Artigo

22 de julho de 2026

Perfil gerencial, liderança e uso de ferramentas em grupo agroindustrial de Sorriso-MT

Bruno de Oliveira Lacerda; Renata Lima Zuccherelli de Oliveirai

DOI: 10.22167/2675-6528-202600611

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O agronegócio brasileiro representa um pilar econômico fundamental, e a complexidade das cadeias agroindustriais em regiões como Sorriso-MT exige modelos de gestão eficientes e lideranças qualificadas. Este estudo analisou o perfil dos gestores e os estilos de liderança em unidades operacionais de um grupo agroindustrial localizado em Sorriso-MT, considerando formação, experiência, práticas de gestão e uso de ferramentas administrativas. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de natureza descritiva e abordagem qualitativa, conduzida por meio de um estudo de caso múltiplo em cinco unidades produtivas. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado aplicado aos gestores e analisados de forma descritiva. Os resultados evidenciaram diferenças no nível de maturidade gerencial entre as unidades, com limitações na definição de metas, uso de indicadores e formalização de processos. Constatou-se que a gestão ainda era predominantemente empírica, com baixa adoção de ferramentas administrativas. Concluiu-se que o fortalecimento da gestão requer investimento em capacitação e na implementação de instrumentos estruturados, visando a transição para uma liderança estratégica e maior eficiência operacional.

Palavras-chave: Eficiência operacional; Ferramentas administrativas; Gestão de pessoas; Liderança; Planejamento.

1. Introdução

O agronegócio brasileiro representa um setor estratégico de grande relevância para a economia nacional, contribuindo com aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma parcela significativa das exportações. Dentro deste panorama, o estado de Mato Grosso se destaca como um polo de produção agrícola e de incorporação de tecnologias no campo (IBGE, 2025; Fowler; Monteiro, 2025). Essa dinâmica impõe desafios e demandas crescentes por uma gestão eficiente e lideranças qualificadas, capazes de impulsionar a sustentabilidade e a competitividade do setor.

No contexto mato-grossense, o município de Sorriso-MT emerge com notável importância econômica, caracterizado pela diversidade de atividades produtivas e pela complexidade de suas cadeias agroindustriais. Essa realidade exige a adoção de modelos de gestão que se alinhem às especificidades do ambiente, promovendo a eficiência e a inovação (MANCUSO, 2024). Em muitas dessas organizações, observa-se a presença de um modelo de gestão híbrida, que busca harmonizar a gestão familiar com a profissionalização administrativa. Tal abordagem visa equilibrar valores tradicionais e práticas modernas, favorecendo a governança corporativa, a competitividade e a continuidade dos negócios no setor agroindustrial (Bergamaschi; Machado, 2022; Campos; Barbosa; Silva, 2023).

A liderança desempenha um papel crucial no desempenho das unidades produtivas e na sustentabilidade organizacional do agronegócio. Gestores neste setor precisam desenvolver competências técnicas, visão sistêmica e capacidade de tomar decisões estratégicas que integrem o planejamento à execução operacional (Lovatto; Pereira Júnior, 2024). Estilos de liderança como o transformacional e o situacional são particularmente relevantes, pois promovem a motivação, a autonomia e o comprometimento das equipes, adaptando a atuação do líder às demandas do ambiente de trabalho (Silva et al., 2023). A eficácia da gestão é amplificada pelo uso de ferramentas administrativas, como o PDCA, 5W2H e indicadores de desempenho, que são essenciais para o planejamento, monitoramento e a melhoria contínua dos processos organizacionais (Anjos, 2012; Souza; Almeida, 2025).

Apesar da relevância do tema, a literatura ainda apresenta lacunas quanto à compreensão aprofundada do perfil dos gestores e das práticas de liderança adotadas em modelos híbridos de governança agropecuária. Essa carência é ainda mais evidente em contextos complexos como o de Sorriso-MT, onde a diversidade de atividades e a integração de cadeias produtivas adicionam camadas de complexidade à gestão. A ausência de estudos que detalhem esses aspectos limita a capacidade de formular estratégias de desenvolvimento e capacitação mais direcionadas para o setor.

Diante dessa lacuna, este estudo se justifica pela sua relevância prática e teórica. Em termos práticos, a pesquisa contribui para o aperfeiçoamento das práticas de gestão e da tomada de decisão em grupos agroindustriais, ao fornecer um entendimento mais claro sobre o papel da liderança, a qualificação profissional e o uso de ferramentas administrativas. Teoricamente, o estudo amplia o conhecimento sobre modelos de gestão híbrida e a importância do capital humano como elemento estratégico para a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro. A questão de pesquisa que norteia este trabalho é: Como se caracterizam o perfil dos gestores e os estilos de liderança praticados nas unidades operacionais de um grupo agroindustrial em Sorriso-MT, considerando a formação educacional, a experiência profissional, as práticas de gestão, os processos decisórios e o uso de ferramentas administrativas em um modelo de gestão híbrida?

Assim, o objetivo deste estudo é analisar o perfil gerencial, os estilos de liderança e o uso de ferramentas administrativas em unidades operacionais de um grupo agroindustrial em Sorriso–MT, com vistas a identificar o nível de maturidade da gestão e oportunidades de melhoria.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de natureza descritiva e abordagem qualitativa. Realizou-se por meio de um estudo de caso múltiplo, focado em unidades operacionais de um grupo agroindustrial situado no município de Sorriso-MT. Essa abordagem permitiu uma compreensão aprofundada das práticas de gestão e liderança no contexto do agronegócio.

A escolha dessa metodologia justificou-se pela necessidade de investigar, de forma detalhada, as práticas de gestão, os estilos de liderança e o uso de ferramentas administrativas em diferentes contextos produtivos do agronegócio. Buscou-se capturar a complexidade e as particularidades de cada unidade operacional.

A unidade de análise consistiu em cinco unidades operacionais de um grupo agroindustrial localizado em Sorriso-MT. Essas unidades abrangiam atividades de agroindústria, agricultura, pecuária e armazenagem. A seleção das unidades ocorreu de forma intencional, considerando a diversidade de suas operações e a relevância estratégica para o estudo.

As unidades foram categorizadas conforme diferentes níveis de complexidade produtiva, número de colaboradores e grau de formalização organizacional. Essa categorização permitiu a comparação entre distintos contextos operacionais, enriquecendo a análise das práticas gerenciais.

Os participantes da pesquisa foram cinco gestores, cada um responsável pela administração de uma das unidades operacionais analisadas. Esses gestores atuavam como gerentes de suas respectivas unidades, com responsabilidade direta sobre o planejamento das atividades, gestão de equipes, organização dos recursos produtivos e acompanhamento dos resultados operacionais.

Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, desenvolvido especificamente para este estudo. O instrumento foi elaborado com base em conceitos da gestão organizacional no agronegócio e organizado em três blocos temáticos, visando uma análise progressiva das características gerenciais e operacionais das unidades.

O primeiro bloco do questionário teve como objetivo caracterizar as unidades produtivas. Foram reunidas informações sobre o tipo de operação, as atividades desenvolvidas, o número de colaboradores, os produtos gerados e o volume de produção. Esse conjunto de dados permitiu compreender a dimensão estrutural e o nível de complexidade das operações de cada unidade.

O segundo bloco foi direcionado à caracterização do perfil dos gestores. Foram abordados aspectos como idade, escolaridade, formação acadêmica, experiência profissional e participação em cursos de capacitação. Investigaram-se, ainda, as percepções dos gestores sobre a adequação de sua formação às exigências do cargo e o interesse em desenvolvimento profissional.

O terceiro bloco concentrou-se na análise das práticas gerenciais. Incluíram-se o estilo de liderança adotado, a organização das rotinas de trabalho e a utilização de ferramentas administrativas, como o sistema AGROTIS para registro de atividades operacionais. Também se investigou a definição e o acompanhamento de metas, o uso de indicadores de desempenho e os processos de tomada de decisão.

Adicionalmente, no terceiro bloco, foram abordados aspectos relacionados à gestão de riscos, comunicação organizacional, gestão de projetos com terceiros e necessidades de melhoria na condução das atividades. Essa abrangência permitiu uma visão completa das práticas gerenciais e dos desafios enfrentados pelos gestores.

A aplicação do questionário ocorreu de forma individual, em ambiente de trabalho, por meio de entrevista estruturada. Esse procedimento garantiu a obtenção de respostas detalhadas e contextualizadas, com o registro descritivo das informações. As informações coletadas foram registradas de forma descritiva.

Após a coleta, os dados foram organizados e sistematizados em categorias analíticas previamente definidas. As dimensões consideradas incluíram o perfil gerencial, a estrutura organizacional, o uso de ferramentas administrativas e a maturidade da gestão. A análise foi conduzida de forma descritiva e comparativa entre as unidades estudadas.

A técnica de análise dos dados empregada foi a análise descritiva, com foco na identificação de padrões, diferenças e lacunas nas práticas gerenciais observadas. Realizou-se uma comparação entre as unidades para contextualizar as informações coletadas e atender aos objetivos do estudo.

Em conformidade com os princípios éticos da pesquisa científica, assegurou-se o anonimato dos participantes e a confidencialidade de todas as informações coletadas. Os gestores foram informados sobre os objetivos do estudo e a voluntariedade de sua participação, garantindo a integridade do processo de pesquisa.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados revelou um panorama multifacetado das unidades operacionais do grupo agroindustrial em Sorriso-MT, evidenciando distintos níveis de maturidade gerencial e a predominância de práticas baseadas na experiência. Inicialmente, a caracterização estrutural das unidades demonstrou uma diversidade significativa em termos de operações, capacidade produtiva e número de colaboradores. Foram identificadas unidades de pequeno, médio e grande porte, refletindo diferentes complexidades organizacionais e operacionais no sistema produtivo. Essa heterogeneidade sublinha a necessidade de abordagens de gestão flexíveis e adaptadas às particularidades de cada contexto, conforme a literatura especializada no agronegócio (BATALHA, 2007; ZYLBERSZTAJN; NEVES, 2000).

Observou-se que duas das unidades analisadas, correspondendo a 40% do total, eram de natureza agroindustrial e concentravam a maior parte da força de trabalho, com 162 colaboradores. As demais unidades apresentavam estruturas agrícolas e produtivas integradas, caracterizadas por um menor número de colaboradores, mas com uma capacidade produtiva e operacional considerável. Essa distinção sugere que a complexidade da gestão não estava ligada apenas ao volume de mão de obra, mas principalmente à diversidade das atividades e ao grau de integração entre os processos. Unidades com operações produtivas mais variadas demandavam uma capacidade superior de coordenação e planejamento, em consonância com as observações de Chiavenato (2014) sobre a heterogeneidade das atividades.

A necessidade de competências gerenciais mais estruturadas tornou-se evidente para lidar com ambientes produtivos dinâmicos e integrados. A gestão eficiente no agronegócio, especialmente em sistemas complexos, depende da capacidade do gestor de coordenar recursos humanos, tecnológicos e produtivos de forma integrada (CALLADO; CALLADO, 2014). Esse cenário reforça a importância do desenvolvimento de competências gerenciais e da capacitação profissional como fatores estratégicos para a eficiência operacional, a sustentabilidade e a competitividade das organizações agroindustriais (NEVES; CASTRO, 2011).

Bloco de perguntas 2

A caracterização da formação técnica dos gestores revelou uma predominância de profissionais com nível de escolaridade médio ou inferior, indicando uma forte dependência da experiência prática na condução das atividades administrativas. Essa dependência, embora valiosa, pode limitar o domínio de conceitos formais de gestão, impactando a qualidade das decisões e a adoção de práticas organizacionais mais estruturadas, especialmente em ambientes que exigem planejamento e controle sistemático (OLIVEIRA; MATOS, 2025). Esse achado reflete o histórico do desenvolvimento rural, onde a gestão tradicionalmente se baseava no conhecimento empírico.

Contudo, a modernização e o avanço tecnológico no agronegócio têm ampliado a complexidade das operações, exigindo maior capacidade técnica e gerencial dos profissionais (SILVA, 2023). Verificou-se que parte dos gestores reconhecia que sua formação não atendia plenamente às exigências atuais da função, o que aponta para lacunas formativas e ressalta a importância da capacitação contínua. Estudos indicam que a educação continuada e o desenvolvimento profissional são cruciais para o fortalecimento das competências gerenciais e a melhoria da eficiência organizacional (SAMPAIO et al., 2025).

Todos os gestores entrevistados demonstraram interesse em buscar novas formações, com destaque para as áreas de agronomia, administração e gestão de pessoas. Esse interesse reflete uma busca por qualificação e atualização profissional, motivada pela necessidade de adaptação às exigências do mercado e à evolução das práticas de gestão no setor rural. A qualificação dos gestores exerce influência direta sobre o desempenho organizacional, a motivação das equipes e a eficiência dos processos produtivos (SCHLEICHER; RECK; MARCON, 2023).

Adicionalmente, a unidade com maior nível de tecnificação e processos industriais contínuos era gerenciada por um profissional com maior escolaridade e formação específica em gestão. Esse dado corrobora a ideia de que operações produtivas mais complexas demandam um domínio técnico e capacidade gerencial mais elevados. Tal resultado está alinhado com estudos que associam a qualificação profissional à eficiência operacional e à competitividade em contextos de inovação tecnológica no agronegócio (SANTOS NETO et al., 2025). Assim, a qualificação dos gestores emerge como um fator estratégico para o fortalecimento da gestão, a profissionalização e a sustentabilidade das unidades produtivas (OLIVEIRA; MATOS, 2025).

Bloco de perguntas 3

A análise do perfil gerencial e dos estilos de liderança revelou a predominância de abordagens mais centralizadoras, especialmente nas unidades com menor formalização dos processos gerenciais. Esse padrão, embora comum em ambientes produtivos do agronegócio pela necessidade de controle direto, tende a restringir a autonomia das equipes e limitar a inovação organizacional. A literatura aponta que práticas de liderança mais participativas favorecem o engajamento e a eficiência das equipes (SILVA et al., 2023), sugerindo que a transição para modelos mais colaborativos representa um avanço potencial na gestão das unidades.

Embora todos os gestores possuíssem experiência prévia em liderança, o tempo de atuação não se mostrou suficiente para garantir, por si só, uma compreensão estratégica dos níveis organizacionais. Esse achado ressalta a necessidade de desenvolver competências gerenciais que complementem a experiência prática com capacitação técnica e atualização profissional. A liderança efetiva, conforme Comin et al. (2017) e Pereira, Saraiva e Rezende (2023), depende da capacidade do gestor de se adaptar às demandas organizacionais e ao contexto produtivo, integrando conhecimento formal e prático.

Evidências adicionais indicam que estilos de liderança mais participativos e colaborativos contribuem significativamente para o fortalecimento da comunicação interna, o aumento do comprometimento das equipes e a melhoria do desempenho organizacional. Tais estilos são considerados um fator estratégico para a produtividade e a sustentabilidade das unidades produtivas no agronegócio (CHIAVENATO, 2014; MAXIMIANO, 2017; MELO et al., 2019; ABREU, 2019; CARVALHO; SANTOS, 2025). Dessa forma, a qualificação e o desenvolvimento contínuo das lideranças são elementos essenciais para a eficiência operacional e a competitividade organizacional em um cenário produtivo cada vez mais dinâmico e tecnificado.

A organização das rotinas gerenciais apresentou variações significativas entre as unidades, indicando diferentes níveis de estruturação dos processos administrativos. A comunicação, em sua maioria, era informal, baseada em interações diretas e acompanhamento visual das atividades. Embora essa abordagem permitisse agilidade operacional, a ausência de registros sistematizados limitava o acompanhamento histórico e a avaliação de desempenho. A formalização das práticas de gestão, conforme Yamauchi (2017), é crucial para um maior controle das atividades e a melhoria contínua dos processos, destacando a padronização das rotinas gerenciais como um ponto de atenção relevante.

A ausência de mecanismos formais de feedback e de monitoramento estruturado também foi observada, o que pode comprometer o alinhamento estratégico das equipes e a clareza das metas organizacionais. O feedback sistematizado é fundamental para fortalecer a comunicação organizacional, promover o desenvolvimento profissional e melhorar o desempenho das equipes, especialmente em ambientes produtivos que demandam coordenação contínua (NASCIMENTO, 2025). Embora algumas unidades utilizassem agendas, planilhas e programações semanais, a aplicação dessas ferramentas era heterogênea e, em muitos casos, desintegrada de indicadores de desempenho ou processos de avaliação formal.

A literatura enfatiza que o uso de tecnologias e ferramentas gerenciais, como o PDCA, 5W2H e indicadores de desempenho, favorece o controle das atividades, a otimização dos recursos e a tomada de decisão baseada em dados, contribuindo para o aumento da produtividade e da competitividade das organizações rurais (AGUIAR; SANTOS JUNIOR; SPULDARO, 2021). As unidades apresentavam diferentes níveis de apoio à gestão, e em estruturas mais enxutas, as responsabilidades concentravam-se no gestor, o que pode limitar o planejamento e o desenvolvimento das equipes, tornando necessária uma organização administrativa mais definida (SILVA, 2022).

As práticas gerenciais identificadas eram majoritariamente operacionais, indicando a necessidade de modelos de gestão mais estruturados para garantir eficiência, sustentabilidade e competitividade no agronegócio (OLIVEIRA; SOUZA; MORAIS, 2024). A condução das atividades gerenciais ocorria, em grande parte, com base em práticas informais e com baixa utilização de instrumentos estruturados de gestão. O acompanhamento das operações estava centrado na experiência dos gestores e na observação direta, caracterizando um modelo predominantemente operacional. A ausência de indicadores de desempenho e de metas formalizadas comprometia a capacidade de planejamento e controle das atividades, conforme Mialichi (2022).

A Unidade Operacional 1, por exemplo, realizava o planejamento em planilhas de Excel de forma geral, sem indicadores claros ou metas formais, e o acompanhamento era feito por observação prática. As tratativas eram verbais, sem procedimentos formais. Esse modelo demonstrava uma dependência acentuada da experiência do gestor e uma necessidade de maior planejamento estratégico. A literatura destaca que a liderança e o planejamento são fatores primordiais para o aumento da produtividade e competitividade das unidades produtivas (ABREU, 2019).

Em contraste, a Unidade Operacional 2 apresentava um nível mais elevado de organização gerencial, utilizando ferramentas estruturadas como gestão à vista, Kanban, PDCA e 5W2H, além de acompanhar indicadores de produtividade e manutenção. Essa unidade definia metas com base em indicadores e utilizava controle visual, com procedimentos operacionais formalizados para compras, manutenção e análise. Esse resultado indica um maior grau de formalização administrativa e melhor articulação entre liderança, planejamento e controle, contribuindo para a melhoria contínua e o fortalecimento da gestão dos processos (FRANCESKI, 2016; BARREIROS; FONSECA; LAURINDO, 2025).

As Unidades Operacionais 3 e 4 utilizavam o sistema AGROTIS para o registro de atividades operacionais, especialmente relacionadas ao plantio, colheita e aplicações agrícolas. Contudo, a aplicação dessa ferramenta era limitada, voltada predominantemente ao registro das operações e à comunicação com a diretoria, sem integração efetiva com indicadores de desempenho, metas organizacionais ou procedimentos formais de planejamento. Isso sugere um uso parcial da tecnologia da informação, que só alcança relevância estratégica quando articulada ao monitoramento do desempenho, à análise do ambiente organizacional e à formulação de estratégias mais consistentes.

As respostas dos gestores também evidenciaram uma limitação no uso de ferramentas de gestão de riscos, com decisões tomadas com base na experiência profissional. Essa ausência de práticas estruturadas de gestão de riscos aumenta a vulnerabilidade das unidades diante de situações inesperadas e reduz a capacidade de antecipação de problemas operacionais. A gestão de riscos é uma ferramenta importante para o planejamento e a sustentabilidade das organizações, permitindo identificar ameaças, reduzir incertezas e orientar decisões estratégicas (ROPKE, 2022).

Os gestores expressaram a necessidade de melhorias na infraestrutura e maior apoio da diretoria, indicando que a eficiência operacional depende não apenas da atuação individual do gestor, mas também das condições organizacionais oferecidas pela instituição. O alinhamento entre liderança, planejamento estratégico e suporte organizacional é crucial para garantir o desenvolvimento sustentável das organizações e a melhoria dos resultados operacionais (OLIVEIRA; SOUZA; MORAIS, 2024). A gestão das unidades ainda é predominantemente tradicional e baseada na experiência prática, evidenciando a necessidade de utilizar ferramentas gerenciais e padronizar processos para melhorar a eficiência e a tomada de decisão (CARVALHO; SANTOS, 2025).

O desenvolvimento da liderança ocorreu de forma pouco estruturada, predominantemente baseado na experiência prática e na troca informal de conhecimentos. Esse achado corrobora a visão de Carvalho e Santos (2025) de que as organizações rurais ainda enfrentam desafios relacionados à profissionalização da gestão, ao controle das atividades e à adoção de métodos estruturados de planejamento e avaliação de desempenho. A ausência de ferramentas formais para análise de riscos e tomada de decisão reforçou a dependência do julgamento individual dos gestores, o que pode ter aumentado a exposição a falhas operacionais, tornando-se necessário utilizar informações e monitoramento sistemático (MIALICHI, 2022; ABREU, 2019).

Os gestores reconheceram a necessidade de capacitação em áreas relacionadas à gestão e planejamento, indicando uma percepção clara das lacunas existentes. O fortalecimento das competências gerenciais e a adoção de práticas estruturadas configuraram-se como fatores primordiais para a evolução da gestão e melhoria do desempenho organizacional. A literatura aponta que o agronegócio contemporâneo exige integração entre competências técnicas e gerenciais, pois a modernização do setor tornou insuficiente uma atuação baseada exclusivamente na experiência prática, sendo a capacitação contínua um fator estratégico (CARVALHO; SANTOS, 2025).

A gestão de projetos é um elemento indispensável para a organização, planejamento e execução eficiente das atividades, especialmente em contextos que envolvem parcerias com terceiros e múltiplos processos operacionais (KERZNER, 2020). A gestão de projetos com terceiros apresentou diferentes níveis de organização entre as unidades, destacando-se a maior estrutura da Unidade 2 ao empregar ferramentas como o 5W2H e sistemas de arquivamento, o que favorece o controle e a organização dos processos. Já as demais unidades apresentaram menor formalização ou ausência dessa prática, o que pode limitar parcerias e inovação.

Assim, a utilização de ferramentas gerenciais estruturadas contribui para o planejamento, a comunicação e a eficiência organizacional, fortalecendo a gestão e a tomada de decisão no agronegócio (PMI, 2017; MAXIMIANO, 2017; ABREU, 2019; CARVALHO; SANTOS, 2025). Embora as unidades operacionais possuam conhecimento prático consolidado, esse conhecimento, por si só, não é suficiente para garantir uma gestão eficiente e sustentável. Desafios relacionados à formalização da gestão, à definição de indicadores e à padronização de processos ainda são observados, indicando que o uso de ferramentas gerenciais estruturadas, aliado à capacitação dos gestores e ao fortalecimento da liderança, contribui para aprimorar o planejamento, qualificar a tomada de decisão e elevar a eficiência das atividades nas unidades.

Em síntese, os resultados desta pesquisa evidenciaram que as unidades operacionais do grupo agroindustrial em Sorriso-MT apresentam diferentes níveis de maturidade gerencial, com uma predominância de práticas baseadas na experiência dos gestores e um baixo nível de formalização dos processos. A complexidade da gestão mostrou-se mais associada à diversidade das atividades produtivas do que ao número de colaboradores, exigindo maior capacidade de planejamento e coordenação. A formação acadêmica dos gestores e a limitada utilização de ferramentas administrativas influenciam diretamente a condução das atividades e o nível de organização das unidades, reforçando a necessidade de investimento contínuo em capacitação e na implementação de instrumentos estruturados para uma transição eficaz para uma liderança estratégica e maior eficiência operacional.

4. Conclusão

O presente estudo analisou o perfil gerencial, os estilos de liderança e o uso de ferramentas administrativas em unidades operacionais de um grupo agroindustrial em Sorriso–MT, buscando identificar o nível de maturidade da gestão e oportunidades de melhoria. Verificou-se que as unidades apresentavam distintos níveis de maturidade gerencial, com a gestão predominantemente empírica e baixa adoção de ferramentas administrativas. Observou-se que a complexidade da gestão estava mais associada à diversidade das atividades produtivas do que ao número de colaboradores, demandando maior capacidade de planejamento e coordenação. Identificou-se que a formação acadêmica dos gestores, muitas vezes de nível médio ou inferior, resultava em uma forte dependência da experiência prática, embora houvesse um claro interesse em capacitação nas áreas de agronomia, administração e gestão de pessoas. Constatou-se a predominância de estilos de liderança mais centralizadores, com exceção da Unidade Operacional 2, que demonstrou maior formalização e uso de ferramentas estruturadas como Kanban, PDCA e 5W2H. A comunicação informal e a ausência de mecanismos formais de feedback e indicadores de desempenho foram achados recorrentes, comprometendo o planejamento e o controle das atividades. A principal contribuição deste trabalho reside no aprimoramento das práticas de gestão e da tomada de decisão em grupos agroindustriais, ao fornecer um entendimento claro sobre o papel da liderança, a qualificação profissional e a importância do uso de ferramentas administrativas para a eficiência operacional.

Conclui-se que o fortalecimento da gestão no agronegócio depende fundamentalmente do investimento contínuo na capacitação dos gestores e na adoção de práticas mais estruturadas, incluindo o uso de indicadores de desempenho e ferramentas administrativas. Essa transição é essencial para uma liderança estratégica e maior eficiência operacional, contribuindo para a profissionalização da gestão rural, a melhoria da produtividade e a sustentabilidade das unidades produtivas. Como limitação, destaca-se o número reduzido de unidades analisadas, o que sugere que estudos futuros ampliem a amostra e explorem outras abordagens metodológicas para aprofundar a compreensão sobre a gestão em contextos agroindustriais.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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