30 de julho de 2026
Percepções acerca da Gestão de Riscos Aplicada à Viabilidade Econômica da Produção de Hidrogênio Verde (H2V)
Francisco Wellington Martins da Silva; Ítalo João Bolqui Dutra
DOI: 10.22167/2675-6528-202600821
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A produção de Hidrogênio Verde (H2V), uma fonte de energia limpa e renovável, apresentou-se como uma estratégia de desenvolvimento sustentável, e a gestão de riscos mostrou-se efetivamente envolvida em seu processo. O estudo objetivou apresentar as percepções acerca da Gestão de Riscos no contexto de projetos de produção de H2V. Para isso, realizou-se uma pesquisa estruturada com 30 afirmações, subdivididas em sete dimensões ou critérios que as caracterizam. As respostas foram coletadas de profissionais da área de Gestão de Projetos, Engenheiros Eletricistas e demais profissionais do setor de Energias Renováveis, e posteriormente normalizadas no intervalo de 0 a 1, em escala Likert. Desenvolveu-se o Índice Global de Viabilidade Econômica com Gestão de Riscos em projetos de H2V (IGVR-H2V), utilizando a linguagem computacional Python e planilhas eletrônicas para os cálculos, preservando a neutralidade do instrumento de coleta. Obteve-se um valor médio de IGVR-H2V de 0,65, que indicou uma viabilidade considerada moderada com riscos relevantes. Os resultados revelaram que, embora a viabilidade econômica da produção de H2V seja percebida como sensível a fatores externos, a adoção de práticas estruturadas de Gestão de Riscos constituiu um fator importante a considerar no processo de decisão, especialmente em projetos de caráter inovador e instáveis como os que envolvem H2V.
Palavras-chave: Energia renovável; Escala Likert; Índice de Viabilidade; Percepção de riscos; Pesquisa estruturada.
1. Introdução
O Hidrogênio (H2) é um elemento amplamente disponível na natureza e detém um potencial significativo para a geração de energia. Quando a sua produção ocorre a partir de fontes renováveis, como a energia eólica e a solar, ele é classificado como Hidrogênio Verde (H2V). O H2V emerge como uma solução promissora para enfrentar os desafios inerentes à transição energética global, um movimento crucial para o desenvolvimento de uma economia que concilie crescimento e sustentabilidade (Garlet, 2025). A versatilidade de suas aplicações é uma característica relevante que posiciona o H2V como um vetor energético estratégico no cenário atual.
No contexto da sociedade contemporânea, o uso consciente da energia é imperativo. A produção de H2V, por ser uma fonte de energia limpa e renovável, alinha-se diretamente a essa necessidade, configurando-se como uma estratégia fundamental para o desenvolvimento sustentável. Contudo, a implementação de projetos de H2V, por sua natureza inovadora e complexa, envolve incertezas e riscos. Nesse cenário, a compreensão e a aplicação efetiva dos processos de Gestão de Riscos tornam-se indispensáveis para uma análise objetiva da viabilidade econômica desses empreendimentos.
A gestão de riscos em projetos é um campo consolidado que visa antecipar, minimizar ou eliminar ameaças potenciais. Esse processo abrange a identificação, análise, planejamento de ações, monitoramento e controle dos riscos (Salles Júnior et al., 2010). A metodologia de gestão de riscos é amplamente aplicada em diversos domínios da engenharia, conforme demonstrado por estudos que abordam sua relevância e aplicação prática.
Autores como Fernandes (2021) destacam abordagens práticas para o gerenciamento de riscos em projetos de engenharia, enfatizando metodologias eficazes para identificação e mitigação. Santos (2022) investiga riscos em projetos de construção civil, enquanto Dinizio (2020) analisa ferramentas de gerenciamento de riscos na engenharia de segurança do trabalho. Brito (2013) considera a análise de riscos como uma oportunidade de vantagem competitiva, e Schneider (2014) reforça a importância do gerenciamento de risco em projetos por meio de pesquisa bibliográfica. Em projetos de produção de H2V, a gestão de riscos é um elemento essencial para a avaliação da viabilidade, continuidade e sustentabilidade, permitindo identificar ameaças e oportunidades ao longo do ciclo do projeto (Project Management Institute, 2017). O Guia PMBOK (Project Management Institute, 2017) e a ISO 31000 (2018) reforçam a ideia de que a gestão de riscos é fundamental para apoiar a tomada de decisão e aumentar a probabilidade de sucesso do projeto.
Apesar da importância reconhecida da gestão de riscos, a análise desses fatores pode ser suscetível a diversas influências, como divergências de opiniões, vieses, percepções individuais e julgamentos subjetivos. A qualidade das informações utilizadas, as hipóteses adotadas, as exclusões realizadas e as limitações das técnicas empregadas, bem como a forma como são executadas, podem impactar a robustez da avaliação (ISO 31000, 2018). Em projetos de H2V, caracterizados por seu caráter inovador e instável, essas influências se tornam ainda mais críticas, gerando uma lacuna na compreensão de como os diferentes profissionais percebem e avaliam esses riscos.
Diante desse contexto, o presente trabalho justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre a percepção da gestão de riscos em projetos de H2V, fornecendo subsídios para aprimorar o processo decisório. Assim, o objetivo deste estudo é avaliar a gestão de riscos na viabilidade econômica da produção de H2V na percepção de diferentes profissionais, com uma abordagem qualitativa e quantitativa, considerando os principais riscos do projeto e suas incertezas financeiras, regulatórias e tecnológicas.
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, de abordagem quantitativa e qualitativa, com objetivo exploratório e descritivo. A investigação buscou analisar a viabilidade econômica da produção de Hidrogênio Verde (H2V), integrando práticas estruturadas de gestão de riscos, de modo a apoiar a tomada de decisão em projetos de engenharia de energias renováveis. A metodologia baseou-se na consulta de material bibliográfico, tanto no setor de energias renováveis quanto em temas pertinentes à gestão de projetos relacionados à gestão de riscos, tratando a gestão de riscos como elemento transversal à análise de viabilidade, em consonância com os princípios da ISO 31000 (2018) e do PMBOK (Project Management Institute, 2017).
O delineamento metodológico deste estudo combinou os princípios de gestão de riscos descritos no Capítulo 11 do Guia PMBOK (Project Management Institute, 2017), com foco nas análises qualitativa e quantitativa. Consideraram-se os passos 11.3 e 11.4 dos processos de gerenciamento de riscos do projeto. O passo 11.3, “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos”, envolveu a priorização de riscos individuais do projeto para análise ou ação posterior, avaliando sua probabilidade de ocorrência e impacto, bem como outras características. O passo 11.4, “Realizar a Análise Quantitativa dos Riscos”, consistiu na análise numérica do efeito combinado dos riscos individuais identificados e de outras fontes de incerteza nos objetivos gerais do projeto.
Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário estruturado, elaborado com foco em sete dimensões ou critérios. Essas dimensões incluíram: Compreensão Geral de Projetos de Produção de H2V; Percepção da Viabilidade Econômica do Projeto de H2V e dos Riscos do Projeto de H2V; Gestão de Riscos (abordagem geral); Tomada de Decisão e Viabilidade; Governança e Maturidade do Projeto; e Avaliação Global (Percepção do Especialista) na produção de H2V. O questionário foi composto por 30 afirmações, distribuídas entre essas dimensões.
O instrumento de coleta foi aplicado por meio da plataforma Google Forms, garantindo a padronização e a facilidade de acesso aos participantes. As respostas às afirmações foram coletadas utilizando uma escala Likert de cinco níveis de concordância, variando de “Discordo completamente” a “Concordo completamente”. Para assegurar a participação voluntária e informada, o questionário incluiu um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) inicial, onde os participantes aceitavam a publicação de suas respostas de forma anônima.
O público-alvo da pesquisa foi composto por profissionais com potencial familiaridade com o tema, incluindo especialistas da área de Gestão de Projetos, Engenheiros Eletricistas e demais profissionais do setor de Energias Renováveis. A divulgação do questionário ocorreu em diversos grupos de um aplicativo de mensagens, buscando alcançar uma ampla gama de profissionais. A amostra final foi composta por 121 participantes, distribuídos da seguinte forma: 49 engenheiros(as) eletricistas ou de áreas afins, 31 engenheiros(as) de energias ou correlatas, 24 profissionais da área técnica, 13 profissionais de gestão de projetos e quatro especialistas em Hidrogênio Verde (H2V).
As respostas textuais coletadas na escala Likert foram convertidas para valores numéricos normalizados no intervalo de zero a um. A correspondência estabelecida foi: “discordo completamente” (0), “discordo” (0,25), “concordo em parte” (0,50), “concordo” (0,75) e “concordo completamente” (1,00). Essa normalização permitiu a transformação dos dados qualitativos em quantitativos, viabilizando a aplicação de métricas matemáticas e a comparabilidade entre os respondentes.
Três afirmações do questionário (questões 7, 16 e 25) foram formuladas de maneira negativa, com o intuito de reduzir o viés de concordância automática dos respondentes. Para manter a consistência da escala analítica, esses itens foram recodificados por meio de inversão da escala, utilizando a transformação X’ = 1 − X. Este procedimento garantiu que valores mais altos continuassem a representar uma maior percepção de viabilidade econômica associada à gestão de riscos no contexto do H2V.
Os dados processados foram importados e tratados utilizando a linguagem computacional Python e planilhas eletrônicas (Excel). Realizaram-se cálculos de índices médios por dimensão, conforme a Equação (1), onde IDd representa o índice da dimensão d, nd é o número de questões da dimensão, e xi é o valor da resposta na questão i. Em seguida, calculou-se o índice médio geral (Ip) para cada perfil profissional, utilizando a Equação (2), onde N é a quantidade de critérios analisados.
Os pesos de cada perfil profissional (wp) foram determinados pela Equação (3), considerando o número de respondentes de cada perfil (np) em relação ao total de respondentes (Σnp). Com base nesses cálculos, desenvolveu-se o Índice Global de Viabilidade Econômica com Gestão de Riscos em projetos de H2V (IGVR-H2V), que representou a média ponderada dos índices médios de cada perfil, conforme a Equação (4). Este índice foi concebido como um indicador sintético para quantificar a percepção de viabilidade econômica considerando os fatores de risco.
A interpretação dos resultados do IGVR-H2V foi realizada com base em faixas de desempenho previamente definidas: 0,00 a 0,39 indicou baixa viabilidade percebida; 0,40 a 0,69, viabilidade moderada com riscos relevantes; e 0,70 a 1,00, viabilidade percebida como robusta. A neutralidade do instrumento de coleta foi preservada, permitindo análises quantitativas robustas e comparáveis entre os diferentes perfis de respondentes, e a construção de gráficos radar para visualização dos resultados.
3. Resultados e Discussão
Os resultados apresentados nesta seção decorrem da aplicação de um questionário de percepção técnica, que investigou a relação entre a gestão de riscos e a viabilidade econômica na produção de Hidrogênio Verde (H2V). As respostas foram normalizadas para um intervalo de 0 a 1, e a amostra do estudo compreendeu 121 participantes. A análise dos dados foi organizada em sete dimensões distintas, permitindo uma avaliação abrangente das percepções dos profissionais envolvidos no setor de energias renováveis e gestão de projetos. Essa estruturação facilitou a identificação de padrões e divergências nas opiniões dos respondentes, fornecendo uma base sólida para a interpretação dos achados.
A consolidação das respostas por dimensão revelou uma percepção global favorável quanto à condução de projetos de H2V sob a ótica de risco e decisão. Observou-se maior robustez nas dimensões relacionadas à compreensão geral dos projetos de produção de H2V. A maioria dos profissionais, com 48,8% concordando e 36,4% concordando em parte na primeira questão, e resultados similares nas questões subsequentes, demonstrou um entendimento consistente sobre a produção de H2V. Esse achado sugere que o público-alvo, composto por profissionais potencialmente familiarizados com a temática, possui uma base de conhecimento sólida sobre o tema, o que é fundamental para a avaliação de projetos inovadores.
