15 de setembro de 2026
Perfil dos Colaboradores que Atuam na Implantação de Softwares para a Indústria
Júlia Moraes Dornelles; Ewerton Mauro Visotto Faria
DOI: 10.22167/2675-6528-202602242
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O avanço da Indústria 4.0 e a digitalização industrial impulsionaram a demanda por profissionais qualificados para a implantação de softwares. Com o objetivo de mapear o perfil desses profissionais, buscou-se subsidiar práticas de gestão de pessoas, com ênfase em recrutamento e retenção de talentos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa descritiva, aplicando um questionário estruturado a 35 profissionais no Brasil. Os dados foram coletados e analisados com estatísticas descritivas. Os resultados revelaram um perfil predominante de profissionais com formação em Engenharia e Tecnologia da Informação, experiência significativa e familiaridade com gestão por metas e cronogramas. Identificou-se forte demanda por competências interpessoais, como comunicação e empatia, além de conhecimentos em gestão de projetos, Indústria 4.0 e tecnologias emergentes. Constatou-se, ainda, a preferência por modelos de trabalho híbridos, ambientes colaborativos e aprendizado prático. Concluiu-se que a clara definição do perfil profissional e a adoção de estratégias de desenvolvimento individual contribuem para a redução do turnover e para a eficiência das implantações.
Palavras-chave: Gestão de pessoas; Indústria 4.0; perfil profissional; transformação digital.
1. Introdução
O avanço tecnológico e a Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0) impulsionam a digitalização das indústrias, levando à busca por soluções tecnológicas para otimizar processos produtivos e internos. Essa transformação digital impacta diretamente os trabalhadores, que precisam desenvolver novas competências para acompanhar os avanços (Aires et al., 2017).
Com o surgimento acelerado de novas soluções em softwares e a popularização de softwares como serviço (SaaS), a demanda por profissionais qualificados para a implantação desses sistemas cresce significativamente. A função de implantador de softwares, especialmente para aplicações industriais, exige um conjunto diversificado de habilidades. Isso inclui conhecimento técnico sobre processos produtivos e máquinas, competências interpessoais, gestão de tempo de projeto, capacidade de resolução de problemas e adaptabilidade a diferentes ambientes, sempre alinhado às necessidades do cliente.
A identificação do perfil ideal desses profissionais é crucial para guiar processos de recrutamento e seleção, bem como para direcionar políticas de retenção de talentos. O mapeamento desse perfil não apenas contribui para contratações mais eficazes, mas também visa reduzir a rotatividade voluntária, conhecida como “turnover”, que afeta significativamente as companhias de software. O “turnover” resulta em perda de conhecimento, atrasos em cronogramas e aumento dos custos totais dos projetos (Carvalho et al., 2024), além de envolver despesas com contratação e treinamento de novos colaboradores (Bianchet e Mahl, 2018). Colaboradores que não se identificam com as exigências do cargo possuem maior probabilidade de desligamento voluntário (Tamayo, 2010), o que sublinha a importância de alinhar o perfil profissional às atribuições da função.
Dentro deste contexto, a compreensão aprofundada das características e competências dos implantadores de software torna-se um diferencial estratégico para as organizações, justificando a relevância deste estudo. Assim, o presente trabalho tem como objetivo mapear o perfil dos profissionais que atuam na função de implantação de softwares para indústrias, com foco em diretrizes de gestão de pessoas, como o recrutamento e seleção de novos colaboradores e estratégias de retenção destes talentos.
2. Material e Métodos
O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa quantitativa e descritiva. A abordagem quantitativa objetivou testar teorias por meio da identificação e análise de variáveis mensuradas numericamente e examinadas com procedimentos estatísticos (Creswell, 2010; Richardson, 1999). O estudo é descritivo, buscando mapear o perfil de profissionais implantadores de software para a indústria, identificando padrões e relações entre variáveis (Gil, 2008).
O delineamento da pesquisa utilizou a técnica de estudo de campo, ou “survey”, com a aplicação de um questionário estruturado. A população-alvo foi composta por profissionais contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), atuantes como implantadores de software em organizações privadas no território brasileiro. A amostragem foi não probabilística por conveniência, sem restrições prévias de faixa etária, escolaridade ou gênero.
A coleta de dados foi realizada entre maio e agosto de 2025, por meio de um questionário com 30 perguntas, criado na plataforma “Google Forms”. O questionário incluía 28 perguntas de múltipla escolha e obrigatórias, e duas perguntas de texto livre e não obrigatórias, visando a objetividade e a obtenção de informações adicionais. O anonimato dos participantes foi preservado. A divulgação do questionário ocorreu por meio de grupos de “Whatsapp” e páginas em redes sociais.
A análise dos dados foi conduzida com cálculos percentuais, e os resultados foram apresentados por meio de gráficos e tabelas para auxiliar na visualização.
3. Resultados e Discussão
As análises apresentadas são os resultados obtidos a partir das respostas de 35 profissionais atuantes na implantação de softwares para a indústria. O perfil sociodemográfico dos participantes revelou que a maioria se identificou com o gênero masculino (65,7%), enquanto 34,3% se identificaram com o gênero feminino. Em relação à idade, a maior parte (28,6%) possui mais de 45 anos, seguida por 25,7% na faixa de 35 a 40 anos e 22,9% entre 25 e 30 anos. As faixas de 20 a 25 anos e 30 a 35 anos representaram 8,6% cada, e 5,7% tinham entre 40 e 45 anos.
Figura 1. Composição percentual da amostra por faixa etária

