Artigo

03 de agosto de 2026

Perdas econômicas no transporte de bovinos: uma comparação entre carcaças com e sem lesões

Glaucia Magalhães; Suzi Bueno de Almeida

DOI: 10.22167/2675-6528-202600851

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

As perdas econômicas decorrentes de lesões em carcaças bovinas durante o transporte pré-abate representam um desafio para a indústria. Este estudo objetivou quantificar essas perdas financeiras e caracterizar o padrão de ocorrência de lesões em carcaças bovinas em um frigorífico brasileiro. Para isso, avaliaram-se 1.278 bovinos, distribuídos em 16 lotes, por meio da inspeção de carcaças para determinar a prevalência, severidade, localização anatômica, morfologia das lesões e a massa de tecido removido. A perda financeira foi estimada com base na massa excisada e no valor médio do quilograma de carcaça. Observou-se uma prevalência de lesões de 5,8%, valor inferior ao reportado na literatura, com concentração na região lateral da carcaça (82,9%) e distribuição similar entre os graus de severidade I e II. A análise econômica demonstrou que a severidade das lesões foi o principal determinante das perdas, com as de Grau II respondendo pela maior parcela do prejuízo total devido à remoção de tecido muscular de maior valor comercial. O volume total de tecido removido alcançou 244 kg, resultando em perdas financeiras estimadas em R$ 6.025,34. Constatou-se predominância de lesões na Banda 2 (lado direito), indicando influência de fatores operacionais associados ao transporte. Não se identificou correlação estatisticamente significativa entre o tamanho do lote e a prevalência de lesões. Concluiu-se que a perda financeira constitui uma métrica mais sensível que a prevalência para avaliar o impacto das lesões, sendo fortemente dependente da severidade e da localização anatômica. Estratégias de mitigação devem priorizar a redução de lesões profundas, com foco na otimização do manejo e das condições de transporte, visando maximizar o rendimento econômico da carcaça.

Palavras-chave: Bem-estar animal; Hematomas; Lesões em carcaças; Logística pecuária.

1. Introdução

O transporte de bovinos constitui uma etapa crítica na cadeia produtiva da carne, com efeitos diretos sobre a qualidade das carcaças, o bem-estar animal e a rentabilidade de produtores e frigoríficos. Lesões físicas, como hematomas, escoriações e fraturas, ocorrem frequentemente durante as fases de embarque, viagem e desembarque. Essas injúrias são amplamente reconhecidas tanto como indicadores de manejo inadequado quanto como causas diretas de redução do rendimento comercial da carcaça. As implicações econômicas dessas perdas são substanciais para o setor. Uma meta-análise abrangente, realizada por Sánchez-Perez et al. (2022), evidenciou a elevada prevalência de contusões em diversos estudos regionais, com estimativas que sublinham seu impacto significativo na economia da indústria.

Estudos têm demonstrado consistentemente que fatores relacionados ao transporte e ao manejo pré-abate estão intrinsecamente associados à ocorrência e severidade das contusões. Tais fatores incluem a densidade de carga no veículo, o tipo e as condições do caminhão, o tempo de viagem, as práticas de manejo durante o embarque e desembarque, e as condições das instalações de espera (lairage), conforme apontado por Mendonça et al. (2016) e Mendonça et al. (2018). No contexto brasileiro, Zanardi et al. (2022) analisaram extensas bases de dados e identificaram padrões claros de risco, como maior prevalência de lesões em animais mais velhos e em caminhões de menor capacidade. Essa constatação não apenas confirma a existência do problema, mas também indica oportunidades concretas para mitigação por meio de ajustes logísticos e melhorias nas práticas de manejo.