Na dimensão de Percepção da Viabilidade Econômica do Projeto de H2V, os participantes expressaram uma visão majoritariamente positiva, embora condicionada a fatores críticos. A análise indicou que a viabilidade econômica não se restringe apenas ao potencial tecnológico do H2V, mas é sensível a elementos como o custo da energia elétrica, o uso de fontes renováveis e o cenário energético. A maioria dos respondentes concordou total ou parcialmente com a afirmação de potencial econômico do H2V, independentemente das incertezas do setor. Além disso, os participantes reconheceram que os principais fatores que condicionam o custo do projeto são conhecidos e acessíveis, o que contribui para análises de planejamento e decisão mais consistentes.
A dependência do custo da energia elétrica foi amplamente reconhecida como um fator crítico para a viabilidade da produção de H2V, com predominância de concordância nas respostas. Isso reforça a compreensão de que a competitividade do H2V está intrinsecamente ligada ao preço da eletricidade, um dos componentes primários da estrutura de custos. Em uma questão formulada negativamente, que abordava se o uso de energias renováveis não seria um fator preponderante, a alta porcentagem de respostas de concordância e discordância total indicou que os participantes discordam da afirmação, reforçando que as fontes renováveis são cruciais para a viabilidade econômica e estratégica. Por fim, houve alta concordância de que mudanças significativas no cenário energético podem afetar a viabilidade econômica do projeto, evidenciando a sensibilidade do H2V a variações externas, como preços de energia, políticas públicas e condições de mercado.
A percepção dos participantes em relação aos riscos dos projetos de H2V revelou o reconhecimento da existência de riscos relevantes, especialmente de natureza técnica, econômica e externa. No entanto, esses riscos são percebidos como compatíveis com o grau de inovação e complexidade inerente ao setor energético. A predominância de respostas de concordância, com 38,8% concordando e 28,9% concordando em parte, indicou que a maior parte dos participantes considera que o projeto apresenta riscos técnicos relevantes. Esse resultado sugere que os especialistas reconhecem desafios associados à tecnologia empregada, à operação dos sistemas e à integração entre processos.
Em relação aos riscos econômicos, observou-se um comportamento semelhante, com 38% concordando e 36,4% concordando em parte, demonstrando que esses riscos são percebidos como significativos, possivelmente relacionados a custos elevados de implantação, dependência do preço da energia elétrica e incertezas quanto ao retorno financeiro. A existência de riscos externos, como fatores regulatórios, oscilações de mercado, mudanças no cenário político e limitações de infraestrutura, foi fortemente reconhecida, com 44,6% concordando e 19% concordando em parte, evidenciando seu potencial de impacto na implantação e viabilidade. Por fim, os resultados indicaram elevada concordância, com 56,2% concordando e 27,3% concordando em parte, de que os riscos relacionados à produção de H2V são compatíveis com projetos inovadores no setor energético, o que sugere que, embora relevantes, não são interpretados como impeditivos, mas sim como inerentes a iniciativas tecnológicas emergentes.
A dimensão de Gestão de Riscos (abordagem geral) revelou concordância parcial quanto à identificação, compreensão e controle dos riscos do projeto. A gestão de riscos é percebida como um elemento importante nos projetos de H2V, especialmente no apoio à identificação, controle e tomada de decisão. Na questão sobre a identificação estruturada dos principais riscos, predominou a concordância parcial, com 39,7% dos respondentes, sugerindo que o processo, embora presente, ainda não está plenamente consolidado. A clareza sobre os riscos que podem comprometer a viabilidade econômica da produção de H2V também apresentou um resultado semelhante, com 42,1% concordando em parte, indicando uma razoável compreensão, mas com espaço para aprimoramento.
Quanto à consideração de ações para reduzir ou controlar os riscos mais relevantes, prevaleceram as respostas de concordância, com 49,6% dos participantes, indicando que o projeto incorpora medidas de mitigação. Em uma questão formulada negativamente, que afirmava que a gestão de riscos não contribui para aumentar a segurança na tomada de decisão, predominou a discordância, com 38,8% discordando e 36,4% discordando completamente. Esse resultado reforça que os participantes reconhecem a contribuição da gestão de riscos para a segurança e a confiança no processo decisório, alinhando-se às melhores práticas de gerenciamento de projetos.
Na dimensão de Tomada de Decisão e Viabilidade, os resultados mostraram uma elevada concordância, indicando que a análise de riscos é vista como um elemento crucial para orientar o projeto. Houve forte concordância de que a análise de riscos influencia as decisões técnicas do projeto, com 52,1% concordando e 38% concordando em parte. O mesmo padrão se repetiu para as decisões estratégicas, com 50,4% concordando e 38% concordando em parte, evidenciando a percepção de que a gestão de riscos é fundamental em múltiplos níveis decisórios.
A maioria dos participantes, com 52,1% concordando e 35,5% concordando em parte, também concordou que a viabilidade econômica do projeto está diretamente relacionada ao nível de risco assumido, demonstrando uma associação clara entre risco e viabilidade. Além disso, a gestão de riscos foi percebida como um fator que aumenta a confiança na continuidade e na execução do projeto, com 47,9% concordando e 35,5% concordando em parte. Esses achados coletivamente reforçam a ideia de que a análise e a gestão de riscos são fatores relevantes para apoiar decisões técnicas e estratégicas, além de fortalecer a viabilidade e a continuidade dos projetos de H2V.
A dimensão de Governança e Maturidade do Projeto revelou concordância parcial quanto à organização do projeto, à comunicação sobre riscos e à análise de cenários, além de uma visão cautelosa sobre o nível atual de risco. Na questão sobre a organização adequada para lidar com incertezas, predominou a concordância parcial, com 43,8% dos respondentes, sugerindo que, embora haja avanços, ainda existem limitações. A comunicação sobre riscos entre os envolvidos foi considerada razoavelmente clara, com 40,5% concordando em parte, mas indicando que pode ser aprimorada.
A consideração de diferentes cenários futuros (viável, neutro e inviável) também prevaleceu na concordância parcial, com 43% dos participantes, mostrando que o projeto busca antecipar diversas possibilidades. As respostas sobre o nível atual de risco ser aceitável para a fase de desenvolvimento dos projetos de H2V concentraram-se entre concordância parcial e concordância, com 29,8% e 29,8% respectivamente, indicando uma visão equilibrada. Contudo, em uma questão formulada negativamente, que afirmava que o nível atual de risco é irrelevante para o desenvolvimento econômico, predominou a discordância, com 47,1% discordando e 36,4% discordando completamente. Isso demonstra que os participantes não consideram o risco um fator desprezível, reforçando a necessidade de sua constante consideração na evolução dos projetos de H2V.
A Avaliação Global dos participantes sobre os projetos de H2V, com base nas questões finais do questionário, mostrou uma percepção predominantemente positiva, com respostas de concordância e concordância parcial. Os participantes indicaram que o projeto de produção de H2V pode ser economicamente viável mesmo considerando os riscos envolvidos, com 43% concordando e 39,7% concordando em parte. Também predominou a concordância de que os riscos identificados são compatíveis com os benefícios esperados, com 46,3% concordando e 32,2% concordando em parte, o que reforça a ideia de que o risco é parte inerente de projetos inovadores.
A maioria dos respondentes concordou que não há progresso sem riscos, com 43% concordando e 40,5% concordando em parte, o que sublinha a aceitação do risco como um componente do desenvolvimento. Os resultados indicaram que a gestão de riscos adotada contribui para a sustentabilidade do projeto, com 38% concordando e 32,2% concordando em parte. Por fim, houve forte concordância, com 36,4% concordando e 27,3% concordando em parte, de que os riscos são elementos importantes em projetos inovadores, como os de produção de H2V. Em síntese, os especialistas avaliam os projetos de H2V de forma favorável, reconhecendo a relevância dos riscos, mas os considerando compatíveis com os benefícios esperados e com o avanço do projeto e sua sustentabilidade.
