Artigo

30 de julho de 2026

Perspectivas de profissionais de Tl sobre o trabalho remoto no pós-pandemia

Gustavo Ferreira Borges; Ana Paula Dário Zocca

DOI: 10.22167/2675-6528-202600882

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O trabalho remoto, intensificado pela pandemia de COVID-19, redefiniu as dinâmicas corporativas, especialmente no setor de Tecnologia da Informação. Com o objetivo de investigar as percepções de profissionais de TI sobre essa modalidade no período pós-pandemia, o estudo considerou aspectos como satisfação, desafios, impactos na carreira e expectativas futuras. A pesquisa adotou uma abordagem exploratória e mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos por meio de um questionário online e anônimo. O instrumento foi aplicado a profissionais de TI de diversas especializações, abordando produtividade, comunicação, motivação, investimentos tecnológicos e competências. Foram coletadas 20 respostas. Os resultados revelaram consenso sobre os ganhos práticos do trabalho remoto, incluindo aumento da produtividade, melhoria da qualidade de vida e maior flexibilidade, além da aceleração de iniciativas digitais e da centralidade da TI nos negócios. Contudo, surgiram divergências quanto à comunicação e motivação das equipes, com alguns destacando avanços na colaboração digital e outros apontando isolamento e burocratização. Constatou-se a valorização de competências como autonomia, comunicação clara e domínio de tecnologias emergentes, como inteligência artificial e cloud computing. Concluiu-se que o trabalho remoto representa uma transformação estrutural na área de TI, demandando ajustes culturais e organizacionais para equilibrar flexibilidade e eficiência, e consolidar práticas que assegurem engajamento, produtividade e inovação em ambientes distribuídos.

Palavras-chave: Competências; Cultura Organizacional; Profissionais de Tecnologia da Informação (TI); Trabalho Remoto.

1. Introdução

O trabalho remoto, também denominado teletrabalho ou home office, assumiu posição central nos estudos sobre organização do trabalho a partir da pandemia de COVID-19. Embora discutida antes de 2020, a necessidade de distanciamento social impulsionou sua adoção em larga escala, transformando as relações laborais e a dinâmica organizacional (Vilarinho et al., 2020). O período pandêmico funcionou como um laboratório social, acelerando a experimentação do trabalho remoto como alternativa para a continuidade das atividades. Consequentemente, o teletrabalho consolidou-se como prática de gestão, exigindo mudanças estruturais e culturais nas organizações (Pinto, 2023).

No Brasil, estudos acadêmicos apontam benefícios relevantes do trabalho remoto, como maior flexibilidade, redução do tempo de deslocamento, autonomia na execução das tarefas e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores. Vilarinho et al. (2020), em pesquisa, identificaram percepções positivas dos teletrabalhadores em relação ao desempenho profissional e ao bem-estar. Resultados semelhantes foram observados por Martins e Freire (2020), que destacam impactos positivos na produtividade e no desempenho, desde que haja suporte organizacional adequado.

Por outro lado, a literatura acadêmica também evidencia desafios associados ao trabalho remoto. Questões como saúde física e mental, isolamento social e ampliação da jornada de trabalho são recorrentes. Estudos indicam que a ausência de limites claros entre vida pessoal e profissional, e condições ergonômicas inadequadas, podem gerar impactos negativos à saúde (Mishima-Santos et al., 2020). A implementação do teletrabalho durante a pandemia, muitas vezes sem planejamento suficiente, agravou problemas de sobrecarga laboral e cumprimento de metas (Vieira e Barros, 2025).

A pandemia da COVID-19 acelerou transformações no mercado de trabalho, especialmente no setor de Tecnologia da Informação (TI), que já apresentava forte tendência à digitalização. No estado de São Paulo, principal polo tecnológico do Brasil, empresas foram obrigadas a adotar o trabalho remoto emergencialmente, impactando a condução de equipes e o engajamento (Moreno, 2021). Com o avanço da vacinação e a retomada gradual das atividades presenciais, muitas organizações paulistas mantiveram modelos híbridos ou totalmente remotos, consolidando uma nova realidade corporativa.

