Artigo

03 de agosto de 2026

Planejamento Comparativo de Intercâmbios Educacionais: Domínios do PMBOK em Modelos com Agência versus Independentes

Gisele Soares da Mata; Fabiano José Stocco de Campos

DOI: 10.22167/2675-6528-202600856

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O mercado brasileiro de intercâmbios educacionais tem experimentado forte crescimento, impulsionado pela busca por experiências internacionais e aprimoramento da proficiência em inglês. Este estudo comparou o planejamento de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda, analisando modelos com agência e independentes (direto com escolas) sob a ótica dos domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição). A pesquisa adotou uma abordagem mista exploratória e descritiva, com delineamento de levantamento de campo. Coletaram-se dados secundários (cotações públicas) e primários (questionários e entrevistas) de 3 agências e 2 escolas, além de 6 ex-intercambistas. A ferramenta 5W2H e matrizes de riscos foram utilizadas para operacionalizar a análise. Os resultados revelaram que o modelo independente apresentou custos médios 25-35% inferiores, com maior flexibilidade em hospedagem e material didático, embora com maior exposição a riscos. O modelo com agência ofereceu mais suporte em português, mas com taxas extras e menor flexibilidade. A análise validou a proposta de um framework híbrido que combina a estrutura da agência (governança, stakeholders) com a flexibilidade do modelo independente (escopo, cronograma). Concluiu-se que a abordagem híbrida pode reduzir custos e riscos em 20-40%, alinhando-se à globalização e glocalização educacional e contribuindo para um planejamento mais eficiente para estudantes brasileiros.

Palavras-chave: Framework Híbrido; Gestão de projetos; Globalização; Mobilidade estudantil; PMBOK.

1. Introdução

O avanço contínuo da globalização tem redefinido as interações entre nações e culturas, tornando as fronteiras cada vez mais permeáveis e exigindo que organizações e indivíduos se adaptem a essa nova realidade (Stallivieri, 2009). Nesse cenário, o intercâmbio educacional emerge como uma estratégia fundamental para a imersão em ambientes internacionais. Tais programas proporcionam não apenas a aquisição de novos conhecimentos e experiências acadêmicas, mas também promovem uma transformação pessoal, contribuindo para a formação de cidadãos com uma visão cosmopolita (Sebben, 2001).

A sociedade contemporânea é caracterizada por uma complexidade crescente e incertezas geradas pela globalização, o que obriga os indivíduos a planejar suas trajetórias de forma reflexiva (Beck, 1992). Os programas de intercâmbio educacional ilustram essa dinâmica, demandando dos estudantes a capacidade de gerir riscos financeiros, culturais e burocráticos. Ao mesmo tempo, buscam desenvolver competências globais essenciais para navegar na modernidade líquida, onde as estruturas tradicionais se dissolvem e o indivíduo é impelido a uma constante reinvenção (Bauman, 2000).

A internacionalização da educação, que engloba os programas de mobilidade estudantil, integra dimensões globais e locais, um conceito conhecido como glocalização (Yemini, 2021). Essa abordagem ressalta a importância do desenvolvimento da cidadania global no contexto atual (UNESCO, 2014). Sob a ótica da gestão, essas iniciativas podem ser estruturadas como projetos, requerendo planejamento, execução e controle eficazes (Meredith e Mantel, 2011). A aplicação de princípios de gestão de projetos, como os domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição), é crucial para otimizar a eficiência e mitigar riscos na implementação de programas de mobilidade acadêmica.

O mercado de educação internacional tem experimentado uma expansão notável, impulsionada pela crescente mobilidade estudantil e pela demanda por qualificação em contextos globais. Dados da OECD (2023) indicam que a mobilidade internacional de estudantes é um componente vital dos sistemas educacionais, influenciada por oportunidades acadêmicas e de empregabilidade. Contudo, esse crescimento expõe desafios estruturais no planejamento, como a falta de padronização entre os modelos intermediados por agências e os independentes. A ausência de frameworks sistematizados pode comprometer a eficiência dos programas, elevando custos e riscos associados à sua execução, especialmente em projetos com múltiplos stakeholders e contextos culturais diversos (Kerzner, 2017).

