Artigo

12 de agosto de 2026

Impactos do financiamento Finep via Apoio Direto à Inovação no desempenho financeiro empresarial em 2024

Taís Zagonel; Bruno José Canassa

DOI: 10.22167/2675-6528-202601453

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O presente estudo analisou os impactos do crédito Finep, concedido na modalidade Apoio Direto à Inovação, sobre indicadores financeiros de empresas brasileiras que formalizaram contratos em 2023. A investigação adotou uma abordagem quantitativa e comparativa, de natureza aplicada, para examinar as demonstrações financeiras de 12 empresas selecionadas por meio do painel público da Finep. A análise concentrou-se nos parâmetros de endividamento, ativo imobilizado, receita operacional bruta e receita operacional líquida, comparando os exercícios de 2023 e 2024. Os resultados obtidos indicaram uma elevação média de 32,86% no passivo financeiro das empresas beneficiárias, um reflexo contábil esperado da captação de crédito. Paralelamente, observou-se uma expansão moderada de 9,11% no ativo imobilizado, sugerindo investimentos em infraestrutura de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Em relação às receitas operacionais, verificou-se um crescimento homogêneo, com a receita bruta apresentando média de 5,27% e a líquida, 5,31%, sendo a mediana da receita líquida superior à da bruta, possivelmente devido a alterações no mix de produtos ou revisões fiscais. Concluiu-se que o financiamento reembolsável da Finep se reflete tanto na estrutura patrimonial quanto na performance operacional das empresas, sublinhando a importância de políticas públicas de crédito à inovação como impulsionador do desenvolvimento empresarial, embora os efeitos mais significativos do investimento em PD&I se manifestem em horizontes de longo prazo.

Palavras-chave: Análise financeira; Crédito reembolsável; Desenvolvimento econômico; Indicadores contábeis; Políticas públicas.

1. Introdução

O investimento contínuo em inovação tem se consolidado como um pilar estratégico para a elevação da competitividade e para o crescimento econômico sustentável das empresas, especialmente em um cenário global dinâmico e desafiador. Para economias emergentes como a brasileira, a capacidade de inovar é um diferencial crucial para a inserção em cadeias de valor mais complexas e para a geração de riqueza. Nesse contexto, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), emerge como um agente essencial na formulação e execução de políticas públicas destinadas a impulsionar a inovação tecnológica no país. Entre suas diversas ferramentas de fomento, destaca-se o programa Finep Apoio Direto à Inovação, que disponibiliza crédito reembolsável a empresas brasileiras com planos estratégicos voltados para a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) (Finep, 2024).

A relevância do apoio governamental à inovação é amplamente reconhecida na literatura. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2018), em seu Manual de Oslo, enfatiza que iniciativas governamentais de fomento à inovação são fundamentais para mitigar as incertezas inerentes aos investimentos em PD&I. Ao reduzir esses riscos, o setor público estimula o investimento privado em áreas de alto potencial, mas de retorno incerto, promovendo assim o avanço tecnológico e o fortalecimento das economias nacionais. Tais ações buscam criar um ambiente propício para que as empresas possam, com maior facilidade, desenvolver novos produtos, processos e serviços, contribuindo para a modernização da base produtiva e a elevação da produtividade.

Nesse arcabouço teórico, autores como Mazzucato (2014) argumentam que o Estado transcende a função de mero regulador, assumindo uma posição de “Estado Empreendedor”. Este atua como um agente proativo que molda e cria mercados por meio de investimentos estratégicos, especialmente em setores de alto risco e com resultados de longo prazo. A Finep, ao financiar projetos de PD&I, exemplifica essa postura, indo além da simples provisão de recursos. A instituição também desempenha um papel catalisador na promoção de uma cultura inovadora, incentivando a formação de redes colaborativas entre empresas, universidades e centros de pesquisa. Adicionalmente, ela estimula a capacitação interna das empresas beneficiárias, visto que a concessão do crédito reembolsável pressupõe um esforço contínuo em pesquisa e desenvolvimento, exigindo um quadro de colaboradores qualificado (Finep, 2025). De Negri (2018) corrobora essa perspectiva, destacando a intensificação do crédito à inovação no Brasil e o protagonismo de instituições como a Finep no desenvolvimento tecnológico empresarial e na modernização industrial.

Apesar da sólida base teórica e da reconhecida importância das políticas públicas de fomento à inovação, existe uma lacuna persistente na avaliação empírica direta e tempestiva de seus impactos financeiros no nível das empresas. Estudos anteriores frequentemente apontam para a natureza de longo prazo dos retornos sobre investimentos em PD&I (Barbosa e Carvalho, 2024), o que dificulta a atribuição imediata de efeitos financeiros. Além disso, a complexidade em isolar os efeitos específicos do crédito público de outras variáveis de mercado ou estratégias corporativas internas exige dados granulares e atualizados. Há uma necessidade contínua por análises que preencham essa lacuna, fornecendo evidências concretas sobre como o financiamento público se traduz em mudanças tangíveis na estrutura financeira e no desempenho operacional das empresas em horizontes temporais específicos, contribuindo para a avaliação da eficácia e direcionamento dos investimentos públicos em ciência, tecnologia e inovação (MCTI, 2023).

Diante deste contexto e da necessidade de evidências empíricas atualizadas sobre a efetividade das políticas de fomento à inovação no Brasil, o presente estudo justifica-se pela escassez de análises tempestivas que correlacionam diretamente dados contábeis aos efeitos financeiros concretos do crédito público. Assim, o objetivo primordial deste trabalho é avaliar os impactos do crédito Finep, na modalidade Apoio Direto à Inovação, no desempenho financeiro de empresas brasileiras beneficiárias, analisando, sob uma perspectiva contábil, as alterações observadas em indicadores de endividamento, ativo imobilizado, receita operacional bruta e receita operacional líquida nas demonstrações financeiras de 2023 e 2024, de modo a oferecer subsídios empíricos sobre os efeitos do financiamento público à inovação como impulsionador do desenvolvimento empresarial.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi delineado como uma pesquisa de natureza aplicada, focada na resolução de um problema prático relevante para o contexto empresarial brasileiro. A investigação buscou analisar os impactos do financiamento público à inovação, concedido pela Finep, sobre o desempenho financeiro de empresas beneficiárias. Adotou-se uma abordagem predominantemente quantitativa, caracterizada pela coleta e análise de dados numéricos. O objetivo central foi identificar e interpretar variações em indicadores financeiros específicos, utilizando uma base de informações contábeis para fundamentar as observações.

O contexto da pesquisa abrangeu empresas brasileiras que foram beneficiárias do programa Finep Apoio Direto à Inovação, com foco naquelas que formalizaram seus contratos de financiamento no ano de 2023. A unidade de análise consistiu nas demonstrações financeiras dessas companhias, especificamente os balanços e demonstrações de resultados referentes aos exercícios de 2023 e 2024. Este recorte temporal permitiu uma avaliação comparativa do desempenho financeiro antes e após o recebimento da primeira parcela do crédito, buscando capturar os efeitos iniciais do investimento em inovação.

A população de interesse para este estudo compreendeu empresas brasileiras que contrataram financiamentos com a Finep na modalidade Apoio Direto à Inovação. Para a formação da amostra, realizou-se uma consulta detalhada ao painel público de Consultas de Projetos da Finep. Inicialmente, aplicou-se um filtro para incluir apenas empresas que já haviam recebido pelo menos a primeira parcela do financiamento, garantindo que o ano de 2023 pudesse ser considerado o período de início do reflexo contábil e da potencial utilização dos recursos.

Em seguida, a seleção da amostra prosseguiu com a aplicação de filtros adicionais. Consideraram-se somente os contratos de financiamento assinados no ano de 2023, assegurando que a primeira liberação de recursos ocorresse a partir desse exercício. Essa medida foi crucial para evitar distorções no comparativo entre 2023 e 2024, impedindo que demonstrações financeiras de 2023 já estivessem parcialmente impactadas por financiamentos anteriores. Adicionalmente, foram incluídos apenas financiamentos reembolsáveis (Crédito Direto), excluindo-se os não reembolsáveis, para manter a homogeneidade das condições de obrigação de devolução de recursos.

O último critério de seleção para a amostra envolveu o status do projeto, sendo incluídos apenas aqueles classificados como “em execução”. Este filtro garantiu que os recursos estivessem sendo aplicados conforme o plano aprovado, refletindo a fase ativa de investimento em inovação. Após a aplicação desses filtros, obteve-se uma amostra prévia de empresas. A etapa subsequente consistiu na verificação da disponibilidade pública das demonstrações financeiras completas dessas empresas em seus respectivos sites oficiais, resultando na amostra final de doze empresas cujos dados foram efetivamente analisados.

O principal instrumento de coleta de dados foram as demonstrações financeiras publicadas pelas empresas selecionadas, acessadas diretamente em seus sites oficiais. A coleta concentrou-se nos exercícios de 2023 e 2024, permitindo uma análise comparativa. Os dados extraídos incluíram as contas contábeis de empréstimos e financiamentos, para avaliar o endividamento e a alavancagem financeira. Também se coletaram informações sobre o ativo imobilizado, visando identificar investimentos em bens duráveis e ativos diretamente relacionados aos projetos de inovação. Por fim, foram levantados os valores de faturamento e receita líquida operacional, para analisar as variações na geração de receita e o desempenho econômico.

A execução da pesquisa seguiu uma sequência metodológica rigorosa. Primeiramente, procedeu-se à identificação das empresas elegíveis por meio da consulta ao painel de projetos da Finep, aplicando os critérios de seleção previamente definidos. Em seguida, realizou-se a busca ativa e o download das demonstrações financeiras completas das empresas que compuseram a amostra final, garantindo a obtenção de dados primários e oficiais. Esta etapa foi fundamental para assegurar a fidedignidade das informações contábeis utilizadas na análise.

Após a coleta, os dados financeiros de 2023 e 2024 foram organizados e preparados para análise. Calculou-se a variação percentual de cada indicador financeiro selecionado, utilizando uma fórmula padronizada para permitir a comparação entre diferentes magnitudes. Posteriormente, os dados brutos e as variações percentuais foram submetidos a uma análise estatística descritiva. Esta abordagem permitiu uma compreensão abrangente das tendências e da dispersão dos resultados observados no desempenho financeiro das empresas após o recebimento do financiamento da Finep.

O tratamento dos dados iniciou-se com o cálculo da variação percentual de cada indicador financeiro para as empresas da amostra. Esta variação foi determinada pela diferença entre o valor do indicador em 2024 (pós-financiamento e recebimento da primeira parcela) e o valor em 2023 (pré-financiamento e ano de contratação), dividida pelo valor de 2023 e multiplicada por cem. Este procedimento permitiu padronizar as comparações entre indicadores de diferentes magnitudes, convertendo as variações absolutas em percentuais facilmente interpretáveis.

Após o cálculo das variações percentuais, os dados foram submetidos a uma análise estatística descritiva agregada. Utilizaram-se a média, a mediana e o desvio padrão como principais medidas. A média foi empregada para verificar o efeito geral do financiamento sobre os indicadores, indicando a tendência global de resultados. A mediana, por sua vez, foi utilizada para identificar o comportamento típico da distribuição, minimizando a influência de valores extremos. O desvio padrão permitiu avaliar a variabilidade dos resultados, indicando a uniformidade ou dispersão das respostas das empresas ao financiamento.

Para preservar a privacidade e a confidencialidade das empresas participantes, as organizações da amostra foram identificadas por numeração genérica (Empresa 1, Empresa 2, etc.), evitando-se qualquer direcionamento da análise a casos específicos. Esta medida assegurou a proteção dos dados individuais das companhias, alinhando-se aos princípios éticos de pesquisa. A transparência na apresentação dos dados foi mantida sem comprometer a identidade das entidades analisadas, focando nos padrões e tendências agregadas.

A pesquisa reconhece algumas limitações metodológicas inerentes ao seu desenho. A amostra final de doze empresas, embora representativa dos critérios de seleção, foi restrita pela disponibilidade pública das demonstrações financeiras completas. Essa limitação impede a generalização irrestrita dos resultados para a totalidade das empresas beneficiárias do programa Finep. Contudo, a diversidade setorial das empresas incluídas na amostra confere uma perspectiva abrangente sobre o comportamento dos indicadores financeiros em diferentes contextos produtivos.

Outra limitação importante reside no recorte temporal da análise, que abrangeu os anos de 2023 e 2024. Embora este período seja adequado para observar os efeitos iniciais do financiamento, os contratos da Finep frequentemente incluem um período de carência, durante o qual os projetos de inovação são executados antes do início da amortização do principal. Assim, os impactos mais significativos dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) tendem a se manifestar em horizontes de médio e longo prazo, o que pode não ter sido plenamente capturado nesta análise de curto prazo.

3. Resultados e Discussão

A aplicação da metodologia delineada resultou na obtenção de um conjunto robusto de dados financeiros, embora a amostra final tenha sido restrita a doze empresas devido à disponibilidade pública de suas demonstrações contábeis completas. Essa limitação, inerente à natureza da pesquisa aplicada e à confidencialidade dos dados empresariais, não compromete a relevância dos achados, uma vez que a amostra abrange setores heterogêneos, como alimentos, telecomunicações, educação, tecnologia, manufatura e agronegócio. Tal diversidade setorial é crucial, pois permite uma análise multifacetada do comportamento dos indicadores financeiros em distintos contextos produtivos após a contratação de crédito junto à Finep, oferecendo uma visão abrangente dos impactos iniciais do financiamento à inovação. Os resultados apresentados a seguir detalham as variações observadas no endividamento, ativo imobilizado, receita operacional bruta e receita operacional líquida entre os exercícios de 2023 e 2024, complementados pelos cálculos de média, mediana e desvio padrão para cada indicador, conforme a abordagem estatística descritiva adotada.

O primeiro indicador analisado, o endividamento, medido pelo saldo de empréstimos e financiamentos registrados no passivo de curto e longo prazo das empresas, revelou uma variação média de +32,86% no período de 2023 a 2024. Este é o indicador que apresentou a maior intensidade de variação entre os quatro parâmetros investigados, um resultado que se alinha perfeitamente com a natureza do crédito Finep. O financiamento concedido pela Finep, na modalidade Apoio Direto à Inovação, é predominantemente de longo prazo e, ao ser contratado e ter sua primeira parcela liberada, eleva imediatamente o passivo exigível das empresas beneficiárias. A elevação do passivo financeiro é um reflexo contábil direto e esperado da captação de recursos, independentemente do início da amortização do principal, conforme os critérios normativos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 48), que estabelece o reconhecimento do passivo financeiro na data de liberação dos recursos. Este fenômeno contábil explica por que o endividamento aumenta mesmo em empresas que ainda se encontram no período de carência do financiamento, durante o qual os projetos de inovação são executados sem a necessidade de amortização do principal.

A proximidade entre a média (+32,86%) e a mediana (+29,46%) da variação do endividamento sugere uma distribuição relativamente simétrica dos dados em torno do centro, indicando que a tendência geral de aumento do endividamento é consistente para a maioria das empresas da amostra. No entanto, o desvio padrão de 42,41% revela uma amplitude considerável nas magnitudes individuais das variações. Essa dispersão é um achado importante, pois indica que, embora a maioria das empresas tenha visto seu endividamento crescer, a intensidade desse crescimento variou significativamente. Empresas com incrementos notáveis, como +76,53% e +127,80%, podem ser aquelas em que a captação Finep, somada a outras iniciativas de fomento (como outras linhas de crédito para inovação, financiamentos para capital de giro ou mútuos), representou uma injeção de capital expressiva em relação ao seu estoque anterior de dívidas. Isso pode sugerir que essas empresas possuíam um nível de alavancagem relativamente baixo antes da contratação do financiamento, tornando a captação Finep um fator de transformação mais acentuado em sua estrutura de capital.

Em contrapartida, as variações negativas de -32,38% e -18,95% registradas em duas empresas da amostra merecem uma análise aprofundada. Tais reduções no endividamento podem ser atribuídas a movimentos de amortização líquida de dívidas existentes ou a reclassificações de passivos, o que é compatível com a manutenção de contratos Finep ativos. Por exemplo, uma empresa pode ter utilizado parte dos recursos Finep para quitar dívidas mais onerosas ou de curto prazo, otimizando sua estrutura de capital. Além disso, reclassificações contábeis de passivos, como a conversão de dívidas em capital próprio ou a renegociação de prazos, podem influenciar a percepção do endividamento no balanço. Esses movimentos, mesmo em um contexto de recebimento de novos financiamentos, demonstram a complexidade da gestão financeira das empresas e a capacidade de adaptação às novas condições de liquidez e investimento.

Do ponto de vista da análise de risco e estratégia financeira, o aumento do endividamento não deve ser interpretado isoladamente. É fundamental que seja contextualizado com os demais indicadores financeiros, especialmente a expansão do ativo imobilizado e o crescimento da receita. Quando o incremento do passivo financeiro é acompanhado por investimentos em ativos produtivos e um aumento na capacidade de geração de receita, ele pode ser caracterizado como uma alavancagem produtiva. Isso significa que a captação de recursos está sendo direcionada para ampliar a capacidade operacional da empresa, com um potencial de retorno futuro que justifica o aumento do endividamento. A literatura sobre financiamento à inovação, como a obra de Mazzucato (2014), enfatiza que o investimento público, mesmo que gere endividamento inicial, é um catalisador para o desenvolvimento de capacidades produtivas e tecnológicas que, a longo prazo, fortalecem a competitividade empresarial. De Negri (2018) corrobora essa visão, destacando a importância de instituições como a Finep no fomento ao desenvolvimento tecnológico e à modernização industrial no Brasil.

Tabela 1. Endividamento – empréstimos e financiamentos da amostra (2023 e 2024)

Empresa

2024 (R$ mil)

2023 (R$ mil)

Variação % (2024-2023)

Empresa 1

762.084

1.127.001

-32,38%

Empresa 2

3.999.647

4.934.550

-18,95%

Empresa 3

332.357

300.979

+10,43%

Empresa 4

329.324

281.797

+16,87%

Empresa 5

1.123.349

952.417

+17,95%

Empresa 6

957.247

755.810

+26,65%

Empresa 7

8.410.412

6.358.294

+32,27%

Empresa 8

72.408

53.977

+34,15%

Empresa 9

747.538

528.977

+41,32%

Empresa 10

47.048

29.089

+61,74%

Empresa 11

78.053

44.215

+76,53%

Empresa 12

337.354

148.000

+127,80%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A análise do ativo imobilizado, que engloba os bens tangíveis de longa duração essenciais para a produção, como máquinas, sistemas, instalações e infraestrutura, revelou uma variação média de +9,11% e uma mediana de +7,85% entre 2023 e 2024. Esses resultados indicam que a maioria das empresas da amostra ampliou sua base de ativos fixos no período analisado, o que é consistente com uma das finalidades centrais do crédito Finep: o financiamento de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), incluindo a aquisição e modernização de equipamentos e infraestrutura tecnológica. A expansão do ativo imobilizado é um sinal tangível de que os recursos do financiamento estão sendo aplicados em melhorias estruturais que visam aumentar a capacidade produtiva e inovadora das empresas. Este investimento em infraestrutura é fundamental para a execução de projetos de PD&I, que frequentemente demandam equipamentos especializados e instalações adequadas para a condução de experimentos, prototipagem e testes.

A comparação entre o comportamento do ativo imobilizado e do endividamento oferece uma leitura integrada e mais aprofundada dos impactos do financiamento. O incremento médio de +32,86% no passivo financeiro contrasta com uma expansão mais moderada de +9,11% no ativo imobilizado. Essa defasagem temporal é um aspecto esperado e compreensível no contexto de projetos de inovação. Parte dos recursos captados junto à Finep é alocada em despesas de PD&I que, dependendo do estágio do projeto, podem ser reconhecidas como despesa no período corrente ou como ativo intangível, e não diretamente como ativo imobilizado. Por exemplo, gastos com pesquisa básica, desenvolvimento de software (que pode ser intangível), ou custos com pessoal técnico especializado e serviços de consultoria em inovação, embora essenciais para o projeto, não se materializam como bens imobilizados. A literatura, como apontado por De Negri (2018), ressalta que a colaboração com Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e outras empresas, bem como o investimento em matéria-prima e pessoal técnico, são cruciais para o progresso científico e tecnológico, e esses dispêndios nem sempre se traduzem em ativo imobilizado.

Além disso, é comum que parte dos recursos captados ainda não tenha sido integralmente desembolsada no exercício de 2024. O modelo de liberação de parcelas da Finep é frequentemente por tranches, anuais ou semestrais, condicionado à comprovação da execução das etapas anteriores do projeto. Isso significa que, à medida que a empresa realiza a comprovação da primeira tranche, as demais são liberadas sucessivamente. Portanto, pode-se esperar uma alocação mais significativa em ativo imobilizado nos próximos anos, à medida que os projetos de inovação avançam e demandam a aquisição de novos equipamentos ou a construção de infraestruturas mais robustas. A OCDE (2018), no Manual de Oslo, destaca que os investimentos em inovação possuem um horizonte temporal que transcende o curto prazo, com os resultados mais tangíveis e a materialização em ativos fixos ocorrendo em fases posteriores do ciclo de inovação.

Tabela 2. Ativo imobilizado da amostra (2023 e 2024)

Empresa

2024 (R$ mil)

2023 (R$ mil)

Variação % (2024-2023)

Empresa 11

22.312

24.615

-9,36%

Empresa 2

3.676.028

3.771.037

-2,52%

Empresa 6

355.150

356.927

-0,50%

Empresa 5

3.448.380

3.458.090

-0,28%

Empresa 4

412.911

386.466

+6,84%

Empresa 7

5.948.872

5.534.477

+7,49%

Empresa 1

222.572

205.676

+8,21%

Empresa 9

636.535

575.212

+10,66%

Empresa 8

173.633

156.628

+10,86%

Empresa 12

9.809

8.765

+11,91%

Empresa 3

2.675.854

2.080.211

+28,63%

Empresa 10

59.846

43.565

+37,37%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O desvio padrão de 13,00% para o ativo imobilizado aponta para uma dispersão moderada, inferior à observada no endividamento, mas ainda relevante. Empresas com maior crescimento no imobilizado, como +37,37% e +28,63%, provavelmente realizaram investimentos mais substanciais em expansão de capacidade produtiva ou aquisição de equipamentos de pesquisa, que podem ou não estar diretamente aderentes ao projeto de inovação financiado pela Finep, mas que, de alguma forma, contribuem para o ecossistema de inovação da empresa. Por outro lado, os casos de retração, como -9,36%, -2,52%, -0,50% e -0,28%, podem ser explicados, segundo as notas explicativas das demonstrações financeiras, por fatores como depreciação acumulada e alienação de ativos. A depreciação é um processo contábil natural que reduz o valor contábil dos ativos ao longo do tempo, enquanto a alienação de ativos pode ocorrer por obsolescência, venda ou substituição de equipamentos. Em síntese, a variação positiva predominante no ativo imobilizado corrobora a hipótese de que o financiamento Finep tende a fomentar investimentos reais e estruturais nas empresas beneficiárias da amostra, preparando-as para um futuro de maior capacidade inovadora e competitividade.

A receita operacional bruta (ROB), que expressa o faturamento total gerado pelas operações da empresa antes das deduções tributárias e comerciais, apresentou uma média de +5,27% e uma mediana de +5,18% entre 2023 e 2024, com um desvio padrão de 10,05%. A convergência entre a média e a mediana é o dado mais notável para este indicador, o que sugere uma maior homogeneidade no crescimento da ROB entre as empresas da amostra. Isso indica que o crescimento do faturamento bruto foi disseminado entre as empresas analisadas, sem que valores extremos distorcessem a tendência central. Este crescimento moderado da ROB é particularmente relevante quando contextualizado com o incremento do endividamento e do ativo imobilizado. O financiamento Finep, por sua natureza, é um crédito vinculado a projetos de pesquisa e desenvolvimento para inovação, cujos resultados comerciais geralmente se materializam com uma defasagem temporal em relação ao investimento inicial.

Em outras palavras, a empresa realiza o investimento em PD&I, mas o retorno em termos de faturamento e lucratividade não é imediato, pois os ciclos de inovação são frequentemente longos. O período analisado, 2023 a 2024, representa, para uma parcela das empresas, uma fase intermediária entre a captação dos recursos e a plena geração de receita proveniente dos produtos, processos ou serviços inovadores desenvolvidos. Os efeitos mais expressivos do PD&I tendem a se manifestar em horizontes de médio e longo prazo, quando os projetos são concluídos e os produtos ou serviços inovadores alcançam maturidade de mercado. No entanto, um crescimento médio de +5,27% na ROB já pode indicar que uma parcela das empresas obteve algum retorno operacional mensurável no curto prazo, mesmo que o impacto completo do investimento em PD&I ainda esteja por vir, conforme apontado pela literatura contemporânea (Barbosa e Carvalho, 2024).

Apesar do cenário geral positivo, algumas empresas apresentaram queda na ROB, com variações de -9,38%, -6,08%, -3,92% e -3,56%. Essas retrações podem ser atribuídas a pressões setoriais específicas, elementos sazonais ou outras dinâmicas de mercado que não estão diretamente relacionadas ao financiamento Finep. É importante reconhecer que o crédito à inovação, embora seja um poderoso catalisador, não garante um crescimento imediato e linear do faturamento, pois seus efeitos dependem da execução bem-sucedida dos projetos financiados e das condições macroeconômicas e setoriais. Contudo, a análise agregada dos dados, com a média e mediana em território positivo e um desvio padrão moderado, sugere um cenário ainda otimista para o impacto do financiamento Finep na geração de receita bruta das empresas beneficiárias. A implicação prática é que, embora os resultados imediatos possam ser modestos, a base para um crescimento futuro e sustentável está sendo construída.

A receita operacional líquida (ROL), que corresponde à receita bruta deduzida dos impostos incidentes sobre vendas, devoluções e abatimentos, representa o faturamento efetivamente retido pela empresa após os encargos tributários vinculados à operação. Para este indicador, a amostra registrou uma média de +5,31% e uma mediana de +6,68% entre 2023 e 2024, com um desvio padrão de 9,98%. O fato de a mediana da ROL (+6,68%) ser superior à mediana da ROB (+5,18%) é um resultado analiticamente relevante e merece destaque. Essa diferença indica que, para ao menos metade das empresas da amostra, a parcela da receita retida após os tributos cresceu proporcionalmente mais do que o faturamento bruto total. Esse comportamento pode ser um indicativo de melhorias na qualidade da receita gerada, decorrente de avanços nas atividades de PD&I.

Diversos fatores podem explicar essa dinâmica. As empresas podem ter alterado seu portfólio de produtos ou serviços, priorizando linhas com maior valor agregado ou que se beneficiam de menores alíquotas tributárias. A revisão de enquadramentos fiscais, otimizando a carga tributária, ou a expansão de atividades de exportação com isenções fiscais, são outras possibilidades que podem ter contribuído para que a ROL crescesse a uma taxa superior à ROB. No contexto de financiamentos Finep, este resultado é particularmente pertinente, pois sinaliza uma potencialização da qualidade da receita gerada, que pode ser uma consequência direta das melhorias e inovações introduzidas nas atividades de PD&I. Isso reforça a ideia de que o investimento em inovação não apenas aumenta o volume de vendas, mas também pode otimizar a rentabilidade e a eficiência fiscal das operações.

Em sequência, o desvio padrão da ROL, de 9,98%, é praticamente idêntico ao da ROB (10,05%). Essa similaridade confirma a coerência interna na estrutura da amostra, indicando que a dispersão relativa entre as empresas se manteve estável ao passar da receita bruta para a líquida. Isso sugere a ausência de distorções significativas provocadas por diferenças muito acentuadas na carga tributária individual ou nos abatimentos entre os participantes da amostra. A implicação prática desse achado é que as empresas beneficiárias do financiamento Finep não apenas buscam aumentar seu faturamento, mas também aprimorar a eficiência de suas operações e a qualidade de suas receitas, o que é um sinal de maturidade e sustentabilidade nos investimentos em inovação. A política pública de fomento à inovação, ao permitir que as empresas invistam em PD&I, indiretamente as capacita a otimizar suas estruturas de custos e receitas, gerando um impacto financeiro mais profundo e duradouro.

Os resultados apreciados neste estudo indicam um quadro consistente com as expectativas teóricas e empíricas sobre os impactos do financiamento público à inovação. Observou-se uma elevação do passivo financeiro, que é um reflexo contábil direto e esperado da captação de recursos de longo prazo. Essa elevação, conforme discutido, é um indicativo de alavancagem produtiva quando acompanhada por investimentos em ativos e crescimento de receitas. A ampliação moderada da base de ativos fixos, associada aos investimentos em infraestrutura de PD&I, corrobora a destinação dos recursos para o fortalecimento da capacidade inovadora das empresas. Embora os efeitos mais expressivos dos investimentos em PD&I tendam a se manifestar em horizontes de médio e longo prazo, o crescimento homogêneo da receita operacional já sinaliza os primeiros retornos operacionais mensuráveis.

Considerando o contexto da política pública de inovação no Brasil, esses resultados sugerem que o financiamento Finep desempenha um papel crucial ao viabilizar investimentos que, de outra forma, seriam restritos ou mais onerosos para as empresas, dada a dificuldade de acesso ao crédito privado para projetos de alto risco e longo prazo. A Finep, ao reduzir as incertezas associadas aos investimentos em PD&I (OCDE, 2018), atua como um agente empreendedor (Mazzucato, 2014), promovendo o avanço tecnológico e o fortalecimento das economias nacionais. Contudo, é fundamental reiterar que os efeitos mais notáveis do investimento em inovação tendem a se manifestar no longo prazo, à medida que os projetos financiados amadurecem e se revelam em produtividade e competitividade. A análise de curto prazo, embora valiosa para identificar os impactos iniciais, limita as conclusões sobre a totalidade dos benefícios.

O conjunto de evidências reforça a pertinência de políticas de financiamento público à inovação como vetor de desenvolvimento empresarial, dado que os recursos Finep tendem a se refletir tanto na estrutura patrimonial quanto na performance operacional das empresas. A capacidade de uma empresa de absorver e transformar o financiamento em ativos produtivos e, eventualmente, em receita, é um testemunho da eficácia dessas políticas. No entanto, a amostra reduzida apresentada neste estudo limita a generalização irrestrita das conclusões ao conjunto total de empresas beneficiárias. Pesquisas futuras poderiam ampliar a base de dados, adotar métodos de avaliação de impacto com grupos de comparação, como estudos de painel com empresas não beneficiárias, e estender o horizonte temporal da análise para capturar os impactos de médio e longo prazo. Tais abordagens permitiriam uma compreensão ainda mais aprofundada dos múltiplos efeitos do financiamento público à inovação no desempenho empresarial brasileiro.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao avaliar os impactos do crédito Finep, na modalidade Apoio Direto à Inovação, no desempenho financeiro de empresas brasileiras beneficiárias. A análise contábil dos exercícios de 2023 e 2024 revelou uma elevação esperada no endividamento, refletindo a captação de recursos de longo prazo. Paralelamente, observou-se uma ampliação moderada do ativo imobilizado, indicando investimentos em infraestrutura de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). O crescimento homogêneo da receita operacional bruta e líquida sinaliza os primeiros retornos operacionais, embora os efeitos mais substanciais do PD&I se manifestem em horizontes de médio e longo prazo. Esses resultados reforçam a pertinência das políticas públicas de fomento à inovação como um vetor crucial para o desenvolvimento empresarial, viabilizando investimentos que, de outra forma, seriam mais restritos ou onerosos para as empresas.

Contudo, este estudo apresenta limitações importantes. O horizonte temporal restrito à análise de 2023 e 2024 impede a captura completa dos impactos de médio e longo prazo dos investimentos em inovação, que por natureza são de maturação mais lenta. Adicionalmente, a amostra reduzida de doze empresas, embora diversificada setorialmente, limita a generalização irrestrita das conclusões para o universo total de empresas beneficiárias do financiamento Finep. Para futuras pesquisas, sugere-se a ampliação da base de dados e a extensão do período de análise. Seria valioso também adotar métodos de avaliação de impacto que incluam grupos de comparação, como estudos de painel com empresas não beneficiárias, para isolar com maior precisão os efeitos do financiamento público. Tais abordagens permitiriam uma compreensão ainda mais aprofundada e robusta dos múltiplos efeitos do financiamento à inovação no desempenho empresarial brasileiro.

Referências Bibliográficas

Barbosa, Ismael; Carvalho, Luciana. Inovação e desempenho empresarial: um estudo da relação em empresas brasileiras. 2024. Revista Gestão e Organizações, v. 9, n. 3, p. 48–70.

Brasil. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 2023. Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Brasília. Disponível em: https://www.gov.br/mcti. Acesso em: 12 out. 2025.

De Negri, Fernanda. 2018. Novos caminhos para a inovação do Brasil. Interfarma: Washington, DC: Wilson Center.

Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). 2025. Central de painéis. Disponível em: http://www.finep.gov.br/transparencia-finep/paineis-e-downloads/central-de-paineis. Acesso em: 12 out. 2025.

Mazzucato, Mariana. 2014. O Estado Empreendedor: desmascarando o mito do setor público vs. setor privado. Portfolio-Penguin: São Paulo, SP, Brasil.

OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). 2018. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 4. ed. Paris: OEC.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade