Artigo

03 de agosto de 2026

Montagem de Cronograma para a Migração de Entrada em Produção do Sistema ERP, SAP Business One.

Gabriel Luiz Videira Silva; Rosa Maria Maia Lavio De Oliveira

DOI: 10.22167/2675-6528-202600831

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Este estudo abordou a montagem de um modelo padrão de cronograma para migrações Go Live de sistemas ERP SAP Business One em empresas de computação em nuvem. O objetivo foi criar uma estrutura padronizada para o gerenciamento desses projetos, otimizando os processos de importação e atualização de dados de ambientes produtivos (PRD I para PRD II) em empresas hospedeiras. A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem quantitativa, fundamentou-se na observação e na experiência prática do autor como Gerente de Projetos, aplicando princípios do Guia PMBOK 6ª edição. Foram analisados 12 projetos de migração Go Live, onde o sucesso foi avaliado pela aprovação formal do cliente e pela ocorrência de rollbacks. Os resultados demonstraram que 100% das migrações foram concluídas com sucesso após a aprovação do cliente, com 83,33% finalizadas na primeira tentativa, mesmo considerando dois rollbacks que foram devidamente tratados. Verificou-se que o mapeamento de atividades e sua execução foram precisos, com tempos médios de atuação em Go Live (7,58 horas) alinhados aos tempos mapeados (7,66 horas), o que assegurou a confiabilidade dos processos. A implementação do modelo de cronograma, que incluiu documentos como Gestão de Mudança (GMUD) e Checklist de Validação, reduziu a possibilidade de falhas no gerenciamento. Concluiu-se que o modelo desenvolvido otimizou significativamente os processos de migração, aumentou a transparência e a confiança do cliente, e contribuiu para a eficácia das transições de sistemas ERP em ambientes de computação em nuvem.

Palavras-chave: Computação em Nuvem; Gerenciamento de Projetos; Planejamento de Projetos; Sistemas ERP; Transição de Sistemas.

1. Introdução

O cenário tecnológico contemporâneo é marcado pela crescente dependência de sistemas de informação robustos e eficientes para a sustentação das operações empresariais. Nesse contexto, os projetos de Tecnologia da Informação (TI) assumem uma importância estratégica, sendo frequentemente decisivos e desafiadores. A complexidade desses projetos é acentuada pela busca contínua das empresas por soluções que otimizem custos e garantam a segurança de dados, levando muitas delas a recorrer a prestadoras de serviços de computação em nuvem.

A migração para ambientes em nuvem representa um alívio significativo nas despesas operacionais, especialmente no que tange aos altos custos de energia associados à manutenção de servidores próprios. Simultaneamente, a necessidade de maior segurança e integridade dos dados impulsiona a adoção desses serviços. As empresas hospedeiras de ambientes em nuvem, portanto, carregam uma responsabilidade considerável, atuando como guardiãs de informações críticas e provedoras de economias financeiras substanciais para seus clientes.

Dentro do ecossistema da computação em nuvem, os serviços são disponibilizados em diversas modalidades, como Software as a Service (SaaS) e Platform as a Service (PaaS). Nesses modelos, a responsabilidade da empresa hospedeira inclui a importação e a atualização de dados de um ambiente de produção existente (PRD I) para um novo ambiente que entrará em produção (PRD II) após a migração. A empresa na qual este estudo se baseia é reconhecida por sua expertise na prestação de serviços em nuvem, atendendo a variados segmentos de mercado e oferecendo soluções que abrangem desde Infraestrutura como Serviço (IaaS) até a automação de processos com Inteligência Artificial.

Atualmente, um dos principais produtos comercializados por essa empresa é a hospedagem de ambientes do Sistema ERP SAP Business One (SAP B1). Consequentemente, uma parcela significativa dos projetos gerenciados envolve a implementação desses ambientes nas modalidades de SaaS e PaaS. A gestão eficaz desses projetos é fundamental para garantir a transição suave e bem-sucedida das operações dos clientes para a nuvem.

A execução de projetos dessa natureza exige uma abordagem estruturada e um conhecimento aprofundado em gerenciamento. Um projeto, conforme o Guia PMBOK, sexta edição (PMI, 2017), é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único. O gerenciamento de projetos, por sua vez, é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto para atender aos seus requisitos. Cruz (2013) complementa que o gerenciamento de projetos é a aplicação controlada e coordenada de conhecimento, habilidades, ferramentas e técnicas aos eventos do projeto para atingir seus objetivos, exigindo a identificação de requisitos e o balanceamento adequado de restrições como escopo, qualidade, cronograma, orçamento, recursos e riscos.

O interesse por este tema surgiu da aplicação prática dos princípios de Gerenciamento de Projetos. Observou-se uma crescente demanda por projetos de migração, o que evidenciou a necessidade de um cronograma otimizado para os processos de Go Live. Tal ferramenta não apenas aprimoraria a eficiência interna, mas também proporcionaria maior segurança e clareza aos clientes e parceiros, que teriam um conhecimento preciso das atividades desempenhadas pela hospedeira durante o processo de migração. Este estudo, de caráter instrutivo, baseia-se na experiência do autor na administração de múltiplos projetos de Migração Go Live, atuando como Gerente de Projetos em uma empresa de computação em nuvem.

A relevância deste trabalho reside na sua capacidade de contribuir para a otimização dos processos de migração na organização onde foi desenvolvido, buscando um ponto de excelência na execução. A oportunidade de desenvolver este estudo é reforçada pela atuação do autor no setor de Projetos, diretamente responsável pelos processos de Go Live dos ambientes na nuvem. Assim, este estudo justifica-se pela necessidade de padronizar e otimizar as migrações de sistemas ERP em ambientes de nuvem, visando aprimorar a comunicação com clientes e a eficiência operacional. O objetivo deste estudo é criar um modelo padrão para gerenciamento de projetos em Migrações Go Live para empresas de computação em nuvem que atuam como hospedeiras de ambientes produtivos do Sistema ERP SAP Business One, sendo responsáveis pela importação e atualização dos dados de um ambiente para o outro.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada, conforme a classificação de Nascimento e Souza (2016), buscando gerar conhecimento direcionado à solução de problemas específicos. O foco esteve na otimização de processos de migração de sistemas ERP em ambientes de nuvem, visando aprimorar a eficiência operacional e a comunicação com os clientes.

Quanto à abordagem metodológica, o trabalho empregou predominantemente a pesquisa quantitativa, alinhando-se à perspectiva de Michel (2005), que utiliza a quantificação na coleta e tratamento de informações por meio de técnicas estatísticas. Embora a pesquisa qualitativa (Minayo, 1999; Knechtel, 2014) tenha sido mencionada para a compreensão de padrões de comportamento, a avaliação do estudo foi realizada de forma quantitativa.

A estratégia de pesquisa adotada fundamentou-se na observação, conforme descrito por Lakatos e Marconi (2003), que a definem como uma técnica valiosa para a coleta de dados. Essa observação foi baseada na experiência prática do autor como Gerente de Projetos em uma empresa de computação em nuvem, administrando múltiplos projetos de Migração Go Live de sistemas ERP SAP Business One.

O objeto empírico do estudo consistiu em 12 projetos de Migração Go Live de ambientes produtivos do Sistema ERP SAP Business One (SAP B1), gerenciados pelo autor. Esses projetos envolveram a importação e atualização de dados de um ambiente de produção existente (PRD I) para um novo ambiente (PRD II) em uma empresa hospedeira de serviços em nuvem.

A unidade de análise foram os resultados e o desempenho desses 12 projetos de migração. O local de estudo foi a empresa de tecnologia onde o autor atuava como Gerente de Projetos, especializada em hospedagem de ambientes SAP B1 e prestação de serviços em nuvem, sem aprofundar em sua caracterização institucional.

Os dados foram coletados a partir do histórico desses 12 projetos, abrangendo informações sobre a execução das migrações. Não foi especificado um período de coleta formal, mas os dados referem-se a projetos concluídos sob a gestão do autor, servindo como base para a criação do modelo de cronograma.

Os critérios de sucesso para cada migração foram definidos pela aceitação formal do cliente ou parceiro, comunicada via e-mail, confirmando que a migração estava aprovada e que o cliente operava em seu novo ambiente com a versão SAP atualizada. O insucesso foi mensurado pela ocorrência de rollbacks, que indicavam erros no processo de importação ou atualização das bases, exigindo a reativação do ambiente PRD I.

Para a coleta de dados, utilizou-se a observação direta dos processos e resultados dos projetos, complementada pela análise de registros internos da empresa relacionados às migrações. Não foram empregados questionários ou gravações de fechamento de projeto, pois essas atividades eram conduzidas por uma equipe paralela de Experiência do Consumidor.

A técnica de análise dos dados envolveu a quantificação dos resultados dos 12 projetos, com foco na frequência de rollbacks e na comparação entre os tempos médios de atuação mapeados e os tempos reais de execução. Essa análise permitiu avaliar a eficácia dos processos de migração e identificar oportunidades de otimização.

O modelo padrão de cronograma, que constitui o produto final deste estudo, foi estruturado com base nos princípios de gerenciamento de projetos do Guia PMBOK, 6ª edição (PMI, 2017). Ele incorporou documentos como a Gestão de Mudança (GMUD), que detalha as atividades, o plano de rollback e a Matriz de Responsabilidades (Matriz RACI), além de um Checklist de Validação do ambiente para o cliente.

A elaboração do cronograma considerou a dinâmica das atividades, reconhecendo que o período de atuação em certas etapas, como exportação e importação de bases, pode variar. Para mitigar essa variabilidade, a realização de uma Migração Teste prévia ao Go Live foi estabelecida como procedimento para estimar o tempo real necessário e informar o cliente.

Adicionalmente, previu-se a possibilidade de um “Salto Intermediário” para migrações de versões SAP muito antigas, conforme recomendação da própria SAP. Nesses casos, o cronograma foi adaptado para incluir etapas adicionais de importação e atualização em um ambiente intermediário antes da transição final para o PRD II.

Os dados dos 12 projetos foram organizados em uma tabela para registrar o sucesso na primeira tentativa, a ocorrência de rollbacks, o tempo de migração atuado versus o mapeado em GMUD (em horas) e o retorno formal de aprovação do cliente. Essa organização permitiu uma visão clara do desempenho histórico das migrações.

Não foram descritos cuidados éticos específicos, como Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) ou termos de confidencialidade para os participantes dos projetos, uma vez que o estudo se baseou na experiência profissional do autor e em dados internos da empresa, sem envolver diretamente a coleta de dados de indivíduos para fins de pesquisa.

3. Resultados e Discussão

A análise dos projetos de migração Go Live de sistemas ERP SAP Business One em ambientes de computação em nuvem revelou um cenário de alta eficácia e controle, conforme o modelo padrão de cronograma desenvolvido. Dos doze projetos gerenciados, todos foram concluídos com sucesso, resultando em uma taxa de aprovação de 100% por parte dos clientes. Este resultado demonstra a robustez do planejamento e da execução, garantindo que os clientes pudessem retomar suas operações plenamente funcionais no novo ambiente. A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem quantitativa, validou a aplicabilidade dos princípios do Guia PMBOK 6ª edição (PMI, 2017) na otimização desses processos críticos.

Embora a taxa de sucesso geral tenha sido de 100%, observou-se que 83,33% das migrações foram finalizadas na primeira tentativa. Os dois projetos restantes, que representam 16,67% do total, exigiram a ativação de um rollback. Em um dos casos, o rollback foi acionado devido a um erro de conectividade de rede nas máquinas virtuais, de responsabilidade da equipe executora. No outro, erros na atualização das bases SAP, atribuídos ao cliente e sua consultoria, impediram a conclusão no tempo hábil, levando ao cancelamento e reagendamento. Após a devida tratativa e correção dos problemas, ambas as migrações foram concluídas com êxito em uma segunda tentativa, reforçando a capacidade de recuperação e a resiliência do processo.

A precisão no mapeamento das atividades foi um fator determinante para o sucesso das migrações. Verificou-se uma notável proximidade entre o tempo médio de atuação em Go Live, que foi de 7,58 horas, e o tempo médio mapeado para essas atividades, de 7,66 horas. Essa congruência entre o planejado e o executado assegura a confiabilidade dos processos e minimiza as discrepâncias nas janelas de Gestão de Mudança (GMUD). Tal alinhamento é crucial para a segurança do cliente, que depende da previsibilidade e da eficiência da transição para manter a continuidade de seus negócios, conforme os princípios de gerenciamento de projetos que enfatizam o balanceamento de restrições como o cronograma (Cruz, 2013).

O modelo de cronograma desenvolvido incorpora elementos essenciais para a gestão de projetos, visando a redução de falhas e o aumento da transparência. A implementação de documentos padronizados, como a Gestão de Mudança (GMUD) e o Checklist de Validação, é fundamental. A GMUD detalha todas as atividades a serem executadas durante a migração, incluindo o plano de rollback, a Matriz de Responsabilidades (RACI) e a estimativa de tempo para a finalização do processo. Este documento, que deve ser formalmente aprovado pelo cliente, estabelece as expectativas e responsabilidades de todas as partes envolvidas, alinhando-se à importância da comunicação e do gerenciamento de partes interessadas no ciclo de vida do projeto (PMI, 2017).

A Matriz RACI, um componente da GMUD, é um instrumento vital para a clareza das atribuições. Ela define quem é Responsável (Responsible), quem é Aprovador (Accountable), quem deve ser Consultado (Consulted) e quem deve ser Informado (Informed) em cada etapa da migração. Por exemplo, o planejamento da migração é uma responsabilidade compartilhada entre a empresa hospedeira e o cliente, enquanto o bloqueio de acessos ao ambiente produtivo atual (PRD I) é de responsabilidade exclusiva da hospedeira. A comunicação de início do processo de Go Live, por sua vez, é uma atribuição do Gerente de Projetos, que deve informar o cliente ou parceiro.

O Checklist de Validação do ambiente, outro documento crucial do modelo, é preenchido pelo cliente e serve como uma confirmação de sua preparação para a transição. A assinatura desses dois documentos — GMUD e Checklist — sinaliza que o cliente está plenamente ciente dos processos a serem executados e dos dados a serem migrados, e que seu ambiente está pronto para a transferência. Essa etapa pré-migração é vital para mitigar riscos e garantir que todas as validações necessárias sejam realizadas antes da entrada em produção, minimizando a possibilidade de surpresas e falhas durante o Go Live.

O cronograma de atividades, que estrutura o processo de migração, é dividido em etapas claras e sequenciais. A primeira etapa envolve a comunicação de início do processo de Go Live, seguida pela interrupção de acessos no ambiente atual (PRD I) para garantir a integridade dos dados. Posteriormente, ocorre a exportação das bases produtivas do PRD I, seguida pela importação e atualização dessas bases no novo ambiente PRD II. A comunicação de finalização do processo, o Go Live propriamente dito, o suporte pós-Go Live e o cutover (desligamento do ambiente legado) completam o ciclo, conforme detalhado no modelo de cronograma.

Etapa

Atividade

Descrição

Responsável

Observações

1

Comunicação de Início do Processo de Go Live para o Cliente/Parceiro

Informar ao Cliente/Parceiro que o processo de migração terá início

Gerente de Projetos

Somente iniciar o processo de Migração após o aceite do Cliente/Parceiro

2

Interrupção de acessos no ambiente atual (PRD I)

Realizar o bloqueio de acesso do usuário final ao ambiente PRD I

Analista de Delivery

Confirmar que nenhum usuário final esteja no ambiente, se não existirá perda de dados no processo de Migração

3

Exportação da(s) Base(s) Produtiva(s) do ambiente PRD I

Backup completo do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade

4

Importação da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente PRD II

Importação completa do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade OBS: toma-se como premissa que o ambiente PRD II já havia sido criado, e a Consultoria já havia realizado todas as configurações no ambiente. Então a única ação é a atualização da base do ambiente PRD II para contemplar os dados atualizados do PRD I

5

Atualização da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente PRD II

Atualização da Versão da(s) Base(s) para a Versão do ambiente PRD II

Analista de Delivery

Confirmar integridade

6

Comunicação de Finalização do Processo de Migração para o Cliente/Parceiro

Informar ao Cliente/Parceiro que o processo de migração teve fim

Gerente de Projetos

Acompanhar a validação do Cliente/Parceiro

7

Go Live

Entrada em produção

Cliente/Parceiro

Suporte intensivo

8

Suporte Pós-Go Live

Monitoramento + correções críticas

Suporte ERP + Analista de Delivery

Período de estabilização

9

Cutover

Desligar ambiente PRD I (legado)

Gerente de Contas/Gerente de Projetos

Contrato assinado

A responsabilidade do Gerente de Projetos nas migrações Go Live é multifacetada, abrangendo desde a garantia de que os dados foram migrados com sucesso até a funcionalidade do ambiente para o cliente. As validações iniciais são realizadas imediatamente após a conclusão da migração. O Gerente de Projetos acompanha o cliente durante o primeiro dia de Go Live e, caso sejam reportados problemas que exijam um rollback, é sua função organizar as equipes técnicas e coordenar a ativação do ambiente anterior. Essa atuação proativa é essencial para a gestão de riscos e para a manutenção da confiança do cliente durante um período que, para a contratante, é frequentemente estressante, como apontam Lakatos e Marconi (2003) ao descreverem a observação como técnica para compreender a reação do cliente.

Após o primeiro dia de Go Live sem o registro de indisponibilidades ou problemas, o projeto é considerado entregue com sucesso pelo Gerente de Projetos, e o cliente é encaminhado para a equipe de Suporte para qualquer necessidade futura. Essa transição clara de responsabilidades entre as equipes de projeto e suporte garante a continuidade do atendimento e a estabilidade das operações do cliente no novo ambiente. A definição de sucesso, baseada na aprovação formal do cliente e na operação contínua em seu ambiente atualizado, alinha-se aos objetivos do gerenciamento de projetos de entregar um produto ou serviço único que atenda aos requisitos do cliente (PMI, 2017).

É fundamental reconhecer a natureza dinâmica de algumas atividades técnicas dentro do cronograma. Etapas como a exportação, importação e atualização das bases de dados (etapas 3, 4 e 5 do cronograma) possuem um período de atuação variável, que pode oscilar de uma a várias horas, dependendo do tamanho da base de dados. A impossibilidade de estimar um tempo exato para essas atividades antes do projeto ressalta a importância da Migração Teste. Este teste preliminar permite ao cliente ter um ambiente com suas bases já implementadas e, assim, prever o tempo real de atuação da equipe técnica responsável pela hospedagem do ambiente, mitigando incertezas e riscos.

O período total de um Go Live idealmente não deve exceder dois dias de atuação, geralmente programados para um fim de semana, quando o cliente suspende suas operações. Caso a estimativa de tempo para a migração ultrapasse esse limite, devido ao volume de dados, um acordo formal é estabelecido com o cliente para que ambas as partes estejam cientes e assumam os riscos associados ao processo. Essa flexibilidade, aliada à comunicação transparente, é crucial para adaptar o modelo padrão às particularidades de cada projeto, conforme o objetivo do estudo de criar um modelo adaptável.

Em situações específicas, quando a versão do ambiente produtivo original (PRD I) é significativamente mais antiga que a do novo ambiente (PRD II), é necessário realizar um “salto intermediário”. Esta recomendação da própria SAP implica que as etapas de exportação, importação e atualização das bases devem ser realizadas em um ambiente com uma versão intermediária antes da migração final para o PRD II. Esse processo adicional, que dobra o período normal de atuação da migração, é avaliado no início do projeto e, se necessário, o cronograma é ajustado para incluir essas etapas extras, como demonstrado no modelo de cronograma com salto intermediário

Etapa

Atividade

Descrição

Responsável

Observações

1

Comunicação de Início do Processo de Go Live para o Cliente/Parceiro

Informar ao Cliente/Parceiro que o processo de migração terá início

Gerente de Projetos

Somente iniciar o processo de Migração após o aceite do Cliente/Parceiro

2

Interrupção de acessos no ambiente atual (PRD I)

Realizar o bloqueio de acesso do usuário final ao ambiente PRD I

Analista de Delivery

Confirmar que nenhum usuário final esteja no ambiente, se não existirá perda de dados no processo de Migração

3

Exportação da(s) Base(s) Produtiva(s) do ambiente PRD I

Backup completo do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade

4

Importação da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente com Versionamento Intermediário

Importação completa do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade OBS: toma-se como premissa que o ambiente intermediário já havia sido criado. Então a única ação é a atualização da base neste ambiente, para que seja possível o salto para o PRD II

5

Atualização da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente intermediário

Atualização da Versão da(s) Base(s) para a Versão do ambiente intermediário

Analista de Delivery

Confirmar integridade

6

Exportação da(s) Base(s) Produtiva(s) do ambiente intermediário

Backup completo do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade

7

Importação da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente PRD II

Importação completa do banco de dados e arquivos

Analista de Delivery

Confirmar integridade OBS: toma-se como premissa que o ambiente PRD II já havia sido criado, e a Consultoria já havia realizado todas as configurações no ambiente. Então a única ação é a atualização da base do ambiente PRD II para contemplar os dados atualizados do PRD I

8

Atualização da(s) Base(s) Produtiva(s) no ambiente PRD II

Atualização da Versão da(s) Base(s) para a Versão do ambiente PRD II

Analista de Delivery

Confirmar integridade

9

Comunicação de Finalização do Processo de Migração para o Cliente/Parceiro

Informar ao Cliente/Parceiro que o processo de migração teve fim

Gerente de Projetos

Acompanhar a validação do Cliente/Parceiro

10

Go Live

Entrada em produção

Cliente/Parceiro

Suporte intensivo

11

Suporte Pós-Go Live

Monitoramento + correções críticas

Suporte ERP + Analista de Delivery

Período de estabilização

12

Cutover

Desligar ambiente PRD I (legado)

Gerente de Contas/Gerente de Projetos

Contrato assinado

.

A melhoria contínua dos processos de migração é facilitada pela prática de realizar grupos internos de comunicação, com acompanhamento em tempo real do checklist de atividades da migração. Essa abordagem garante que todas as partes envolvidas no projeto tenham uma visão clara do progresso e dos avanços, promovendo maior transparência e alinhamento entre as equipes das diferentes empresas. O checklist de migração Go Live serve como uma ferramenta prática para essa comunicação e acompanhamento, permitindo a identificação e correção de ruídos de comunicação, o que contribui para a otimização do processo e a segurança dos clientes e parceiros.

Em síntese, o modelo padrão de cronograma para migrações Go Live de sistemas ERP SAP Business One em empresas de computação em nuvem demonstrou ser uma ferramenta eficaz para otimizar os processos de transição. A alta taxa de sucesso das migrações, a precisão no mapeamento dos tempos de execução e a implementação de documentos padronizados como a GMUD e o Checklist de Validação, contribuíram significativamente para a redução de falhas e o aumento da transparência. Esses achados confirmam que o modelo desenvolvido não apenas aprimorou a eficiência operacional da empresa hospedeira, mas também fortaleceu a confiança do cliente, respondendo diretamente ao objetivo de criar uma estrutura padronizada e otimizada para o gerenciamento desses projetos.

4. Conclusão

Este estudo buscou desenvolver um modelo padrão de cronograma para o gerenciamento de projetos de migrações Go Live de sistemas ERP SAP Business One em empresas de computação em nuvem, com foco na otimização dos processos de importação e atualização de dados entre ambientes produtivos. Verificou-se que a aplicação do modelo resultou na conclusão bem-sucedida de 100% das migrações analisadas, com 83,33% delas finalizadas na primeira tentativa. Os casos de rollback, embora presentes, foram devidamente tratados e as migrações concluídas com êxito em uma segunda tentativa, demonstrando a resiliência do processo. Observou-se uma notável precisão no mapeamento das atividades, com o tempo médio de atuação em Go Live (7,58 horas) alinhado ao tempo médio mapeado (7,66 horas), o que assegurou a confiabilidade das transições. A implementação do modelo, que incluiu documentos como a Gestão de Mudança (GMUD) e o Checklist de Validação, contribuiu significativamente para a redução da possibilidade de falhas no gerenciamento, otimizando os processos de migração, aumentando a transparência e fortalecendo a confiança do cliente.

A principal contribuição deste trabalho reside na criação de uma estrutura padronizada e eficaz para a gestão de projetos de migração de sistemas ERP em ambientes de nuvem, aprimorando a eficiência operacional da empresa hospedeira e a segurança para os clientes. Contudo, é importante reconhecer que o estudo possui um caráter instrutivo e seus achados podem não ser diretamente replicáveis para outros modelos de negócio, segmentos de mercado ou diferentes sistemas ERP, o que constitui uma limitação inerente ao seu escopo. Sugere-se que estudos futuros explorem a adaptação e validação deste modelo em contextos organizacionais distintos, bem como a análise de métricas de desempenho de longo prazo, como taxas de rollback e incidentes pós-Go Live, para aprimorar continuamente a metodologia de migração e garantir sua aplicabilidade em cenários mais amplos.

Referências Bibliográficas

CRUZ, Fábio. Scrum e PMBOK unidos no Gerenciamento de Projetos. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Brasport, 2013.

KNECHTEL, Maria do Rosário. Metodologia da pesquisa em educação: uma abordagem teórico-prática dialogada. Curitiba: Intersaberes, 2014.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5.Ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MICHEL, M. H. Metodologia e Pesquisa Científica: um guia prático para acompanhamento da disciplina e elaboração de trabalhos monográficos. São Paulo: Atlas, 2005.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

NASCIMENTO, F. P; SOUZA F. L. Metodologia da pesquisa cientifica – teoria e prática. 1. ed. Brasília: Thesaurus Editora, 2016.

PMI. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. Guia PMBOK® 6a. ed. – EUA: Project Management Institute, 2017.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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