Os valores médios do Índice Global de Viabilidade de Projetos de H2V por perfil profissional apresentaram relativa convergência nas percepções dos entrevistados, variando de 0,644 a 0,658. A Área Técnica registrou o maior índice médio geral, com 0,658, seguida por Gestão de Projetos (0,656), Engenharia de Energia (0,650), Especialista em H2V (0,646) e Engenharia Elétrica (0,644). Em termos dimensionais, os engenheiros de energia destacaram-se em Compreensão do Projeto (0,659), enquanto os profissionais da Área Técnica apresentaram os maiores valores em Viabilidade Econômica (0,654), Tomada de Decisão e Viabilidade (0,833) e Avaliação Global (0,685). Esses dados indicam que, embora haja uma percepção geral positiva, as nuances nas áreas de atuação e experiência profissional influenciam a avaliação de aspectos específicos dos projetos de H2V.
Os profissionais da Gestão de Projetos (0,736) e Especialistas em H2V (0,734) registraram os maiores índices na dimensão Percepção de Riscos, sendo que os especialistas em H2V também apresentaram o maior valor em Gestão de Riscos (0,625). Na dimensão Governança, o maior índice foi observado para os profissionais da área de Gestão de Projetos (0,608). De forma geral, os resultados sugerem que a percepção sobre a viabilidade dos projetos de H2V é moderadamente positiva em todos os perfis, com diferenças associadas principalmente à área de atuação e ao tipo de experiência profissional dos respondentes. Essa heterogeneidade nas percepções sublinha a complexidade da avaliação de projetos de H2V, que envolve múltiplos fatores e perspectivas.
O Índice Global de Viabilidade com Riscos (IGVR-H2V), calculado como uma combinação ponderada dos índices médios por perfil profissional, atingiu um valor de 0,651. Este valor, de acordo com a faixa de interpretação estabelecida, indica uma viabilidade percebida como moderada, com riscos relevantes, porém potencialmente controláveis. Os pesos utilizados no cálculo foram de 0,40 para Engenheiros Eletricistas, 0,26 para Engenheiros de Energia, 0,20 para profissionais da Área Técnica, 0,11 para profissionais da Gestão de Projetos e 0,03 para Especialistas em H2V. Essa ponderação reflete a representatividade de cada grupo na amostra e sua influência na percepção global da viabilidade.
A análise da percepção de viabilidade econômica com gestão de riscos em projetos de H2V por perfil profissional reforçou a interpretação anterior, destacando a dimensão de Gestão de Riscos como a de menor pontuação média, com um índice de 0,578 considerando todos os profissionais pesquisados. Em contraste, a dimensão Decisão e Viabilidade do projeto apresentou o índice mais elevado, com 0,779. Esses resultados sugerem que a percepção de risco é o principal determinante da confiança na continuidade do projeto, demandando atenção especial. Tal achado é coerente com a ISO 31000 (2018), que evidencia o papel da gestão de riscos como instrumento de suporte à tomada de decisão, e com o Guia PMBOK (Project Management Institute, 2017), que enfatiza o domínio da incerteza como elemento central na governança do projeto. A viabilidade econômica, embora sensível, é estabilizada pela gestão de riscos, elevando a confiança global no projeto de H2V.
Em síntese, a pesquisa revelou que, embora a viabilidade econômica da produção de H2V seja percebida como sensível a fatores externos, a adoção de práticas estruturadas de gestão de riscos constitui um fator importante a ser considerado no processo de decisão. O Índice Global de Viabilidade com Riscos (IGVR-H2V) de 0,651 indicou uma viabilidade moderada com riscos relevantes, compatível com projetos inovadores no setor energético. Os profissionais demonstraram familiaridade com modelos energéticos e políticas de transição, mas com cautela em relação a riscos técnicos e operacionais. A gestão de riscos, embora com espaço para aprimoramento em sua estruturação, é reconhecida como essencial para a segurança e confiança na tomada de decisões, contribuindo para a sustentabilidade e o avanço dos projetos de H2V.
4. Conclusão
O presente estudo objetivou avaliar a gestão de riscos na viabilidade econômica da produção de Hidrogênio Verde (H2V) na percepção de diferentes profissionais, considerando os principais riscos e suas incertezas financeiras, regulatórias e tecnológicas. Verificou-se que a viabilidade econômica da produção de H2V é percebida como sensível a fatores externos, como o custo da energia elétrica e as mudanças no cenário energético. Contudo, a adoção de práticas estruturadas de gestão de riscos constituiu um fator importante no processo de decisão, especialmente em projetos de caráter inovador e instáveis. A pesquisa revelou que os profissionais demonstraram familiaridade com modelos energéticos e políticas de transição, embora com cautela em relação a riscos técnicos e operacionais. O Índice Global de Viabilidade com Riscos em projetos de H2V (IGVR-H2V), desenvolvido para este estudo, atingiu um valor médio de 0,651, indicando uma viabilidade moderada com riscos relevantes, porém potencialmente controláveis. Essa ferramenta e a análise das percepções contribuem para uma compreensão mais aprofundada da integração entre gestão de riscos e tomada de decisão em projetos de H2V, oferecendo subsídios para o aprimoramento da governança e da sustentabilidade desses empreendimentos.
Como limitações da pesquisa, destaca-se o caráter perceptivo das respostas, que dependem da experiência profissional e pessoal dos respondentes. Além disso, a variabilidade dos cenários econômicos e regulatórios associados ao H2V, os quais podem evoluir ao longo do tempo, também representa uma limitação. Para estudos futuros, recomenda-se a reprodução do questionário com uma amostra mais expressiva de profissionais diretamente envolvidos com gestão de riscos. Sugere-se também a aplicação de outras métricas matemáticas de modelagem financeira, como a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Valor Presente Líquido (VPL) e o Payback, considerando diferentes cenários (otimista, realista e pessimista), a fim de gerar inferências mais robustas. Adicionalmente, a criação de uma matriz de riscos que destaque pontos críticos e a realização de análises quantitativas por meio de simulações de Monte Carlo podem aprofundar a identificação da incerteza associada às variáveis de risco.
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISO 31000: gestão de riscos – diretrizes. 2. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
BRITO, Elisa Araujo de Salvo. Gerenciamento de riscos na construção civil. 2013. Monografia (Especialização em Construção Civil – Ênfase em Gestão de Empreendimentos) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013. Orientador: Prof. Eduardo Marques Arantes.
DINIZIO, Maria da Conceição Dantas; MARTINS, Paulo Eduardo Silva. Ferramentas de gerenciamento de riscos na engenharia de segurança do trabalho: um estudo de revisão bibliográfica. Ideias & Inovação, Aracaju, v. 5, n. 3, p. 83-96, jun. 2020. ISSN Impresso: 2316-1299. e-ISSN: 2316-3127.
FERNANDES, Pedro Jose Martins Alvarez; RABECHINI JR, Roque. O gerenciamento de riscos em projetos gerenciados por abordagens ágeis: uma revisão sistemática da literatura. Revista de Gestão e Projetos, v. 12, n. 1, p. 172-194, mar. 2021. DOI: 10.5585/gep.v12i1.17817.
GARLET, Taís Bisognin; SAVIAN, Fernando de Souza; RIBEIRO, José Luis Duarte; SILUK, Julio Cezar Mairesse. Unlocking Brazil’s green hydrogen potential: Overcoming barriers and formulating strategies to this promising sector. International Journal of Hydrogen Energy, v. 49, p. 553-570, 2024. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0360319923048735. Acesso em: [02 de mar. 2025].
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 6. ed. Newtown Square, PA: Project Management Institute, 2017. ISBN 9781628253924.
SALLES JR., Carlos Alberto Corrêa; SOLER, Alonso Mazini; VALLE, José Angelo Santos do; RABECHINI JR., Roque. Gerenciamento de riscos em projetos. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Editoria FGV, 2010.
Santos, 2022 [Referência completa não encontrada no documento original]
SCHNEIDER, Aline Lessa da Silva. A importância do gerenciamento de risco em projetos. 2014. Artigo científico (Pós-graduação em Gestão Empreendedora em Projetos) – Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2014. Orientador: Francisco Marcelo Marques Lima.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

