Artigo

05 de agosto de 2026

Maturidade da gestão de cronogramas em projetos industriais com adoção do Microsoft Project

Jose Fernando Botega Neto Baldo; Suranny Jiménez Chacón

DOI: 10.22167/2675-6528-202600992

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A gestão de cronogramas revelou-se fundamental para assegurar o cumprimento de prazos, a integração entre áreas e a eficiência em projetos industriais. Avaliou-se o nível de maturidade da gestão de cronogramas em projetos industriais, com foco nos impactos da adoção do Microsoft Project no planejamento, controle e integração do tempo. A metodologia empregou um estudo de caso de natureza aplicada, com abordagem quantitativa e qualitativa, utilizando questionário estruturado com escala Likert aplicado a 25 profissionais de uma organização industrial. Os dados foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo, complementados por uma avaliação de maturidade baseada no OPM3 e a proposição de um plano de ação 5W2H. Os resultados indicaram um elevado nível de estruturação do planejamento, com 100% de concordância na clareza das atividades e 94,4% na definição de EAP, estimativas e dependências. O controle do cronograma mostrou-se consolidado, com acompanhamento sistemático e comparação entre planejado e realizado, mas a integração prazo-custo apresentou menor consistência (83,3%). A principal fragilidade identificada foi a integração entre áreas (66,7% dos respondentes), além de lacunas na comunicação de mudanças e capacitação. A adoção do Microsoft Project foi percebida como altamente positiva, contribuindo para maior precisão e confiabilidade. Concluiu-se que a gestão de cronogramas alcançou boa maturidade, mas depende do fortalecimento da integração, capacitação e governança para maior eficiência. Como contribuição prática, propôs-se um plano de melhoria, abrangendo padronização da EAP, rotinas de atualização, formalização da comunicação de mudanças, integração prazo-custo, capacitação técnica e implementação de lições aprendidas.

Palavras-chave: Capacitação; Controle; Governança; Integração; Planejamento.

1. Introdução

Projetos industriais são empreendimentos inerentemente complexos, caracterizados pela necessidade de transformar escopos técnicos desafiadores em entregas seguras, dentro de prazos e orçamentos controlados (Díaz-Martínez et al., 2025). Nesses ambientes, a gestão de cronogramas transcende a mera função de registro de datas, tornando-se um pilar central para a coordenação de esforços, a integração entre diferentes áreas e a garantia da previsibilidade operacional. Um cronograma bem estruturado atua como a espinha dorsal que alinha decisões técnicas, prioridades estratégicas e compromissos contratuais, enquanto um planejamento frágil pode comprometer a eficiência e a competitividade (Meng et al., 2022).

A maturidade na gestão de cronogramas inicia-se com um processo de planejamento robusto, capaz de decompor o trabalho em partes executáveis e logicamente conectadas. A estruturação progressiva do escopo, desde as entregas maiores até as atividades detalhadas, é crucial para promover clareza, rastreabilidade e controle, minimizando ambiguidades que frequentemente resultam em retrabalho e reprogramações. A qualidade do planejamento é evidenciada quando as atividades são descritas de forma mensurável, com critérios de conclusão explícitos e responsabilidades claramente definidas para cada área. Essa base sólida é fundamental, pois permite que o cronograma suporte ajustes sem perder sua coerência lógica (Kim et al., 2022). A etapa subsequente envolve a transformação dessas atividades em uma rede lógica, explicitando dependências e restrições que refletem a realidade do ambiente industrial. Ligações mal definidas ou a ausência de dependências técnicas podem gerar cronogramas que parecem organizados, mas são ineficazes na prática. Em projetos com múltiplas interfaces, a lógica do cronograma deve espelhar o fluxo de informações da engenharia, a garantia de materiais pelos suprimentos e a execução simultânea de frentes de trabalho, reduzindo riscos de atrasos em cascata e antecipando gargalos (Li et al., 2017).

As estimativas de duração das atividades representam outro indicador de maturidade. Em contextos industriais, fatores como condições de obra, produtividade, clima e disponibilidade de recursos influenciam diretamente o ritmo dos projetos. A precisão dessas estimativas exige um equilíbrio entre a experiência acumulada e a análise de dados históricos. Quanto mais as durações se baseiam em parâmetros claros e históricos, maior é a confiabilidade do planejamento e menor a necessidade de ajustes emergenciais. Estimativas realistas também preservam a credibilidade do cronograma como uma ferramenta de gestão confiável, evitando que seja percebido como um documento formal desvinculado da realidade do campo (Meng et al., 2022). Uma vez estruturado, o cronograma exige um acompanhamento sistemático para monitorar o progresso e realizar atualizações sem comprometer a governança. O monitoramento eficaz vai além de simplesmente “marcar concluído”; ele envolve a medição consistente do avanço, a identificação precoce de desvios e a fundamentação de decisões com evidências. Em projetos industriais, a disciplina de atualização permite distinguir ruídos pontuais de tendências que demandam replanejamento, promovendo uma postura preventiva em vez de reativa (Lima et al., 2019).

A integração entre prazo e custo é um aspecto particularmente sensível. Em projetos industriais, atrasos raramente são eventos isolados; eles impactam a mobilização de recursos, a produtividade, os contratos, os custos indiretos e, frequentemente, a margem de lucro do empreendimento. A conexão entre o controle de prazos e o acompanhamento físico-financeiro capacita a organização a antecipar impactos e tomar decisões estratégicas com uma visão de trade-off. Sem essa integração, as decisões de cronograma podem ser tomadas com base apenas em urgências operacionais, ignorando a dimensão econômica que sustenta negociações e priorizações (Chalaris et al., 2023). A adoção de ferramentas especializadas, como o Microsoft Project, surge como uma resposta à complexidade da gestão de cronogramas, oferecendo padronização, versionamento, vínculos lógicos e atualização consistente. Tais soluções digitais facilitam análises que seriam onerosas ou instáveis em controles manuais, contribuindo para maior consistência e transparência. Contudo, o benefício dessas ferramentas depende menos do software em si e mais da sua integração aos processos e à cultura organizacional do projeto (Watson et al., 2024).

A maturidade na gestão de cronogramas pode ser compreendida como um percurso evolutivo: do planejamento estruturado ao controle sistemático, amadurecendo com a comunicação integrada e fortalecendo-se pela integração de prazo, custo e decisões. As boas práticas do Project Management Institute (PMI, 2021) oferecem diretrizes para orientar processos, papéis e responsabilidades, estabelecendo uma linguagem comum para o gerenciamento. No entanto, a maturidade não é um estado estático, mas uma capacidade organizacional dinâmica que se manifesta quando o cronograma funciona como um instrumento ativo de coordenação, previsibilidade e priorização em campo (Dery et al., 2020). Apesar dos avanços tecnológicos e metodológicos, a gestão de cronogramas em projetos industriais ainda enfrenta desafios significativos, especialmente em relação à integração interfuncional, à comunicação de mudanças e à capacitação das equipes para o uso pleno das ferramentas.