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Quanto à escolaridade, 37,1% dos participantes possuem ensino superior completo, e 22,9% têm pós-graduação completa. Mestrado completo ou pós-graduação incompleta representaram 14,3% cada. Apenas 8,6% não possuem ensino superior completo, e 2,9% têm doutorado completo.
Figura 2. Composição percentual da amostra por escolaridade

Fonte: Resultados originais da pesquisa
A área de formação predominante (88,6%) é Tecnologia da Informação, Engenharia e áreas relacionadas, com 11,4% dos respondentes vindo de Administração, Recursos Humanos, Direito, Finanças e áreas correlatas à gestão empresarial. Não houve formação nas áreas de saúde e educação. Em termos de experiência na função de implantador de software, 40% possuem mais de 10 anos, 31,4% atuam entre 3 e 6 anos, 20% entre 1 e 3 anos, 5,7% há menos de 1 ano e 2,9% entre 6 e 9 anos.
Em relação à experiência prévia em indústrias antes de atuar como implantador de software, 34,3% não possuíam experiência. Aqueles com experiência como analistas ou em funções administrativas representaram 25,7% cada, enquanto 14,3% atuaram diretamente no chão de fábrica.
Figura 3. Composição percentual da amostra em relação à experiência de trabalho na indústria

Fonte: Resultados originais da pesquisa
A modalidade de trabalho predominante é a híbrida (42,9%), com até 3 dias presenciais, seguida pelo trabalho remoto (37,1%) e presencial (20%). A maioria dos respondentes (91,4%) está acostumada a trabalhar com metas claras, e quase todos (97,1%) utilizam cronogramas estruturados para gerenciar os prazos de implantação. A comunicação eficaz com clientes é uma tarefa crucial, especialmente em implantações remotas (Charam et al., 2018). Os meios de comunicação mais utilizados e confortáveis são WhatsApp (94,3%), chamadas de vídeo (88,6%), e-mail (82,9%) e ligação (68,6%).
Figura 4. Meios de comunicação em que os respondentes se sentem confortáveis em usar para a comunicação com os clientes durante o trabalho de implantação de software

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Quanto às viagens para implantação, 57,1% realizam tanto remotas quanto presenciais, 22,9% fazem implantações 100% remotas e 20% realizam todas presencialmente. A maioria (74,3%) dos implantadores ministra treinamentos tanto presencialmente quanto online, 14,3% apenas online e 8,6% apenas presencialmente. Apenas 2,9% não ministram treinamentos. O suporte técnico e o Sucesso do Cliente (CS) são frequentemente parte das atribuições: 57,1% dos respondentes fornecem suporte durante e após a implantação, 31,4% apenas durante a implantação, e 11,4% não o consideram parte de suas funções. Para 65,7%, garantir o sucesso do cliente é uma responsabilidade que se estende além do projeto de implantação.
Figura 5. Composição percentual da amostra quanto à responsabilidade do implantador de executar atividades de Sucesso do Cliente