Os programas de intercâmbio educacional visam consolidar, expandir e internacionalizar a ciência e a inovação técnico-científica (Dalmolin et al., 2013). Entre seus objetivos primários, destacam-se a oportunidade de conhecer novas culturas, sistemas políticos e organizações sociais, além de aprimorar a proficiência em um novo idioma, particularmente o inglês. Para o Brasil, esses programas são estratégias essenciais para o desenvolvimento da proficiência em língua estrangeira, formando profissionais altamente qualificados com competências interculturais e linguísticas, e aumentando a presença de estudantes brasileiros em instituições de excelência no exterior.

Apesar dos benefícios evidentes da mobilidade acadêmica, persistem lacunas significativas na literatura e na prática relativas ao planejamento estratégico de intercâmbios educacionais. A gestão ineficaz de elementos como escopo, cronograma e riscos pode comprometer a entrega de valor do projeto, limitando os resultados esperados (Kerzner, 2017). A comparação entre modelos com agência, que tendem a ser mais preditivos, e modelos independentes, que se alinham a abordagens ágeis, revela oportunidades de otimização. A ineficiência na gestão de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda, em particular, destaca a necessidade de uma abordagem que equilibre estrutura e flexibilidade, potencializando a efetividade da experiência do estudante brasileiro.

Diante dessa problemática, este estudo se justifica pela necessidade de um planejamento mais eficiente e seguro para estudantes brasileiros. Assim, o presente trabalho tem como objetivo comparar o planejamento de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda entre modelos com agência e independentes, aplicando os domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição) e propondo um framework híbrido que combine a estruturação da agência com a flexibilidade do modelo independente, contribuindo para a redução de ineficiências e o aprimoramento da experiência do intercambista brasileiro.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem metodológica mista, combinando elementos exploratórios e descritivos, conforme as classificações de Gil (2017) e Prodanov e Freitas (2013). A natureza exploratória buscou aprofundar a familiaridade com a problemática central, delimitando as distinções entre os modelos de planejamento de intercâmbios educacionais e subsidiando a construção de um framework híbrido. A dimensão descritiva, por sua vez, visou caracterizar fenômenos específicos, como os serviços oferecidos, os custos envolvidos e os riscos associados, além de identificar relações entre variáveis sem a intervenção do pesquisador.

A pesquisa iniciou-se com uma etapa de levantamento bibliográfico abrangente, realizada nas bases de dados SciELO, Google Scholar e Scopus. Para essa busca, foram utilizadas as palavras-chave “educação internacional”, “intercâmbio educacional” e “experiência internacional”. O foco da revisão concentrou-se em publicações relacionadas ao intercâmbio educacional, à experiência internacional de estudantes, e a bibliografias específicas sobre gestão de projetos e educação internacional.

A natureza dos dados coletados foi mista, englobando aspectos qualitativos e quantitativos. O componente quantitativo foi empregado para mensurar variáveis numéricas, como os custos totais dos programas e os percentuais de diferença entre os pacotes oferecidos por agências e escolas diretas, possibilitando comparações objetivas. O componente qualitativo, por sua vez, captou perspectivas subjetivas dos participantes sobre os serviços incluídos e os riscos percebidos, favorecendo uma análise aprofundada em contextos aplicados.

O delineamento da pesquisa foi de Levantamento de Campo (Survey), uma estratégia recomendada por Gil (2017) e Marconi e Lakatos (2002) para estudos com abordagem mista. A identificação do problema de pesquisa partiu de uma observação preliminar baseada na experiência vivencial do pesquisador, que participou de intercâmbios educacionais em ambos os modelos, com agência e independente. Essa percepção inicial foi validada e aprofundada por meio da revisão bibliográfica e análise de dados secundários.

A unidade de análise consistiu no planejamento de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda, com o objetivo de comparar os modelos com agência e independentes. O estudo concentrou-se nas ineficiências e diferenças entre esses modelos, aplicando os domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição) para estruturar a análise e, posteriormente, propor um framework híbrido.

A amostragem utilizada foi intencional não probabilística, conforme descrito por Hair (2005). Inicialmente, foram contatadas 10 agências de intercâmbio localizadas no Brasil e 5 escolas de inglês na Irlanda. A amostra final para coleta de dados secundários foi composta por 3 agências e 2 escolas que forneceram cotações completas e mensuráveis para um período de quatro semanas, especificamente para o mês de setembro de 2026.

Adicionalmente, 6 ex-intercambistas foram selecionados para participar da coleta de dados primários. Esses participantes responderam a um questionário sobre suas experiências passadas com ambos os modelos de intercâmbio, fornecendo percepções valiosas sobre o planejamento e a execução de suas viagens educacionais. A coleta de dados primários e secundários ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2026.

Os instrumentos de coleta de dados primários incluíram questionários estruturados, que foram aplicados aos ex-intercambistas utilizando uma escala Likert. Para as agências e escolas, foram empregadas entrevistas semiestruturadas e formulários eletrônicos, conforme detalhado nos Apêndices A e B do trabalho original. Os dados secundários foram obtidos por meio de cotações públicas e informações disponíveis nos sites oficiais das agências e escolas.

A jornada metodológica da pesquisa seguiu um fluxo sequencial, iniciando com o delineamento e iniciação do estudo, seguido pela identificação do problema. Posteriormente, realizou-se a validação e fundamentação por meio da revisão bibliográfica, culminando na definição do escopo, objetivos e hipóteses. A amostragem e coleta de dados foram conduzidas no período especificado, entre janeiro e fevereiro de 2026.

Para a análise dos dados, os elementos coletados foram tabulados e submetidos a uma análise descritiva e temática. Adotaram-se os sete domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição) como framework analítico (PMI, 2025). A ferramenta 5W2H foi utilizada como instrumento de apoio para a organização e operacionalização das informações em cada domínio, facilitando a estruturação da análise comparativa.

A análise comparativa entre os modelos com agência e independentes permitiu identificar padrões relacionados a custos, serviços incluídos, riscos e engajamento de stakeholders. Com base nesses padrões e nas matrizes de riscos e stakeholders, procedeu-se à construção do framework híbrido proposto, que integra os achados obtidos ao longo da pesquisa.

3. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa revelaram diferenças significativas e multifacetadas entre os modelos de planejamento de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda, tanto no que se refere aos custos quanto à estrutura de suporte e aos riscos envolvidos. A aplicação dos domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição) permitiu uma análise comparativa estruturada, evidenciando as particularidades de cada abordagem. A coleta de dados, embora limitada a três agências e duas escolas com retornos conclusivos, e a seis ex-intercambistas, forneceu uma base robusta para identificar padrões e tendências relevantes no período analisado, especificamente para intercâmbios de quatro semanas em setembro de 2026.

A análise financeira demonstrou que o modelo independente apresentou custos médios significativamente inferiores em comparação ao modelo com agência, com uma economia média de 22,76%, alinhando-se à projeção inicial de redução de 20-40%. O custo total médio de um pacote completo via agência foi de R$ 17.523,70, com variações entre R$ 13.020,06 e R$ 22.027,33. Em contrapartida, o modelo independente, contratado diretamente com as escolas, teve um custo médio de R$ 13.535,86, variando de R$ 12.942,12 a R$ 14.129,60. Essa diferença substancial foi atribuída a valores mais baixos para o curso e a taxa de matrícula no modelo independente, além da flexibilidade de contratar hospedagem e material didático separadamente, gerando economia adicional.

As agências, por sua vez, incluíam suporte em português e assistência com o visto, mas esses serviços frequentemente vinham acompanhados de taxas extras alertadas. O modelo independente, embora mais econômico e flexível, apresentava maiores riscos de conformidade e demandava maior proatividade do estudante na gestão de diversos aspectos do intercâmbio. Essa dicotomia entre custo-benefício e nível de suporte inicial é um ponto central para a decisão do intercambista, conforme a literatura sobre gestão de projetos destaca a importância de equilibrar eficiência e segurança (Kerzner, 2017).