Nesse contexto, a liderança enfrenta desafios inéditos, como manter a coesão das equipes à distância, garantir a produtividade e preservar a cultura organizacional. O engajamento dos profissionais tornou-se preocupação central, dada a emergência de fatores como isolamento social, sobrecarga de trabalho e dificuldade de desconexão (Gama, 2024). As expectativas dos profissionais de TI também se alteraram, valorizando mais a flexibilidade, autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Essa nova configuração exige que líderes desenvolvam competências digitais, comunicação eficaz e estratégias para manter a motivação em equipes distribuídas (Berlingen, 2018).

A adoção intensiva de ferramentas digitais para comunicação e gestão de projetos, embora facilite as atividades, também pode gerar desafios como sobrecarga informacional e fadiga digital. Nesse cenário, compreender como as empresas equilibram tecnologia, processos e gestão de pessoas é essencial para resultados sustentáveis (Bondanini et al., 2025). A investigação das percepções dos profissionais de TI sobre esses aspectos é crucial, pois este grupo esteve na vanguarda da transformação digital, e suas experiências oferecem insights valiosos para a adaptação contínua dos modelos de trabalho.

A presente pesquisa justifica-se pela relevância de investigar as nuances do trabalho remoto no setor de TI, um ambiente paradigmático para as novas configurações laborais. Compreender as vivências e expectativas desses profissionais é fundamental para desenvolver estratégias de gestão de pessoas mais eficazes e adaptadas à realidade pós-pandemia. O estudo tem como objetivo investigar as percepções de profissionais de TI sobre o trabalho remoto no período pós-pandemia, considerando satisfação, desafios, impactos na carreira e expectativas futuras.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa foi classificada como aplicada, buscando a aquisição de conhecimentos com vistas à aplicação em uma situação específica. Quanto aos seus propósitos, o estudo adotou uma natureza exploratória, visando proporcionar maior familiaridade com o problema investigado e torná-lo mais explícito, conforme as tipologias propostas por Gil (2022). A abordagem metodológica empregada foi mista, combinando elementos quantitativos e qualitativos para uma compreensão abrangente do fenômeno.

O objeto empírico da pesquisa consistiu nas percepções de profissionais da área de Tecnologia da Informação (TI) sobre o trabalho remoto no período pós-pandemia. Embora não se tenha delimitado uma instituição específica, os participantes foram profissionais atuantes no setor de TI, abrangendo diferentes cargos e especializações, o que permitiu capturar uma diversidade de experiências e pontos de vista sobre a modalidade de trabalho.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário eletrônico online, desenvolvido com base em uma revisão da literatura científica da área. O instrumento foi estruturado de forma a alinhar-se aos objetivos da pesquisa, passando por um processo gradual de construção e aprimoramento. Esse processo garantiu que a versão final do questionário fosse abrangente e adequada para coletar as informações necessárias.

O questionário foi composto por 5 perguntas fechadas e 7 questões abertas, organizadas em três seções principais para assegurar clareza e objetividade. A primeira seção abordou a introdução e o consentimento, a segunda focou no perfil do respondente, e a terceira investigou as percepções sobre o trabalho remoto no contexto pós-pandemia. As perguntas fechadas empregaram uma escala Likert de 1 a 5, enquanto as abertas buscaram captar sugestões e opiniões detalhadas (Bardin, 2011).

A elaboração das perguntas teve como base instrumentos científicos amplamente utilizados para medir dimensões do trabalho remoto. Foram consideradas escalas de engajamento no trabalho (Schaufeli et al., 2006), indicadores de comunicação e suporte da liderança (Bass e Avolio, 1995), e dimensões de produtividade e percepção de desempenho (Bloom et al., 2015). Variáveis de perfil dos respondentes foram incluídas, seguindo a prática de estudos sobre modelos de trabalho e produtividade (Felstead e Henseke, 2017; Bloom et al., 2015).

A coleta de dados ocorreu no período de 31 de março a 6 de abril de 2026, por meio da plataforma Google Forms. A divulgação do formulário foi realizada de forma direta e intencional, utilizando o aplicativo WhatsApp, tanto em conversas privadas quanto em grupos profissionais dos quais o pesquisador participava. A amostra foi composta por 20 profissionais que responderam ao questionário de forma voluntária.

Os participantes foram selecionados com base em dois critérios principais: possuir formação acadêmica em alguma área da Tecnologia da Informação e ter experiência profissional prévia no setor. A seleção priorizou profissionais conhecidos ao longo da trajetória acadêmica e profissional do pesquisador. Os dados obtidos foram organizados em planilhas para posterior análise, utilizando o software Microsoft Excel.

Em relação aos cuidados éticos, a pesquisa garantiu o anonimato e a confidencialidade das respostas, não coletando nomes, e-mails ou dados sensíveis que pudessem identificar os participantes. O preenchimento do questionário implicou consentimento livre e esclarecido para o uso dos dados de forma agregada. A pesquisa, por se tratar de levantamento de opinião pública com participantes não identificados, não foi submetida à avaliação do sistema CEP/CONEP, conforme a Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2016) e as recomendações de Creswell (2014) para pesquisas em Ciências Humanas.

A análise dos dados quantitativos foi realizada por meio da organização em planilhas e tabelas no Microsoft Excel. Para as questões abertas, empregou-se a técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016). Essa técnica permitiu a organização, categorização e interpretação sistemática das respostas. As categorias de análise foram estabelecidas previamente, orientadas pelos objetivos da pesquisa e pela literatura sobre trabalho remoto, incluindo: percepções, opiniões, benefícios, dificuldades e expectativas dos profissionais (Gil, 2019; Minayo, 2014).

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, interpretando-os à luz do objetivo de investigar as percepções de profissionais de TI sobre o trabalho remoto no período pós-pandemia, considerando satisfação, desafios, impactos na carreira e expectativas futuras. Os resultados foram obtidos por meio de um questionário online aplicado a 20 profissionais de TI, combinando dados quantitativos de escala Likert com análises qualitativas de questões abertas. Inicialmente, apresenta-se o perfil dos participantes, seguido pelas percepções sobre o trabalho remoto em diversos aspectos, culminando em uma discussão integrada dos achados.

Perfil dos participantes

A análise do perfil dos 20 participantes revelou uma diversidade de cargos e especializações na área de Tecnologia da Informação. Observou-se a presença de funções que variam desde posições mais operacionais até cargos de maior complexidade técnica e de liderança. Dentre os cargos, Engenheiro de Software e Engenheiro de Dados Pleno foram os mais recorrentes, o que sugere uma alta demanda do mercado por profissionais qualificados nessas especialidades e reflete a complexidade e segmentação do campo de TI. Essa diversidade de perfis enriquece a análise, proporcionando uma visão abrangente das percepções sobre o trabalho remoto.

Em relação às áreas de atuação ou especialização, a pesquisa identificou uma predominância de profissionais que se identificam como TI generalista. Em seguida, destacaram-se as áreas relacionadas ao desenvolvimento de software, engenharia de dados e suporte de TI. Esses resultados sublinham a multiplicidade de competências técnicas e a versatilidade profissional exigidas no setor. A distribuição dos participantes entre diferentes modelos de trabalho prévios indicou que o modelo remoto foi o mais recorrente, com 41,46% das experiências, enquanto os modelos híbrido e presencial apresentaram percentuais idênticos de 29,27% cada. Tal distribuição demonstra a relevância do trabalho remoto no setor de TI e a coexistência de diferentes configurações organizacionais.

Percepções de profissionais de TI sobre o trabalho remoto no pós-pandemia

A percepção sobre o impacto do trabalho remoto na produtividade diária revelou um consenso majoritário. Ao somar as respostas “concordo totalmente” (40%) e “concordo parcialmente” (25%), verificou-se que 65% dos respondentes apontaram um aumento na produtividade. Contudo, essa percepção não foi unânime, com 20% dos participantes se posicionando de forma neutra e 15% expressando discordância parcial. Esses dados indicam que, embora o trabalho remoto seja predominantemente visto como um impulsionador da produtividade, existem nuances na experiência individual dos profissionais de TI, que podem ser influenciadas por fatores como autodisciplina e ambiente de trabalho doméstico, conforme discutido por Felstead e Henseke (2017).

No que concerne à comunicação da liderança no modelo remoto, os resultados foram majoritariamente positivos. Um total de 85% dos participantes, somando “concordo totalmente” (40%) e “concordo parcialmente” (45%), considerou a comunicação de seus líderes clara e objetiva. Apenas 15% dos respondentes mantiveram uma posição neutra, sem registros de discordância. Esses achados sugerem que, para a maioria dos profissionais de TI, o trabalho remoto não comprometeu a efetividade da comunicação com a liderança, possivelmente devido à adoção de ferramentas e práticas de comunicação digital mais estruturadas, alinhadas às recomendações de Bass e Avolio (1995) sobre liderança transformacional.

A comunicação entre equipes no modelo remoto também foi percebida como eficaz pela maioria dos participantes. As respostas “concordo totalmente” (40%) e “concordo parcialmente” (35%) totalizaram 75% de percepções positivas. Entretanto, 15% dos respondentes se mantiveram neutros e 10% demonstraram discordância parcial, indicando que, embora a comunicação à distância seja majoritariamente eficaz, ainda existem desafios pontuais. Essas divergências podem estar relacionadas à dificuldade de estabelecer vínculos informais e à necessidade de maior agilidade em certas interações, aspectos que a comunicação presencial frequentemente facilita, como apontado por alguns participantes nas questões abertas.

A motivação dos profissionais no trabalho remoto apresentou uma percepção predominantemente positiva, com 70% dos respondentes (“concordo totalmente” 55% e “concordo parcialmente” 15%) sentindo-se motivados. No entanto, 20% dos participantes se mantiveram neutros, e uma parcela menor demonstrou discordância parcial (5%) ou total (5%). Esses resultados sugerem que o modelo remoto contribui significativamente para a motivação da maioria, mas seus efeitos podem variar conforme o perfil e as expectativas individuais. A autonomia e a flexibilidade proporcionadas pelo trabalho remoto podem ser fatores-chave para essa motivação, em consonância com estudos sobre engajamento no trabalho (Schaufeli et al., 2006).

Em relação aos investimentos das empresas para suportar o modelo remoto após a pandemia, 70% dos participantes (“concordo parcialmente” 35% e “concordo totalmente” 35%) perceberam um aumento. Essa percepção positiva indica que a maioria reconhece os esforços organizacionais em prover ferramentas e segurança adequadas. Contudo, 20% dos respondentes demonstraram discordância parcial, e uma parcela menor se manteve neutra (5%) ou discordou totalmente (5%). Essas diferenças na experiência podem refletir variações no nível de maturidade digital das empresas ou na qualidade da infraestrutura e suporte oferecidos, evidenciando que a transição para o trabalho remoto não foi homogênea para todos os profissionais.

As questões abertas aprofundaram as percepções sobre as mudanças na área de TI após a pandemia. De forma geral, os respondentes indicaram que a pandemia foi um marco de transformação, consolidando o trabalho remoto e híbrido e acelerando a adoção de novas ferramentas, como cloud e automação. Houve também uma melhoria na gestão de equipes à distância. Contudo, alguns profissionais relataram maior pressão, carga de trabalho e controle, além do impacto da “quebra de uma bolha” no setor tech, que resultou em demissões e redução de oportunidades. Notou-se, ainda, um movimento de reaproximação ao modelo presencial em grandes empresas, sugerindo que os avanços trouxeram tanto ganhos quanto novos desafios organizacionais e humanos.

Os principais desafios atuais do trabalho remoto, segundo os participantes, estão relacionados à comunicação e à confiança. A comunicação remota é percebida como menos ágil e eficaz que a presencial, dificultando a resolução de problemas, o alinhamento entre equipes e a criação de vínculos. Outros desafios incluem o isolamento dos colaboradores, a dificuldade na disseminação da cultura organizacional, a necessidade de métricas claras de desempenho e a confiança da liderança nas entregas. Esses entraves são predominantemente culturais e organizacionais, mais do que tecnológicos, demandando maior maturidade profissional e modelos de gestão adaptados ao contexto distribuído.

A evolução da comunicação entre equipes de TI após a pandemia foi marcada pelo uso intensivo de ferramentas digitais e comunicação assíncrona, o que tornou os processos mais estruturados e documentados. No entanto, essa evolução também trouxe desafios, como o excesso de canais e reuniões, e a percepção de que a comunicação presencial ainda é mais eficaz em algumas situações. Embora a evolução tenha sido significativa, sua efetividade depende da organização e da maturidade dos times, com a valorização de registros claros de decisões e a redução da dependência de reuniões constantes, promovendo maior autonomia e rastreabilidade na colaboração.

Para aprimorar o trabalho remoto, os profissionais sugeriram a integração eficiente de ferramentas, processos e cultura organizacional, em vez da criação de novas tecnologias isoladas. Destacaram a importância de plataformas consolidadas de comunicação, documentação e gestão de tarefas, bem como soluções de acesso seguro, métricas de desempenho e suporte à colaboração, como o *pair programming* e a comunicação assíncrona. Também foram mencionadas a automação e o monitoramento, além de benefícios estruturais, como o apoio à infraestrutura doméstica. As melhorias, portanto, dependem do uso adequado das ferramentas existentes, aliado a políticas claras, flexibilidade, feedback contínuo e uma gestão madura do trabalho remoto.

O impacto do trabalho remoto na rotina profissional e pessoal dos participantes foi amplamente positivo, com ganhos significativos na qualidade de vida. A eliminação do deslocamento diário, a economia de tempo, a maior flexibilidade de horários e o melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional foram frequentemente citados. No âmbito profissional, houve aumento de produtividade, foco e autonomia, além da possibilidade de colaborar com profissionais qualificados independentemente da localização geográfica. Contudo, alguns respondentes apontaram desafios como a dificuldade de desligamento do trabalho, a sensação de menor conexão com o time e limitações na comunicação em comparação ao presencial. Apesar desses pontos, a percepção predominante é que os benefícios superam os impactos negativos, especialmente no bem-estar e na eficiência individual.

As prioridades da TI no período pós-pandemia se concentraram em cloud, segurança, automação e modernização dos sistemas. A nuvem e a segurança ganharam destaque como suporte ao trabalho remoto e proteção de ambientes distribuídos. A automação, frequentemente associada à inteligência artificial, tornou-se essencial para ganhos de eficiência e produtividade. A modernização consolidou-se como foco estratégico para maior agilidade, resiliência e melhoria da experiência dos usuários. Embora algumas dessas prioridades já existissem, o contexto pandêmico acelerou sua adoção e as consolidou como frentes centrais para a TI contemporânea, conforme Bondanini et al. (2025).

A pandemia acelerou significativamente as iniciativas digitais na maioria das empresas, impulsionada pela necessidade imediata de adaptação ao trabalho remoto e à prestação de serviços online. Isso incluiu a rápida adoção de ferramentas de comunicação, soluções de acesso remoto e VPN, e a digitalização de processos internos. Em alguns casos, essa aceleração ocorreu de forma forçada, sem que a mudança cultural e gerencial acompanhasse a mesma velocidade, gerando desafios relacionados à autonomia, confiança e maturidade dos processos. Contudo, o cenário contribuiu para a consolidação de modelos remotos e híbridos e para a ampliação do acesso a talentos, independentemente da localização geográfica.

As competências e habilidades mais importantes para profissionais de TI no cenário pós-pandemia tornaram-se um conjunto mais amplo, combinando *soft skills* e domínio técnico. Destacaram-se a comunicação clara (especialmente escrita e assíncrona), autonomia, autorresponsabilidade, organização e gestão do próprio tempo, essenciais para o trabalho remoto e distribuído. A adaptabilidade e a capacidade de aprendizado contínuo também foram mencionadas como fundamentais em um mercado competitivo e saturado. Do ponto de vista técnico, ganharam maior importância habilidades relacionadas à arquitetura de software, resolução de problemas, visão de produto e negócio, superando a simples execução de tarefas de programação, conforme Berlingen (2018).

O papel da automação e da inteligência artificial (IA) no futuro do trabalho em TI é percebido como central e irreversível. Os participantes destacam que essas tecnologias transformam profundamente a área, automatizando tarefas repetitivas, ampliando a produtividade e deslocando o papel do profissional de TI para atividades mais estratégicas, como arquitetura, revisão, tomada de decisão e geração de valor. A não adaptação ao uso de IA pode levar à obsolescência profissional, além de impactos no mercado de trabalho, como maior competitividade e redução de vagas operacionais. Prevalece a visão de que a automação e a IA representam uma evolução natural, essencial para a eficiência organizacional e que exige aprendizado contínuo e uso consciente.

Na percepção dos respondentes, o setor de TI reagiu de forma mais rápida, estruturada e eficaz às mudanças impostas pela pandemia em comparação com outras áreas da empresa, como RH, Operações e Financeiro. Essa agilidade é atribuída à maior maturidade digital da TI, familiaridade com ferramentas tecnológicas e experiência prévia com trabalho remoto, o que facilitou a adaptação aos novos modelos. A TI atuou como habilitadora da transformação digital, viabilizando o funcionamento remoto das demais áreas e lidando com desafios como segurança da informação e infraestrutura. Embora tenha assumido um papel central e estratégico, o setor também absorveu maior pressão e competitividade no período pós-pandemia, conforme Moreno (2021).

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a maioria dos profissionais de TI percebeu ganhos significativos com o trabalho remoto, notadamente em produtividade, qualidade de vida e flexibilidade. Houve um consenso sobre a crescente relevância de tecnologias como *cloud computing*, automação e segurança, e a importância da inteligência artificial no cenário pós-pandemia. Contudo, surgiram divergências em relação à comunicação e motivação das equipes, com alguns apontando avanços na colaboração digital e outros destacando o isolamento e a burocratização, o que sugere a necessidade de ajustes culturais e organizacionais contínuos para consolidar práticas que assegurem engajamento, produtividade e inovação em ambientes de trabalho distribuídos, respondendo assim ao objetivo central do estudo.

4. Conclusão

O presente estudo buscou investigar as percepções de profissionais de Tecnologia da Informação sobre o trabalho remoto no período pós-pandemia, abrangendo aspectos como satisfação, desafios, impactos na carreira e expectativas futuras. Verificou-se um consenso predominante entre os participantes quanto aos benefícios práticos dessa modalidade, que incluíram o aumento da produtividade, a melhoria da qualidade de vida e uma maior flexibilidade na rotina profissional e pessoal. Observou-se, ainda, que a pandemia acelerou significativamente as iniciativas digitais nas empresas, consolidando a centralidade da TI nos negócios e impulsionando a adoção de tecnologias estratégicas como cloud computing, automação e inteligência artificial. Contudo, identificaram-se divergências notáveis em relação à comunicação e motivação das equipes, com alguns profissionais apontando avanços na colaboração digital, enquanto outros relataram sentimentos de isolamento e a percepção de maior burocratização. A valorização de competências como autonomia, comunicação clara e domínio de tecnologias emergentes também se destacou como um impacto direto dessa transformação.

Esses achados indicam que o trabalho remoto representa uma transformação estrutural na área de TI, exigindo ajustes contínuos nas culturas e estruturas organizacionais para equilibrar a flexibilidade com a eficiência. A principal contribuição do estudo reside na oferta de insights sobre as nuances dessa transição, destacando a necessidade de estratégias de gestão de pessoas que promovam engajamento, produtividade e inovação em ambientes de trabalho distribuídos. Entretanto, a pesquisa apresentou como limitação o número restrito de respondentes, o que impede generalizações amplas dos resultados. Sugere-se, para estudos futuros, a ampliação da amostra e a exploração de comparações entre diferentes setores e contextos geográficos, a fim de aprofundar a compreensão dos impactos culturais e organizacionais do trabalho remoto.

Referências Bibliográficas

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BASS, B. M.; AVOLIO, B. J. Multifactor Leadership Questionnaire: Leader Form (5X-Short). Palo Alto, CA: Mind Garden, 1995.

BERLINGEN, M. M. Competências socioemocionais e mercado de trabalho: um estudo para o caso brasileiro. 2018. Dissertação (Mestrado em Economia Aplicada) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2018.

BLOOM, N.; LIANG, J.; ROBERTS, J.; YING, Z. J. Does working from home work? Evidence from a Chinese experiment. The Quarterly Journal of Economics, v. 130, n. 1, p. 165-218, 2015.

BONDANINI, G.; GIOVANELLI, C.; MUCCI, N.; GIORGI, G. The dual impact of digital connectivity: balancing productivity and well-being in the modern workplace. 2025.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, 2016.

CRESWELL, J. W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre cinco abordagens. São Paulo: Penso Editora, 2014.

FELSTEAD, A.; HENSEKE, G. Assessing the growth of remote working and its consequences for effort, well-being and work-life balance. New Technology, Work and Employment, v. 32, n. 3, p. 195-212, 2017.

GAMA, L. R. Trabalho remoto e presencial no pós-pandemia: um olhar sobre culturas organizacionais. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Arquitetura, Artes, Comunicação e Design) – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2024.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

MARTINS, G. J. T.; FREIRE, P. S. Impactos do teletrabalho sobre a produtividade, desempenho e aprendizado durante a pandemia da COVID-19. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2020.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

MISHIMA-SANTOS, V. et al. Teletrabalho e impactos na saúde e bem-estar do teletrabalhador: revisão sistemática. Psicologia, Saúde & Doenças, Lisboa, v. 21, n. 3, p. 865-879, 2020.

MORENO, A. Home office e a reestruturação do trabalho no contexto da pandemia de Covid-19: uma análise sobre o setor de Tl na cidade de São Paulo. Ciências Sociais Unisinos, v. 57, n. 3, p. 311-323, 2021.

PINTO, C. F. A evolução do teletrabalho como prática de gestão de pessoas após a pandemia da COVID-19. 2023. Dissertação (Mestrado em Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organizações) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2023.

Schaufeli, W. B.; Bakker, A. B.; Salanova, M. 2006. The measurement of work engagement with a short questionnaire: A cross-national study. Educational and Psychological Measurement. 66 (4): 701–716.

VIEIRA, D. L.; BARROS, F. P. C. Teletrabalho no contexto da pandemia da COVID-19 e o reflexo na saúde do trabalhador: uma revisão integrativa da literatura. Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário, v. 14, n. 1, 2025.

VILARINHO, K. P. B.; PASCHOAL, T.; DEMO, G. Teletrabalho na atualidade: impactos no desempenho profissional, bem-estar e contexto de trabalho. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 72, n. 1, p. 1-28, 2020.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade