Artigo

29 de julho de 2026

Inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas de construtora e incorporadora

Eliane Alves Oliveira; Daniel Augusto Pagi Ferreira

DOI: 10.22167/2675-6528-202600754

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A modernização dos meios de pagamento tem impulsionado transformações no setor imobiliário. Analisou-se a inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas de uma construtora e incorporadora, com o objetivo de avaliar os impactos operacionais e financeiros dessa inovação. A pesquisa, de natureza aplicada e quantitativa com caráter exploratório, foi conduzida como um estudo de caso único em um ambiente organizacional. A implantação do novo meio de pagamento foi abordada sob a ótica do gerenciamento de projetos, fundamentada nas boas práticas do guia PMBOK e nas ferramentas 5W2H e PDCA. Coletaram-se dados primários por meio de questionários aplicados a colaboradores envolvidos na implantação, e dados secundários foram analisados para comparar cenários antes e depois da implementação, avaliando a evolução da modalidade e a redução de custos de cobrança. Os resultados evidenciaram que a adoção do QR Code Pix contribuiu significativamente para a modernização do processo inicial de vendas, promovendo maior eficiência operacional, redução de custos e melhoria na experiência do cliente. Concluiu-se que a modalidade representa uma solução viável e estratégica para o setor imobiliário.

Palavras-chave: Gerenciamento de Projeto; Inovação; QR Code Pix; Setor imobiliário.

1. Introdução

A construção civil desempenha um papel fundamental na economia brasileira, contribuindo significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a geração de empregos diretos e indiretos. Este setor, em 2024, registrou um crescimento de 4,3%, alcançando um PIB de R$ 359,523 bilhões (CBIC, 2025). O mercado imobiliário residencial, em particular, demonstrou alta demanda e estabilidade no primeiro trimestre de 2025 (ABRAINC, 2025), impulsionado notavelmente pelo segmento econômico e por programas governamentais como o Minha Casa Minha Vida, que visa facilitar o acesso à moradia para famílias de menor renda (GOV.BR, 2023). A vitalidade do setor, portanto, reflete-se tanto em indicadores econômicos quanto sociais.

Apesar desse cenário de expansão e relevância econômica, o setor da construção civil e incorporação enfrenta desafios operacionais e financeiros persistentes. Estes incluem o aumento dos custos de insumos, a escassez de mão de obra qualificada e a elevação das taxas de juros. Nesse contexto, a gestão financeira eficiente torna-se um pilar estratégico para as construtoras. Tradicionalmente, a cobrança de pagamentos é realizada por meio de boletos bancários e transferências eletrônicas (TED), modalidades que, embora estabelecidas, apresentam limitações notáveis, principalmente relacionadas ao tempo de compensação e à necessidade de conciliação manual.

Com a evolução tecnológica e a ampliação dos meios de pagamento instantâneos no Brasil, surgiram novas oportunidades para modernizar os processos de cobrança. Entre essas inovações, destaca-se o QR Code Pix, que oferece rapidez e eficiência nas transações. Contudo, a adoção e a exploração dessa modalidade no setor imobiliário ainda se mostram limitadas, configurando uma lacuna prática e teórica. A ausência de uma análise aprofundada sobre os impactos da sua implementação impede que as empresas do setor compreendam plenamente os benefícios e desafios associados a essa tecnologia.

A implementação de uma nova modalidade de cobrança, como o QR Code Pix, em uma organização de grande porte, pode ser caracterizada como um projeto organizacional. Tal iniciativa requer uma abordagem estruturada e fundamentada nos princípios do gerenciamento de projetos, conforme estabelecido no Guia PMBOK (Project Management Body of Knowledge), publicado pelo Project Management Institute (PMI). O gerenciamento de projetos, nesse contexto, envolve a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas para atender aos requisitos do projeto (PMI, 2026). A oitava edição do PMBOK, por exemplo, enfatiza a entrega de valor que excede esforço e custo, revisitando processos e grupos de foco (Bernardo, 2025).

