Artigo

23 de julho de 2026

Investidores em Criptomoedas: Motivações, Risco e Retorno sobre análise Quantitativa e Qualitativa.

Cassia Mizue Machado Nishizawa; Angélica Gasparotto

DOI: 10.22167/2675-6528-202600653

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O crescente mercado de criptoativos, que atingiu capitalização global de US$ 3,5 trilhões em 2024, impulsionou a investigação sobre as motivações e percepções de seus investidores. O estudo objetivou compreender os fatores econômicos e comportamentais que influenciam a decisão de investir em criptomoedas. Para isso, aplicou-se uma pesquisa exploratória de abordagem mista, quantitativa e qualitativa, por meio de questionário estruturado entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Obtiveram-se 74 respostas válidas, sendo 67 de investidores ativos e 7 de não-investidores. Identificou-se um perfil de jovem adulto, com formação superior, que alocou até 20% do patrimônio em ativos como Bitcoin (91%) e Ethereum (61,2%). As motivações para investir transcenderam a rentabilidade e incluíram diversificação, interesse tecnológico e desconfiança no sistema financeiro tradicional. A falta de conhecimento emergiu como principal barreira para não-investidores. Notavelmente, 85,1% dos respondentes afirmaram que manteriam ou aumentariam suas posições diante de uma desvalorização hipotética de 30%, e 73,1% esperavam ganhos anuais acima de 30%. Os resultados revelaram que as decisões de investimento incorporaram dimensões ideológicas, tecnológicas e sociais. Concluiu-se que o perfil do investidor desafia estereótipos, equilibrando a busca por rentabilidade com a valorização da autonomia financeira e a resiliência à volatilidade.

Palavras-chave: Autonomia financeira; Descentralização; Finanças comportamentais; Motivações de investimento; Percepção de risco.

1. Introdução

Nas últimas duas décadas, as tecnologias digitais promoveram uma transformação profunda nos mercados financeiros globais. Nesse cenário dinâmico, as criptomoedas surgiram como um dos fenômenos mais impactantes da economia contemporânea. Elas atraem um número crescente de investidores, especuladores e pesquisadores, todos em busca de uma compreensão mais aprofundada desse novo comportamento econômico.

Diferentemente das moedas fiduciárias, que são emitidas e controladas por governos e bancos centrais, as criptomoedas operam de forma descentralizada. Seu valor é determinado pela interação livre entre participantes globais, o que representa um modelo inovador de confiança monetária (Aragon, 2018).

O marco fundamental para este ecossistema foi estabelecido em 2008, com a publicação do artigo “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” por Satoshi Nakamoto. Este documento propôs um sistema revolucionário que permite transações diretas entre pares, eliminando a necessidade de bancos ou outros intermediários financeiros. A confiança institucional é substituída por provas criptográficas verificáveis, lançando as bases para um novo paradigma econômico. Este sistema é sustentado pela tecnologia blockchain, um livro-razão distribuído que assegura segurança, transparência e imutabilidade das operações (Nakamoto, 2008; Siedlarczyk et al., 2024).

Dezessete anos após sua concepção, a relevância econômica das criptomoedas é inegável. O mercado global de criptoativos não apenas experimentou um crescimento exponencial em valor, mas também registrou uma expansão contínua da base de usuários em países emergentes e desenvolvidos (Demandsage, 2025). Em 2024, a capitalização global desse mercado ultrapassou os 3,75 trilhões de dólares, com o Bitcoin respondendo por 57,8% desse montante (Coingecko, 2025; Coinmarketcap, 2025). Este valor é comparável ao Produto Interno Bruto da Alemanha, a quinta maior economia mundial.

No Brasil, esse movimento reflete uma mudança notável no comportamento do investidor. Tradicionalmente focado em renda fixa, o investidor brasileiro tem buscado alternativas com maior risco e potencial de retorno, como os criptoativos (Campos, 2022). Aproximadamente 16% da população brasileira já investiu em criptoativos, o que corresponde a cerca de 25 milhões de indivíduos (Chainalysis, 2024). Este percentual posiciona o Brasil entre os cinco maiores mercados de criptomoedas do mundo. As exchanges brasileiras movimentam um volume médio mensal de aproximadamente 25 bilhões de reais em negociações, sublinhando a magnitude do fenômeno nacional e a urgência de compreender os fatores psicológicos e comportamentais que impulsionam essa adesão.

Apesar de sua crescente adoção e relevância econômica, o mercado de criptomoedas difere significativamente dos investimentos convencionais. Caracteriza-se por volatilidade extrema, com oscilações de até 30% em dias não sendo incomuns, além da ausência de regulamentação consolidada e uma complexidade técnica intrínseca. Tais características são fortemente influenciadas por aspectos psicológicos e comportamentais dos investidores (Neto, 2024). Nesse ambiente, os investidores não se limitam a cálculos racionais de risco, mas navegam em incertezas radicais, constroem convicções em tempo real, aprendem em comunidades digitais e desenvolvem estratégias psicológicas para gerenciar a alta volatilidade.

A intenção de uso de criptomoedas, especialmente em economias emergentes, está intrinsecamente ligada à percepção de risco, ao nível de conhecimento financeiro e à confiança na tecnologia subjacente (Jaripayan et al., 2022). Para analisar essas dinâmicas, este estudo se apoia em três pilares teóricos consolidados. A Teoria da Perspectiva de Kahneman e Tversky (1979) oferece um arcabouço para entender como os investidores avaliam riscos e tomam decisões em cenários de incerteza. A literatura sobre literacia financeira de Lusardi e Mitchell (2014) auxilia na compreensão da relação entre o conhecimento autodeclarado e os padrões de investimento e percepção de risco. Adicionalmente, a teoria de Difusão de Inovações de Rogers (2003) fornece uma lente para examinar a adoção de tecnologias financeiras disruptivas, diferenciando entre adotantes iniciais e a maioria tardia. Esses referenciais teóricos são fundamentais para conectar os achados empíricos às finanças comportamentais e à economia da inovação.

Apesar da notável ascensão do setor de criptoativos, a literatura acadêmica tem priorizado predominantemente métricas econométricas e a infraestrutura tecnológica, frequentemente negligenciando os determinantes comportamentais que moldam as decisões dos investidores. Existe, portanto, uma lacuna persistente na compreensão das variáveis motivacionais e sociais que fundamentam a tomada de decisão e a resiliência dos investidores em períodos de alta instabilidade do mercado.

Este estudo busca preencher essa lacuna, contribuindo academicamente ao articular teorias estabelecidas de finanças comportamentais com a realidade empírica do mercado cripto. Além disso, visa oferecer insights práticos para investidores que navegam neste ecossistema complexo, para instituições financeiras que buscam compreender esse público emergente e para reguladores na formulação de políticas mais adequadas. Diante deste panorama, a questão central que norteia esta pesquisa é: o que motiva indivíduos a investir em criptomoedas? Assim, o objetivo deste estudo é compreender as motivações e percepções dos investidores em criptomoedas, integrando aspectos econômicos objetivos, como risco, retorno esperado e alocação patrimonial, com dimensões comportamentais subjetivas, incluindo confiança na tecnologia, expectativas sobre o futuro do mercado e resiliência à volatilidade.

2. Material e Métodos

Este estudo foi delineado com uma abordagem metodológica mista, combinando técnicas quantitativas e qualitativas para compreender as razões, expectativas e percepções que influenciam os indivíduos a investir em criptomoedas. A natureza da pesquisa foi exploratória e descritiva, buscando investigar um fenômeno ainda pouco sistematizado e identificar padrões iniciais de comportamento, conforme proposto por Gil (2019).

A abordagem quantitativa permitiu mensurar o perfil sociodemográfico dos respondentes, o grau de familiaridade com criptoativos e a frequência de uso. Adicionalmente, buscou-se identificar padrões de comportamento e preferências relacionados ao investimento. Em complemento, a abordagem qualitativa, de caráter exploratório, visou captar os aspectos subjetivos envolvidos no processo de decisão, como sentimentos, motivações pessoais e percepções de risco não visíveis em respostas fechadas.

A pesquisa contou com a participação de 74 respondentes, dos quais 67 (90,5%) eram investidores ativos em criptomoedas e 7 (9,5%) eram não-investidores. Os critérios de inclusão estabelecidos foram: indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos que já tivessem investido ou considerado investir em criptomoedas. A inclusão de não-investidores foi uma decisão metodológica intencional para identificar barreiras de entrada ao mercado.

A coleta de dados foi realizada no período de novembro de 2025 a janeiro de 2026, utilizando um questionário estruturado, aplicado de forma online por meio da ferramenta Google Forms. O link para o questionário foi compartilhado de maneira não probabilística, por amostragem por conveniência, via WhatsApp e redes sociais voltadas a finanças e criptomoedas.

O instrumento de coleta de dados continha 20 perguntas para investidores e 3 para não-investidores, incluindo questões fechadas e uma pergunta aberta para captar percepções e experiências individuais. As questões abordaram perfil sociodemográfico, motivações para investir, tempo de experiência, características valorizadas nos criptoativos, tipos de moedas digitais nos portfólios, percepção de risco, nível de conhecimento autodeclarado, fontes de informação, expectativas sobre o futuro e experiências vivenciadas. O questionário completo encontra-se disponível no Apêndice A deste trabalho.

Os dados quantitativos, provenientes das perguntas fechadas, foram organizados e analisados com o auxílio da ferramenta Google Planilhas. Realizou-se a geração de gráficos, tabelas e estatísticas descritivas, como frequência e percentual. A análise quantitativa focou na identificação de padrões demográficos, distribuições de respostas sobre motivações, percepções de risco, alocação patrimonial, frequência de operações, expectativas de retorno e preferências por diferentes criptomoedas.

A resposta obtida por meio da pergunta aberta foi analisada segundo os pressupostos da análise de conteúdo temática, conforme Bardin (2016). O objetivo foi identificar categorias recorrentes, interpretações subjetivas e padrões de pensamento entre os participantes, enriquecendo a compreensão dos dados quantitativos.

Em relação aos aspectos éticos, todos os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa por meio de um texto introdutório no questionário. A participação foi voluntária, anônima e confidencial, sem coleta de informações pessoais que permitissem a identificação dos respondentes. Não foi necessária submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, pois o estudo não envolveu intervenções, riscos à saúde ou coleta de dados sensíveis.

Entre as limitações metodológicas, destaca-se que o tamanho amostral de 74 respondentes, embora adequado para os propósitos exploratórios do estudo, não permite generalizações estatísticas definitivas para toda a população de investidores em criptomoedas. A técnica de amostragem por conveniência, utilizada devido aos recursos e prazos disponíveis, introduziu um potencial viés de seleção, pois os participantes foram recrutados via redes pessoais e grupos de interesse em criptomoedas.

3. Resultados e Discussão

A aplicação do questionário, realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, gerou 74 respostas válidas, das quais 67 (90,5%) foram de investidores ativos em criptomoedas e 7 (9,5%) de indivíduos que, embora não investissem, consideravam a possibilidade. Essa distribuição amostral foi intencionalmente planejada para permitir uma análise comparativa, identificando tanto os fatores que atraem os investidores quanto as barreiras que impedem a entrada de outros no mercado de criptoativos. Os dados coletados forneceram uma base robusta para explorar as motivações e percepções que moldam o comportamento nesse ecossistema financeiro emergente.

O estudo revelou um perfil demográfico predominante de jovens adultos, consistente com tendências observadas em pesquisas internacionais (Coinlaw, 2025). Mais da metade dos respondentes, especificamente 56,7%, tinha menos de 35 anos. A faixa etária de 18 a 24 anos representou 34,3% da amostra, seguida pelo grupo de 25 a 34 anos, com 22,3%. Esse perfil etário é frequentemente associado a uma maior propensão à adoção de inovações financeiras e à busca por estratégias de diversificação patrimonial, conforme a Teoria da Difusão de Inovações de Rogers (2003).

Em contraste, investidores com mais de 45 anos representaram apenas 14,9% da amostra. Essa menor participação pode ser atribuída à maior familiaridade dessa faixa etária com instrumentos financeiros tradicionais, o que resultaria em uma menor inclinação para ativos digitais disruptivos. Tal padrão corrobora as observações de Rogers (2003) sobre a difusão de inovações, onde os adotantes iniciais tendem a ser mais jovens e abertos a novas tecnologias. A escolaridade dos participantes também se destacou, com 83,5% possuindo ensino superior completo, em curso ou pós-graduação, desafiando estereótipos e alinhando-se a estudos que conectam maior escolaridade a investimentos em ativos de risco (Steinmetz et al., 2021).

A diversidade de ocupações na amostra incluiu profissionais CLT (34,3%), estudantes (25,3%) e empresários (23,8%), entre outros. Essa distribuição sugere que o interesse por criptoativos não se restringe a nichos profissionais específicos, mas permeia diferentes perfis de renda e rotina, o que é compatível com a ampla difusão de inovações descrita por Rogers (2003). A experiência dos respondentes no mercado de criptomoedas também foi um achado relevante, com 83,5% atuando há mais de um ano, indicando que a amostra não é composta por iniciantes recentes e possui vivência em ciclos de valorização e desvalorização.

Quase metade dos participantes, 41,7%, acumulava mais de dois anos de experiência, tendo vivenciado ciclos completos de alta e baixa do mercado. Esse grupo demonstrou familiaridade com estratégias de longo prazo, como o HODL, que consiste em manter posições mesmo em períodos de forte queda, prática comum nas comunidades de investidores em criptomoedas. Apenas 16,4% dos respondentes tinham menos de seis meses de experiência, representando o grupo com menor familiaridade com aspectos técnicos do ecossistema, como a custódia de ativos e os protocolos de consenso.

O nível de conhecimento autodeclarado dos investidores revelou um perfil relativamente experiente, com 58,2% se classificando entre intermediário e especialista. Esse resultado indica um processo de aprendizado contínuo e autônomo, que envolve a leitura de documentos técnicos, a participação em comunidades especializadas e a experimentação prática com protocolos descentralizados. Tais comportamentos são consistentes com os achados de Lusardi e Mitchell (2014) sobre a construção da literacia financeira, destacando a importância da autoeducação nesse mercado.

A análise cruzada entre faixa etária e conhecimento autodeclarado apontou para um aprendizado acelerado entre os mais jovens. Cerca de 26,1% dos respondentes de 18 a 24 anos já se declararam avançados ou especialistas, uma proporção similar à dos investidores de 35 a 44 anos (26,4%). Isso sugere que a imersão em comunidades digitais e a interação com o ecossistema compensam, em parte, o menor tempo de mercado, facilitando a aquisição de conhecimento e a compreensão das dinâmicas dos criptoativos (Lusardi & Mitchell, 2014).

No que tange à percepção de risco, 67,1% dos investidores classificaram seu perfil como de risco alto ou muito alto, evidenciando uma elevada tolerância à volatilidade inerente ao mercado de criptoativos. Contudo, essa percepção declarada contrasta com a alocação patrimonial efetiva, que se mostrou mais conservadora. A grande maioria dos respondentes, 71,6%, mantinha apenas até 20% do patrimônio em criptomoedas, e mais de um terço (17,9%) alocava menos de 5%.

Esse comportamento aparentemente paradoxal sugere uma combinação entre a tolerância ao risco e uma gestão patrimonial prudente. Os investidores aceitam a volatilidade dos ativos, mas limitam sua exposição para não comprometer o equilíbrio financeiro geral, o que está em linha com os princípios da Teoria da Perspectiva de Kahneman e Tversky (1979). A análise cruzada entre faixa etária e alocação patrimonial reforçou essa tendência, mostrando que a exposição a criptoativos diminui com o avanço da idade. Investidores de 18 a 24 anos (34,8%) e de 25 a 34 anos (40,0%) foram os que mais alocaram acima de 20% do patrimônio, enquanto nenhum respondente acima de 45 anos ultrapassou esse patamar.

A avaliação do risco real das criptomoedas pelos respondentes demonstrou uma consciência realista sobre a volatilidade do ativo. Um total de 67,1% classificou o risco como alto (44,7%) ou muito alto (22,3%), reconhecendo o elevado nível de risco inerente a esse mercado. O cruzamento entre escolaridade e percepção de risco revelou que respondentes com pós-graduação concentraram suas respostas em alto (47,4%) e muito alto (31,6%), enquanto aqueles com ensino superior em andamento apresentaram maior proporção de risco moderado (55,6%). Esse achado sugere que uma maior formação acadêmica está associada a um reconhecimento mais preciso da volatilidade do ativo, conforme a Teoria da Perspectiva (Kahneman & Tversky, 1979).

A percepção de risco muito alto também aumentou com o tempo de mercado, passando de 0% entre iniciantes com menos de seis meses para 32,1% entre aqueles com mais de dois anos de experiência. Isso indica que a exposição a ciclos de volatilidade contribui para uma avaliação de risco mais calibrada, e não menos, um resultado consistente com os estudos de Lusardi e Mitchell (2014) sobre a evolução da literacia financeira. A frequência de operações revelou três filosofias distintas de investimento entre os participantes.

Os HODLers, representando 7,5% da amostra, são aqueles que nunca realizaram vendas, mantendo suas posições integralmente desde a aquisição. Para esse grupo, os criptoativos, especialmente o Bitcoin, funcionam como uma reserva de valor de longo prazo, demonstrando baixíssima sensibilidade a variações de curto prazo e pressões de mercado. Os traders moderados, que constituem o grupo predominante com 59,7%, realizam operações mensais, trimestrais ou esporádicas, efetuando rebalanceamentos e realizações parciais de lucro, mas preservando uma alocação estratégica de longo prazo, o que reflete um equilíbrio entre convicção estrutural e gestão ativa.

Os day traders, correspondendo a 32,8% dos respondentes, operam diariamente ou múltiplas vezes ao dia, explorando a volatilidade de curto prazo. Esse grupo tende a ter maior tempo de experiência e maior tolerância ao risco, com alguns relatando dedicação profissional exclusiva à negociação de criptoativos. O cruzamento entre ocupação e horizonte de investimento revelou padrões distintos: 75,0% dos empresários declararam um horizonte superior a cinco anos, sem nenhum indicando curto prazo, enquanto profissionais CLT se distribuíram entre longo (43,5%) e médio prazo (26,1%), e estudantes se concentraram no médio prazo (47,1%), contrariando o estereótipo de perfil exclusivamente especulativo entre jovens (Rogers, 2003).

A principal motivação para o ingresso no mercado de criptomoedas, citada por 64,2% dos investidores, foi a expectativa de alta rentabilidade, configurando-se como o fator financeiro mais relevante. Contudo, essa motivação raramente se apresentou de forma isolada, sendo frequentemente associada a fatores de natureza tecnológica, ideológica e comportamental. A diversificação de portfólio foi mencionada por 28,4% dos respondentes, indicando uma estratégia de mitigação de riscos frente à instabilidade sistêmica do mercado tradicional, frequentemente impactado por inflação e crises econômicas recorrentes.

Além das motivações financeiras, 26,9% dos respondentes demonstraram interesse em tecnologia e inovação financeira, sugerindo que parte do engajamento com criptomoedas está ligada à compreensão e participação nas transformações estruturais do sistema financeiro (Nakamoto, 2008). Um dado relevante no contexto brasileiro é que 19,4% dos respondentes mencionaram explicitamente a desconfiança no sistema financeiro tradicional como motivação. Esse resultado é consistente com o histórico econômico do país, marcado por episódios de instabilidade monetária e perda de poder de compra, que podem ter contribuído para a receptividade a alternativas descentralizadas de armazenamento de valor (Baur et al., 2018).

A curiosidade foi citada por 46,3% dos respondentes como um fator motivador, frequentemente associada a aportes iniciais de baixo valor com finalidade exploratória. Esse comportamento sugere que a experimentação prática constitui uma via relevante de entrada no mercado, um processo em que o contato inicial com o ecossistema tende a aprofundar o engajamento ao longo do tempo. A análise das características mais valorizadas pelos respondentes revelou três atributos centrais que impulsionam a adesão e a permanência no mercado de criptoativos.

O potencial de valorização foi o atributo mais valorizado, citado por 85,1% dos respondentes. Esse dado reflete a expressiva assimetria de retornos historicamente registrada no mercado de criptoativos em comparação com instrumentos de renda fixa tradicionais, uma diferença que exerce influência relevante sobre as expectativas dos investidores. A descentralização foi valorizada por 79,1% dos respondentes, representando a característica de maior apelo ideológico e prático entre os investidores da amostra. A autonomia sobre os próprios recursos, sem dependência de instituições financeiras intermediárias, é percebida como relevante, especialmente em contextos de instabilidade institucional (Chohan, 2017).

A transparência das transações também foi destacada como um atributo relevante. A possibilidade de verificar publicamente cada operação registrada na blockchain representa uma diferenciação estrutural em relação ao sistema financeiro tradicional e é percebida pelos respondentes como fator concreto de confiança e controle sobre os próprios recursos (Tapscott & Tapscott, 2016). O controle pessoal sobre os recursos e a facilidade de acesso também foram atributos frequentemente citados, com a redução de barreiras operacionais para ingresso no mercado de criptoativos sendo valorizada por investidores jovens, habituados a plataformas digitais com alto nível de usabilidade e acesso imediato.

Em relação às preferências de investimento, o Bitcoin estava presente em 91% das carteiras dos respondentes, configurando-se como o ativo de maior penetração na amostra. Sua predominância reflete o reconhecimento consolidado como ativo de referência no mercado de criptomoedas, sustentado por um histórico de mais de uma década e crescente legitimação institucional. O Ethereum figurou em segundo lugar, presente em 61,2% das carteiras, com maior presença entre respondentes de perfil técnico avançado, dada sua relevância como plataforma base para contratos inteligentes, finanças descentralizadas e aplicações distribuídas.

As Stablecoins estavam presentes em 35,8% das carteiras, cumprindo a função de proteção temporária em períodos de alta volatilidade, ao permitir a redução da exposição ao risco sem necessidade de conversão para moeda fiduciária e saída do ecossistema. Solana apareceu em 38% das carteiras, com maior concentração entre investidores que ingressaram no mercado entre 2023 e 2024, período em que o ativo registrou expressiva valorização e expansão de sua base de desenvolvedores e aplicações descentralizadas. Cardano (25,4%) e XRP (11,3%) apareceram em carteiras mais diversificadas, frequentemente de investidores que pesquisam fundamentos técnicos e fazem apostas em projetos específicos.

O padrão geral indicou que investidores com perfil mais conservador tendem a concentrar suas carteiras em Bitcoin, enquanto aqueles com maior experiência e tolerância ao risco apresentaram maior diversificação entre diferentes criptoativos. Esse comportamento é consistente com a literatura sobre alocação de ativos de alto risco (Rogers, 2003). Quanto aos objetivos de investimento, o investimento de longo prazo e a reserva de valor corresponderam ao objetivo principal de 38,8% dos respondentes, que percebem os criptoativos, especialmente o Bitcoin, como instrumento de proteção patrimonial frente à inflação e à desvalorização monetária historicamente observada no Brasil.

Alguns respondentes descreveram essa função como complementar ou alternativa ao planejamento de aposentadoria convencional. A diversificação de portfólio, citada por 14,9%, caracterizou-se pela alocação estratégica de 10% a 20% em criptoativos, visando o rebalanceamento com ações e renda fixa. Os ganhos de curto prazo ou especulação representaram o objetivo de 20,9% da amostra, concentrados nos perfis de maior frequência operacional, com relatos de resultados expressivos em períodos de ciclo de alta. A experimentação e o aprendizado constituíram o objetivo de 23,8% dos respondentes, que realizam aportes de menor volume com finalidade primariamente educacional.

Esse grupo relatou, com frequência, ganhos de literacia financeira que consideram superiores aos obtidos por vias formais de educação (Lusardi & Mitchell, 2014). O processo de aprendizado sobre criptomoedas ocorreu predominantemente por meio de canais digitais informais, em detrimento de fontes institucionais tradicionais, o que é consistente com o perfil digital-nativo da maioria dos respondentes (Ante, 2020). Redes sociais lideraram como principal fonte de informação, com 85,1% dos respondentes utilizando plataformas como Twitter/X, onde circulam análises de mercado em tempo real, debates técnicos e conteúdo especializado de amplo alcance.

O YouTube foi utilizado por 52,2% dos respondentes como fonte de conteúdo audiovisual, abrangendo desde introduções conceituais ao mercado até análises técnicas avançadas. Grupos de Telegram ou WhatsApp foram utilizados por 41,8% dos respondentes para troca de informações, alertas de segurança e discussões técnicas. Amigos e familiares, com 34,3%, também exerceram papel relevante como canal de entrada inicial no mercado, evidenciando a dimensão social do processo de adoção (Rogers, 2003). Cursos formais representaram apenas 9% das fontes utilizadas, indicando que o aprendizado ocorre predominantemente de forma autônoma e informal, por meio de experimentação prática e comunidades digitais, com baixa dependência de consultorias ou veículos tradicionais de comunicação.

Os fatores de confiança no mercado de criptoativos incluíram a descentralização (43,3%) e o histórico de valorização (41,8%). A independência em relação a decisões políticas e institucionais é percebida como um diferencial estrutural relevante, enquanto o desempenho histórico do ativo sustenta a convicção de parcela expressiva dos respondentes (Yermack, 2015). A tecnologia blockchain foi citada por 35,8% como fator de confiança, ancorada na percepção de que seus mecanismos criptográficos oferecem segurança e imutabilidade superiores às dos sistemas financeiros convencionais (Tapscott & Tapscott, 2016).

A transparência das transações (35,8%) e a crescente adoção institucional (47,8%) completaram os principais fatores de confiança. A entrada de empresas e países no ecossistema é interpretada pelos respondentes como sinal de legitimação progressiva do mercado, ampliando a percepção de segurança entre os investidores (Yermack, 2015). As expectativas de retorno anual concentraram-se acima de 30% para 73,1% dos respondentes: 31,3% esperavam entre 30% e 50%, e outros 31,3% entre 50% e 100%. Embora expressivamente superiores aos rendimentos típicos de renda fixa, esses patamares encontram respaldo no comportamento histórico do mercado de criptoativos em ciclos de alta, ainda que acompanhados de elevada volatilidade (Shiller, 2015).

Expectativas de retornos superiores a 100% (5,9%) concentraram-se em investidores expostos a altcoins altamente voláteis, frequentemente marcadas por ganhos pontuais e perdas recorrentes. Em contraste, perfis mais conservadores (19,4%) consideraram retornos anuais de 20% a 30% adequados, com base em parâmetros tradicionais como CDI e Tesouro Direto. Os respondentes sem expectativa definida (5,9%) tenderam a ser investidores com maior tempo de mercado, que reconhecem a imprevisibilidade do ativo como variável estrutural e optam por não estabelecer metas fixas de retorno.

As perspectivas sobre o futuro do mercado revelaram predominância de otimismo: 62,9% acreditavam que as criptomoedas cresceriam e se consolidariam, enquanto 16,4% adotavam uma posição mais cautelosa, reconhecendo que apenas alguns projetos sobreviveriam no longo prazo. Outros 17,9% ainda mantinham dúvidas quanto à trajetória do setor, e apenas 1,5% considerava o mercado uma bolha. A predominância de expectativas positivas (80,6%) é coerente com o período de coleta, marcado por um ciclo de alta, o que pode introduzir viés de otimismo nas respostas (Shiller, 2015).

Com o objetivo de avaliar a resiliência diante de cenários adversos, os respondentes foram questionados sobre seu comportamento diante de uma desvalorização hipotética de 30% no portfólio. A resposta predominante foi de manutenção ou ampliação das posições: 59,7% manteriam o investimento e 25,3% comprariam mais ativos. Apenas 11,9% venderiam parcialmente e 2,9% liquidariam toda a posição. A análise indicou que 85% dos investidores manteriam ou ampliariam suas posições diante de quedas significativas, refletindo não uma especulação irracional, mas a internalização da volatilidade como característica inerente (Baur & Dimpfl, 2018).

Em contraste com o pânico comum em mercados acionários tradicionais, investidores em criptoativos demonstraram maior tolerância ao risco e convicção em suas estratégias. A análise das respostas abertas complementou os dados quantitativos, revelando experiências concretas que ilustram os padrões identificados ao longo do estudo. Relatos como “Consigo me sustentar desde os 18 apenas com esse mercado. Tenho apenas a agradecer à cripto” evidenciaram que o mercado de criptoativos gerou oportunidades profissionais em áreas como negociação ativa e análise on-chain, atividades que passaram a constituir fonte de renda para parte dos respondentes.

Experiências de ganho, como “Ganhei bastante com Solana em 2023” e “Vendi um NFT por quase 2 ETH, cerca de R$30.000”, representaram pontos de inflexão na trajetória do investidor, reforçando o engajamento com o mercado. A percepção de que o mercado funciona como ambiente de aprendizado financeiro prático foi recorrente entre respondentes de diferentes faixas etárias (Lusardi & Mitchell, 2014). O relato “Diversificação foi fundamental”, recorrente entre investidores que atravessaram ciclos de baixa, evidenciou maturidade na gestão de risco patrimonial.

As experiências com tentativas de fraude, como “No início quase caí em golpes de ‘pump and dump’. Hoje sou muito mais criterioso”, contribuíram para o desenvolvimento de maior senso crítico na avaliação de projetos, com reflexos positivos nas decisões de investimento subsequentes. A desvalorização de 2022, descrita como “difícil, mas mantive a posição”, ilustrou o impacto dos ciclos de baixa sobre o comportamento dos investidores, evidenciando que a manutenção de posições em períodos de forte desvalorização é percebida como indicador de maturidade e convicção. Contudo, desafios técnicos persistentes foram identificados.

A complexidade técnica do ecossistema, que envolve conceitos como custódia de chaves privadas, taxas de transação e protocolos de interoperabilidade, representa uma barreira de entrada relevante, embora superável mediante aprendizado progressivo, conforme relatado pelos próprios respondentes. A frase “Ainda é complexo operar o ecossistema, muito técnico para pessoas leigas” sintetiza essa percepção. As decisões não tomadas e o viés de arrependimento também emergiram, com relatos como “Tive a oportunidade de comprar bitcoin a $1, mas não o fiz…”, ilustrando como a assimetria informacional e a incerteza inicial do mercado impediram decisões que, em retrospecto, teriam gerado retornos expressivos, fenômeno consistente com os vieses de disponibilidade e aversão ao arrependimento (Kahneman & Tversky, 1979).

O ceticismo informado, caracterizado por entusiasmo com ressalvas, foi expresso em frases como “DeFi parece promissor mas tenho receio dos riscos de smart contracts”. Esse posicionamento reflete maturidade analítica: engajamento com as possibilidades do ecossistema combinado com consciência dos riscos técnicos envolvidos. A filosofia de mercado madura dos veteranos foi sintetizada por “Anos de mercado me ensinaram sobre vitórias, perdas, e a sempre fazer minha própria pesquisa (DYOR). Construí um network sólido”. Respondentes com maior tempo de mercado relataram a consolidação de uma postura de pesquisa autônoma e a construção de redes de relacionamento que funcionam como suporte técnico e informacional contínuo.

A análise das respostas dos 7 não-investidores (9,5%) permitiu identificar as principais barreiras de entrada ao mercado de criptoativos. O medo de golpes e fraudes, exacerbado por notícias de exchanges quebrando e projetos fraudulentos, cria a percepção de que cripto é sinônimo de fraude. Para os não-investidores, a dificuldade em distinguir projetos legítimos de esquemas fraudulentos representa uma barreira adicional de entrada. A complexidade técnica do ecossistema também constitui um fator de inibição, especialmente para indivíduos sem familiaridade prévia com conceitos como custódia de ativos, chaves privadas e protocolos de transferência.

O receio de perda total do capital investido, sem a proteção institucional presente em investimentos tradicionais, é percebido como risco real e constitui fator de inibição relevante. A volatilidade extrema também se apresenta como barreira adicional, pois para respondentes familiarizados apenas com instrumentos de baixo risco, oscilações expressivas de preço são percebidas como incompatíveis com seu perfil. Adicionalmente, parte dos não-investidores citou capital insuficiente como barreira, ainda que seja possível ingressar no mercado com valores reduzidos. No entanto, metade dos não-investidores demonstra interesse futuro, sugerindo uma demanda latente que depende de maior oferta de educação financeira acessível e de interfaces mais intuitivas para ingresso no mercado.

Em síntese, os resultados desta pesquisa revelaram que as motivações para investir em criptomoedas são multifacetadas, abrangendo a busca por alta rentabilidade, o interesse em inovação tecnológica, a desconfiança no sistema financeiro tradicional e a curiosidade. O perfil do investidor é predominantemente jovem, com alta escolaridade e uma notável resiliência à volatilidade, evidenciada pela disposição de manter ou aumentar posições mesmo diante de quedas significativas. A aparente contradição entre a alta tolerância ao risco declarada e a alocação patrimonial conservadora sugere uma abordagem prudente e informada, onde o aprendizado contínuo e a valorização da autonomia financeira são elementos centrais que moldam as decisões nesse mercado dinâmico.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou compreender os fatores econômicos e comportamentais que influenciam a decisão de investir em criptomoedas, integrando dimensões objetivas e subjetivas. Verificou-se um perfil de investidor predominantemente jovem, com alta escolaridade e experiência no mercado, que aloca de forma prudente até 20% do patrimônio em criptoativos, concentrando-se em Bitcoin e Ethereum. As motivações para o investimento transcenderam a busca por alta rentabilidade, incluindo a diversificação de portfólio, o interesse em tecnologia e inovação financeira, a desconfiança no sistema financeiro tradicional e a curiosidade. Observou-se uma notável resiliência à volatilidade, com 85% dos investidores declarando que manteriam ou ampliariam suas posições diante de uma desvalorização hipotética de 30%. Essa aparente contradição entre a alta tolerância ao risco declarada e a alocação patrimonial conservadora revela uma abordagem informada, onde a autonomia financeira e o aprendizado contínuo são elementos centrais. A principal contribuição deste trabalho reside em articular teorias de finanças comportamentais com a realidade empírica do mercado cripto, oferecendo insights para investidores, instituições financeiras e reguladores.

Contudo, o estudo apresenta limitações decorrentes do tamanho amostral de 74 respondentes e da amostragem por conveniência, que não permitem generalizações estatísticas definitivas para a totalidade dos investidores brasileiros em criptomoedas. A predominância de investidores ativos também restringiu a exploração aprofundada das barreiras de entrada para não-investidores. Para estudos futuros, sugere-se acompanhar investidores através de ciclos completos de mercado para analisar a evolução de suas convicções sob pressão real. Recomenda-se também a realização de pesquisas com amostras maiores para permitir análises por região, renda e gênero, além de entrevistas aprofundadas para explorar a psicologia por trás dos números. A validação da “educação não-intencional” identificada, que ocorre por meio da experiência prática com criptoativos, em outros mercados, constitui uma valiosa direção para a pesquisa acadêmica, reforçando o papel das criptomoedas como vetor de literacia financeira para amplos segmentos da população.

Referências Bibliográficas

Aragon, M. 2018. Criptomoeda: Uma análise da utilização do Bitcoin na sociedade contemporânea. Trabalho de conclusão de curso. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Coingecko. 2025. Global Cryptocurrency Market Cap Charts. Disponível em: https://www.coingecko.com/en/charts. Acesso em: 22 out. 2025.

Coinmarketcap. 2025. Cryptocurrency Prices, Charts and Market Capitalizations. Disponível em: https://coinmarketcap.com. Acesso em: 22 out. 2

Demandsage. 2025. Global Crypto Adoption (2025): Users, Rates & Country Data. Disponível em: https://www.demandsage.com/crypto-adoption-statistics/. Acesso em: 23 out. 2025.

Nakamoto, S. 2008. Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System. Disponível em: https://bitcoin.org/bitcoin.pdf. Acesso em: 22 out. 2025.

Siedlarczyk A.; Silva A.; Santos E.; Zator E.; Carneiro G. 2024. Criptomoeda: O Futuro do Mercado. Trabalho de Conclusão de Curso. Etec Eng. Agrônomo Narciso de Medeiros, Iguape, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Economia, Investimentos e Banking do MBA USP/Esalq

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

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17 de setembro de 2026

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Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

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Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

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17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

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17 de setembro de 2026

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Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

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Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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