Artigo

22 de julho de 2026

Metodologias Ágeis em Times Remotos: Desafios e Soluções no Setor de Bebidas

Bruna Stéfane Duarte; Jorge Valverde Rebaza

DOI: 10.22167/2675-6528-202600619

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A adoção de metodologias ágeis consolidou-se como estratégia para organizações que buscam flexibilidade e eficiência no desenvolvimento de projetos em ambientes distribuídos. O estudo analisou a aplicação dessas metodologias em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, com o objetivo de identificar desafios e estratégias para a eficiência operacional em regimes remoto e híbrido. Caracterizou-se como pesquisa aplicada, com objetivos descritivos e abordagem de métodos mistos. O delineamento baseou-se em um levantamento de dados (survey) com profissionais, utilizando um instrumento com questões fechadas e abertas, cujos dados foram tratados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a maioria dos participantes percebeu aumento de produtividade, mas a sobrecarga de reuniões síncronas foi o principal desafio. Observou-se que a distância física raramente impactou a colaboração, embora limitações técnicas em ferramentas gerassem ruídos de comunicação. Concluiu-se que o sucesso da gestão em ambientes remotos depende da transição para a comunicação assíncrona e do refinamento da documentação de requisitos, superando a replicação de dinâmicas presenciais no contexto digital.

Palavras-chave: Comunicação assíncrona; Eficiência operacional; Engenharia de software; Gestão de requisitos; Trabalho remoto.

1. Introdução

A adoção de metodologias ágeis consolidou-se como uma estratégia central para organizações que buscam flexibilidade e eficiência no desenvolvimento de projetos, especialmente em ambientes de elevada incerteza. A literatura especializada, conforme Forsgren et al. (2018), demonstra que a implementação de práticas modernas de desenvolvimento, baseadas em agilidade e integração contínua, está diretamente associada a melhores resultados operacionais e a uma maior frequência na entrega de valor. Tradicionalmente, o Manifesto Ágil enfatiza a comunicação face a face como o método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e dentro de uma equipe de desenvolvimento (Beck et al., 2001).

No entanto, a aceleração da transformação digital e a expansão dos modelos de trabalho distribuídos impuseram ao setor de tecnologia o desafio de transpor rituais e princípios ágeis, concebidos para contextos presenciais, para ambientes remotos e híbridos. Esta transição não se restringe a aspectos tecnológicos, mas abrange dimensões culturais e processuais. Como apontado por Fried e Hansson (2013), a necessidade de uma cultura organizacional fundamentada em comunicação estruturada, autonomia e uso intensivo de ferramentas digitais para o registro e partilha de informações é crucial.

Nesse contexto, a tensão entre o valor clássico da comunicação face a face e a necessidade contemporânea de colaboração assíncrona emerge como um ponto crítico para a manutenção da eficácia das práticas ágeis (Ayeni, 2025). O problema de pesquisa deste estudo reside, portanto, na identificação dos fatores que limitam ou potencializam a eficácia das práticas ágeis neste cenário de trabalho distribuído. Embora a literatura clássica de agilidade preconize a proximidade física como o método mais eficaz para a transmissão de informações (Beck et al., 2001), a realidade de organizações de grande porte, como a empresa alvo deste estudo, exige modelos que suportem a colaboração assíncrona de forma eficiente (Santos e Ralph, 2022).

Investigou-se, adicionalmente, como a senioridade dos profissionais influencia a percepção de produtividade no regime remoto e de que forma a adequação das ferramentas impacta o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. A hipótese central que este estudo busca verificar é que, embora o trabalho remoto possa favorecer a produtividade individual, a ausência de maturidade nos processos de comunicação assíncrona gera uma sobrecarga de interações síncronas, comprometendo a eficiência coletiva (Tran, 2022).

