Artigo

29 de julho de 2026

Importância da fiscalização e gestão de projetos em obras de saneamento

Eduardo Bispo dos Santos; Daniel Augusto Pagi Ferreira

DOI: 10.22167/2675-6528-202600749

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Este trabalho investigou a importância do profissional de Engenharia Civil no contexto da fiscalização de projetos em obras de saneamento. O objetivo foi analisar o papel desse profissional, apresentando um estudo de caso do Pacote A do projeto Integra Tietê, que visa a despoluição do Rio Tietê pela descarga de esgoto tratado em São Paulo/SP. Para tanto, observaram-se ferramentas de diagnóstico que promovem melhorias contínuas em processos, como a análise SWOT, a metodologia 5W2H e o PMBOK® Guide, elaborado pelo PMI. Os resultados principais indicaram que o engenheiro civil atua no planejamento, gestão, viabilização técnica/financeira e conformidade regulatória de projetos de infraestrutura de água e esgoto, por vezes em escritórios “back office” em vez de obras de campo. Além disso, o engenheiro fiscal orienta sobre a preservação ambiental e a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), garantindo a sustentabilidade do projeto. Concluiu-se que o desempenho do projeto está fortemente associado à competência, ao engajamento e à comunicação entre os membros da equipe, o que sustenta a importância de uma equipe fiscalizadora de engenheiros civis em obras de saneamento básico.

Palavras-chave: 5W2H; EAP Pacote A; Equipe da Engenharia Civil; Lean Construction; PMI.

1. Introdução

O saneamento básico é um pilar fundamental para a saúde pública e a qualidade de vida da população, com impactos diretos no desenvolvimento socioeconômico de um país. No Brasil, a universalização desses serviços ainda representa um desafio significativo. Dados recentes revelam que nove milhões de residências não possuem acesso adequado à água potável, e cerca de 354 mil imóveis descartam o equivalente a duas mil piscinas olímpicas de esgoto em rios e praias mensalmente (Sabesp, 2025). Essa realidade, que totaliza aproximadamente 4,6 bilhões de litros de esgoto sem tratamento por mês, contribui para a poluição hídrica, a proliferação de doenças e a degradação ambiental, evidenciando a urgência de investimentos e gestão eficazes na área.

Diante desse cenário, o arcabouço legal brasileiro tem evoluído para impulsionar a melhoria dos serviços. A Lei nº 11.445/2007 (Brasil, 2007) estabeleceu as diretrizes nacionais para o saneamento básico, e o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, Lei nº 14.026/2020 (Brasil, 2020), atualizou essas normativas com o objetivo de promover a universalização, a qualidade e a continuidade dos serviços. O Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES, 2021) reforça que a implementação de um saneamento inclusivo e eficiente gera benefícios substanciais para a sociedade, abrangendo desde a saúde até a economia e o meio ambiente.

Nesse contexto, o profissional de Engenharia Civil desempenha um papel central, atuando no planejamento, gestão, viabilização técnico-financeira e conformidade regulatória de projetos de infraestrutura de água e esgoto (Kaio et al., 2024). A complexidade dessas obras, muitas vezes de grande porte e com impacto ambiental significativo, exige uma atuação multidisciplinar e rigorosa. O engenheiro civil, seja em funções de “back office” ou diretamente em campo, é responsável por assegurar que os empreendimentos sejam executados de acordo com as especificações técnicas, prazos e orçamentos estabelecidos, além de garantir a aderência às normas ambientais e de segurança.

A fiscalização em obras de saneamento, em particular, é uma atividade crítica. O engenheiro fiscal orienta sobre a preservação ambiental e a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), elementos cruciais para a sustentabilidade dos projetos. Para otimizar essa fiscalização e a gestão de projetos, diversas ferramentas de diagnóstico e metodologias são empregadas. O PMBOK® Guide (PMI, 2021), por exemplo, oferece um guia abrangente para o gerenciamento de projetos, enquanto abordagens como a análise SWOT e a ferramenta 5W2H (Gerhardt e Silveira, 2009) são utilizadas para identificar pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças, e para planejar ações de forma clara e eficiente. A “Lean Construction” (Pedroso e Lucena, 2022) também contribui para a otimização de processos e a redução de desperdícios.

Adicionalmente, a incorporação de tecnologias digitais avançadas, como a Inteligência Artificial (IA) e o “machine learning”, tem se mostrado promissora na fiscalização de obras de saneamento. Essas tecnologias, aliadas ao uso de drones e sensores remotos, permitem o tratamento automatizado de grandes volumes de dados operacionais, financeiros e ambientais, tornando o controle mais ágil e preciso. Algoritmos podem analisar séries históricas, identificar inconsistências em cronogramas, detectar desvios de custos e antecipar riscos de atraso ou paralisação, contribuindo para a construção de modelos preditivos que sinalizam padrões anômalos (Russell e Norvig, 2021; Silva e Kriguer, 2025; Wang et al., 2020). Apesar desses avanços, a efetividade da fiscalização ainda depende da capacidade de articulação entre a tecnologia e a experiência prática dos profissionais.

Apesar da importância reconhecida do saneamento básico e do papel do engenheiro civil, existe uma lacuna na compreensão aprofundada sobre a atuação desse profissional no contexto da fiscalização de projetos em obras de saneamento. É fundamental investigar como as metodologias de gestão de projetos são aplicadas, quais as obrigações contratuais e regulatórias que norteiam suas atividades e como se dá o monitoramento e a execução diária em campo. A compreensão desses aspectos é crucial para aprimorar as práticas de fiscalização, garantir a conformidade dos projetos e, consequentemente, assegurar a entrega de serviços de saneamento com qualidade e sustentabilidade.

Este estudo se justifica pela necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a contribuição do engenheiro civil para a eficiência e sustentabilidade das obras de saneamento, visando aprimorar a gestão de projetos e a fiscalização. Assim, o objetivo geral deste trabalho é investigar a importância do profissional de Engenharia Civil no contexto da fiscalização de projetos em obras de saneamento, e especificamente: identificar metodologias utilizadas pelo engenheiro civil no projeto; saber sobre a obrigação de dominar o contrato acordado; e identificar seu trabalho de monitoramento e execução diária em campo.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza aplicada e de abordagem descritiva, configurando-se como um estudo de caso. Essa escolha metodológica foi fundamentada na necessidade de aprofundar a compreensão sobre as atitudes e os comportamentos de uma equipe envolvida no saneamento básico na cidade de São Paulo/SP. Conforme Gil (2010), a pesquisa descritiva visa descrever as características de uma população ou fenômeno, enquanto Yin (2010) reforça que o estudo de caso permite uma investigação aprofundada de fenômenos contemporâneos, especialmente em contextos organizacionais e sociais dinâmicos.

O objeto empírico do estudo concentrou-se na atuação do profissional de Engenharia Civil no contexto da fiscalização de projetos em obras de saneamento. Para tanto, realizou-se um estudo de caso específico do Pacote A do projeto Integra Tietê, implementado pelo Governo de São Paulo em 2023. Este projeto visa a despoluição do Rio Tietê, por meio de ações estruturantes que combinam saneamento básico, desassoreamento e fiscalização, com investimentos que superam R$ 23,5 bilhões e metas de redução da carga orgânica em 54% até 2029, buscando a universalização do saneamento (Areal, 2023).

A metodologia empregou a observação de ferramentas de diagnóstico que promovem melhorias contínuas em processos. Utilizou-se a análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) como parte de um planejamento estratégico para obras de saneamento básico. Adicionalmente, aplicou-se a metodologia 5W2H, que organiza ações por meio de perguntas como “o que”, “o que será feito”, “por que”, “onde”, “quando”, e “como” e “custo”. Os ensinamentos do PMBOK® Guide, elaborado pelo Project Management Institute (PMI, 2021), também foram incorporados para o gerenciamento de projetos.

Os participantes da pesquisa foram profissionais responsáveis pelo Pacote A do projeto Integra Tietê, selecionados por conveniência. A amostra foi composta por 13 profissionais com experiência na área, incluindo um supervisor/coordenador/gerente de obras, três engenheiros civis com cargos administrativos em escritório, seis engenheiros civis atuantes na fiscalização de obra e três fiscais de obra em campo. Esses indivíduos foram escolhidos por sua atuação direta e experiência no serviço de execução do Pacote A.

Para a coleta de dados, elaborou-se um roteiro de pesquisa, que foi aplicado por meio de um formulário online via Google Forms. O questionário continha cinco perguntas abertas, focadas no operacional da fiscalização, e seis perguntas fechadas, que empregaram uma escala Likert de cinco pontos. As opções de resposta para as perguntas fechadas foram: Discordo totalmente, Discordo em parte, Não sei, Concordo plenamente e Concordo em parte.

A coleta de dados ocorreu em janeiro de 2026, com o envio do link do formulário aos participantes. Os dados coletados foram organizados e analisados de forma a integrar abordagens qualitativas e quantitativas. As respostas às perguntas abertas foram submetidas a uma análise qualitativa para identificar padrões e temas, enquanto os dados das perguntas fechadas, obtidos pela escala Likert, foram transformados em dados quantitativos para análise estatística.

Durante todo o processo de pesquisa, foram observados rigorosos cuidados éticos. Antes da participação, os respondentes receberam um termo de consentimento livre e esclarecido, garantindo a voluntariedade e a compreensão dos objetivos do estudo. As informações pessoais foram tratadas com confidencialidade, e o anonimato dos participantes foi assegurado, protegendo seus dados e opiniões.

3. Resultados e Discussão

A gestão de projetos, conforme delineado pelo “Project Management Body of Knowledge” (PMBOK® Guide) do Project Management Institute (PMI, 2021), representa um campo de conhecimento interdisciplinar essencial para planejar, executar, monitorar e encerrar empreendimentos. No contexto das obras de saneamento, essa abordagem integrada é crucial para lidar com a complexidade inerente a esses projetos, que são temporários, únicos e orientados a objetivos específicos. As áreas de conhecimento do PMBOK® Guide, como integração, escopo, cronograma, custos, qualidade, recursos humanos, comunicações, riscos e aquisições, fornecem um arcabouço sistêmico para organizar as atividades e competências da equipe de engenharia civil, conforme destacado por Kerzner (2021).

A atuação do engenheiro civil em obras de saneamento básico, como observado no estudo de caso do Pacote A do projeto Integra Tietê, concentra-se no planejamento, gestão, viabilização técnica e financeira, e na conformidade regulatória. Este profissional frequentemente opera em escritórios, realizando funções de “back office”, mas sua influência se estende diretamente ao campo. Suas responsabilidades abrangem desde a elaboração e revisão de contratos, licitações e monitoramento físico-financeiro, até o desenvolvimento de estudos preliminares, relatórios técnicos e orçamentos para a expansão ou manutenção de redes de água e esgoto. A preparação de documentação para licenças ambientais e a garantia de conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são também atividades centrais.

A fiscalização de obras de saneamento básico exige do engenheiro civil uma atuação multifacetada, que combina conhecimento técnico aprofundado, capacidade de gestão e um domínio rigoroso das normas jurídicas e contratuais. O contrato administrativo, em particular, é o instrumento fundamental que organiza e controla a execução da obra, estabelecendo responsabilidades, prazos, custos e padrões de qualidade. A compreensão detalhada desses documentos é indispensável para assegurar que o projeto seja executado conforme o planejado, minimizando desvios e garantindo a legalidade de todas as etapas, um aspecto crítico para a transparência e a eficácia da gestão pública.

A pesquisa envolveu 13 profissionais, sendo um supervisor/coordenador/gerente de obras, três engenheiros civis com cargos administrativos em escritório, seis engenheiros civis na fiscalização de obra e três fiscais de obra em campo. A maioria desses profissionais possuía entre cinco e mais de dez anos de experiência na área de saneamento básico, com exceção de alguns fiscais de campo que tinham menos de um ano ou entre um e três anos de atuação. Essa diversidade de experiência e função reflete a amplitude das responsabilidades do engenheiro civil no setor, desde o planejamento estratégico até a execução e fiscalização diária.

Um dos principais achados da pesquisa, em consonância com o objetivo de identificar o trabalho de monitoramento e execução diária em campo, revelou que o engenheiro fiscal é o profissional responsável por assegurar que os projetos de infraestrutura hídrica e de esgoto sejam executados em conformidade com o planejamento técnico, dentro do prazo, com qualidade e segurança. Ele atua como representante do contratante, seja público ou privado, diretamente no canteiro de obras. Essa presença em campo é vital para a validação da qualidade construtiva, especialmente em obras de saneamento, onde muitas estruturas são subterrâneas e de difícil verificação posterior.

No que tange à sustentabilidade, o engenheiro fiscal desempenha um papel crucial na orientação sobre a preservação ambiental e a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), garantindo que o projeto esteja alinhado com as diretrizes ambientais. A despoluição de um rio municipal, como o Rio Tietê, implica em objetivos ambientais claros e mensuráveis, com a meta de que 100% do esgoto coletado e tratado atenda aos indicadores de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). Essa clareza de propósito é uma força (Strength) do projeto, mas a fiscalização inadequada pode comprometer esses resultados.

A fiscalização de obras públicas, em particular, beneficia-se da estrutura de conhecimentos sobre gerenciamento de projetos para formalizar processos decisórios, rastrear ações e padronizar práticas de planejamento e controle. No entanto, a aplicação isolada do PMBOK® Guide pode apresentar limitações no enfrentamento de desperdícios operacionais e variabilidades inerentes aos canteiros de obras. Isso sugere a necessidade de articular o PMBOK® Guide com abordagens complementares, como a “Lean Construction”, que busca maximizar o valor ao cliente e reduzir desperdícios de tempo, materiais e movimentação na construção civil (Pedroso e Lucena, 2022).

A pesquisa identificou diversos desafios, limitações e dificuldades na fiscalização de projetos de saneamento envolvendo engenheiros civis. Entre os mais citados, destacam-se a baixa qualidade das empresas contratadas e a escassez de fiscais experientes, o que aponta para a necessidade de programas de capacitação. Além disso, o desequilíbrio nas informações e as falhas de mercado contribuem para a ineficiência, enquanto a execução de serviços em locais não urbanizados apresenta dificuldades logísticas e de espaço físico para equipamentos, conforme apontado pelos participantes.

Outro desafio significativo é a resistência de alguns profissionais em utilizar ferramentas mais avançadas e assertivas, como softwares de geoprocessamento, preferindo controles manuais via planilha. Essa prática compromete a confiabilidade e rastreabilidade dos dados, resultando em uma gestão menos integrada e eficaz. Projetos de má qualidade também geram dificuldades em campo, como grandes interferências não mapeadas, presença de rocha e problemas de comunicação entre fiscalização e terceiros, levando a atrasos e postergação de prazos de execução, o que impacta diretamente a eficiência do projeto.

A alta demanda por serviços de saneamento e a burocratização excessiva dos processos, incluindo licenciamentos e alvarás, também foram apontadas como fatores que impactam a eficiência da execução das obras. A integração de todos os setores responsáveis pelo empreendimento para manter as informações atualizadas é um desafio constante, especialmente porque os projetos sofrem diversas mudanças. Adicionalmente, o trabalho em comunidades exige uma comunicação e um planejamento social prévio ao início da obra, o que nem sempre é adequadamente realizado, gerando entraves.

A presença de projetos muito antigos, com dados desatualizados sobre as vias, o solo e interferências não mapeadas (como redes antigas de gás, energia ou metrô), representa uma dificuldade considerável. Esses problemas de compatibilização de projetos e interferências em campo, somados às limitações de prazo e orçamento, falhas ou indefinições de projeto, e dificuldades de comunicação entre as partes envolvidas, criam um ambiente complexo para a fiscalização. A pressão por resultados e a burocracia dos processos exacerbam esses desafios, exigindo uma atuação ainda mais robusta do engenheiro civil.

O monitoramento cotidiano da obra, uma etapa essencial da fiscalização, envolve a verificação de diversos aspectos, como esgotamento sanitário, escavações para assentamento de tubulações, execução de poços de visita, instalação de redes coletoras e interligações domiciliares. Essas atividades são sujeitas a variáveis como condições geotécnicas, interferências com infraestruturas urbanas e limitações operacionais do ambiente urbano. A superfície lateral da vala, por exemplo, deve ser contida por perfis verticais de aço, pranchões de madeira de lei, longarinas de perfis de aço e estroncas de eucalipto com diâmetro mínimo de 0,20 metro, com cravação por bate-estacas, martelo vibratório ou pré-furo, conforme as especificações técnicas.

Nesse cenário, o engenheiro civil desempenha a função de avaliar continuamente a conformidade das atividades executadas, verificando se os métodos construtivos adotados pela empresa contratada seguem as especificações estabelecidas no projeto executivo e nas normas técnicas aplicáveis. O acompanhamento direto das frentes de serviço permite identificar precocemente eventuais desvios, possibilitando a adoção de medidas corretivas antes que problemas se consolidem no processo construtivo. A presença constante do fiscal em campo também exerce uma função preventiva, contribuindo para a redução de falhas construtivas.

A incorporação de tecnologias digitais avançadas, como a Inteligência Artificial (IA) e o “machine learning”, tem se mostrado promissora na fiscalização de obras de saneamento. Ferramentas como Building Information Modeling (BIM), drones para inspeções e acompanhamento de obras, sistemas digitais de gestão e medição, e aplicativos de campo com registros fotográficos e georreferenciados, são utilizadas. Essas tecnologias permitem o tratamento automatizado de grandes volumes de dados operacionais, financeiros e ambientais, tornando o controle mais ágil e preciso, e contribuindo para a construção de modelos preditivos que sinalizam padrões anômalos (Russell e Norvig, 2021; Silva e Kriguer, 2025; Wang et al., 2020).

Contudo, a pesquisa revelou que essas tecnologias são vistas como complementares à fiscalização presencial, e não como substitutas. Há uma preocupação clara com a formalização e padronização da fiscalização, e a automação é percebida como um meio de reduzir a subjetividade, indicando uma transição de uma fiscalização mais empírica para uma abordagem orientada por dados. Essa visão equilibrada entre inovação tecnológica e experiência prática e colaborativa é fundamental para o sucesso dos projetos de saneamento, garantindo que os entregáveis atendam aos requisitos e padrões estabelecidos, bem como às expectativas das partes interessadas (PMI, 2021).

As competências importantes para que engenheiros civis atuem de forma eficaz na fiscalização de projetos de saneamento incluem comunicação técnica, tomada de decisão, análise crítica, liderança e visão sistêmica. Os respondentes afirmaram que o saneamento ambiental, legislação e normas técnicas, gestão de contratos e projetos, além do domínio de ferramentas digitais, conhecimentos em gestão e planejamento de obras, hidráulica aplicada, sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, são cruciais. Muitos engenheiros fiscais possuem formação em pós-graduação em saneamento ambiental ou engenharia sanitária e outros afirmam ter um “Manual Técnico ou Especificação Técnica, Regulamentação de Preços e Critérios de Medição” como guia.

Em relação às opiniões sobre o trabalho da engenharia civil, 84,6% dos entrevistados concordaram plenamente que o engenheiro civil possui responsabilidade socioambiental, contribuindo para que a fiscalização de obras de saneamento esteja alinhada às normas ambientais e tenha impacto positivo na comunidade. A totalidade dos participantes (100%) concordou plenamente que a atuação do engenheiro civil é fundamental no monitoramento e controle, acompanhando o progresso, identificando desvios e tomando ações corretivas para manter o projeto no rumo. Além disso, 84,6% concordaram plenamente que a eficiência e otimização do uso de recursos e processos são extremamente relevantes para obter os melhores resultados.

No controle de riscos, 77% dos entrevistados concordaram plenamente que o engenheiro civil participa ativamente na identificação e mitigação de riscos, evitando falhas e imprevistos, enquanto 15% concordaram em parte e 6% não souberam responder. Para garantir que as entregas atendam aos padrões de qualidade esperados, 85% concordaram plenamente que o engenheiro civil é o profissional mais bem indicado para liderar essa etapa, com 15% concordando em parte. Quanto ao alinhamento e comunicação, 77% concordaram plenamente que o engenheiro civil atua para promover a coordenação entre as equipes e o alinhamento dos “stakeholders” com os objetivos do projeto, e 23% concordaram em parte.

Apesar do consenso sobre a importância da comunicação, uma contradição foi expressa por um engenheiro civil da fiscalização, que relatou a “revelia dos colaboradores fiscalizados”, onde se “ordena uma coisa, quando ‘vira as costas’ faz outra”. Essa observação denota que a comunicação em projetos vai além da transmissão de dados técnicos, abrangendo dimensões interpessoais, culturais e organizacionais. Falhas de comunicação são uma das principais causas de insucesso em projetos complexos, e um gerenciamento eficaz das comunicações é vital para mitigar riscos, fortalecer o trabalho em equipe e construir relações de confiança (Kerzner, 2021).

A pesquisa também sugere a criação de um “Manifesto da Engenharia Civil” individual para cada participante do projeto, como forma de consolidar as lições aprendidas e promover a melhoria contínua. Esse manifesto, que responderia a perguntas sobre a transformação gerada, verdades discordantes, medos do público, experiências pessoais, mudanças desejadas na equipe e necessidades de nascimento/fim, poderia colaborar para o gerenciamento das comunicações, recursos humanos e qualidade do projeto. As lições aprendidas, sejam de sucessos ou falhas, são conhecimentos que podem ser sistematizados e reutilizados para aprimorar o desempenho organizacional (PMI, 2021; Ribeiro e Souza, 2020).

Em síntese, os resultados demonstram que o engenheiro civil é um profissional indispensável na fiscalização de projetos de saneamento, atuando em diversas frentes, desde o planejamento e a gestão até a execução e o monitoramento diário em campo. Sua importância é reforçada pela necessidade de dominar contratos, aplicar metodologias de gestão, garantir a conformidade regulatória e ambiental, e promover uma comunicação eficaz entre as partes interessadas. A integração de tecnologias digitais complementa, mas não substitui, a experiência e a visão global do engenheiro fiscal, cujo desempenho está intrinsecamente ligado à competência, ao engajamento e à comunicação da equipe, elementos cruciais para a entrega de serviços de saneamento de qualidade e sustentabilidade.

4. Conclusão

O presente estudo investigou a importância do profissional de Engenharia Civil no contexto da fiscalização de projetos em obras de saneamento, com foco nas metodologias empregadas, no domínio contratual e na execução diária em campo. Verificou-se que o engenheiro civil desempenha um papel central no planejamento, gestão, viabilização técnico-financeira e conformidade regulatória de projetos de infraestrutura de água e esgoto. Observou-se que, embora muitas vezes atuando em escritórios, sua influência se estende diretamente ao campo, sendo crucial para a garantia da execução dos projetos conforme as especificações técnicas, prazos e orçamentos. A aplicação de metodologias estruturadas, como o PMBOK® Guide, mostrou-se fundamental para organizar processos decisórios e mitigar riscos, enquanto o domínio rigoroso dos contratos administrativos foi identificado como indispensável para a legalidade e eficácia da gestão. A atuação do engenheiro fiscal também se destacou na orientação sobre a preservação ambiental e a proteção de Áreas de Preservação Permanente (APPs), assegurando a sustentabilidade dos empreendimentos.

No monitoramento cotidiano da obra, constatou-se que o engenheiro civil avalia continuamente a conformidade das atividades executadas, desde escavações até a instalação de redes, exercendo uma função preventiva essencial. Contudo, foram identificados desafios significativos, como a baixa qualidade das empresas contratadas, a escassez de fiscais experientes, a resistência à adoção de ferramentas digitais avançadas e a burocratização excessiva dos processos. A incorporação de tecnologias como Inteligência Artificial e BIM revelou-se promissora para agilizar o controle, mas foi percebida como complementar à fiscalização presencial, indicando a necessidade de uma abordagem equilibrada entre inovação e experiência prática. A principal contribuição deste trabalho reside em reforçar que o desempenho do projeto está intrinsecamente associado à competência, ao engajamento e à comunicação eficaz da equipe de engenheiros civis, sustentando a importância de uma fiscalização qualificada para a entrega de serviços de saneamento de qualidade. Como limitação, a quantidade de respondentes pode não representar a totalidade das experiências em todos os escritórios do Projeto Integra Tietê. Sugere-se, para estudos futuros, a criação de um “Manifesto da Engenharia Civil” individual para cada participante, visando consolidar lições aprendidas e aprimorar a comunicação e a melhoria contínua.

Referências Bibliográficas

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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