Artigo

29 de julho de 2026

Impactos do Covid-19 nos indicadores econômico-financeiros de empresas dos setores de varejo e transporte aéreo

Eduardo Kazuyoshi Ideriha; Roberto Pinheiro Gatsios

DOI: 10.22167/2675-6528-202600747

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, provocou impactos significativos nas economias globais, afetando diretamente os setores de varejo de bens duráveis e transporte aéreo no Brasil. O estudo objetivou compreender como as empresas desses setores responderam às adversidades da pandemia por meio da análise conjunta de seus indicadores econômico-financeiros. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, com método documental, utilizando dados extraídos das demonstrações financeiras de empresas listadas na B3 no período de 2019 a 2021. Foram analisados indicadores de liquidez (corrente, seca e geral), endividamento (participação de capital de terceiros e composição do endividamento) e rentabilidade (retorno sobre ativos e retorno sobre o patrimônio líquido). Os resultados evidenciaram que o setor de varejo de bens duráveis apresentou maior resiliência, mantendo níveis satisfatórios de liquidez e menor dependência de capital de terceiros, impulsionado pela expansão do e-commerce e marketplace. Em contrapartida, o setor de transporte aéreo demonstrou deterioração significativa nos indicadores de liquidez, elevação do endividamento e desempenho negativo de rentabilidade, refletindo a queda abrupta da demanda. Concluiu-se que os efeitos da pandemia foram distintos entre os setores analisados, destacando a importância da capacidade de adaptação dos modelos de negócio diante de cenários adversos.

Palavras-chave: Covid-19; Endividamento; Liquidez; Rentabilidade; Varejo.

1. Introdução

A pandemia de Covid-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 e iniciada em 2020, provocou impactos significativos nas economias globais, afetando diretamente diversos setores no Brasil. Este cenário de crise sanitária e econômica exigiu a adoção de medidas de distanciamento social e impactou profundamente a dinâmica de trabalho e consumo (Rezende et al., 2020). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023) revelou que o número de óbitos em 2020 foi de aproximadamente um milhão e quinhentas mil pessoas, atingindo um milhão e oitocentas mil em 2021. Além disso, o IBGE (2020) apontou que sete milhões e novecentas mil pessoas passaram a trabalhar remotamente, e quinze milhões e trezentas mil pessoas deixaram de procurar trabalho, o que impactou diretamente a renda e o nível de emprego.

No Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC, 2021) indicou que o varejo perdeu setenta e cinco mil estabelecimentos em 2020. O setor de varejo de bens duráveis, especificamente no segmento de móveis e eletrodomésticos, que possui uma associação direta com o consumo das famílias e o acesso ao crédito, vinha apresentando crescimento consecutivo desde 2017, com um aumento de 3,6% em 2019 (IBGE, 2020). Contudo, com o início da pandemia, o setor sofreu impactos imediatos devido ao distanciamento social e ao fechamento temporário das lojas físicas, resultando em uma queda acentuada no volume de vendas em abril de 2020 (IBGE, 2020).

Em contrapartida, o setor de transporte aéreo, essencial para o transporte de passageiros e cargas, demonstrou ser extremamente sensível a fatores macroeconômicos e eventos globais, como variações cambiais e oscilações no preço do combustível. Antes da pandemia, o setor aéreo brasileiro registrava um aumento no número de passageiros (ANAC, 2020). No entanto, a Covid-19 impôs restrições de mobilidade, fechamento de fronteiras e retração da atividade econômica, levando a uma queda abrupta no número de passageiros transportados (ANAC, 2021; Freitas, 2023). Este setor foi um dos primeiros e mais fortemente atingidos, gerando um ambiente de elevada instabilidade e exigindo adaptações na gestão operacional e financeira das empresas.

Diante desse cenário de crise, a pandemia afetou de forma heterogênea os diversos setores da economia, evidenciando choques de oferta e demanda simultâneos (Anjos, 2021). Compreender como as empresas responderam a essas adversidades, adaptando suas estratégias de negócio e gestão financeira, torna-se crucial. A análise de indicadores econômico-financeiros é uma ferramenta essencial para avaliar a saúde financeira das empresas e sua capacidade de adaptação em momentos de crise (Assaf Neto, 2014; Moreira, 2025). Esses indicadores, que podem ser agrupados em categorias como liquidez, endividamento e rentabilidade, permitem uma interpretação estruturada das demonstrações contábeis sob diferentes perspectivas (Assaf Neto, 2014; Moreira, 2025; Marion, 2019; Iudícibus, 2010).

