Artigo

30 de julho de 2026

Otimização de Portfólios de Investimentos: Convergência entre Markowitz e Graham no Mercado Brasileiro

Flávia dos Santos Rici Amaro; Lucineide Bispo dos Reis Luz

DOI: 10.22167/2675-6528-202600810

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O cenário do mercado financeiro, marcado por avanços tecnológicos e maior acesso a instrumentos de investimento, exige dos investidores uma compreensão aprofundada de conceitos como risco, retorno e diversificação. Com o objetivo de analisar a percepção dos investidores brasileiros sobre risco, retorno e diversificação, e verificar a aplicação prática desses conceitos na gestão de investimentos, buscou-se compreender a efetividade do uso dos princípios de diversificação e otimização de portfólios no processo decisório. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória, de abordagem quali-quantitativa, que combinou revisão bibliográfica com a aplicação de questionários online a 104 investidores. Investigaram-se aspectos como percepção de risco, práticas de diversificação, uso de ferramentas analíticas e estratégias de alocação de ativos. Os resultados revelaram que a maioria dos investidores demonstrou conhecimento conceitual sobre risco, retorno e alocação. No entanto, a aplicação prática dos princípios da Teoria Moderna de Portfólios ocorreu de forma parcial e intuitiva, com uso limitado de ferramentas de otimização, análise de correlação e rebalanceamento. Constatou-se um descompasso entre o conhecimento teórico e o comportamento efetivo de gestão de portfólio, evidenciando a necessidade de ampliação da educação financeira e do uso de ferramentas analíticas para decisões de investimento mais estruturadas e estratégicas no Brasil.

Palavras-chave: Diversificação; Educação Financeira; Investimentos; Risco e Retorno; Teoria Moderna de Portfólios.

1. Introdução

O mercado financeiro desempenha um papel fundamental na alocação de recursos na economia, possibilitando que investidores direcionem seu capital para diferentes ativos conforme seus objetivos financeiros e níveis de tolerância ao risco. Nesse contexto, a construção de portfólios de investimentos eficientes torna-se essencial para a obtenção de retornos consistentes e para a mitigação dos riscos inerentes às oscilações do mercado. A diversificação e a otimização de portfólios emergem, portanto, como estratégias centrais na gestão de investimentos, especialmente em ambientes caracterizados por incertezas econômicas e volatilidade (Batista, 2024).

Dentre as principais abordagens teóricas que fundamentam a gestão de portfólios, destacam-se a Teoria Moderna de Portfólios, desenvolvida por Harry Markowitz, e a filosofia de investimentos em valor proposta por Benjamin Graham. A teoria de Markowitz introduziu uma perspectiva quantitativa ao demonstrar que a combinação adequada de ativos, considerando suas correlações, permite reduzir o risco total do portfólio sem comprometer o retorno esperado (Markowitz, 1952). Por sua vez, Graham enfatizou a análise fundamentalista, a margem de segurança e a seleção criteriosa de ativos subavaliados, priorizando a proteção do capital e a consistência dos investimentos no longo prazo (Rodrigues, 2010).

Embora distintas em sua abordagem — uma baseada em modelos matemáticos e estatísticos e a outra ancorada na análise qualitativa e fundamentalista — as teorias de Markowitz e Graham apresentam pontos de convergência que podem contribuir de forma complementar para a construção de portfólios mais eficientes (Liberato, 2024). A integração desses dois enfoques possibilita aliar a disciplina quantitativa da otimização de risco-retorno à prudência e à seletividade na escolha dos ativos, favorecendo decisões de investimento mais robustas e alinhadas aos diferentes perfis de investidores (Liberato, 2024).

O mercado financeiro contemporâneo caracteriza-se por sua elevada volatilidade e constante transformação, exigindo que investidores adotem estratégias sofisticadas de alocação de ativos para otimizar suas carteiras e reduzir riscos (Maia, 2025). No Brasil, a adesão da população a investimentos ainda é limitada. Apenas 37% da população apta a investir possui algum tipo de aplicação financeira, sendo que 68% desses indivíduos mantêm seus recursos na poupança, opção que apresenta retornos inferiores frente a outras alternativas de menor risco e maior rentabilidade (ANBIMA, 2024; LIMA, 2024). Esses dados revelam não apenas a baixa cultura de investimento, mas também a necessidade de estratégias fundamentadas que permitam uma gestão eficiente do patrimônio e uma tomada de decisão consciente (GUEDES, VIRGENS & GOMES, 2024).