Nesse contexto, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre os fatores que influenciam a maturidade da gestão de cronogramas em ambientes industriais, com foco na contribuição de ferramentas como o Microsoft Project. O objetivo deste trabalho é avaliar o nível de maturidade da gestão de cronogramas em projetos industriais, analisando os impactos da adoção do Microsoft Project no planejamento, controle e integração do tempo.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de natureza aplicada, buscando aprofundar a compreensão de fenômenos contemporâneos em seu ambiente real, conforme preconizado por Krauss (2024). Adotou-se uma abordagem metodológica mista, integrando métodos quantitativos e qualitativos. A vertente quantitativa permitiu a mensuração das percepções dos participantes por meio de escalas padronizadas, enquanto a qualitativa possibilitou a interpretação contextualizada das respostas. Essa combinação de abordagens foi essencial para analisar o fenômeno da maturidade na gestão de cronogramas de forma abrangente, conciliando dados objetivos com a riqueza da compreensão contextual em um ambiente organizacional complexo.

O estudo foi desenvolvido em uma organização de grande porte do setor industrial, especializada na gestão de resíduos e na produção de insumos por meio de processos de transformação ambientalmente sustentáveis. Essa empresa, com atuação nacional, é referência no segmento e caracteriza-se pelo uso intensivo de tecnologia e pela complexidade na gestão de projetos industriais, especialmente em iniciativas de ampliação de capacidade produtiva. A unidade de análise consistiu nos profissionais diretamente envolvidos em projetos industriais, com foco na gestão de cronogramas. A coleta de dados ocorreu durante um período de quinze dias no mês de janeiro de 2026, em ambiente corporativo.

A população-alvo da pesquisa compreendeu profissionais atuantes em projetos industriais, especificamente aqueles envolvidos na gestão de cronogramas. A amostra foi selecionada intencionalmente, composta por 25 colaboradores diretamente envolvidos nas atividades de ampliação do refinamento de óleo. Os critérios de inclusão abrangeram profissionais das áreas de Engenharia, Planejamento e Coordenação de Projetos que possuíam atuação direta nos processos de elaboração, atualização, acompanhamento ou tomada de decisão relacionada ao cronograma. Profissionais sem envolvimento prático com a gestão do tempo foram excluídos. Dos 25 convidados, 18 responderam integralmente ao questionário, resultando em uma taxa de resposta de 72%.

A estratégia de coleta de dados baseou-se na aplicação de um questionário estruturado, desenvolvido a partir dos princípios de gerenciamento do cronograma e das boas práticas de gestão de projetos preconizadas pelo Project Management Institute (PMI). O instrumento foi elaborado com foco em objetividade, clareza semântica e aplicabilidade prática, priorizando afirmações diretas e linguagem técnica acessível, garantindo coerência com a rotina operacional dos respondentes. Antes da aplicação definitiva, realizou-se um pré-teste com três profissionais de perfil semelhante ao público-alvo, visando verificar a clareza das perguntas e a adequação ao contexto organizacional, resultando em ajustes de redação e padronização das escalas.

O questionário, intitulado “Avaliação da Gestão de Cronogramas em Projetos Industriais”, foi composto por 24 questões distribuídas em cinco blocos temáticos. O primeiro bloco abordou o planejamento e a estruturação do cronograma, incluindo a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e as dependências. O segundo avaliou as práticas de controle e monitoramento, enquanto o terceiro examinou a comunicação e a integração entre as áreas. O quarto investigou os impactos da transição do Excel para o Microsoft Project, e o quinto bloco reuniu questões abertas e fechadas sobre dificuldades e oportunidades de melhoria. O instrumento foi disponibilizado em formato digital via Google Forms, permanecendo ativo por quinze dias em janeiro de 2026, com participação voluntária e confidencial.

Para o tratamento dos dados, empregou-se uma abordagem combinada. Os dados quantitativos, provenientes das afirmações fechadas da escala Likert, foram analisados por meio de estatística descritiva, com foco em frequências absolutas e relativas, para mensurar a concordância e intensidade das percepções. A geração de gráficos estatísticos, como barras e distribuições percentuais, foi realizada utilizando o software GraphPad Prism, versão 10.2. As respostas abertas, por sua vez, foram submetidas à análise de conteúdo temática, na qual as falas foram agrupadas por similaridade semântica em categorias gerenciais recorrentes, permitindo a conversão das frequências de menções em valores numéricos para representação gráfica por meio de diagrama radar.

A análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) foi conduzida de forma qualitativa e interpretativa, visando um diagnóstico estratégico organizacional. Esse procedimento permitiu avaliar o desempenho da gestão de cronogramas a partir da identificação de fatores internos e externos que influenciam os resultados. As informações das questões fechadas foram organizadas por frequência e tendência de concordância, enquanto as respostas abertas foram submetidas à análise de conteúdo temática, agrupando menções por similaridade semântica. Os achados foram classificados conforme sua natureza (interna ou externa) e contribuição (positiva ou negativa) para a gestão de cronogramas, sendo sistematizados em uma matriz 2×2 para uma compreensão sistêmica das capacidades e limitações.

A avaliação da maturidade organizacional foi realizada com base em uma adaptação do Organizational Project Management Maturity Model (OPM3), proposto pelo Project Management Institute. O foco foi direcionado ao domínio específico do Gerenciamento do Cronograma, permitindo transformar percepções e práticas relatadas em uma classificação estruturada por níveis progressivos. As dimensões de maturidade, como planejamento, monitoramento, controle do tempo, integração interfuncional, comunicação e governança, foram definidas e operacionalizadas por critérios observáveis do questionário. Estabeleceu-se uma escala ordinal de cinco níveis, desde “Inicial” até “Otimizado”, para classificar cada dimensão com base na coerência entre as evidências coletadas e os descritores da escala, culminando em um diagnóstico global.

A análise 5W2H foi empregada para sistematizar os achados da pesquisa, traduzindo as fragilidades identificadas em ações práticas de melhoria para a gestão de cronogramas. Esse método considerou a frequência das respostas, a recorrência temática das questões abertas e a análise interpretativa das limitações organizacionais. Os principais pontos críticos foram consolidados e priorizados, sendo convertidos em ações estruturadas. Para cada ação, foram definidos os elementos do 5W2H: o que seria feito (What), a justificativa (Why), o local de aplicação (Where), o período de execução (When), os responsáveis (Who), a forma de implementação (How) e a estimativa de custo (How much). A organização dessas informações foi realizada em formato tabular, garantindo clareza e rastreabilidade.

Em relação aos aspectos éticos, o estudo foi dispensado de apreciação pelo sistema CEP/CONEP, respaldado por um formulário institucional de dispensa ética. Todos os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos da pesquisa e consentiram voluntariamente com sua participação, garantindo a confidencialidade das informações coletadas. Contudo, algumas limitações metodológicas devem ser consideradas. A amostra restrita a profissionais diretamente envolvidos nos projetos da organização limita a generalização dos achados para outros contextos industriais. Além disso, a predominância de dados autorrelatados, coletados por meio de questionário, pode introduzir vieses de percepção ou julgamento subjetivo, embora mitigados pela combinação de questões quantitativas e qualitativas.

Outra limitação metodológica relevante refere-se ao recorte temporal da pesquisa, que avaliou a maturidade em um momento específico da transição tecnológica. Essa abordagem não permitiu capturar plenamente os efeitos de longo prazo da consolidação do uso do software Microsoft Project e da evolução das práticas organizacionais ao longo do tempo. Assim, os resultados refletem um diagnóstico pontual, sem abranger a dinâmica completa de amadurecimento. Apesar dessas considerações, a metodologia empregada foi fundamental para atingir o objetivo de avaliar o nível de maturidade da gestão de cronogramas em projetos industriais, analisando os impactos da adoção do Microsoft Project no planejamento, controle e integração do tempo, conforme proposto na introdução.

3. Resultados e Discussão

A análise do bloco referente ao planejamento e à estruturação do cronograma evidenciou uma notável consistência metodológica na organização inicial das atividades do projeto de ampliação da unidade de refinamento. Este achado é crucial para a maturidade da gestão de projetos, pois um planejamento robusto é a base para todas as fases subsequentes. No que se refere à elaboração do cronograma a partir de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) bem definida, observou-se que 17 dos 18 respondentes (94,5%) demonstraram percepção positiva, com 7 concordâncias (38,9%) e 10 concordâncias totais (55,6%), enquanto apenas 1 participante manteve posição neutra (5,6%). A ausência de discordâncias neste item, conforme ilustrado na Figura 1 A, é um indicador forte de alinhamento quase integral da equipe quanto à existência de uma decomposição estruturada do escopo. Este resultado sugere que a organização adota um processo de planejamento formalizado e aderente a práticas sistemáticas de organização do trabalho, o que é corroborado por Wang et al. (2024), que enfatizam a importância de uma EAP clara para a previsibilidade e o controle eficaz do projeto. A implicação prática de uma EAP bem definida é a redução de ambiguidades, a facilitação da alocação de recursos e a minimização de retrabalhos, elementos essenciais em projetos industriais complexos.

Quanto à clareza e mensurabilidade das atividades, verificou-se unanimidade nas respostas positivas, com 7 concordâncias (38,9%) e 11 concordâncias totais (61,1%), conforme a Figura 1 B. Esse resultado demonstra que 100% dos participantes reconhecem que as tarefas foram descritas de forma objetiva e verificável, uma condição essencial para medições de desempenho, controle de prazos e acompanhamento de progresso físico. A definição precisa das entregas é fundamental para reduzir ambiguidades operacionais e favorecer maior confiabilidade nas etapas subsequentes de estimativa e monitoramento (Wang et al., 2024). Em um ambiente industrial, onde a precisão é vital para a segurança e a eficiência, a clareza das atividades permite que cada membro da equipe compreenda suas responsabilidades e os critérios de sucesso, promovendo uma execução mais alinhada e menos propensa a desvios. A literatura de gerenciamento de projetos, como o guia PMBOK (PMI, 2021), reitera que atividades bem definidas são a espinha dorsal de um cronograma gerenciável, permitindo um controle mais rigoroso e uma comunicação mais eficaz entre as partes interessadas.

Em relação à estimativa de duração baseada em dados realistas e históricos, 17 respondentes (94,4%) manifestaram concordância, sendo 6 concordâncias (33,3%) e 11 concordâncias totais (61,1%), enquanto 1 participante permaneceu neutro (5,6%), como evidenciado na Figura 1 C. Esse padrão indica a predominância do uso de referências empíricas e experiências anteriores na construção do cronograma, uma prática que contribui significativamente para reduzir incertezas e minimizar variações excessivas de prazo. A utilização de dados históricos tende a elevar a previsibilidade temporal e fortalecer a maturidade do planejamento, especialmente em ambientes industriais caracterizados por repetição de atividades técnicas (Larco et al., 2017). A capacidade de estimar durações de forma realista não apenas aumenta a credibilidade do cronograma, mas também permite uma alocação de recursos mais eficiente e uma gestão de riscos mais proativa, evitando a percepção de que o cronograma é um mero documento formal sem aderência à realidade do campo (Meng et al., 2022).

No item referente à identificação e representação das dependências entre tarefas, novamente foi observada forte convergência positiva, com 17 respostas favoráveis (94,4%), sendo 5 concordâncias (27,8%) e 12 concordâncias totais (66,7%), além de 1 resposta neutra (5,6%), conforme a Figura 1 D. Esse resultado demonstra que as relações de precedência foram compreendidas e modeladas adequadamente, o que favorece a construção de sequências lógicas, a identificação do caminho crítico e uma melhor coordenação entre frentes de trabalho. A adequada representação dessas interdependências é crucial para reduzir riscos de retrabalho e atrasos em cascata, elementos críticos em projetos industriais de grande porte (Larco et al., 2017). A clareza nas dependências permite que a equipe de projeto antecipe gargalos, otimize a sequência de trabalho e tome decisões informadas sobre a priorização de atividades, garantindo que o fluxo de trabalho seja o mais eficiente possível e que os recursos sejam utilizados de maneira otimizada.

Por fim, ao avaliar a contribuição da ferramenta utilizada (planilhas eletrônicas ou software dedicado) para a visualização e organização das atividades, constatou-se percepção amplamente positiva: 17 respostas favoráveis (94,4%), com 4 concordâncias (22,2%) e 13 concordâncias totais (72,2%), além de 1 neutra (5,6%), como ilustrado na Figura 1 E. O maior percentual de “concordo totalmente” neste item sugere que os recursos de visualização, estrutura hierárquica, vínculos lógicos e consolidação das informações proporcionaram ganhos claros de organização. Ferramentas especializadas, como o Microsoft Project, tendem a oferecer melhor integração entre atividades, marcos, prazos e responsáveis, promovendo maior governança do tempo quando comparadas a controles exclusivamente manuais ou dispersos (Xiao et al., 2021). A transição para uma ferramenta robusta não apenas automatiza processos, mas também padroniza a forma como as informações são apresentadas e interpretadas, facilitando a comunicação e a tomada de decisão em todos os níveis do projeto.

Figura 1. Planejamento e estruturação do cronograma

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os resultados indicam que o processo de planejamento do cronograma apresenta características compatíveis com níveis intermediários a elevados de maturidade em gestão de projetos, evidenciando padronização, clareza de escopo, estimativas fundamentadas e representação estruturada das relações entre tarefas. Esse conjunto de práticas contribui para maior previsibilidade, transparência e capacidade de controle, elementos essenciais para ambientes industriais complexos, nos quais pequenas variações podem gerar impactos significativos em custo e prazo. A consolidação dessas práticas, aliada ao uso de ferramentas mais integradas como o Microsoft Project, tende a ampliar a rastreabilidade das informações, reduzir erros manuais e fortalecer a governança temporal do projeto (Dery et al., 2020). A maturidade no planejamento, portanto, não é apenas uma questão de seguir um roteiro, mas de criar um sistema adaptável e resiliente que possa absorver mudanças e incertezas inerentes a projetos de grande escala.

A avaliação do bloco relacionado ao controle, monitoramento e atualização do cronograma demonstrou elevada percepção de sistematização no acompanhamento das atividades do projeto. No item que investigou se o progresso é acompanhado de forma sistemática e atualizada, observou-se concordância integral entre os respondentes, totalizando 18 respostas positivas (100%), sendo 6 concordâncias (33,3%) e 12 concordâncias totais (66,7%), conforme a Figura 2 A. A inexistência de respostas neutras ou negativas evidencia que o acompanhamento periódico das frentes de trabalho está consolidado como prática rotineira, permitindo visibilidade contínua do desempenho e favorecendo intervenções tempestivas (Xiao et al., 2021). Este achado é fundamental, pois um monitoramento constante permite a detecção precoce de desvios, transformando a gestão de cronogramas de uma abordagem reativa para uma proativa, onde os problemas são identificados e mitigados antes que se tornem críticos.

Quanto à identificação e análise rápida das variações de prazo, verificou-se predominância de avaliações favoráveis, com 17 respostas positivas (94,4%), distribuídas entre 12 concordâncias (66,7%) e 5 concordâncias totais (27,8%), além de 1 resposta neutra (5,6%), como mostrado na Figura 2 B. Esse resultado indica que a maior parte da equipe reconhece agilidade na detecção de desvios, condição essencial para evitar a propagação de atrasos ao longo da cadeia de atividades. A capacidade de reação rápida reforça o caráter preventivo do controle do cronograma, deslocando a gestão de uma postura corretiva para uma abordagem mais proativa (Xiao et al., 2021). A agilidade na análise de variações é um diferencial competitivo, permitindo que a organização se adapte rapidamente a imprevistos, realoque recursos e renegocie prazos com base em dados concretos, minimizando os impactos financeiros e operacionais.

No que se refere à possibilidade de comparação entre o planejado e o realizado por meio da ferramenta utilizada, novamente observou-se concordância total, com 18 respostas positivas (100%), sendo 5 concordâncias (27,8%) e 13 concordâncias totais (72,2%), conforme a Figura 2 C. O elevado percentual de “concordo totalmente” neste item sugere que os recursos de linha de base, atualização de progresso, reprogramação automática e visualização gráfica proporcionam clareza na análise de desempenho. A comparação estruturada entre baseline e execução fortalece a rastreabilidade das informações e reduz inconsistências típicas de controles fragmentados ou manuais (Koszykowski et al., 2025). A capacidade de comparar o progresso real com o planejado é um pilar da governança de projetos, oferecendo uma visão clara do desempenho e permitindo ajustes estratégicos.

De forma semelhante, o registro formal e a comunicação das revisões do cronograma apresentaram ampla aceitação, com 18 respostas favoráveis (100%), compostas por 7 concordâncias (38,9%) e 11 concordâncias totais (61,1%), como ilustrado na Figura 2 D. Esse comportamento evidencia que as alterações não ocorrem de maneira informal, mas seguem fluxo documentado e compartilhado com a equipe. A formalização das mudanças contribui para maior transparência decisória, preservação do histórico do projeto e alinhamento entre stakeholders, aspectos fundamentais para a governança do tempo (Li et al., 2017). A comunicação formalizada de revisões é vital para evitar desalinhamentos e garantir que todas as partes interessadas estejam cientes das últimas versões do cronograma, promovendo a colaboração e a responsabilidade compartilhada.

Por outro lado, a integração entre o controle de prazos e o controle de custos apresentou desempenho relativamente inferior quando comparado aos demais itens. Embora 15 respondentes tenham indicado concordância (83,3%), sendo 13 concordâncias (72,2%) e apenas 2 concordâncias totais (11,1%), observou-se a presença de 3 respostas neutras (16,7%), conforme a Figura 2 E. A maior dispersão das respostas sugere que a vinculação entre cronograma e orçamento ainda não está plenamente consolidada, indicando possível existência de controles paralelos ou baixa automatização do acompanhamento físico-financeiro. Essa lacuna reduz o potencial analítico do gerenciamento integrado, dificultando correlações diretas entre atrasos e impactos econômicos (Lima et al., 2019). A falta de uma integração robusta entre prazo e custo é uma fraqueza significativa, pois impede uma visão holística do desempenho do projeto e dificulta a tomada de decisões estratégicas que considerem tanto o impacto temporal quanto o financeiro.

Figura 2. Controle, Monitoramento e Atualização do Cronograma

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A análise do bloco relacionado à comunicação e à integração entre as áreas evidenciou que o cronograma desempenha um papel relevante como instrumento de alinhamento, ainda que com variabilidade de percepções. A pesquisa revelou que 16 dos 18 respondentes (88,9%) concordam que o cronograma é utilizado como principal ferramenta de comunicação, com 10 concordâncias (55,6%) e 6 concordâncias totais (33,3%). No entanto, a presença de 1 resposta neutra (5,6%) e 1 discordância total (5,6%) sugere que, para uma parcela dos participantes, canais complementares ou informais ainda são utilizados para a troca de informações. Este achado, embora positivo em sua maioria, indica que a centralização da comunicação via cronograma ainda não é universalmente percebida, o que pode levar a desalinhamentos pontuais. A efetividade da comunicação é um pilar para a integração interfuncional, e a dependência de canais informais pode introduzir ruídos e atrasos na disseminação de informações críticas, como apontado por Mishra et al. (2026).

A contribuição da visualização gráfica do progresso para o entendimento da situação do projeto foi amplamente reconhecida, com 16 respostas positivas (88,9%), distribuídas entre 7 concordâncias (38,9%) e 9 concordâncias totais (50,0%). A predominância de avaliações favoráveis demonstra que recursos visuais, como gráficos de Gantt e indicadores de avanço, favorecem a interpretação rápida do status do projeto, reduzindo assimetrias de informação entre equipes técnicas e gerenciais (Suresh et al., 2024). A representação gráfica do desempenho é uma ferramenta poderosa para a transparência e a tomada de decisões ágeis, pois permite que os stakeholders compreendam rapidamente a situação do projeto sem a necessidade de análises extensas de dados brutos.

No que se refere à disponibilidade e acessibilidade das informações de cronograma para os stakeholders, 16 respondentes (88,9%) manifestaram concordância, sendo 9 concordâncias (50,0%) e 7 concordâncias totais (38,9%). Contudo, a presença de 1 discordância total (5,6%) e 1 resposta neutra (5,6%) sugere que, embora a maioria reconheça acesso satisfatório, podem existir barreiras pontuais relacionadas à centralização de arquivos, permissões de uso ou atualização das versões. Tais limitações podem comprometer a uniformidade das informações e gerar interpretações divergentes entre as áreas (Xiao et al., 2021). A acessibilidade das informações é crucial para a colaboração e a coordenação, e qualquer obstáculo nesse sentido pode minar a eficácia do cronograma como ferramenta de gestão integrada.

O apoio do cronograma às reuniões de acompanhamento e às decisões de priorização apresentou avaliação amplamente favorável, com 15 respostas positivas (83,3%), compostas por 4 concordâncias (22,2%) e 11 concordâncias totais (61,1%). A concentração em “concordo totalmente” indica que o cronograma é frequentemente utilizado como base objetiva para discussão de status, redefinição de sequências e realocação de recursos. Esse comportamento reforça seu papel como instrumento de governança, apoiando decisões fundamentadas em dados de prazo e dependências técnicas (Mishra et al., 2026). O cronograma, quando bem utilizado, transforma as reuniões de projeto de meras atualizações de status em sessões estratégicas de tomada de decisão, onde os desvios são analisados e as ações corretivas são planejadas com base em dados concretos.

A colaboração efetiva entre as áreas de engenharia, suprimentos e obras no controle de prazos apresentou o menor índice de concordância neste bloco. Embora 14 respondentes (77,8%) tenham indicado percepção positiva, sendo 10 concordâncias (55,6%) e 4 concordâncias totais (22,2%), registraram-se 3 respostas neutras (16,7%) e 1 discordância (5,6%). Essa dispersão revela que a integração interfuncional ainda apresenta oportunidades de aprimoramento, possivelmente relacionadas a diferentes prioridades operacionais, fluxos de informação não padronizados ou dependência de atualizações manuais. A menor percepção de colaboração sugere que a sincronização entre áreas pode não ocorrer de maneira plenamente estruturada em todas as fases do projeto (Koszykowski et al., 2025). Esta é uma fraqueza crítica, pois a falta de integração entre as áreas funcionais é uma das principais causas de atrasos e sobrecustos em projetos industriais, exigindo um esforço contínuo para alinhar objetivos e processos.

A análise das respostas relacionadas à transição do uso de planilhas eletrônicas para o Microsoft Project revelou percepção amplamente positiva quanto aos ganhos de precisão, confiabilidade e profissionalização do gerenciamento do cronograma. A pesquisa indicou concordância unânime (100%) de que a mudança de ferramenta melhorou a precisão e a confiabilidade do planejamento, com 6 concordâncias (33,3%) e 12 concordâncias totais (66,7%). A inexistência de respostas neutras ou negativas demonstra um reconhecimento coletivo de que a nova solução proporcionou maior consistência nas estimativas, melhor estruturação das informações e redução de inconsistências típicas de controles manuais (Koszykowski et al., 2025). Este resultado sublinha o valor da tecnologia como facilitador da maturidade, transformando a forma como o planejamento é concebido e executado.

Resultado idêntico foi observado quanto à facilitação da identificação do caminho crítico e da análise de impactos de atraso, com 18 respostas positivas (100%), distribuídas igualmente entre 6 concordâncias (33,3%) e 12 concordâncias totais (66,7%). Esse comportamento evidencia que os recursos de encadeamento lógico, cálculo automático de folgas e simulação de cenários ampliaram a capacidade analítica da equipe. A visualização clara das atividades críticas fortalece o foco gerencial nas restrições reais do projeto, permitindo intervenções mais estratégicas e redução de riscos de atraso sistêmico (Clemente et al., 2023). A capacidade de identificar o caminho crítico de forma automatizada é um avanço significativo, pois permite que os gerentes de projeto concentrem seus esforços nas atividades que realmente impactam o prazo final, otimizando a alocação de recursos e a gestão de riscos.

No que se refere à automação do controle de prazos e à diminuição da suscetibilidade a erros manuais, 17 respondentes (94,4%) manifestaram concordância, sendo 7 concordâncias (38,9%) e 10 concordâncias totais (55,6%), além de 1 resposta neutra (5,6%). Esse resultado sugere percepção predominante de que a ferramenta reduziu retrabalhos relacionados a fórmulas, consolidações e atualizações manuais, embora ainda exista pequena parcela da equipe que não percebeu plenamente tal benefício. A automação de cálculos, vínculos e reprogramações contribui para maior confiabilidade dos dados e menor dependência de controles paralelos (Clemente et al., 2023). A redução de erros manuais é um ganho de eficiência substancial, liberando a equipe para se concentrar em análises mais complexas e decisões estratégicas, em vez de tarefas repetitivas e propensas a falhas.

A percepção de confiança e preparo da equipe para gerenciar o cronograma no novo ambiente tecnológico apresentou igualmente predominância de avaliações positivas, com 17 respostas favoráveis (94,4%), compostas por 7 concordâncias (38,9%) e 10 concordâncias totais (55,6%). Registrou-se apenas 1 discordância (5,6%), sem respostas neutras. Esse padrão indica que o processo de adoção foi majoritariamente assimilado pelos usuários, refletindo adaptação operacional satisfatória e desenvolvimento de competências técnicas para utilização da ferramenta. A elevação do domínio tecnológico tende a fortalecer a autonomia da equipe e a qualidade das decisões baseadas em dados (Clemente et al., 2023). A confiança da equipe na ferramenta e em suas próprias habilidades é um fator crítico para o sucesso da implementação de novas tecnologias, garantindo que o software seja utilizado em todo o seu potencial.

Por fim, ao avaliar se o uso do Microsoft Project contribuiu para elevar o nível de maturidade em gestão de projetos na organização, observou-se 16 respostas positivas (88,9%), sendo 7 concordâncias (38,9%) e 9 concordâncias totais (50,0%), acompanhadas de 2 respostas neutras (11,1%). Ainda que a maioria reconheça evolução na maturidade, a presença de neutralidade indica que parte dos respondentes percebe que o avanço organizacional depende não apenas da ferramenta, mas também da consolidação de processos, padronizações e rotinas gerenciais. A tecnologia, nesse contexto, atua como facilitadora, mas seus benefícios se ampliam quando integrada a práticas formais de governança (Lopes et al., 2025). Este achado reforça a ideia de que a maturidade não é apenas tecnológica, mas também processual e cultural, exigindo um esforço contínuo em todas as frentes para alcançar a excelência.

A investigação das principais dificuldades relacionadas ao planejamento e controle do cronograma, realizada por meio de questão de múltipla seleção, revelou que os maiores índices de ocorrência concentraram-se na baixa integração entre planejamento, execução e controle, bem como na dificuldade no uso das ferramentas de gestão, ambas mencionadas por 11 respondentes (61,1%). Esses resultados indicam que os principais entraves não estão apenas na definição das atividades, mas sobretudo na articulação entre áreas e na operacionalização dos instrumentos de acompanhamento. A fragmentação das informações e o domínio limitado das funcionalidades dos sistemas podem comprometer a atualização consistente do cronograma, reduzir a confiabilidade dos dados e dificultar a consolidação de uma visão única do projeto. Este é um ponto crítico que exige atenção gerencial, pois a falta de integração pode levar a decisões desalinhadas e a uma perda de controle sobre o projeto como um todo.

Em seguida, destacaram-se a definição pouco clara do escopo e as estimativas de prazo irreais ou inconsistentes, cada uma assinalada por 8 participantes (44,4%). Esses fatores apontam fragilidades nas etapas iniciais de planejamento, especialmente na decomposição das entregas e na previsão de durabilidade das atividades. Escopos pouco estruturados tendem a gerar revisões frequentes, retrabalho e reprogramações sucessivas, enquanto estimativas excessivamente otimistas impactam negativamente a credibilidade do cronograma e aumentam a probabilidade de desvios acumulados ao longo da execução. A clareza do escopo e a precisão das estimativas são fundamentais para a credibilidade do cronograma e para a confiança da equipe no plano, e a falta desses elementos pode minar a base de todo o projeto.

Também foram registradas dificuldades relacionadas aos atrasos na entrega de informações e à falta de atualização sistemática do cronograma, ambas indicadas por 5 respondentes (27,8%), além de mudanças de projeto e indefinições técnicas, mencionadas por 4 participantes (22,2%). Esses resultados evidenciam desafios de natureza comunicacional e de governança, nos quais a ausência de fluxo contínuo de dados compromete a tomada de decisão em tempo oportuno. A atualização tardia ou incompleta reduz a capacidade do cronograma de refletir a realidade do campo, limitando sua função como instrumento de controle (da Silva et al., 2026). A comunicação eficaz e a atualização sistemática são essenciais para manter o cronograma como uma ferramenta viva e relevante, garantindo que ele reflita a realidade do projeto e apoie a tomada de decisões em tempo real.

Por fim, itens como falta de priorização ou apoio da gestão, dificuldades pontuais associadas a processos específicos e outros fatores isolados foram citados por apenas 1 respondente cada (5,6%), indicando menor relevância relativa no conjunto da amostra. Ainda que menos frequentes, tais aspectos revelam que obstáculos organizacionais e comportamentais também podem influenciar o desempenho do planejamento, sobretudo quando não há alinhamento claro de responsabilidades e suporte institucional. A cultura organizacional e o apoio da alta gerência são fatores críticos para o sucesso da gestão de cronogramas, pois sem eles, mesmo as melhores ferramentas e processos podem falhar.

A identificação das etapas mais frágeis da gestão do cronograma, também por meio de questão de múltipla escolha, revelou que a maior concentração de indicações ocorreu na integração entre áreas envolvidas, assinalada por 12 respondentes (66,7%). Este resultado configura o principal foco de fragilidade percebida, evidenciando que a coordenação entre funções como engenharia, suprimentos, planejamento e execução ainda apresenta lacunas de alinhamento, troca de informações e sincronização de prazos. Em ambientes industriais, nos quais as atividades são altamente interdependentes, falhas de integração tendem a gerar atrasos em cascata, retrabalhos e perda de previsibilidade, comprometendo a confiabilidade global do cronograma (Koszykowski et al., 2025). A integração entre áreas é um desafio complexo que exige não apenas processos bem definidos, mas também uma cultura de colaboração e comunicação aberta.

Na sequência, destacaram-se a comunicação das mudanças do cronograma, indicada por 9 participantes (50,0%), e a etapa de encerramento e registro de lições aprendidas, mencionada por 5 respondentes (27,8%). A elevada frequência atribuída à comunicação das mudanças demonstra que revisões de prazo nem sempre são disseminadas de forma clara e tempestiva, o que pode resultar em desalinhamento operacional entre equipes. Já a menor atenção ao encerramento sugere oportunidades de aprimorar a retroalimentação do processo, uma vez que o registro sistemático de aprendizados é fundamental para melhorar estimativas futuras, reduzir reincidência de erros e elevar a maturidade organizacional. A comunicação de mudanças é vital para manter todos os stakeholders informados e alinhados, enquanto a gestão de lições aprendidas é um componente essencial da melhoria contínua e do aprendizado organizacional.

As etapas relacionadas ao planejamento inicial do cronograma, detalhamento das atividades, acompanhamento do progresso e análise de desvios e tomada de decisão apresentaram frequências equivalentes, com 4 indicações cada (22,2%). Esses percentuais indicam que, embora existam dificuldades pontuais nessas fases, elas não são percebidas como os principais gargalos do processo. Por outro lado, nenhuma marcação foi registrada para alternativas residuais específicas (0%), o que demonstra que determinadas etapas são percebidas como estáveis ou suficientemente estruturadas no contexto atual. A ausência de respostas nessas categorias reforça a concentração dos problemas em pontos mais estratégicos do fluxo de gestão, especialmente aqueles que dependem de coordenação coletiva e padronização de comunicação.

As contribuições qualitativas referentes às oportunidades de melhoria na gestão de cronogramas foram analisadas por meio de categorização temática, agrupando respostas semelhantes em dimensões gerenciais comuns. O tema mais recorrente foi a necessidade de planejamento mais detalhado e estruturado, citado por 12 respondentes (66,7%), envolvendo maior dedicação à elaboração da EAP, definição clara de escopo, estabelecimento de marcos críticos e prazos exequíveis. Em seguida, destacou-se a integração entre áreas, mencionada por 10 participantes (55,6%), evidenciando dificuldades na coordenação entre engenharia, suprimentos e execução de obra, especialmente na gestão de interfaces. O monitoramento sistemático por indicadores de desempenho apareceu em 8 respostas (44,4%), com ênfase no uso de avanço físico real, curva S, análise de desvios e dashboards para suporte à decisão.

Figura 3. Oportunidades de melhoria na gestão de cronogramas

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Aspectos relacionados à capacitação das equipes e ao fortalecimento da cultura de planejamento foram apontados por 6 respondentes (33,3%), reforçando a importância de treinamentos e do uso do cronograma como ferramenta ativa de gestão, e não apenas de reporte. A integração entre prazos e custos foi mencionada por 4 participantes (22,2%), indicando necessidade de correlacionar atrasos com impactos financeiros para subsidiar negociações e decisões estratégicas. Por fim, a padronização de ferramentas e processos, incluindo a adoção consistente de sistemas especializados e maior atuação de estruturas de governança, foi citada por 3 respondentes (16,7%). Essas oportunidades de melhoria, quando implementadas, podem transformar a gestão de cronogramas de uma função operacional para uma estratégica, impulsionando a eficiência e a competitividade da organização.

As respostas abertas referentes aos desafios enfrentados durante a transição do uso de planilhas eletrônicas para o Microsoft Project foram analisadas por meio de categorização temática. O desafio mais recorrente foi o aprendizado e a complexidade operacional da ferramenta, citado por 8 respondentes (44,4%). As falas destacaram a necessidade de compreender funcionalidades como lógica de dependências, parametrizações, configurações de cronograma e interpretação de relatórios, evidenciando que a curva de aprendizagem inicial constitui a principal barreira de adoção. Em seguida, observou-se elevada frequência de menções à necessidade de estruturação técnica mais rigorosa do cronograma, apontada por 7 participantes (38,9%), especialmente no que se refere à construção de EAP detalhada, definição de vínculos, predecessoras, caminho crítico, folgas e restrições, aspectos que exigem maior formalização quando comparados ao uso de planilhas. A complexidade da ferramenta e a necessidade de uma estruturação técnica rigorosa são desafios que exigem investimentos em treinamento e desenvolvimento de competências para garantir o uso eficaz do software.

A mudança de mentalidade, caracterizada pela transição de controles estáticos e manuais para um sistema dinâmico e automatizado, foi mencionada por 5 respondentes (27,8%). Esse resultado sugere que a adoção do software não representa apenas substituição tecnológica, mas transformação cultural na forma de planejar e controlar prazos. Também foram registradas dificuldades relacionadas à capacitação das equipes e à resistência ao uso correto da ferramenta, citadas por 4 participantes (22,2%), evidenciando a necessidade de treinamentos e padronização de práticas para garantir aproveitamento pleno dos recursos disponíveis. A resistência à mudança e a necessidade de capacitação contínua são fatores humanos que devem ser gerenciados proativamente para garantir a aceitação e o uso efetivo da nova ferramenta.

Com menor frequência, surgiram desafios associados à alocação de recursos e configuração de calendários, indicados por 3 respondentes (16,7%), bem como à integração do cronograma com medições, relatórios e controles físico-financeiros, mencionada por 2 participantes (11,1%). Ainda que menos citados, esses aspectos revelam a importância de integrar o planejamento temporal às demais dimensões de desempenho do projeto. A integração com outros sistemas e a gestão de recursos são aspectos avançados da maturidade que, embora menos urgentes, são cruciais para otimizar o desempenho global do projeto.

A consolidação dos resultados do questionário permitiu estruturar uma análise SWOT com o objetivo de sintetizar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relacionadas à gestão de cronogramas no contexto dos projetos industriais avaliados. As forças observadas concentram-se na existência de processos formais de planejamento, elevada clareza na definição das atividades, uso consistente de dados históricos para estimativas, acompanhamento sistemático do progresso e ampla percepção de ganhos decorrentes da adoção de ferramenta especializada de gerenciamento. Esses elementos indicam que a organização já apresenta práticas estruturadas e aderentes a padrões de gestão profissional, favorecendo maior previsibilidade e confiabilidade do desempenho temporal.

Tabela 1. Análise SWOT da gestão de cronogramas em projetos Industriais

Fatores Internos

Positivos (Strengths – Forças)

Negativos (Weaknesses – Fraquezas)

Processos e Práticas

Planejamento estruturado com EAP bem definida • Atividades claras, mensuráveis e rastreáveis • Estimativas baseadas em dados históricos • Identificação consistente de dependências e caminho crítico • Monitoramento sistemático do progresso • Registro formal e comunicação das revisões

Baixa integração entre planejamento, execução e controle • Comunicação de mudanças ainda heterogênea entre áreas • Integração parcial entre prazo e custo (controle físico-financeiro pouco consolidado) • Lições aprendidas pouco sistematizadas • Dependência histórica de controles paralelos em planilhas

Pessoas e Ferramentas

Alta aceitação do MS Project como ferramenta oficial • Maior confiabilidade, automação e precisão dos cronogramas • Comparação eficiente entre planejado × realizado. Redução de erros manuais • Maior transparência e governança das informações

Curva de aprendizagem elevada do software. Necessidade de capacitação técnica contínua • Resistência cultural de usuários acostumados ao Excel • Dificuldades no uso avançado de recursos (alocação, calendários, relatórios integrados)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Por outro lado, as fraquezas identificadas estão predominantemente associadas à baixa integração entre planejamento, execução e controle, à comunicação de mudanças ainda heterogênea entre áreas, à integração parcial entre prazo e custo, e à sistematização incipiente de lições aprendidas. Adicionalmente, a curva de aprendizagem elevada do software, a necessidade de capacitação contínua e a resistência cultural de usuários acostumados a métodos anteriores, como o Excel, configuram desafios significativos. Essas fraquezas evidenciam que os principais gargalos não são técnicos, mas organizacionais e comportamentais, relacionados à coordenação interfuncional, capacitação e padronização de processos. A superação dessas fraquezas exige um esforço coordenado em várias frentes, incluindo treinamento, comunicação e mudanças culturais.

As oportunidades mapeadas pelas respostas abertas reforçam a possibilidade de evolução por meio da padronização corporativa do MS Project, implantação/fortalecimento de um PMO, capacitação contínua em planejamento e controle, integração prazo-custo-recursos, uso ampliado de KPIs e envolvimento de fornecedores no cronograma. Essas oportunidades indicam um caminho claro para aprimorar a gestão de cronogramas, transformando as fragilidades atuais em pontos fortes. Entretanto, a manutenção de práticas informais ou paralelas ao sistema oficial, a falta de engajamento interdepartamental, informações tardias de clientes/fornecedores, mudanças frequentes de escopo sem análise prévia e a subutilização do software por baixa qualificação configuram ameaças que podem comprometer os ganhos obtidos, caso não sejam tratadas de forma estruturada. A gestão proativa dessas ameaças é crucial para garantir que as oportunidades sejam plenamente exploradas e que os riscos sejam mitigados.

De maneira geral, a análise SWOT indica que a organização se encontra em estágio intermediário de maturidade, com bases técnicas consolidadas e amplo potencial de evolução, dependendo principalmente do fortalecimento da integração, da capacitação das equipes e da institucionalização de rotinas de governança. O enfrentamento dessas dimensões tende a transformar o cronograma em instrumento estratégico de tomada de decisão, ampliando a eficiência e a competitividade dos projetos industriais. A maturidade, portanto, não é um destino, mas uma jornada contínua de aprimoramento e adaptação às novas realidades do ambiente de projetos.

A aplicação do modelo de maturidade organizacional adaptado do OPM3 permitiu avaliar de forma estruturada o estágio de desenvolvimento das práticas de gerenciamento de cronograma na organização, considerando dimensões relacionadas à padronização de processos, uso de ferramentas, monitoramento de desempenho, integração interfuncional e capacitação das equipes. A análise evidenciou que as atividades associadas ao planejamento apresentam elevado grau de formalização, com utilização consistente de Estrutura Analítica do Projeto, definição clara e mensurável das tarefas e identificação sistemática das dependências lógicas. Esses aspectos indicam a existência de processos institucionalizados e replicáveis, característicos do nível “Padronizado”, no qual a organização já opera com metodologia definida e práticas estáveis de planejamento.

Tabela 2. Avaliação de Maturidade da Gestão de Cronogramas (Aplicação adaptada do OPM3)

Dimensão OPM3 (Gerenciamento do Cronograma)

Evidências observadas no questionário

Situação identificada

Nível atingido

Padronização do planejamento

EAP bem definida (≈95–100%), atividades claras (100%), dependências estruturadas (94%)

Processo formal, metodologia consistente

3 – Padronizado

Estimativas e previsibilidade

Durações baseadas em dados históricos (94%)

Estimativas fundamentadas e realistas

3 – Padronizado

Uso de ferramentas institucionais

Adoção corporativa do MS Project, alta confiabilidade (100%), automação de cálculos

Sistema único e estruturado

4 – Gerenciado

Monitoramento do progresso

Acompanhamento sistemático (100%), atualização frequente, comparação planejado x realizado (100%)

Controle contínuo e disciplinado

4 – Gerenciado

Controle de desvios e replanejamento

Identificação rápida de variações (94%), planos de ação e reprogramações formais

Gestão preditiva e corretiva estruturada

4 – Gerenciado

Comunicação do cronograma

Visualização gráfica facilita entendimento (89%), cronograma usado em reuniões

Comunicação funcional, porém não homogênea

3 – Padronizado

Integração entre áreas

Principal fragilidade apontada (66,7%), dificuldades de interface engenharia-suprimentos-obra

Processos ainda fragmentados

2 – Repetível

Integração prazo-custo (físico-financeiro)

Parte dos respondentes neutros, integração parcial

Correlação ainda incipiente

3 – Padronizado

Capacitação e competências

Necessidade de treinamento, curva de aprendizagem do MS Project (44%)

Dependência de qualificação adicional

2 – Repetível

Lições aprendidas e melhoria contínua

Baixa menção a encerramento estruturado

Retroalimentação limitada

2 – Repetível

Fonte: Resultados originais da pesquisa

De maneira semelhante, as estimativas de duração fundamentadas em dados históricos e experiências anteriores reforçam a previsibilidade do cronograma e reduzem a variabilidade dos prazos, consolidando um ambiente de maior confiabilidade técnica. Observa-se ainda que o uso corporativo do Microsoft Project como ferramenta oficial promoveu ganhos relevantes de automação, rastreabilidade e integração das informações, permitindo cálculos automáticos, identificação do caminho crítico e comparação estruturada entre o planejamento e a execução. Tais evidências aproximam essas dimensões do nível “Gerenciado”, no qual decisões passam a ser baseadas em métricas, indicadores e análises de desempenho contínuas. A transição para o nível Gerenciado representa um salto qualitativo na capacidade da organização de gerenciar seus projetos, passando de uma abordagem reativa para uma proativa e baseada em dados.

No que se refere ao acompanhamento do progresso, os resultados demonstraram elevado nível de disciplina gerencial, com atualização sistemática do cronograma, controle frequente do avanço físico e identificação tempestiva de desvios. O registro formal das revisões e a realização de replanejamentos estruturados indicam capacidade de resposta organizada às variações de prazo, configurando características típicas de controle preditivo. Esse conjunto de práticas revela que a organização já superou um estágio meramente operacional, passando a utilizar o cronograma como instrumento ativo de governança e suporte à tomada de decisão. O controle preditivo é um sinal de alta maturidade, permitindo que a organização antecipe problemas e tome medidas corretivas antes que eles impactem significativamente o projeto.

Por outro lado, algumas dimensões apresentaram desempenho inferior, especialmente aquelas relacionadas à integração entre áreas, capacitação técnica e retroalimentação do conhecimento. A percepção de fragilidades na coordenação entre engenharia, suprimentos e execução sugere que a troca de informações ainda ocorre de maneira parcialmente fragmentada, limitando a sincronia das atividades. Adicionalmente, a necessidade recorrente de treinamentos e a curva de aprendizagem associada ao uso do software indicam que as competências individuais ainda não estão plenamente consolidadas, situando essas dimensões em níveis mais próximos ao estágio “Repetível”. Observa-se também menor formalização do processo de lições aprendidas, o que restringe a incorporação sistemática de melhorias contínuas. Essas dimensões representam as principais barreiras para a organização alcançar níveis mais elevados de maturidade, exigindo um foco estratégico em melhorias.

De forma consolidada, o diagnóstico de maturidade evidencia que a organização apresenta estágio predominantemente padronizado, em transição consistente para o nível Gerenciado, caracterizado pela existência de processos formais de planejamento, uso institucional de ferramenta especializada, acompanhamento sistemático do progresso, comparação estruturada entre previsto e realizado e controle disciplinado de desvios de prazo. Tais práticas demonstram que o gerenciamento do cronograma já ultrapassou uma abordagem operacional e reativa, assumindo papel estratégico no suporte à tomada de decisão e na governança dos projetos. A maturidade padronizada é um bom ponto de partida, mas a transição para o nível gerenciado exige um esforço contínuo em integração e capacitação.

Limitações relacionadas à integração interfuncional, à capacitação contínua das equipes, à consolidação do controle físico-financeiro e à institucionalização de mecanismos de melhoria contínua ainda restringem a evolução para níveis mais avançados de maturidade. Nesse contexto, conclui-se que a organização dispõe de bases técnicas sólidas e ambiente favorável para progressão, dependendo principalmente do fortalecimento da coordenação entre áreas, do desenvolvimento de competências e da padronização de rotinas gerenciais para alcançar um estágio plenamente gerenciado e orientado à otimização do desempenho em projetos industriais. A jornada para a otimização exige um compromisso contínuo com a melhoria e a adaptação, transformando os desafios atuais em oportunidades de crescimento.

Com base nas fragilidades identificadas, foi elaborada uma proposta de intervenção utilizando a ferramenta 5W2H, com o objetivo de traduzir os achados do diagnóstico em ações práticas de melhoria para a gestão de cronogramas. As ações prioritárias se concentram no fortalecimento da integração entre áreas, na formalização da comunicação das mudanças de prazo, na capacitação das equipes para uso adequado do Microsoft Project e na integração entre o controle de prazos e custos. Além disso, destacaram-se iniciativas voltadas à padronização da EAP, à implantação de rotinas sistemáticas de atualização do cronograma e à institucionalização de práticas de lições aprendidas. Essas propostas, de baixo a médio custo, possuem elevado potencial de impacto na previsibilidade, na qualidade das informações e na governança do tempo, contribuindo para a evolução da maturidade organizacional e para o aprimoramento do desempenho dos projetos industriais. A implementação dessas ações pode transformar a gestão de cronogramas da organização, elevando-a a um novo patamar de eficiência e eficácia.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao avaliar o nível de maturidade da gestão de cronogramas em projetos industriais e analisar os impactos da adoção do Microsoft Project. Os resultados demonstraram que a organização se encontra em um estágio predominantemente padronizado, em transição consistente para o nível gerenciado. Evidenciou-se a existência de processos formais de planejamento, com Estrutura Analítica do Projeto bem definida, atividades claras e estimativas baseadas em dados históricos. A adoção do Microsoft Project contribuiu significativamente para a automação, rastreabilidade e confiabilidade do planejamento e controle, facilitando a identificação do caminho crítico e a análise de desvios. O monitoramento sistemático do progresso e a formalização das revisões também foram pontos fortes identificados.

Contudo, o estudo apresentou limitações importantes, como a amostra restrita a profissionais de uma única organização, o que pode influenciar a generalização dos achados. Além disso, a dependência de dados autorrelatados e o recorte temporal da pesquisa, que não capturou os efeitos de longo prazo da consolidação do software, podem introduzir vieses. Para estudos futuros, recomenda-se ampliar a amostra para múltiplos projetos e organizações, incorporar indicadores objetivos de desempenho, como variação real de prazo e impactos financeiros, e realizar análises longitudinais. Sugere-se também investigar a integração entre cronograma, custos e recursos, e o papel de estruturas de governança, como PMOs, na consolidação de práticas avançadas de planejamento e controle em projetos industriais.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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