Para garantir a eficácia na gestão e implementação de projetos, ferramentas como o 5W2H e o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) são amplamente utilizadas. O 5W2H atua como um plano de ação, orientando as atividades e fases do projeto, enquanto o ciclo PDCA é um método contínuo de melhoria que abrange o planejamento, a execução, a verificação e a ação (Grosbelli, 2014; Cíntia, 2021). Essas metodologias são cruciais para organizar, priorizar e controlar as atividades necessárias à implantação de inovações, contribuindo para a análise de desempenho organizacional e a obtenção de melhorias nos resultados (Mardony, 2017).

A relevância de analisar a inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas de construtoras e incorporadoras reside na possibilidade de modernizar as operações, otimizar a gestão financeira e aprimorar a experiência do cliente, superando as ineficiências dos métodos tradicionais. Diante desse panorama, este estudo se justifica pela necessidade de avaliar os impactos operacionais e financeiros da adoção do QR Code Pix, visando fornecer subsídios para a tomada de decisão estratégica no setor imobiliário e, assim, tem como objetivo analisar a inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas de uma construtora e incorporadora, com foco nos impactos dessa inovação nos aspectos operacionais e financeiros.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se por sua natureza aplicada e abordagem quantitativa, com delineamento exploratório. O estudo foi conduzido como um caso único, intrínseco a um ambiente organizacional específico. Essa escolha metodológica visou aprofundar o entendimento sobre os impactos da adoção do QR Code Pix no setor imobiliário, particularmente no processo de recebimento do sinal de imóveis, uma prática ainda em fase inicial de difusão no momento da implementação da nova modalidade de pagamento.

O objeto empírico da pesquisa consistiu em uma construtora e incorporadora de grande porte, com atuação em diversas regiões do Brasil. A empresa possui sede em São Paulo (SP) e opera também no Rio de Janeiro (RJ) e em Porto Alegre (RS). Suas atividades abrangem empreendimentos residenciais de médio e alto padrão, além de participar ativamente do programa governamental Minha Casa Minha Vida, o que confere um escopo diversificado à sua operação.

A implementação do QR Code Pix foi concebida e analisada sob a perspectiva do gerenciamento de projetos, seguindo as boas práticas estabelecidas pelo Guia PMBOK (Project Management Body of Knowledge). Essa abordagem permitiu estruturar a iniciativa de forma organizada, alinhada às práticas contemporâneas de gestão. Foram considerados domínios de desempenho como escopo, entrega, planejamento, medição e partes interessadas, fundamentais para a organização e controle das atividades.

Para o planejamento e a execução do projeto, utilizaram-se as metodologias 5W2H e o ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act). O 5W2H atuou como plano de ação, orientando as atividades e fases do projeto por meio de um checklist objetivo (Cíntia, 2021). O ciclo PDCA, método contínuo de melhoria, abrangeu as etapas de planejamento, execução, verificação e ação (Grosbelli, 2014; Cíntia, 2021). Ambas as ferramentas foram cruciais para organizar, priorizar e controlar as atividades de implantação da inovação.

A coleta de dados ocorreu em duas frentes: primária e secundária. Os dados primários foram coletados em outubro de 2025, por meio de questionário estruturado e online. O instrumento foi elaborado no Google Forms e distribuído via Microsoft Teams. Participaram 43 colaboradores da construtora, selecionados por amostragem intencional, com base no envolvimento durante e após a implantação do QR Code Pix. Os participantes incluíram gerentes e analistas das áreas financeira, secretaria de vendas, comercial e suporte técnico.

Os dados secundários foram coletados a partir de relatórios internos da instituição, abrangendo o período de janeiro de 2023 a dezembro de 2025. Essa coleta permitiu o levantamento e a consolidação de informações quantitativas essenciais. Foram gerados indicadores operacionais que possibilitaram a comparação de cenários antes e depois da implementação do QR Code Pix, focando na evolução da modalidade de pagamento, no tempo de compensação das transações e nos custos operacionais financeiros associados ao processo de cobrança do sinal da unidade.

A análise dos dados coletados, tanto primários quanto secundários, foi de natureza quantitativa e comparativa. Realizou-se uma avaliação dos cenários antes e depois da implementação do QR Code Pix, com foco na evolução da modalidade e na redução de custos de cobrança. A análise foi estruturada em conformidade com as áreas de conhecimento do gerenciamento de projetos, conforme o Guia PMBOK, abrangendo o gerenciamento de tempo, custos e qualidade.

No gerenciamento de tempo, analisaram-se os prazos de compensação e o impacto da adoção do QR Code Pix na redução do tempo médio entre a formalização da proposta comercial e a confirmação do recebimento financeiro. Em relação ao gerenciamento de custos, avaliou-se a redução dos custos operacionais, especialmente o esforço administrativo para conciliação de recebíveis e os ganhos obtidos pela redução de tarifas bancárias. No gerenciamento de qualidade, observaram-se indicadores relacionados à ocorrência de retrabalho e inconsistências operacionais no processo de cobrança.

A organização dos dados coletados permitiu a consolidação de informações quantitativas, que foram utilizadas para comparar a volumetria e o percentual de utilização dos diferentes meios de pagamento antes e após a implementação do QR Code Pix. Essa abordagem possibilitou uma compreensão objetiva dos efeitos operacionais e gerenciais da nova modalidade no processo inicial de vendas. Antes da aplicação dos questionários, os participantes foram informados sobre o propósito do estudo e sua contribuição para o trabalho acadêmico.

3. Resultados e Discussão

A implementação do QR Code Pix no processo inicial de vendas da construtora e incorporadora revelou uma série de impactos operacionais e financeiros significativos, conforme evidenciado pela análise de dados primários e secundários. Os resultados obtidos a partir de questionários aplicados a colaboradores e da avaliação de relatórios internos da organização permitiram uma compreensão aprofundada da eficácia da nova modalidade de pagamento. A pesquisa confirmou a relevância da abordagem de gerenciamento de projetos, alinhada aos princípios do Guia PMBOK, para a condução bem-sucedida de inovações tecnológicas no setor imobiliário, destacando a importância de um planejamento estruturado e do monitoramento contínuo para a obtenção de melhorias.

A estruturação do projeto de inclusão do QR Code Pix foi guiada pelos princípios do gerenciamento de projetos, conforme o Guia PMBOK, com foco em domínios de desempenho como planejamento, medição e partes interessadas. No desempenho de planejamento, a ferramenta 5W2H e o ciclo PDCA foram cruciais para organizar, priorizar e controlar as atividades, garantindo uma implantação sistemática. O 5W2H, por exemplo, detalhou o “o quê” (implantação do QR Code Pix), o “porquê” (redução do tempo de recebimento e custos), o “onde” (áreas de vendas, comercial, financeiro e TI), o “quando” (dois anos de 2024 a 2025), o “quem” (colaboradores das áreas envolvidas), o “como” (formulação de proposta e integração) e o “quanto custa” (custo da implantação e redução de custos bancários).

O desempenho de medição estabeleceu indicadores claros para avaliar a eficácia do novo meio de pagamento, incluindo a volumetria de utilização, o tempo de compensação financeira e os custos operacionais. Essa abordagem possibilitou o monitoramento contínuo dos resultados e a identificação de pontos de melhoria. Já o desempenho das partes interessadas envolveu diversas áreas da organização, como secretaria de vendas, comercial, financeiro e suporte de tecnologia da informação, promovendo a integração e o alinhamento entre os envolvidos. A colaboração dessas áreas foi fundamental para a adaptação e aceitação da nova modalidade, refletindo a natureza multifacetada de projetos de inovação em ambientes corporativos.

A metodologia PDCA (Plan-Do-Check-Act) foi aplicada como um ciclo contínuo de melhoria, abrangendo o planejamento, a execução, a verificação e a ação. Na etapa de planejamento, realizou-se o mapeamento do processo atual de cobrança, identificando gargalos e ineficiências nos métodos tradicionais, como boleto bancário e transferência eletrônica (TED), que demandavam maior tempo de compensação e conciliação manual. Este mapeamento detalhou os fluxos operacionais, permitindo visualizar as atividades e as oportunidades de melhoria, o que foi essencial para a transição para o novo sistema.

A análise dos fluxos de cobrança tradicionais, como o boleto bancário, revelou um processo com sete etapas, desde a formulação da proposta até a identificação do pagamento no dia útil seguinte e o direcionamento para análise de crédito. A transferência bancária, por sua vez, envolvia seis etapas e frequentemente exigia compensação manual pelo setor financeiro, gerando conferências operacionais e retrabalho. Em contraste, o fluxo do QR Code Pix foi simplificado para cinco etapas, caracterizado pelo registro instantâneo, funcionalidade em qualquer dia e horário, e identificação imediata do pagamento, o que agilizou significativamente o processo de recebimento do sinal e a validação da proposta.

Na etapa de execução (Do), o planejamento detalhado pelo 5W2H evidenciou a prioridade do QR Code Pix para o recebimento do sinal, dada sua capacidade de automatização e confirmação imediata da transação. Foram definidos indicadores para acompanhar a volumetria de uso e os custos operacionais. A etapa de monitoramento e controle (Check) utilizou dados primários e secundários para comparar a utilização dos meios de cobrança entre 2023 e 2025, mensurando a redução de custos operacionais e o desempenho financeiro em termos de tempo de recebimento. A fase de ação (Act) identificou riscos associados à transferência bancária, como a identificação incorreta de crédito e o retrabalho, reforçando a priorização do QR Code Pix para mitigar esses problemas e otimizar o processo.

A pesquisa com os colaboradores, que incluiu 43 participantes, sendo 22 das áreas diretamente envolvidas na implantação, revelou percepções predominantemente positivas. A distribuição das respostas por área de atuação indicou que o setor financeiro concentrou 51,16% dos envolvidos, seguido pela Tecnologia da Informação com 20,93%. Essa concentração reflete a natureza dos processos de conciliação, controle e integração sistêmica impactados pela inovação. Geograficamente, a maioria das respostas (83,72%) veio de São Paulo, o que reforça a consolidação do sentimento positivo no ambiente corporativo da sede da empresa.

Em relação à eficiência operacional, os resultados do questionário indicaram que a implantação do QR Code Pix contribuiu para agilizar o fechamento de vendas, com 33,33% dos respondentes apontando essa melhoria. O processo de identificação do sinal de pagamento inicial tornou-se mais rápido para 42,86% dos colaboradores, e 21,43% relataram uma redução no retrabalho de conferência de pagamentos. Esses dados demonstram uma percepção clara de melhoria na agilidade e na otimização dos processos internos, alinhando-se ao objetivo de modernizar as operações de vendas.

A análise sobre a redução de custos e automação revelou que 39,53% dos colaboradores perceberam que a automação da conciliação de pagamentos via QR Code Pix gerou redução de custos operacionais em suas áreas. Adicionalmente, 55,81% indicaram uma diminuição na incidência de cobranças manuais ou erros após a implementação do novo processo. Esses achados corroboram a expectativa de que a automação proporcionada pelo Pix resultaria em ganhos financeiros e operacionais, minimizando a necessidade de intervenções manuais e os custos associados a elas, o que é um fator crítico para a gestão financeira eficiente no setor imobiliário.

Quanto à experiência do cliente, 76,74% dos colaboradores observaram maior satisfação dos clientes com a possibilidade de realizar pagamentos via QR Code Pix. A mesma porcentagem (76,74%) percebeu melhorias no relacionamento com o cliente após a mudança do meio de pagamento. Esses resultados sugerem que a inovação não apenas otimizou os processos internos, mas também aprimorou a interação com os clientes, um aspecto fundamental para a competitividade e a imagem da construtora. A conveniência e a rapidez do Pix contribuíram para uma percepção positiva por parte dos consumidores.

A adaptação tecnológica e os processos internos também foram avaliados. Verificou-se que 62,79% dos colaboradores consideraram o treinamento recebido para operar o novo sistema como suficiente, e a mesma porcentagem (62,79%) não relatou dificuldades de integração entre os sistemas do banco e o ERP da empresa. Embora 20,93% tenham apontado dificuldades de integração, a maioria das respostas indica uma transição tecnológica relativamente suave e bem-sucedida, com a equipe capacitada e os sistemas integrados de forma eficaz, o que é crucial para a sustentabilidade da inovação.

A aceitação e a cultura organizacional foram predominantemente positivas, com 60,47% dos envolvidos afirmando que a aceitação do novo meio de pagamento se tornou positiva sem resistência. Mesmo com alguma resistência inicial em certas áreas, a aceitação geral foi favorável, com 25,58% indicando aceitação positiva mesmo com resistência. Isso demonstra que, apesar dos desafios inerentes a qualquer mudança organizacional, a construtora conseguiu promover uma cultura de adaptação e abertura à inovação, facilitada pela comunicação clara e pelo engajamento das partes interessadas.

Os resultados obtidos após a implantação atenderam às expectativas para o setor de 65,12% dos colaboradores, e 30,23% consideraram viável a replicação do modelo em outras regionais ou empresas do setor da construção civil. Essa percepção de replicabilidade é um indicativo da robustez e do potencial de escalabilidade da solução implementada. A capacidade de o modelo ser aplicado em outros contextos reforça a contribuição estratégica da adoção do QR Code Pix, não apenas para a empresa estudada, mas para o setor imobiliário como um todo, como uma prática de modernização e eficiência.

A análise dos dados secundários, coletados de relatórios internos da instituição entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, forneceu uma perspectiva quantitativa sobre a evolução e comparação dos meios de pagamento. No gerenciamento de tempo, a adoção do QR Code Pix impactou positivamente a redução do tempo médio entre a formalização da proposta comercial e a confirmação do recebimento financeiro. A eliminação de etapas manuais e a independência de dias úteis para a liquidação financeira, características do Pix, resultaram em ganhos significativos de desempenho operacional, acelerando o ciclo de vendas e a liberação de unidades.

No gerenciamento de custos, a avaliação demonstrou uma redução nos custos operacionais associados à conciliação dos recebíveis. A automação eliminou a necessidade de uma equipe robusta para contabilização e identificação de valores, além de reduzir as tarifas bancárias. Essa otimização contribuiu para a eficiência financeira da construtora, liberando recursos que antes seriam alocados em tarefas administrativas repetitivas e onerosas. A diminuição dos custos indiretos relacionados ao retrabalho, que era comum nos métodos tradicionais, também foi um fator relevante para a melhoria do desempenho financeiro.

A análise da evolução dos meios de pagamento entre 2023 e 2025 revelou uma transformação notável. Em 2023, das 22.203 transações, a Transferência Eletrônica Disponível (TED) representava 81,62%, o boleto 15,53%, e o QR Code Pix apenas 2,85% (632 transações). Em 2024, com 29.456 transações, a TED caiu drasticamente para 36,57%, enquanto o QR Code Pix cresceu expressivamente para 50,37%, superando os meios tradicionais. Em 2025, das 29.230 transações, a TED reduziu sua participação para 18,05%, e o QR Code Pix consolidou sua liderança, atingindo 69,79% das transações, demonstrando uma mudança estrutural no padrão operacional de cobrança.

Essa evolução evidencia que o QR Code Pix, que partiu de uma participação de 2,85% em 2023, alcançou 69,79% em 2025, representando um crescimento exponencial e uma clara preferência dos clientes e da empresa pela nova modalidade. Em contrapartida, o boleto bancário manteve uma relativa estabilidade em sua participação, com pouca variação ao longo do período, enquanto a TED sofreu uma redução drástica. A permanência do boleto, mesmo com a ascensão do Pix, sugere a importância de oferecer múltiplas opções de pagamento para atender a diferentes perfis de clientes, conforme apontado na discussão sobre monitoramento e controle.

No gerenciamento de qualidade, foram observados indicadores relacionados à ocorrência de retrabalho e inconsistências operacionais no processo de cobrança. A implantação do QR Code Pix contribuiu para a padronização, confiabilidade e controle do processo, itens diretamente relacionados à melhoria contínua e à conformidade dos resultados esperados do projeto. A diminuição das falhas de identificação e a automatização da conciliação reduziram significativamente os erros, elevando a qualidade geral do processo de recebimento e impactando positivamente a satisfação das partes interessadas.

A análise dos custos operacionais revelou que a tarifa unitária do QR Code Pix, de R$ 0,85, foi significativamente inferior à do boleto bancário, que custava R$ 2,30 por transação. Comparando o modelo adotado (que inclui Pix, boleto e TED) com um cenário hipotético onde todas as transações seriam realizadas pelos métodos tradicionais, a construtora obteve uma economia de R$ 52.010,05, o que representa 48,40% de redução nos custos financeiros e operacionais. Essa economia é um reflexo direto da substituição parcial dos métodos tradicionais pelo Pix, que oferece maior eficiência e menor custo por transação, evidenciando o valor agregado da inovação.

Em síntese, a inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas da construtora e incorporadora demonstrou ser uma iniciativa estratégica e bem-sucedida. Os resultados confirmaram que a nova modalidade promoveu ganhos substanciais em eficiência operacional, com processos mais ágeis e menos retrabalho, e gerou uma significativa redução de custos financeiros e operacionais devido à automação e às tarifas mais baixas. Adicionalmente, a experiência do cliente foi aprimorada, e a aceitação interna da tecnologia foi positiva, validando o gerenciamento de projetos aplicado e consolidando o QR Code Pix como uma solução viável e estratégica para a modernização do setor imobiliário.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar a inclusão do QR Code Pix no processo inicial de vendas de uma construtora e incorporadora, avaliando seus impactos operacionais e financeiros. Verificou-se que a implementação dessa modalidade de pagamento contribuiu significativamente para a modernização do processo de vendas, promovendo maior eficiência operacional. Observou-se uma agilização no fechamento de vendas e na identificação do sinal de pagamento inicial, além de uma redução no retrabalho de conferência. Financeiramente, identificou-se uma diminuição nos custos operacionais, impulsionada pela automação da conciliação de pagamentos e pelas tarifas bancárias mais baixas. A análise quantitativa revelou uma transformação estrutural no perfil de pagamentos, com a participação do QR Code Pix crescendo de 2,85% em 2023 para 69,79% em 2025, enquanto a Transferência Eletrônica Disponível (TED) reduziu sua representatividade de 81,62% para 18,05% no mesmo período. Essa mudança gerou uma economia de R$ 52.010,05, representando uma redução de 48,40% nos custos financeiros e operacionais.

A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração de que o QR Code Pix representa uma solução viável e estratégica para o setor imobiliário, otimizando processos e aprimorando a experiência do cliente, que demonstrou maior satisfação com a conveniência do novo meio de pagamento. A abordagem de gerenciamento de projetos, fundamentada no Guia PMBOK e nas ferramentas 5W2H e PDCA, mostrou-se crucial para a condução bem-sucedida da inovação, garantindo uma transição tecnológica suave e a aceitação positiva da equipe. A percepção de replicabilidade do modelo em outras empresas do setor sugere a relevância de futuros estudos que explorem a aplicação e os impactos do QR Code Pix em diferentes contextos organizacionais e regionais, consolidando ainda mais sua contribuição para a modernização da gestão financeira na construção civil.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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