A disparidade entre o conhecimento financeiro da população e a disponibilidade de instrumentos de investimento evidencia lacunas que motivam a presente pesquisa. Enquanto 25% da população investe na poupança, apenas 1,8% aplicam em títulos públicos e 2,5% em ações, demonstrando uma concentração excessiva em produtos de baixo rendimento (ANBIMA, 2024). Além disso, muitos investidores tomam decisões baseadas em informações informais, como recomendações de amigos ou familiares, ou sem qualquer orientação, expondo-se a riscos significativos (ANBIMA, 2024; LIMA, 2024; PACHECO, 2024). A crescente evolução tecnológica e o acesso a plataformas digitais ampliaram significativamente as possibilidades de diversificação e otimização dos portfólios, facilitando o uso de modelos matemáticos e softwares de análise financeira (Sousa, 2024). Contudo, o simples acesso não garante decisões eficientes; é necessário que o investidor desenvolva capacidade crítica para interpretar dados e compreender os riscos associados a cada modalidade de investimento (Bellettini, 2024).

Fatores comportamentais, como a aversão à perda, o viés de curto prazo e a influência de notícias econômicas, exercem impacto significativo sobre as decisões dos investidores brasileiros. Tais aspectos podem levar à concentração excessiva em determinados ativos ou à tomada de decisões impulsivas, comprometendo o desempenho do portfólio. Dessa forma, a educação financeira e o uso de ferramentas quantitativas de análise destacam-se como elementos fundamentais para aprimorar a tomada de decisão e promover uma gestão mais eficiente dos investimentos no Brasil (Souza, 2024). A formação financeira adequada contribui para a construção de portfólios mais equilibrados, alinhados ao perfil de risco e aos objetivos de longo prazo (Bellettini, 2024).

No contexto do mercado financeiro brasileiro, marcado por histórico de instabilidade econômica, variações nas taxas de juros e mudanças no comportamento dos investidores, a aplicação integrada dessas teorias torna-se especialmente relevante. Com a crescente participação de investidores pessoa física e a ampliação do acesso a diferentes classes de ativos, surge a necessidade de estratégias que conciliem eficiência, segurança e rentabilidade. Diante desse cenário, este trabalho tem como finalidade analisar como a integração das teorias de Markowitz e Graham pode contribuir para a diversificação e a otimização de portfólios de investimentos, avaliando sua aplicabilidade e eficácia no mercado financeiro brasileiro.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se por sua natureza exploratória, com abordagem quali-quantitativa, buscando analisar a percepção dos investidores brasileiros sobre risco, retorno e diversificação, e verificar a aplicação prática desses conceitos na gestão de investimentos. O estudo visou compreender a efetividade do uso dos princípios de diversificação e otimização de portfólios no processo decisório, alinhando-se ao objetivo de avaliar a aplicabilidade e eficácia da integração das teorias de Markowitz e Graham no mercado financeiro brasileiro.

A estratégia de pesquisa adotada combinou a revisão bibliográfica com a aplicação de um questionário online. O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado, elaborado e disponibilizado por meio da plataforma Google Forms. Este questionário foi concebido para investigar aspectos como a percepção de risco, as práticas de diversificação, o uso de ferramentas analíticas e as estratégias de alocação de ativos pelos investidores.

O questionário foi dividido em três seções principais. A primeira seção abordou o perfil sociodemográfico dos participantes, enquanto a segunda focou na percepção dos investidores sobre risco e retorno. A terceira seção investigou a aplicação dos conceitos da Teoria Moderna de Portfólios. A elaboração das questões baseou-se nos principais fundamentos da Teoria Moderna de Portfólios (Markowitz, 1952), nas contribuições da literatura de finanças comportamentais (Kahneman & Tversky, 1979; Thaler, 1985) e nos princípios da educação financeira (Lusardi & Mitchell, 2014), garantindo coerência teórica.