A justificativa para este estudo reside na necessidade de fornecer subsídios analíticos para que gestores possam otimizar fluxos de trabalho, superando a tendência de replicar dinâmicas de escritório em ambientes digitais e, assim, promover uma adaptação mais eficaz aos paradigmas atuais de trabalho. Diante desse cenário, o objetivo geral deste trabalho foi analisar a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, identificando os principais desafios e estratégias para a manutenção da eficiência operacional em regimes remoto e híbrido.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com objetivos descritivos e uma abordagem de métodos mistos. A integração de dados quantitativos e qualitativos foi adotada para quantificar as percepções dos colaboradores sobre produtividade e, simultaneamente, obter profundidade analítica sobre as nuances subjetivas e os desafios estruturais enfrentados em ambientes de trabalho distribuídos. O delineamento da pesquisa fundamentou-se no método de levantamento de dados, conhecido como survey, seguindo os preceitos de Gil (2017) para a caracterização de opiniões, comportamentos e atitudes de grupos específicos.

A unidade de análise consistiu em profissionais de tecnologia atuantes em uma organização de grande porte do setor de bebidas. A amostra foi selecionada por conveniência e de forma não probabilística. Estabeleceram-se como critérios de inclusão o vínculo profissional ativo com a organização, a atuação direta no ciclo de desenvolvimento de software, abrangendo papéis de engenharia, produto e operações, e a inserção nos regimes de trabalho 100% remoto ou híbrido. A amostra foi composta por profissionais de diferentes níveis de senioridade, como Júnior, Pleno, Sênior e Especialista, e de áreas como Backend, Produto, DevOps e Fullstack.

O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado para contemplar o perfil socioprofissional dos participantes, incluindo tempo de experiência e modalidade de trabalho. Adicionalmente, o questionário incluiu uma dimensão quantitativa com questões fechadas e escalas do tipo Likert. Estas escalas foram utilizadas para mensurar a percepção de produtividade, a adequação das ferramentas tecnológicas e a frequência de impactos negativos da distância física. A dimensão qualitativa foi composta por questões abertas, destinadas à descrição detalhada de obstáculos de comunicação, percepções de sobrecarga e sugestões de melhoria para os fluxos de trabalho ágeis.

A aplicação do instrumento de coleta de dados ocorreu durante o mês de março de 2026. A plataforma Google Forms foi utilizada para a distribuição do questionário, garantindo a acessibilidade aos respondentes e o anonimato das informações fornecidas. Este procedimento visou facilitar a participação e assegurar a confidencialidade dos dados coletados, elementos cruciais para a obtenção de respostas sinceras e representativas do contexto organizacional.

O tratamento e a análise dos dados foram conduzidos por meio da criação de scripts em linguagem Python, versão 3.11, para garantir a integridade e a reprodutibilidade dos resultados. Os dados brutos, exportados em formato Comma-Separated Values (CSV), foram processados utilizando a biblioteca Pandas para manipulação, limpeza e normalização. A análise estatística descritiva foi realizada para questões de múltipla escolha, e análises multivariadas, incluindo o cruzamento de variáveis de senioridade versus produtividade e a análise de correlação de Pearson entre infraestrutura e eficiência, foram executadas no ambiente de computação em nuvem Google Colab.

Para a visualização científica dos dados, empregaram-se as bibliotecas Matplotlib e Seaborn, que permitiram a geração de gráficos de barras de alto contraste, diagramas de dispersão com linhas de tendência e gráficos de frequência. Todos os elementos visuais foram formatados em tons de cinza para assegurar a legibilidade em impressões monocromáticas, conforme as normas da instituição. Concomitantemente, os dados qualitativos obtidos nas questões abertas foram submetidos à técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposto por Bardin (2016). Este processo envolveu a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados por meio da categorização em eixos temáticos.

A triangulação de dados foi empregada para integrar as perspectivas quantitativas e qualitativas, buscando uma compreensão aprofundada do fenômeno estudado e a validação cruzada das informações coletadas. A pesquisa seguiu rigorosamente as diretrizes do Formulário de Direcionamento Ético da instituição. Este compromisso ético assegurou o sigilo das informações institucionais e o tratamento confidencial de todos os dados coletados, protegendo a identidade dos participantes e a privacidade da organização envolvida no estudo.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados revelou um panorama multifacetado sobre a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, em regimes de trabalho remoto e híbrido. Os achados permitiram identificar os principais desafios e estratégias para a manutenção da eficiência operacional, conforme proposto pelo objetivo geral do estudo. Inicialmente, a caracterização da amostra forneceu o contexto para a compreensão das percepções de produtividade e dos obstáculos enfrentados, destacando a predominância do trabalho 100% remoto entre os participantes. A pesquisa buscou, assim, aprofundar a compreensão sobre como as dinâmicas de trabalho distribuído impactam a agilidade e a colaboração, confrontando as premissas clássicas do Manifesto Ágil com a realidade contemporânea.

Perfil da Amostra e Percepção de Produtividade por Senioridade

A caracterização socioprofissional dos participantes indicou um grupo com experiência consolidada no setor de tecnologia, sendo que 44,4% da amostra possuía entre quatro e seis anos de atuação profissional. A distribuição por senioridade revelou uma predominância de profissionais nos níveis Júnior (33,3%) e Pleno (27,8%), enquanto os perfis Sênior e Especialista representaram 16,7% cada. A modalidade de trabalho majoritária entre os respondentes foi o regime 100% remoto, abrangendo 55,6% dos participantes, seguido pelo modelo híbrido com 33,3% e apenas 11,1% em regime presencial. Este cenário de trabalho predominantemente distribuído estabelece a base para a interpretação dos desafios e percepções de produtividade, alinhando-se ao contexto de transformação digital discutido na introdução.

Aprofundando a análise da percepção de produtividade, observou-se uma clara distinção entre os níveis de senioridade. Profissionais Sênior e Especialista reportaram os maiores níveis médios de produtividade, com valores próximos a 4.8 e 4.3, respectivamente, em uma escala de 1 a 5. Em contraste, os níveis Júnior e Pleno apresentaram médias de produtividade ligeiramente inferiores, em torno de 4.0 e 3.3. Este achado corrobora a premissa de que a autonomia técnica e a capacidade de autogestão, características intrínsecas a perfis de maior senioridade, funcionam como moderadores cruciais na adaptação e otimização do desempenho em modelos de trabalho distribuído (Highsmith, 2014). A maior dependência de suporte e ritos estruturados por parte dos profissionais Júnior e Pleno pode explicar a diferença na percepção de produtividade, sugerindo a necessidade de estratégias de suporte e mentoria mais robustas para esses grupos.

A disparidade na percepção de produtividade entre os níveis de senioridade ressalta a importância de abordagens de gestão diferenciadas em ambientes remotos. Enquanto profissionais mais experientes demonstram maior capacidade de auto-organização e resolução de problemas de forma independente, os juniores e plenos podem exigir maior clareza nas expectativas, acompanhamento mais próximo e acesso facilitado a recursos e mentores. Essa observação é crucial para o desenvolvimento de estratégias de eficiência operacional, pois indica que a simples replicação de modelos de gestão presenciais para o contexto digital pode não ser eficaz para todos os membros da equipe, especialmente aqueles em estágios iniciais de carreira, que podem se beneficiar de rituais mais estruturados e de um suporte mais ativo da liderança.

Barreiras de Comunicação e a “Fadiga Síncrona”

Os desafios de comunicação foram identificados como o principal obstáculo à eficiência no trabalho remoto e híbrido, um achado central para o problema de pesquisa. A análise detalhada das respostas revelou que a “Sobrecarga de reuniões e excesso de comunicação síncrona” foi o desafio mais frequentemente citado, representando 44,4% dos participantes. Este dado é particularmente relevante, pois aponta para uma replicação inadequada das dinâmicas presenciais no ambiente digital, gerando um custo cognitivo elevado. Em seguida, a “Dificuldade de alinhamento de tarefas e prioridades” foi mencionada por 38,9% dos respondentes, e a “Falta de clareza nas informações repassadas pela equipe” por 33,3%.

Estes resultados reforçam a hipótese central do estudo, que postula que, embora o trabalho remoto possa favorecer a produtividade individual, a ausência de maturidade nos processos de comunicação assíncrona gera uma sobrecarga de interações síncronas, comprometendo a eficiência coletiva (Tran, 2022). A coexistência de um impacto positivo na produtividade de 77,8% da amostra (sendo 50% para “Aumentou significativamente” e 27,8% para “Aumentou levemente”) com a identificação da sobrecarga de reuniões como principal desafio sugere que o ganho de eficiência ocorre, em parte, apesar de um modelo de comunicação subótimo. Este fenômeno alinha-se às críticas de Larson et al. (2020), que descrevem como a insistência em chamadas de vídeo excessivas pode comprometer o estado de fluxo necessário ao desenvolvimento de software, elevando o custo cognitivo das equipes.

Apesar dos ruídos e da sobrecarga síncrona, observou-se que a distância física em si não foi percebida como um fator impeditivo significativo para a colaboração. Um total de 72,2% dos participantes (44,4% para “Impacta raramente” e 27,8% para “Nunca impacta”) afirmaram que a separação geográfica impactou raramente ou nunca as atividades. Este achado é crucial, pois desmistifica a ideia de que a proximidade física é o único garante da colaboração eficaz, como tradicionalmente enfatizado pelo Manifesto Ágil (Beck et al., 2001). A agilidade em times remotos, portanto, depende menos da presença física e mais da autonomia concedida através de processos de alinhamento bem estruturados, o que reforça a necessidade de transição para modelos de comunicação assíncrona (Rigby et al., 2020).

A “fadiga síncrona” emerge como um sintoma da tentativa de replicar o ambiente de escritório no contexto digital, sem uma adaptação adequada às ferramentas e processos. A constante interrupção para reuniões, a necessidade de estar sempre disponível e a dificuldade em encontrar blocos de tempo ininterruptos para o trabalho focado são consequências diretas dessa sobrecarga. Isso não apenas afeta a produtividade individual, mas também a coesão da equipe e a qualidade das entregas, uma vez que a comunicação fragmentada e a falta de clareza nas informações podem levar a retrabalho e desalinhamento, impactando diretamente a eficiência operacional, que é o foco central deste estudo.

Produtividade, Infraestrutura e Lacuna Tecnológica

Embora 77,8% da amostra tenha verificado um impacto positivo na produtividade geral, identificou-se uma lacuna tecnológica relevante que atua como um gargalo para a otimização completa dos processos ágeis. Apenas 11,1% dos participantes consideraram as ferramentas tecnológicas utilizadas totalmente adequadas para apoiar sua rotina de trabalho remoto ou híbrido. Este dado é alarmante, pois a infraestrutura tecnológica é um pilar fundamental para o sucesso do trabalho distribuído, conforme destacado por Mullins (2021), que enfatiza a necessidade de ferramentas que suportem uma comunicação assíncrona eficiente e uma cultura de documentação robusta.

A análise de correlação entre a adequação das ferramentas e a percepção de produtividade revelou uma relação moderada (0.37). Embora não seja uma correlação forte, a tendência observada sugere que uma maior adequação das ferramentas está associada a uma percepção mais elevada de produtividade. A deficiência nas ferramentas, percebida por 88,9% dos participantes como não totalmente adequadas, gera ruídos frequentes para a maioria do grupo afetado, culminando em retrabalho e frustração. Essa lacuna tecnológica identificada, portanto, atua como um impeditivo para a plena otimização dos processos ágeis em ambientes distribuídos, forçando as equipes a compensar a falta de ferramentas adequadas com interações síncronas excessivas, o que se alinha diretamente com a fadiga síncrona observada anteriormente.

A inadequação das ferramentas não se manifesta apenas na dificuldade de comunicação, mas também na gestão de requisitos e no compartilhamento de conhecimento. Ferramentas que não permitem uma documentação clara, acessível e atualizada de forma assíncrona contribuem para a “lacuna de documentação”, um dos eixos temáticos identificados na análise qualitativa. Essa lacuna obriga os profissionais a recorrer a reuniões síncronas para esclarecer dúvidas que poderiam ser resolvidas por meio de documentação bem estruturada, perpetuando o ciclo da fadiga síncrona e reduzindo a eficiência coletiva. A melhoria da infraestrutura tecnológica, portanto, não é apenas uma questão de conveniência, mas uma estratégia essencial para aprimorar a agilidade e a produtividade em ambientes distribuídos.

A correlação, mesmo que moderada, entre a adequação das ferramentas e a produtividade percebida, sugere que investimentos em infraestrutura tecnológica e na seleção de ferramentas apropriadas podem ter um impacto positivo tangível. A falta de ferramentas robustas e integradas pode levar a um aumento do tempo gasto em tarefas administrativas, na busca por informações e na resolução de problemas de comunicação, desviando o foco do desenvolvimento de software. Isso reforça a necessidade de uma avaliação contínua e um investimento estratégico em tecnologias que realmente apoiem a colaboração assíncrona e a gestão eficiente do conhecimento, elementos cruciais para a sustentabilidade da agilidade em regimes de trabalho distribuído.

Fatores Determinantes da Produtividade e Estratégias de Otimização

A análise dos fatores mais determinantes para a produtividade no trabalho remoto destacou a “Clareza nas metas e tarefas” como o fator mais crítico, citado por 83,3% dos respondentes. Este achado sublinha a importância de uma gestão eficaz de requisitos e de processos de comunicação bem definidos, elementos fundamentais para qualquer equipe ágil, mas que se tornam ainda mais críticos em ambientes distribuídos onde a comunicação face a face é limitada. Outros fatores de alta relevância incluíram a “Disciplina e organização pessoal” (77,8%), o “Equilíbrio entre vida pessoal e profissional” (66,7%) e a “Qualidade das ferramentas” (66,7%). A “Qualidade da comunicação da equipe” também foi apontada por 55,6% da amostra como um fator determinante.

Estes resultados convergem para a necessidade de equilibrar a comunicação assíncrona com momentos síncronos críticos, evitando a sobrecarga. A análise qualitativa indicou que o refinamento da documentação e a assertividade nos rituais são fundamentais para mitigar silos de informação e desalinhamentos. Esta necessidade decorre da evidência de que a falha na clareza de requisitos é o maior detrator da eficiência atual, impactando diretamente a capacidade das equipes de avançar nos projetos. Portanto, o fortalecimento da autonomia e a redução da carga síncrona, conforme sugerido por Sutherland (2019), apresentam-se como soluções para sustentar os ganhos de produtividade observados, ao mesmo tempo em que abordam os desafios de comunicação e alinhamento.

A ênfase na “Clareza nas metas e tarefas” como principal determinante da produtividade reforça a importância da gestão de requisitos como um pilar da eficiência operacional. Em um ambiente distribuído, a ambiguidade nos requisitos pode levar a interpretações diversas, retrabalho e atrasos, exigindo mais interações síncronas para esclarecimentos. A “Disciplina e organização pessoal” e o “Equilíbrio entre vida pessoal e profissional” também são cruciais, indicando que a autogestão e a capacidade de estabelecer limites são essenciais para a sustentabilidade do trabalho remoto, especialmente para os profissionais de menor senioridade que podem ter mais dificuldade em gerenciar esses aspectos sem o suporte de um ambiente de escritório tradicional.

A “Qualidade das ferramentas” e a “Qualidade da comunicação da equipe” são fatores interligados que, quando otimizados, podem reduzir a dependência de interações síncronas e melhorar o fluxo de trabalho. A transição para uma comunicação assíncrona eficaz, com documentação robusta e ferramentas adequadas, permite que as equipes trabalhem de forma mais autônoma e com menos interrupções, promovendo um ambiente de maior foco e produtividade. Este conjunto de achados e suas interpretações fornecem um roteiro claro para a organização do setor de bebidas, visando aprimorar a aplicação de metodologias ágeis em seus times de tecnologia distribuídos, superando os desafios identificados e consolidando os ganhos de eficiência.

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia distribuídas na organização estudada apresenta uma dicotomia: embora a maioria dos profissionais perceba um aumento na produtividade individual, este ganho coexiste com uma significativa sobrecarga de reuniões síncronas e uma lacuna na adequação das ferramentas tecnológicas. A senioridade dos profissionais atua como um moderador crucial, com os mais experientes demonstrando maior autonomia e produtividade. A distância física, por sua vez, não se mostrou um impeditivo significativo. O sucesso da gestão em ambientes remotos e híbridos, portanto, depende fundamentalmente da transição para a comunicação assíncrona, do refinamento da documentação de requisitos e da melhoria da infraestrutura tecnológica, superando a tendência de replicar dinâmicas presenciais no contexto digital e respondendo diretamente ao objetivo do estudo de identificar desafios e estratégias para a eficiência operacional.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a aplicação de metodologias ágeis em equipes de tecnologia de uma organização do setor de bebidas, buscando identificar os desafios e as estratégias para a manutenção da eficiência operacional em regimes remoto e híbrido. Verificou-se que a maioria dos profissionais percebeu um aumento na produtividade individual, um achado que coexiste com a identificação da sobrecarga de reuniões síncronas como o principal desafio. Observou-se que a senioridade dos profissionais atuou como um moderador crucial, com perfis mais experientes demonstrando maior autonomia e produtividade. Adicionalmente, constatou-se que a distância física raramente impactou a colaboração, embora a inadequação das ferramentas tecnológicas tenha gerado ruídos de comunicação e retrabalho, limitando a otimização plena dos processos ágeis.

A principal contribuição deste trabalho reside em fornecer subsídios analíticos para que gestores possam otimizar fluxos de trabalho, superando a tendência de replicar dinâmicas presenciais no contexto digital. O sucesso da gestão em ambientes remotos e híbridos, portanto, depende fundamentalmente da transição estratégica para a comunicação assíncrona e do refinamento da documentação de requisitos, além da melhoria da infraestrutura tecnológica. Como limitação, o estudo concentrou-se em uma única organização, o que sugere a necessidade de futuras investigações. Recomenda-se uma análise longitudinal para quantificar o impacto da carga cognitiva e a correlação entre o número de ferramentas digitais e a incidência de fadiga síncrona, bem como a sustentabilidade do equilíbrio entre vida pessoal e profissional em equipes de TI distribuídas.

Referências Bibliográficas

Ayeni, O. (2025). The Effects of Remote Work on Team Dynamics in Distributed Agile Environments. Forscience: Revista Científica do IFMG, v. 9, n. 1, p. 1-18.

Beck, K.; et al. (2001). Manifesto para o Desenvolvimento Ágil de Software. [S. I.]: Agile Alliance. Disponível em: https://agilemanifesto.org/iso/ptbr/principles.html. Acesso em: 13 abr. 2026.

Forsgren, N.; Humble, J.; Kim, G. (2018). Accelerate: The Science of Lean Software and DevOps. Portland: IT Revolution Press.

Fried, J.; Heinemeier Hansson, D. (2013). Remote: Office Not Required. New York: Crown Business.

Gil, A. C. (2017

Santos, R. E.; Ralph, P. (2022). A grounded theory of coordination in remote-first and hybrid software teams. In: IEEE/ACM 44th International Conference on Software Engineering (ICSE ), Pittsburgh. p. 252-261.

Tran, L. (2022). The Impact of Hybrid Work on Productivity: Understanding the Future of Work: A case study in agile software development teams. 68 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial) – KTH Royal Institute of Technology, Estocolmo.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade