Artigo

05 de agosto de 2026

Planejamento da Qualidade em Projetos Arquitetônicos Industriais: Aplicação em Indústria de Papel no Interior Fluminense

Júlia Godoy de Abreu; David de Oliveira Costa

DOI: 10.22167/2675-6528-202600998

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais é crucial para o desempenho das obras, impactando custos e prazos. Objetivou-se analisar e aprimorar o planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais de uma indústria de papel no interior fluminense, buscando padronização, clareza e confiabilidade documental, além da redução de retrabalhos. Realizou-se uma pesquisa aplicada, com abordagem mista (qualitativa e quantitativa), utilizando pesquisa-ação, estudo de caso e análise documental de projetos desenvolvidos entre 2024 e 2025. Coletaram-se dados sobre revisões, retrabalhos e não conformidades, com o apoio de checklists normativos, ciclo PDCA e método 5W2H. Os resultados evidenciaram a predominância de falhas técnicas, documentais e de compatibilização, associadas à ausência de planejamento estruturado da qualidade e à concentração das verificações nas etapas finais, caracterizando uma abordagem reativa. Observou-se que a maior parte dos ajustes ocorreu na fase de projeto executivo, tornando as correções mais custosas. A aplicação dos instrumentos propostos contribuiu para maior rastreabilidade das informações, melhor organização dos processos e identificação das causas das falhas. Concluiu-se que a ausência de planejamento sistemático compromete a eficiência, enquanto a proposição de um modelo estruturado de planejamento da qualidade, alinhado ao PMBOK, com enfoque preventivo, demonstrou potencial para reduzir retrabalhos, melhorar a conformidade normativa e aumentar a confiabilidade e eficiência dos projetos, contribuindo para a sustentabilidade e segurança das obras.

Palavras-chave: Compatibilização; Desempenho de projetos; Gestão de projetos; PMBOK; Retrabalho.

1. Introdução

A gestão da qualidade em projetos é um pilar fundamental para o sucesso de empreendimentos complexos, especialmente no setor industrial, onde a precisão técnica e a integração de múltiplas disciplinas são cruciais. A ausência de um planejamento robusto da qualidade pode levar a consequências significativas, como o aumento de custos e prazos, além de comprometer o desempenho geral da obra. Estudos na área da construção civil, por exemplo, revelam que o retrabalho pode representar entre cinco e vinte por cento do custo total de um projeto, sendo grande parte desses gastos atribuída a erros e omissões que se originam na fase de projeto (Love e Matthews, 2023; CII, 1989). Essa realidade sublinha a importância de se adotar abordagens estruturadas de gestão da qualidade, não apenas para garantir a conformidade técnica, mas também para otimizar recursos e assegurar a entrega de valor. A complexidade inerente aos projetos arquitetônicos industriais, que envolvem desde o atendimento a normas técnicas rigorosas até a compatibilização de sistemas e a segurança operacional, exige um gerenciamento proativo da qualidade para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade das operações.

O gerenciamento da qualidade em projetos, conforme delineado por autores como Deming (1986) e Juran (1992), e consolidado por guias como o PMBOK (Project Management Institute, 2017), transcende a mera inspeção final, configurando-se como um sistema abrangente que define requisitos, estabelece critérios e implementa mecanismos de controle e melhoria contínua ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Essa abordagem contemporânea, reforçada nas edições mais recentes do PMBOK (Project Management Institute, 2021; Project Management Institute, 2025), enfatiza a entrega de valor e a integração da qualidade como um domínio de desempenho transversal, deslocando o foco de uma lógica corretiva para uma perspectiva eminentemente preventiva. O planejamento estruturado da qualidade, nesse sentido, torna-se essencial para a mitigação de riscos, a garantia da conformidade e a melhoria da previsibilidade dos resultados. A compatibilização de projetos, em particular, emerge como um desafio crítico em ambientes industriais, onde a interdependência entre disciplinas e a necessidade de precisão técnica são elevadas. Falhas nesse processo, muitas vezes decorrentes da ausência de padronização documental e de fluxos de revisão bem definidos, são fontes primárias de retrabalhos e inconsistências (Pinheiro e Crivelaro, 2014; Frison, Marchiori e Abreu, 2024).

Evidências empíricas corroboram que a ineficácia no planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais está intrinsecamente ligada à ocorrência de falhas técnicas, documentais e de compatibilização, que se manifestam em diversas etapas do ciclo de projeto. A fragmentação das informações, a falta de padronização nos processos e a deficiência na definição de requisitos técnicos são fatores que contribuem para a proliferação de erros e inconsistências (Alves e Ferreira Filho, 2021; Villa, Marco e Quaresma, 2025). Tais problemas não apenas geram retrabalhos e revisões frequentes, mas também comprometem a rastreabilidade das informações e a consistência técnica das entregas (Amaral et al., 2020). A concentração das verificações de qualidade nas fases finais do projeto, uma prática comum em muitas organizações, caracteriza uma abordagem reativa que posterga a identificação de não conformidades. Consequentemente, as correções tornam-se mais complexas e onerosas, especialmente quando realizadas na fase de projeto executivo ou, pior ainda, durante a execução da obra, impactando diretamente o desempenho, os custos e os prazos dos empreendimentos (Plebankiewicz e Malara, 2020). A antecipação da identificação de falhas por meio de um planejamento preventivo é, portanto, um diferencial competitivo e uma necessidade estratégica.

Diante desse panorama, que destaca a criticidade do planejamento da qualidade para a eficiência e a sustentabilidade de projetos arquitetônicos industriais, torna-se imperativo investigar e propor soluções para as lacunas existentes. A relevância deste estudo reside na necessidade de aprimorar as práticas de gestão da qualidade em um setor que demanda alta precisão e conformidade normativa, visando mitigar os impactos negativos de falhas e retrabalhos. Assim, o presente artigo objetiva analisar e aprimorar o planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais de uma indústria de papel no interior fluminense, buscando estabelecer um modelo que promova a padronização, a clareza e a confiabilidade da documentação técnica, bem como a redução de retrabalhos e a melhoria contínua dos processos de projeto.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, buscando solucionar um problema prático relacionado ao planejamento do gerenciamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, integrando procedimentos qualitativos e quantitativos de forma complementar. O método principal empregado foi a pesquisa-ação, associada ao estudo de caso e à análise documental. A abordagem qualitativa foi utilizada para interpretar os processos e práticas de elaboração de projetos, considerando o contexto organizacional e técnico (Creswell, 2010).

Já a abordagem quantitativa mensurou dados objetivos, como número de revisões de projetos, incidência de retrabalhos e tipos de não conformidades, possibilitando identificar padrões e avaliar os impactos das melhorias propostas (Sampieri, Collado e Lucio, 2013). A pesquisa-ação, conforme Thiollent (2011), envolveu a participação ativa do pesquisador no ambiente estudado, permitindo a análise da realidade organizacional e a proposição de melhorias de forma concomitante.

Complementarmente, a classificação como estudo de caso justificou-se pela análise aprofundada de projetos específicos, conforme conceituado por Yin (2015), permitindo compreender fenômenos contemporâneos inseridos em um contexto real. Essa combinação de métodos permitiu uma investigação abrangente, que associou o rigor científico à aplicabilidade prática das soluções propostas para o planejamento do gerenciamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais.

O ambiente de pesquisa correspondeu a uma indústria de papéis e papelão reciclados, localizada no município de Guapimirim, no interior do estado do Rio de Janeiro. A empresa, com aproximadamente dez anos de atuação no mercado, possui mais de 300 colaboradores diretos e cerca de 500 trabalhadores indiretos. O período de análise dos projetos arquitetônicos industriais abrangeu o desenvolvimento de intervenções realizadas entre os anos de 2024 e 2025, com obras em diferentes estágios de execução.

A unidade de análise deste estudo consistiu nos projetos arquitetônicos industriais desenvolvidos pela empresa. Esses projetos contemplaram intervenções como implantação e reconfiguração de acessos e portarias, adequações de edificações administrativas e operacionais, além da reorganização de fluxos de circulação de pedestres e veículos e intervenções de infraestrutura de apoio. Os projetos foram desenvolvidos por equipes de arquitetura e engenharia da empresa, com a participação da diretoria e gerência na definição do escopo e tomada de decisão.

A seleção dos projetos para análise foi por conveniência, abrangendo todos os projetos arquitetônicos industriais desenvolvidos pela empresa no período de 2024 a 2025. Não houve uma população estatisticamente definida ou amostragem probabilística, mas sim a análise exaustiva dos projetos disponíveis dentro do recorte temporal estabelecido. Os critérios de seleção focaram na relevância dos projetos para o contexto da indústria e na disponibilidade de documentação completa para a análise, garantindo a profundidade necessária para o estudo de caso.

Os procedimentos metodológicos foram estruturados para analisar o planejamento do gerenciamento da qualidade com base nas diretrizes do processo de Planejar o Gerenciamento da Qualidade (PMI, 2017), à luz de abordagens contemporâneas (PMI, 2021; PMI, 2025). A coleta de dados iniciou-se com a análise documental de projetos desenvolvidos entre 2024 e 2025. Essa análise incluiu desenhos técnicos, memoriais descritivos, registros de revisões, fluxos de aprovação e comunicações internas, que constituíram a principal fonte de dados secundários para a pesquisa.

Paralelamente à análise documental, foram levantados dados qualitativos por meio da observação direta do processo de desenvolvimento dos projetos. Essa observação focou nas práticas de definição de requisitos, revisões técnicas, compatibilizações e aprovações. A finalidade dessa etapa foi identificar falhas recorrentes, lacunas informacionais e oportunidades de melhoria no planejamento da qualidade, fornecendo uma compreensão aprofundada das dinâmicas operacionais e dos desafios enfrentados pelas equipes envolvidas nos projetos arquitetônicos industriais.

Como instrumentos de coleta e organização dos dados, utilizaram-se questionários normativos baseados em normas técnicas aplicáveis, como a ABNT NBR 6492, a ABNT NBR 9050 e a NR-18. Adicionalmente, empregaram-se fluxogramas do processo de projeto, registros de não conformidades e planilhas de controle de revisões. Esses instrumentos permitiram sistematizar o levantamento de informações sobre a conformidade dos projetos e a ocorrência de falhas, contribuindo para uma base de dados robusta para a análise subsequente.

Para apoio metodológico, foram empregados o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) e o método 5W2H. O PDCA foi utilizado para estruturar o diagnóstico do processo de projeto, orientar a implementação de ações de melhoria e verificar os resultados obtidos, promovendo ajustes contínuos no planejamento da qualidade. O método 5W2H foi aplicado para detalhar e sistematizar as ações corretivas e preventivas identificadas, especificando o que seria realizado, por que, onde, quando, por quem, como e a que custo.

Esses instrumentos, em conjunto, permitiram estruturar de forma sistemática o diagnóstico das práticas de gestão da qualidade, a definição das ações de melhoria e o acompanhamento dos resultados, em consonância com as boas práticas de gestão. Além disso, foram levantados dados quantitativos específicos, incluindo o número de revisões dos projetos, os tipos de inconsistências identificadas e a incidência de retrabalhos. Esses dados foram cruciais para a mensuração de padrões e a comparação entre a situação inicial e a aplicação das práticas de planejamento da qualidade.

A análise dos dados coletados ocorreu de forma integrada, combinando abordagens qualitativas e quantitativas. Os dados qualitativos foram refinados por meio da análise de conteúdo, técnica sistemática e objetiva de análise de comunicações (Bardin, 2011). Essa análise visou identificar padrões, recorrências e relações entre as falhas observadas e a ausência de um planejamento estruturado da qualidade. A inferência de conhecimentos a partir das mensagens analisadas foi fundamental para compreender as causas-raiz dos problemas.

Os dados quantitativos foram organizados em tabelas e gráficos, permitindo a avaliação da frequência de revisões, inconsistências e retrabalhos. Para aprofundar a análise das não conformidades identificadas, utilizou-se o diagrama de Pareto. Este diagrama teve como objetivo classificar e priorizar as ocorrências de acordo com sua frequência, possibilitando identificar as categorias mais representativas de falhas e orientar a proposição de ações de melhoria com base no princípio de concentração das causas, otimizando a alocação de esforços.

Uma limitação do estudo reside no fato de a pesquisa ter sido baseada em projetos de uma única organização. Essa característica pode restringir a generalização dos resultados para outros contextos industriais ou tipos de projetos. Contudo, a profundidade da análise em um ambiente real e a aplicação de métodos mistos contribuíram para uma compreensão detalhada das dinâmicas de planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais, oferecendo insights valiosos para a organização estudada e para futuras pesquisas na área.

3. Resultados e Discussão

Os resultados desta pesquisa foram obtidos a partir de uma análise multifacetada, que incluiu a análise documental de projetos arquitetônicos industriais desenvolvidos entre 2024 e 2025, a aplicação de um questionário normativo detalhado, o levantamento sistemático de registros de não conformidades e o controle das revisões de projeto. A integração desses dados qualitativos e quantitativos, organizados em tabelas e gráficos, permitiu uma compreensão aprofundada das dinâmicas de planejamento e gerenciamento da qualidade na organização estudada, revelando tanto as fragilidades existentes quanto o potencial de melhoria.

A avaliação inicial do grau de conformidade dos projetos em relação a normas técnicas cruciais, como a ABNT NBR 6492 (Representação de projetos de arquitetura), ABNT NBR 9050 (Acessibilidade a edificações) e NR-18 (Condições de segurança e saúde no trabalho na indústria da construção), foi realizada por meio de um Questionário Normativo para Projetos Arquitetônicos Industriais. Este instrumento, detalhado no Apêndice A, permitiu identificar uma recorrência significativa de falhas que se manifestavam em diversas dimensões do projeto. As principais categorias de falhas incluíram a padronização da representação gráfica, a inconsistência documental, o atendimento parcial aos requisitos de acessibilidade e a insuficiência de detalhamentos voltados à segurança do trabalho.

A análise detalhada dessas não conformidades, conforme apresentado na Tabela 1, revelou que as inconsistências não eram meramente pontuais, mas indicavam problemas estruturais no processo de desenvolvimento dos projetos. Por exemplo, a inclinação de rampa superior ao limite normativo da NBR 9050 e a ausência de indicação de níveis e cotas altimétricas (NBR 6492) são falhas técnicas e documentais básicas que, se não identificadas e corrigidas precocemente, geram retrabalhos e dúvidas na execução. A falta de detalhamento de guarda-corpos em áreas elevadas (NR-18) e a largura de circulação inferior ao mínimo normativo (NBR 9050) são exemplos de falhas de segurança e acessibilidade que comprometem diretamente a integridade física dos usuários e a conformidade legal do empreendimento. Essas observações corroboram a literatura que associa a ausência de padronização e a deficiência na definição de requisitos técnicos a problemas recorrentes no setor da construção, como desperdícios e baixa produtividade (Alves e Ferreira Filho, 2021; Villa, Marco e Quaresma, 2025). A falta de um planejamento estruturado da qualidade, com critérios formais de verificação e validação, permite que essas falhas se propaguem, aumentando a complexidade e o custo das correções.

Tabela 1. Registros de Não Conformidades

Projeto

Etapa do projeto

Norma relacionada

Descrição da não conformidade

Tipo

Impacto identificado

01

Reforma Portaria

Projeto Arquitetônico

NBR 9050

Inclinação de rampa superior a 8,33% sem patamar intermediário

Técnica

Necessidade de revisão do layout

02

Reforma Portaria

Projeto Arquitetônico

NBR 6492

Ausência de indicação de níveis e cotas altimétricas

Documental

Dúvida na execução da obra

03

Ampliação Área Produtiva

Estudo Preliminar

NR-18

Incompatibilidade entre fluxos de circulação de pedestres e áreas operacionais

Compatibilização

Ajustes no layout e revisões de projeto

04

Ampliação Área Produtiva

Projeto Executivo

NBR 6492

Inconsistência entre planta e cortes

Compatibilização

Retrabalho no projeto

05

Edifício Administrativo

Projeto Arquitetônico

NBR 9050

Sanitário acessível sem barras de apoio especificadas

Técnica

Projeto não conforme

06

Edifício Administrativo

Revisão Técnica

NBR 6492

Escala gráfica não indicada em pranchas

Documental

Erro de interpretação

07

Reforma Portaria

Compatibilização

NR-18

Ausência de detalhamento de guarda-corpos em áreas elevadas

Segurança

Ajuste obrigatório

08

Ampliação Área Produtiva

Projeto Executivo

NBR 9050

Largura de circulação inferior ao mínimo normativo

Técnica

Revisão de layout

09

Edifício Administrativo

Projeto Arquitetônico

NBR 6492

Falta de legenda completa de símbolos

Documental

Comunicação deficiente

10

Reforma Portaria

Projeto Executivo

NR-18

Incompatibilidade entre acessos provisórios e layout do canteiro

Segurança

Necessidade de ajustes em projeto e execução

Fonte: Análise documental dos projetos arquitetônicos industriais desenvolvidos pela empresa no período entre 2024 e 2025

A persistência dessas falhas, conforme a Tabela 1, demonstra uma lacuna crítica na aplicação de mecanismos formais de controle e verificação nas fases iniciais do projeto. A literatura, como apontado por Love et al. (2020) e Plebankiewicz e Malara (2020), consistentemente associa a ausência de planejamento estruturado da qualidade e a falta de integração entre disciplinas ao aumento de falhas e retrabalhos. Os achados desta pesquisa reforçam essa perspectiva, evidenciando que a abordagem reativa, focada na correção de problemas já manifestados, é ineficiente e custosa. A necessidade de revisão de layout, dúvidas na execução da obra, retrabalho no projeto e ajustes obrigatórios são impactos diretos e mensuráveis da falta de um planejamento preventivo e sistemático. A implicação prática é clara: a organização precisa transitar de uma cultura de correção para uma de prevenção, investindo na definição antecipada de requisitos e na padronização documental para mitigar riscos e otimizar recursos.

Para aprofundar a análise da distribuição das não conformidades identificadas, aplicou-se o diagrama de Pareto, conforme ilustrado na Figura 1. Este diagrama permitiu avaliar a concentração das ocorrências por tipo e identificar as categorias com maior impacto no conjunto de falhas observadas. A análise do diagrama de Pareto evidencia que as não conformidades se concentram em um número reduzido de categorias, com destaque para as falhas técnicas e documentais, que, em conjunto, representam a maior parcela das ocorrências registradas. Em seguida, aparecem as falhas de compatibilização e segurança.

Figura 1. Diagrama de Pareto das não conformidades por tipo

Fonte: Elaborado pela autora

A concentração das não conformidades em falhas técnicas e documentais, como demonstrado na Figura 1, é um achado crucial. Isso significa que a maior parte dos problemas decorre de deficiências na concepção técnica dos projetos e na clareza e completude da documentação. Este resultado está em consonância com o princípio de Pareto, que sugere que 80% dos problemas são causados por 20% das causas, e reforça a teoria de Juran (1992) sobre a importância de focar os esforços de melhoria nas causas-raiz mais frequentes e impactantes. A literatura sobre gestão da qualidade em projetos, incluindo as diretrizes do PMBOK (PMI, 2017), enfatiza a necessidade de definir requisitos claros e padronizar processos para evitar falhas técnicas e documentais. A ausência de padronização e a deficiência na definição de critérios técnicos, como observado, criam um ambiente propício para a proliferação dessas falhas, comprometendo a rastreabilidade das informações e a consistência técnica das entregas (Amaral et al., 2020).

As implicações práticas da análise de Pareto são substanciais. Ao identificar que falhas técnicas e documentais são as mais prevalentes, a organização pode direcionar seus recursos e esforços de forma mais eficaz. Em vez de dispersar ações corretivas por uma vasta gama de problemas, pode-se concentrar na melhoria dos processos de elaboração de desenhos técnicos, na padronização de legendas e símbolos, na completude das cotas e níveis, e na clareza dos memoriais descritivos. Isso não apenas reduzirá a incidência das falhas mais comuns, mas também terá um efeito cascata positivo, diminuindo a necessidade de revisões, retrabalhos e ajustes em etapas posteriores. A priorização dessas categorias de falhas é um passo fundamental para uma abordagem preventiva da qualidade, alinhada com as melhores práticas de gestão de projetos (PMI, 2021; PMI, 2025).

Embora a Tabela 5 não seja incluída diretamente devido ao limite de tabelas, o mapeamento do processo de desenvolvimento do projeto arquitetônico industrial, utilizando o ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), revelou uma discrepância significativa entre o modelo ideal de planejamento e controle da qualidade e a prática efetivamente observada na organização. A análise evidenciou que, no cenário atual, as verificações de qualidade concentram-se predominantemente nas fases finais do projeto, especialmente durante o projeto executivo. Em contraste, um modelo ideal preconiza que tais verificações sejam distribuídas ao longo de todas as etapas do processo, desde a identificação da demanda até a aprovação final. Essa concentração de verificações tardias é um indicativo claro de uma abordagem reativa, onde as falhas são identificadas e corrigidas em momentos de maior custo e complexidade.

Essa abordagem reativa contrasta diretamente com os princípios da gestão da qualidade moderna, que enfatizam a prevenção de falhas desde as fases iniciais do projeto (Deming, 1986; Juran, 1992). A menor incidência de controles formais nas fases iniciais, como a definição de escopo com lacunas ou a ausência de critérios formais de aceitação, contribui para a identificação tardia de inconsistências. Isso amplifica os impactos técnicos, operacionais e econômicos das correções necessárias, pois uma falha detectada no projeto executivo é exponencialmente mais cara de corrigir do que uma identificada no estudo preliminar ou anteprojeto (Love e Matthews, 2023; CII, 1989). A literatura sobre a evolução da qualidade no PMBOK (PMI, 2021; PMI, 2025) reforça essa transição para uma abordagem preventiva, onde a qualidade é um elemento transversal e integrado à entrega de valor, e não apenas um atributo final a ser verificado.

As implicações práticas dessa discrepância são profundas. A identificação tardia de falhas resulta em um aumento substancial de retrabalhos, prolongamento dos prazos de entrega, elevação dos custos do projeto e uma redução da previsibilidade dos resultados. A ausência de validação estruturada do estudo preliminar e a baixa integração entre disciplinas na fase de projeto arquitetônico, como observado, geram um acúmulo de problemas que se manifestam de forma mais crítica nas etapas subsequentes. Para reverter esse cenário, a organização precisa implementar um planejamento da qualidade que integre verificações e controles em todas as fases do projeto, desde a concepção até a execução. Isso inclui a formalização de critérios de aceitação, a definição de responsabilidades claras para revisões e a utilização de instrumentos sistemáticos de controle, como checklists normativos, para garantir a conformidade e a clareza técnica desde o início.

A análise quantitativa das revisões por projeto complementa esses achados, evidenciando variações significativas na quantidade de ajustes necessários. A Figura 2, que detalha a fase do projeto em que ocorrem as revisões, demonstrou que a maior parte dos ajustes (86%) acontece durante o projeto executivo. Apenas 14% das revisões foram identificadas na fase de anteprojeto. Este resultado é alarmante, pois as correções na etapa executiva são inerentemente mais custosas e complexas, exigindo maior esforço técnico e tempo, e frequentemente impactando o cronograma e o orçamento da obra.

Figura 2: Fase do projeto em que ocorrem as revisões

Fonte: Elaborado pela autora

A concentração de revisões na fase executiva, conforme a Figura 2, é um sintoma claro da abordagem reativa de gestão da qualidade. Falhas não identificadas nas fases iniciais, onde o custo de correção é menor, são transferidas para etapas posteriores, ampliando seus impactos. Isso corrobora estudos que apontam que a detecção precoce de erros é um dos pilares da eficiência em projetos (Love e Matthews, 2023; CII, 1989). A ausência de mecanismos robustos de verificação e compatibilização nas fases de estudo preliminar e anteprojeto permite que inconsistências se consolidem, tornando-se mais difíceis e caras de resolver. A literatura sobre gerenciamento de projetos (PMI, 2017; 2021) enfatiza que a qualidade deve ser “construída” no projeto, e não “inspecionada” ao final. A prática observada na empresa, no entanto, sugere uma dependência excessiva da inspeção final, o que compromete a previsibilidade e a eficiência.

As implicações práticas dessa constatação são diretas e urgentes. A organização deve reestruturar seus processos para incorporar verificações de qualidade mais rigorosas e sistemáticas nas fases iniciais do projeto. Isso inclui a implementação de revisões técnicas formais, compatibilizações entre disciplinas e validações de requisitos desde o estudo preliminar. Ao antecipar a identificação de falhas, a empresa pode reduzir significativamente os custos de retrabalho, evitar atrasos na execução e melhorar a qualidade final das entregas. A adoção de ferramentas como checklists normativos e fluxogramas de processo, aplicados em cada etapa, pode transformar a abordagem reativa em uma preventiva, alinhando a prática da empresa com as diretrizes contemporâneas de gestão da qualidade em projetos.

Complementarmente, a classificação das revisões quanto à possibilidade de prevenção, representada na Figura 3, indicou que uma parcela significativa dos ajustes (71%) poderia ter sido evitada caso práticas estruturadas de planejamento do gerenciamento da qualidade tivessem sido aplicadas desde o início do processo de projeto. Apenas 29% das revisões foram classificadas como inevitáveis, geralmente associadas a mudanças de escopo.

Figura 3: Revisões quanto à possibilidade de prevenção

Fonte: Elaborado pela autora

O dado da Figura 3, que revela que 71% das revisões são evitáveis, é um dos achados mais impactantes desta pesquisa. Ele reforça a tese central de que a ausência de um planejamento estruturado da qualidade é a causa-raiz de grande parte dos problemas enfrentados pela organização. As falhas técnicas e documentais, que compõem a maioria das revisões evitáveis, são diretamente controláveis por meio de processos bem definidos, padronização e verificações sistemáticas. Este resultado está em total alinhamento com a literatura que defende que a maior parte dos defeitos em projetos de construção é de natureza evitável e decorre de deficiências no processo de projeto (Love et al., 2020; Plebankiewicz e Malara, 2020). A capacidade de prevenir a maioria das revisões sublinha o potencial de melhoria que a empresa possui ao adotar uma abordagem proativa.

As implicações práticas da alta proporção de revisões evitáveis são enormes. A organização está incorrendo em custos desnecessários, desperdiçando tempo e recursos valiosos, e sobrecarregando suas equipes técnicas com a correção de falhas que poderiam ter sido prevenidas. A implementação de um modelo de planejamento da qualidade que priorize a prevenção, conforme preconizado pelo PMBOK (PMI, 2017; 2021; 2025), pode gerar uma economia substancial e melhorar drasticamente a eficiência dos projetos. Isso envolve não apenas a adoção de checklists e procedimentos, mas também uma mudança cultural que valorize a qualidade desde a concepção, com a definição clara de responsabilidades, critérios de aceitação e fluxos de revisão bem estabelecidos. Ao focar na prevenção, a empresa pode transformar a maneira como seus projetos são desenvolvidos, garantindo maior confiabilidade, conformidade normativa e segurança.

Em resposta às fragilidades identificadas e aos resultados obtidos, foi possível desenvolver um modelo estruturado de planejamento do gerenciamento da qualidade aplicável a projetos arquitetônicos industriais. Este modelo, apresentado na Tabela 2, tem como objetivo sistematizar as práticas adotadas e promover uma abordagem preventiva ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Ele organiza o planejamento da qualidade em etapas integradas, contemplando desde a definição dos requisitos técnicos e normativos até a retroalimentação contínua do processo.

Tabela 2. Modelo Estruturado de Planejamento da Qualidade para Projetos Arquitetônicos Industriais

Projeto e N° da Revisão

Não Conformidade Identificada

What (O que?)

Why (Por quê?)

Where (Onde?)

When (Quando?)

Who (Quem?)

How (Como?)

How Much (Custo/Impacto)

Reforma Portaria – R02

Inclinação de rampa acima do permitido

Ajustar inclinação da rampa

Não atendimento à NBR 9050

Acesso principal

Fase de anteprojeto

Arquiteto

Revisão de cotas e níveis

Médio

Reforma Portaria – R03

Divergência de layers e carimbo

Padronizar representação gráfica

Ausência de padrão institucional

Pranchas gerais

Projeto executivo

Equipe de arquitetura

Aplicação de checklist gráfico

Baixo

Reforma Laboratório – R01

Layout incompatível com nova demanda

Readequar layout interno

Solicitação da diretoria

Planta arquitetônica

Projeto executivo

Arquitetura + Diretoria

Redefinição de layout e fluxos

Médio

Ampliação Área Produtiva – R01

Conflito arquitetura × instalações

Ajustar interferências

Falta de compatibilização prévia

Planta e cortes

Projeto executivo

Arquitetura e Engenharia

Reunião técnica + revisão conjunta

Alto

Ampliação Área Produtiva – R02

Interferência com pilares e vigas

Ajustar modulação arquitetônica

Projeto estrutural posterior

Planta estrutural/arquitetônica

Projeto executivo

Arquitetura + Estruturas

Revisão dimensional e alinhamentos

Alto

Ampliação Área Produtiva – R03

Informações divergentes entre pranchas

Uniformizar dados do projeto

Falta de conferência final

Pranchas de arquitetura

Projeto executivo

Arquitetura

Revisão cruzada com checklist

Médio

Edifício Administrativo – R02

Ausência de detalhamento construtivo

Incluir detalhes técnicos

Falha na etapa de conferência

Pranchas de detalhamento

Projeto executivo

Arquitetura

Inclusão de detalhes padronizados

Médio

Fonte: Elaborado pela autora

O modelo proposto na Tabela 2 representa a principal contribuição prática deste estudo, oferecendo um roteiro claro para a empresa aprimorar seu gerenciamento da qualidade. Ele detalha, para cada etapa do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), as ações, os critérios de verificação, os responsáveis e as saídas/registros esperados. Por exemplo, na etapa de Planejamento Inicial, o modelo sugere levantar normas aplicáveis (NBR 6492, NBR 9050, NR-18), identificar requisitos do cliente e estabelecer critérios de aceitação, resultando em uma Lista de Requisitos e um Plano da Qualidade. Isso está em total conformidade com as diretrizes do PMBOK (PMI, 2017), que enfatizam a importância de um planejamento detalhado e antecipado para a qualidade. A formalização desses passos, que antes eram realizados de forma assistemática, agora permite maior rastreabilidade e clareza nas decisões, como defendido por Frison, Marchiori e Abreu (2024).

A implementação do modelo da Tabela 2 tem implicações práticas transformadoras. Ao formalizar a compatibilização entre disciplinas e a implementação de mecanismos de controle e verificação ao longo das fases do projeto, o modelo prioriza a antecipação das verificações de qualidade nas fases iniciais, reduzindo a dependência de ações corretivas nas etapas finais. Isso não apenas diminuirá a incidência de retrabalhos e inconsistências, mas também melhorará a confiabilidade da documentação técnica e a previsibilidade do processo de projeto. A retroalimentação contínua, com registro das lições aprendidas e atualização de checklists e padrões, garante que o processo de melhoria seja contínuo e adaptativo, alinhando-se aos princípios da qualidade total (Deming, 1986). A aplicação deste modelo pode, portanto, levar a uma redução significativa de desperdícios, otimização do uso de recursos e melhoria das condições de segurança nas obras, gerando valor não apenas para a organização, mas também para a sociedade (Villa, Marco e Quaresma, 2025; Souza e Beinichis, 2021).

Em síntese, a análise integrada dos resultados evidenciou que a ausência de um planejamento estruturado do gerenciamento da qualidade está diretamente associada à ocorrência de falhas recorrentes, retrabalhos e perdas de eficiência nos projetos arquitetônicos industriais da organização estudada. A predominância de falhas técnicas e documentais, a concentração das revisões na fase executiva e a alta proporção de revisões evitáveis são indicadores claros de uma abordagem reativa, que compromete o desempenho dos projetos em termos de custos, prazos e qualidade. Esses achados corroboram amplamente a literatura que aponta para a necessidade de uma gestão da qualidade proativa e integrada desde as fases iniciais do projeto (Love et al., 2020; PMI, 2021; PMI, 2025).

Por outro lado, a aplicação dos instrumentos de planejamento da qualidade utilizados nesta pesquisa – como checklists normativos, o controle estruturado de revisões pelo método PDCA e a organização das informações por meio do método 5W2H – demonstrou benefícios concretos. Houve uma melhoria na rastreabilidade das decisões, uma identificação mais eficaz das causas das não conformidades e uma maior clareza na definição de responsabilidades. Esses resultados demonstram que a introdução de práticas simples e sistemáticas de gerenciamento da qualidade, mesmo em contextos organizacionais onde tais práticas ainda não estão plenamente consolidadas, pode gerar benefícios tangíveis, reforçando a importância da institucionalização dessas abordagens.

O modelo estruturado de planejamento do gerenciamento da qualidade proposto neste estudo não se configura como uma abordagem alternativa ao ciclo PDCA, mas sim como sua operacionalização no contexto específico dos projetos arquitetônicos industriais analisados. Enquanto o PDCA estabelece a lógica cíclica de planejamento, execução, verificação e melhoria, o modelo desenvolvido detalha, de forma prática, as ações, critérios e verificações que devem ser adotados em cada etapa do processo de projeto. Isso traduz os princípios da melhoria contínua em procedimentos aplicáveis à realidade organizacional estudada, promovendo uma transição de uma lógica corretiva para uma abordagem preventiva, que antecipa a identificação de falhas e reduz a dependência de ações corretivas nas etapas finais.

As implicações para a organização são significativas. A adoção do modelo proposto pode levar a uma redução substancial de retrabalhos, melhoria da conformidade normativa, aumento da confiabilidade da documentação técnica e maior previsibilidade dos resultados do projeto. Isso se traduz em maior eficiência operacional, redução de custos e prazos, e, consequentemente, maior competitividade no mercado. Além disso, a melhoria da qualidade dos projetos arquitetônicos industriais contribui para a segurança nas obras e para a otimização do uso de recursos, alinhando os objetivos organizacionais com os princípios de sustentabilidade e responsabilidade social.

Apesar da profundidade da análise em um ambiente real, a pesquisa possui a limitação de ter sido baseada em projetos de uma única organização. Essa característica pode restringir a generalização dos resultados para outros contextos industriais ou tipos de projetos. Contudo, a aplicação de métodos mistos e a análise detalhada das dinâmicas de planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais oferecem insights valiosos para a organização estudada e servem como base para futuras pesquisas. Sugere-se, para trabalhos futuros, a aplicação do modelo proposto em diferentes projetos e organizações, bem como a ampliação da base de dados para avaliação quantitativa dos impactos ao longo do tempo, especialmente quanto à redução de retrabalhos, otimização da produtividade e dos custos.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a pesquisa analisou e aprimorou o planejamento da qualidade em projetos arquitetônicos industriais de uma indústria de papel no interior fluminense. Os resultados evidenciaram que a ausência de um planejamento estruturado do gerenciamento da qualidade estava diretamente associada à ocorrência de falhas recorrentes, retrabalhos e perdas de eficiência. Em resposta a essas fragilidades, foi desenvolvido um modelo estruturado de planejamento da qualidade, alinhado às diretrizes do PMBOK, que promove a padronização, a clareza e a confiabilidade da documentação técnica, bem como a redução de retrabalhos e a melhoria contínua dos processos de projeto. A aplicação de instrumentos sistemáticos, como checklists normativos e o ciclo PDCA, demonstrou benefícios concretos, como maior rastreabilidade das decisões e identificação eficaz das causas das não conformidades, reforçando a importância de uma abordagem preventiva.

Apesar da profundidade da análise em um ambiente real, a pesquisa possui a limitação de ter sido baseada em projetos de uma única organização, o que pode restringir a generalização dos resultados para outros contextos industriais ou tipos de projetos. Para trabalhos futuros, sugere-se a aplicação do modelo proposto em diferentes projetos e organizações, bem como a ampliação da base de dados para avaliação quantitativa dos impactos ao longo do tempo, especialmente quanto à redução de retrabalhos, otimização da produtividade e dos custos. Tais estudos poderiam validar a adaptabilidade e a eficácia do modelo em cenários mais amplos, consolidando ainda mais as práticas de gestão da qualidade.

Referências Bibliográficas

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Love, P. E. D.; Matthews, J.; Fang, W. 2020. Rework in Construction: A Focus on Error and Violation. Journal of Construction Engineering and Management 146 (9): 06020001.

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Project Management Institute [PMI]. 2017. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 6ed. Project Management Institute. Newtown Square, PA, EUA.

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Project Management Institute [PMI]. 2025. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 8ed. Project Management Institute. Newtown Square, PA, EUA.

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Thiollent, M. 2011. Metodologia da pesquisa-ação. 18ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.

Villa, L. G.; Marco, G.; Quaresma, J. E. 2025. Estudo da Gestão da Qualidade na Construção Civil: Foco na Produtividade e na Redução de Desperdícios. Revista Científica Recima21 6(1): 1-16.

Yin, R. K. 2015. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5ed. Bookman Editora, Porto Alegre, RS, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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