Digital Business
17 de setembro de 2026
Plataformas Digitais como Indutoras do Reengajamento Presencial em Clubes Esportivos
João Carlos Valdez Mindof; Gisela Consolmagno Pelegrini
DOI: 10.22167/2675-6528-202602530
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
A redução do comparecimento presencial de associados em clubes esportivos sem fins lucrativos configura um desafio recorrente. Investigou-se como plataformas digitais podem induzir o reengajamento presencial, analisando o papel do planejamento e da comunicação digital, a influência da sociabilidade e do pertencimento, a contribuição da memória afetiva mediada digitalmente e o efeito de mecanismos de reconhecimento simbólico, como a gamificação. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, que incluiu entrevistas qualitativas apoiadas por um Produto Mínimo Viável (MVP) para elicitação discursiva, e um questionário quantitativo para triangulação dos dados. A análise de conteúdo identificou quatro dimensões centrais: planejamento e conveniência, sociabilidade e pertencimento, memória afetiva e reconhecimento simbólico. Os resultados sugeriram que a mediação digital pode favorecer o comparecimento presencial, embora seus efeitos dependam de fatores contextuais e não se apresentem de forma linear. Concluiu-se que o reengajamento presencial é um processo multidimensional mediado por dinâmicas funcionais, relacionais e simbólicas que se reforçam mutuamente. Contribuiu-se com um modelo interpretativo e a discussão da ambivalência da mediação digital, indicando que ela não substitui a interação presencial e é influenciada por condições contextuais e individuais.
Palavras-chave: Análise de conteúdo; Clubes esportivos; Engajamento digital; Plataformas digitais; Reengajamento presencial.
1. Introdução
A redução do comparecimento presencial de associados em clubes esportivos sem fins lucrativos configura um desafio recorrente para organizações de caráter associativo. Embora avanços tecnológicos tenham ampliado as possibilidades de comunicação e interação entre os membros, observa-se que tais recursos nem sempre se traduzem em maior participação nas atividades presenciais. Este cenário complexo demanda uma compreensão aprofundada das dinâmicas de engajamento.
Nesse contexto, evidencia-se uma lacuna na compreensão sobre os fatores que efetivamente influenciam a decisão de comparecimento presencial, especialmente em ambientes nos quais a interação social passa a ser parcialmente mediada por plataformas digitais. A transição para o digital levanta questões sobre como a tecnologia pode tanto facilitar quanto, em alguns casos, dificultar a presença física.
Sob a perspectiva de abordagens teóricas consolidadas, o engajamento em contextos comunitários pode ser compreendido a partir da noção de senso de comunidade, conforme proposto por McMillan e Chavis (1986). Esta teoria define o senso de comunidade como um sentimento de pertencimento, influência mútua, integração e conexão emocional entre os membros, elementos cruciais para a participação coletiva.
De forma complementar, a teoria da identidade social de Tajfel (1978) indica que os indivíduos tendem a se engajar mais intensamente em grupos com os quais se identificam. Essa identificação busca pertencimento, reconhecimento e diferenciação social. Assim, o engajamento pode ser entendido não apenas como resultado de fatores funcionais, mas também como expressão de processos simbólicos e identitários que estruturam a participação em grupo.
Diante desse panorama, a problemática central desta pesquisa se concentra em: de que maneira as plataformas digitais podem atuar como indutoras do reengajamento presencial de associados em clubes esportivos?
Para responder a essa questão, o estudo se desdobra em objetivos específicos: (i) analisar o papel do planejamento e da comunicação digital na organização da participação; (ii) compreender a influência da sociabilidade e do pertencimento na decisão de comparecimento; (iii) examinar a contribuição da memória afetiva mediada digitalmente; e (iv) avaliar o efeito de mecanismos de reconhecimento simbólico, especialmente por meio da gamificação. Parte-se da hipótese de que a mediação digital, quando estruturada a partir de dimensões funcionais, relacionais e simbólicas, pode contribuir de forma relevante para o reengajamento presencial de associados em clubes esportivos.
Evidências empíricas recentes sugerem que a mediação digital pode atuar como facilitadora da tomada de decisão, ao reduzir incertezas organizacionais e ampliar a previsibilidade das atividades (Stegmann & Lang, 2025). Além disso, a mediação digital é um elemento central no engajamento esportivo e na construção de vínculos entre participantes (Oparauogo, 2025). Investigações recentes também destacam o papel do marketing digital na organização e mobilização de participantes em eventos esportivos locais (Oliveira, Mendonça e Vieira, 2025), reforçando a relevância das plataformas digitais como instrumentos de organização e interação entre membros. Dessa forma, a presente pesquisa justifica-se pela importância de aprofundar a compreensão sobre o tema, tendo como objetivo geral investigar como a dinâmica digital influencia o reengajamento presencial.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, adotando uma abordagem metodológica mista para investigar a influência das plataformas digitais no reengajamento presencial de associados em clubes esportivos. A pesquisa iniciou-se com uma etapa qualitativa, focada na compreensão dos processos subjacentes, e foi complementada por uma etapa quantitativa, visando à triangulação dos dados e à consistência interpretativa.
Quanto aos objetivos, a investigação foi de caráter exploratório e descritivo. Buscou-se identificar, categorizar e interpretar as motivações, barreiras e fatores associados à decisão de comparecimento em atividades presenciais, em um contexto ainda incipiente de sistematização teórica no Brasil. O método central empregado foi a Análise de Conteúdo, conforme a sistematização de Bardin (2016).
A pesquisa foi desenvolvida em um clube esportivo de caráter associativo sem fins lucrativos, onde a participação se organiza em torno de eventos e atividades presenciais mediadas por canais digitais. O universo da pesquisa compreendeu vinte e cinco associados ativos do clube. A amostra qualitativa foi composta por onze participantes e a amostra quantitativa por dezoito, com interseção parcial entre os grupos.
Os participantes foram selecionados por conveniência e acessibilidade, com critérios de inclusão que abrangiam: (i) vínculo ativo com a instituição; (ii) participação em atividades presenciais; e (iii) utilização, mesmo que eventual, dos canais digitais do clube. No âmbito qualitativo, a definição do número de participantes seguiu o critério de saturação teórica, conforme proposto por Guest, Bunce e Johnson (2006).
A coleta de dados qualitativos realizou-se por meio de entrevistas semiestruturadas, seguindo as diretrizes de Gibbs (2009). As entrevistas foram conduzidas a partir de um roteiro que abordava experiências de participação, motivações e barreiras ao comparecimento presencial, percepção sobre o papel das plataformas digitais e sentidos atribuídos a elementos de reconhecimento, memória e pertencimento. O processo de coleta ocorreu entre novembro e dezembro de 2025.
Como instrumento de apoio à elicitação discursiva, utilizou-se um artefato digital concebido como Produto Mínimo Viável (MVP). Este MVP foi desenvolvido com base nos princípios da Lean Startup (Ries, 2011) e em heurísticas de usabilidade (Nielsen, 1995; Krug, 2014), em uma plataforma no-code com inteligência artificial. O artefato atuou como mediador na produção de sentidos, estimulando a reflexão dos participantes sobre suas experiências de engajamento.
Complementarmente, aplicou-se um questionário estruturado com questões fechadas, visando mensurar percepções, níveis de engajamento e intenção de comparecimento presencial após a interação com o artefato digital. Os dados quantitativos foram organizados em planilha eletrônica e analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, além de análise exploratória de associação entre variáveis categóricas.
A análise do material empírico qualitativo seguiu as três etapas da Análise de Conteúdo de Bardin (2016): (i) pré-análise, com organização do corpus, leitura flutuante e definição das unidades de registro (tema) e de contexto (entrevista); (ii) exploração do material, por meio de codificação temática indutiva e construção de categorias analíticas; e (iii) tratamento dos resultados, inferência e interpretação, articulando os achados empíricos ao referencial teórico.
A triangulação metodológica, de natureza convergente, foi empregada para complementar os achados qualitativos com os dados quantitativos, reforçando a coerência interpretativa do estudo (Flick, 2009). Os dados quantitativos foram utilizados para identificar padrões recorrentes e comparar percepções dos participantes sobre engajamento, uso da plataforma e intenção de comparecimento presencial.
A pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios éticos aplicáveis a estudos com seres humanos, observando autonomia, beneficência, não maleficência e confidencialidade. Todos os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo, a natureza voluntária da participação e a garantia de anonimato, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Os dados coletados, tanto por meio das entrevistas quanto dos questionários, foram utilizados exclusivamente para fins científicos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As informações foram tratadas de forma agregada e sem identificação individual, sendo os registros armazenados em ambiente digital seguro, com acesso restrito, assegurando a confidencialidade e a integridade.
3. Resultados e Discussão
O reengajamento presencial de associados em clubes esportivos, mediado por plataformas digitais, revelou-se um fenômeno complexo e multifacetado, compreendido pela articulação de dimensões funcionais, relacionais e simbólicas. A análise dos dados qualitativos e quantitativos, triangulados com o referencial teórico, permitiu identificar padrões interpretativos recorrentes, que se manifestam de forma integrada nas experiências dos participantes. Os achados indicam que a mediação digital pode favorecer o comparecimento presencial, embora seus efeitos não sejam lineares e dependam de fatores contextuais e individuais, conforme a discussão a seguir.
A pesquisa identificou quatro categorias centrais que estruturam a dinâmica do reengajamento presencial: Planejamento e Antecipação; Sociabilidade e Pertencimento; Memória Afetiva Mediada Digitalmente; e Gamificação e Reconhecimento Simbólico. Essas dimensões, embora distintas, interagem e se reforçam mutuamente, contribuindo para a organização das práticas sociais e o fortalecimento dos vínculos comunitários. A plataforma digital atua como um facilitador, integrando esses elementos e oferecendo um ambiente para a interação e a mobilização dos associados. Planejamento e antecipação como condição estruturante do comparecimento
A previsibilidade das atividades emergiu como um fator crucial para a decisão de comparecimento presencial dos associados. Os relatos qualitativos destacaram a necessidade de um “calendário anual” para organizar a participação, mencionando a dificuldade imposta por “agendas corridas” e a “falta de planejamento de longo prazo”. A comunicação antecipada e a atualização constante das datas das etapas foram apontadas como elementos essenciais para que os associados pudessem conciliar seus compromissos pessoais com as atividades do clube.
Os dados quantitativos corroboraram essa percepção, evidenciando a alta priorização do “calendário de eventos” e a demanda por planejamento antecipado. Entre as funcionalidades mais desejadas para futuras versões da plataforma, o “calendário com datas de encontro” foi a mais solicitada, com 72,2% das respostas, seguido pelo “planejamento antecipado das etapas”, com 66,7%. Isso sublinha a importância de ferramentas digitais que ofereçam clareza e organização temporal, reduzindo a incerteza e as fricções na tomada de decisão dos associados.
Essa centralidade do planejamento digital alinha-se à perspectiva de Stegmann e Lang (2025), que sugerem que a mediação digital pode reduzir custos cognitivos e incertezas organizacionais, facilitando a tomada de decisão. Ao proporcionar um “calendário anual” e a “atualização quanto à data das etapas”, a plataforma digital atua como uma infraestrutura sociotécnica que organiza a participação e contribui para a construção de confiança e continuidade das práticas coletivas, elementos fundamentais para o senso de comunidade (McMillan & Chavis, 1986). Sociabilidade e pertencimento como núcleo identitário do reengajamento
A dimensão relacional mostrou-se um dos principais motivadores para o reengajamento presencial, com a participação fortemente vinculada à experiência social e à construção de vínculos. Expressões como “irmandade”, “amigos de longa data”, “galera”, “resenha” e “churrasco” foram recorrentes nos discursos, indicando que o valor atribuído aos encontros presenciais transcende a atividade esportiva em si, focando na convivência e na interação social.
A valorização da interação social foi igualmente evidente nos dados quantitativos, com relatos como “manter contato com a galera”, “amizades pra vida” e “galera do bem” reforçando o papel do pertencimento. A satisfação com as funcionalidades da plataforma que permitem visualizar “circuitos e etapas” (histórico de eventos) foi alta, com 61,1% dos respondentes atribuindo nota 5 (muito satisfeito) e 22,2% nota 4, sugerindo que a plataforma se torna uma extensão simbólica da comunidade, onde os membros podem revisitar e planejar suas interações.
Esses achados estão em consonância com a teoria do senso de comunidade de McMillan e Chavis (1986), que enfatiza o pertencimento, a influência mútua e a conexão emocional como pilares da participação coletiva. A plataforma digital, ao ampliar a visibilidade dessas interações e permitir o “manter contato com os amigos”, fortalece a identidade social dos associados (Tajfel, 1978) e a sensação de fazer parte de uma comunidade de prática (Wenger, 1998), onde os vínculos sociais são continuamente reforçados e valorizados. Memória afetiva mediada digitalmente e continuidade identitária
A memória afetiva desempenha um papel significativo no processo de reengajamento, sendo ativada e reforçada por registros digitais. Os participantes mencionaram a importância de “verões sem fim”, a “energia do encontro”, o “surf entre amigos” e a “vibe na praia” como elementos que evocam lembranças e emoções positivas. A interação com conteúdos da plataforma, como “ver fotos antigas dos amigos” e “as fotos reforçam as memórias afetivas”, demonstrou a capacidade do ambiente digital de reativar experiências passadas.
A funcionalidade de “galeria de fotos dos surfistas” obteve um alto grau de satisfação na pesquisa quantitativa, com 83,3% dos respondentes atribuindo nota 5 (muito satisfeito) e 16,7% nota 4. Isso indica que a plataforma, ao oferecer um repositório de registros visuais, atua como um gatilho emocional e um mecanismo de continuidade simbólica para o grupo. A possibilidade de visualizar “minhas fotos foram adicionadas” ou “reportagem da última edição” reforça a conexão individual com a história coletiva do clube.
Esses elementos sugerem que os registros digitais podem atuar como mediadores da memória coletiva, reativando experiências passadas e reforçando a continuidade simbólica do grupo. A plataforma, nesse sentido, funciona como um repositório de memória que contribui para a manutenção da identidade comunitária ao longo do tempo, conforme discutido por Wenger (1998) em relação às comunidades de prática. A mediação digital, ao preservar e disponibilizar esses conteúdos, intensifica o engajamento e a construção de vínculos entre os participantes (Oparauogo, 2025). Gamificação e reconhecimento simbólico como mecanismos de valorização social
Os resultados também destacaram a relevância de mecanismos de reconhecimento simbólico, especialmente aqueles associados à gamificação, como rankings e destaques individuais. Relatos como “ranking do campeonato”, “onda do mês”, “mural para se orgulhar” e “minhas fotos foram adicionadas” indicam que o reconhecimento público e a valorização das conquistas individuais e coletivas são importantes vetores de engajamento.
A avaliação da “satisfação com o ranking do campeonato” na pesquisa quantitativa revelou um resultado extremamente positivo, com 66,7% dos respondentes atribuindo nota 5 (muito satisfeito) e 33,3% nota 4, e 5,6% nota 3. Isso demonstra que a gamificação, ao oferecer visibilidade e um senso de conquista, reforça a identidade de membro ativo e estimula a participação. A percepção de que esses mecanismos “instigam a galera” e “engajam” os associados é um indicativo da sua eficácia.
Sob a ótica da teoria da identidade social de Tajfel (1978), esses mecanismos de reconhecimento simbólico podem ser interpretados como marcadores de diferenciação e pertencimento, influenciando o engajamento. A gamificação, ao criar um sistema de valorização social, contribui para que os associados se sintam reconhecidos e valorizados dentro do grupo, fortalecendo sua identificação com o clube. Contudo, é importante notar que tais dinâmicas podem, em alguns contextos, também reforçar distinções entre membros, o que exige um equilíbrio para não atuar de forma contrária à participação coletiva.
A análise conjunta dos dados revela que o reengajamento presencial não é resultado de fatores isolados, mas de um conjunto de dimensões interdependentes que se reforçam mutuamente. O modelo conceitual emergente da pesquisa sugere que o planejamento e conveniência, a sociabilidade e pertencimento, a memória afetiva e o reconhecimento simbólico e gamificação, mediadas por mecanismos digitais, contribuem para o aumento da intenção e comparecimento em eventos presenciais, o que, por sua vez, fortalece o engajamento comunitário. A plataforma digital, nesse contexto, assume um papel relevante ao atuar em três níveis: funcional, organizando a participação; relacional, fortalecendo vínculos sociais; e simbólico, ativando memória e reconhecimento.
Embora a mediação digital apresente um potencial significativo para o reengajamento, a pesquisa também aponta para a ambivalência dessa mediação. Observou-se que a mediação tecnológica não atua exclusivamente como indutora, podendo, em alguns casos, reduzir a necessidade percebida do encontro presencial ao deslocar parte do engajamento para o ambiente digital. Além disso, barreiras estruturais como distância geográfica, restrições de tempo e compromissos pessoais persistem, não sendo plenamente superadas pela tecnologia.
Os resultados indicam que o reengajamento presencial é um processo multidimensional mediado por dinâmicas funcionais, relacionais e simbólicas que se reforçam mutuamente. A mediação digital, quando estruturada para atender a essas dimensões, pode favorecer o comparecimento presencial, mas seus efeitos dependem de fatores contextuais e individuais, não se apresentando de forma linear. A plataforma atua como facilitadora da interação e organização, mas não substitui a interação presencial e é influenciada por condições contextuais e individuais dos associados.
4. Conclusão
Este estudo investigou como as plataformas digitais podem atuar como indutoras do reengajamento presencial de associados em clubes esportivos. Verificou-se que a mediação digital favorece o comparecimento por meio da articulação de dimensões funcionais, relacionais e simbólicas. Os achados indicaram que o planejamento e a comunicação digital, ao oferecerem previsibilidade e organização, são cruciais para a decisão de participação. Observou-se que a sociabilidade e o pertencimento, expressos na valorização dos vínculos sociais e da convivência, constituem motivadores centrais. Identificou-se, ainda, que a memória afetiva, ativada por registros digitais como fotos e conteúdos históricos, atua como um mecanismo de continuidade simbólica. Por fim, constatou-se que mecanismos de reconhecimento simbólico, como a gamificação, reforçam a identidade e estimulam o engajamento. Essas dimensões interagem e se reforçam mutuamente, configurando um processo multidimensional no qual a plataforma digital assume um papel relevante na organização, fortalecimento de vínculos e ativação de memória e reconhecimento.
A principal contribuição do estudo reside na proposição de um modelo interpretativo que evidencia a natureza multidimensional do reengajamento presencial e introduz a discussão da ambivalência da mediação digital, indicando que ela não substitui a interação presencial e é influenciada por condições contextuais e individuais. Para gestores de organizações associativas, os achados sugerem a relevância de considerar não apenas a adoção de ferramentas digitais, mas a estruturação intencional dessas dimensões como estratégia de engajamento. Contudo, reconhece-se como limitações o recorte específico do contexto organizacional e o caráter descritivo da análise quantitativa, que restringem a generalização dos resultados. Além disso, a utilização do Produto Mínimo Viável (MVP) pode ter influenciado os discursos dos participantes. Sugere-se, para estudos futuros, aprofundar a análise das tensões inerentes à mediação digital e ampliar a investigação para outros contextos, empregando métodos mais avançados para explorar os efeitos positivos e as ambivalências nos processos de engajamento social.
Referências Bibliográficas
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Flick, U. (2009). An introduction to qualitative research. 4. ed. London: Sage.
Gibbs, G. (2009). Análise de dados qualitativos. Porto Alegre: Artmed.
Guest, G.; Bunce, A.; Johnson, L. (2006). How many interviews are enough? An experiment with data saturation and variability. Field Methods, 18(1), 59–82.
Krug, S. (2014). Don’t make me think. 3. ed. Berkeley: New Riders.
McMillan, D. W.; Chavis, D. M. (1986). Sense of community: A definition and theory. Journal of Community Psychology, 14(1), 6–23.
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Oparauogo, B. (2025). Mobile apps and sports: Driving fan engagement through sports communication. International Journal of Mobile Applications and Technologies, 1(1), 1–15.
Ries, E. (2011). A startup enxuta. São Paulo: Leya.
Stegmann, P.; Lang, G. (2025). Digital transformation in voluntary sports organizations: A scoping review on multi-level drivers, promoting factors, forms and consequences. Current Issues in Sport Science, 10(2), 053.
Tajfel, H. (1978). Differentiation between social groups: Studies in the social psychology of intergroup relations. London: Academic Press.
Wenger, E. (1998). Communities of practice: Learning, meaning, and identity. Cambridge: Cambridge University Press.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq
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