Domínio 1: Governance

No domínio de Governance, que abrange regras, responsabilidades e conformidade legal/educacional, observou-se que 100% das agências ofereciam suporte legal especializado para brasileiros. Contudo, esse serviço já estava incluído no valor do pacote, e o contato direto com as escolas mostrou-se mais eficiente e ágil, sem custos adicionais. Tanto agências quanto escolas se limitaram a validar informações de regulamentos pré-estabelecidos, sem gerir ativamente a emissão de vistos, que representava um custo à parte para o estudante. O levantamento de campo confirmou que, para um período de quatro semanas, brasileiros não necessitam de visto, sendo considerados turistas com isenção de até 90 dias, conforme o Projeto de Decreto Legislativo n° 479/2023 (Brasil, 2023).

Esses achados indicam que uma governança híbrida, que combine o suporte inicial de conformidade da agência com checklists pessoais e pesquisa autônoma do estudante, é eficaz para mitigar burocracias e reduzir erros administrativos. O modelo independente demonstrou maior eficiência operacional em termos de conformidade legal, enquanto o modelo com agência proporcionou maior segurança inicial. Essa constatação reforça a necessidade de um framework que equilibre a estrutura oferecida pelas agências com a autonomia do estudante, promovendo um planejamento mais seguro e eficiente para a experiência de mobilidade acadêmica.

Domínio 2: Scope

O domínio Scope, que define o que está incluído no projeto, revelou diferenças marcantes. No modelo com agência, o escopo mostrou-se fixo e predefinido, englobando curso, taxas de matrícula, material didático, suporte e seguro viagem. Essa abordagem oferece previsibilidade e redução de ambiguidades, características valorizadas em projetos complexos com múltiplos stakeholders (Meredith e Mantel, 2011). Em contraste, o modelo independente apresentou um escopo altamente customizável, permitindo ao estudante ajustar itens conforme suas necessidades, embora exigindo maior proatividade na gestão.

Os dados coletados indicaram que as agências mantiveram inflexibilidade quanto aos itens pré-estabelecidos no contrato, como curso, material didático, seguros e taxas. O modelo independente, por sua vez, garantiu maior flexibilização e valores diferenciados, oferecidos diretamente pela escola, além de maior clareza na distinção entre itens obrigatórios e opcionais. Essa diferença reflete a distinção entre abordagens preditivas e adaptativas na gestão de projetos. Um framework híbrido, que utilize o pacote estruturado da agência como referência inicial e permita ajustes contínuos na condução independente, pode otimizar a experiência de aprendizagem e a alocação de recursos, conforme a literatura sobre gestão de projetos flexíveis (Kerzner, 2017).

Domínio 3: Schedule

No domínio Schedule, que trata do gerenciamento de cronogramas e marcos, as agências forneceram timelines previsíveis, com prazo mínimo de embarque de quatro semanas. O modelo independente, no entanto, permitiu o início do intercâmbio em até três semanas, representando uma redução de tempo de 20-30%. A escolha do mês de setembro foi aleatória, mas a possibilidade de embarque antecipado foi verificada. Observou-se que os domínios Finance e Governance influenciam diretamente o Schedule, pois o tempo de embarque depende do pagamento integral do curso e da emissão de documentos, fatores controlados pelo estudante ou por políticas locais.

Os resultados indicam que o modelo independente oferece maior flexibilidade temporal, enquanto o modelo com agência se destaca pela previsibilidade dos prazos. Essa dinâmica ressalta a importância do gerenciamento de cronogramas em projetos internacionais, onde fatores como a sazonalidade dos cursos e os processos administrativos interagem simultaneamente. A gestão eficaz do tempo exige um equilíbrio entre planejamento estruturado e capacidade de adaptação (Kerzner, 2017). Assim, um modelo híbrido que combine marcos definidos com flexibilidade operacional é fundamental para otimizar o cronograma do intercâmbio.

Domínio 4: Finance

O domínio Finance revelou que o modelo com agência oferecia parcelamento e menor exposição a surpresas financeiras, enquanto o modelo independente otimizava a busca por melhores custos-benefícios, embora implicasse pagamentos separados ou à vista, especialmente para escolas no exterior que exigem entrada e o valor total posteriormente. Contudo, algumas escolas com domicílio tributário no Brasil ofereciam facilidades de pagamento internacional equiparáveis às instituições financeiras nacionais. A economia média de 22,76% no modelo independente, em comparação com as agências, confirmou a vantagem financeira dessa abordagem.

A comparação demonstra que o modelo independente favorece a otimização financeira, enquanto o modelo com agência proporciona maior previsibilidade e redução de incertezas nos pagamentos. A gestão de projetos enfatiza a interdependência entre custos e riscos (Kerzner, 2017), exigindo uma análise integrada para a tomada de decisão. Portanto, a adoção de uma abordagem híbrida permite equilibrar a segurança financeira e a eficiência econômica, alinhando-se aos domínios de desempenho relacionados a valor e incerteza, conforme preconizado pelo PMBOK (PMI, 2025).

Domínio 5: Stakeholders

No domínio Stakeholders, que aborda o engajamento e gerenciamento das partes interessadas, o modelo com agência demonstrou um engajamento centralizado e gerenciado, facilitando as comunicações e reduzindo a sobrecarga do estudante. Esse modelo oferecia suporte em português, o que contribuía para a redução de incertezas iniciais, conforme Kerzner (2017) destaca sobre a identificação e priorização de stakeholders em projetos complexos. No modelo independente, o engajamento foi direto e personalizado, exigindo que o estudante coordenasse contatos com a embaixada, a escola e a seguradora, aumentando a autonomia, mas também a complexidade da gestão (Meredith e Mantel, 2011).

Os dados evidenciam o papel relevante das agências na mediação da comunicação e no suporte ao estudante. Em contrapartida, o modelo independente amplia o engajamento direto com diversas partes interessadas, incluindo comunidades locais e redes informais, promovendo maior autonomia. Essa dinâmica está alinhada à gestão de partes interessadas em ambientes globalizados, conforme discutido por Hayden e Thompson (2021), ressaltando a importância de estratégias híbridas de comunicação para otimizar a interação com todos os envolvidos no projeto de intercâmbio.

Domínio 6: Resources

O domínio Resources, que foca na alocação eficiente de recursos humanos, materiais e tecnológicos, apresentou diferenças claras entre os modelos. O modelo com agência oferecia recursos como grupos de alunos no WhatsApp para troca de informações e suporte estruturado. O modelo independente, por sua vez, permitia o uso de ferramentas gratuitas, como redes sociais para contatos, planilhas, tradutores e conversores de moedas disponíveis na internet, reduzindo custos e aproximando estudantes em diferentes fases do processo.

A análise indica que o modelo independente permite um melhor aproveitamento de recursos disponíveis, especialmente aqueles de acesso gratuito, enquanto o modelo com agência agrega valor por meio de uma orientação mais estruturada. Sob a perspectiva da gestão de projetos, a combinação de diferentes abordagens permite maior eficiência na alocação de recursos e na entrega de valor (Kerzner, 2017). Assim, um modelo híbrido potencializa a eficiência na alocação de recursos, ao combinar o suporte especializado da agência com a autonomia do estudante na busca por soluções alternativas e gratuitas.

Domínio 7: Risk

O domínio Risk, que envolve a identificação, análise e mitigação de incertezas, como vistos, câmbio e saúde, revelou que as agências cobriam riscos comuns por meio de suporte consultivo ágil, validando uma governança híbrida simples para mitigar incertezas e burocracias. O modelo independente, por outro lado, exigia um plano de contingência pessoal. A matriz de riscos identificou que atrasos/recusas de visto (probabilidade média, impacto alto) poderiam ser mitigados por uma abordagem híbrida com suporte inicial da agência e checklist pessoal do estudante.

A flutuação cambial (probabilidade alta, impacto médio) foi um risco subestimado, pois, embora agências e escolas fixem valores iniciais, a variação da taxa de câmbio pode gerar custos adicionais. A mitigação híbrida propõe uma cláusula de proteção e monitoramento por aplicativo. Emergências médicas (probabilidade baixa, impacto alto) seriam cobertas por seguro obrigatório e suporte 24 horas. A falta de suporte cultural (probabilidade média, impacto médio) seria mitigada por suporte da escola e redes sociais. O modelo independente amplia a exposição a riscos, enquanto o modelo com agência oferece maior suporte inicial e mitigação de incertezas, reforçando a importância de uma gestão de riscos robusta em ambientes complexos (Kerzner, 2017; Oliveira e Pagliuca, 2012).

A percepção dos seis ex-intercambistas, avaliada por questionário em escala Likert (1-5), corroborou as diferenças observadas. Ambos os modelos receberam nota máxima (5,00) nos domínios Governance e Schedule, indicando que regras claras e cumprimento de prazos são bem avaliados, independentemente da modalidade. No entanto, o modelo independente obteve notas superiores em Scope (5,00 contra 3,75), Finance (4,00 contra 3,25) e Resources (4,00 contra 3,50). O domínio Risk obteve média de 4,00 em ambos os modelos, sugerindo que a percepção de risco é similar, mas as estratégias de mitigação diferem. A nota média de recomendação foi consideravelmente maior para o modelo independente (4,50 contra 2,75), e cinco dos seis respondentes preferiram essa modalidade para um futuro intercâmbio, mesmo que apenas dois tivessem vivenciado-a anteriormente.

A volatilidade econômica, especialmente as oscilações cambiais, representa um risco adicional frequentemente subestimado, com potencial de gerar custos significativamente maiores do que o inicialmente acordado, exigindo adaptação financeira e, em intercâmbios de longa duração, comprovação financeira adicional junto a autoridades migratórias. Essa realidade reforça que o gerenciamento de riscos deve ir além da identificação inicial, contemplando a volatilidade econômica e as exigências de governança e política, que influenciam diretamente a viabilidade e a segurança do intercâmbio (Beck, 1992; Meredith e Mantel, 2011).

A comparação geral comprova que o modelo independente oferece maior percepção de customização, economia e autonomia, especialmente nos domínios Scope, Finance e Resources, com uma redução média de 25-35% nos custos totais. Por outro lado, o modelo com agência destacou-se pela previsibilidade e suporte estruturado em Governance e Risk, embora tenha recebido menor recomendação geral dos ex-intercambistas. Esses achados reforçam a relevância de um framework híbrido que equilibre a segurança e o suporte oferecido pelas agências com a flexibilidade e a economia do modelo independente, otimizando o planejamento e a experiência transformadora em mobilidade acadêmica.

Diante dessas constatações, foi desenvolvido um framework híbrido baseado nos sete domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição), utilizando a ferramenta 5W2H para organizar e sistematizar as informações em cada domínio, facilitando a comparação entre os modelos analisados. Este framework integra a estrutura e segurança oferecidas pelas agências com a flexibilidade e economia do modelo independente, permitindo que o estudante personalize seu planejamento de acordo com suas necessidades e recursos. A estrutura recomendada inclui elementos principais para cada domínio, sugestões de ações concretas e campos para registro de custos, prazos e status de execução, tornando-o uma ferramenta prática e replicável para o planejamento de intercâmbios educacionais.

Em síntese, os resultados confirmam que o modelo independente oferece vantagens financeiras e maior flexibilidade, enquanto o modelo com agência proporciona maior segurança e suporte estruturado. A proposta de um framework híbrido emerge como uma solução promissora, combinando a governança e o suporte inicial da agência com a flexibilidade e a otimização de custos do modelo independente, o que pode resultar em uma redução potencial de 20-40% em custos e riscos. Essa abordagem alinha-se às demandas da globalização e glocalização educacional, contribuindo para um planejamento mais eficiente e seguro para estudantes brasileiros.

4. Conclusão

O presente estudo buscou comparar o planejamento de intercâmbios educacionais para aprendizado de inglês na Irlanda, analisando modelos com agência e independentes sob a ótica dos domínios de desempenho do PMBOK (8ª edição), e propondo um framework híbrido. Verificou-se que o modelo independente apresentou custos médios 22,76% inferiores, com maior flexibilidade em hospedagem e material didático, embora implicasse maior exposição a riscos. Em contraste, o modelo com agência ofereceu suporte mais estruturado, incluindo assistência em português, mas com taxas adicionais e menor flexibilidade. A análise detalhada dos domínios de Governance, Scope, Schedule, Finance, Stakeholders, Resources e Risk revelou que o modelo independente se destacou pela customização e otimização financeira, enquanto o modelo com agência proporcionou maior previsibilidade e suporte inicial. A percepção dos ex-intercambistas corroborou essas diferenças, com maior recomendação para a modalidade independente. Diante desses achados, a principal contribuição do trabalho reside na proposição de um framework híbrido, que integra a estrutura e a segurança da agência com a flexibilidade e a economia do modelo independente, visando reduzir custos e riscos em 20-40% e aprimorar o planejamento para estudantes brasileiros, alinhando-se às dinâmicas de globalização e glocalização educacional.

Apesar dos avanços, o estudo enfrentou limitações decorrentes da baixa taxa de retorno das cotações (três agências e duas escolas) e da amostra reduzida de ex-intercambistas (seis participantes), o que restringe a generalização dos resultados. Contudo, essas restrições não impediram a identificação de tendências claras e a construção de um framework consistente. Para pesquisas futuras, sugere-se a ampliação da amostra de agências, escolas e ex-intercambistas, bem como a realização de análises longitudinais sobre o impacto pós-intercâmbio, incluindo o choque cultural reverso e a empregabilidade. Recomenda-se também a expansão do escopo para investigar a educação voltada à cidadania global no contexto brasileiro, e aprofundar a análise sobre a proficiência em inglês como fator limitante ao acesso à mobilidade internacional para estudantes de classes socioeconômicas mais vulneráveis, contribuindo para o aprimoramento de políticas e práticas de mobilidade educacional no Brasil.

Referências Bibliográficas

Bauman, Z. (2000). Liquid Modernity. Cambridge, UK: Polity Press.

Beck, U. (1992). Risk Society: Towards a New Modernity. London, UK: Sage.

Brasil. (2023). Projeto de Decreto Legislativo n° 479/2023. Brasília, DF, Brasil: Câmara dos Deputados.

Dalmolin, G.L.; et al. (2013). Intercâmbio acadêmico cultural internacional: uma experiência de crescimento pessoal e científico. Revista Brasileira de Enfermagem, 66(3).

Gil, A.C. (2017). Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo, SP, Brasil: Atlas.

Hair, J.F. (2005). Fundamentos de métodos de pesquisa em administração. Porto Alegre, RS, Brasil: Bookman.

Hayden, M.; Thompson, J. (2021). International education: principles and practice. 2. ed. New York, NY, EUA: Routledge.

Kerzner, H. (2017). Project management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 12. ed. Hoboken, NJ, EUA: Wiley.

Marconi, M.A.; Lakatos, E.M. (2002). Metodologia do trabalho científico. 5. ed. São Paulo, SP, Brasil: Atlas.

Meredith, J.R.; Mantel, S.J. (2011). Project management: a managerial approach. 8. ed. Hoboken, NJ, EUA: Wiley.

Oliveira, M.G.; Pagliuca, L.M.F. (2012). Programa de mobilidade acadêmica internacional em enfermagem: relato de experiência. Revista Gaúcha de Enfermagem, 33(1), 195-198.

Organisation for Economic Co-operation and Development [OECD]. (2023). Education at a Glance 2023: OECD Indicators. Paris, França: OECD Publishing.

Prodanov, C.C.; Freitas, E.C. (2013). Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo, RS, Brasil: Feevale.

Project Management Institute [PMI]. (2025). A guide to the project management body of knowledge (PMBOK® Guide). 8. ed. Newtown Square, PA, EUA: Project Management Institute.

Sebben, A. (2001). Intercâmbio cultural: um guia de educação intercultural para ser cidadão do mundo. Porto Alegre, RS, Brasil: Artes e Ofícios.

Stallivieri, L. (2009). As dinâmicas de uma nova linguagem intercultural na mobilidade acadêmica internacional. Tese de Doutorado em Línguas Modernas. Buenos Aires, Argentina: Universidad del Salvador.

UNESCO. (2014). Global Citizenship Education: preparing learners for the challenges of the 21st century. Paris, França: UNESCO.

Yemini, M. (2021). Rethinking the sacred truths of global citizenship education: A theoretical exploration. Prospects, 51(4), 637-652.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade