Artigo

27 de julho de 2026

LabPlanner: Aplicação Web Escalável que Democratiza o Planejamento Experimental com Microserviços

Daniella Lopez Vale; Daniele Aparecida Cicillini Pimenta

DOI: 10.22167/2675-6528-202600700

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Desenvolveu-se o LabPlanner, uma aplicação web para planejamento experimental baseada em arquitetura híbrida com microserviços. O sistema integrou o Design of Experiments (DOE) a tecnologias modernas de engenharia de software, sendo implementado em Python e implantado em ambiente de nuvem. O objetivo foi oferecer uma alternativa acessível, escalável e eficiente para planejamento experimental, democratizando o acesso a ferramentas estatísticas e alinhando-se às práticas contemporâneas de engenharia de software e computação em nuvem. A metodologia envolveu o desenvolvimento da aplicação com orquestração em contêineres e implantação no Google Cloud Run, com o auxílio de inteligência artificial generativa. A validação ocorreu por meio de testes automatizados e comparação com o software Chemoface. Os resultados demonstraram a geração correta de matrizes experimentais e equivalência estatística com ferramentas consolidadas, além de funcionalidades de análise estatística como regressão e ANOVA. A aplicação sustentou até 100 usuários virtuais simultâneos sem falhas, processando aproximadamente 19 mil requisições com taxa média de 159,51 requisições por segundo e baixa latência. Concluiu-se que o LabPlanner representa uma contribuição relevante para a democratização do planejamento experimental, unindo rigor científico e desenvolvimento tecnológico em uma solução prática e escalável, com potencial transformador no contexto da Indústria 5.0.

Palavras-chave: APIs REST; Arquitetura Cloud-Native; Computação em Nuvem; Design of Experiments; Microserviços.

1. Introdução

O Planejamento de Experimentos (DOE) é uma abordagem estatística crucial para investigar a influência de variáveis sobre respostas de interesse, sendo amplamente empregado na otimização de processos em diversos setores. Diferentemente da variação de um fator por vez, o DOE permite a investigação simultânea de efeitos principais, interações e superfícies de resposta. Essa capacidade proporciona maior eficiência experimental, reduz custos e aumenta a robustez analítica dos estudos. A metodologia permanece central em aplicações acadêmicas e industriais, abrangendo planejamentos fatoriais, compostos centrais e Box-Behnken (Montgomery, 2017; Box et al., 2005; Lamidi et al., 2024).

A aplicação prática do DOE, contudo, depende de ferramentas computacionais adequadas. Historicamente, softwares estatísticos e quimiométricos especializados têm sido essenciais para gerar matrizes experimentais, ajustar modelos matemáticos e interpretar resultados. O Chemoface, por exemplo, é uma ferramenta gratuita e amplamente utilizada, mas sua instalação local e dependência de ambiente específico limitam o acesso. Por outro lado, plataformas proprietárias como o Statistica, embora robustas, impõem restrições de licenciamento e instalação, dificultando o uso em contextos acadêmicos com orçamentos limitados (Duraković, 2017).

Esse cenário evidencia uma lacuna: a falta de ferramentas robustas para planejamento e análise experimental que conciliem gratuidade, acesso via navegador, facilidade de manutenção, portabilidade e escalabilidade. Essa limitação é crítica no ambiente acadêmico, onde a diversidade de equipamentos e a necessidade de soluções sem instalação local são frequentes. Aplicações web científicas surgem como alternativa promissora, pois eliminam a necessidade de instalação, permitem atualizações centralizadas e ampliam o alcance das ferramentas, facilitando a colaboração (Prlić e Procter, 2012; Dudley & Butte, 2010; Armbrust et al., 2010; Grossman, 2018).

O desenvolvimento de aplicações web científicas modernas demanda a incorporação de princípios de engenharia de software como modularidade, portabilidade e escalabilidade. Arquiteturas baseadas em microserviços favorecem o isolamento funcional e a escalabilidade independente, e arquiteturas híbridas oferecem um equilíbrio para aplicações científicas. Os princípios da arquitetura dos doze fatores também são importantes para sistemas escaláveis e portáteis (Wiggins, 2012). Além disso, práticas como Test-Driven Development (TDD) e Integração Contínua/Entrega Contínua (CI/CD) garantem qualidade e evolução contínua (Shahin et al., 2017).

No contexto de infraestrutura, o uso de contêineres (Docker) com plataformas “serverless”, como o Google Cloud Run, tem se mostrado eficiente para implantação de aplicações escaláveis. Contêineres garantem portabilidade e isolamento, enquanto o modelo “serverless” oferece execução sob demanda e escalabilidade automática, simplificando a gestão de infraestrutura e otimizando custos (Burns e Borenstein, 2021). Paralelamente, a inteligência artificial generativa (GenAI) tem crescido como apoio ao desenvolvimento de software, acelerando tarefas, reduzindo repetições e permitindo foco em arquitetura e inovação (Jackson et al., 2024).

Nesse contexto, o desenvolvimento de uma aplicação web gratuita para planejamento de experimentos representa uma contribuição significativa para a democratização do acesso a métodos estatísticos avançados. Assim, o objetivo deste trabalho foi desenvolver e avaliar o LabPlanner, uma aplicação web com arquitetura escalável baseada em microserviços, para planejamento experimental, capaz de gerar planejamentos com execução em contêineres e implantação em nuvem, oferecendo uma alternativa acessível, escalável e cientificamente robusta às soluções existentes, integrando estatística experimental, ciência de dados e engenharia de software contemporânea.

2. Material e Métodos

O presente trabalho consistiu no desenvolvimento, implementação e validação de uma aplicação web para planejamento experimental, denominada LabPlanner. O estudo foi conduzido integralmente em ambiente computacional, caracterizando-se como um desenvolvimento tecnológico aplicado, sem a realização de experimentos laboratoriais. A aplicação foi implementada utilizando a linguagem de programação Python, com o objetivo de oferecer uma alternativa acessível e escalável para planejamento experimental.

A arquitetura do sistema foi projetada de forma híbrida, combinando características de sistemas monolíticos e microsserviços para equilibrar simplicidade estrutural e escalabilidade. A organização lógica e física do LabPlanner foi estruturada em três camadas principais: o “frontend” (interface do usuário), o “backend” (orquestrador de serviços) e um microserviço dedicado ao planejamento experimental, denominado DOE Service. Essa abordagem modular foi inspirada no padrão Model-View-Controller (MVC) simplificado, visando clareza e separação de responsabilidades.

O “backend” e o DOE Service foram desenvolvidos utilizando o framework FastAPI, que possibilitou a construção de APIs REST de alto desempenho. Essa escolha garantiu interoperabilidade, facilidade de integração, alta performance, suporte nativo à tipagem de dados e geração automática de documentação. Os modelos de dados ExperimentRequest e ExperimentResponse foram definidos com Pydantic, assegurando a validação das requisições e a padronização das respostas no formato JSON. A geração dos planejamentos experimentais foi realizada por meio da biblioteca pyDOE2, que implementa metodologias clássicas de planejamento (Montgomery, 2017), incluindo a codificação e transformação dos níveis dos fatores.

O “frontend” foi implementado utilizando a biblioteca Flet, com o propósito de fornecer uma interface visual simples, responsiva e de fácil utilização, sem a necessidade de instalação local. Essa abordagem permitiu a construção de aplicações web reativas diretamente em Python, abstraindo a necessidade de uso explícito de HTML, CSS e JavaScript. O “frontend” manteve exclusivamente a lógica de apresentação, delegando toda a lógica de negócio e processamento estatístico ao “backend” e ao microserviço de planejamento.

O fluxo principal da aplicação iniciou-se com a entrada de parâmetros experimentais pelo usuário no “frontend”, como número de fatores, níveis mínimo e máximo, número de replicatas e pontos centrais. Esses dados foram enviados ao “backend” via requisição POST, onde foram validados e estruturados antes de serem encaminhados ao DOE Service. O DOE Service processou as informações, gerou a matriz experimental correspondente e retornou os resultados ao “backend”, que os organizou, armazenou e disponibilizou ao usuário.

Os dados gerados pela aplicação, incluindo parâmetros de entrada, a matriz experimental e metadados, foram armazenados em formato JSON. Em ambiente local, os dados foram persistidos em diretórios internos da aplicação. Para o ambiente de produção, utilizou-se um serviço de armazenamento em nuvem (Cloud Storage), montado como volume no sistema de arquivos da aplicação durante a execução, para contornar as limitações de persistência de dados em ambientes “serverless”.

Para garantir portabilidade, isolamento de dependências e reprodutibilidade, cada componente do sistema foi empacotado em um contêiner Docker independente. Foram desenvolvidos três arquivos Dockerfile distintos para o “frontend”, “backend” e “DOE Service”, todos baseados na imagem oficial `python:3.11-slim`. A execução integrada dos serviços em ambiente local foi realizada por meio do Docker Compose, que definiu as dependências e a comunicação entre os componentes. O “deploy” da aplicação em ambiente de nuvem foi realizado utilizando o serviço Google Cloud Run, permitindo a execução escalável e sob demanda.

O desenvolvimento do sistema foi assistido por inteligência artificial generativa, utilizando ferramentas como o ChatGPT como apoio cognitivo ao programador, visando maior agilidade, precisão e foco na arquitetura do sistema. Adicionalmente, práticas modernas de engenharia de software, como Test-Driven Development (TDD) e pipelines de Integração Contínua e Entrega Contínua (CI/CD), foram adotadas para garantir a qualidade, confiabilidade e evolução contínua do software.

Os testes do sistema foram conduzidos em duas etapas complementares: em ambiente local, utilizando Docker Compose, e em ambiente de produção, após a implantação na nuvem. Na fase local, avaliaram-se funcionalidades como criação de experimentos, geração de matrizes fatoriais, comunicação entre serviços e persistência de dados. Na fase de produção, focou-se na validação do comportamento do sistema em condições reais de uso, incluindo latência de resposta e consistência dos dados. Testes de integração verificaram o fluxo completo da aplicação, desde a entrada de dados até o armazenamento dos experimentos, e problemas identificados foram corrigidos por meio de ajustes na serialização e tratamento das respostas da API.

A validação da implementação do planejamento experimental foi realizada por meio da comparação com o software Chemoface (versão 1.74), utilizando a técnica de planejamentos fatoriais completos com 2 fatores e 3 replicatas do ponto central. Analisaram-se o número de ensaios, a combinação de níveis e a consistência das matrizes experimentais geradas. O desempenho do sistema foi avaliado pela medição do tempo de resposta da API `/doe/generate` (FastAPI). Realizaram-se 5 requisições de aquecimento e 30 requisições consecutivas, registrando o tempo em milissegundos com a função `perf_counter()` da linguagem Python. As métricas calculadas incluíram tempo médio, mediana, valores mínimo e máximo, além dos percentis P95 e P99. O payload para esses testes foi um planejamento fatorial completo do tipo 2^3, com três fatores, dois pontos centrais e uma replicata.

A escalabilidade do LabPlanner foi avaliada por meio de testes de carga com a ferramenta k6, utilizando a rota `/doe/generate`. O ensaio foi realizado com aumento progressivo de concorrência em quatro estágios de 30 segundos cada, correspondentes a 10, 50, 100 e 0 usuários virtuais. O payload empregado correspondeu a um planejamento fatorial completo do tipo 2^3, com dois pontos centrais e uma replicata. Coletaram-se métricas de número total de requisições, requisições por segundo (throughput), duração das requisições HTTP e taxa de falhas. Os dados foram exportados em formato CSV e posteriormente analisados em Python, utilizando as bibliotecas pandas e matplotlib para geração de gráficos de latência e throughput ao longo do tempo.

O desenvolvimento do sistema utilizou Python 3.12, com suporte das bibliotecas FastAPI, Flet, pyDOE2, numpy, scipy, matplotlib e httpx. As ferramentas de desenvolvimento incluíram Visual Studio Code (versão 1.105.1), Docker Desktop (versão 28.3.2) e Google Cloud SDK (versão 546.0.0). Dessa forma, o método adotado neste trabalho combinou fundamentos estatísticos consolidados com práticas modernas de engenharia de software, incluindo modularidade, contêinerização e computação em nuvem, resultando em uma aplicação web reprodutível, escalável e acessível para planejamento experimental.

3. Resultados e Discussão

O LabPlanner foi desenvolvido e implementado com sucesso como uma aplicação web funcional, dedicada ao planejamento experimental, que permite a criação, armazenamento e manipulação de experimentos por meio de uma interface acessível via navegador. A aplicação demonstrou capacidade de operar eficientemente tanto em ambiente local quanto em produção na nuvem, mantendo a consistência funcional e a integridade dos dados ao longo de todo o fluxo de utilização. Essa dualidade de operação ressalta a versatilidade e a robustez da solução proposta, alinhando-se às necessidades de pesquisadores e profissionais que buscam flexibilidade no acesso a ferramentas científicas (Prlić e Procter, 2012; Dudley & Butte, 2010).

O processo de desenvolvimento e implantação do LabPlanner evidenciou a viabilidade de empregar tecnologias de código aberto e infraestrutura “serverless” na construção de aplicações científicas modulares e escaláveis. A escolha do framework FastAPI para o “backend” e da biblioteca Flet para o “frontend” simplificou significativamente o ciclo de desenvolvimento, promovendo agilidade e eficiência. A utilização do Google Cloud Run eliminou a necessidade de gerenciamento manual de servidores, reduzindo custos operacionais e a complexidade de manutenção, conforme destacado por Burns e Borenstein (2021). O sistema atingiu o estágio de Produto Mínimo Viável (MVP), apresentando funcionamento completo das principais rotas e integração plena entre os módulos, o que estabelece uma base sólida para futuras expansões.

A arquitetura do LabPlanner foi concebida com base em microserviços, combinada a um núcleo de orquestração no “backend”, visando garantir isolamento funcional, escalabilidade independente e facilidade de manutenção. Essa abordagem mostrou-se particularmente adequada para o contexto da aplicação, permitindo uma modularização clara das responsabilidades e facilitando a adoção de práticas modernas de engenharia de software, como integração contínua e desenvolvimento orientado a testes (Shahin et al., 2017). Os testes automatizados realizados durante o desenvolvimento, que incluíram testes unitários e de ponta a ponta, foram executados com sucesso, confirmando a robustez da implementação e a consistência entre os diferentes módulos do sistema.

A interação com o usuário foi projetada para ser intuitiva, permitindo a criação de experimentos de forma simplificada. A interface do sistema possibilita a inserção de parâmetros essenciais, como o número de fatores, os níveis mínimo e máximo para cada fator, o número de replicatas e o número de pontos centrais. Essa organização dos campos e a simplicidade visual da interface, que foi um foco da implementação de UX, facilitam a configuração de diversos tipos de planejamento experimental, tornando a ferramenta acessível mesmo para usuários com menor familiaridade com softwares estatísticos complexos.

Após a inserção dos parâmetros experimentais, o sistema realiza automaticamente a geração da matriz experimental com base nos princípios clássicos do planejamento selecionado, conforme descrito por Montgomery (2017). Os resultados obtidos demonstraram que o LabPlanner é capaz de gerar corretamente o número de ensaios e a combinação completa dos níveis dos fatores. Essa consistência foi verificada por comparação com valores teóricos da literatura, confirmando a correta implementação do algoritmo de geração do planejamento experimental. Um exemplo de experimento gerado pelo sistema revelou a estrutura dos dados armazenados, incluindo os fatores definidos, os níveis reais e a matriz experimental correspondente, evidenciando a precisão da geração da matriz de experimentos.

A persistência dos dados foi validada tanto em ambiente local quanto em ambiente de produção, utilizando armazenamento em nuvem. Observou-se que os experimentos criados permaneceram disponíveis após múltiplas execuções da aplicação, demonstrando que a estratégia de utilização de armazenamento externo foi eficaz para contornar a natureza efêmera de ambientes “serverless”. Esse aspecto representa um diferencial relevante em relação a aplicações baseadas exclusivamente em armazenamento local, nas quais a persistência depende diretamente do ambiente do usuário, conferindo maior confiabilidade e disponibilidade aos dados científicos.

Durante os testes em produção, verificou-se a correta integração entre o “frontend” e o “backend”, com comunicação realizada via API REST. O sistema respondeu adequadamente às requisições de criação e recuperação de experimentos, apresentando tempos de resposta compatíveis com aplicações web leves. Eventuais inconsistências iniciais no formato de retorno da API foram identificadas e corrigidas, evidenciando a importância de testes de integração em sistemas distribuídos e reforçando a necessidade de padronização rigorosa na comunicação entre serviços, um pilar para a robustez de sistemas distribuídos (Wiggins, 2012).

As funcionalidades implementadas permitem ao usuário criar experimentos DOE, cadastrar respostas experimentais, executar análise de regressão, visualizar a tabela de coeficientes, a tabela ANOVA, gráficos de Pareto, superfícies de resposta e gráficos de contorno. Essas funcionalidades demonstram que o LabPlanner já oferece um conjunto significativo de ferramentas analíticas integradas, ampliando sua aplicabilidade prática. A separação entre “frontend” e “backend” mostrou-se eficiente, permitindo atualização independente dos componentes e facilitando a manutenção do sistema, características essenciais para a evolução contínua do software científico.

Quando comparado a ferramentas existentes, como o Chemoface e o Statistica, o LabPlanner apresenta vantagens importantes. O Chemoface, embora gratuito, requer instalação local e depende do ambiente do usuário, o que pode gerar limitações de compatibilidade e manutenção. Já o Statistica é um software proprietário que exige licença e instalação, restringindo seu uso em contextos acadêmicos com limitações orçamentárias (Duraković, 2017). Nesse cenário, o LabPlanner se destaca por ser uma solução gratuita, acessível via navegador e independente de instalação, proporcionando maior portabilidade e facilidade de uso, além de permitir atualizações centralizadas sem necessidade de intervenção do usuário.

As diferenças observadas entre o LabPlanner e o Chemoface decorrem, em parte, da forma de apresentação dos resultados. Enquanto o Chemoface exibe efeitos fatoriais e seus testes individuais de significância, o LabPlanner apresenta os coeficientes do modelo de regressão e a ANOVA global. Em planejamentos fatoriais 2k, os efeitos correspondem ao dobro dos coeficientes estimados, de modo que os resultados obtidos são estatisticamente equivalentes, ainda que expressos em formatos distintos. Por exemplo, para um planejamento fatorial completo, o LabPlanner apresentou coeficientes de Intercepto (2.000000), X1 (0.500000), X2 (0.500000) e X1:X2 (0.000000), com uma tabela ANOVA indicando para a Regressão um SQ de 2.000000, gl de 3, QM de 0.666667, F de 100.000000 e p-valor de 0.001668. Essa análise confirma que o LabPlanner é capaz de reproduzir corretamente os resultados esperados de ferramentas consolidadas, validando sua precisão matemática e consistência estatística.

Os resultados obtidos para o tempo de resposta da API responsável pela geração de planejamentos experimentais revelaram um desempenho robusto. O sistema apresentou um tempo médio de resposta de 16,22 ms, com mediana de 13,24 ms, indicando baixa latência na maioria das requisições. O tempo mínimo observado foi de 10,56 ms, enquanto o valor máximo atingiu 70,81 ms, sendo este associado à primeira requisição após o período de aquecimento, caracterizando um comportamento típico de inicialização. A análise dos percentis indicou que 95% das requisições foram concluídas em até 25,14 ms, e 99% em até 58,30 ms, evidenciando alta estabilidade do sistema sob condições controladas.

Esses resultados demonstram que o LabPlanner apresenta desempenho adequado para aplicações interativas, com respostas rápidas e consistentes, compatíveis com sistemas modernos baseados em arquitetura web. A baixa latência e alta consistência, com distribuição de tempos concentrada em valores inferiores a 30 ms, evidenciam a eficiência computacional da arquitetura proposta. O desempenho observado é compatível com aplicações web modernas baseadas em microsserviços, demonstrando que a adoção de arquitetura híbrida e execução em contêineres não compromete a eficiência do processamento estatístico, mas, ao contrário, a otimiza.

Nos testes de escalabilidade, o LabPlanner sustentou até 100 usuários virtuais simultâneos sem ocorrência de falhas, apresentando uma taxa de erro de 0,00%. Ao longo do ensaio, foram processadas 19.142 requisições, correspondendo a uma taxa média de 159,51 requisições por segundo. A latência média observada sob carga foi de 250,60 ms, com mediana de 207,20 ms e percentil 95 de 606,31 ms. Embora tenha sido observado um aumento do tempo de resposta em comparação aos testes sem carga, o sistema manteve estabilidade operacional e ausência de erros, evidenciando capacidade de processamento adequada sob condições de concorrência moderada.

A comparação quantitativa entre os cenários sem carga e sob carga revelou um aumento da latência média de 16,22 ms para 247,92 ms, correspondendo a um crescimento de aproximadamente 1429%. Para o percentil 95, o aumento foi ainda mais significativo, atingindo 2193%. Apesar desse crescimento, a taxa de erro permaneceu nula e o sistema sustentou aproximadamente 161 requisições por segundo, evidenciando capacidade de processamento sob condições concorrentes. A variação da latência média ao longo do tempo mostrou um aumento progressivo à medida que o número de usuários virtuais cresce, atingindo valores máximos próximos de 600 ms, um comportamento esperado em sistemas sob carga concorrente devido ao compartilhamento de recursos computacionais. Após a redução da carga, a latência retornou a valores mais baixos, indicando recuperação do sistema.

O comportamento do throughput durante o teste de carga demonstrou a manutenção de um elevado número de requisições por intervalo, com oscilações típicas de sistemas concorrentes, sem evidência de colapso ou degradação crítica do desempenho. Esses resultados indicaram que a arquitetura proposta apresentou comportamento escalável e robusto para geração de planejamentos experimentais em ambiente web, sustentando múltiplas requisições simultâneas com desempenho consistente. Contudo, o sistema pode apresentar limitações quanto à escalabilidade em cenários acima de 100 usuários, pois estes não foram testados, e a escalabilidade elástica do Google Cloud Run pode acarretar cobranças caso a demanda exceda o limite do plano gratuito.

Outro aspecto relevante observado foi a integração entre conceitos clássicos de planejamento experimental e práticas modernas de engenharia de software. Diferentemente de ferramentas tradicionais, o LabPlanner foi concebido desde sua origem para operar em ambiente distribuído, com separação de responsabilidades, uso de APIs e armazenamento em nuvem. Essa abordagem aproxima o software científico das práticas contemporâneas de desenvolvimento tecnológico, ampliando seu potencial de escalabilidade e manutenção. Durante o processo de desenvolvimento, diversas etapas técnicas foram superadas, incluindo a definição da arquitetura do sistema, modularização do código e implantação em ambiente de nuvem utilizando o Google Cloud Run, com empacotamento em contêineres Docker e uso do Artifact Registry para versionamento das imagens.

Um diferencial metodológico importante deste trabalho foi a adoção de uma abordagem baseada em inteligência artificial generativa durante o desenvolvimento do sistema, utilizando o ChatGPT no contexto do paradigma denominado desenvolvimento assistido por inteligência artificial generativa. Nesse modelo, o desenvolvimento ocorre por meio de ciclos iterativos de interação entre o programador e o modelo de linguagem, no qual a IA auxilia na geração, refatoração e documentação do código, enquanto o desenvolvedor atua como curador técnico, validando as soluções e garantindo aderência aos princípios arquiteturais (Jackson et al., 2024). Essa abordagem permitiu reduzir o tempo dedicado a tarefas repetitivas, aumentar a consistência do código e acelerar o processo de desenvolvimento, especialmente em etapas de depuração, containerização e integração com a nuvem.

A adoção do estilo de desenvolvimento assistido por inteligência artificial generativa está alinhada aos princípios da Indústria 5.0, que enfatiza a colaboração entre seres humanos e tecnologias inteligentes. Diferentemente da Indústria 4.0, focada na automação, a Indústria 5.0 valoriza a criatividade, a personalização, a sustentabilidade e a inteligência aumentada. Nesse contexto, o LabPlanner pode ser compreendido como um produto dessa nova abordagem, no qual o desenvolvimento não é exclusivamente humano nem totalmente automatizado, mas resultado de uma interação entre humano e máquina. Essa integração representa um avanço não apenas tecnológico, mas também epistemológico na forma de desenvolver soluções digitais para a ciência.

Além disso, o LabPlanner se alinha com diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, especialmente no que se refere à otimização de recursos experimentais, digitalização de processos científicos e democratização do acesso a ferramentas analíticas. A utilização de tecnologias abertas, computação em nuvem e inteligência artificial contribui para a sustentabilidade digital e para a ampliação do acesso ao conhecimento científico. Os resultados obtidos demonstram que é possível implementar, de forma eficiente, uma ferramenta web para planejamento experimental baseada em métodos estatísticos consolidados, mantendo precisão matemática e ampliando o acesso à técnica.

Em síntese, o LabPlanner representa uma contribuição relevante para a democratização do acesso ao planejamento experimental, ao disponibilizar uma ferramenta gratuita, acessível e baseada em tecnologias modernas. O trabalho demonstra que é possível unir rigor científico e desenvolvimento tecnológico em uma solução prática e escalável, abrindo caminho para futuras extensões e aplicações em diferentes áreas do conhecimento. O sistema desenvolvido atende aos objetivos propostos, sendo capaz de gerar corretamente matrizes experimentais baseadas em metodologias clássicas, com consistência em relação aos valores teóricos descritos na literatura, e incorporou funcionalidades analíticas relevantes, permitindo não apenas a construção dos planejamentos experimentais, mas também a interpretação dos resultados de forma integrada.

4. Conclusão

O presente trabalho teve como objetivo desenvolver e avaliar o LabPlanner, uma aplicação web com arquitetura escalável baseada em microserviços, para planejamento experimental. Verificou-se que o sistema é capaz de gerar corretamente matrizes experimentais, com consistência em relação aos valores teóricos e equivalência estatística com ferramentas consolidadas como o Chemoface. Identificou-se que a aplicação oferece funcionalidades analíticas integradas, incluindo regressão e ANOVA, e demonstrou robustez de desempenho, com baixa latência média de 16,22 ms e capacidade de sustentar até 100 usuários virtuais simultâneos sem falhas, processando aproximadamente 19 mil requisições. A arquitetura híbrida com microserviços e a implantação em nuvem, aliadas ao desenvolvimento assistido por inteligência artificial generativa, permitiram uma solução acessível, escalável e de fácil manutenção, contribuindo significativamente para a democratização do acesso a métodos estatísticos avançados e alinhando-se aos princípios da Indústria 5.0.

Apesar dos avanços, observou-se que o sistema pode apresentar limitações quanto à escalabilidade em cenários acima de 100 usuários, visto que estes não foram testados, e a escalabilidade elástica do Google Cloud Run pode gerar custos adicionais caso a demanda exceda o limite do plano gratuito. Para estudos futuros, sugere-se a implementação de novos tipos de planejamentos experimentais, a ampliação das capacidades gráficas, a inclusão de recursos avançados de análise estatística e a integração com bancos de dados estruturados para conferir maior robustez e escalabilidade à plataforma. Conclui-se que o LabPlanner representa uma solução prática e escalável que une rigor científico e desenvolvimento tecnológico, com potencial para futuras extensões em diversas áreas do conhecimento.

Referências Bibliográficas

Armbrust, M.; Fox, A.; Griffith, R. Joseph D. A.; Katz, R.; Konwinsji, A.; Lee, G.; Patterson, D.; Rabkin, A.; Stoica, I. Zaharia, M. 2010. A view of cloud computing. Communications of the ACM. 53 (4): 50–58.

Box, G. E. P.; Hunter, W. G.; Hunter, J. S. 2005. Statistics for experimenters: design, innovation, and discovery. 2. ed. Wiley. New York, EUA.

Burns, B.; Borenstein, N. 2021. Designing distributed systems: patterns and paradigms for scalable, reliable services. 2. ed. O’Reilly Media. Sebastopol, Russia.

Dudley, J. T.; Butte, A. J. 2010. In silico research in the era of cloud computing. Nature Biotechnology. 28 (11): 1181-1185.

Duraković, B. 2017. Design of experiments application, concepts, examples: State of the art. Periodicals of Engineering and Natural Sciences. 5 (3): 421–439.

Grossman, R. L. 2018. A framework for the analysis of data in the cloud. IEEE Computer. 51 (9): 15-23.

Jackson, V. et al. Creativity, generative Al, and software development: a research agenda. 2024. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2406.01966. Acesso em: 1 set. 2025.

Lamidi, S. et al. 2024. Design of experiments (DOE): applications and benefits in quality control and assurance. In: INTECHOPEN. Design of experiments – advances and applications. IntechOpen. London, Inglaterra.

Montgomery, D. C. 2017. Design and analysis of experiments. 9. ed. New York: Wiley.

Prlić, A.; Procter, J. B. 2012. Ten simple rules for the open development of scientific software. PLoS Computational Biology. 8 (12): e1002802.

Shahin, M.; Bakhshi, A.; ALI, N. Continuous integration, delivery and deployment: a systematic review on approaches, tools, challenges and practices. IEEE Access, v. 5, p. 3909-3943, 2017.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Engenharia de Software do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade