Artigo

23 de julho de 2026

Motivação e desafios na prospecção de clientes no segmento do agronegócio em instituições financeiras

Caroline Chamba Domingos; Mayara Ribeiro de Araujo

DOI: 10.22167/2675-6528-202600658

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O agronegócio possui relevância estratégica na economia brasileira, exigindo das instituições financeiras uma atuação qualificada na prospecção de clientes. Nesse contexto, investigou-se os fatores que influenciam a motivação e o desempenho de profissionais de vendas em instituições financeiras que atuam no segmento do agronegócio, com foco nos desafios da prospecção e nas estratégias organizacionais para o engajamento e a efetividade comercial. A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem quanti-qualitativa descritiva, foi desenvolvida por meio de um levantamento com 40 profissionais de instituições financeiras no município de Cabreúva, São Paulo. Os dados foram coletados por questionário estruturado e analisados com estatística descritiva. Os resultados revelaram o predomínio da motivação intrínseca, ligada à competência, propósito e satisfação, sobre a extrínseca. Identificou-se que o reconhecimento organizacional apresentou a menor média entre os fatores avaliados, indicando lacunas em feedback e valorização. A prospecção no agronegócio mostrou-se desafiadora, caracterizada por burocracia, necessidade de construção de confiança, centralidade do relacionamento presencial e limitações na adoção de ferramentas digitais. Concluiu-se que o desempenho satisfatório dos profissionais é sustentado pela motivação intrínseca e adaptação às demandas do setor, mas requer maior suporte institucional para sua sustentação a longo prazo.

Palavras-chave: Crédito rural; Digitalização; Engajamento profissional; Relacionamento comercial; Valorização institucional.

1. Introdução

O agronegócio brasileiro ocupa uma posição estratégica fundamental na economia nacional, sendo um pilar para o Produto Interno Bruto, a geração de empregos e a dinâmica das exportações. Sua relevância transcende a produção primária, englobando cadeias complexas que incluem logística, tecnologia, crédito e uma gama de serviços financeiros especializados. Nesse cenário, a interação entre o setor financeiro e os diversos agentes do agronegócio é crucial para a sustentabilidade e a competitividade econômica, conforme destacado por Gregorio et al. (2024), que associam a competitividade à inovação organizacional, à valorização profissional e à qualificação de equipes em funções estratégicas, como vendas e prospecção de clientes.

As instituições financeiras que atuam no segmento agro enfrentam desafios específicos na captação, atendimento e fidelização de clientes, principalmente no ambiente rural. Tais desafios derivam tanto de fatores estruturais, como os riscos inerentes à atividade agropecuária, a exigência de garantias e a assimetria de informações, quanto de aspectos humanos e organizacionais ligados ao desempenho dos profissionais. Fitriana (2024) enfatiza que as dificuldades no financiamento agrícola ressaltam a importância dos profissionais de vendas como mediadores entre produtores e instituições financeiras. Complementarmente, Dahal e Thapa (2020) evidenciam o impacto do crédito agrícola no crescimento do agronegócio, desde que acompanhado por processos eficazes de intermediação e acompanhamento.

No âmbito organizacional, a literatura aponta que o desempenho dos profissionais de vendas está intrinsecamente ligado à motivação no trabalho, influenciando o engajamento, a persistência diante de obstáculos e a qualidade do relacionamento com os clientes. Di Domenico et al. (2022) afirmam que a motivação afeta diretamente a maneira como o profissional conduz suas atividades e gerencia resultados, especialmente em contextos que demandam autonomia, envolvimento e capacidade de decisão. A Teoria da Autodeterminação, proposta por Deci e Ryan (2000), explica que a motivação pode ser compreendida por diferentes qualidades, distinguindo-se entre formas mais autônomas e controladas. A motivação autônoma, ligada ao senso de propósito, competência e autonomia, tende a gerar maior comprometimento e melhores resultados, enquanto a motivação controlada, baseada em recompensas externas, pode reduzir o engajamento a longo prazo.

No contexto do agronegócio, a discussão sobre motivação torna-se ainda mais relevante. A atuação comercial exige não apenas o cumprimento de metas, mas também a construção de confiança, a compreensão das particularidades do produtor rural e a adaptação às condições do ambiente de negócios. Gregorio et al. (2024) reforçam que a ausência de reconhecimento e de oportunidades de desenvolvimento profissional é um fator significativo para a desmotivação e a dificuldade de retenção de talentos no setor. Milanović et al. (2022) demonstram que práticas de valorização interna e reconhecimento organizacional fortalecem a identificação do colaborador com a instituição, impactando positivamente o desempenho organizacional e financeiro, indicando que o engajamento profissional é um elemento estratégico no agronegócio.

A transformação digital no sistema financeiro também redefiniu as práticas de prospecção e relacionamento com clientes do agronegócio. O uso de plataformas digitais ampliou o alcance das instituições e introduziu novas possibilidades de atendimento, acompanhamento e negociação. Contudo, esse processo revelou limitações no contexto rural, onde ainda se observam barreiras tecnológicas, baixa familiaridade com ferramentas digitais e resistência à substituição do atendimento presencial por parte de muitos produtores (Kulikov et al., 2022). Assim, a digitalização, embora promova eficiência operacional, não elimina a importância do relacionamento interpessoal, exigindo dos profissionais de vendas competências adicionais como empatia, adaptação cultural e comunicação estratégica.

Apesar da relevância do agronegócio para o sistema financeiro e da importância dos profissionais de vendas na prospecção de clientes, ainda são escassos os estudos que investigam especificamente como os fatores motivacionais influenciam o desempenho desses profissionais nesse segmento. A literatura sobre motivação em vendas tem se concentrado em contextos corporativos mais amplos, com menor atenção às particularidades do crédito rural, da intermediação comercial no meio agro e das relações com produtores rurais. Identifica-se, portanto, uma lacuna na compreensão dos fatores intrínsecos, extrínsecos e organizacionais que afetam o desempenho dos profissionais de vendas em instituições financeiras voltadas ao agronegócio.

Diante desse cenário, torna-se pertinente investigar como a motivação, o reconhecimento organizacional e os desafios contextuais da prospecção influenciam o desempenho dos profissionais de vendas que atuam no agronegócio. A presente pesquisa justifica-se por sua contribuição prática, ao oferecer subsídios para o aprimoramento das estratégias de gestão, incentivo e reconhecimento nas instituições financeiras, e por sua relevância acadêmica, ao ampliar a discussão sobre motivação no trabalho e desempenho comercial aplicada ao contexto agrofinanceiro. Assim, este estudo tem como objetivo analisar os fatores que influenciam a motivação e o desempenho dos profissionais de vendas em instituições financeiras que atuam no segmento do agronegócio, com foco nos desafios enfrentados no processo de prospecção de clientes e nas estratégias organizacionais que potencializam o engajamento e a efetividade comercial.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como aplicada, de abordagem quanti-qualitativa e natureza descritiva. O estudo buscou analisar os fatores que influenciam a motivação e o desempenho de profissionais de vendas em instituições financeiras que atuam no segmento do agronegócio, com foco nos desafios enfrentados no processo de prospecção de clientes e nas estratégias organizacionais que potencializam o engajamento e a efetividade comercial.

O estudo foi desenvolvido por meio de pesquisa de levantamento (survey), procedimento considerado adequado para a coleta de dados junto a um conjunto de respondentes e para a identificação de percepções, tendências e padrões comportamentais em contextos organizacionais reais, conforme destacam Gil (2017) e Bigaton et al. (2024). A população do estudo foi composta por profissionais de vendas gerais atuantes em instituições financeiras com foco no atendimento ao agronegócio, incluindo gerentes de relacionamento, consultores comerciais e especialistas em crédito rural.

A amostra foi do tipo não probabilística por conveniência, sendo o questionário enviado para aproximadamente 50 profissionais, dos quais 40 responderam. Os participantes foram selecionados de acordo com a acessibilidade e a disponibilidade para participação voluntária. Os profissionais atuavam no município de Cabreúva, São Paulo, e estavam vinculados a diferentes tipos de instituições financeiras, como bancos e cooperativas de crédito. Esse tipo de amostragem mostrou-se compatível com estudos aplicados em ambientes organizacionais, nos quais o acesso à totalidade da população é restrito (Gil, 2017).

A coleta de dados realizou-se por meio da aplicação de questionário estruturado, composto por 35 questões, sendo 33 fechadas e 2 abertas. As perguntas foram elaboradas com base na revisão da literatura e em estudos sobre motivação, desempenho e reconhecimento profissional. As variáveis relacionadas à motivação foram fundamentadas na Teoria da Autodeterminação, proposta por Deci e Ryan (2000) e discutida por Di Domenico et al. (2022).

Os aspectos ligados ao reconhecimento organizacional, ao engajamento e ao desempenho comercial foram embasados em estudos aplicados ao contexto do agronegócio e da gestão organizacional, como os de Gregorio et al. (2024) e Milanović et al. (2022). A estrutura do questionário foi organizada em blocos temáticos, contemplando o perfil profissional dos respondentes, fatores de motivação intrínseca e extrínseca, práticas de reconhecimento organizacional, desafios enfrentados na prospecção de clientes do agronegócio, percepção sobre tecnologia e digitalização e avaliação do desempenho profissional.

As questões fechadas relacionadas às percepções dos participantes foram mensuradas, em sua maioria, por meio de escala Likert de 5 pontos, com variação entre “discordo totalmente”, “discordo”, “nem concordo nem discordo”, “concordo” e “concordo totalmente”. Além das questões fechadas, o instrumento contemplou perguntas abertas, com o objetivo de identificar os principais fatores que dificultam a prospecção de clientes do agronegócio e as ações que poderiam ser adotadas pelas instituições para elevar a motivação e o desempenho dos profissionais.

O instrumento foi disponibilizado em formato eletrônico por meio do Google Forms e encaminhado aos participantes pelo aplicativo WhatsApp. O questionário foi enviado em 1° de março de 2026 e permaneceu disponível para respostas durante o período de 30 dias. A pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios éticos vigentes.

O projeto foi submetido ao Formulário de Direcionamento Ético [FDE], conforme exigência institucional do MBA USP/Esalq, com a finalidade de verificar a necessidade de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa [CEP]. Considerando o caráter das perguntas e o objetivo da pesquisa, não houve necessidade de submissão ao CEP. A participação dos respondentes ocorreu de forma voluntária, anônima e sem coleta de informações que permitissem sua identificação individual ou a identificação nominal das instituições envolvidas.

A participação se deu mediante ciência e concordância com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido [TCLE], no qual os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa, sobre o anonimato, a confidencialidade das respostas e a concordância em responder as perguntas. Os dados obtidos foram organizados em planilha eletrônica e submetidos à análise estatística descritiva, com utilização de frequências absolutas, percentuais e médias.

A análise concentrou-se na identificação dos níveis de motivação, da percepção sobre reconhecimento organizacional, dos desafios mais recorrentes no processo de prospecção e da relação desses fatores com o desempenho profissional. Os procedimentos adotados permitiram uma interpretação sistemática e objetiva dos resultados, sem antecipar achados empíricos ou conclusões analíticas.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, interpretando-os à luz do problema de estudo e da literatura pertinente, conforme delineado na introdução. Os resultados revelaram uma complexa interação entre fatores motivacionais intrínsecos e extrínsecos, o reconhecimento organizacional, os desafios inerentes à prospecção no agronegócio e a percepção sobre o desempenho profissional. Observou-se que a motivação intrínseca predomina entre os profissionais, impulsionando o engajamento e a satisfação, enquanto o reconhecimento institucional se apresenta como uma lacuna significativa. A prospecção no agronegócio, por sua vez, é percebida como uma atividade desafiadora, exigindo a construção de confiança e o relacionamento presencial, com limitações na adoção de ferramentas digitais.

Perfil dos Respondentes

A amostra do estudo foi composta por 40 profissionais que atuam na prospecção de clientes do agronegócio em instituições financeiras. A distribuição por sexo indicou uma predominância masculina, representando 60,0% dos participantes, enquanto 35,0% eram do sexo feminino e 5,0% optaram por não informar. Em relação à faixa etária, a maioria dos respondentes concentrou-se entre 26 e 35 anos, totalizando 45,0%, seguida pelo grupo de 36 a 45 anos, com 35,0%. Esses dados sugerem uma força de trabalho predominantemente jovem e em fase de consolidação profissional, o que pode influenciar a percepção sobre oportunidades de crescimento e reconhecimento, conforme discutido por Gregorio et al. (2024).

No que tange ao nível de escolaridade, a pesquisa revelou um elevado grau de qualificação formal entre os participantes. Verificou-se que 60,0% dos profissionais possuíam pós-graduação ou MBA, e 30,0% tinham ensino superior completo, resultando em 90,0% da amostra com formação de nível superior. Esse dado é relevante, pois indica que os profissionais do segmento agrofinanceiro investem em sua qualificação, o que pode estar associado à complexidade técnica e regulatória do crédito rural e à necessidade de conhecimento aprofundado sobre o setor, como apontado por Fitriana (2024) ao discutir as dificuldades no financiamento agrícola.

Quanto ao tempo de atuação no setor financeiro, 35,0% dos respondentes tinham entre seis e dez anos de experiência, e outros 35,0% possuíam mais de dez anos, indicando uma base de profissionais experientes. No atendimento específico ao agronegócio, 37,5% dos participantes tinham entre dois e cinco anos de atuação, e 27,5% entre seis e dez anos. A maioria dos profissionais exercia o cargo de gerente de relacionamento (45,0%), seguido por consultor(a) de vendas (35,0%) e especialista em crédito rural (15,0%). Essa distribuição de cargos e tempo de experiência reflete a natureza especializada e o foco no relacionamento que caracterizam a prospecção de clientes no agronegócio, corroborando a importância da intermediação eficaz mencionada por Dahal e Thapa (2020).

Motivação Intrínseca e Extrínseca

A análise dos fatores motivacionais revelou uma diferença expressiva entre a motivação intrínseca e a extrínseca. A motivação intrínseca alcançou uma média geral de 4,21 em uma escala Likert de cinco pontos, superando o limiar de concordância de 4,0. Em contrapartida, a motivação extrínseca registrou uma média de 3,83, situando-se abaixo desse patamar. Essa diferença de 0,38 pontos sugere que os profissionais atribuem maior valor aos aspectos internos do trabalho, como o significado, a autonomia e a competência, em detrimento dos incentivos externos. Tal achado corrobora os pressupostos da Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000), que associa a motivação autônoma a um maior engajamento e satisfação duradoura.

No bloco de motivação intrínseca, os resultados destacaram a percepção de competência para desempenhar as funções, com 92,5% dos respondentes concordando totalmente ou concordando, alcançando uma média de 4,35. A satisfação pessoal ao atingir bons resultados comerciais e a percepção de que o trabalho possui propósito e significado também obtiveram alta concordância, com 90,0% dos participantes para ambas as variáveis, e médias de 4,32. Esses dados indicam que os profissionais se sentem tecnicamente preparados e encontram sentido em suas atividades, elementos cruciais para a motivação autônoma e para o desempenho eficaz, como discutido por Di Domenico et al. (2022).

O contato com clientes do agronegócio foi reconhecido como um fator motivador por 87,5% dos respondentes, com média de 4,22, sugerindo que a especificidade do setor contribui positivamente para o engajamento profissional. Contudo, a autonomia para tomar decisões no dia a dia apresentou uma concordância relativamente menor, com 72,5% dos participantes e média de 3,85. Este aspecto merece atenção, pois a autonomia é um componente essencial da motivação intrínseca, conforme a Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000), e sua percepção mais baixa pode indicar oportunidades de aprimoramento na gestão das equipes.

Em contraste, a motivação extrínseca demonstrou maior dispersão nas respostas e médias inferiores. A remuneração variável foi reconhecida como um fator de impacto no desempenho por 82,5% dos respondentes, com média de 4,10. As metas comerciais também influenciaram a motivação de 80,0% dos participantes, com média de 4,05. Esses resultados evidenciam que os incentivos financeiros diretos ainda desempenham um papel relevante na motivação, embora não sejam o principal motor do engajamento. A valorização da remuneração variável está alinhada com a natureza do trabalho em vendas, onde o alcance de objetivos comerciais é diretamente recompensado.

No entanto, os programas de incentivo institucional obtiveram concordância de apenas 62,5% dos respondentes, com média de 3,62, e somente 57,5% afirmaram que o reconhecimento financeiro é mais motivador que o não financeiro, com média de 3,55. Esses dados sugerem que, embora a remuneração variável seja valorizada, os programas de incentivo podem não estar adequadamente estruturados ou comunicados, o que reduz sua efetividade percebida. Di Domenico et al. (2022) destacam que a motivação intrínseca, quando predominante, pode levar a uma menor sensibilidade a incentivos externos genéricos, o que explica a discrepância observada.

Reconhecimento Organizacional

O bloco de reconhecimento organizacional apresentou a menor média entre todas as dimensões avaliadas, com 3,63, situando-se abaixo do limiar de concordância e contrastando fortemente com a elevada importância atribuída ao reconhecimento pelos próprios respondentes. Cerca de 90,0% dos profissionais concordaram que o reconhecimento aumenta sua motivação, com média de 4,32. No entanto, apenas 57,5% afirmaram que seu esforço profissional é reconhecido pela instituição, com média de 3,50, e somente 55,0% relataram receber feedbacks claros sobre seu desempenho, com média de 3,42. Essa discrepância de 32,5 pontos percentuais entre a importância percebida e a prática efetiva configura uma lacuna crítica nas estratégias organizacionais.

A valorização dos resultados pela liderança foi reconhecida por 62,5% dos respondentes, com média de 3,60. As oportunidades de crescimento profissional obtiveram a menor concordância dentro deste bloco, com apenas 50,0% dos participantes e média de 3,32. Esses resultados indicam que, embora os profissionais estejam intrinsecamente motivados e reconheçam a importância do feedback e da valorização, as instituições não têm correspondido a essa expectativa de forma sistemática. A ausência de reconhecimento e de oportunidades de desenvolvimento profissional são fatores significativos para a desmotivação e a dificuldade de retenção de talentos, conforme argumentam Gregorio et al. (2024).

A tensão observada entre a alta motivação intrínseca, com média de 4,21, e o baixo reconhecimento organizacional, com média de 3,63, sugere que as instituições podem estar subutilizando um recurso estratégico de retenção e engajamento. Milanović et al. (2022) reforçam que práticas consistentes de valorização fortalecem a identificação do profissional com a instituição e ampliam o comprometimento organizacional. A falta de sistemas formais de feedback e reconhecimento pode comprometer a sustentabilidade do desempenho a longo prazo, mesmo em equipes com forte motivação autônoma, gerando desgaste e desengajamento progressivo.

Prospecção de Clientes no Agronegócio e Tecnologia

A prospecção de clientes no agronegócio foi identificada como a dimensão de maior concordância entre todas as avaliadas, com média geral de 4,39, a mais elevada do estudo. Os resultados demonstram que a construção de confiança ao longo do tempo foi reconhecida por 97,5% dos respondentes, com média de 4,65, sendo a maior concordância individual de toda a pesquisa. A percepção de que o relacionamento presencial é fundamental foi endossada por 92,5% dos participantes, com média de 4,50. Esses achados evidenciam que a prospecção no agronegócio é percebida como uma atividade relacional de longo prazo, na qual a confiança e a presença física são elementos insubstituíveis para o sucesso comercial.

Simultaneamente, 92,5% dos respondentes concordaram que a prospecção no agronegócio é mais desafiadora do que em outros segmentos, com média de 4,40. Além disso, 90,0% dos participantes apontaram que a burocracia impacta negativamente o processo de venda, também com média de 4,40. Esses achados indicam que as especificidades do setor impõem barreiras operacionais relevantes, como a exigência de maior volume de documentação, a necessidade de análise detalhada do perfil produtivo e financeiro do cliente, a dependência de garantias e a morosidade na tramitação de propostas e liberações de crédito. Tais fatores tornam o processo comercial mais complexo, lento e custoso.

Somam-se a esses desafios a sazonalidade das atividades agropecuárias, a dispersão geográfica dos clientes e a necessidade de deslocamentos frequentes para visitas presenciais. Desse modo, a prospecção no agronegócio não se restringe à abordagem inicial do cliente, mas envolve um conjunto de etapas operacionais e relacionais que demandam conhecimento técnico, acompanhamento contínuo e capacidade de adaptação às particularidades do setor. A burocracia e a complexidade inerentes ao crédito rural, mencionadas por Fitriana (2024), são amplamente confirmadas pelos profissionais como obstáculos significativos.

A resistência dos clientes aos canais digitais foi reconhecida por 77,5% dos respondentes, com média de 3,98, sugerindo que, embora a digitalização seja valorizada pelos profissionais, os produtores rurais ainda apresentam dificuldades ou preferências por canais tradicionais. No bloco de tecnologia e digitalização, 85,0% dos respondentes concordaram que as ferramentas digitais facilitam a prospecção, com média de 4,18. Contudo, 82,5% reconheceram que os clientes têm dificuldade com plataformas digitais, com média de 4,10, reforçando a necessidade de abordagens adaptadas ao perfil do produtor rural. Kulikov et al. (2022) identificaram que produtores rurais enfrentam barreiras tecnológicas e resistência à adoção de ferramentas digitais, o que exige dos profissionais de vendas estratégias híbridas que combinem presença física e suporte digital.

O suporte tecnológico oferecido pela instituição obteve concordância de apenas 67,5% dos respondentes, com média de 3,75, a menor média do bloco. Isso indica que, embora os profissionais reconheçam o potencial das ferramentas digitais, a infraestrutura institucional pode não estar plenamente adequada às demandas do setor. A digitalização foi percebida como fator de aumento de eficiência comercial por 77,5% dos respondentes, com média de 3,98. A diferença de 7,5 pontos percentuais em relação à percepção de que as ferramentas facilitam a prospecção, com 85,0%, sugere que a implementação prática ainda enfrenta obstáculos. Essa tensão entre o reconhecimento do potencial digital e as limitações de suporte institucional e de adoção pelos clientes configura um desafio estratégico para as instituições financeiras que atuam no agronegócio.

Desempenho Profissional

O bloco de desempenho profissional apresentou uma média de 4,23, a segunda mais elevada do estudo, superando inclusive a motivação intrínseca, com média de 4,21, e situando-se próxima à média de prospecção no agronegócio, com 4,39. Em relação ao desempenho profissional, a percepção de que a motivação influencia diretamente os resultados foi endossada por 92,5% dos respondentes, com média de 4,40. Além disso, 90,0% concordaram que o reconhecimento melhora o desempenho, com média de 4,32, estabelecendo conexões diretas entre as dimensões motivacionais e os resultados comerciais.

O desempenho comercial foi considerado satisfatório por 87,5% dos respondentes, com média de 4,20. Adicionalmente, 80,0% declararam-se engajados nos objetivos institucionais, com média de 4,00. Esses resultados indicam que, apesar das lacunas de reconhecimento organizacional e do suporte tecnológico, os profissionais mantêm um elevado comprometimento com suas metas e percebem seu desempenho como satisfatório. Essa resiliência pode ser atribuída à forte motivação intrínseca e à capacidade de adaptação às particularidades do agronegócio, que compensam parcialmente as deficiências institucionais.

A análise integrada dos blocos temáticos revela que a motivação intrínseca, com média de 4,21, e o desempenho profissional, com média de 4,23, apresentam médias praticamente equivalentes e superiores ao limiar de concordância. Em contraste, a motivação extrínseca, com média de 3,83, e, especialmente, o reconhecimento organizacional, com média de 3,63, situam-se em patamares inferiores. Essa configuração sugere que os profissionais sustentam seu desempenho primariamente a partir de fatores intrínsecos como competência, propósito e satisfação pessoal, além de se adaptarem às especificidades relacionais do agronegócio, compensando as deficiências de reconhecimento institucional.

Contudo, essa compensação pode não ser sustentável a longo prazo. Di Domenico et al. (2022) alertam que a motivação intrínseca, embora mais duradoura, pode ser fragilizada pela ausência de suporte organizacional adequado. Gregorio et al. (2024) demonstram que a falta de reconhecimento sistemático contribui para o desgaste motivacional progressivo. Assim, o desempenho satisfatório observado na amostra depende fortemente da motivação intrínseca e da adaptação dos profissionais às exigências do setor, mas requer maior suporte institucional para sua sustentação a longo prazo, especialmente no que tange a práticas de reconhecimento e valorização.

Análise das questões abertas

Além dos resultados quantitativos, as respostas às duas questões abertas do questionário permitiram aprofundar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos profissionais na prospecção de clientes do agronegócio, bem como sobre as ações institucionais percebidas como mais relevantes para o fortalecimento da motivação e do desempenho comercial. De modo geral, as respostas apresentaram elevada convergência com os achados observados nos blocos temáticos, reforçando a consistência interna dos resultados da pesquisa e oferecendo insights qualitativos valiosos para a interpretação dos dados estatísticos.

Na questão referente aos principais fatores que dificultam a prospecção de clientes do agronegócio, destacaram-se, com maior recorrência, a burocracia nos processos de crédito e contratação e a necessidade de grande volume de documentação. A morosidade nas aprovações internas também foi frequentemente mencionada. Outros fatores incluem a resistência de parte dos clientes ao uso de canais e plataformas digitais, a dispersão geográfica dos produtores e a importância do relacionamento presencial e da construção gradual de confiança. Esses relatos qualitativos confirmam os achados quantitativos do bloco de prospecção no agronegócio, no qual a construção de confiança ao longo do tempo, o relacionamento presencial, a burocracia e a maior complexidade da prospecção nesse segmento apresentaram elevados níveis de concordância.

Também foram mencionados aspectos como a sazonalidade da atividade agropecuária, que impõe desafios específicos de tempo e demanda, e as dificuldades logísticas para visitas em campo, dada a extensão das áreas rurais. A concorrência entre instituições financeiras e a necessidade de conhecimento técnico mais aprofundado sobre a realidade do cliente rural foram outros pontos levantados. Esses elementos reforçam a percepção de que a prospecção no agronegócio é uma atividade complexa, que exige dos profissionais não apenas habilidades comerciais, mas também um profundo conhecimento do setor e capacidade de adaptação às suas particularidades.

As respostas à questão sobre quais ações a instituição poderia adotar para aumentar a motivação e o desempenho dos profissionais de vendas concentraram-se em alguns eixos principais. O maior reconhecimento institucional, por meio de programas de valorização do desempenho e feedbacks mais claros e frequentes, foi uma sugestão recorrente. O treinamento técnico e comercial contínuo, a melhoria do suporte tecnológico e a simplificação de processos internos também foram apontados como cruciais. Além disso, a maior autonomia para tomada de decisão e a definição de metas mais realistas e alinhadas às características do agronegócio foram destacadas pelos respondentes.

Outras sugestões incluíram premiações, apoio logístico para atuação em campo, integração entre áreas internas e o fortalecimento da liderança no acompanhamento das equipes. Esses resultados qualitativos reforçam os achados dos blocos de reconhecimento organizacional, motivação extrínseca e tecnologia, nos quais foram identificadas lacunas importantes na percepção de reconhecimento efetivo, nas oportunidades de crescimento, na clareza dos feedbacks e na adequação do suporte institucional às demandas do trabalho comercial no agro. As questões abertas demonstram que os profissionais não atribuem suas dificuldades apenas a fatores individuais, mas também a limitações estruturais e organizacionais que interferem diretamente no exercício da prospecção e na manutenção do desempenho.

Ações recomendadas para aumentar a motivação e o desempenho dos profissionais

Com base na integração entre os resultados quantitativos e qualitativos, identificam-se cinco frentes prioritárias de melhoria institucional, que podem contribuir significativamente para elevar a motivação e o desempenho dos profissionais de vendas no agronegócio. A primeira frente refere-se ao fortalecimento do reconhecimento organizacional, que se apresentou como a principal lacuna do estudo. Sugere-se a implementação de um programa estruturado de reconhecimento e feedback, com definição clara de critérios de valorização do desempenho, devolutivas periódicas, reconhecimento de resultados e também do esforço relacional empregado na construção de carteiras no agronegócio. Essa ação se justifica porque os respondentes reconhecem fortemente que o reconhecimento aumenta a motivação e melhora o desempenho, mas percebem baixa efetividade institucional nessa dimensão, conforme os achados da pesquisa.

A segunda ação consiste na melhoria do suporte tecnológico e na adoção de estratégias híbridas de prospecção. Considerando que os profissionais valorizam as ferramentas digitais, mas relatam limitações no suporte institucional e dificuldades dos clientes com plataformas, recomenda-se investir em sistemas mais adequados à realidade do agronegócio, suporte técnico mais ágil e treinamento contínuo para uso dessas ferramentas. Paralelamente, deve-se preservar a centralidade do relacionamento presencial, adotando um modelo híbrido que combine tecnologia e proximidade no atendimento. Essa abordagem alinha-se com a necessidade de adaptação às barreiras tecnológicas e à resistência à adoção de ferramentas digitais por parte dos produtores rurais, conforme observado por Kulikov et al. (2022).

A terceira proposta envolve a simplificação dos processos internos e a redução da burocracia operacional. Como a burocracia apareceu de forma recorrente tanto nas respostas fechadas quanto nas abertas, recomenda-se revisar fluxos de aprovação, exigências documentais e comunicação entre áreas como comercial, crédito e backoffice. A redução do retrabalho e da morosidade tende a favorecer a agilidade da prospecção, melhorar a experiência do cliente e diminuir o desgaste da equipe comercial. Essa medida visa mitigar um dos principais desafios identificados pelos profissionais, que impacta diretamente a eficiência e a satisfação no trabalho.

A quarta ação diz respeito à ampliação da autonomia comercial com alinhamento de metas à realidade do agronegócio. Os dados apontaram menor concordância em relação à autonomia nas decisões diárias, ao mesmo tempo em que os participantes relataram desafios específicos do setor, como sazonalidade, deslocamentos e necessidade de relacionamento de longo prazo. Assim, recomenda-se oferecer maior margem de decisão às equipes em questões operacionais e adaptar metas e indicadores ao contexto regional, ao ciclo produtivo e ao perfil dos clientes atendidos. Essa flexibilidade pode fortalecer a motivação intrínseca, que é um pilar do desempenho dos profissionais, conforme a Teoria da Autodeterminação de Deci e Ryan (2000).

A quinta e última ação corresponde ao fortalecimento da capacitação técnica e do desenvolvimento profissional contínuo. As respostas abertas indicaram que o trabalho no agronegócio exige conhecimento técnico, capacidade relacional e domínio de produtos financeiros específicos. Desse modo, sugere-se a oferta de treinamentos periódicos sobre crédito rural, perfil do produtor, negociação consultiva, uso de ferramentas digitais e gestão de carteira. Além de contribuir para a segurança técnica dos profissionais, essa medida pode ampliar o sentimento de competência e fortalecer a motivação intrínseca já identificada como ponto forte da amostra, promovendo um ciclo virtuoso de aprendizado e desempenho.

Em síntese, a análise dos resultados demonstra que o desempenho satisfatório dos profissionais de vendas no agronegócio é fortemente impulsionado pela motivação intrínseca e pela capacidade de adaptação às particularidades do setor, como a necessidade de construir confiança e o valor do relacionamento presencial. Contudo, esse desempenho é sustentado apesar de fragilidades organizacionais significativas, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento institucional e ao suporte tecnológico. A burocracia e a resistência digital dos clientes também se configuram como desafios persistentes. Assim, o estudo reforça a importância de que as instituições financeiras invistam em ações concretas de reconhecimento estruturado, aprimoramento tecnológico, simplificação de processos, ampliação da autonomia e capacitação contínua para sustentar e potencializar o engajamento e a efetividade comercial a longo prazo.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar os fatores que influenciam a motivação e o desempenho de profissionais de vendas em instituições financeiras que atuam no segmento do agronegócio, com foco nos desafios da prospecção e nas estratégias organizacionais para o engajamento e a efetividade comercial. Verificou-se que a motivação intrínseca, ligada à competência, propósito e satisfação pessoal, predominou entre os profissionais, impulsionando seu engajamento. Em contrapartida, o reconhecimento organizacional apresentou-se como a principal fragilidade, com lacunas evidentes em feedback, valorização e oportunidades de crescimento. Observou-se que a prospecção no agronegócio é uma atividade desafiadora, marcada pela burocracia, pela necessidade de construção de confiança e pela centralidade do relacionamento presencial, com limitações na adoção de ferramentas digitais pelos clientes. Apesar dessas barreiras e da deficiência no reconhecimento, o desempenho comercial foi percebido como satisfatório, sustentado pela forte motivação intrínseca e pela capacidade de adaptação dos profissionais às particularidades do setor.

A principal contribuição deste trabalho reside na identificação de que o desempenho satisfatório dos profissionais, embora robusto pela motivação interna, pode ser comprometido a longo prazo sem um suporte institucional mais efetivo. As instituições financeiras podem aprimorar suas estratégias de gestão e incentivo ao investir em reconhecimento estruturado, aperfeiçoamento do suporte tecnológico, simplificação de processos internos, ampliação da autonomia comercial e capacitação contínua das equipes. A pesquisa, por ser um levantamento em um município específico, possui limitações quanto à generalização dos resultados. Sugere-se para estudos futuros a realização de pesquisas longitudinais ou com amostras mais abrangentes, que possam avaliar o impacto da implementação das ações recomendadas e a sustentabilidade da motivação e do desempenho em diferentes contextos do agronegócio brasileiro.

Referências Bibliográficas

Bigaton, A. et. al. 2024. Metodologias de pesquisa para trabalhos de conclusão de curso. Editora PECEGE, Piracicaba, SP, Brasil.

Dahal, A.; Thapa, K. 2020. Agriculture sector credit and output relationship in Nepal. Asian Journal of Economics Business and Accounting, 17(2): 33–53.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

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24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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