Artigo

22 de julho de 2026

Metodologias Ágeis em Times Remotos: Desafios e Soluções no Setor de Bebidas

Bruna Stéfane Duarte; Jorge Valverde Rebaza

DOI: 10.22167/2675-6528-202600619

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A adoção de metodologias ágeis consolidou-se como estratégia para organizações que buscam flexibilidade e eficiência no desenvolvimento de projetos em ambientes distribuídos. O estudo analisou a aplicação dessas metodologias em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, com o objetivo de identificar desafios e estratégias para a eficiência operacional em regimes remoto e híbrido. Caracterizou-se como pesquisa aplicada, com objetivos descritivos e abordagem de métodos mistos. O delineamento baseou-se em um levantamento de dados (survey) com profissionais, utilizando um instrumento com questões fechadas e abertas, cujos dados foram tratados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a maioria dos participantes percebeu aumento de produtividade, mas a sobrecarga de reuniões síncronas foi o principal desafio. Observou-se que a distância física raramente impactou a colaboração, embora limitações técnicas em ferramentas gerassem ruídos de comunicação. Concluiu-se que o sucesso da gestão em ambientes remotos depende da transição para a comunicação assíncrona e do refinamento da documentação de requisitos, superando a replicação de dinâmicas presenciais no contexto digital.

Palavras-chave: Comunicação assíncrona; Eficiência operacional; Engenharia de software; Gestão de requisitos; Trabalho remoto.

1. Introdução

A adoção de metodologias ágeis consolidou-se como uma estratégia central para organizações que buscam flexibilidade e eficiência no desenvolvimento de projetos, especialmente em ambientes de elevada incerteza. A literatura especializada, conforme Forsgren et al. (2018), demonstra que a implementação de práticas modernas de desenvolvimento, baseadas em agilidade e integração contínua, está diretamente associada a melhores resultados operacionais e a uma maior frequência na entrega de valor. Tradicionalmente, o Manifesto Ágil enfatiza a comunicação face a face como o método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e dentro de uma equipe de desenvolvimento (Beck et al., 2001).

No entanto, a aceleração da transformação digital e a expansão dos modelos de trabalho distribuídos impuseram ao setor de tecnologia o desafio de transpor rituais e princípios ágeis, concebidos para contextos presenciais, para ambientes remotos e híbridos. Esta transição não se restringe a aspectos tecnológicos, mas abrange dimensões culturais e processuais. Como apontado por Fried e Hansson (2013), a necessidade de uma cultura organizacional fundamentada em comunicação estruturada, autonomia e uso intensivo de ferramentas digitais para o registro e partilha de informações é crucial.

Nesse contexto, a tensão entre o valor clássico da comunicação face a face e a necessidade contemporânea de colaboração assíncrona emerge como um ponto crítico para a manutenção da eficácia das práticas ágeis (Ayeni, 2025). O problema de pesquisa deste estudo reside, portanto, na identificação dos fatores que limitam ou potencializam a eficácia das práticas ágeis neste cenário de trabalho distribuído. Embora a literatura clássica de agilidade preconize a proximidade física como o método mais eficaz para a transmissão de informações (Beck et al., 2001), a realidade de organizações de grande porte, como a empresa alvo deste estudo, exige modelos que suportem a colaboração assíncrona de forma eficiente (Santos e Ralph, 2022).

Investigou-se, adicionalmente, como a senioridade dos profissionais influencia a percepção de produtividade no regime remoto e de que forma a adequação das ferramentas impacta o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. A hipótese central que este estudo busca verificar é que, embora o trabalho remoto possa favorecer a produtividade individual, a ausência de maturidade nos processos de comunicação assíncrona gera uma sobrecarga de interações síncronas, comprometendo a eficiência coletiva (Tran, 2022).

A justificativa para este estudo reside na necessidade de fornecer subsídios analíticos para que gestores possam otimizar fluxos de trabalho, superando a tendência de replicar dinâmicas de escritório em ambientes digitais e, assim, promover uma adaptação mais eficaz aos paradigmas atuais de trabalho. Diante desse cenário, o objetivo geral deste trabalho foi analisar a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, identificando os principais desafios e estratégias para a manutenção da eficiência operacional em regimes remoto e híbrido.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com objetivos descritivos e uma abordagem de métodos mistos. A integração de dados quantitativos e qualitativos foi adotada para quantificar as percepções dos colaboradores sobre produtividade e, simultaneamente, obter profundidade analítica sobre as nuances subjetivas e os desafios estruturais enfrentados em ambientes de trabalho distribuídos. O delineamento da pesquisa fundamentou-se no método de levantamento de dados, conhecido como survey, seguindo os preceitos de Gil (2017) para a caracterização de opiniões, comportamentos e atitudes de grupos específicos.

A unidade de análise consistiu em profissionais de tecnologia atuantes em uma organização de grande porte do setor de bebidas. A amostra foi selecionada por conveniência e de forma não probabilística. Estabeleceram-se como critérios de inclusão o vínculo profissional ativo com a organização, a atuação direta no ciclo de desenvolvimento de software, abrangendo papéis de engenharia, produto e operações, e a inserção nos regimes de trabalho 100% remoto ou híbrido. A amostra foi composta por profissionais de diferentes níveis de senioridade, como Júnior, Pleno, Sênior e Especialista, e de áreas como Backend, Produto, DevOps e Fullstack.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado para contemplar o perfil socioprofissional dos participantes, incluindo tempo de experiência e modalidade de trabalho. Adicionalmente, o questionário incluiu uma dimensão quantitativa com questões fechadas e escalas do tipo Likert. Estas escalas foram utilizadas para mensurar a percepção de produtividade, a adequação das ferramentas tecnológicas e a frequência de impactos negativos da distância física. A dimensão qualitativa foi composta por questões abertas, destinadas à descrição detalhada de obstáculos de comunicação, percepções de sobrecarga e sugestões de melhoria para os fluxos de trabalho ágeis.

A aplicação do instrumento de coleta de dados ocorreu durante o mês de março de 2026. A plataforma Google Forms foi utilizada para a distribuição do questionário, garantindo a acessibilidade aos respondentes e o anonimato das informações fornecidas. Este procedimento visou facilitar a participação e assegurar a confidencialidade dos dados coletados, elementos cruciais para a obtenção de respostas sinceras e representativas do contexto organizacional.

O tratamento e a análise dos dados foram conduzidos por meio da criação de scripts em linguagem Python, versão 3.11, para garantir a integridade e a reprodutibilidade dos resultados. Os dados brutos, exportados em formato Comma-Separated Values (CSV), foram processados utilizando a biblioteca Pandas para manipulação, limpeza e normalização. A análise estatística descritiva foi realizada para questões de múltipla escolha, e análises multivariadas, incluindo o cruzamento de variáveis de senioridade versus produtividade e a análise de correlação de Pearson entre infraestrutura e eficiência, foram executadas no ambiente de computação em nuvem Google Colab.

Para a visualização científica dos dados, empregaram-se as bibliotecas Matplotlib e Seaborn, que permitiram a geração de gráficos de barras de alto contraste, diagramas de dispersão com linhas de tendência e gráficos de frequência. Todos os elementos visuais foram formatados em tons de cinza para assegurar a legibilidade em impressões monocromáticas, conforme as normas da instituição. Concomitantemente, os dados qualitativos obtidos nas questões abertas foram submetidos à técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposto por Bardin (2016). Este processo envolveu a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados por meio da categorização em eixos temáticos.

A triangulação de dados foi empregada para integrar as perspectivas quantitativas e qualitativas, buscando uma compreensão aprofundada do fenômeno estudado e a validação cruzada das informações coletadas. A pesquisa seguiu rigorosamente as diretrizes do Formulário de Direcionamento Ético da instituição. Este compromisso ético assegurou o sigilo das informações institucionais e o tratamento confidencial de todos os dados coletados, protegendo a identidade dos participantes e a privacidade da organização envolvida no estudo.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados revelou um panorama multifacetado sobre a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, em regimes de trabalho remoto e híbrido. Os achados permitiram identificar os principais desafios e estratégias para a manutenção da eficiência operacional, conforme proposto pelo objetivo geral do estudo. Inicialmente, a caracterização da amostra forneceu o contexto para a compreensão das percepções de produtividade e dos obstáculos enfrentados, destacando a predominância do trabalho 100% remoto entre os participantes. A pesquisa buscou, assim, aprofundar a compreensão sobre como as dinâmicas de trabalho distribuído impactam a agilidade e a colaboração, confrontando as premissas clássicas do Manifesto Ágil com a realidade contemporânea.

Perfil da Amostra e Percepção de Produtividade por Senioridade

A caracterização socioprofissional dos participantes indicou um grupo com experiência consolidada no setor de tecnologia, sendo que 44,4% da amostra possuía entre quatro e seis anos de atuação profissional. A distribuição por senioridade revelou uma predominância de profissionais nos níveis Júnior (33,3%) e Pleno (27,8%), enquanto os perfis Sênior e Especialista representaram 16,7% cada. A modalidade de trabalho majoritária entre os respondentes foi o regime 100% remoto, abrangendo 55,6% dos participantes, seguido pelo modelo híbrido com 33,3% e apenas 11,1% em regime presencial. Este cenário de trabalho predominantemente distribuído estabelece a base para a interpretação dos desafios e percepções de produtividade, alinhando-se ao contexto de transformação digital discutido na introdução.

Aprofundando a análise da percepção de produtividade, observou-se uma clara distinção entre os níveis de senioridade. Profissionais Sênior e Especialista reportaram os maiores níveis médios de produtividade, com valores próximos a 4.8 e 4.3, respectivamente, em uma escala de 1 a 5. Em contraste, os níveis Júnior e Pleno apresentaram médias de produtividade ligeiramente inferiores, em torno de 4.0 e 3.3. Este achado corrobora a premissa de que a autonomia técnica e a capacidade de autogestão, características intrínsecas a perfis de maior senioridade, funcionam como moderadores cruciais na adaptação e otimização do desempenho em modelos de trabalho distribuído (Highsmith, 2014). A maior dependência de suporte e ritos estruturados por parte dos profissionais Júnior e Pleno pode explicar a diferença na percepção de produtividade, sugerindo a necessidade de estratégias de suporte e mentoria mais robustas para esses grupos.

A disparidade na percepção de produtividade entre os níveis de senioridade ressalta a importância de abordagens de gestão diferenciadas em ambientes remotos. Enquanto profissionais mais experientes demonstram maior capacidade de auto-organização e resolução de problemas de forma independente, os juniores e plenos podem exigir maior clareza nas expectativas, acompanhamento mais próximo e acesso facilitado a recursos e mentores. Essa observação é crucial para o desenvolvimento de estratégias de eficiência operacional, pois indica que a simples replicação de modelos de gestão presenciais para o contexto digital pode não ser eficaz para todos os membros da equipe, especialmente aqueles em estágios iniciais de carreira, que podem se beneficiar de rituais mais estruturados e de um suporte mais ativo da liderança.

Barreiras de Comunicação e a “Fadiga Síncrona”

Os desafios de comunicação foram identificados como o principal obstáculo à eficiência no trabalho remoto e híbrido, um achado central para o problema de pesquisa. A análise detalhada das respostas revelou que a “Sobrecarga de reuniões e excesso de comunicação síncrona” foi o desafio mais frequentemente citado, representando 44,4% dos participantes. Este dado é particularmente relevante, pois aponta para uma replicação inadequada das dinâmicas presenciais no ambiente digital, gerando um custo cognitivo elevado. Em seguida, a “Dificuldade de alinhamento de tarefas e prioridades” foi mencionada por 38,9% dos respondentes, e a “Falta de clareza nas informações repassadas pela equipe” por 33,3%.

Estes resultados reforçam a hipótese central do estudo, que postula que, embora o trabalho remoto possa favorecer a produtividade individual, a ausência de maturidade nos processos de comunicação assíncrona gera uma sobrecarga de interações síncronas, comprometendo a eficiência coletiva (Tran, 2022). A coexistência de um impacto positivo na produtividade de 77,8% da amostra (sendo 50% para “Aumentou significativamente” e 27,8% para “Aumentou levemente”) com a identificação da sobrecarga de reuniões como principal desafio sugere que o ganho de eficiência ocorre, em parte, apesar de um modelo de comunicação subótimo. Este fenômeno alinha-se às críticas de Larson et al. (2020), que descrevem como a insistência em chamadas de vídeo excessivas pode comprometer o estado de fluxo necessário ao desenvolvimento de software, elevando o custo cognitivo das equipes.

Apesar dos ruídos e da sobrecarga síncrona, observou-se que a distância física em si não foi percebida como um fator impeditivo significativo para a colaboração. Um total de 72,2% dos participantes (44,4% para “Impacta raramente” e 27,8% para “Nunca impacta”) afirmaram que a separação geográfica impactou raramente ou nunca as atividades. Este achado é crucial, pois desmistifica a ideia de que a proximidade física é o único garante da colaboração eficaz, como tradicionalmente enfatizado pelo Manifesto Ágil (Beck et al., 2001). A agilidade em times remotos, portanto, depende menos da presença física e mais da autonomia concedida através de processos de alinhamento bem estruturados, o que reforça a necessidade de transição para modelos de comunicação assíncrona (Rigby et al., 2020).

A “fadiga síncrona” emerge como um sintoma da tentativa de replicar o ambiente de escritório no contexto digital, sem uma adaptação adequada às ferramentas e processos. A constante interrupção para reuniões, a necessidade de estar sempre disponível e a dificuldade em encontrar blocos de tempo ininterruptos para o trabalho focado são consequências diretas dessa sobrecarga. Isso não apenas afeta a produtividade individual, mas também a coesão da equipe e a qualidade das entregas, uma vez que a comunicação fragmentada e a falta de clareza nas informações podem levar a retrabalho e desalinhamento, impactando diretamente a eficiência operacional, que é o foco central deste estudo.

Produtividade, Infraestrutura e Lacuna Tecnológica

Embora 77,8% da amostra tenha verificado um impacto positivo na produtividade geral, identificou-se uma lacuna tecnológica relevante que atua como um gargalo para a otimização completa dos processos ágeis. Apenas 11,1% dos participantes consideraram as ferramentas tecnológicas utilizadas totalmente adequadas para apoiar sua rotina de trabalho remoto ou híbrido. Este dado é alarmante, pois a infraestrutura tecnológica é um pilar fundamental para o sucesso do trabalho distribuído, conforme destacado por Mullins (2021), que enfatiza a necessidade de ferramentas que suportem uma comunicação assíncrona eficiente e uma cultura de documentação robusta.

A análise de correlação entre a adequação das ferramentas e a percepção de produtividade revelou uma relação moderada (0.37). Embora não seja uma correlação forte, a tendência observada sugere que uma maior adequação das ferramentas está associada a uma percepção mais elevada de produtividade. A deficiência nas ferramentas, percebida por 88,9% dos participantes como não totalmente adequadas, gera ruídos frequentes para a maioria do grupo afetado, culminando em retrabalho e frustração. Essa lacuna tecnológica identificada, portanto, atua como um impeditivo para a plena otimização dos processos ágeis em ambientes distribuídos, forçando as equipes a compensar a falta de ferramentas adequadas com interações síncronas excessivas, o que se alinha diretamente com a fadiga síncrona observada anteriormente.

A inadequação das ferramentas não se manifesta apenas na dificuldade de comunicação, mas também na gestão de requisitos e no compartilhamento de conhecimento. Ferramentas que não permitem uma documentação clara, acessível e atualizada de forma assíncrona contribuem para a “lacuna de documentação”, um dos eixos temáticos identificados na análise qualitativa. Essa lacuna obriga os profissionais a recorrer a reuniões síncronas para esclarecer dúvidas que poderiam ser resolvidas por meio de documentação bem estruturada, perpetuando o ciclo da fadiga síncrona e reduzindo a eficiência coletiva. A melhoria da infraestrutura tecnológica, portanto, não é apenas uma questão de conveniência, mas uma estratégia essencial para aprimorar a agilidade e a produtividade em ambientes distribuídos.

A correlação, mesmo que moderada, entre a adequação das ferramentas e a produtividade percebida, sugere que investimentos em infraestrutura tecnológica e na seleção de ferramentas apropriadas podem ter um impacto positivo tangível. A falta de ferramentas robustas e integradas pode levar a um aumento do tempo gasto em tarefas administrativas, na busca por informações e na resolução de problemas de comunicação, desviando o foco do desenvolvimento de software. Isso reforça a necessidade de uma avaliação contínua e um investimento estratégico em tecnologias que realmente apoiem a colaboração assíncrona e a gestão eficiente do conhecimento, elementos cruciais para a sustentabilidade da agilidade em regimes de trabalho distribuído.

Fatores Determinantes da Produtividade e Estratégias de Otimização

A análise dos fatores mais determinantes para a produtividade no trabalho remoto destacou a “Clareza nas metas e tarefas” como o fator mais crítico, citado por 83,3% dos respondentes. Este achado sublinha a importância de uma gestão eficaz de requisitos e de processos de comunicação bem definidos, elementos fundamentais para qualquer equipe ágil, mas que se tornam ainda mais críticos em ambientes distribuídos onde a comunicação face a face é limitada. Outros fatores de alta relevância incluíram a “Disciplina e organização pessoal” (77,8%), o “Equilíbrio entre vida pessoal e profissional” (66,7%) e a “Qualidade das ferramentas” (66,7%). A “Qualidade da comunicação da equipe” também foi apontada por 55,6% da amostra como um fator determinante.

Estes resultados convergem para a necessidade de equilibrar a comunicação assíncrona com momentos síncronos críticos, evitando a sobrecarga. A análise qualitativa indicou que o refinamento da documentação e a assertividade nos rituais são fundamentais para mitigar silos de informação e desalinhamentos. Esta necessidade decorre da evidência de que a falha na clareza de requisitos é o maior detrator da eficiência atual, impactando diretamente a capacidade das equipes de avançar nos projetos. Portanto, o fortalecimento da autonomia e a redução da carga síncrona, conforme sugerido por Sutherland (2019), apresentam-se como soluções para sustentar os ganhos de produtividade observados, ao mesmo tempo em que abordam os desafios de comunicação e alinhamento.

A ênfase na “Clareza nas metas e tarefas” como principal determinante da produtividade reforça a importância da gestão de requisitos como um pilar da eficiência operacional. Em um ambiente distribuído, a ambiguidade nos requisitos pode levar a interpretações diversas, retrabalho e atrasos, exigindo mais interações síncronas para esclarecimentos. A “Disciplina e organização pessoal” e o “Equilíbrio entre vida pessoal e profissional” também são cruciais, indicando que a autogestão e a capacidade de estabelecer limites são essenciais para a sustentabilidade do trabalho remoto, especialmente para os profissionais de menor senioridade que podem ter mais dificuldade em gerenciar esses aspectos sem o suporte de um ambiente de escritório tradicional.

A “Qualidade das ferramentas” e a “Qualidade da comunicação da equipe” são fatores interligados que, quando otimizados, podem reduzir a dependência de interações síncronas e melhorar o fluxo de trabalho. A transição para uma comunicação assíncrona eficaz, com documentação robusta e ferramentas adequadas, permite que as equipes trabalhem de forma mais autônoma e com menos interrupções, promovendo um ambiente de maior foco e produtividade. Este conjunto de achados e suas interpretações fornecem um roteiro claro para a organização do setor de bebidas, visando aprimorar a aplicação de metodologias ágeis em seus times de tecnologia distribuídos, superando os desafios identificados e consolidando os ganhos de eficiência.

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia distribuídas na organização estudada apresenta uma dicotomia: embora a maioria dos profissionais perceba um aumento na produtividade individual, este ganho coexiste com uma significativa sobrecarga de reuniões síncronas e uma lacuna na adequação das ferramentas tecnológicas. A senioridade dos profissionais atua como um moderador crucial, com os mais experientes demonstrando maior autonomia e produtividade. A distância física, por sua vez, não se mostrou um impeditivo significativo. O sucesso da gestão em ambientes remotos e híbridos, portanto, depende fundamentalmente da transição para a comunicação assíncrona, do refinamento da documentação de requisitos e da melhoria da infraestrutura tecnológica, superando a tendência de replicar dinâmicas presenciais no contexto digital e respondendo diretamente ao objetivo do estudo de identificar desafios e estratégias para a eficiência operacional.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, buscando identificar os desafios e as estratégias para a manutenção da eficiência operacional em regimes remoto e híbrido. Verificou-se que a maioria dos profissionais percebeu um aumento na produtividade individual, um achado que coexiste com a identificação da sobrecarga de reuniões síncronas como o principal desafio. Observou-se que a senioridade dos profissionais atuou como um moderador crucial, com perfis mais experientes demonstrando maior autonomia e produtividade. Adicionalmente, constatou-se que a distância física raramente impactou a colaboração, embora a inadequação das ferramentas tecnológicas tenha gerado ruídos de comunicação e retrabalho, limitando a otimização plena dos processos ágeis.

A principal contribuição deste trabalho reside em fornecer subsídios analíticos para que gestores possam otimizar fluxos de trabalho, superando a tendência de replicar dinâmicas presenciais no contexto digital. O sucesso da gestão em ambientes remotos e híbridos, portanto, depende fundamentalmente da transição estratégica para a comunicação assíncrona e do refinamento da documentação de requisitos, além da melhoria da infraestrutura tecnológica. Como limitação, o estudo concentrou-se em uma única organização, o que sugere a necessidade de futuras investigações. Recomenda-se uma análise longitudinal para quantificar o impacto da carga cognitiva e a correlação entre o número de ferramentas digitais e a incidência de fadiga síncrona, bem como a sustentabilidade do equilíbrio entre vida pessoal e profissional em equipes de TI distribuídas.

Referências Bibliográficas

Ayeni, O. (2025). The Effects of Remote Work on Team Dynamics in Distributed Agile Environments. Forscience: Revista Científica do IFMG, v. 9, n. 1, p. 1-18.

Beck, K.; et al. (2001). Manifesto para o Desenvolvimento Ágil de Software. [S. I.]: Agile Alliance. Disponível em: https://agilemanifesto.org/iso/ptbr/principles.html. Acesso em: 13 abr. 2026.

Forsgren, N.; Humble, J.; Kim, G. (2018). Accelerate: The Science of Lean Software and DevOps. Portland: IT Revolution Press.

Fried, J.; Heinemeier Hansson, D. (2013). Remote: Office Not Required. New York: Crown Business.

Gil, A. C. (2017

Santos, R. E.; Ralph, P. (2022). A grounded theory of coordination in remote-first and hybrid software teams. In: IEEE/ACM 44th International Conference on Software Engineering (ICSE ), Pittsburgh. p. 252-261.

Tran, L. (2022). The Impact of Hybrid Work on Productivity: Understanding the Future of Work: A case study in agile software development teams. 68 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial) – KTH Royal Institute of Technology, Estocolmo.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

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