As consequências econômicas dessas lesões são múltiplas e vão além da perda imediata de tecido. Elas englobam a redução do peso comercializável por animal devido à retirada das áreas lesionadas, a aplicação de descontos comerciais sobre carcaças danificadas e a desclassificação de cortes nobres, que possuem maior valor de mercado. Adicionalmente, a presença de lesões acarreta um aumento no trabalho de inspeção e, em casos graves, pode levar ao descarte parcial ou total da carcaça. Pesquisas em ambientes industriais, incluindo levantamentos de Davis et al. (2024), indicam que essas perdas anuais são representativas em escalas regional e nacional, afetando produtores, frigoríficos e toda a cadeia de valor. Além do prejuízo financeiro direto, as contusões também impactam negativamente a imagem dos produtores e da indústria perante mercados cada vez mais exigentes, que valorizam práticas de bem-estar animal e rastreabilidade.

Apesar dos desafios, evidências sugerem que intervenções relativamente simples podem reduzir significativamente a incidência de lesões e, consequentemente, as perdas econômicas associadas. Sullivan et al. (2022) relataram que melhorias como treinamento de pessoal de manejo, adequação da lotação nos caminhões, aprimoramento de rampas e pisos, e redução do tempo de transporte são estratégias eficazes. Esses achados sustentam a hipótese de que investimentos preventivos podem ser financeiramente compensadores, resultando em operações mais eficientes e lucrativas. A perda financeira, em vez da mera prevalência, emerge como uma métrica mais sensível para avaliar o verdadeiro impacto das lesões, sendo fortemente dependente de sua severidade e localização anatômica.

Diante deste cenário, uma investigação detalhada sobre o impacto econômico e as características das lesões é crucial para a indústria da carne brasileira. O presente trabalho teve como objetivo analisar o impacto econômico e caracterizar o padrão das lesões em carcaças bovinas decorrentes do transporte pré-abate em uma unidade frigorífica brasileira.

2. Material e Métodos

A presente investigação caracterizou-se como uma pesquisa aplicada e descritiva, conforme os preceitos estabelecidos por Gil (2017) e Marconi e Lakatos (2017). A natureza aplicada do estudo visou à resolução de problemas práticos no contexto organizacional, enquanto a abordagem descritiva permitiu a análise detalhada das características e ocorrências de um fenômeno específico. Para aprofundar a compreensão do objeto de estudo, adotou-se o delineamento de estudo de caso, seguindo as orientações metodológicas de Yin (2015) e Miguel (2007).

O estudo foi conduzido em uma unidade frigorífica de grande porte localizada no Brasil, cuja identidade foi mantida sob anonimato para preservar a confidencialidade dos dados operacionais. A unidade de análise consistiu em 1.278 bovinos, os quais foram distribuídos em 16 lotes heterogêneos. A coleta de dados ocorreu durante o fluxo operacional de abate, por meio da inspeção direta das carcaças.

Os procedimentos de coleta de dados envolveram a inspeção individualizada das carcaças bovinas. Durante essa inspeção, determinou-se a prevalência de lesões, classificou-se sua tipologia e realizou-se o mapeamento anatômico das injúrias, identificando as regiões de ocorrência. Adicionalmente, quantificou-se a massa total de tecido excisado das carcaças, um passo fundamental para a estimativa das perdas econômicas.

A perda financeira foi estimada com base na massa de tecido excisado de cada carcaça lesionada. Para essa quantificação, utilizou-se o valor médio do quilograma de carcaça, conforme o Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3 (CEPEA, 2026). O valor referencial adotado foi de R$ 24,69 por quilograma, calculado a partir da média de R$ 370,41 por arroba, considerando a conversão padrão de 15 quilogramas por arroba de carcaça.

A metodologia empregada buscou integrar métricas objetivas com a realidade operacional da indústria frigorífica brasileira. Essa abordagem conferiu validade externa aos procedimentos, permitindo que os resultados obtidos pudessem subsidiar o desenvolvimento de estratégias de mitigação aplicáveis em larga escala, conforme a relevância destacada por Dias et al. (2025) e Huertas et al. (2018) em contextos similares.

Após a coleta, os dados foram organizados em planilhas eletrônicas para facilitar o processamento. A análise estatística foi realizada utilizando-se o ambiente estatístico R, na versão 4.3.0. Este software permitiu a aplicação das técnicas estatísticas necessárias para o tratamento e a interpretação dos dados coletados.

Inicialmente, realizou-se a análise descritiva dos dados para caracterizar a amostra e calcular as frequências absolutas e relativas das lesões. Para a análise inferencial, aplicou-se o teste de Qui-quadrado de Independência. Este teste visou verificar se a distribuição das lesões pelas regiões anatômicas, graus de severidade e tipos de banda ocorria de forma aleatória ou se apresentava padrões específicos. Conforme Siegel e Castellan Jr. (2006), este teste é adequado para determinar a associação entre variáveis categóricas nominais.

A influência da dimensão dos lotes sobre a apresentação morfológica das lesões foi investigada por meio do teste não-paramétrico de Kruskal-Wallis. Este teste foi selecionado por ser uma alternativa robusta quando os dados não atendem aos pressupostos de normalidade, garantindo a validade estatística nas comparações entre múltiplos grupos independentes, conforme recomendado por Field et al. (2012).

Para avaliar a relação entre o tamanho do lote e a taxa de prevalência de lesões, empregou-se o coeficiente de correlação de Spearman. Esta técnica é indicada para dados com distribuição não-normal e relações não-lineares, sendo capaz de identificar tendências mesmo na presença de valores discrepantes, conforme apontado por Hair et al. (2019). A escolha deste coeficiente permitiu uma análise adequada da associação entre as variáveis.

A visualização dos dados foi realizada por meio da construção de gráficos de violino integrados a boxplots. Esta técnica, conforme descrito por Hintze e Nelson (1998), supera as limitações das representações tradicionais, permitindo a visualização simultânea da mediana, dos quartis e da densidade de probabilidade. Essa abordagem híbrida foi utilizada para evidenciar as faixas de tamanho de lote em que cada tipo de banda de lesão é mais recorrente, assegurando o rigor científico das inferências.

3. Resultados e Discussão

A avaliação da população de 1.278 animais revelou que a grande maioria dos bovinos, correspondendo a 94,2% do total, chegou ao abate sem apresentar lesões teciduais. Apenas 5,8% dos animais, o que equivale a 74 indivíduos, exibiram algum tipo de injúria. Esta distribuição foi estatisticamente significativa, conforme indicado por um valor de p inferior a 0,0001 no teste de Qui-quadrado. Este achado inicial sugere um padrão de manejo pré-abate e transporte que minimiza a ocorrência de danos físicos aos animais, um indicativo positivo para as práticas de bem-estar animal na operação analisada.

Este resultado de prevalência de lesões, de 5,8%, é notavelmente inferior aos índices históricos reportados na literatura sul-americana. Estudos como o de Huertas et al. (2018) apontaram prevalências de lesões em carcaças bovinas que superam 50%, enquanto Sánchez-Pérez et al. (2022) indicaram uma média de 59,5% de carcaças com algum tipo de lesão. A discrepância entre os achados do presente estudo e os valores da literatura sugere que o manejo pré-abate e as condições de transporte dos 16 lotes avaliados foram conduzidos sob padrões rigorosos, contribuindo para a preservação da integridade das carcaças.

A análise da distribuição anatômica das lesões identificadas demonstrou uma concentração significativa na região lateral da carcaça, que representou 82,9% do total de ocorrências. Em menor proporção, as lesões foram observadas nas regiões dorsal (15,8%) e traseira (1,3%). O teste de Qui-quadrado de aderência confirmou que essa distribuição não ocorreu de forma aleatória, com um valor de X² de 82,14 e p inferior a 0,0001. Este resultado indica uma predisposição para o surgimento de lesões na região lateral, em detrimento de outras áreas da carcaça, o que pode estar associado a pontos de contato e impacto durante o transporte e manejo.

A localização anatômica das lesões possui uma influência direta na magnitude das perdas econômicas. Huertas et al. (2015) destacaram que lesões situadas na região posterior da carcaça tendem a resultar em um maior descarte de tecido, uma vez que esta área concentra cortes de maior valor comercial. Embora o presente estudo tenha encontrado a maior concentração na região lateral, a interpretação da literatura reforça a importância de considerar a localização das injúrias para uma avaliação precisa do impacto financeiro, pois diferentes regiões da carcaça possuem valores comerciais distintos.

Quanto à severidade das lesões, observou-se uma distribuição homogênea entre os animais afetados. As lesões classificadas como Grau I, que são superficiais, corresponderam a 51,3% das ocorrências, totalizando 39 casos. Já as lesões de Grau II, consideradas profundas, foram identificadas em 48,7% dos casos, somando 37 animais. O teste de Qui-quadrado, com X² de 0,052 e p de 0,81, confirmou a ausência de uma predominância estatisticamente significativa entre os graus de severidade, indicando que as injúrias se manifestam com intensidades variadas de forma independente.

A quantificação da massa de tecido removido durante a inspeção sanitária é um passo crucial para a análise econômica das lesões. Estudos anteriores, como o de Huertas et al. (2015), relataram perdas de 0,5 a 6,0 kg por carcaça lesionada, com uma média de 1,6 kg. Quando essa perda é distribuída entre todos os animais abatidos, o valor corresponde a 0,899 kg por animal. Esses dados demonstram que o impacto econômico é modulado tanto pela proporção de carcaças afetadas quanto pela intensidade do dano, sendo a severidade um fator determinante para o prejuízo final.

Para a quantificação financeira, adotou-se o valor referencial de R$ 24,69 por quilograma de carcaça, conforme a média do Indicador do Boi Gordo CEPEA/B3 para o Estado de São Paulo em 2026. Com base no descarte real observado nos 74 animais lesionados, verificou-se uma disparidade significativa entre os níveis de severidade. As lesões superficiais (Grau I) resultaram na remoção de 37,0 kg de tecidos de menor valor comercial, como gordura e serosa, gerando um prejuízo estimado de R$ 913,68. Em contraste, as lesões profundas (Grau II) foram responsáveis pelo descarte de 207 kg de tecido muscular nobre, o que acarretou uma perda direta de R$ 5.111,66.

A soma das perdas por severidade totalizou R$ 6.025,34, evidenciando que a severidade da lesão é um preditor econômico mais sensível do que a prevalência isolada de animais lesionados. Este achado corrobora a tese de que um número menor de animais com lesões graves pode gerar um prejuízo financeiro superior ao causado por um grande número de animais com lesões leves. A remoção de tecido muscular de maior valor comercial nas lesões de Grau II foi o principal fator que impulsionou a maior parcela do prejuízo total, destacando a importância de focar na prevenção de injúrias mais profundas.

Ao analisar a morfologia das lesões em relação ao tipo de banda da carcaça, observou-se uma predominância estatisticamente significativa na Banda 2, que corresponde ao lado direito do animal. Esta banda foi acometida em 63,2% dos animais lesionados, totalizando 48 casos. As manifestações classificadas como Banda 1 (lado esquerdo) e a forma mista (Banda 1 e 2) apresentaram frequências idênticas, ambas com 18,4% das ocorrências, o que representa 14 casos para cada categoria. O teste de Qui-quadrado confirmou a heterogeneidade dessa distribuição, com X² de 32,75 e p inferior a 0,0001, indicando um tropismo biológico da patologia pela Banda 2 na população estudada.

A distribuição das lesões na região lateral da carcaça, e especificamente a predominância na Banda 2, coincide com padrões descritos na literatura, que associam tais ocorrências a impactos durante as fases de transporte e manejo pré-abate. Este resultado sugere que fatores operacionais específicos influenciam diretamente a ocorrência e a localização das lesões, e, consequentemente, as perdas econômicas. A identificação desses padrões é fundamental para direcionar estratégias de mitigação mais eficazes, focando nos pontos críticos da cadeia logística.

A comparação dos resultados deste estudo com outros sistemas reforça a relação entre prevalência e perdas. Zanardi et al. (2022) relataram uma prevalência de 21,6% de animais lesionados. Mantidas as faixas de perda por carcaça, esse nível de ocorrência resultaria em um volume de descarte entre quatro e dez vezes superior ao observado no presente estudo. A redução simultânea da prevalência e da severidade das lesões é crucial, pois diminui a quantidade de tecido removido por carcaça e o volume total descartado, um efeito que se amplifica em sistemas com alto número de abates, onde pequenas variações percentuais resultam em diferenças expressivas de massa perdida e, consequentemente, de prejuízo financeiro.

A análise de correlação de Spearman entre o tamanho do lote e a prevalência de lesões cutâneas apresentou um coeficiente ρ de -0,421. Embora este valor sugira uma tendência inversamente proporcional, indicando que lotes maiores poderiam estar associados a uma menor prevalência de lesões, o resultado não alcançou significância estatística, com um p-valor de 0,1041. Portanto, não foi possível estabelecer uma correlação estatisticamente significativa entre a dimensão populacional dos lotes e a taxa geral de lesões observadas.

Contudo, a investigação da morfologia das bandas em função da dimensão dos lotes revelou um padrão heterogêneo significativo, com um p-valor de 0,0016. Através da análise de dispersão, observou-se que a Banda 1 apresentou um tropismo por lotes de maior escala, com sua mediana posicionada acima das demais. Em contraste, as lesões da Banda 2 e as lesões mistas (Banda 1 e 2) manifestaram-se predominantemente em lotes de menor dimensão populacional. Este achado sugere que, embora o tamanho do lote não influencie a prevalência geral de lesões, ele atua como um fator modulador na apresentação morfológica das injúrias, o que pode impactar indiretamente o padrão de perdas financeiras.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que, apesar de uma baixa prevalência geral de lesões em carcaças bovinas, a severidade e a localização anatômica das injúrias são os principais determinantes das perdas financeiras. As lesões de Grau II, embora não mais frequentes que as de Grau I, foram responsáveis pela maior parte do prejuízo devido à remoção de tecido de maior valor comercial. A predominância de lesões na Banda 2 (lado direito) aponta para a influência de fatores operacionais no transporte, enquanto a dimensão do lote, embora não correlacionada com a prevalência geral, modula a manifestação morfológica das lesões. Esses achados fornecem uma base sólida para o desenvolvimento de estratégias de mitigação focadas na redução de lesões profundas e na otimização do manejo e das condições de transporte, visando maximizar o rendimento econômico da carcaça.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar o impacto econômico e caracterizar o padrão das lesões em carcaças bovinas decorrentes do transporte pré-abate em uma unidade frigorífica brasileira. Verificou-se uma prevalência de lesões de 5,8% na população avaliada, um índice inferior aos reportados na literatura sul-americana. As lesões identificadas concentraram-se predominantemente na região lateral da carcaça, abrangendo 82,9% das ocorrências, e apresentaram uma distribuição homogênea entre os graus de severidade I (superficiais) e II (profundas). Observou-se que a severidade das lesões foi o principal determinante das perdas financeiras, com as injúrias de Grau II respondendo pela maior parcela do prejuízo total devido à remoção de tecido muscular de maior valor comercial. A análise econômica revelou que o volume total de tecido excisado alcançou 244 kg, resultando em perdas financeiras estimadas em R$ 6.025,34.

Constatou-se que a perda financeira constitui uma métrica mais sensível para avaliar o impacto das lesões em carcaças, sendo fortemente dependente da severidade e da localização anatômica, e não apenas da prevalência. A predominância de lesões na Banda 2, correspondente ao lado direito do animal, em 63,2% dos casos, indicou a influência de fatores operacionais específicos associados ao transporte e manejo pré-abate. Embora não se tenha identificado correlação estatisticamente significativa entre o tamanho do lote e a prevalência geral de lesões, a dimensão do lote modulou a manifestação morfológica das injúrias. Este estudo contribui para a compreensão de que estratégias de mitigação devem priorizar a redução de lesões profundas, com foco na otimização do manejo e das condições de transporte, visando maximizar o rendimento econômico da carcaça e promover o bem-estar animal.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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