Fonte: Resultados originais da pesquisa
O perfil predominante dos implantadores de software é masculino, com mais de 45 anos, formação superior em Engenharia ou Tecnologia da Informação, e mais de 10 anos de experiência na função, com histórico de atuação na indústria. Esses profissionais demonstram familiaridade com gestão por metas e cronogramas, preferem o trabalho híbrido e utilizam comunicação remota, especialmente WhatsApp. Além disso, desempenham atividades de treinamento, suporte técnico e sucesso do cliente, indicando um escopo de atuação multifacetado.
Em relação aos conhecimentos técnicos, 45,7% dos respondentes não possuem experiência ou curso em Lean Manufacturing, enquanto 28,6% já realizaram um curso e 17,1% têm experiência prática. As formações consideradas mais importantes para a função são Gestão de Projetos (82,9%), Indústria 4.0 (74,3%), Oratória (71,4%) e Gestão de Pessoas (57,1%). Conhecimento do Pacote Microsoft Office (51,4%), Lean Manufacturing (31,4%) e 5S (20%) também foram citados. Linguagem SQL (5,8%) e conhecimento do processo de gestão do cliente (2,9%) foram adicionados como outras formações relevantes.
Figura 6. Composição percentual da amostra quanto aos conhecimentos considerados importantes para o implantador de software

Fonte: Resultados originais da pesquisa
As competências digitais importantes incluem conhecimento sobre nuvem (74,3%), Inteligência Artificial (71,4%), Windows (65,7%), rede (62,9%) e Internet das Coisas (48,6%). Edição de vídeos (5,7%), conhecimento do próprio software (2,9%) e Linguagem SQL (5,8%) foram mencionadas como outras competências.
Figura 7. Composição percentual da amostra quanto às competências digitais consideradas importantes para o implantador de software

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Os respondentes demonstraram interesse em desenvolver competências em Inteligência Artificial (51,4%), Gestão de Pessoas (40%), Internet das Coisas (34,3%) e Gestão de Projetos (28,6%). Nuvem e Indústria 4.0 foram desejadas por 22,9% cada. Outras competências desejadas incluíram Oratória (20%), Lean Manufacturing (20%), edição de vídeos (14,3%), rede (11,4%), 5S (2,9%) e Windows (2,9%). Modelagem 3D e Metodologia Ágil foram citadas por 2,9% cada. Não houve interesse em desenvolver competências no Pacote Microsoft Office.
Figura 8. Composição percentual da amostra quanto às competências e formações que gostariam de desenvolver

Fonte: Resultados originais da pesquisa
As competências consideradas extremamente importantes para a função, conforme respostas de texto livre, foram categorizadas e incluíram relacionamento interpessoal, comunicação e expressão, psicologia e linguagem corporal, capacidade analítica e resolução, ferramentas e organização, gestão, empatia e foco no cliente, criatividade e inovação, e conhecimentos técnicos.
Tabela 1. Competências utilizadas no trabalho de implantador de software e consideradas de extrema importância pelos respondentes
| Categoria | Competência |
|---|---|
| Relacionamento Interpessoal | Relacionamento interpessoal |
| Relacionamento Interpessoal | Soft skills, people skills |
| Relacionamento Interpessoal | Gestão de Conflitos entre necessidade e aderência de Sistema nos setores |
| Comunicação e Expressão | Comunicação, persuasão, conhecimento técnico |
| Comunicação e Expressão | Comunicação e projetos |
| Comunicação e Expressão | Oratória |
| Comunicação e Expressão | Ouvir e entender |
| Psicologia e Linguagem Corporal | Linguagem corporal e psicologia |
| Capacidade Analítica e Resolução | Resolução de Problemas e respostas rápidas |
| Capacidade Analítica e Resolução | Modelagem matemática e programação |
| Ferramentas e Organização | Ferramenta para fazer o controle das reuniões e acompanhamento da implantação |
| Ferramentas e Organização | Metodologias ágeis |
| Gestão | Gestão de projetos |
| Gestão | Gestão de Conflitos |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A análise das competências citadas pelos respondentes reforça a importância de um perfil polivalente, que integra conhecimentos técnicos em linguagens de programação e capacidade analítica com habilidades de relacionamento interpessoal, comunicação e gestão.
A modalidade de trabalho ideal para a função de implantador de software, segundo 65,7% dos respondentes, é o modelo híbrido com até 3 dias presenciais. O trabalho remoto foi considerado ideal por 22,9%, e o presencial por 11,4%. A preferência pelo modelo híbrido é notável, dado que 37,1% dos respondentes já trabalham remotamente.
Figura 9. Composição percentual da amostra quanto à modalidade ideal de trabalho para a função de implantador de software

Fonte: Resultados originais da pesquisa
As principais soft skills listadas pelos respondentes, em categorias como Liderança e Gestão, Resolução e Pensamento Crítico, Comunicação e Relacionamento, e Resiliência e Adaptabilidade, destacam a necessidade de habilidades interpessoais e comportamentais.
Tabela 2. Principais competências “soft skills” listadas pelos respondentes da pesquisa
| Categoria | Competência |
|---|---|
| Liderança e Gestão | Liderança |
| Liderança e Gestão | Gestão de pessoas |
| Liderança e Gestão | Gestão por Processos |
| Liderança e Gestão | Gestão de Projetos |
| Liderança e Gestão | Gestão de Equipes |
| Liderança e Gestão | Didática e capacidade de ensino |
| Liderança e Gestão | Organização e gestão de tempo |
| Resolução e Pensamento Crítico | Resolução de problemas |
| Resolução e Pensamento Crítico | Pensamento crítico |
| Resolução e Pensamento Crítico | Curioso |
| Resolução e Pensamento Crítico | Persistente |
| Resolução e Pensamento Crítico | Analista |
| Comunicação e Relacionamento | Clareza na comunicação |
| Comunicação e Relacionamento | Empatia |
| Comunicação e Relacionamento | Networking |
| Comunicação e Relacionamento | Negociador |
| Comunicação e Relacionamento | Comunicação |
| Comunicação e Relacionamento | Altruísmo |
| Comunicação e Relacionamento | Paciência |
| Comunicação e Relacionamento | Parcimônia |
| Comunicação e Relacionamento | Organizada |
| Comunicação e Relacionamento | Dinâmico |
| Comunicação e Relacionamento | Escutar |
| Comunicação e Relacionamento | Oratória |
| Comunicação e Relacionamento | Trabalho em equipe |
| Resiliência e Adaptabilidade | Resiliência |
| Resiliência e Adaptabilidade | Adaptabilidade |
| Resiliência e Adaptabilidade | Flexibilidade |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Em relação ao ambiente de trabalho, 40% dos respondentes sentem-se mais produtivos em um ambiente colaborativo e dinâmico, 22,9% com liberdade para tomar decisões, 20% em um ambiente tranquilo e individual, e 17,1% em um ambiente acelerado com metas claras.
Figura 10. Composição percentual da amostra quanto ao ambiente de trabalho em que sentem-se mais produtivos

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Para lidar com o estresse no trabalho, 42,9% buscam atividades de relaxamento e bem-estar, 28,6% praticam atividades físicas ou hobbies, e 20% buscam apoio de colegas e superiores. Apenas 8,6% se isolam e buscam soluções individuais. A maioria (57,1%) considera execução e organização como sua principal área de força, enquanto análise e planejamento, e criação e inovação, representam 17,1% cada. Liderança e Gestão de Pessoas foram citadas por 8,6%.
A preferência por métodos de aprendizado de coisas novas no trabalho é liderada pela experiência prática (42,9%), seguida por leitura e estudo independente (22,9%), cursos e treinamentos formais (20%), e mentoria e orientação (14,3%).
Figura 11. Composição percentual da amostra quanto à preferência por métodos de ensino de coisas novas no trabalho

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Ao se depararem com problemas no trabalho, 82,9% dos respondentes propõem soluções ao gestor antes de agir. Em trabalho em equipe, 82,9% têm uma postura participativa e ativa. Diante de prazos curtos e alta pressão, 60% conseguem organizar prioridades e entregar com qualidade. Em relação ao gerenciamento de tarefas e prazos, 60% utilizam métodos próprios e cumprem a maioria dos prazos, e 28,6% planejam bem. Quando sob pressão, 42,9% se comunicam com clareza e tentam manter o bom ambiente, e 40% mantêm o bom humor e ajudam colegas.
Figura 12. Composição percentual da amostra quanto à reação perante prazos curtos de entrega e alta pressão no trabalho

Fonte: Resultados originais da pesquisa
Os resultados evidenciam que a maioria dos respondentes trabalha de forma organizada, resiliente e proativa, buscando soluções e contribuindo ativamente com a equipe. A atração e retenção de talentos para a função de implantador de software dependem de uma descrição de vaga clara e realista (Thakur e Israel, 2025; Shinde, 2025), que alinhe as expectativas do profissional com as demandas da função e promova um ambiente colaborativo e organizado.
O perfil ideal do profissional buscado no mercado é aquele com formação em engenharia ou áreas correlatas, que integre conhecimentos de software e processos produtivos, domine tecnologias digitais emergentes, possua habilidades de Gestão de Projetos, comunicação e colaboração. É um profissional proativo, resiliente, autônomo na resolução de problemas e com forte predisposição ao aprendizado contínuo. Embora haja predominância de formações técnicas, a demanda por competências interpessoais é forte, sendo essenciais para a interação com clientes, gestão de projetos e resolução de conflitos. Para a maioria, o sucesso do cliente é uma responsabilidade direta do implantador, ampliando o escopo da função e a importância das competências interpessoais.
O interesse dos profissionais em desenvolver diversas competências aponta para a necessidade de trilhas de crescimento e desenvolvimento bem definidas (Shiri et al., 2024). A preferência pelo modelo de trabalho híbrido é uma tendência consolidada e um fator estratégico para atração e retenção de talentos (Tahlyan et al., 2024; Choudhury et al., 2022). A experiência prévia na indústria é um diferencial, contribuindo para a resolução de problemas e maior identificação com os clientes.
Proposta de Competências a serem incorporadas no Plano de Desenvolvimento Individual (PDI)
A proposta visa integrar competências estratégicas da organização e da função com os interesses dos colaboradores, tornando o PDI atrativo e funcional. Baseia-se nos achados da pesquisa, destacando competências técnicas (Indústria 4.0, Gestão de Projetos), habilidades interpessoais e conhecimentos digitais (Inteligência Artificial, computação em nuvem), além da valorização da autonomia, trabalho colaborativo e aprendizado prático. Recomenda-se o modelo 70–20–10 de desenvolvimento: 70% por experiências práticas, 20% por mentoring e trocas com a equipe, e 10% por capacitações formais.
A Tabela 3 apresenta a proposta de temas para o PDI, organizados por nível de prioridade e relevância para o desempenho da função.
Tabela 3. Proposta de competências a serem incorporadas ao Plano de desenvolvimento Individual do implantador de software
| Eixo de competência | Competência | Interesse/Importância para os respondentes | Nível de prioridade | Objetivo de desenvolvimento |
|---|---|---|---|---|
| Gestão de Projetos | Gestão de Projetos | 82,9% | Muito Alta | Planejar, executar e controlar projetos industriais e de tecnologia |
| Transformação Digital | Indústria 4.0 | 74,3% | Muito Alta | Aplicar conceitos de digitalização e integração da manufatura |
| Comunicação Profissional | Oratória | 71,4% | Muito Alta | Melhorar comunicação, apresentações e influência profissional |
| Gestão e Liderança | Gestão de Pessoas | 57,1% | Alta | Desenvolver liderança, gestão de equipes e engajamento |
| Tecnologias Emergentes | Inteligência Artificial | 51,4% | Alta | Aplicar IA para análise de dados industriais e automação de processos |
| Tecnologia Industrial | Internet das Coisas (IoT) | 34,3% | Média | Integrar dispositivos, sensores e sistemas industriais |
| Melhoria de Processos | Lean Manufacturing | 31,4% | Média | Aplicar melhoria contínua e eliminação de desperdícios |
| Infraestrutura Digital | Computação em Nuvem | 22,9% | Baixa | Entender arquitetura em nuvem e integração de sistemas |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Os resultados indicam que o perfil do profissional implantador de software na indústria é caracterizado por uma combinação equilibrada de competências técnicas e habilidades interpessoais, ressaltando a complexidade e o caráter multidisciplinar da função. O implantador atua como um agente estratégico na transformação digital, integrando tecnologia, processos produtivos e relacionamento com o cliente. Embora haja predominância de formações técnicas, o sucesso na função está fortemente associado ao domínio de competências comportamentais, como comunicação, empatia, resolução de problemas e adaptabilidade. A atuação desses profissionais frequentemente extrapola o escopo técnico, incluindo suporte, treinamento e garantia do sucesso do cliente, o que reforça a necessidade de uma visão sistêmica e orientada a resultados. A valorização de competências ligadas à Indústria 4.0, Gestão de Projetos e tecnologias emergentes, como Inteligência Artificial e computação em nuvem, evidencia a demanda por atualização e desenvolvimento profissional contínuo. A implementação de Planos de Desenvolvimento Individual (PDI) estruturados é fundamental para alinhar interesses e necessidades organizacionais, contribuindo para o engajamento e retenção de talentos. A preferência pelo modelo de trabalho híbrido e por ambientes colaborativos indica uma tendência consolidada, que deve ser considerada pelas organizações como fator estratégico na atração e retenção de profissionais qualificados. O mapeamento desse perfil contribui para a Gestão de Pessoas, fornecendo subsídios para processos mais assertivos de recrutamento, seleção e desenvolvimento, visando reduzir o turnover, aumentar a eficiência dos projetos e fortalecer a competitividade no contexto da transformação digital industrial.
4. Conclusão
O presente estudo teve como objetivo mapear o perfil dos profissionais que atuam na implantação de softwares para indústrias, buscando subsidiar diretrizes de gestão de pessoas, como o recrutamento, seleção e retenção de talentos. Verificou-se um perfil predominante de profissionais com formação em Engenharia e Tecnologia da Informação, experiência significativa na função e familiaridade com a gestão por metas e cronogramas. Identificou-se que esses implantadores desempenham um papel multifacetado, abrangendo treinamentos, suporte técnico e garantia do sucesso do cliente. Observou-se a valorização de conhecimentos em Gestão de Projetos, Indústria 4.0 e tecnologias digitais emergentes, como Inteligência Artificial e computação em nuvem. Adicionalmente, constatou-se uma forte demanda por competências interpessoais, incluindo comunicação, empatia, resolução de problemas e adaptabilidade, essenciais para a interação com clientes e a condução de projetos. Os profissionais demonstraram preferência por modelos de trabalho híbridos, ambientes colaborativos e aprendizado prático baseado na experiência.
A principal contribuição deste trabalho reside no fornecimento de subsídios concretos para a gestão de pessoas, permitindo que as organizações desenvolvam estratégias mais assertivas de recrutamento, seleção e desenvolvimento. Ao alinhar o perfil do profissional com as exigências da função, é possível reduzir o turnover e aumentar a eficiência dos projetos de implantação. A proposta de competências para o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), baseada nos achados, integra interesses dos colaboradores com necessidades organizacionais, promovendo o engajamento e a retenção de talentos. A valorização do modelo de trabalho híbrido e de ambientes colaborativos constitui um fator estratégico para a atração e manutenção de profissionais qualificados, reforçando a competitividade no cenário da transformação digital industrial.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq
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