A liquidez avalia a capacidade da empresa de honrar suas obrigações de curto e longo prazo, enquanto o endividamento analisa a estrutura de capital e a dependência de recursos de terceiros. A rentabilidade, por sua vez, mensura a eficiência na geração de resultados a partir dos recursos investidos (Assaf Neto, 2014; Moreira, 2025). Este estudo, portanto, justifica-se pela necessidade de contribuir para a aplicabilidade dos indicadores como ferramenta de análise para a tomada de decisões e para demonstrar diferentes estratégias de negócios para se adaptar a uma crise, considerando a característica de cada setor da economia e o novo perfil de consumidor. Assim, o objetivo geral desta pesquisa é compreender como as empresas dos setores de varejo de bens duráveis e transporte aéreo, listadas na B3, responderam às adversidades causadas pela pandemia de Covid-19, por meio da análise conjunta de seus indicadores econômico-financeiros no período de 2019 a 2021.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se por sua natureza quantitativa, adotando uma abordagem metodológica documental. O estudo teve como objetivo compreender como empresas de setores específicos responderam à pandemia de Covid-19, por meio da análise de indicadores econômico-financeiros. A investigação abrangeu o período de 2019 a 2021, englobando fases pré-pandemia e de crise, permitindo uma avaliação temporal dos impactos no desempenho econômico-financeiro das organizações.

A unidade de análise consistiu em dados secundários, extraídos de balanços patrimoniais e demonstrações de resultados de empresas listadas na B3. As informações financeiras foram coletadas diretamente dos sites oficiais das companhias e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este procedimento assegurou a confiabilidade e a padronização dos dados utilizados para a análise (Assaf Neto, 2014).

O estudo foi estruturado como uma análise comparativa, tanto temporal quanto setorial. A comparação temporal visou a evolução dos indicadores ao longo dos anos, enquanto a comparação setorial confrontou os resultados das empresas com seus concorrentes (Assaf Neto, 2014). Essa abordagem permitiu identificar padrões e diferenças na resposta dos setores às adversidades da pandemia.

Para a comparação setorial, selecionaram-se quatro empresas listadas na B3, pertencentes a dois setores distintos: varejo de bens duráveis e transporte aéreo. A escolha desses setores fundamentou-se no impacto relevante e diferenciado da pandemia em seus desempenhos econômico-financeiros. O setor de varejo de bens duráveis foi selecionado por evidenciar os efeitos da pandemia após a digitalização dos canais de venda, e o setor de transporte aéreo, por apresentar impactos severos devido às restrições de mobilidade e fechamento de fronteiras.

A seleção das empresas específicas baseou-se em critérios de relevância de mercado, representatividade setorial e disponibilidade de informações financeiras. No setor de varejo de bens duráveis, selecionaram-se Magazine Luiza S/A e Via S/A. Para o setor de transporte aéreo, foram selecionadas Azul S/A e Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A, consideradas as maiores empresas em número de voos domésticos em 2019 (ANAC, 2020).

Para a análise, utilizaram-se indicadores econômico-financeiros calculados a partir das demonstrações financeiras. Esses indicadores foram agrupados em três categorias principais: liquidez, estrutura de capital (endividamento) e rentabilidade. A escolha desses indicadores possibilitou analisar diferentes perspectivas da situação financeira de cada empresa (Moreira, 2025; Assaf Neto, 2014).

Na categoria de liquidez, foram empregados os indicadores de liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. A liquidez corrente, que avalia a capacidade de honrar obrigações de curto prazo, foi calculada pela razão entre Ativo Circulante e Passivo Circulante. A liquidez seca, que desconsidera estoques, foi determinada pela razão entre (Ativo Circulante – Estoques) e Passivo Circulante (Assaf, 2020; Gitman, 2010).

A liquidez geral, que considera ativos e passivos de curto e longo prazo (Iudícibus, 2010), foi obtida pela razão entre (Ativos Circulantes + Ativos Não Circulantes) e (Passivos Circulantes + Passivos Não Circulantes). Esses indicadores permitiram avaliar a capacidade das empresas em honrar suas obrigações de curto e longo prazo, sob diferentes perspectivas de solvência.

Para a categoria de endividamento, utilizaram-se os indicadores de participação de capital de terceiros e composição do endividamento. A participação de capital de terceiros foi calculada pela razão entre Passivo Total e Patrimônio Líquido. A composição do endividamento foi mensurada pela razão entre Passivo Circulante e Passivo Total (Marion, 2019; Assaf, 2020). Esses indicadores permitiram analisar a estrutura de capital e o grau de dependência de recursos de terceiros.

Na categoria de rentabilidade, aplicaram-se os indicadores de retorno sobre ativos (ROA) e retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). O ROA foi calculado pela razão entre Lucro Líquido e Ativo Total. O ROE foi determinado pela razão entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido (Assaf, 2020; Gitman, 2010). Para o cálculo do ROA, optou-se pela utilização do lucro líquido para uma análise mais abrangente, considerando os efeitos extraordinários em estruturas de capital durante crises.

A análise comparativa dos indicadores permitiu evidenciar diferenças na gestão financeira, na estrutura de capital e na capacidade de adaptação das empresas às condições adversas do ambiente econômico. Os procedimentos metodológicos adotados foram consistentes com o objetivo de compreender as respostas das empresas dos setores de varejo de bens duráveis e transporte aéreo às adversidades da pandemia de Covid-19, no período de 2019 a 2021.

3. Resultados e Discussão

O presente estudo apresentou a análise de dois setores da economia brasileira que foram fortemente impactados pela pandemia de Covid-19: o varejo de bens duráveis e o setor de transporte aéreo. Diante desse cenário de crise sanitária e econômica, cada setor demonstrou comportamentos distintos em resposta às restrições sociais impostas e aos efeitos econômicos decorrentes da redução da renda e do nível de emprego. A análise dos indicadores econômico-financeiros, realizada com base em dados extraídos dos relatórios de resultados divulgados pelas companhias selecionadas, permitiu contextualizar os impactos observados e evidenciar o desempenho e posicionamento estratégico de cada empresa.

A pesquisa confirmou que os impactos da pandemia foram heterogêneos, evidenciando choques de oferta e demanda simultâneos, conforme apontado por Anjos (2021). Enquanto o setor de varejo de bens duráveis demonstrou maior resiliência e capacidade de adaptação, o setor de transporte aéreo enfrentou um impacto severo, com dificuldades significativas de recuperação. Essa distinção ressalta a importância de considerar as particularidades de cada segmento econômico ao analisar a resposta das empresas a crises globais.

Setor de Varejo de bens duráveis (móveis e eletrodomésticos)

O setor de varejo de bens duráveis, especialmente no segmento de móveis e eletrodomésticos, mantém uma associação direta com o consumo das famílias, o acesso ao crédito e as condições macroeconômicas, como renda e emprego. Dados do IBGE (2020) indicaram que este setor registrou crescimento consecutivo desde 2017, com um aumento de 3,6% em 2019 em relação ao ano anterior. Essa expansão foi impulsionada pela recuperação econômica e pela crescente adoção do e-commerce, que já vinha se consolidando como um canal de vendas relevante.

Com o início da pandemia de Covid-19, o setor sofreu impactos imediatos, resultando em uma queda acentuada no índice de volume de vendas de móveis e eletrodomésticos em abril de 2020. Esse declínio foi uma consequência direta do distanciamento social, da redução da renda das famílias e do aumento do desemprego, que levaram ao fechamento temporário das lojas físicas. A interrupção das atividades presenciais gerou um desafio significativo para a continuidade das operações e a manutenção do faturamento.

Contudo, o setor reagiu rapidamente nos meses subsequentes, com uma notável retomada das vendas. Esse movimento de recuperação pode ser atribuído à aceleração da transformação digital e à integração entre os canais físicos e digitais das empresas. Em 2020, o faturamento do e-commerce brasileiro no setor apresentou um aumento expressivo de 80,9% em comparação ao ano anterior, seguido por um crescimento de 34,1% em 2021, conforme dados da Fecomercio SP (2024). Essa rápida adaptação ao ambiente digital foi crucial para mitigar os efeitos da crise.

A transformação digital justificou a rápida recuperação do setor, mesmo diante dos desafios impostos pela crise sanitária. Além disso, fatores como o auxílio emergencial concedido pelo governo federal e a maior permanência das famílias em casa contribuíram significativamente para o aumento da demanda por bens duráveis. Esses elementos, combinados com a capacidade de inovação das empresas, permitiram que o varejo de bens duráveis demonstrasse uma resiliência notável, adaptando-se às novas condições de mercado e consumo.

Setor de transporte aéreo

O setor de transporte aéreo desempenha um papel fundamental na economia, sendo responsável pelo transporte de passageiros e cargas, além de impulsionar atividades econômicas ligadas ao turismo e negócios. No entanto, este setor é intrinsecamente sensível a fatores macroeconômicos e eventos globais, apresentando alta exposição a riscos e instabilidades, como variações cambiais, oscilações no preço do combustível e crises econômicas, além das restrições à mobilidade observadas durante a pandemia.

No período anterior à pandemia de Covid-19, o setor de transporte aéreo brasileiro registrava um crescimento no número de passageiros, atingindo o maior valor da série histórica, segundo a ANAC (2020). Essa trajetória de crescimento refletia um cenário de expansão e otimismo para as companhias aéreas. Contudo, a chegada da pandemia alterou drasticamente essa dinâmica, impondo desafios sem precedentes ao setor.

A pandemia provocou uma queda abrupta no número de passageiros transportados, tanto no mercado doméstico quanto no internacional. Essa retração foi um resultado direto das restrições à mobilidade, do fechamento de fronteiras e da redução das atividades econômicas em escala global. Embora 2021 tenha apresentado uma leve recuperação, os níveis de passageiros transportados permaneceram abaixo dos patamares pré-pandemia, evidenciando a persistência dos impactos negativos.

O setor de transporte aéreo foi um dos primeiros e mais fortemente atingidos pelos efeitos da pandemia, gerando um ambiente de elevada instabilidade, conforme destacado por Freitas (2023). As empresas foram obrigadas a adaptar drasticamente sua gestão operacional e financeira para garantir a continuidade de suas atividades. A alta vulnerabilidade a fatores externos e a dependência da mobilidade de pessoas tornaram a recuperação um processo lento e desafiador, exigindo reestruturações profundas e apoio governamental.

Análise dos indicadores econômico-financeiros

A análise dos indicadores econômico-financeiros foi realizada com base nas demonstrações financeiras das empresas selecionadas, abrangendo o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, para o período de 2019 a 2021. As informações foram obtidas nos canais de relações com investidores das companhias e na B3, garantindo a confiabilidade e padronização dos dados. Este estudo adotou uma análise comparativa temporal e setorial, permitindo avaliar o desempenho econômico-financeiro das empresas em diferentes fases do cenário pandêmico.

Embora inseridas em um mesmo contexto de crise, as empresas analisadas adotaram estratégias distintas para enfrentar os impactos da pandemia, o que se refletiu em seus desempenhos econômico-financeiros. A análise comparativa dos indicadores permitiu evidenciar diferenças significativas na gestão financeira, na estrutura de capital e na capacidade de adaptação às condições adversas do ambiente econômico. Os indicadores foram agrupados em três categorias principais: liquidez, endividamento e rentabilidade, conforme a metodologia estabelecida.

Indicadores de liquidez

Os indicadores de liquidez (corrente, seca e geral) permitem avaliar a capacidade das empresas em honrar suas obrigações de curto e longo prazo. A liquidez corrente, que mede a relação entre o ativo circulante e o passivo circulante, indica a capacidade de pagamento de curto prazo. Valores superiores a um são considerados confortáveis, enquanto valores inferiores a um podem sinalizar risco de liquidez, segundo Assaf Neto (2020).

A Magazine Luiza manteve níveis de liquidez corrente superiores a um em todos os anos analisados, com 1,60 em 2019, 1,25 em 2020 e 1,61 em 2021, demonstrando uma ótima capacidade de honrar suas obrigações de curto prazo, mesmo durante a pandemia. Essa resiliência foi atribuída à sua estratégia multicanal, que integrou lojas físicas, e-commerce e marketplace, permitindo a manutenção de receitas e o giro de estoques mesmo com as restrições sociais.

Por outro lado, a Via Varejo, embora do mesmo setor, apresentou maior volatilidade na liquidez corrente, sendo superior a um apenas em 2020 (1,04), ano em que houve crescimento significativo de vendas via comércio eletrônico. Em 2019, o indicador foi de 0,79, e em 2021, de 0,99. Já as companhias aéreas demonstraram um cenário mais desafiador. A Azul S/A registrou liquidez corrente inferior a um em todo o período (0,60 em 2019, 0,53 em 2020 e 0,50 em 2021), indicando uma tendência de deterioração e insuficiência de ativos circulantes para cobrir obrigações de curto prazo.

A Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A apresentou os menores níveis de liquidez corrente entre as empresas analisadas, com 0,48 em 2019, 0,31 em 2020 e 0,24 em 2021, evidenciando uma deterioração contínua da capacidade de pagamento no curto prazo e uma maior dependência de recursos externos. Esse cenário reflete as severas pressões sobre o capital de giro do setor aéreo, que foi diretamente impactado pelas restrições de mobilidade e a queda abrupta na demanda.

A liquidez seca, que desconsidera os estoques por serem ativos de menor liquidez, oferece uma visão mais conservadora da solvência de curto prazo, conforme Assaf Neto (2020). A Magazine Luiza apresentou 1,13 em 2019, reduzindo para 0,81 em 2020 devido ao fechamento de lojas físicas, mas recuperando para 1,01 em 2021, impulsionada pela aceleração da transformação digital e menor dependência de estoques devido ao marketplace.

A Via Varejo, por sua vez, registrou níveis de liquidez seca inferiores a um em todo o período (0,50 em 2019, 0,71 em 2020 e 0,61 em 2021), indicando dependência dos estoques para liquidar obrigações de curto prazo. Essa situação se deveu à maior dependência de lojas físicas e a um e-commerce menos estruturado em comparação com a Magazine Luiza. No setor aéreo, a Azul S/A apresentou redução gradual de 0,57 em 2019 para 0,45 em 2021, refletindo a deterioração da liquidez e os impactos negativos da pandemia na geração de receitas e fluxo de caixa.

A Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A demonstrou a situação mais crítica, com o indicador de liquidez seca reduzindo de 0,46 em 2019 para 0,22 em 2021. Essa forte deterioração da capacidade de pagamento no curto prazo evidencia uma elevada dependência de financiamento externo e uma maior exposição ao risco financeiro. Os resultados para o setor aéreo confirmam a vulnerabilidade intrínseca dessas empresas a choques externos que afetam diretamente a demanda e a capacidade operacional.

A liquidez geral, que considera tanto os ativos quanto os passivos de curto e longo prazo, é um indicador de solvência financeira. Valores superiores a um indicam solvência, enquanto valores inferiores podem sinalizar maior risco no longo prazo, embora a interpretação deva considerar a qualidade dos ativos e o contexto da empresa (Iudícibus, 2010). A Magazine Luiza manteve níveis acima de 1,00 nos três anos (1,62 em 2019, 1,42 em 2020 e 1,42 em 2021), demonstrando uma situação financeira equilibrada e resiliência durante a pandemia, sustentada pela transformação digital e integração de canais.

A Via Varejo, embora com níveis de liquidez geral menores que a Magazine Luiza, também apresentou indicadores acima de 1,00 ao longo do período, com 1,02 em 2019, 1,22 em 2020 e 1,19 em 2021. A empresa adotou uma reestruturação focada no crescimento do e-commerce para melhorar a gestão do capital de giro. No setor de transporte aéreo, o cenário foi crítico. A Azul S/A registrou liquidez geral inferior a 1,00 em todo o período (0,85 em 2019, 0,53 em 2020 e 0,50 em 2021), evidenciando dificuldades financeiras pela forte sensibilidade a fatores globais e a deterioração contínua.

A Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A apresentou os menores níveis de liquidez geral entre as empresas analisadas, com 0,68 em 2019, 0,48 em 2020 e 0,41 em 2021, demonstrando uma deterioração contínua da solvência. Esses resultados reforçam a percepção de que o setor aéreo foi profundamente afetado pela pandemia, com as empresas enfrentando desafios significativos para manter sua solvência e liquidez em um ambiente de demanda drasticamente reduzida e custos operacionais elevados.

Indicadores de endividamento

Os indicadores de endividamento (participação de capital de terceiros e composição do endividamento) permitem analisar a estrutura de capital e o grau de dependência de recursos de terceiros. A participação de capital de terceiros revela a proporção entre recursos próprios e de terceiros, sendo fundamental para avaliar a alavancagem financeira e o comprometimento com obrigações. Valores elevados indicam maior alavancagem, enquanto valores reduzidos refletem maior participação de capital próprio (Marion, 2019).

A Magazine Luiza registrou um aumento na participação de capital de terceiros ao longo do período analisado, passando de 1,62 em 2019 para 2,41 em 2021. Esse aumento foi interpretado como uma estratégia de alavancagem voltada à expansão e ao ganho de participação de mercado, e não como uma deterioração da estrutura financeira da companhia. A empresa utilizou recursos de terceiros para financiar seu crescimento, especialmente no contexto da expansão do e-commerce e marketplace.

No caso da Via Varejo, o indicador de participação de capital de terceiros foi extremamente elevado em 2019 (41,26), o que exigiu cautela na análise. Esse valor decorreu de uma significativa redução do patrimônio líquido, causada por um prejuízo de R$ 1.433 bilhão naquele ano. A partir de 2020, a empresa adotou uma estratégia de reestruturação financeira, incluindo uma oferta pública de ações, o que resultou em uma melhora no desempenho operacional e no indicador, que passou para 4,53 em 2020 e 5,27 em 2021.

Para as empresas do setor aéreo, Azul S/A e Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A, ambas apresentaram patrimônio líquido negativo durante o período de 2019 a 2021, caracterizando uma situação de passivo a descoberto. Nessas circunstâncias, a aplicação do indicador de participação de capital de terceiros tornou-se inadequada do ponto de vista analítico, pois sua fórmula relaciona o capital de terceiros com o patrimônio líquido. Optou-se por não considerar os resultados desse indicador para essas empresas, a fim de evitar conclusões equivocadas sobre seu desempenho econômico.

A composição do endividamento demonstra a proporcionalidade entre as dívidas de curto e longo prazo, sinalizando o nível de risco de liquidez. Valores elevados indicam maior pressão sobre o caixa no curto prazo, enquanto valores reduzidos refletem maior concentração de dívidas no longo prazo (Assaf Neto, 2014). A Magazine Luiza apresentou um aumento na composição do endividamento de curto prazo em 2020, passando de 0,65 em 2019 para 0,77, refletindo maior concentração de obrigações de curto prazo.

Esse aumento na Magazine Luiza esteve vinculado ao crescimento operacional do e-commerce, que demandou um maior volume de capital de giro com a elevação do passivo junto aos fornecedores. Em 2021, a empresa indicou uma melhora no perfil do endividamento, com o indicador em 0,56, e um maior equilíbrio entre as obrigações de curto e longo prazo. A Via Varejo, por sua vez, apresentou estabilidade na composição do endividamento ao longo do período analisado, com 0,66 em 2019, 0,68 em 2020 e 0,63 em 2021.

A Via Varejo já estava em processo de ajuste em sua estrutura financeira em 2019, buscando o alongamento das dívidas para melhorar seu capital de giro. Com o aumento das operações de e-commerce em 2020 e 2021, a empresa demandou um nível de endividamento maior, mas conseguiu manter o equilíbrio em sua estrutura financeira. A Azul S/A também apresentou relativa estabilidade na composição do endividamento ao longo do período (0,30 em 2019, 0,34 em 2020 e 0,32 em 2021), evidenciando uma baixa participação de dívidas de curto prazo.

Em 2020, a Azul S/A registrou um leve aumento, reflexo da pandemia e da necessidade de fontes de financiamento de curto prazo para sustentar suas operações. Em 2021, a empresa atuou com a renegociação de suas obrigações de curto prazo para reduzir o risco de liquidez. A Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A apresentou redução contínua na composição do endividamento ao longo do período analisado, passando de 0,46 em 2019 para 0,31 em 2021. A empresa adotou medidas similares à Azul, com renegociação de dívidas e alongamento dos prazos, mesmo em um cenário de elevada alavancagem.

Indicadores de rentabilidade

Os indicadores de rentabilidade (Retorno sobre Ativos – ROA e Retorno sobre o Patrimônio Líquido – ROE) permitem mensurar a eficiência na geração de resultados a partir dos recursos investidos. O Retorno sobre Ativos (ROA) indica a capacidade da empresa de gerar lucros com seus ativos, sendo um indicador do desempenho operacional. Valores positivos indicam eficiência na gestão operacional, enquanto valores negativos podem sinalizar prejuízo (Assaf Neto, 2014).

A Magazine Luiza apresentou uma redução gradual do ROA ao longo do período analisado, passando de 0,03 em 2019 para 0,00 em 2021. Essa redução pode ser explicada pelo crescimento acelerado das operações, impulsionado principalmente pelo comércio eletrônico, que demandou elevados investimentos em ativos, gerando um lucro líquido menor em relação ao lucro bruto. No ano seguinte, a empresa continuou com a estratégia de expansão de seus ativos, impulsionada pelo e-commerce, o que pressionou a rentabilidade.

A Via Varejo apresentou elevada volatilidade no ROA ao longo do período analisado. Em 2019, a empresa registrou um valor negativo de -0,06, mas observou-se uma recuperação significativa em 2020, com 0,03, impulsionada pelo crescimento expressivo do comércio eletrônico. Contudo, em 2021, o indicador voltou a apresentar um valor negativo de -0,01, em um cenário mais competitivo, levando a uma maior dificuldade no desempenho operacional e na manutenção das margens.

No setor de transporte aéreo, a Azul S/A demonstrou uma redução significativa do ROA com o início da pandemia, apresentando valores negativos em todos os anos analisados: 0,04 em 2019, -0,64 em 2020 e -0,26 em 2021. Essa situação reflete a incapacidade da empresa de gerar retornos a partir de seus ativos em um contexto de demanda drasticamente reduzida. A Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A também registrou valores negativos no ROA em todos os anos (2019: -0,01; 2020: -0,47; 2021: -0,50), indicando baixa capacidade de gerar retornos a partir de seus ativos e alta ineficiência operacional.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) indica a capacidade da empresa em remunerar os sócios com base no lucro líquido, sendo um indicador fundamental de rentabilidade e atratividade de investimento. Valores positivos indicam que a empresa gerou resultados suficientes para remunerar o capital investido pelos acionistas, enquanto valores negativos evidenciam prejuízo e destruição de valor (Iudícibus, 200). A Magazine Luiza apresentou uma redução gradual do ROE ao longo do período analisado, de 0,07 em 2019 para 0,01 em 2021, evidenciando diminuição da rentabilidade em relação ao capital próprio, especialmente no contexto da pandemia.

Em 2020, a Magazine Luiza adotou uma estratégia de crescimento e aceleração da transformação digital, o que demandou um maior nível de investimentos e reduziu seu lucro líquido. No ano seguinte, a empresa continuou os investimentos em conjunto com a expansão de seus negócios, pressionando a rentabilidade para níveis mais baixos. A Via Varejo apresentou elevada volatilidade no ROE. Em 2019, o indicador foi fortemente negativo (-2,48), decorrente de um prejuízo de R$ 1,433 bilhão que reduziu o patrimônio líquido de forma expressiva.

A combinação desses resultados justificou a disparidade do indicador de 2019 para a Via Varejo, considerando a relação entre lucro líquido e patrimônio líquido. Entretanto, a empresa passou por uma forte recuperação financeira e operacional, permitida pelo crescimento do e-commerce, que gerou um lucro líquido expressivo de aproximadamente R$ 1,0 bilhão, resultando em um indicador positivo de 0,17 em 2020. No ano de 2021, houve aumento na concorrência, pressionando suas margens e custos, evidenciando dificuldades para sustentar o ROE do ano anterior, que ficou em -0,05.

Para as empresas do setor aéreo, Azul S/A e Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A, ambas apresentaram patrimônio líquido negativo durante o período de 2019 a 2021, caracterizando uma situação de passivo a descoberto. Nessas circunstâncias, a aplicação do indicador ROE tornou-se inadequada do ponto de vista analítico, uma vez que sua fórmula relaciona o lucro líquido e o patrimônio líquido. Dessa forma, optou-se por não considerar os resultados desse indicador para essas empresas, a fim de evitar conclusões equivocadas e comprometer a interpretação do desempenho econômico da empresa.

Análise integrada dos resultados

Os resultados desta pesquisa confirmaram que cada setor sofreu impactos heterogêneos da pandemia, evidenciando choques de oferta e demanda de forma simultânea, conforme já apontado por Anjos (2021). No setor de varejo de bens duráveis, verificou-se maior resiliência e capacidade de adaptação aos desafios impostos pela pandemia. Isso se manifestou na manutenção da liquidez em níveis satisfatórios e em uma pequena redução na rentabilidade, graças à intensificação da transformação digital de seus canais de venda, conforme Ebit e Nielsen (2021).

A maturidade digital do setor de varejo permitiu que as empresas resistissem aos impactos das restrições sociais e à mudança no comportamento de consumo. A estratégia de intensificar a digitalização dos canais de venda, com a expansão do e-commerce e a integração com as lojas físicas e marketplaces, foi fundamental para a recuperação de receita e para sustentar os indicadores de liquidez e rentabilidade em patamares satisfatórios, demonstrando uma adaptação rápida ao novo perfil do consumidor.

Por outro lado, o setor de transporte aéreo demonstrou um impacto severo em seus indicadores econômico-financeiros, evidenciado pela redução da liquidez, elevação do endividamento e rentabilidade negativa ao longo do período analisado, conforme dados da ANAC (2021). Este setor revelou sua alta vulnerabilidade a crises domésticas e globais, como a pandemia, que causou restrições sociais e fechamento de fronteiras. As empresas aéreas enfrentaram uma alta exposição a riscos multifatoriais, incluindo aspectos regulatórios, financeiros, cambiais e operacionais, resultando em baixo nível de liquidez, elevado grau de endividamento e baixa eficiência operacional.

Em síntese, a pesquisa demonstrou como cada empresa e setor se adaptou aos efeitos da pandemia, impactando diretamente seu desempenho econômico-financeiro. O setor de varejo de bens duráveis adotou a estratégia de intensificar a digitalização de seus canais de venda, com o e-commerce e a integração com as lojas físicas e marketplaces, resistindo de forma resiliente à pandemia. Já o setor de transporte aéreo se demonstrou vulnerável a fatores globais, enfrentando maiores dificuldades de recuperação e evidenciando a necessidade de uma gestão financeira e operacional mais robusta para lidar com cenários de crise.

4. Conclusão

O presente estudo buscou compreender como empresas dos setores de varejo de bens duráveis e transporte aéreo, listadas na B3, responderam às adversidades da pandemia de Covid-19, por meio da análise de seus indicadores econômico-financeiros entre 2019 e 2021. Verificou-se que os impactos da pandemia foram heterogêneos, com o setor de varejo de bens duráveis demonstrando maior resiliência. Neste segmento, observou-se a manutenção de níveis satisfatórios de liquidez e uma menor dependência de capital de terceiros, impulsionada pela rápida adaptação à transformação digital e à expansão do e-commerce e marketplace. Essa agilidade permitiu que as empresas resistissem às restrições sociais e às mudanças no comportamento do consumidor, sustentando seu desempenho.

Em contrapartida, o setor de transporte aéreo enfrentou um cenário de severa deterioração. Identificou-se uma redução significativa nos indicadores de liquidez, uma elevação do endividamento e um desempenho negativo de rentabilidade. As empresas aéreas demonstraram alta vulnerabilidade a fatores externos, como restrições de mobilidade e fechamento de fronteiras, resultando em dificuldades substanciais de recuperação. A análise de indicadores como o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e a participação de capital de terceiros para as companhias aéreas foi limitada pela ocorrência de patrimônio líquido negativo, o que caracterizou uma situação de passivo a descoberto e inviabilizou a aplicação analítica desses índices. A pesquisa, ao evidenciar essas respostas setoriais distintas, destaca a importância da capacidade de adaptação dos modelos de negócio e a aplicabilidade dos indicadores econômico-financeiros como ferramenta essencial para a tomada de decisões estratégicas em cenários de crise, contribuindo para a compreensão das diferentes abordagens de gestão financeira e operacional.

Referências Bibliográficas

Agência Nacional de Aviação Civil [ANAC]. 2020. Mercado aéreo registra maior número de passageiros transportados da série histórica. Disponível em: <https://www.gov.br/anac/pt-br/noticias/2020/mercado-aereo-registra-maior-numero-de-passageiros-transportados-da-serie-historica>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Agência Nacional de Aviação Civil [ANAC]. 2021. Anuário do transporte aéreo 2021. Disponível em: <https://www.gov.br/anac>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Anjos, L.P. 2021. Impacto da pandemia de COVID-19 na economia brasileira: uma abordagem com modelo DSGE. Tese de Mestrado em Economia. Fundação Getulio Vargas, São Paulo, SP, Brasil.

Assaf Neto, A. 2014. Finanças corporativas e valor. 7ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Assaf Neto, A. 2020. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financeiro. 12ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo [CNC]. 2021. Varejo perdeu 75 mil estabelecimentos em 2020. Disponível em: <https://static.poder360.com.br/2021/03/http__www.cnc_.org_.br_sites_default_files_2021-03_AnC3A1lise20BalanC3A7o20de20Lojas20-202020_0.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2026.

Ebit; Nielsen. 2021. Webshoppers 43ª edição: relatório de e-commerce no Brasil. São Paulo, SP, Brasil.

Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo [FECOMERCIO SP]. 2024. E-commerce sustenta crescimento pós-pandemia e deve registrar vendas recordes em 2024. Disponível em: <https://www.fecomercio.com.br/noticia/e-commerce-sustenta-crescimento-pos-pandemia-e-deve-registrar-vendas-recordes-em-2024-calcula-fecomercio-sp>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Freitas, V. 2023. Impacto da pandemia de COVID-19 nos indicadores econômico-financeiros das empresas de transporte aéreo listadas na B3. Práticas em Contabilidade e Gestão. 11(3): 5-6

Gitman, L.J. 2010. Princípios de administração financeira. 12ed. Pearson Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2020. Desocupação, renda, afastamentos, trabalho remoto e outros efeitos da pandemia no trabalho. Disponível em: <https://covid19.ibge.gov.br/pnad-covid/trabalho.php>. Acesso em: 12 abr. 2026.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2023. Em 2021, número de óbitos bate recorde de 2020 e número de nascimentos é o menor da série. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/36300-em-2021-numero-de-obitos-bate-recorde-de-2020-e-numero-de-nascimentos-e-o-menor-da-serie>. Acesso em: 26 mar. 2025.

Iudícibus, S. 2010. Análise de balanços. 10ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Marion, J.C. 2019. Análise das demonstrações contábeis. 8ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Moreira, C.S. 2025. Conselho de administração: a relação entre o perfil dos conselhos de administração, os resultados econômico-financeiros e os riscos financeiros. Dialética, São Paulo, SP, Brasil.

Rezende, A.A.; Marcelino, J.A.; Miyaji, M. 2020. A reinvenção das vendas: as estratégias das empresas brasileiras para gerar receitas na pandemia de covid-19. Boletim de Conjuntura 2(6): 53-69.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade