos de envolvimento variam significativamente entre os grupos mapeados. Essa heterogeneidade exige um planejamento estratégico específico para cada segmento, considerando tanto sua posição institucional quanto seu potencial de influência sobre os resultados do projeto. A matriz classificou os “stakeholders” em categorias como desinformado, resistente, neutro, apoio e liderança, permitindo identificar as lacunas entre o estado atual e o desejado de engajamento.

No âmbito da liderança formal, o Diretor Escolar e o Coordenador Pedagógico foram identificados no nível de apoio, com o objetivo de elevá-los ao patamar de liderança. Essa transição é estratégica, pois amplia as condições de alinhamento institucional, legitimidade das decisões e coerência na condução do processo seletivo docente. O engajamento ativo de “stakeholders” com maior autoridade organizacional é um fator crítico para o êxito do projeto (PMI, 2017), e a literatura (Freeman, 1984) reforça que atores com maior poder e influência são determinantes na sustentação das estratégias institucionais.

Para os profissionais técnico-pedagógicos, como o Orientador Educacional, o Analista Técnico Educacional e os Professores, o cenário atual indicou um nível neutro de engajamento. O objetivo é elevá-los para o nível de liderança, o que pressupõe investimento em mecanismos de comunicação estruturada, compartilhamento de informações técnicas e ampliação progressiva da participação nas decisões. Níveis intermediários de engajamento representam espaços estratégicos de mobilização, desde que acompanhados de ações deliberadas de relacionamento e integração (Bourne e Walker, 2005).

Em relação aos Candidatos Docentes, o nível atual de engajamento foi classificado como desinformado, com o desejado sendo, no mínimo, neutro, podendo evoluir para apoio ou liderança. Essa configuração sugere uma etapa inicial de conscientização, demandando estratégias comunicacionais que promovam clareza, compreensão e transparência sobre os objetivos e impactos do projeto. A redução de assimetrias informacionais é central para mitigar tensões e ampliar a legitimidade das iniciativas organizacionais (PMI, 2017; Mitchell et al., 1997), sendo a comunicação estruturada essencial para esses grupos.

A Matriz de Avaliação do Nível de Engajamento, portanto, não se limitou a um diagnóstico classificatório, mas funcionou como um instrumento orientador para o planejamento das estratégias de engajamento e comunicação do projeto. Ao articular as evidências da análise técnica com as contribuições do painel de especialistas, consolidou-se um direcionamento alinhado às boas práticas preconizadas pelo PMI (2017) e pela literatura especializada, fortalecendo a coerência metodológica do gerenciamento das partes interessadas no contexto educacional.

Planejamento do Gerenciamento das Comunicações

Com base nos resultados da identificação e avaliação das partes interessadas, bem como na análise do nível de engajamento, foi elaborada uma Matriz de Comunicação. Essa matriz estruturou os tipos de comunicação, seus objetivos, formatos ou meios, frequência, público-alvo, responsáveis e entregáveis associados a cada ação comunicacional. O planejamento das comunicações foi concebido para reduzir os desníveis de engajamento identificados, promovendo maior transparência, alinhamento e clareza entre os “stakeholders”, reforçando a comunicação como um elemento estratégico no planejamento de projetos educacionais.

A Matriz de Comunicação foi estruturada para mitigar os “gaps” entre o estado atual e o desejado de envolvimento dos “stakeholders”. As estratégias de comunicação priorizaram os “stakeholders” internos com maior poder, influência e impacto, como a Direção Escolar e o Coordenador Pedagógico, assegurando alinhamento estratégico e suporte à tomada de decisão. Para esses grupos, foram previstas reuniões de alinhamento inicial e relatórios periódicos para a direção, com o objetivo de apresentar objetivos, escopo, papéis e garantir a visibilidade e tomada de decisão.

As ações voltadas aos professores e à equipe técnico-pedagógica foram planejadas com maior frequência e uso de canais institucionais, como boletins informativos quinzenais e comunicação de orientação pedagógica semanal via grupos institucionais. Isso reflete a necessidade de promover a evolução do engajamento desses atores de um estado neutro para níveis de apoio ou liderança, monitorando o desempenho e identificando pontos de melhoria por meio de formulários mensais de “feedback”. A comunicação para responsáveis, informando sobre ações que impactam a rotina dos alunos, foi planejada conforme a necessidade, via circular digital ou impressa.

No que se refere às partes interessadas externas, como os Candidatos Docentes, a comunicação foi estruturada de forma objetiva e conforme a necessidade, respeitando seu menor grau de poder e influência, mas reconhecendo seu impacto indireto sobre o projeto. A comunicação de encerramento do projeto, por sua vez, foi planejada para consolidar os resultados alcançados, promovendo transparência, aprendizado organizacional e o registro das lições aprendidas, com uma reunião presencial para gestão, professores e analistas técnico-pedagógicos, resultando em um relatório final e apresentação.

Em síntese, o estudo demonstrou que a aplicação conceitual das ferramentas de planejamento do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações contribuiu para a estruturação sistemática de um projeto de seleção e contratação docente. A utilização das matrizes de poder, interesse, influência e impacto permitiu uma avaliação precisa dos “stakeholders”, identificando seus níveis de engajamento e as lacunas existentes. Esse diagnóstico possibilitou o delineamento de estratégias de comunicação e relacionamento adequadas, favorecendo o alinhamento institucional, a organização das interações e a transparência no processo seletivo, respondendo ao objetivo de descrever o planejamento do gerenciamento de “stakeholders” e comunicações para o projeto de contratação de docentes.

4. Conclusão

O presente estudo descreveu o planejamento do gerenciamento das partes interessadas e das comunicações aplicado ao processo de seleção de docentes em uma instituição de ensino. Verificou-se que a identificação e categorização sistemática dos atores envolvidos, tanto internos quanto externos, revelou a complexidade inerente ao processo. As análises por meio das matrizes de poder e interesse, influência e impacto, e poder e influência evidenciaram uma concentração significativa de poder e influência entre os <i>stakeholders</i> internos, como a direção escolar e a coordenação pedagógica, configurando-os como atores centrais nas decisões. Observou-se a necessidade de elevar o nível de engajamento de profissionais técnico-pedagógicos, inicialmente neutros, para patamares de apoio ou liderança. A matriz de comunicação elaborada mostrou-se alinhada às necessidades identificadas, priorizando fluxos informacionais estruturados para os grupos estratégicos. A aplicação sistematizada dessas ferramentas de gerenciamento de projetos contribuiu para a organização, transparência e alinhamento institucional no planejamento do processo seletivo docente.

Como limitação, destaca-se o caráter conceitual da aplicação das ferramentas, uma vez que o planejamento proposto não foi implementado na instituição analisada. Dessa forma, as análises apresentadas configuram uma proposta metodológica fundamentada para futuras aplicações. Recomenda-se que pesquisas futuras realizem a aplicação prática do modelo em instituições de ensino, com o objetivo de avaliar empiricamente seus efeitos sobre o planejamento e a condução de processos seletivos docentes. Assim, o estudo contribui para ampliar a discussão sobre a utilização de práticas de gerenciamento de projetos como suporte metodológico à gestão educacional, especialmente no planejamento de processos institucionais relacionados à gestão de pessoas.

Referências Bibliográficas

Bourne, L. 2015. Stakeholder relationship management: a maturity model for organisational implementation. 2 ed. Gower, Farnham, UK.

Bourne, L.; Walker, D.H.T. 2005. Visualising and mapping stakeholder influence. Management Decision 43(5): 649-660.

Brasil. 2016. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Diário Oficial da União, Brasília, 24 maio 2016. Seção 1, p. 44-46.

Buckingham, M.; Coffman, C. 2002. Primeiro, quebre todas as regras: o que os maiores gerentes do mundo fazem de diferente. Campus, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Campos, V. F. 2008. TQC: Controle da qualidade total (no estilo japonês). 9 ed. INDG Tecnologia e Serviços, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Freeman, R.E. 1984. Strategic Management: a stakeholder approach. Pitman, Boston, MA, USA.

Gil, A. C. 2002. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Gil, A. C. 2010. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Gil, A. C. 2017. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2 ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Marconi, M. A.; Lakatos, E. M. 2017. Fundamentos de metodologia científica. 8 ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Mitchell, R.K.; Agle, B.R.; Wood, D.J. 1997. Toward a theory of stakeholder identification and salience: defining the principle of who and what really counts. Academy of Management Review 22(4): 853-886.

Olander, S.; Landin, A. 2005. Evaluation of stakeholder influence in the implementation of construction projects. International Journal of Project Management 23(4): 321-328.

PMI – Project Management Institute. 2017. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 6 ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA. Tradução: Project Management Institute – Edição em português.

PMI – Project Management Institute. 2021. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 7. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

PMI – Project Management Institute. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK®). 5. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2013. Brasil.

Sampieri, R. H.; Collado, C. F.; Lucio, P. B. 2013. Metodologia de pesquisa. 5 ed. Penso, Porto Alegre, RS, Brasil.

Yin, R. K. 2015. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5 ed. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil. Tradução: Daniel Grassi.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade