23 de julho de 2026
Indicadores Econômico-Financeiros do Mercado de Papel e Celulose no Brasil
Carolina Correia Garcia; Rogiene Batista dos Santos
DOI: 10.22167/2675-6528-202600647
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
Em um cenário global de discussões sobre mudanças climáticas e investimentos estratégicos no setor de papel e celulose, a análise do desempenho econômico-financeiro das empresas torna-se crucial. O estudo objetivou analisar os indicadores de rentabilidade, operacionais, de liquidez, capital de giro e tesouraria de cinco grandes empresas do setor de papel e celulose (Klabin, Suzano, Eldorado, Irani e Cenibra) no período de 2020 a 2024. Para tanto, realizou-se um estudo de caso múltiplo, de natureza quantitativa e exploratória, utilizando dados financeiros e contábeis dos demonstrativos de resultados e balanços patrimoniais das empresas para calcular os indicadores. Os resultados revelaram um bom desempenho geral das empresas após a reabertura pós-pandemia, com recuperação da lucratividade e solidez operacional para a maioria. Observaram-se, contudo, distorções iniciais devido à pandemia, como prejuízos na margem líquida, e uma retração de vendas em 2023 e 2024, influenciada por dificuldades no mercado externo. A análise da liquidez e da estrutura de giro indicou que Suzano e Klabin mantiveram folga financeira e baixo risco de insolvência, enquanto Eldorado e Irani demonstraram ascensão na liquidez e Cenibra apresentou estabilidade, com exceção de 2021. Concluiu-se que, apesar da recuperação pós-pandemia, a retração de vendas em 2023 e 2024 ressaltou a importância estratégica do setor para a balança comercial brasileira e a necessidade de constante revisão dos indicadores para garantir estratégias gerenciais e cambiais atualizadas, dada a sensibilidade do mercado internacional.
Palavras-chave: celulose; endividamento; liquidez; papel; rentabilidade.
1. Introdução
<p>A indústria de papel e celulose, com sua história milenar, remonta aos orientais que utilizavam bases de bambu. Por volta de 105 d.C., os chineses desenvolveram as primeiras folhas de papel a partir de vegetais, técnica que se difundiu pela Europa e ganhou relevância com a invenção da imprensa de Gutenberg no século XV (ABTCP, 2004). O século XVIII marcou o aperfeiçoamento da produção, com Jacob Christian Schäffer introduzindo novas misturas de fibras e Louis Robert inventando a primeira máquina de produção contínua de papel em 1799, o que revolucionou a capacidade de atender às demandas crescentes e substituiu a produção artesanal.</p>
<p>No Brasil, a indústria começou a se desenvolver no final do século XIX, impulsionada pela subvenção de Dom Pedro II, levando à fundação de empresas como a Melhoramentos da Cia de São Paulo em 1887. No início do século XX, Klabin e Suzano iniciaram operações, tornando-se importantes para a economia nacional. A introdução do eucalipto no século XX consolidou-se como matéria-prima essencial, permitindo a ampliação do portfólio de produtos, desde papéis higiênicos e embalagens até cápsulas de remédios e cosméticos, que hoje são parte integrante do cotidiano global, devido à sua versatilidade, custo reduzido e facilidade de manuseio.</p>
<p>Atualmente, o Brasil se destaca internacionalmente na tecnologia, produção e exportação de fibras de celulose. Em 2023, a indústria nacional registrou mais de 24 milhões de toneladas de produção e exportações superiores a 12 bilhões de dólares, com destinos como China (31,3%), Europa (19,7%) e América do Norte (22,2%), consolidando o país como o segundo maior exportador dessa commodity (IBÁ, 2024). A relevância estratégica do setor é reforçada por suas exportações terem dobrado na última década, posicionando-o como o quinto item na balança exportadora do agronegócio. Este cenário atraiu investimentos governamentais de 105 bilhões de reais em projetos de expansão até 2028, beneficiando empresas como Suzano, Klabin, Arauco, CMPC e Bracell, e gerando mais de sete mil empregos. Esse impulso ocorre em um contexto global de crescente preocupação com as mudanças climáticas e a sustentabilidade ambiental, pautas discutidas na COP 30, sediada no Brasil em 2025.</p>
<p>Nesse ambiente dinâmico, o acompanhamento dos índices econômico-financeiros torna-se fundamental para auxiliar as partes interessadas na tomada de decisões estratégicas (Theodózio, 2017). As mudanças nos padrões de consumo, impulsionadas pela crescente digitalização e pelas normas de sustentabilidade, associadas às mudanças climáticas, exercem pressão direta sobre a cadeia produtiva (Neves, Pereira, Quevedo, Souza, Aranha, 2019). Tais transformações exigem aportes financeiros significativos e a adoção de novas tecnologias como diferenciais competitivos. As empresas são, portanto, compelidas a equilibrar constantemente o binômio custo e retorno, o que demanda a utilização de indicadores financeiros bem calibrados para uma gestão eficaz.</p>
<p>A análise das demonstrações financeiras é uma ferramenta essencial para estudar o desempenho econômico-financeiro das organizações, permitindo a avaliação de seus níveis de liquidez, endividamento e rentabilidade (Assaf Neto, 2014). Embora o uso de indicadores econômicos e financeiros seja comum no setor de papel e celulose, a literatura científica recente apresenta uma lacuna em estudos comparativos abrangentes que abordem o desempenho de grandes empresas brasileiras em períodos de transformação econômica e ambiental. A compreensão de como essas companhias se comportam diante das complexidades do mercado financeiro atual, especialmente após eventos globais e investimentos estratégicos, é crucial para investidores, gestores e formuladores de políticas.</p>
<p>Diante da importância estratégica do setor de papel e celulose para a economia brasileira e dos desafios impostos pelas dinâmicas de mercado e pelas exigências de sustentabilidade, justifica-se a necessidade de uma análise aprofundada de seus indicadores financeiros. Este estudo visa, portanto, analisar os indicadores de rentabilidade, operacionais, de liquidez, capital de giro e tesouraria do mercado de celulose no período de 2020 a 2024, tomando como base as cinco principais empresas do setor: Suzano, Klabin, Eldorado, Cenibra e Irani.</p>
2. Material e Métodos
<p>A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza quantitativa e exploratória, conforme a classificação de Gil (2022). A abordagem quantitativa foi empregada para a coleta e análise de dados numéricos, visando calcular indicadores econômico-financeiros. O caráter exploratório buscou proporcionar uma compreensão inicial sobre o desempenho das empresas do setor de papel e celulose, em um contexto de lacuna na literatura científica recente sobre estudos comparativos abrangentes.</p>
<p>A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso múltiplo, que permitiu a análise aprofundada de diversas unidades de análise. Selecionaram-se cinco empresas brasileiras de destaque no setor de papel e celulose: Suzano, Klabin, Eldorado, Cenibra e Irani. Essas companhias foram escolhidas por figurarem entre as maiores do Brasil, conforme listagem no ranking Valor 1000, o que assegurou a relevância e representatividade do objeto empírico para o estudo.</p>
<p>O período de análise dos dados financeiros e contábeis abrangeu os anos de 2020 a 2024. Os dados foram coletados a partir de fontes públicas e oficiais. Os relatórios das empresas Suzano, Klabin e Irani foram obtidos no site do Instituto Assaf (2025), enquanto os relatórios econômicos e financeiros da Eldorado e Cenibra foram extraídos diretamente dos sites institucionais de cada empresa, garantindo a fidedignidade das informações.</p>
<p>Os instrumentos de coleta de dados consistiram nos relatórios Demonstrativo de Resultados de Exercício (DRE) e Balanço Patrimonial (BP) das empresas selecionadas. A partir desses documentos, foram calculados os indicadores econômico-financeiros de rentabilidade, operacionais, de liquidez, capital de giro e tesouraria, que constituíram a base para a análise proposta pelo estudo.</p>
<p>Para a análise de rentabilidade, utilizou-se o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE), que mensura o lucro auferido pelos acionistas em relação aos recursos próprios investidos. Os indicadores operacionais incluíram a Margem Líquida (ML), que avalia a eficiência da empresa em converter vendas em lucro, e a Margem Operacional (MO), também conhecida como EBITDA, que reflete o lucro das vendas antes de juros e impostos (Assaf Neto, 2014).</p>
<p>A capacidade de solvência das empresas foi avaliada por meio do indicador de Liquidez Corrente (LC), que verifica a aptidão para honrar compromissos de curto prazo utilizando ativos circulantes. Para uma análise mais abrangente da saúde financeira e solvência contínua, conforme Assaf Neto e Tiburcio Silva (2011), consideraram-se também os indicadores de capital de giro.</p>
<p>No que tange ao capital de giro e tesouraria, calcularam-se o Capital Circulante Líquido (CCL), que representa os recursos disponíveis após o pagamento de obrigações de curto prazo, e a Necessidade de Capital de Giro (NCG ou NIG), que indica o montante mínimo de recursos para o funcionamento do ciclo operacional (Assaf Neto, 2014). Adicionalmente, o Saldo de Tesouraria (ST ou SD) foi empregado para identificar a reserva financeira da empresa.</p>
<p>A metodologia para os indicadores de Capital de Giro e Saldo de Tesouraria incorporou conceitos do modelo de Michael Fleuriet, que reclassifica as contas do Balanço Patrimonial. Essa reclassificação distingue contas cíclicas (operacionais), financeiras (erráticas) e não cíclicas (permanentes), permitindo uma visão mais detalhada da estrutura de capital e da folga financeira das empresas (Casado, Nunes e Aguiar, 2020).</p>
<p>A técnica de análise dos dados consistiu no cálculo dos indicadores econômico-financeiros e na realização de análises comparativas entre as empresas e ao longo do período estudado. Os dados foram organizados para permitir a visualização do desempenho de cada indicador para cada empresa, facilitando a identificação de padrões e tendências. Não foram aplicados softwares específicos para a análise, sendo os cálculos realizados de forma direta a partir dos dados coletados.</p>
3. Resultados e Discussão
<p>A análise dos indicadores econômico-financeiros das cinco principais empresas do setor de papel e celulose no Brasil – Suzano, Klabin, Eldorado, Cenibra e Irani – no período de 2020 a 2024, revelou um panorama de recuperação e desafios. De modo geral, o setor demonstrou um bom desempenho após a reabertura econômica subsequente à pandemia de COVID-19, com a maioria das empresas exibindo uma recuperação da lucratividade e solidez operacional. Contudo, o estudo também identificou distorções iniciais causadas pela pandemia e uma retração nas vendas nos anos de 2023 e 2024, influenciada por dificuldades no mercado externo, o que ressalta a sensibilidade do setor às dinâmicas globais e a importância de uma gestão financeira estratégica.</p>
<p>O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) apresentou um cenário desafiador no início do período analisado, com a maioria das empresas registrando valores negativos em 2020. Este resultado indicou uma dificuldade generalizada do setor em gerar lucro para os acionistas, diretamente atribuível ao impacto inicial da pandemia de COVID-19. Após 2020, observou-se uma recuperação significativa da lucratividade e do retorno aos acionistas, especialmente em 2021 e 2022. Em 2024, no entanto, Suzano e Cenibra registraram ROE negativo, de -21,7% e -2,7% respectivamente, enquanto Klabin, Eldorado e Irani mantiveram resultados positivos, com 23,7%, 10,1% e 22,3% respectivamente. A empresa Irani destacou-se por apresentar um ROE positivo mesmo em 2020, com 11,8%, demonstrando maior resiliência inicial.</p>
<p>A Margem Líquida (ML) das empresas também refletiu as dificuldades do início da pandemia. Em 2020, todas as empresas enfrentaram desafios para manter a ML positiva, com Suzano registrando -35,2%, Klabin -20,0%, Eldorado -2,4% e Cenibra -5,8%. Apenas a Irani conseguiu manter uma ML positiva de 9,0% no mesmo ano, atribuído às suas menores despesas financeiras e operacionais. Com a reabertura econômica, todas as empresas encerraram os exercícios de 2021 a 2023 com ML positiva, sendo 2022 o ano de melhor desempenho para todas. Em 2024, a Suzano e a Cenibra voltaram a apresentar ML negativa, com -14,9% e -5,2% respectivamente, devido a elevadas despesas financeiras relacionadas a empréstimos e financiamentos para a Suzano, e à queda na receita líquida para a Cenibra.</p>
<p>No que concerne ao indicador operacional EBITDA, que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, a Suzano demonstrou consistentemente a maior capacidade operacional em comparação com as demais empresas do setor ao longo de todo o período de 2020 a 2024. Seus valores variaram de 50,8% em 2020, atingindo um pico de 81,6% em 2022 e finalizando em 56,2% em 2024. A Cenibra, por sua vez, apresentou os menores valores de EBITDA em 2020 (15,9%), 2023 (16,6%) e 2024 (14,4%), indicando maiores despesas operacionais nesses anos. Klabin e Eldorado mantiveram níveis robustos de EBITDA, com Klabin variando de 54,9% a 52,1% e Eldorado de 52,0% a 53,1% no mesmo período, evidenciando a solidez operacional dessas companhias.</p>
<p>A análise da Liquidez Corrente (LC) indicou que, de modo geral, as empresas possuem capacidade para honrar seus compromissos de curto prazo. A Eldorado, no entanto, destacou-se negativamente em 2020, com uma LC de 0,39, resultado de um alto volume de empréstimos e financiamentos. Contudo, a Eldorado demonstrou uma ascensão notável em sua LC, passando de 0,39 em 2020 para 1,96 em 2024. A Cenibra, embora tenha apresentado uma queda constante em sua LC de 3,52 em 2020 para 2,43 em 2024, manteve valores acima de 1,0, o que ainda garante uma boa solvência, conforme a literatura de Assaf Neto (2014).</p>
<p>As empresas Suzano e Klabin mantiveram uma LC média de 2,41 e 2,41, respectivamente, no período de 2020 a 2024. Comparativamente, a Suzano registrou uma média de 2,61 entre 2014 e 2018, enquanto a Klabin teve uma média de 2,87 no mesmo período anterior. Embora os indicadores atuais representem uma leve queda de 8% para Suzano e 16% para Klabin em relação ao período anterior, ambas as empresas demonstraram boa capacidade de quitar suas obrigações de curto prazo. A Irani, por sua vez, apresentou uma melhoria expressiva, com sua LC média subindo de 1,08 entre 2014 e 2018 para 2,88 no período de 2020 a 2024, um aumento de 167% em sua capacidade de honrar compromissos.</p>
<p>A discussão sobre a estrutura de giro, que envolve o Capital Circulante Líquido (CCL), a Necessidade de Capital de Giro (NCG) e o Saldo de Tesouraria (SD), revelou diferentes cenários entre as empresas. Suzano e Klabin apresentaram uma situação financeira sólida ao longo de todo o período de 2020 a 2024. Ambas as empresas demonstraram folga financeira para financiar suas necessidades de capital de giro e, consequentemente, um baixo risco de insolvência. Essa performance se manteve consistente com o cenário observado entre 2014 e 2016, onde também exibiam folga financeira, conforme dados de Theodózio (2017).</p>
<p>Para a Suzano, o CCL variou de 9,79 bilhões de reais em 2020 para 17,71 bilhões de reais em 2024, com o Saldo de Tesouraria sempre positivo, indicando uma robusta reserva financeira. A Klabin também mostrou um CCL consistente, de 7,17 bilhões de reais em 2020 para 6,66 bilhões de reais em 2024, e um Saldo de Tesouraria positivo em todos os anos, confirmando sua capacidade de enfrentar crises sem necessidade de financiamento externo, um conceito abordado por Assaf Neto e Tiburcio Silva (2011).</p>
<p>A Eldorado, por outro lado, enfrentou desafios significativos na geração de caixa no início do período. Em 2020, a empresa registrou um CCL negativo de -3,86 bilhões de reais e um Saldo de Tesouraria de -4,70 bilhões de reais, indicando dificuldades em financiar suas operações e arcar com obrigações financeiras. Nos anos de 2021 e 2022, embora o CCL tenha se tornado positivo (0,87 e 1,30 bilhões de reais, respectivamente), o Saldo de Tesouraria permaneceu negativo, apontando para uma necessidade de capital de giro maior do que o disponível em caixa. Contudo, a Eldorado conseguiu reverter esse quadro em 2023 e 2024, apresentando Saldo de Tesouraria positivo (0,22 e 0,61 bilhões de reais, respectivamente), o que demonstra estabilidade de caixa e folga financeira.</p>
<p>A Cenibra exibiu uma relativa estabilidade financeira em sua estrutura de giro ao longo do período analisado, com exceção de 2021. Em 2020, a empresa demonstrou uma sólida situação financeira, com CCL de 1,28 bilhões de reais e Saldo de Tesouraria de 0,11 bilhões de reais, indicando folga financeira e baixo risco de insolvência. Em 2021, no entanto, a Cenibra apresentou um Saldo de Tesouraria negativo de -0,02 bilhões de reais, revelando uma necessidade de capital de giro maior do que o disponível em caixa. Nos anos seguintes, de 2022 a 2024, a empresa retornou ao patamar de 2020, com Saldo de Tesouraria positivo (0,30, 1,13 e 0,42 bilhões de reais, respectivamente), indicando estabilidade de caixa e folga financeira.</p>
<p>A Irani também demonstrou uma sólida situação financeira em sua estrutura de giro para todo o período de 2020 a 2024. A empresa apresentou folga financeira para financiar a necessidade de capital de giro e, consequentemente, um baixo risco de insolvência. Seu CCL variou de 0,49 bilhões de reais em 2020 para 0,74 bilhões de reais em 2024, com o Saldo de Tesouraria sempre positivo. Essa performance representa uma recuperação significativa em comparação com o período de 2014 a 2016, onde a empresa enfrentou dificuldades em financiar a operação e arcar com obrigações financeiras, chegando a registrar Saldo de Tesouraria negativo, conforme dados de Theodózio (2017).</p>
<p>Em síntese, o estudo revelou que o setor de papel e celulose no Brasil demonstrou uma notável capacidade de recuperação após os impactos iniciais da pandemia. Embora 2020 tenha sido um ano de desafios para a rentabilidade e margens, a maioria das empresas conseguiu reverter o quadro nos anos seguintes. A retração de vendas em 2023 e 2024, contudo, sinaliza a persistência de vulnerabilidades relacionadas ao mercado externo. A análise de liquidez e estrutura de giro confirmou a solidez de empresas como Suzano e Klabin, a ascensão de Eldorado e Irani, e a estabilidade da Cenibra, apesar de um breve período de insuficiência de caixa. Esses achados reforçam a importância estratégica do setor para a balança comercial brasileira e a necessidade contínua de monitoramento dos indicadores para aprimorar as estratégias gerenciais e cambiais diante da volatilidade do mercado internacional, conforme destacado pela IBÁ (2024) e Assaf Neto (2014).</p>
4. Conclusão
<p>O presente estudo objetivou analisar os indicadores de rentabilidade, operacionais, de liquidez, capital de giro e tesouraria de cinco grandes empresas do setor de papel e celulose no Brasil, no período de 2020 a 2024. Verificou-se um bom desempenho geral das companhias após a reabertura econômica subsequente à pandemia de COVID-19, com a maioria demonstrando recuperação da lucratividade e solidez operacional. Contudo, observaram-se distorções iniciais em 2020, como prejuízos na margem líquida e retornos sobre o patrimônio líquido negativos para grande parte das empresas, diretamente atribuíveis aos impactos da pandemia. A partir de 2021, a rentabilidade se recuperou, embora uma retração de vendas tenha sido identificada em 2023 e 2024, influenciada por dificuldades no mercado externo. A análise do EBITDA confirmou a Suzano como líder em capacidade operacional, enquanto Klabin e Eldorado mantiveram níveis robustos. No que tange à liquidez, Suzano e Klabin apresentaram folga financeira e baixo risco de insolvência, com Eldorado e Irani demonstrando uma ascensão notável em sua capacidade de honrar compromissos de curto prazo. A Cenibra, por sua vez, exibiu estabilidade, com uma breve insuficiência de caixa em 2021.</p>
<p>A principal contribuição deste estudo reside em evidenciar a resiliência do setor de papel e celulose brasileiro diante de choques econômicos globais e sua importância estratégica para a balança comercial do país. A recuperação pós-pandemia e os investimentos governamentais no setor reforçam seu papel como produtor e exportador de celulose. No entanto, as vulnerabilidades relacionadas ao mercado externo, manifestadas pela retração de vendas em 2023 e 2024, constituem uma limitação inerente à sensibilidade do setor às dinâmicas internacionais. Diante disso, o estudo ressalta a necessidade de uma revisão constante dos indicadores econômico-financeiros para o aprimoramento de estratégias gerenciais e cambiais, garantindo a adaptação contínua das empresas à volatilidade do cenário global. Sugere-se que estudos futuros aprofundem a análise dos fatores específicos que impulsionam a retração de vendas no mercado externo e avaliem o impacto dos investimentos governamentais de longo prazo na sustentabilidade e competitividade das empresas do setor.</p>
Referências Bibliográficas
Assaf Neto, A. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014
Assaf Neto, A.; Tiburcio Silva, C. A. Administração do Capital de Giro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2011
Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel [ABTCP]. 2004. A história da indústria de papel e celulose no Brasil. Disponível em: <https://www.abtcp.org.br/imprensa#RevistaOPapel> Acesso em 14 mar. 2026.
Casado, Johny H. M.; Nunes, Rodolfo V.; Aguiar, Fernanda R.; et al. Administração do Capital de Giro. Porto Alegre: SAGAH, 2020.
GIL, Antonio C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 7. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2022
Indústria Brasileira de Árvores [IBÁ]. 2024. Relatório Anual 2024. Disponível em: https://iba.org/publicacoes/relatorios-anuais/. Acesso em 15 dez. 2025.
Instituto Assaf. 2025. Demonstrações Financeiras das Companhias. Disponível em: <https://www.institutoassaf.com.br/indicadores-e-demonstracoes-financeiras/nova-metodologia/demonstracoes-financeiras-das-companhias>. Acesso em: 15 dez. 2025.
Neves, L. L.; Pereira, A. S.; Quevedo, R. C.; Souza, T. C. M.; Aranha, J. A. M. 2019. III Encontro Internacional de Gestão, Desenvolvimento e Inovação.
Theodózio, Р. Н. С. 2017. Análise Econômica Financeira e o Valor de Mercado: estudo de caso das empresas de celulose listadas na B3.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq
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