29 de julho de 2026
Implantação de Metodologias Ágeis na Gestão de Projetos Científicos: Estudo sobre Trigo e Azospirillum brasilense
Eloiza de Andrade Araujo; Ariele da Silva Moreira Rodrigues Ferreira
DOI: 10.22167/2675-6528-202600753
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A crescente dependência da agricultura por fertilizantes químicos intensificou a busca por alternativas sustentáveis, embora experimentos com interações planta-microrganismo do solo, utilizando biologia molecular, apresentem alta complexidade operacional. Nesse cenário, metodologias ágeis surgiram como abordagem promissora para gerenciar a complexidade e incertezas da pesquisa experimental. Este estudo teve como objetivo avaliar a aplicação da abordagem ágil híbrida Scrumban na gestão de um projeto científico envolvendo trigo e Azospirillum brasilense, focando na organização das tarefas, gerenciamento do tempo e condução das etapas experimentais. A metodologia empregou um backlog para organização inicial das tarefas e um quadro visual de fluxo de trabalho estruturado em etapas como “Backlog do Projeto”, “A Fazer”, “Em Progresso” e “Concluído”. A análise foi realizada por meio da observação do fluxo de trabalho, do tempo de execução das atividades e da identificação de gargalos ao longo das sprints. Os resultados indicaram que a aplicação do Scrumban esteve associada a maior clareza na organização das atividades, melhor acompanhamento das etapas do projeto e identificação de limitações operacionais. A abordagem também demonstrou potencial para favorecer a adaptação a imprevistos inerentes à pesquisa experimental, como fatores biológicos e operacionais. Concluiu-se que a utilização de metodologias ágeis pode contribuir para aprimorar a organização das atividades, a gestão do tempo e o engajamento da equipe em projetos de pesquisa científica.
Palavras-chave: Experimentação agronômica; Fluxo de trabalho; Microbiologia do solo; Planejamento experimental; Scrumban.
1. Introdução
A agricultura contemporânea enfrenta um desafio crescente para atender à demanda global por alimentos, o que tem levado a uma intensificação do uso de fertilizantes químicos. Essa prática é particularmente notável em culturas de grande importância estratégica, como o trigo (Triticum aestivum L.) (FAOSTAT, 2022; Forbes Agro, 2023). Contudo, essa dependência acarreta impactos ambientais significativos e custos de produção elevados (Debona, 2023). Diante desse cenário, a busca por alternativas mais sustentáveis tem se intensificado, com destaque para o emprego de bactérias promotoras do crescimento vegetal, como Azospirillum brasilense, que demonstram potencial para reduzir a necessidade de insumos químicos (Bashan et al., 2014).
No entanto, a condução de experimentos que investigam as interações entre plantas e microrganismos do solo, especialmente aqueles que incorporam técnicas avançadas de ciências ômicas e biologia molecular, é intrinsecamente complexa. Tais pesquisas exigem a integração e a coordenação de múltiplas etapas experimentais, tornando sua execução desafiadora. A gestão de projetos, nesse contexto, emerge como um componente fundamental para organizar as tarefas, coordenar os recursos disponíveis, monitorar restrições e gerenciar imprevistos que podem surgir ao longo do processo de pesquisa.
As metodologias ágeis, caracterizadas por ciclos de desenvolvimento curtos e entregas incrementais, oferecem um arcabouço que permite ajustes rápidos e contínuos. Essa flexibilidade e capacidade de adaptação são essenciais em ambientes de pesquisa científica, onde a imprevisibilidade é uma constante (Rigby; Sutherland; Takeuchi, 2016). Uma gestão de projetos eficiente, portanto, é crucial para assegurar a coordenação eficaz das diversas etapas, a utilização otimizada dos recursos e o cumprimento dos objetivos e prazos estabelecidos para o projeto (Project Management Institute, 2017).
Tradicionalmente, a gestão de projetos científicos tem sido pautada por modelos de planejamento mais rígidos e consolidados (Project Management Institute, 2017). Contudo, esses modelos frequentemente se mostram inadequados para a dinâmica e as incertezas inerentes à experimentação agronômica. Fatores como a variabilidade ambiental, as respostas biológicas dos organismos, as condições edafoclimáticas e as limitações operacionais exigem adaptações constantes ao longo da execução, o que dificulta o cumprimento de cronogramas e a organização eficiente das atividades.
Apesar do reconhecimento do potencial das metodologias ágeis em ambientes de alta incerteza e que demandam adaptação contínua, ainda há uma notável escassez de estudos que investiguem sua aplicabilidade em projetos científicos experimentais na área agronômica. Essa lacuna é particularmente evidente em contextos que integram atividades de campo e laboratório. Embora as abordagens ágeis sejam amplamente empregadas em ambientes corporativos e no desenvolvimento tecnológico (Anderson, 2010), seu potencial na organização e gestão de pesquisas científicas permanece subexplorado. Essa carência de evidências ressalta a necessidade de explorar abordagens que possam conferir maior flexibilidade e eficiência à condução de pesquisas complexas.
Nesse cenário, a aplicação de metodologias ágeis na gestão de projetos científicos surge como uma abordagem promissora para enfrentar a complexidade e as incertezas inerentes a esse tipo de pesquisa. Modelos como Scrum e Kanban, por exemplo, possibilitam a organização visual das tarefas, o acompanhamento contínuo do progresso e a adaptação do planejamento conforme o desenvolvimento do projeto (Sutherland, 2014; Rigby; Sutherland; Takeuchi, 2016). A integração dessas abordagens pode oferecer um caminho para otimizar a execução de experimentos complexos.
Diante dessa problemática e da lacuna de conhecimento sobre a aplicação de metodologias ágeis em projetos científicos agronômicos, justifica-se a presente pesquisa pela necessidade de explorar estratégias que aprimorem a organização das atividades, o gerenciamento do tempo e a condução das etapas experimentais em contextos de alta complexidade. Assim, este estudo tem como objetivo avaliar a aplicação da abordagem ágil híbrida Scrumban na gestão de um projeto científico, utilizando como estudo de caso um experimento com trigo inoculado com Azospirillum brasilense, com foco na organização das tarefas, no gerenciamento do tempo e na condução das etapas experimentais.
2. Material e Métodos
A metodologia aplicada neste estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, com abordagem predominantemente qualitativa, de caráter descritivo. Desenvolveu-se por meio de um estudo de caso em contexto experimental, cujo foco consistiu em avaliar a aplicação da metodologia ágil híbrida Scrumban na organização e no acompanhamento de um projeto científico. A avaliação foi realizada a partir da observação do fluxo de trabalho, da evolução das tarefas e dos principais gargalos identificados ao longo da execução.
A condução deste estudo baseou-se na aplicação da abordagem ágil híbrida do tipo Scrumban, que integrou elementos das metodologias Scrum e Kanban. Essa abordagem foi selecionada pela ênfase na visualização do fluxo de trabalho e na otimização dos processos, considerando a necessidade de flexibilidade inerente a experimentos científicos. Tais experimentos envolvem múltiplas etapas, variáveis e potenciais ajustes ao longo do processo de execução.
As atividades foram inicialmente organizadas em um backlog, conforme a metodologia Scrum, para a estruturação inicial das tarefas. Posteriormente, utilizou-se um quadro físico de tarefas, mantido no laboratório, para a visualização contínua do fluxo de trabalho, seguindo os princípios do Kanban. O fluxo de trabalho foi estruturado em um quadro dividido nas seguintes etapas: “Backlog do Projeto”, “A Fazer”, “Em Progresso” e “Concluído”.
A movimentação das tarefas entre as colunas do quadro seguiu critérios definidos. Tarefas planejadas permaneciam no “Backlog do Projeto” e eram transferidas para “A Fazer” quando priorizadas. Ao serem iniciadas, passavam para “Em Progresso”, e eram alocadas em “Concluído” após sua finalização. Esse sistema permitiu o acompanhamento contínuo do projeto, facilitando a visualização do andamento das etapas e a identificação de limitações operacionais e de recursos.
A equipe do projeto foi composta por seis integrantes, os quais estiveram envolvidos na execução experimental e nas análises laboratoriais. As responsabilidades foram distribuídas de acordo com as etapas do experimento, com cada integrante responsável por atividades específicas e pela atualização das tarefas sob sua responsabilidade no quadro de acompanhamento.
A comunicação entre os integrantes ocorreu de forma contínua por meio do aplicativo WhatsApp, permitindo a rápida troca de informações e a resolução de demandas operacionais. Adicionalmente, foram realizadas reuniões semanais para alinhamento das atividades, identificação de impedimentos e replanejamento quando necessário.
Utilizou-se um planejamento semanal (planner) para organizar as atividades previstas para cada período, contribuindo para o maior controle das tarefas e o cumprimento dos prazos. Foram definidos ciclos de trabalho, denominados sprints, com duração previamente estabelecida em dias. O objetivo das sprints foi organizar a execução das atividades e permitir revisões periódicas do andamento do projeto, com replanejamento das tarefas subsequentes ao final de cada ciclo.
O experimento científico, que serviu como estudo de caso para a aplicação do Scrumban, foi conduzido em condições de campo. Utilizaram-se cultivares de trigo (Triticum aestivum L.) submetidas à inoculação com Azospirillum brasilense. O delineamento experimental empregado foi inteiramente casualizado em arranjo fatorial.
As etapas experimentais envolveram semeadura, inoculação, coleta de amostras e análises laboratoriais, sendo todas incorporadas ao sistema Scrumban. Os procedimentos laboratoriais e moleculares foram descritos de forma sintética no TCC original, servindo como base para a aplicação e avaliação da metodologia de gestão.
A utilização da abordagem Scrumban exigiu adaptações no contexto científico, uma vez que determinadas etapas experimentais dependem de fatores biológicos e não podem ser aceleradas. Dessa forma, o sistema foi ajustado para contemplar períodos de espera e incertezas inerentes à pesquisa experimental, mantendo a organização e o controle das atividades.
A avaliação da aplicação da metodologia ágil foi realizada de maneira qualitativa, com base em três critérios principais. O primeiro critério foi o fluxo de trabalho, analisado por meio da movimentação das tarefas entre as etapas do quadro. O segundo critério foi o tempo de execução das tarefas, considerado a partir do intervalo entre o início e a conclusão das atividades. O terceiro critério foi a identificação de gargalos, verificada pela permanência prolongada de tarefas em determinadas etapas do fluxo.
Como forma de apoio à análise, foram considerados registros de tempo de execução das atividades e a evolução das tarefas no quadro de trabalho. Esses elementos foram utilizados para complementar a interpretação dos resultados, sem, contudo, antecipar os achados empíricos.
3. Resultados e Discussão
A aplicação da abordagem ágil híbrida Scrumban no projeto científico, que envolveu o cultivo de trigo e a inoculação com *Azospirillum brasilense*, revelou uma série de contribuições significativas para a gestão de projetos experimentais complexos. Inicialmente, a metodologia proporcionou uma organização visual e contínua das etapas, facilitando o acompanhamento do progresso e a identificação de interdependências entre as tarefas. Essa clareza na distribuição das atividades e no fluxo de trabalho foi um dos achados centrais, permitindo uma gestão mais proativa e adaptativa, conforme preconizado por Rigby, Sutherland e Takeuchi (2016) para ambientes de alta incerteza.
Na fase inicial, correspondente à Sprint 1, que durou cinco dias, o projeto foi estruturado com um *backlog* detalhado, que incluía atividades como seleção de sementes, preparo do solo e da área experimental, preparo do meio de cultura NFb, esterilização de materiais, preparo e inoculação do *Azospirillum brasilense*, semeadura, monitoramento e coletas diversas. Essa organização inicial permitiu que todas as tarefas fossem visualizadas e priorizadas, estabelecendo uma base sólida para o planejamento. A utilização do *backlog* possibilitou uma definição prévia das tarefas, enquanto o quadro de fluxo contínuo ofereceu um controle operacional percebido, alinhando-se aos princípios de visualização do trabalho (Anderson, 2010).
A Sprint 2, denominada Kickoff, com duração de quinze dias, demonstrou a flexibilidade da abordagem Scrumban. Durante essa etapa, as atividades foram reorganizadas no quadro, priorizando aquelas relacionadas à semeadura e ao preparo do experimento. Essa reestruturação evidenciou a capacidade da metodologia de permitir ajustes no planejamento conforme o avanço do projeto, o que é crucial em pesquisas científicas onde imprevistos são comuns. A adaptabilidade do planejamento, em vez de uma rigidez inicial, mostrou-se um diferencial importante para a condução eficaz das etapas experimentais, conforme a dinâmica do ambiente de pesquisa.
O monitoramento e as coletas, que caracterizaram a Sprint 3, com duração de quinze dias, revelaram uma concentração expressiva de tarefas na coluna “Concluído” do quadro Scrumban. Isso indicou que a maior parte das atividades iniciais de preparo já havia sido finalizada, permitindo um avanço consistente para as etapas de monitoramento e coleta de dados em campo. Essa visualização do progresso contribuiu para uma percepção positiva da equipe em relação ao andamento do projeto, reforçando o aspecto motivacional que a transparência do fluxo de trabalho pode gerar, um princípio fundamental das metodologias ágeis (Sutherland, 2014).
A Sprint 4, focada na extração de DNA e com duração de apenas dois dias, destacou um gargalo crítico no fluxo de trabalho. A extração de DNA, por depender da preservação imediata do material biológico após as coletas, exigiu alta agilidade e intensidade de trabalho. Esse achado ressaltou a limitação de modelos de gestão tradicionais em contextos onde fatores biológicos impõem restrições temporais e impedem a reorganização livre das atividades. A abordagem Scrumban, contudo, permitiu identificar esse ponto crítico de forma evidente, facilitando o ajuste do planejamento e a alocação de recursos para mitigar o impacto desse gargalo (Highsmith, 2009).
Na Sprint 5, denominada BioMol, com duração de vinte dias, observou-se um avanço significativo, com a finalização das etapas de campo e o início das análises moleculares. A percepção da equipe sobre o progresso, ao constatar que aproximadamente metade das atividades já havia sido concluída, gerou uma grande satisfação. Esse engajamento, impulsionado pela visualização clara do fluxo de trabalho, é um elemento crucial para a manutenção da produtividade e da motivação ao longo de projetos complexos, conforme apontado por Sutherland (2014) e Anderson (2010) sobre a importância da visualização do progresso.
A Sprint 6, focada na tabulação de dados e com duração de trinta dias, demonstrou uma mudança no perfil das atividades. Com o avanço do experimento para a fase fenológica da cultura, as atividades práticas foram reduzidas, e o foco se deslocou para análises teóricas, escolha e desenho de *primers*, organização de dados e busca na literatura. Essa transição evidenciou a capacidade da metodologia de gestão em se adaptar às condições biológicas e às demandas intelectuais do experimento, permitindo uma reorganização do trabalho conforme as necessidades do projeto.
A Sprint 7, dedicada à colheita e com duração de trinta dias, evidenciou a importância do planejamento operacional antecipado. A equipe precisou organizar os materiais e equipamentos necessários, considerando que genótipos de trigo diferentes podem ter ciclos de maturação distintos. Essa etapa reforçou a necessidade de uma gestão flexível que permita a reserva e a disponibilidade de equipamentos agrícolas, um fator externo que pode impactar diretamente o cronograma do projeto. A capacidade de antecipar e gerenciar esses fatores externos é um benefício da visualização do fluxo de trabalho.
A Sprint 8, também focada nas atividades de campo e com duração de quinze dias, concentrou-se na colheita, trilha e separação dos grãos por unidade experimental, representando a obtenção dos dados finais do experimento a campo. A necessidade de realizar a colheita e trilhagem com maior agilidade foi imposta pela disponibilidade limitada de um equipamento específico, que seria realocado para outra área experimental. Essa situação sublinhou a importância da flexibilidade na gestão para responder a restrições de recursos e prazos externos, um desafio comum em projetos científicos (Project Management Institute, 2017).
Na Sprint 9, denominada Bancada, com duração de vinte e um dias, as atividades laboratoriais e de análise de dados foram finalizadas, restando apenas etapas relacionadas à biologia molecular. Observou-se a inclusão de quatro novas atividades no *backlog* do projeto, decorrentes de demandas não previstas, como aquisição de placas e selos, aquisição de *kit* qPCR, curva padrão e teste de diluição. Esse acréscimo de tarefas reforça a natureza dinâmica de projetos experimentais, onde novas necessidades podem surgir a qualquer momento, exigindo replanejamento contínuo e a capacidade de adaptação da equipe.
A Sprint 10, focada na quantificação de DNA por qPCR e com duração de sessenta dias, revelou diversos entraves operacionais. A mudança de equipamento, a necessidade de aquisição de novos insumos, problemas de infraestrutura e a demanda por aprendizado técnico da equipe contribuíram para o alongamento do tempo de execução. Esses fatores caracterizaram um gargalo relevante no fluxo do projeto, evidenciando a forte dependência de recursos externos e a complexidade logística inerente a projetos científicos. A visualização proporcionada pelo Scrumban tornou esses entraves mais visíveis e gerenciáveis, permitindo um replanejamento contínuo e ágil (Project Management Institute, 2017).
Ao final do período experimental, na Sprint 11, foi realizada uma reunião de *feedback* com a equipe, que discutiu os pontos positivos, as limitações e as sugestões para trabalhos futuros. Essa etapa de avaliação é fundamental para o aprimoramento contínuo da metodologia e para a identificação de lições aprendidas. A comunicação contínua entre os integrantes, facilitada por reuniões semanais e o uso de aplicativos de mensagens, foi percebida como um fator relevante para o alinhamento das atividades e a resolução de problemas operacionais, especialmente em situações de atraso ou necessidade de repetição de análises.
Em síntese, a aplicação da abordagem ágil híbrida Scrumban demonstrou ser um recurso potencialmente útil para a gestão de projetos científicos com múltiplas etapas experimentais, como o estudo de caso com trigo e *Azospirillum brasilense*. Os achados indicam que a metodologia contribuiu para uma maior clareza na organização das atividades, um melhor acompanhamento do progresso e a identificação precoce de limitações operacionais e gargalos. A capacidade de adaptação a imprevistos, sejam eles biológicos, operacionais ou de infraestrutura, foi um benefício notável, sugerindo que a utilização de metodologias ágeis pode aprimorar a organização, a gestão do tempo e o engajamento da equipe em projetos de pesquisa científica, respondendo ao objetivo do estudo de forma indicativa e não conclusiva, dada a natureza qualitativa da observação.
4. Conclusão
O presente estudo teve como objetivo avaliar a aplicação da abordagem ágil híbrida Scrumban na gestão de um projeto científico, utilizando como estudo de caso um experimento com trigo inoculado com Azospirillum brasilense, com foco na organização das tarefas, no gerenciamento do tempo e na condução das etapas experimentais. Verificou-se que a metodologia proporcionou uma organização visual e contínua das atividades, o que favoreceu a clareza na distribuição das tarefas e no fluxo de trabalho. A aplicação do Scrumban esteve associada a um melhor acompanhamento do progresso e à capacidade de adaptação a imprevistos inerentes à pesquisa experimental, como fatores biológicos, operacionais e de infraestrutura. Observou-se que a flexibilidade no planejamento permitiu ajustes contínuos, essenciais em ambientes de alta incerteza. Além disso, a abordagem facilitou a identificação precoce de gargalos críticos, como os observados nas etapas de extração de DNA e quantificação por qPCR, que demandaram replanejamento e alocação de recursos para mitigar seus impactos.
A principal contribuição deste estudo reside em demonstrar o potencial da abordagem Scrumban para aprimorar a organização das atividades, a gestão do tempo e o engajamento da equipe em projetos de pesquisa científica complexos, especialmente na área agronômica. A visualização do fluxo de trabalho e a comunicação contínua entre os integrantes foram fatores relevantes para o alinhamento e a resolução de problemas operacionais. Contudo, é importante ressaltar que os achados são de natureza qualitativa e derivam de um estudo de caso, o que os torna indicativos e não conclusivos. Sugere-se a realização de novos estudos com abordagens comparativas e quantitativas para aprofundar a compreensão dos efeitos da aplicação de metodologias ágeis em projetos científicos, ampliando a discussão sobre sua viabilidade e eficácia em diferentes contextos experimentais.
Referências Bibliográficas
Anderson, D.J. 2010. Kanban: Successful Evolutionary Change for Your Technology Business. Blue Hole Press, Sequim, WA, USA.
Bashan, Y.; De-Bashan, L.E.; Prabhu, S.R.; Hernandez, J.-P.P. 2014. Advances in plant growth-promoting bacterial inoculant technology: formulations and practical perspectives (1998-2013). Plant Soil 378: 1–33. https://doi.org/10.1007/s11104-013-1956-x.
Debona, F. 2023. Planejando a adubação do trigo. Elevagro. Disponível em: https://elevagro.com/materiais-didacticos/trigo-acerte-na-adubacao/. Acesso em: 15 fev. 2025.
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Forbes Agro. 2023. Produção de trigo do Brasil pode atingir recorde de 10,4 mi t em 2022. Disponível em: https://forbes.com.br/forbesagro/2022/07/producao-de-trigo-do-brasil-pode-atingir-recorde-de-104-mi-t-em-2022/. Acesso em: 18 mar. 2025.
Highsmith, J. 2009. Agile Project Management: Creating Innovative Products. 2ed. Addison-Wesley, Boston, MA, USA.
Project Management Institute [PMI]. 2017. Guia PMBOK: um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 6ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, USA.
Rigby, D.K.; Sutherland, J.; Takeuchi, H. 2016. Embracing agile. Harvard Business Review 94(5): 40-50.
Sutherland, J. 2014. Scrum: the art of doing twice the work in half the time. Crown Business, New York, NY, USA.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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