A unidade de análise consistiu em investidores com afinidade com o mercado financeiro. A amostra foi composta por 104 participantes, selecionados por conveniência. A coleta de dados ocorreu no período de 23 de dezembro de 2025 a 25 de janeiro de 2026. Os participantes foram investidores com diferentes níveis de experiência e escolaridade, conforme o perfil que se buscava investigar para a compreensão de suas práticas de investimento.

Para a realização da coleta de dados, foram observados os devidos cuidados éticos. A participação na pesquisa foi voluntária, e as respostas coletadas foram tratadas de forma anônima e confidencial. Garantiu-se que os dados seriam utilizados exclusivamente para fins acadêmicos, conforme declarado aos participantes antes do início do preenchimento do questionário, assegurando a privacidade e a integridade das informações.

A análise dos dados coletados foi realizada por meio de estatística descritiva simples. As respostas foram tabuladas e, posteriormente, calcularam-se as frequências e os percentuais para cada questão. Essa abordagem permitiu organizar os dados de forma a descrever o comportamento e as percepções dos investidores em relação aos conceitos investigados, sem adentrar em interpretações complexas ou inferências estatísticas.

Os dados organizados foram interpretados à luz da revisão da literatura financeira, buscando estabelecer um diálogo entre os achados descritivos e os referenciais teóricos consolidados. Essa etapa visou contextualizar as informações obtidas, permitindo uma compreensão mais aprofundada das estratégias de diversificação e otimização de portfólios, bem como da percepção de risco e retorno pelos investidores brasileiros.

3. Resultados e Discussão

A análise dos resultados, obtidos por meio de um questionário aplicado a 104 investidores brasileiros, ofereceu uma compreensão aprofundada sobre suas percepções e práticas relacionadas ao risco, retorno, diversificação e à aplicação da Teoria Moderna de Portfólios. Os dados coletados permitiram traçar um perfil demográfico e de experiência dos participantes, além de revelar como os conceitos teóricos são compreendidos e efetivamente utilizados na gestão de investimentos. A discussão subsequente integra esses achados com a literatura pertinente, conforme os fundamentos que nortearam o estudo, buscando responder em que medida os princípios de diversificação e otimização de portfólios são efetivamente empregados no processo decisório dos investidores.

Inicialmente, o perfil dos participantes revelou uma concentração de respondentes entre 25 e 39 anos, com 32% na faixa de 30 a 34 anos, 24,3% entre 25 e 29 anos e 20,4% entre 35 e 39 anos. Essa predominância etária sugere que a amostra é composta por indivíduos em fase economicamente ativa e de consolidação patrimonial, um perfil que geralmente demonstra maior propensão a assumir riscos moderados em busca de retornos superiores, conforme apontado por Bodie, Kane e Marcus (2014). Tal característica da amostra é relevante para a interpretação das respostas sobre a tolerância ao risco e as estratégias de investimento adotadas.

Em relação ao nível de escolaridade, verificou-se que 45,3% dos participantes possuíam ensino superior completo, e 32,1% detinham pós-graduação. Este elevado nível educacional indica um maior acesso à informação e uma capacidade aprimorada de compreensão de conceitos financeiros complexos. Essa formação acadêmica avançada pode influenciar positivamente a percepção dos investidores sobre temas como diversificação, risco e retorno, contribuindo para uma base teórica mais sólida em suas decisões de investimento, o que é crucial para a aplicação de estratégias sofisticadas de gestão de portfólios.

A distribuição de gênero na amostra mostrou-se relativamente equilibrada, com 53,8% de participantes do gênero feminino e 46,2% do masculino. Essa diversidade de gênero é um fator importante para a análise comportamental dos investidores, pois permite considerar diferentes perspectivas e abordagens na tomada de decisão, que podem ser influenciadas por aspectos sociais e psicológicos. A heterogeneidade da amostra contribui para uma visão mais abrangente das percepções e práticas no mercado financeiro brasileiro.

No que tange ao tempo de experiência como investidor, os dados indicaram que 20,8% dos participantes investem há mais de cinco anos, 24,5% entre três e cinco anos, 27,4% entre um e três anos e 27,4% há menos de um ano. Esses resultados revelam que a maior parte da amostra possui experiência intermediária ou elevada no mercado financeiro. A experiência acumulada é um fator relevante para a interpretação das respostas, pois investidores mais experientes tendem a ter uma compreensão mais apurada dos riscos e retornos, e a adotar estratégias mais elaboradas de gestão de portfólio, como a diversificação e otimização.

Percepção de risco e retorno

Ao serem questionados sobre o fator de maior peso na decisão de investimento, 34% dos respondentes indicaram a rentabilidade, seguidos por 32,1% que priorizaram a segurança, e 18,9% a diversificação. Este achado sugere que, embora a busca por retorno seja predominante entre os investidores, há uma preocupação significativa com a segurança e a composição da carteira. Essa percepção da importância da diversificação na mitigação de riscos está alinhada aos princípios da Teoria Moderna de Portfólios, conforme proposto por Markowitz (1952), que enfatiza a relação entre risco e retorno na construção de portfólios eficientes.

A percepção sobre a afirmação de que a diversificação reduz o risco da carteira foi amplamente positiva, com 24% dos participantes concordando totalmente e 55,7% concordando, totalizando 79,7% de concordância. Este dado demonstra um forte alinhamento conceitual dos investidores com a Teoria Moderna de Portfólios, indicando que a maioria reconhece os benefícios da diversificação. Contudo, a discussão aprofundada dos resultados revelou que, apesar do conhecimento teórico, a aplicação prática desses princípios nem sempre ocorre de forma estruturada, o que aponta para um descompasso entre teoria e prática.

A frequência de análise da relação risco-retorno antes de investir revelou que apenas 37,1% dos investidores realizam essa análise sempre, e 31,4% o fazem frequentemente. Por outro lado, 14,3% analisam apenas às vezes e 14,3% raramente. Esses resultados indicam que, embora o conceito de risco-retorno seja conhecido, sua aplicação prática ainda é limitada. Essa dificuldade na operacionalização dos modelos de risco-retorno por investidores individuais foi previamente apontada por Elton et al. (2014), reforçando a necessidade de ferramentas e educação financeira para aprimorar essa prática.

Em relação à composição da carteira, 47,2% dos respondentes afirmaram possuir ampla diversificação, enquanto 38,7% declararam diversificação limitada e 14,2% não diversificam. Embora a maioria adote algum nível de diversificação, uma parcela significativa ainda mantém carteiras concentradas. Essa concentração pode elevar o risco não sistemático, que poderia ser mitigado por uma diversificação mais estratégica, conforme os preceitos da Teoria Moderna de Portfólios. A diversificação, como estratégia, visa distribuir recursos entre diferentes classes de ativos para reduzir a exposição a riscos específicos (Markowitz, 1952).

Ao serem questionados sobre o fator que mais aumenta o risco de um investimento, 32,7% indicaram a falta de informações, 26,9% a concentração em poucos ativos, 21,2% a volatilidade e 19,2% a baixa liquidez. Este resultado demonstra que os investidores reconhecem a concentração como um dos principais fatores de risco, alinhando-se às evidências da literatura financeira. A percepção dos investidores brasileiros sobre o risco está diretamente relacionada à diversificação, à disponibilidade de informações, à volatilidade e à liquidez dos ativos, refletindo conceitos consolidados da literatura financeira (Batista, 2024).

A análise da frequência de avaliação da correlação entre ativos antes de investir revelou que apenas 33,3% dos investidores o fazem frequentemente e 25,7% sempre, enquanto 24,8% o fazem às vezes e 14,3% raramente. Este resultado evidencia uma fragilidade importante na aplicação prática da diversificação eficiente. Conforme Markowitz (1952), a correlação entre ativos é um elemento central para a redução do risco total da carteira, pois a combinação de ativos com baixa ou negativa correlação permite minimizar a volatilidade sem comprometer o retorno esperado. A falta de avaliação regular da correlação pode limitar a eficácia da diversificação.

Diversificação e volatilidade

Quando questionados sobre o que consideram mais importante ao pensar em diversificação, 36,2% indicaram a relação risco-retorno, 32,4% os tipos diferentes de ativos, 21% os setores distintos e apenas 8,6% a quantidade de ativos. Esse dado demonstra que os investidores possuem uma visão predominantemente qualitativa da diversificação, priorizando a variedade de ativos e a relação entre risco e retorno, mas ainda sem um foco explícito na correlação estatística entre ativos. Essa abordagem qualitativa, embora válida, pode não ser suficiente para otimizar portfólios sem a consideração de métricas quantitativas (Batista, 2024).

Em relação ao acompanhamento da volatilidade dos ativos da carteira, 64,1% dos respondentes afirmaram acompanhar apenas às vezes, enquanto 26,2% o fazem regularmente e 9,7% não acompanham. Esse comportamento indica uma postura mais reativa do que estratégica frente às oscilações do mercado. Um acompanhamento reativo da volatilidade pode comprometer a eficiência da gestão de portfólios, evidenciando a necessidade de práticas mais estratégicas para uma gestão eficiente, como destacado por Gomes (2025). A gestão ativa da volatilidade é crucial para a manutenção de portfólios eficientes.

Aplicação da Teoria Moderna de Portfólios

Ao serem confrontados com a escolha entre dois ativos com o mesmo retorno esperado, mas riscos diferentes, 46,2% afirmaram que a decisão dependeria de outros fatores, enquanto 40,4% escolheriam o ativo de menor risco. Esse resultado demonstra uma racionalidade econômica compatível com o conceito de eficiência, onde, em igualdade de retorno, o investidor racional opta pelo menor risco. No entanto, a parcela de indecisão (46,2%) sugere que ainda existe uma lacuna na compreensão plena dos critérios de decisão em cenários de risco e retorno, o que pode ser influenciado por fatores comportamentais.

Quanto ao uso de ferramentas de otimização de carteira, 34,3% dos respondentes declararam utilizá-las às vezes, 23,8% nunca utilizam e apenas 19% utilizam frequentemente. Esses dados reforçam que a aplicação prática dos modelos de Markowitz ainda é limitada, apesar de seu amplo reconhecimento teórico. A baixa frequência no uso de ferramentas analíticas e tecnológicas para otimização de portfólios impede que os investidores explorem de forma eficiente o espaço de possíveis carteiras e otimizem retornos, conforme sugerido por Chen e Zhou (2021).

Ao definir o conceito de carteira eficiente, 57,7% dos respondentes associaram-no ao equilíbrio entre risco e retorno, enquanto 21,2% o relacionaram à alta rentabilidade. Esse resultado indica que a maioria dos investidores compreende corretamente o conceito central da Teoria Moderna de Portfólios, que busca maximizar o retorno esperado para um determinado nível de risco ou minimizar o risco para um retorno desejado. Essa compreensão teórica é um passo fundamental, mas precisa ser traduzida em ações práticas para uma gestão de portfólio eficaz.

No que se refere ao rebalanceamento da carteira, 42,7% dos participantes realizam ajustes semestralmente, 19,4% anualmente e 11,7% trimestralmente. Embora a prática de rebalanceamento seja adotada pela maioria, sua frequência pode não ser suficiente em cenários de alta volatilidade para proteger os portfólios, evidenciando a necessidade de ajustes mais estratégicos (Souza, 2023). O rebalanceamento regular é uma estratégia essencial para manter o portfólio alinhado ao perfil de risco e aos objetivos do investidor, ajustando as alocações de ativos conforme as condições de mercado.

Quando questionados sobre a reação diante de uma forte queda de um ativo, 57,7% afirmaram que analisam para decidir, enquanto 24% aguardam. Esse comportamento evidencia a influência de fatores emocionais nas decisões de investimento, um aspecto amplamente discutido pelas Finanças Comportamentais (Kahneman & Tversky, 1979). A queda de ativos pode gerar decisões impulsivas ou reativas, comprometendo o desempenho do portfólio. A capacidade de analisar racionalmente a situação, em vez de reagir emocionalmente, é um diferencial para uma gestão de investimentos mais eficiente (Pires, 2023).

Por fim, 45,2% dos respondentes concordam totalmente que a diversificação proporciona retornos mais estáveis ao longo do tempo, e 49,5% classificam o risco de suas carteiras como médio, indicando uma busca por equilíbrio entre segurança e rentabilidade. Esses resultados, conforme Bahia (2024), indicam que a maioria dos investidores reconhece a diversificação como uma ferramenta estratégica para equilibrar risco e retorno, alinhando suas decisões à busca por estabilidade nos investimentos. A percepção de risco médio na carteira reflete uma postura consciente em relação à gestão de portfólio, buscando um balanço entre potencial de ganho e proteção do capital.

Em síntese, os resultados desta pesquisa indicaram que os investidores brasileiros possuem um bom nível de conhecimento conceitual sobre risco, retorno e diversificação, demonstrando compreensão dos fundamentos da Teoria Moderna de Portfólios. Contudo, a aplicação prática desses princípios ainda ocorre de forma parcial e, muitas vezes, intuitiva, com uso limitado de ferramentas de otimização, análise de correlação e rebalanceamento. Esse descompasso entre o conhecimento teórico e o comportamento efetivo de gestão de portfólio evidencia a necessidade de ampliação da educação financeira e do uso de ferramentas analíticas para decisões de investimento mais estruturadas e estratégicas, contribuindo para a construção de portfólios mais eficientes e alinhados aos objetivos dos investidores no mercado brasileiro.

4. Conclusão

O estudo buscou analisar a percepção dos investidores brasileiros sobre risco, retorno e diversificação, e verificar a aplicação prática desses conceitos na gestão de investimentos, visando compreender a efetividade do uso dos princípios de diversificação e otimização de portfólios no processo decisório. Verificou-se que os investidores demonstraram um bom nível de conhecimento conceitual sobre risco, retorno e diversificação, alinhando-se aos fundamentos da Teoria Moderna de Portfólios. Contudo, a aplicação prática desses princípios ocorreu de forma parcial e, muitas vezes, intuitiva, com uso limitado de ferramentas de otimização, análise de correlação e rebalanceamento. Esse descompasso entre o conhecimento teórico e o comportamento efetivo de gestão de portfólio evidencia a necessidade de ampliação da educação financeira e do uso de ferramentas analíticas para decisões de investimento mais estruturadas e estratégicas no Brasil.

Uma limitação do presente trabalho reside na abrangência da amostra, que, embora tenha fornecido insights valiosos, sugere a necessidade de investigações mais aprofundadas. Para estudos futuros, recomenda-se ampliar a amostra de investidores e investigar de forma mais detalhada como diferentes perfis e níveis de experiência influenciam a aplicação prática dos princípios da Teoria Moderna de Portfólios. Além disso, estudos posteriores podem analisar o impacto das ferramentas tecnológicas e da educação financeira na melhoria da tomada de decisão e na construção de carteiras de investimento mais eficientes, contribuindo para o avanço de uma cultura de investimento mais estruturada e responsável no país.

Referências Bibliográficas

BATISTA, Victor Gabriel Guimarães. O papel da diversificação na redução de riscos em portfólios de investimentos brasileiros. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração) Escola de Direito, Negócios e Comunicação, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2024. Disponível em: https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/8576. Acesso em: 28 jan. 2026.

MAIA, Luis Vasconcelos. A remessa de ativos ao exterior comoformade proteção patrimonial: uma análise sob a ótica da instabilidade econômico-financeira brasileira. Editora Dialética, 2025.

MARKOWITZ, H. Portfolio Selection. Journal of Finance, v. 7, n. 1, p. 77-91, 1952.

RODRIGUES, Sara Alcântara. Estratégia de seleção de empresas: uma análise do múltiplo preço/lucro e da margem de segurança para o mercado acionário brasileiro. Dissertação (Mestrado Profissional) – Programa de Pós-Graduação em Economia, CAEN, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza-CE, 2010. 73 f.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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